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Estudos em Avaliação Educacional

versão impressa ISSN 0103-6831versão On-line ISSN 1984-932X

Est. Aval. Educ. vol.37  São Paulo  2026  Epub 29-Abr-2026

https://doi.org/10.18222/eae.v37.12124 

ARTIGOS

DESEMPENHO NO ENADE E EXAME DE SUFICIÊNCIA DO CFC: CONVERGÊNCIAS E DIVERGÊNCIAS

DESEMPEÑO EN EL ENADE Y EXAMEN DE SUFICIENCIA DEL CFC: CONVERGENCIAS Y DIVERGENCIAS

PERFORMANCE IN ENADE AND CFC SUFFICIENCY EXAM: CONVERGENCES AND DIVERGENCES

BRUNO BARBOSA DE SOUZAI  , curadoria de dados, redação do manuscrito original, revisão, aprovação da versão final do trabalho
http://orcid.org/0000-0002-9613-9562

LAYNE VITÓRIA FERREIRAII  , redação do manuscrito original, revisão, aprovação da versão final do trabalho
http://orcid.org/0000-0002-2397-8410

GILBERTO JOSÉ MIRANDAIII  , conceitualização
http://orcid.org/0000-0002-1543-611X

EDVALDA ARAÚJO LEALIV  , conceitualização
http://orcid.org/0000-0002-7497-5949

JANSER MOURA PEREIRAV  , análise de dados, redação, revisão, aprovação da versão final do trabalho
http://orcid.org/0000-0002-4622-6203

IUniversidade Federal de Uberlândia (UFU), Uberlândia-MG, Brasil; bruno06bs@gmail.com

IIUniversidade Federal de Uberlândia (UFU), Uberlândia-MG, Brasil; lyvferreira@gmail.com

IIIUniversidade Federal de Uberlândia (UFU), Uberlândia-MG, Brasil; gilbertojm1@gmail.com

IVUniversidade Federal de Uberlândia (UFU), Uberlândia-MG, Brasil; edvalda@ufu.br

VUniversidade Federal de Uberlândia (UFU), Uberlândia-MG, Brasil; janser@ufu.br


RESUMO

Avaliaram-se os determinantes do rendimento no Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) e as taxas de aprovação no Exame de Suficiência do Conselho Federal de Contabilidade (CFC) para os cursos de Ciências Contábeis. Foram utilizados dados de 552 cursos de graduação participantes dos exames no segundo semestre de 2022. Os resultados revelaram que, em ambos os exames, a categoria administrativa e a região de localização do curso foram fatores determinantes. No Enade, observou-se que percepções positivas sobre as oportunidades de ampliação da formação podem fazer a diferença. No Exame de Suficiência, a proporção de professores doutores vinculados à instituição pode ser relevante para a aprovação. A pesquisa fomenta e amplia a discussão sobre como características institucionais e docentes podem afetar o desempenho discente nos exames.

PALAVRAS-CHAVE: EXAME NACIONAL DE DESEMPENHO DOS ESTUDANTES; EXAME DE SUFICIÊNCIA; DESEMPENHO; CONTABILIDADE

RESUMEN

Se evaluaron los determinantes del rendimiento en el Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes [Examen Brasileño de Desempeño Estudiantil] (Enade) y las tasas de aprobación en el Examen de Suficiencia del Consejo Federal de Contabilidad de la carrera de Ciencias Contables. Se utilizaron datos de 552 programas de grado participantes en los exámenes del segundo semestre de 2022. Los resultados revelaron que, en ambos exámenes, la categoría administrativa y la región de ubicación del curso fueron factores determinantes. En el Enade, se observó que las percepciones positivas sobre las oportunidades de ampliación de la formación pueden marcar la diferencia. En el Examen de Suficiencia, la proporción de profesores con grado de doctor vinculados a la institución puede ser relevante para la aprobación. La investigación fomenta y amplía la discusión sobre cómo las características institucionales y docentes pueden afectar el desempeño estudiantil en las evaluaciones.

PALABRAS CLAVE: EXAME NACIONAL DE DESEMPENHO DOS ESTUDANTES; EXAMEN DE SUFICIENCIA; DESEMPEÑO; CONTABILIDAD

ABSTRACT

This study assessed the determinants of performance in the Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes [Brazilian Student Performance Exam] (Enade) and the pass rates in the Federal Accounting Council Proficiency Examination for undergraduate Accounting programs. Data from 552 undergraduate programs that participated in the exams in the second semester of 2022 were analyzed. The results showed that, in both exams, the administrative category and the region in which the program is located were determining factors. In the Enade, positive perceptions regarding opportunities to broaden academic training were found to make a difference. In the Proficiency Examination, the proportion of faculty members holding doctoral degrees and affiliated with the institution may be relevant to passing rates. The study fosters and expands the discussion on how institutional and faculty characteristics may affect student performance on exams.

KEYWORDS: EXAME NACIONAL DE DESEMPENHO DOS ESTUDANTES; PROFICIENCY EXAMINATION; PERFORMANCE; ACCOUNTING

INTRODUÇÃO

No Brasil, a expansão do ensino superior revela um aumento considerável na oferta de cursos de graduação em Ciências Contábeis, que se destaca por ocupar o sétimo lugar entre os cursos com maior número de matrículas (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira [Inep], 2024). Diante disso, uma preocupação emerge: a qualidade do ensino oferecido pelas instituições de ensino superior (IES) (Ricardino et al., 2019; Cruz et al., 2021).

Frente a esse cenário educacional, as avaliações de larga escala tornam-se ferramentas importantes para as IES, na medida em que permitem avaliar os cursos de graduação, a infraestrutura desses cursos, as práticas de ensino, entre outros aspectos (Canan & Eloy, 2016). Na educação contábil, destacam-se o Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) e o Exame de Suficiência do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), como instrumentos de avaliação do desempenho dos alunos e indicadores da qualidade das IES (Bernardes & Silva, 2019; Oliveira et al., 2019). Embora tenham objetivos e formatos distintos, esses exames avaliam conhecimentos técnicos dos discentes de Ciências Contábeis.

O Enade é um exame nacional aplicado aos cursos de graduação, que tem como intuito avaliar o desempenho dos estudantes em relação aos conteúdos programáticos previstos nas diretrizes curriculares (Brito, 2008). Seus resultados são indicadores de interesse das instituições de ensino superior (Souza, 2022), pois, além de auxiliarem na gestão da qualidade dos cursos, servem de instrumento de marketing para atrair novos alunos (Silva, 2008; Freitas et al., 2015). Algumas dessas instituições promovem ações voltadas para a sensibilização dos estudantes, tais como cursos preparatórios, oficinas, seminários e palestras (T. D. Silva et al., 2017; Miranda et al., 2019; Souza, 2022), o que sinaliza a preocupação com o bom desempenho dos discentes no exame. Ações desse tipo são necessárias, em virtude dos baixos níveis de motivação dos alunos para realizarem essa avaliação (Miranda et al., 2019).

