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Revista Brasileira de Educação Especial

versão impressa ISSN 1413-6538versão On-line ISSN 1980-5470

Rev. bras. educ. espec. vol.31  Marília  2025  Epub 26-Jun-2025

https://doi.org/10.1590/1980-54702025v31e0133 

Revisão de Literatura

INTERVENÇÃO IMPLEMENTADA POR PAIS E AUTISMO: REVISÃO DOS ESTUDOS NACIONAIS1

PARENTS IMPLEMENTED INTERVENTION AND AUTISM: NATIONAL STUDIES REVIEW

2Docente. Faculdade Integrada de Santa Maria (FISMA). Doutora em Educação. Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)

3Pedagoga. Fundação Catarinense de Educação Especial (FCEE). Mestre em Educação. Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)

4Professor Associado. Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Doutor em Psicologia do Desenvolvimento. Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)


RESUMO

A Intervenção Implementada por Pais (IIP) apresenta evidências positivas com crianças com autismo. No entanto, para que se obtenham resultados na prática similares aos descritos nas pesquisas, é importante considerar sua fidelidade, quer dizer, o quanto a implementação ocorreu seguindo os passos do seu planejamento original. O objetivo deste estudo foi, então, analisar as características das pesquisas sobre IIP com pessoas com autismo no contexto brasileiro. Por meio de uma revisão sistemática, os estudos foram codificados de acordo com características dos participantes, local, delineamentos, variáveis dependentes e independentes, medidas da fidelidade na implementação e na intervenção, componentes da formação dos pais, validade social e resultados gerais do estudo. Os resultados mostraram que, embora a maioria das pesquisas tenha utilizado desenhos experimentais intrassujeitos, apenas uma minoria relatou a fidelidade de implementação ou a fidelidade de intervenção. Assim sendo, discutemse, neste texto, as características desses estudos em relação à qualidade e ao rigor das pesquisas sobre IIP no Brasil.

PALAVRAS-CHAVE: Autismo; Treinamento de pais; Prática baseada em evidência.

ABSTRACT

The Parent-Implemented Intervention (PII) shows positive evidence with autistic children. However, to achieve practical results similar to those described in the research, it is important to consider its fidelity, that is, the extent to which the implementation followed the steps of the original plan. The aim of this study was, therefore, to analyze the characteristics of research on PII with people with autism in the Brazilian context. Through a systematic review, studies were coded according to participant characteristics, setting, designs, dependent and independent variables, measures of implementation and intervention fidelity, parent training components, social validity, and overall study results. The results showed that, although most studies used intra-subject experimental designs, only a small portion reported implementation fidelity or intervention fidelity. Thus, this text discusses the characteristics of these studies in relation to the quality and rigor of research on PII in Brazil.

KEYWORDS: Autism; Parent training; Evidence-based practice.

1 INTRODUÇÃO

Déficits nas dimensões sociocomunicativa e comportamental são as características principais apresentadas pelo Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM5-Tr) para referir-se ao diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) (American Psychological Association [APA], 2022). Um bom prognóstico envolve tanto a precocidade do diagnóstico quanto da intervenção, as quais precisam ser direcionadas especificamente para as necessidades de cada indivíduo e consistem na atenção, por parte de uma equipe transdisciplinar, também às necessidades familiares (Cossio et al., 2018). Compreendem-se as demandas familiares como necessidades que perpassam desde questões básicas, financeiras, de cuidados de saúde, disponibilidade de tempo, carência de informação sobre os atendimentos e serviços especializados recebidos pela criança. O não atendimento às necessidades familiares traz impactos negativos, ao passo que a mobilização de recursos e apoio para atender às necessidades da família trará efeitos positivos para a família e seus membros (Dunst, 2022).