O Exame de Suficiência do CFC, por sua vez, é específico para bacharéis em Ciências Contábeis e tem como objetivo avaliar a qualificação técnica dos profissionais para ingresso no mercado de trabalho (Sena & Sallaberry, 2021). A aprovação nesse exame é de maior interesse dos alunos comparativamente ao Enade (Souza, 2022), tendo em vista que, para o exercício profissional da contabilidade, é necessário obter a credencial junto ao CFC (Sena & Sallaberry, 2021). Esse indicador tem pouca interferência das instituições de ensino, uma vez que os participantes, em sua maioria, são egressos (Souza, 2022).

A teoria da função da produção educacional tem sido utilizada como suporte teórico para investigar os determinantes do desempenho acadêmico. Na área contábil, pesquisas como as de Alves et al. (2015), Barroso et al. (2020), Durso (2021), Sena e Sallaberry (2021) destacam que a nota obtida pela IES no Enade está positivamente relacionada a maiores índices de aprovação no Exame de Suficiência. Por outro lado, a heterogeneidade da estrutura curricular dos cursos pode refletir de diferentes maneiras no rendimento nesse último exame (V. R. Silva et al., 2017).

A literatura sugere algumas relações gerais entre o Enade e o Exame de Suficiência (Alves et al., 2015; Souza & Sardeiro, 2019; Durso, 2021; Sena & Sallaberry, 2021), mas não detalha em quais determinantes do desempenho há convergências ou divergências. Estudos como os de Oliveira et al. (2019) e Souza (2022) evidenciam que os níveis de motivação discente para a realização dos exames são diferentes, assim como o conteúdo exigido neles. Essas diferenças podem influenciar o desempenho dos alunos, uma vez que os objetivos e os reflexos das avaliações são distintos. Além disso, a percepção sobre a relevância do exame para a carreira acadêmica ou profissional é outro fator que pode impactar na motivação dos participantes, assim como as características institucionais que também estão relacionadas ao desempenho discente no Enade e no Exame de Suficiência (Ferreira, 2015; Caetano et al., 2015; Barroso et al., 2020; Santana et al., 2025).

Dado esse contexto, tem-se o seguinte problema de pesquisa: quais os determinantes do rendimento no Enade e das taxas de aprovação no Exame de Suficiência do CFC? O objetivo geral do presente estudo é avaliar os determinantes relativos ao rendimento no Enade e as taxas de aprovação no Exame de Suficiência dos cursos de Ciências Contábeis. Também pretende-se identificar as variáveis correlacionadas ao desempenho no Enade e as taxas de aprovação no Exame de Suficiência, bem como comparar os fatores determinantes das duas avaliações.

A investigação aqui realizada contribui para os campos teórico e prático, na medida em que enriquece a literatura acerca do ensino superior em Ciências Contábeis com foco para a avaliação do desempenho acadêmico discente na área. A relevância do estudo reside na necessidade de ampliar o debate acerca das similaridades e divergências dos principais exames que permeiam a formação em Ciências Contábeis. Os resultados podem ser úteis para os coordenadores dos cursos de graduação da área contábil, uma vez que darão visibilidade aos fatores que determinam o desempenho dos estudantes no Enade e no Exame de Suficiência, o que, consequentemente, irá refletir na avaliação desses cursos.

Além disso, entende-se que os achados aqui apresentados poderão auxiliar as instituições de ensino no desenvolvimento de ações voltadas para a melhoria da qualidade da educação superior em Ciências Contábeis, a fim de assegurar não só um melhor desempenho discente, mas também uma formação humana e profissional que esteja alinhada às demandas, competências, habilidades e atitudes exigidas pelo mercado de trabalho, conforme preconizam as novas diretrizes curriculares do curso de Ciências Contábeis (Resolução CNE/CES n. 1, 2024).

REFERENCIAL TEÓRICO

Teoria da função da produção educacional

As avaliações de larga escala emergem como instrumentos essenciais para monitorar a qualidade do ensino, proporcionando subsídios para a formulação de políticas educacionais. O embasamento teórico dessas avaliações encontra-se na teoria da função da produção educacional, cujas raízes estão na economia (Deutsch et al., 2013). Essa teoria utiliza conceitos de produção para compreender como insumos educacionais são transformados em resultados, fornecendo uma perspectiva analítica para o estudo do desempenho acadêmico, inclusive seus determinantes e indicadores educacionais (Deutsch et al., 2013).

O processo produtivo é caracterizado pela transformação de insumos em produtos finais e descrito pela função de produção expressa por y = f(x), na qual “y” representa a quantidade de produtos e “x” a quantidade de insumos utilizados (Monk, 1989). Esse conceito, aplicado ao contexto das instituições de ensino superior, traduz- -se na relação entre recursos - como professores, salas de aula, bibliotecas - e os resultados educacionais gerados - tais como o desempenho discente e a qualidade do aprendizado.

Na área educacional, a função de produção é representada pela seguinte equação: O = γH + βX + ε (Equação 1), de modo que “O” é o resultado (como desempenho acadêmico ou rendimento em avaliações), “H” é o capital humano, “X” é o vetor de outros determinantes do resultado e “ε” é o termo de erro estocástico ( Hanushek & Woessmann, 2012). Os resultados acadêmicos (O) são influenciados por variáveis individuais, como experiência de mercado, gênero e condições de saúde, bem como por fatores relacionados à oferta educacional, como infraestrutura e qualidade do ensino.

Dada a escassez de recursos, não apenas o volume de insumos importa, mas também sua eficácia. Hanushek (1979) ressalta, por exemplo, a importância de haver professores qualificados em sala de aula para o aprendizado. No entanto não há consenso sobre quais fatores maximizam sistematicamente o desempenho acadêmico. A função de produção educacional é útil para identificar os elementos associados a melhores resultados em contextos específicos, considerando as diferenças entre grupos sociais, realidades econômicas e países (Monk, 1989).

Estudos sobre produção educacional e determinantes do desempenho acadêmico são fundamentais para compreender a complexidade dos modelos empíricos e seus impactos na educação e na sociedade. Esses estudos vão além das questões escolares, abrangendo temáticas como determinação de salários, status social, financiamento escolar e impactos da qualidade educacional (Hanushek, 1979).

Na busca por modelos que avaliem a eficácia educacional, os países procuram mobilizar recursos de maneira produtiva, atendendo às demandas sociais e promo- vendo o desenvolvimento econômico e social (Organisation for Economic Co-operation and Development [OECD], 2019). Essa análise é particularmente relevante no contexto brasileiro, tendo em vista os determinantes do rendimento no Enade e as taxas de aprovação no Exame de Suficiência, que refletem indicadores críticos da qualidade do ensino superior em Ciências Contábeis.

Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade)

Aplicado a estudantes ingressantes e concluintes do ensino superior, o Enade é um exame de larga escala com fins de avaliação de desempenho (Brito, 2008). Esse exame é parte do Conceito Preliminar de Curso (CPC), o qual é composto por uma prova aplicada aos alunos, um questionário socioeconômico de avaliação da educação superior, um questionário direcionado aos coordenadores de curso e a percepção do aluno sobre a prova (Brito, 2008). Esse conjunto de questionários é utilizado para compor os conceitos de avaliação dos cursos e das instituições, formando indicadores de qualidade da educação superior (Verhine et al., 2006). A Tabela 1 evidencia a composição dessa avaliação.