Os estudos que abordam a temática da intervenção com crianças com TEA têm mostrado a importância de a família estar envolvida como núcleo principal do processo interventivo. A abordagem com foco em toda a família, em vez de exclusivamente na criança, ganha relevo a partir do entendimento de que aquela é a matriz principal para a promoção do desenvolvimento social e cognitivo da criança (Cossio et al., 2018). Esse tipo de abordagem tende a propiciar um maior empoderamento aos familiares que estão envolvidos diretamente no processo de estimulação da criança com TEA, uma vez que os pais se sentem mais confiantes em lidar com as demandas de seus filhos em diversos contextos (Oliveira et al., 2020). Dentre os modelos que trazem a família para o contexto interventivo, o treinamento parental é um tipo de intervenção que tem sido utilizado para ajudar os pais a lidarem com as especificidades do transtorno.

Apesar de existirem diversas possibilidades de intervenção destinadas a promover o desenvolvimento de crianças com TEA, poucas delas têm sido chanceladas cientificamente como realmente efetivas. A literatura menciona a existência de mais de mil intervenções encontradas no site Autism Research, e Nunes e Schmidt (2019) descreveram a estimativa de que pessoas com autismo são expostas a mais de 15 tratamentos ao longo da vida, dos quais muitos podem não ser benéficos ao indivíduo e sua família. Por essa razão, têm sido utilizados os termos Melhores Práticas ou Práticas Baseadas em Evidências (PBE) para referir-se a intervenções cujos resultados são apoiados por pesquisas empíricas que demonstram sua efetividade.5

O Gabinete de Programas de Educação Especial do Departamento de Educação dos Estados Unidos fundou, em 2007, o National Professional Developmental Center (NPDC) com o objetivo de promover a utilização de PBE em intervenções junto a pessoas com TEA. Essa agência promoveu revisões sistemáticas de estudos publicados até o ano de 2011, emitindo relatórios que descrevem PBE para crianças e jovens com TEA. Dando continuidade ao trabalho desenvolvido pelo NPDC, o National Clearinghouse on Autism Evidence and Practice (NCAEP) revisou pesquisas publicadas entre os anos de 2012 e 2017, apresentando, em 2020, um relatório que descreve 28 práticas consideradas PBE (Steinbrenner et al., 2020), dentre as quais se destaca a Intervenção Implementada por Pais - IPP (Parent-Implemented Intervention) (Amsbary & AFFIRM Team, 2017).

Uma parcela significativa dos jovens com autismo apresenta dificuldades para cumprir rotinas e atividades diárias em seus ambientes familiares, fazendo com que seus pais busquem práticas com evidências que possam auxiliar seus filhos. Nesse sentido, a IPP consiste em uma modalidade de intervenção em que profissionais orientam os pais sobre como intervir junto aos seus filhos para apoiá-los na realização dessas rotinas e atividades diárias (Tomeny et al., 2020). As evidências mostram que essa modalidade de intervenção se revela especialmente eficaz na intervenção precoce (0-2 anos) e com estudantes do Ensino Fundamental (6-11 anos) (Steinbrenner et al., 2020).

Visando a facilitar a implementação das práticas baseadas em evidência, como a IIP, a equipe de pesquisa do NCAEP desenvolveu o Autism Focused Intervention Resources and Modules (AFIRM), uma plataforma digital que disponibiliza documentos que orientam, passo a passo, as etapas de implementação das intervenções. Isso porque as recomendações do NCAEP indicam que tais intervenções tendem a se mostrar efetivas quando implementadas de acordo com seus protocolos de fidelidade (fidelity).

Na plataforma AFIRM, encontra-se o protocolo de fidelidade da IIP, que consta de três etapas gerais: planejamento, aplicação e monitoramento (Amsbary & AFFIRM Team, 2017). A etapa de planejamento é composta por oito passos, a de aplicação por quatro e a de monitoramento por três etapas, as quais detalham como a IIP deve ser idealmente implementada para abordar objetivos como interação social, comunicação, atenção conjunta, habilidades de brincadeira, desenvolvimento cognitivo, comportamentos adaptativos e acadêmicos das crianças com TEA (Amsbary & AFFIRM Team, 2017). Embora os ganhos da IIP para pessoas com autismo e seus pais estejam bem documentados na literatura científica, um tema que preocupa os pesquisadores é se a implementação dessas práticas conseguirá, de fato, refletir os resultados demonstrados nos estudos originais (Barton & Fettig, 2013; Lemire et al., 2023).

Destaca-se que a fidelidade, como artifício metodológico, é um dos conceitos-chave para que uma pesquisa alcance resultados semelhantes aos relatados nos estudos originais que sustentam a prática. A fidelidade da implementação (fidelity) é entendida como o grau de aderência ou conformidade com o qual os elementos centrais do programa ou prática de intervenção são utilizados conforme pretendido (Lemire et al., 2023). Barton e Fettig (2013) complementam que, no caso da IIP, é importante observar tanto a fidelidade da implementação quanto a da intervenção.

Enquanto a primeira refere-se ao modo como foram realizados o treinamento e as orientações aos pais, a segunda diz respeito às práticas utilizadas por eles diretamente na intervenção com seus filhos. Isso porque uma fidelidade alta na implementação tende a resultar em uma fidelidade alta no uso de práticas, o que, por sua vez, aumenta a possibilidade de resultados positivos sobre os comportamentos da criança (Barton & Fettig, 2013).

A presença de alguns elementos é destacada como essencial nas pesquisas para que possam ser implementadas adequadamente, como, por exemplo, as características dos participantes, a descrição do contexto em que foram desenvolvidas, o tipo de desenho do estudo e as variáveis dependentes e independentes, assim como o detalhamento sobre a formação dada aos pais e a validade social (Wolery, 2011). Tais informações não apenas indicam o quanto determinada intervenção pode ser transposta para outros contextos, como também permitem que outros pesquisadores possam replicar o estudo.

Embora a eficácia da IIP venha sendo reportada em estudos internacionais (Sone et al., 2023), não foram encontradas revisões que investiguem características dos estudos, como a fidelidade na implementação e na intervenção da IIP no cenário nacional. É necessário sensibilizar a comunidade de investigadores na área das ciências da educação para a adoção de critérios específicos que permitam a aferição da qualidade científica dos estudos de natureza interventiva. No entanto, uma revisão sistemática nacional sobre mensuração da fidelidade de intervenções confirma a presença de poucos indicadores de validade nos estudos, atentando para o risco de viés no processo de implementação e nos resultados das intervenções (Garcia et al., 2019).

Portanto, este estudo tem como objetivo analisar as características das pesquisas sobre IIP com pessoas com TEA no contexto brasileiro. Mais especificamente, visa a identificar as características dos participantes, os locais onde foram implementadas, os delineamentos, as variáveis dependentes e independentes, assim como as medidas da fidelidade na implementação e na intervenção, a formação dada aos pais, a validade social e os resultados gerais do estudo.

2 MÉTODO

Utilizando um delineamento de Revisão Sistemática, foram realizadas buscas em quatro bases de dados: National Library of Medicine (PubMed), Scientific Electronic Library Online (SciELO), Periódicos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Periódicos CAPES) e Educ@. Os descritores e operadores booleanos utilizados foram: “intervenção implementada por pais” OR “treinamento de pais” OR “treino parental” OR “tratamento mediado por pais” OR “orientação a pais” OR “capacitação parental” OR “intervenção via cuidadores” OR “intervenção implementada por cuidadores” OR “treino de cuidadores” AND “autis*” OR “TEA” OR “asper*” OR “TGD”. O recorte temporal de publicação contemplou os últimos dez anos (entre 2014 e 2023).

Para analisar as características das intervenções implementadas por pais com pessoas com TEA, foram observados os seguintes tópicos: a) características dos participantes (pais e filhos); b) local onde a pesquisa foi realizada; c) desenho do estudo; d) variáveis dependentes e independentes; e) fidelidade de implementação; f) fidelidade de intervenção; g) componentes da formação dada aos pais; e h) validade social.

Foram utilizados como critérios de inclusão: (a) artigos disponíveis em texto completo e revisados por pares; (b) textos disponibilizados na língua portuguesa ou inglesa, desde que a intervenção tenha sido realizada no Brasil; (c) estudos empíricos que apresentem intervenções em que os pais receberam formação e foram os mediadores da intervenção com o filho com autismo. A busca e seleção dos artigos foram realizadas de forma independente por três pesquisadores e avaliadas quanto à confiabilidade entre observadores, conforme proposto por Collado et al. (2006), alcançando um índice de concordância de 95%.