TABELA 1 Composição do Conceito Preliminar de Curso (CPC) e pesos das suas dimensões e componentes 

DIMENSÕES COMPONENTES PESOS
Desempenho dos estudantes Nota dos concluintes no Enade 20%
Valor agregado pelo processo formativo oferecido pelo curso Nota do indicador de diferença entre os desempenhos observado e esperado 35%
Corpo docente Nota de proporção de mestres 7,5% 30%
Nota de proporção de doutores 15%
Nota de regime de trabalho 7,5%
Percepção discente sobre as condições do processo formativo Nota referente à organização didático-pedagógica 7,5% 15%
Nota referente à infraestrutura e instalações físicas 5%
Nota referente às oportunidades de ampliação da formação acadêmica e profissional 2,5%

Fonte: Inep (2023).

Os resultados do Enade e dos demais indicadores componentes do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes) integram relatórios que podem ser utilizados por coordenadores de cursos de Ciências Contábeis em seus processos de gestão, pois esses indicadores oferecem informações que permitem melhorar a qualidade dos cursos e das instituições de ensino (Freitas et al., 2015; Canan & Eloy, 2016).

No âmbito das Ciências Contábeis, estudos anteriores sobre o Enade revelam padrões acerca dos resultados obtidos por diferentes tipos de instituições de ensino superior e modalidades de cursos. Caetano et al. (2015) afirmam que há uma disparidade no desempenho entre cursos a distância e presenciais, de modo que as notas dos alunos de cursos a distância são estatisticamente inferiores. Essa diferença sugere que a modalidade de ensino pode ser relevante para o resultado nessa avaliação.

De acordo com V. R. Silva et al. (2017), as melhores notas no Enade, em 2012, foram alcançadas por IES do tipo universidade e de natureza pública. Esses achados evidenciam uma associação entre a categoria administrativa da instituição e o desempenho dos alunos, indicando que fatores institucionais podem influenciar o desempenho no exame. Em relação à região, Silva e Cavalcante (2021) concluem que universidades federais do Sul e Sudeste do país possuem melhor desempenho, diferentemente das instituições de ensino localizadas na região Norte.

Melo et al. (2024) levantaram dados do Censo da Educação Superior, dos microdados do Enade, do Currículo Lattes dos docentes e dos sites institucionais dos cursos. Os autores constataram que esse desempenho está relacionado a um conjunto de variáveis que abrangem os alunos (idade, estado civil, atividade remunerada, renda familiar, escolaridade dos pais, modalidade do ensino médio e horas de estudos fora de aula), os docentes (domínio de conteúdo e metodologias de ensino), bem como as instituições de ensino (recursos disponíveis, instalações físicas, biblioteca, suporte de monitores e atividades extraclasse).

Os resultados dos estudos anteriores já demonstram que características institucionais podem ser relevantes para explicar o desempenho dos estudantes no Enade. Nesse sentido, o presente estudo pretende explorar outras características com base nos dados divulgados pelo Inep em relação a essa avaliação, bem como integrar a análise ao Exame de Suficiência, explorado no item a seguir.

Exame de Suficiência do Conselho Federal de Contabilidade (CFC)

O CFC é específico para os cursos de graduação em Ciências Contábeis, sendo exigido para o registro profissional nos Conselhos Regionais de Contabilidade (CRC) com base na Resolução n. 853, de 1999, do CFC (Sprenger et al., 2018). O Exame de Suficiência é visto como um mecanismo para garantir a qualidade do ensino em Contabilidade, uma vez que é utilizado pelas IES como uma forma de assegurar que os estudantes aprovados possuam conhecimentos e habilidades necessários para atuar profissionalmente no mercado de trabalho (Bugarim et al., 2014; Miranda et al., 2017).

Bugarim et al. (2014) relatam que a aplicação do referido exame supre algumas lacunas no ensino de Ciências Contábeis. Além disso, com base na percepção discente, a avaliação do CFC é um mecanismo que promove a valorização da profissão contábil (Silva et al., 2020). Assim, os resultados dessa avaliação servem como indicador de qualidade para o curso de Ciências Contábeis por ser específica da área e por sua abrangência nacional (Miranda et al., 2017).

Pesquisas sobre o Exame de Suficiência revelam quais características institucionais estão correlacionadas positivamente a maiores índices de aprovação nessa avaliação, tais como nota da IES no Enade, ser universidade pública, estar localizada em capitais dos estados brasileiros, possuir programa de pós-graduação em Ciências Contábeis (Barroso et al., 2020), carga horária destinada a conteúdos de Contabilidade Geral (Sena & Sallaberry, 2021), condições socioeconômicas da região da instituição, medidas por meio da renda ou do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) (Fagundes et al., 2020), instalações físicas e a formação do corpo docente (Souza & Sardeiro, 2019).

Marçal et al. (2019) e Silva e Cavalcante (2021) concluíram que fatores institucionais como organização acadêmica, categoria administrativa e região onde a IES está localizada estão relacionados ao desempenho dos estudantes no Exame de Suficiência. As instituições do tipo universidades, principalmente públicas, lideram as aprovações, com destaque para aquelas localizadas nas regiões Sul e Sudeste. Assim, à semelhança do que ocorre com o Enade, as características institucionais também são relevantes para explicar o desempenho dos estudantes no Exame de Suficiência.

Enade e Exame de Suficiência: Estudos anteriores

Tanto o Enade quanto o Exame de Suficiência estão relacionados ao rendimento acadêmico, haja vista que instituições de ensino superior com maiores notas no Enade tendem a apresentar índices de aprovação maiores no Exame de Suficiência (Alves et al., 2015; Souza & Sardeiro, 2019; Barroso et al., 2020; Durso, 2021; Silva & Cavalcante, 2021). Isso reforça a similaridade dessas avaliações, em termos de desempenho da IES, sinalizando que as características institucionais contribuem para o desempenho alcançado em ambos os exames.

Diversos estudos (Alves et al., 2015; Souza & Sardeiro, 2019; Durso, 2021; Silva & Cavalcante, 2021) evidenciam a relação entre os resultados alcançados no Enade e no Exame de Suficiência. Alves et al. (2015), por exemplo, constataram que o desempenho no Enade em 2009 teve um ajuste de 62,33% nas taxas de aprovação no Exame de Suficiência de 2011, sugerindo que o Enade tem uma relação positiva e significativa com os índices de aprovação no Exame de Suficiência. Consoante a isso, Souza e Sardeiro (2019) verificaram relação positiva e significativa entre esses exames. Os autores identificaram, ainda, que a quantidade de docentes mestres e doutores, a infraestrutura e as instalações físicas da instituição, bem como o fato de a IES ser pública, são fatores que contribuem para o desempenho no Exame de Suficiência.

Embora Verhine et al. (2006) sinalizem que avaliações de larga escala não são capazes de abranger por completo e mensurar a qualidade da educação, os estudos anteriores aqui apresentados são consistentes em sugerir a relação entre o desempenho acadêmico discente no Enade e no Exame de Suficiência. Com base nisso, a investigação aqui proposta busca avaliar os determinantes do rendimento nessas avaliações.

METODOLOGIA

Trata-se de uma pesquisa com abordagem quantitativa. Nesse sentido, para avaliar os determinantes ligados ao rendimento no Enade e as taxas de aprovação no Exame de Suficiência, foram coletados dados junto aos órgãos responsáveis pela elaboração desses exames.

O alvo da pesquisa são as instituições de ensino superior que ofertam o curso de graduação em Ciências Contábeis, participantes do Enade e da segunda edição do Exame de Suficiência de 2022. Para fins de comparabilidade, a escolha desse ano é justificável em razão de serem as edições mais recentes dessas avaliações. Além disso, ressalta-se que o fato de os exames terem sido realizados em datas próximas reflete, portanto, a realidade da IES em uma determinada época.

O Exame de Suficiência foi realizado pelos estudantes no dia 18 de setembro de 2022 (Conselho Federal de Contabilidade [CFC], 2022), enquanto o Enade foi aplicado no dia 27 de novembro do mesmo ano (Inep, 2022). Considerou-se apenas um período para análise, a fim de que fossem utilizadas bases de dados próximas para ambos os exames, tendo em vista que o Enade é aplicado a cada três anos e o Exame de Suficiência é realizado duas vezes por ano.

Para a coleta de evidências, foram consultados os endereços eletrônicos oficiais dos órgãos responsáveis por cada um dos exames. Dessa forma, as informações do Enade foram obtidas no site do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), enquanto os dados referentes ao Exame de Suficiência foram coletados no site do Conselho Federal de Contabilidade (CFC).

A Tabela 2 apresenta os dados considerados para o desenvolvimento da pes- quisa. É importante ressaltar que as variáveis-alvo do estudo (dependentes) são a nota do conceito Enade e a taxa de aprovação no Exame de Suficiência.

TABELA 2 Variáveis do estudo 

VARIÁVEIS DESCRIÇÃO FONTES
N. de concluintes participantes (Enade) Quantidade de estudantes que realizaram o Enade. (Mensurada em números absolutos) Barroso et al. (2020); Durso (2021); Silva e Cavalcante (2021)
Conceito Enade Nota do curso, composta pelo desempenho dos estudantes concluintes na formação geral e no componente específico (Ciências Contábeis). (Mensurada por meio de nota padronizada) * Barroso et al. (2020); Durso (2021); Silva e Cavalcante (2021)
Organização didático- -pedagógica Percepção discente sobre as metodologias de ensino utilizadas pelos docentes e a experiência de aprendizagem proporcionada no curso. (Mensurada por meio de nota padronizada) * Fernandes et al. (2020); Marçal et al. (2019); Silva e Cavalcante (2021)
Infraestrutura e instalações físicas Percepção discente sobre a disponibilização de espaço, recursos e equipamentos adequados e suficientes para a formação na área. (Mensurada por meio de nota padronizada) * Fernandes et al. (2020); Souza e Sardeiro (2019)
Oportunidade de ampliação da formação Percepção discente sobre as oportunidades de desenvolvimento proporcionadas ao estudante. (Mensurada por meio de nota padronizada) * Fernandes et al. (2020)
Mestres Proporção de professores mestres. (Mensurada por meio de nota padronizada) * Fernandes et al. (2020); Souza e Sardeiro (2019)
Doutores Proporção de professores doutores. (Mensurada por meio de nota padronizada) * Barroso et al. (2020); Cavalcanti et al. (2024); Fernandes et al. (2020); Souza e Sardeiro (2019)
Regime de trabalho Proporção de professores em regime de trabalho parcial ou integral. (Mensurada por meio de nota padronizada) * Marçal et al. (2019); Silva e Cavalcante (2021)
Organização acadêmica Classifica a estrutura da instituição de ensino. (Categorização da instituição de ensino como universidade, centro universitário, instituto federal ou faculdade) Fernandes et al. (2020); Marçal et al. (2019); Silva e Cavalcante (2021)
Categoria administrativa Classifica a gestão administrativa da instituição. (Categorização da instituição de ensino como pública ou privada, sendo pública federal, estadual ou municipal, ou privada com ou sem fins lucrativos) V. R. Silva et al. (2017); Barroso et al. (2020); Cavalcanti et al. (2024); Fernandes et al. (2020); Marçal et al. (2019); Silva e Cavalcante (2021)
Modalidade de ensino Classifica se o curso é presencial ou a distância. (Categorização do curso como de educação presencial ou a distância) Fernandes et al. (2020); Rodrigues et al. (2016); Caetano et al. (2015)
Região do curso Representa uma das cinco regiões brasileiras onde a instituição está situada. (Categorização da região como Sul, Sudeste, Norte, Nordeste e Centro-Oeste) Barroso et al. (2020); Fagundes et al. (2020); Cavalcanti et al. (2024)
N. de presentes (Exame de Suficiência) Quantidade de estudantes que realizaram o Exame de Suficiência. (Mensurada em números absolutos) Bugarim et al. (2014)
Taxa de aprovação (Exame de Suficiência) Porcentagem de estudantes que acertaram mais de 50% das questões do exame, sendo considerados aptos para obtenção do registro profissional como contador. (Mensurada em porcentagem) Verhine et al. (2006); Bugarim et al. (2014); Miranda et al. (2017)

Fonte: Dados da pesquisa.

* Padronização que varia de 0 a 5, sendo que, quanto maior, melhor para o curso.

Utilizou-se a base do Enade como padrão, de modo que a base do Exame de Suficiência foi agregada a ela, já que a maioria das informações são divulgadas pelo Inep. Em relação ao Exame de Suficiência, o CFC se limita a divulgar, por instituição, o número de pessoas presentes e ausentes, bem como a taxa de aprovação na avaliação. Logo, consideraram-se apenas as instituições que apresentaram dados de ambos os exames, a fim de que os dados do CFC fossem integrados àqueles coletados do Enade, o que foi possível a partir dos nomes das IES.

A Tabela 3 traz a síntese do processo de consolidação dos dados, que esclarece o motivo de alguns cursos terem sido excluídos da amostra.

TABELA 3 Definição da amostra: Critérios de exclusão 

DESCRIÇÃO N.
Total de cursos de Ciências Contábeis na base de dados do Enade 1.242
Cursos que não possuem valor do Conceito Preliminar de Curso (CPC) do Enade 59
Cursos excluídos por falta de localização de dados na base do Exame de Suficiência 54
Cursos retirados por não ser possível distingui-los na base de dados do Enade 68
Cursos eliminados por conterem menos de 10 inscritos em algum dos exames 509
Total de cursos selecionados para análise (amostra do estudo) 552

Fonte: Dados da pesquisa.

Identificou-se que o CFC divulga os dados por instituição de ensino, enquanto o Inep o faz por curso. Dessa forma, as IES que ofertam mais de um curso, conforme visualizado na base de dados do Enade, não puderam ser associadas aos respectivos resultados do Exame de Suficiência, resultando em 68 cursos excluídos da amostra. Além disso, 509 cursos foram desconsiderados por não apresentarem quantidade suficiente de participantes para constituir representatividade para as análises estatísticas (Barroso et al., 2020).

Após esse filtro, a análise dos dados foi realizada com base em testes estatísticos. Inicialmente, foi feita uma análise descritiva da amostra, a fim de caracterizar os cursos analisados pela pesquisa. Em seguida, foi calculada a correlação linear de Pearson entre o conceito Enade e a taxa de aprovação no Exame de Suficiência em confronto com as demais variáveis. Por fim, foram ajustados modelos de regressão por meio de equações de estimação generalizadas [Generalized Estimating Equations] (GEE) para as variáveis respostas nota Enade e percentual de aprovação no Exame de Suficiência.