3 RESULTADOS E DISCUSSÃO

A estratégia de busca localizou 46 artigos potencialmente relevantes nas quatro bases de dados investigadas. Destes, 19 estavam duplicados, três foram excluídos por não serem artigos empíricos, mas revisões da literatura, e 14 foram removidos por não abordarem a temática. Ao final, dez estudos atenderam aos critérios de inclusão e foram qualificados para revisão formal, conforme ilustra a Figura 1.

Nota de acessibilidade: Fluxograma composto por seis caixas de texto retangulares conectadas por setas, distribuídas horizontalmente em duas linhas. Apresenta o processo de seleção de estudos, detalhando as etapas de identificação, seleção e filtragem dos artigos. A pesquisa inicial resultou em 34 artigos da base Periódicos CAPES, 12 da SciELO, zero de PubMed e Educa. Na sequência, foram identificados 46 artigos potencialmente relevantes e removidos 19 artigos duplicados. Na fase de filtragem por relevância, 14 artigos foram excluídos por não abordarem a temática de interesse e três por não se tratar de estudos empíricos. Por fim, a amostra final incluiu dez artigos.

Figura 1 Seleção dos artigos conforme cada etapa da revisão 

Os resultados são apresentados no Quadro 1, seguidos da apresentação das principais características dos estudos.

Quadro 1 Características dos estudos 

Autor (ano) Participantes Local Delineamento VI VD Fidelidade implementação Fidelidade da intervenção Componentes da formação Validade social
Darwich e Costa (2022) 3 cuidadores
2 crianças
Domicilio SI Contação de histórias, autorregulação Habilidades sociais regula-ção emocional SI SI Vídeos instrucionais SI
Gomes et al. (2022) 17 cuidadores
17 crianças
Instituição especia-lizada SI Capacitação dos pais Desenvolvimento das crianças Procedimentos de ensino SI Currículo de habilidades básicas SI
Mansur e Nunes (2020) 1 cuidador
1 criança
Faculdade Quase experimental AB Capacitação dos Pais, desempenho dos pais Interação parental; iniciati-vas de interação SI SI Capacitação e dos Pais Entrevista com os pais
Oliveira et al. (2020) 2 cuidadores
1 criança
Domicilio Quase experimen-tal AB Intervenção dos pais Habilidades comunicativas dos filhos Protocolos de intervenção SI Autoscopia SI
Silva et al. (2019) 3 cuidadores
3 crianças
Domicílios e Univer-sidade Multiple Probe Design Intervenção dos pais Desempenho das crianças Lista de verificação Ensino por tentativas discretas Práticas de treino para pais SI
Balestro e Fernandes (2019) 62 cuidadores
62 crianças
SI Quase experimen-tal AB Orientações aos pais Comunicação de seus filhos SI SI Treino para pais SI
Guimarães et al. (2018) 4 cuidadores
SI crianças
Universidade Linha de base múltipla Procedimentos para ma-nejo de comportamento Manejo de comportamen-tos inadequados Script e checklist de comporta-mentos inadequados SI Videomodela-ção, instru-ção escrita e role-play SI
Santos et al. (2015) 7 cuidadores
7 crianças
Universidade Intrassujeito Intervenção com cuidadores Engajamento social nas crianças SI SI video-feedback, visitas domiciliares SI
Benitez e Domeniconi (2014) 5 cuidadores
5 crianças
Escolas municipais e residências SI Capacitação de agentes educativos Níveis de dicas fornecidas ao aprendiz SI SI Práticas de treino para pais SI
Tamanaha e Perissinoto (2014) SI cuidadores 11 crianças SI Ensaio Clínico
Randomizado
Intervenções fonoaudiológicas Habilidades de interação social, comunicação SI SI Práticas de treino para pais SI

Nota. SI = sem informações; VI = variáveis independentes; VD = variáveis dependentes.