Em modelos de regressão clássicos, estimados por mínimos quadrados ordinários (MQO), parte-se da suposição de que os resíduos são independentes e homocedásticos. No entanto essa premissa é frequentemente violada em contextos nos quais os dados apresentam estrutura agrupada, como em instituições de ensino, cursos, empresas, indivíduos ou pacientes, nos quais há observações repetidas dentro de cada grupo. Nesses casos, é comum que haja correlação intragrupo entre os resíduos, o que compromete a validade das inferências obtidas por modelos tradicionais que assumem independência entre as observações.

Diante desse cenário, as GEE se destacam como uma abordagem estatística apropriada para lidar com a correlação entre observações agrupadas (Wang, 2014). A principal característica dos modelos GEE é a modelagem explícita da estrutura de dependência intragrupo por meio de uma matriz de variância-covariância dos resíduos, que é composta por três elementos: as variâncias marginais, a estrutura de correlação e o parâmetro de dispersão. Essa matriz permite representar adequadamente tanto a variabilidade quanto a correlação existente entre as observações dentro de cada grupo, oferecendo uma modelagem mais realista para dados com medidas repetidas.

Um dos aspectos mais relevantes da metodologia GEE é sua robustez em relação à especificação incorreta da estrutura de correlação. Mesmo quando a estrutura de correlação assumida não reflete perfeitamente a estrutura verdadeira dos dados, as estimativas dos coeficientes permanecem consistentes e seguem uma distribuição assintoticamente normal. Isso se deve ao uso do estimador robusto do tipo sandwich, que ajusta os erros padrão de forma apropriada (Wang, 2014). Dessa forma, os testes de hipóteses realizados por meio de modelos GEE mantêm sua validade estatística, o que torna a técnica particularmente confiável em análises com estruturas complexas de dependência. Nos modelos GEE, utiliza-se o teste de Wald para avaliar se os parâmetros estimados são significativamente diferentes de zero. A estatística do teste é calculada como o quadrado da razão entre o coeficiente estimado e seu erro padrão. Se a estatística de Wald exceder um valor crítico da distribuição qui-quadrado, a hipótese nula (de que o parâmetro é zero) pode ser rejeitada, indicando um efeito significativo da covariável na variável resposta.

Conforme destacado por Wang (2014), os modelos GEE têm sido amplamente aplicados em estudos clínicos, biomédicos e sociais, especialmente em contextos com dados longitudinais ou agrupados. Além de apresentar fundamentos teóricos sólidos, a metodologia também tem evoluído para contemplar desafios práticos comuns à sua aplicação, como a seleção da estrutura de correlação mais adequada, o cálculo do tamanho amostral necessário, a determinação do poder estatístico e o tratamento de clusters com tamanhos informativos variáveis.

No presente estudo, a natureza da base de dados utilizada envolve observações agrupadas por características institucionais. Logo, optou-se pela aplicação do modelo GEE por ser mais apropriado à estrutura dos dados, permitindo a incorporação de dependência intragrupos. Para a variável resposta relacionada ao Enade, adotou-se a organização acadêmica (codificada como 1 para universidades e 0 para demais instituições, como faculdades e centros universitários) como critério de agrupamento, com o objetivo de captar a correlação entre unidades pertencentes ao mesmo tipo institucional. Já no caso da variável resposta associada ao Exame de Suficiência, utilizou-se a modalidade de ensino (1 para cursos presenciais e 0 para cursos a distância) como base para agrupamento, visando a modelar adequadamente a dependência entre observações pertencentes a uma mesma modalidade educacional. A escolha das variáveis de agrupamento foi orientada por evidências empíricas presentes na literatura. Estudos como o de Bugalho e Morlin (2021) apontam que estudantes matriculados em cursos presenciais tendem a obter desempenho significativamente superior em exames como o de Suficiência Contábil, em comparação àqueles da modalidade a distância. De maneira complementar, a pesquisa de V. R. Silva et al. (2017) evidencia que cursos vinculados a universidades públicas apresentam melhor desempenho no Enade, além de maior aderência às diretrizes curriculares estabelecidas pelo CFC.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Caracterização dos cursos analisados

A amostra compreende um total de 552 cursos de graduação em Ciências Contábeis, os quais são ofertados por diversas instituições de ensino e em diferentes modalidades. Cada IES contempla um tipo de organização acadêmica, categoria administrativa e está localizada em uma região geográfica brasileira. A Tabela 4 traz a quantidade de cursos correspondentes a cada uma dessas características.

TABELA 4 Resumo das características das instituições 

ORGANIZAÇÃO ACADÊMICA
Faculdades 142
Centros universitários 186
Institutos federais 2
Universidades 222
CATEGORIA ADMINISTRATIVA
Públicas 107 Federais 51
Estaduais 44
Municipais 12
Privadas 445 Com fins lucrativos 251
Sem fins lucrativos 194
MODALIDADE DE ENSINO
Presencial 496
Ensino a distância 56
REGIÃO DO CURSO
Norte 44
Nordeste 124
Centro-Oeste 60
Sudeste 221
Sul 103

Fonte: Dados da pesquisa.

A maioria dos cursos analisados pertencem a universidades (40,2%) e centros universitários (33,7%), que juntos representam aproximadamente 74% da amostra. Faculdades também têm uma presença significativa, com 25,7%. Os cursos de instituições privadas predominam na amostra, correspondendo a mais de 80%, sendo a maioria composta por instituições com fins lucrativos. Dentre as entidades públicas, os cursos das instituições federais são a maior parte.

Em relação à modalidade de ensino, os cursos analisados são majoritariamente presenciais (90%). A distribuição regional mostra uma maior concentração de cursos na região Sudeste (40%), seguida pelo Nordeste (22,5%) e Sul (18,7%). As regiões Centro-Oeste (10,9%) e Norte (8%) possuem menor oferta de cursos comparativa- mente às demais.

De maneira geral, a partir da Tabela 4, observa-se que as universidades e centros universitários concentram a maior oferta de cursos de graduação em Ciências Contábeis, os quais são oferecidos, majoritariamente, na modalidade presencial. Além disso, predominam as instituições de ensino superior privadas localizadas no Sudeste.

A Tabela 5 apresenta as características dos cursos que compõem a amostra, porém com foco nos resultados do Enade e do Exame de Suficiência.

TABELA 5 Resumo dos resultados do Enade e do Exame de Suficiência 

EXAME VARIÁVEL MÉDIA MEDIANA DESVIO PADRÃO MÍNIMO MÁXIMO
Enade N. de concluintes participantes 66,00 28,00 167,15 10,00 3.906,00
Conceito Enade 2,59 2,53 0,70 0,80 4,87
Organização didático- -pedagógica 3,14 3,07 0,98 0,11 5,00
Infraestrutura e instalações físicas 3,30 3,34 1,01 0,00 5,00
Oportunidade de ampliação da formação 3,09 3,01 0,99 0,00 5,00
Mestres 4,09 4,42 1,09 0,00 5,00
Doutores 1,94 1,80 1,26 0,00 5,00
Regime de trabalho 4,08 4,55 1,23 0,00 5,00
Exame de Suficiência N. de presentes 29,00 21,00 37,86 10,00 625,00
Taxa de aprovação 27% 22% 17% 3% 100%

Fonte: Dados da pesquisa.

Quanto ao número de participantes no Enade, a mediana de 28 indica que metade dos cursos teve menos de 28 participantes. Já a média de participantes foi 66 e, portanto, há uma distribuição assimétrica, de modo que algumas instituições tiveram um número significativamente maior de participantes. Além disso, a variabilidade (dispersão relativa) do número de participantes é enorme, já que o desvio padrão representa 253% da média.

O conceito Enade médio da amostra é 2,59, com um desvio padrão de 0,70. Já a organização didático-pedagógica dos cursos apresentou a média de 3,14 e desvio padrão de 0,98, sinalizando que os cursos tiveram uma avaliação média acima da metade da escala, mas com ampla variação (entre 0,11 e 5,00).

A infraestrutura média é 3,30, que representa uma percepção geral relativamente positiva, porém o desvio padrão de 1,01 e a presença de cursos com nota zero revelam desigualdades nas condições das instalações físicas das IES. A média de 3,09 sugere que as oportunidades de ampliação da formação são razoavelmente bem avaliadas, com uma variação de 0,99.

Em média, há uma forte presença de professores com título de mestrado nas instituições. A nota média que captura proporção de doutores, por outro lado, é mais baixa. O regime de trabalho dos docentes tem uma média elevada de 4,08, sinalizando que, em média, os cursos têm docentes em regime de trabalho integral.

Sobre o Exame de Suficiência, o número médio de presentes foi 29 com um desvio padrão de 37,86 (131% da magnitude da média). A mediana 21 indica que a distribuição é assimétrica e que metade dos cursos teve 21 ou menos alunos presentes no exame. A taxa média de aprovação entre os cursos da amostra foi de 27%, com uma variabilidade de 17%. A mediana de 22% sugere que metade dos cursos obteve taxas de aprovação abaixo de um quarto dos estudantes.

O conceito Enade e a taxa de aprovação no Exame de Suficiência são variáveis indicativas do desempenho dos estudantes nos respectivos exames. O número de concluintes participantes do Enade e o de estudantes presentes representam, puramente, a quantidade de pessoas que realizaram as avaliações. As variáveis organização didático-pedagógica, infraestrutura e instalações e a oportunidade de ampliação da formação vêm da percepção discente sobre a situação de seus respectivos cursos e instituições (Marçal et al., 2019; Silva & Cavalcante, 2021). A proporção de mestres, doutores e regime de trabalho refletem a realidade das instituições de ensino superior, evidenciando as características dos cursos.

Para algumas métricas − como a presença de mestres, organização didático-pedagógica, infraestrutura e instalações físicas e oportunidade de ampliação da formação −, identificaram-se valores médios relativamente altos. Consoante a isso, Melo et al. (2024) afirmam que o domínio de conteúdos e metodologias de ensino por parte dos docentes e as condições das instituições de ensino (recursos disponíveis, instalações físicas, biblioteca, suporte de monitores e atividades extraclasse) têm relevância no desempenho dos estudantes no Enade. Por outro lado, os resultados encontrados para outras métricas, como a proporção de doutores, conceito Enade e taxa de aprovação no Exame de Suficiência, revelam áreas com potencial para melhoria.

Além das variáveis consideradas no presente estudo, cabe destacar a composição curricular dos cursos, que também pode apresentar heterogeneidade. Isso pode refletir de diferentes formas no desempenho tanto no Enade (V. R. Silva et al., 2017) quanto no Exame de Suficiência (Santana et al., 2025).

A Tabela 6 evidencia as correlações do conceito Enade e da taxa de aprovação no Exame de Suficiência com as características dos cursos.

TABELA 6 Correlações de variáveis institucionais, do corpo docente e de condições do processo formativo com o desempenho nos exames 

VARIÁVEIS NOTA ENADE EXAME SUFICIÊNCIA
Nota Enade r - 0,589
valor-p(1) - < 0,001**
Exame de Suficiência r 0,589 -
valor-p < 0,001** -
Organização didático-pedagógica r 0,143 -0,168(2)
valor-p < 0,001** < 0,001**
Infraestrutura e instalações físicas r 0,188 -0,094(2)
valor-p < 0,001** 0,027*
Oportunidade de ampliação da formação r 0,257 -0,026(2)
valor-p < 0,001** 0,541
Mestres r 0,247 0,227
valor-p < 0,001** < 0,001**
Doutores r 0,259 0,286
valor-p < 0,001** < 0,001**
Regime de trabalho r 0,160 0,162
valor-p < 0,001** < 0,001**

Fonte: Dados da pesquisa.

Nota: (1) Valor-p refere-se ao teste: H0: ρ = 0 versus H1: ρ ≠ 0; ** significante a 1%; * significante a 5%; (2) correlações divergentes do resultado esperado ou próximas de zero (p < 5%) não serão consideradas na análise de regressão.

A análise da tabela de correlações revela que a nota no Enade e a taxa de aprovação no Exame de Suficiência apresentaram uma correlação positiva (0,589). Esses achados corroboram estudos anteriores, como os de Barroso et al. (2020), Durso (2021) e Sena e Sallaberry (2021), sinalizando que instituições com melhores notas no Enade tendem a ter melhores taxas de aprovação no Exame de Suficiência.

Esse resultado é reforçado pelo fato de algumas características dos cursos apresentarem relações positivas e significativas em ambos os exames, incluindo a qualificação do corpo docente (quantidade de mestres e doutores) e o regime de trabalho com dedicação exclusiva. Essas evidências sublinham a importância desses atributos para o desempenho acadêmico dos estudantes de graduação em Ciências Contábeis (Fernandes et al., 2020).

Notavelmente, os coeficientes de correlação são mais elevados entre as características institucionais mencionadas e o Exame de Suficiência (exceto para a proporção de mestres). Essa tendência pode indicar que os níveis de motivação dos alunos para o Exame de Suficiência são maiores. Nesse sentido, as ações promovidas por algumas instituições para conscientizar, motivar e preparar os estudantes para o Enade, conforme discutido por T. D. Silva et al. (2017), Miranda et al. (2019) e Souza (2022), podem surtir efeitos positivos.

Algumas características institucionais apresentaram comportamentos diferentes, em alguns casos opostos, entre os dois exames. Essa tendência foi observada para organização didático-pedagógica, infraestrutura e instalações físicas e oportunidade de ampliação da formação, que estão positivamente correlacionadas com o Enade e negativamente com o Exame de Suficiência, no caso das duas primeiras, e sem relação significativa no caso da terceira. Logo, essas variáveis não foram consideradas na análise de regressão para a variável resposta taxa de aprovação no Exame de Suficiência.