3.1 PARTICIPANTES

Participaram, ao todo, 104 cuidadores nos dez estudos identificados, sendo a maioria mães, 82 (78,8%), com uma média de idade de 34 anos. Cinco estudos não apresentaram os dados referentes à idade. Dos demais cuidadores, 18 (17,3%) foram pais, além de uma acompanhante terapêutica, uma avó e uma babá.

A maior parte dos estudos (90%) informou os participantes que receberam a intervenção, totalizando 109 crianças com média de idade de 5 anos. Guimarães et al. (2018) não apresentou os dados de idade dos filhos.

O local das intervenções foi informado em oito (80%) estudos, estando ausente em dois (Balestro & Fernandes, 2019; Tamanaha & Perissinoto, 2014). Dentre os informados, dois foram implementados exclusivamente em ambiente domiciliar (Darwich & Costa, 2022; Oliveira et al., 2020), um ocorreu apenas em ambiente universitário (Guimarães et al., 2018) e um dividiu a implementação entre o ambiente domiciliar e universitário (Silva et al., 2019). Além disso, dois estudos ocorreram em ambientes ambulatoriais de hospitais universitários (Mansur & Nunes, 2020; Santos et al., 2015) e um em instituição especializada (Gomes et al., 2022). Benitez e Domeniconi (2014) detalharam que as intervenções foram realizadas em escolas municipais e residências.

3.2 DESENHO DOS ESTUDOS

Os estudos de Benitez e Domeniconi (2014), Gomes et al. (2022) e Darwich & Costa (2022) relataram a metodologia utilizada de forma descritiva, sem denominar ou referenciar o tipo de desenho adotado. Todos os outros apresentaram delineamentos experimentais ou quase-experimentais para analisar a relação causal da IIP sobre aspectos do desenvolvimento de crianças com autismo, incluindo um ensaio clínico randomizado (Tamanaha & Perissinoto, 2014), um estudo intrassujeito (Santos et al., 2015) e um delineamento de linha de base múltipla (Guimarães et al., 2018). Portanto, a maioria dos estudos utilizou uma metodologia rigorosa que permite detectar o efeito de uma variável (IIP) sobre a criança.

3.3 VARIÁVEIS DEPENDENTES E INDEPENDENTES

Todos os estudos analisados apresentaram claramente variáveis dependentes (VD) e variáveis independentes (VI). As VI geralmente eram os próprios programas de intervenção, procedimentos de ensino ou formações, utilizados para observar seus efeitos sobre as VD, que, por sua vez, consistiam em habilidades das crianças (ex.: sociais, regulação emocional, sociocomunicativas ou interação social). As VD informadas se mostraram em conformidade com o relatório do NCAEP, convergindo em relação aos comportamentos-alvo ou habilidades para os quais a IIP apresenta evidências de efetividade (Amsbary & AFFIRM Team, 2017).

3.4 FIDELIDADE DE IMPLEMENTAÇÃO

Neste tópico, foi analisado se as pesquisas sobre a IIP aderiram, ou não, a um conjunto de elementos previamente prescritos que norteassem o desenvolvimento da intervenção, ou seja, se o treinamento dado aos pais seguia algum protocolo de fidelidade. Apenas dois, dos dez estudos analisados, relataram a utilização da fidelidade de implementação.

Um dos estudos descreveu os passos de implementação a partir de um script e de um checklist contendo as ações para manejo de comportamentos inadequados das crianças (Guimarães et al., 2018). Outro estudo (Gomes et al., 2022) relatou o uso do Currículo de Habilidades Básicas, detalhadamente descrito no manual de Gomes e Silveira (2016), como instrumento de procedimento de ensino e protocolo de registros das intervenções.

Embora a descrição sobre o treinamento dos pais nos outros estudos mencionasse o número de horas da formação, o local, os procedimentos e os programas de ensino utilizados, esses estudos não partiram de, nem seguiram, passos pré-estabelecidos.

3.5 FIDELIDADE DE INTERVENÇÃO

A fidelidade da intervenção baseia-se na medida em que a intervenção utilizada pelos pais ou cuidadores adere a um modelo original, incluindo características fundamentais para alcançar os resultados pretendidos e excluindo aquelas que possam interferir. Embora todos os estudos tenham fornecido informações sobre a implementação da intervenção, apenas um estudo apresentou a fidelidade da intervenção (Silva et al., 2019).

Silva et al. (2019) utilizaram o termo “integrity of implementation” para avaliar a fidelidade da implementação de tentativas discretas com três pais, por meio de um checklist criado pelos autores, com itens que a intervenção deveria atender. O resultado foi positivo, com adesão da intervenção em 98,9% ao checklist para um dos pais, 97,5% para o segundo e 95,6% para o terceiro. Observa-se que este estudo utilizou a intervenção por tentativas discretas, uma prática com fartas evidências de efetividade e que, por isso, possui protocolos com passos sobre como implementá-la para que seu resultado seja positivo (Steinbrenner et al., 2020).

3.6 COMPONENTES DA FORMAÇÃO DADA AOS PAIS

Balestro e Fernandes (2019), Benitez e Domeniconi (2014), Mansur e Nunes (2020), Silva et al. (2019) e Tamanaha e Perissinoto (2014) apresentaram diversas práticas de treino para pais, dentre elas: a) vídeos instrucionais; b) protocolos de registro; c) cursos de capacitação e momentos de formação; d) autoscopia; e) videomodelação; f) instrução escrita; g) role-play com feedback imediato; h) vídeo-feedback; e i) visitas domiciliares. Houve uma escassez de informação sobre as qualificações dos formadores, em que nenhum estudo relatou a formação ou experiência daquele que treinou os pais ou responsáveis.

3.7 VALIDADE SOCIAL

A medida da validade social é utilizada para determinar a viabilidade e a utilidade das intervenções implementadas por pais. Apenas um estudo relatou ter utilizado a validade social dos procedimentos ou desfechos da intervenção, por meio de uma entrevista realizada com os cuidadores da criança após a intervenção (Mansur & Nunes, 2020). Um estudo trouxe relatos dos pais sobre a satisfação com a intervenção, mas não mencionou que o dado foi obtido como validade social do estudo (Benitez & Domeniconi, 2014). O fato de a maioria dos estudos não apresentarem validade social acarreta dúvidas sobre a possibilidade de generalização da intervenção para outros espaços e settings.

4 CONCLUSÕES

O objetivo deste estudo foi analisar as características das pesquisas sobre intervenções implementadas por pais com pessoas com TEA no contexto brasileiro. Por meio de uma revisão sistemática, foram analisadas diversas características metodológicas dos estudos sobre IIP, como os participantes, o local onde a pesquisa foi desenvolvida, o desenho do estudo, as variáveis dependentes e independentes, a fidelidade da implementação e da intervenção, os componentes da formação dada aos pais e a validade social.

Nos estudos analisados, as mães foram as que mais participaram da intervenção com seus filhos pequenos. A literatura relata que, no contexto do autismo, as mães tendem a envolver-se mais nos cuidados diretos ao filho do que os pais, mesmo que esse envolvimento possa acarretar ainda mais estresse para essa população, que apresenta risco aumentado para ansiedade e depressão (Ebert et al., 2015; Ruppert et al., 2016).

Apesar de se tratar de uma Prática Baseada em Evidência que aborda o treinamento de pais e cuidadores, a IIP pode ser realizada em ambientes escolares, sendo o educador especial o agente ativo na formação, na orientação e no suporte parental. Nesse sentido, em relação aos locais onde os estudos foram realizados, apenas o estudo de Benitez e Domeniconi (2014) indicou que as intervenções foram realizadas em escolas. Esse dado corrobora os achados de Martin et al. (2021), mostrando que estudos com PBE têm sido desproporcionalmente validados em ambientes não escolares (ex.: residências ou clínicas).

Considerando a idade dos participantes, as habilidades-foco das intervenções e o desenho de pesquisa utilizado, conclui-se que os estudos estão em conformidade com o último relatório sobre as PBE (Steinbrenner et al., 2020). As evidências mostram que essa modalidade de intervenção se revela especialmente eficaz na intervenção precoce para abordar objetivos como interação social, comunicação, atenção conjunta, habilidades de brincadeira, desenvolvimento cognitivo, comportamentos adaptativos e acadêmicos, sendo os estudos experimentais um dos desenhos de pesquisa mais robustos para investigá-la (Amsbary & AFIRM Team, 2017; Steinbrenner et al., 2020).