Embora surpreendente, esse resultado pode estar relacionado ao fato de que, mesmo havendo o cuidado (neste estudo) de coletar dados de um mesmo período (ano de 2022), os alunos participantes do Exame de Suficiência (egressos) certamente não são os mesmos que participaram do Enade (concluintes) em suas respectivas instituições. As três variáveis mencionadas anteriormente referem-se às respostas dos concluintes ao questionário do Sinaes, utilizadas nos testes de correlação dos dois exames. Desse resultado, pode-se deduzir que, enquanto o Enade avalia uma gama mais ampla de conhecimentos e habilidades, o Exame de Suficiência foca conhecimentos práticos e específicos relacionados à atuação profissional na área contábil. Instituições de ensino que oferecem aos alunos uma boa preparação para a realização do Enade podem estar preparando-os, indiretamente, para o Exame de Suficiência, mas o contrário pode não ser verdadeiro.

Comparativo de determinantes do desempenho no Enade e aprovação no Exame de Suficiência

Os resultados obtidos a partir dos modelos GEE destacam variáveis institucionais relevantes tanto para o desempenho no Enade, quanto para a aprovação no Exame de Suficiência. Apesar de haver similaridades nos determinantes identificados, também podem ser observadas nuances que diferenciam os impactos dessas variáveis nos dois contextos avaliativos (Tabela 7).

TABELA 7 Estatísticas do modelo GEE para a nota no Enade 

COEFICIENTES ESTIMATIVAS ERRO PADRÃO WALD VALOR-P
Intercepto 1,4471 0,1146 159,34 < 0,000
Categoria administrativa 0,6344 0,0782 65,84 < 0,000
Região 0,3277 0,0442 54,89 < 0,000
Oportunidade de ampliação da formação 0,1402 0,0268 27,31 < 0,000
Mestres 0,0674 0,0292 5,32 0,0210
Doutores 0,0446 0,0283 2,49 0,1150

Fonte: Dados da pesquisa.

Nota: Matrizes de covariâncias especificadas por tipo de organização acadêmica (universidades ou demais instituições).

Os resultados obtidos por meio do modelo de equações de estimação generalizadas (GEE) revelam que as variáveis categoria administrativa (dummy), região (dummy) e oportunidade de ampliação da formação são as que mais influenciam o desempenho no Enade. Essas variáveis apresentaram coeficientes estimados mais elevados e estatisticamente significativos (Tabela 7).

A variável categoria administrativa foi codificada como 1 para instituições públicas e 0 para privadas, com coeficiente estimado de 0,6344. Esse resultado sugere que, em média, o desempenho no Enade é superior entre as instituições públicas. A variável região foi codificada como 1 para instituições localizadas no Sul e Sudeste, e 0 para aquelas situadas no Norte, Nordeste e Centro-Oeste, apresentando coeficiente de 0,3277. Isso indica que, em termos médios, as instituições do Sul e Sudeste tendem a obter desempenho mais elevado em comparação com as demais regiões.

Adicionalmente, observou-se que as variáveis oportunidade de ampliação da formação e nota da proporção (nota de 1 a 5) de docentes mestres são estatisticamente significantes e apresentam efeitos positivos sobre o desempenho no Enade, indicando que contribuem de forma relevante para a melhoria dos resultados. Por outro lado, a nota da proporção de docentes doutores, embora tenha exibido um coeficiente positivo, não apresentou significância estatística, o que sugere um impacto menos consistente sobre o desempenho dos cursos no exame.

É importante considerar que a categoria administrativa e a região não são passíveis de gestão direta pelas instituições, na mesma medida que as demais variáveis (Barroso et al., 2020; Cavalcanti et al., 2024). No entanto a oportunidade de ampliação da formação pode ser trabalhada por meio de esforços para melhorar a percepção discente, enquanto a proporção de mestres e doutores pode ser ajustada por meio de políticas de contratação e fomento à qualificação do corpo docente.

A significância dos valores-p indica que as variáveis incluídas no modelo GEE atuam como boas preditoras do desempenho no Enade, exceto pela proporção de doutores. Esses resultados podem indicar as características institucionais mais fortemente associadas ao desempenho dos alunos no Enade, permitindo que as instituições de ensino superior foquem áreas específicas para melhorias. Em comparação, V. R. Silva et al. (2017) identificaram que cursos de universidades públicas tendem a alcançar melhores notas no Enade. Assim, os resultados do presente estudo complementam essa perspectiva, pois acrescentam outras características que também podem fazer diferença nessa avaliação.

A Tabela 8 evidencia a análise a partir da aprovação no Exame de Suficiência, considerando os dados das instituições correspondentes aos resultados no Enade.

TABELA 8 Estatísticas do modelo GEE para o percentual de aprovação no Exame de Suficiência 

COEFICIENTES ESTIMATIVAS ERRO PADRÃO WALD VALOR-P
Intercepto 0,1612 0,0154 110,1 < 0,000
Categoria administrativa 0,1252 0,0190 43,5 < 0,000
Região 0,0802 0,0081 97,3 < 0,000
Doutores 0,0204 0,0050 16,7 < 0,000
Organização acadêmica 0,0338 0,0099 11,7 < 0,000

Fonte: Dados da pesquisa.

Nota: Matrizes de covariâncias especificadas por modalidade de ensino (cursos presenciais ou cursos a distância).

Os resultados obtidos por meio do modelo de equações de estimação generalizadas (GEE) apontam que as variáveis categoria administrativa (dummy), região (dummy) e organização acadêmica (dummy) apresentaram os coeficientes mais elevados e estatisticamente significativos (Tabela 8), indicando forte influência sobre o percentual de participação no Exame de Suficiência.

A variável categoria administrativa apresentou uma estimativa de coeficiente de 0,1252. Esse resultado indica que, em média, instituições públicas tendem a obter um desempenho superior no Exame de Suficiência em comparação às instituições privadas.

Quanto à variável região, o coeficiente estimado, de 0,0802, revela que instituições do Sul e Sudeste, em média, apresentam melhor desempenho no exame em relação às das demais regiões do país.

Para a variável organização acadêmica, codificada como 1 para universidades e 0 para as demais instituições, o coeficiente de 0,0338 indica que, em média, universidades tendem a obter desempenho ligeiramente superior no Exame de Suficiência, em comparação com faculdades e centros universitários.

Adicionalmente, verificou-se que a nota da proporção de docentes doutores também influencia positivamente o desempenho, apresentando coeficiente estatisti- camente significante, embora de magnitude inferior às variáveis anteriormente citadas. Esse resultado reforça a importância da qualificação do corpo docente para os resultados acadêmicos das instituições.

Marçal et al. (2019), Barroso et al. (2020) e Silva e Cavalcante (2021) destacam que o fato de o curso pertencer a uma universidade pública e estar localizado em capitais de estados brasileiros pode contribuir para um bom desempenho no Exame de Suficiência. Esses estudos reforçam o que evidencia a Tabela 8, que mostra que a categoria administrativa, a organização acadêmica e a região de localização do curso são fatores relevantes para explicar um bom resultado no referido exame.

Fagundes et al. (2020) alertam que as condições socioeconômicas da região da IES, medidas por meio da renda ou pelo IDH, podem interferir no desempenho dos estudantes. Além disso, Barroso et al. (2020) pontuam outros fatores que podem ser relevantes para a instituição e afetar esse rendimento, tais como o bom desempenho no Enade, ser citada em ranking universitário e o fato de a instituição possuir programas de pós-graduação em Contabilidade.