Entretanto, algumas informações essenciais estiveram ausentes nos estudos analisados, tais como validade social e fidelidade da implementação e da intervenção, que são consideradas informações fundamentais dentre os critérios de elegibilidade para determinar a qualidade dos estudos, conforme o What Works Clearinghouse (WWC, 2022). A ausência dessas informações impacta diretamente na qualidade dos artigos analisados, além de dificultar a replicação em estudos futuros.

Outro fator de limitação dos estudos foi a validade social, mensurada em apenas um estudo (Mansur & Nunes, 2020), sendo essa prática de extrema relevância para entender se a intervenção, conforme implementada nas pesquisas, apresentaria viabilidade e aceitação quando aplicada em outros locais (Sawyer et al., 2005).

Os resultados mostraram que, quanto à fidelidade da implementação, apenas quatro estudos relataram sua utilização (Gomes et al., 2022; Guimarães et al., 2018; Oliveira et al., 2020; Silva et al., 2019). A maior parte deles não indicou claramente se a forma como os pais receberam a formação para atuar com o filho foi seguida a partir de protocolos, checklists, scripts ou listas de verificação de implementação. Esse resultado não é surpreendente, dado que a ciência da implementação é um campo em expansão (Cook & Odom, 2013). Revisões anteriores sobre IIP observaram resultados semelhantes. Por exemplo, Roberts e Kaiser (2011) mostraram que apenas metade dos estudos identificados de IIP forneciam informações sobre a formação dos pais.

Já em relação à fidelidade da intervenção, apenas um dos estudos apresentou resultados de fidelidade ao processo de intervenção e adesão dos pais ao modelo original. Esse resultado aponta para a pouca atenção dada a esse componente no Brasil, quando comparado com revisões internacionais. Barton e Fettig (2013), por exemplo, encontraram que 79% dos estudos sobre IIP mediram a fidelidade da intervenção.

Dos estudos analisados aqui, somente Silva et al. (2019) demonstraram fidelidade tanto de implementação quanto de intervenção. Nesse estudo, a implementação foi avaliada a partir de uma lista de verificação de implementação, e a intervenção teve sua eficácia avaliada por meio de um programa de IIP que utilizou o ensino por tentativas discretas (Discrete Trial Training - DTT) como modelo original a ser seguido e aplicado pelos pais.

Diante disso, é importante reforçar que a IIP apresenta maior chance de não resultar em desfechos positivos na prática se não for utilizada conforme os estudos a implementaram (Barton & Fettig, 2013). A IIP é considerada uma Prática Baseada em Evidência, justificada por apresentar uma série de estudos com evidências rigorosas que a sustentam (Steinbrenner et al., 2020). Protocolos de implementação e intervenção que podem (e deveriam) ser utilizados em novas pesquisas estão disponíveis para serem seguidos passo a passo, contudo, as pesquisas nacionais sobre IIP pouco os utilizaram.

Conclui-se que o presente estudo poderia ter incluído, além de artigos revisados por pares, dissertações e teses, o que possivelmente ampliaria o tamanho da amostra e poderia trazer resultados mais abrangentes. Além disso, para fins de discussão sobre a qualidade dos estudos sobre IIP, poderiam ser ampliadas as características analisadas, incluindo o tamanho do efeito das intervenções, a validade interna e externa, entre outras diretrizes recomendadas para estudos experimentais (WWC, 2020). Sugere-se que novos estudos aprofundem a análise desses indicadores de qualidade, contribuindo para a identificação de pontos importantes a serem observados por pesquisadores que pretendem desenvolver pesquisas nacionais sobre IIP.

5Efetividade é compreendida como a identificação de uma relação de causalidade entre a introdução de um procedimento interventivo e mudanças no comportamento-alvo (Nunes & Schmidt, 2019, p. 88).

REFERÊNCIAS

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Recebido: 04 de Junho de 2024; Revisado: 16 de Setembro de 2024; Aceito: 25 de Março de 2025

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