Discussão dos resultados

A avaliação dos determinantes relativos ao desempenho no Enade e das taxas de aprovação no Exame de Suficiência dos cursos de graduação em Ciências Contábeis identifica variáveis que podem contribuir para que as instituições de educação superior avaliem a qualidade dos cursos que oferecem. Estudos como os de Ricardino et al. (2019) e Cruz et al. (2021) ressaltam que é necessário considerar constantemente a qualidade do ensino para garantir que as IES estejam cumprindo com os seus objetivos educacionais, sobretudo no que diz respeito à formação de profissionais competentes. Avaliações como o Enade fornecem uma métrica objetiva sobre essa qualidade, possibilitando uma análise comparativa entre instituições de ensino e cursos.

As avaliações de larga escala são ferramentas essenciais para as instituições de ensino superior, na medida em que permitem uma análise que vai além dos cursos de graduação, pois consideram a infraestrutura, as práticas de ensino, entre outros aspectos (Canan & Eloy, 2016), conforme a teoria da função da produção educacional (Monk, 1989; Hanushek & Woessmann, 2012). Essas avaliações oferecem uma visão holística das condições de ensino, identificando pontos fortes e áreas que carecem de melhoria. Nesse sentido, embora o presente estudo tenha considerado algumas variáveis relevantes nesse contexto, cabe destacar que a literatura é ampla sobre o tema e abrange diversos outros fatores que também podem ser determinantes para o desempenho acadêmico discente nesses exames.

Os resultados do Enade são instrumentos importantes para gestores e coordenadores dos cursos de Ciências Contábeis, pois fornecem relatórios detalhados que podem ser utilizados em processos administrativos (Freitas et al., 2015; Canan & Eloy, 2016). Em relação aos resultados do Exame de Suficiência (Barroso et al., 2020), embora os dados sejam divulgados em menor volume em comparação com o Enade, as informações também podem ser úteis para os coordenadores e gestores dos cursos.

Esses relatórios, além de fornecerem dados sobre o desempenho dos estudantes, revelam a eficácia das práticas de ensino, permitindo aos coordenadores identificar áreas que carecem de ajustes, a fim de que sejam implementadas melhorias. Assim, análises como as apresentadas neste estudo podem oferecer evidências capazes de subsidiar melhorias no processo de formação proporcionado pelos cursos de graduação em Ciências Contábeis do Brasil, dado que a quantidade desses cursos tem crescido de forma acelerada (Barroso et al., 2020).

É interessante observar, nesta pesquisa, que, nos dois modelos (tabelas 7 e 8), categoria administrativa e região surgem como variáveis consistentes e significativas. Isso evidencia a influência do contexto institucional e regional no desempenho acadêmico, tanto no Enade quanto no Exame de Suficiência, corroborando os pressupostos da teoria da função da produção educacional. Entretanto o Enade parece ser mais sensível a fatores como oportunidade de ampliação da formação, enquanto a aprovação no Exame de Suficiência é mais impactada pela titulação docente. Essa diferença reflete as distintas naturezas das avaliações: o Enade busca avaliar competências gerais e específicas; já o Exame de Suficiência tem caráter mais técnico e voltado à prática profissional.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O presente estudo buscou avaliar os determinantes relacionados ao desempenho no Enade e as taxas de aprovação no Exame de Suficiência dos cursos de Ciências Contábeis no Brasil. A análise realizada evidencia a complexidade dos fatores que influenciam esses resultados, destacando tanto a variabilidade nas características das instituições de ensino superior quanto as condições do processo formativo.

Os testes estatísticos indicaram itens determinantes que estão alinhados com a literatura, e outros que divergem dos estudos anteriores, deixando margem para que futuras pesquisas investiguem outras variáveis relevantes para o desempenho acadêmico discente. A inclusão de variáveis institucionais, como organização didático-pedagógica (para a variável Enade), infraestrutura e oportunidade de ampliação da formação, captadas a partir da percepção discente, representa um diferencial desta pesquisa, o que contribui para um entendimento mais aprofundado da relação entre as condições oferecidas pelas instituições e o desempenho acadêmico dos estudantes. Os achados apontam a importância de considerar os contextos institucional e regional na avaliação dos cursos de Ciências Contábeis.

Embora algumas variáveis apresentem maior relevância estatística, os resultados sugerem que não há um fator único determinante, mas sim uma interação entre múltiplos aspectos institucionais e regionais. Esse cenário reforça a necessidade de abordagens integradas para a análise do desempenho acadêmico, bem como para o desenvolvimento de iniciativas que promovam melhorias na formação contábil, corroborando os pressupostos defendidos pela teoria da função da produção educacional.

A pesquisa traz implicações práticas importantes para a gestão das instituições de ensino superior, uma vez que variáveis como oportunidade de ampliação da formação e proporção de doutores são passíveis de intervenção direta e, portanto, devem ser prioritárias para os gestores. Programas que incentivem a qualificação docente e a oferta de atividades acadêmicas complementares podem ter impacto positivo no desempenho tanto no Enade quanto no Exame de Suficiência.

A identificação de determinantes como categoria administrativa e região reforça a necessidade de políticas públicas que minimizem as desigualdades regionais e promovam maior equidade no acesso e na qualidade da educação superior na área contábil. Essas ações são fundamentais para mitigar os efeitos das condições socioeconômicas locais, que frequentemente limitam o desempenho acadêmico dos estudantes, como apontado por Fagundes et al. (2020).

A pesquisa representa uma contribuição teórica para a discussão sobre o Enade e o Exame de Suficiência, visto que é vasta a literatura que busca compreender quais fatores são determinantes no desempenho e aprovação nesses exames, respectivamente. Neste estudo, as variáveis foram correlacionadas entre si e com os resultados dos exames, evidenciando que, embora a combinação de determinantes seja relevante, é necessário um tratamento individual acerca de cada fator. Nesse sentido, incentiva-se que cada determinante destacado no presente estudo seja investigado de forma mais aprofundada em pesquisas futuras.

A principal limitação do estudo refere-se à necessidade de unificar dados de dois exames distintos, aplicados e controlados por entidades diferentes. A base de dados do Enade não diferencia os cursos ofertados pela mesma instituição de ensino, em um mesmo município. Já a base de dados do CFC não apresenta uma padronização dos nomes das instituições e, por isso, algumas aparecem em duplicidade, mas com denominações distintas, e há aquelas com a denominação “outros”, o que impossibilita a identificação da IES. Em razão disso, para realizar uma análise mais assertiva, a amostra de instituições de ensino superior precisou ser reduzida, a fim de abranger apenas informações que correspondiam exatamente ao mesmo curso nas bases de dados dos dois exames.

Durante a análise realizada por esta pesquisa, identificaram-se diversas variáveis que podem interagir em conjunto para determinar os resultados do Enade e do Exame de Suficiência. Com base nisso, sugere-se que futuras pesquisas se dediquem a variáveis ainda não exploradas e aprofundem na investigação sobre o impacto das condições institucionais nos resultados desses exames. Entende-se que essas investigações são relevantes, pois podem contribuir para o avanço do ensino em Contabilidade e, consequentemente, para a qualificação dos profissionais da área.

AGRADECIMENTOS

O presente trabalho foi realizado com o apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig).

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Recebido: 18 de Junho de 2025; Aceito: 16 de Dezembro de 2025

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