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Revista e-Curriculum

versão On-line ISSN 1809-3876

e-Curriculum vol.22  São Paulo  2024  Epub 29-Jul-2024

https://doi.org/10.23925/1809-3876.2024v22e53506 

Artigos

Culturas digitais e atos de currículo na formação docente em tempos de fake news

Digital cultures and curriculum acts in teaching education in fake news times

Culturas digitales y actos curriculares en la enseñanza de la formación en falsos tiempos de noticias

i Doutoranda em Educação pela Universidade Federal de Sergipe (UFS). Bolsista Capes. Pesquisadora no Grupo de Educação e Culturas Digitais (ECult). E-mail: brusan10@hotmail.com - ORCID iD: https://orcid.org/0000-0002-8751-2636

ii Doutora em Educação pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Professora Associada do Departamento de Educação e do Programa de Pós-graduação em Educação da Universidade Federal de Sergipe (UFS). Líder do Grupo de Pesquisa em Educação e Culturas Digitais (ECult). E-mail: sissilucena@gmail.com. - ORCID iD: http://orcid.org/0000-0003-1636-7707


Resumo

Este artigo tem como objetivo apresentar uma experiência cocriada com os discentes de Pedagogia da Universidade Federal de Sergipe sobre fake news, pós-verdade e vigilância nas redes com um olhar para as performances (des)informais atravessadas no cenário político, econômico e social no Brasil. Para tanto, as aulas foram pautadas no referencial abordado nesse estudo, dentre alguns deles estão: Bonilla (1999), Castells (1999), Freire (1999), Lévy (1993), Lucena e Oliveira (2014), Pretto (1996), Primo (2007), Santaella (2018), Silveira (2017) etc. De modo geral, os resultados mostraram que os discentes possuíam os dispositivos móveis digitais, mas desconheciam o processo de disseminação de notícias falsas, por isso, as aulas sobre esse conteúdo foram uma oportunidade de conscientizar formas de fazer a educação crítica voltada para o combate das ambivalências manifestadas no digital em rede.

Palavras-chave: atos de currículo; culturas digitais; educação

Abstract

This article aims to present a co-created experience with pre-service teachers from a public university on fake news, post-truth and surveillance in social networks examining uninformative performances in the political, economic and social scenario in Brazil. Therefore, lessons were based on the research of: Bonilla (1999), Castells (1999), Freire (1999), Lévy (1993), Lucena e Oliveira (2014), Pretto (1996), Primo (2007), Santaella (2018), Silveira (2017) etc. Overall, results showed that pre-service teachers had mobile devices, however, they were unaware of fake news dissemination procedure. Due to this, those lessons were an opportunity to raise awareness of different ways of building critical education which fights against existing ambivalence on digital techonology networks.

Keywords: curriculum acts; digital cultures; education

Resumen

Este artículo tiene como objetivo presentar una experiencia co-creada con estudiantes de Pedagogía de la Universidad Federal de Sergipe sobre noticias falsas, posverdad y vigilancia en las redes con una mirada a las actuaciones (des)informales cruzadas en el escenario político, económico y social. en Brasil. Para ello, las clases fueron guiadas por el marco abordado en este estudio, entre algunos de ellos se encuentran: Bonilla (1999), Castells (1999), Freire (1999), Lévy (1993), Lucena e Oliveira (2014), Pretto (1996), Primo (2007), Santaella (2018), Silveira (2017) etc. En general, los resultados mostraron que los estudiantes tenían dispositivos móviles digitales, pero desconocían el proceso de difusión de noticias falsas, por lo que las clases sobre este contenido fueron una oportunidad para sensibilizar sobre formas de llevar a cabo una educación crítica dirigida a combatir las ambivalencias manifestadas en lo digital en red.

Palabras clave: actos curriculares; culturas digitales; educación

1 INTRODUÇÃO

As discussões envolvendo formação de professores e as tecnologias de informação e comunicação (TIC) no Brasil se intensificaram a partir de 1997 quando naquela época o Ministério da Educação (MEC) implantava o Programa Nacional de Informática na Educação (ProInfo) com metas audaciosas para aquisição equipamentos e instalação de laboratórios de informática nas escolas públicas de todo o território nacional.

Desde então, muito se produziu sobre estes e outros programas que tinham em comum a finalidade de “modernizar” a educação a partir da implantação das TIC. Não temos a intenção de discutir nesse artigo o ProInfo e nem a política educacional, pois autores como Bonilla (1999), Pretto (1999), Cysneiros (2001) e Hetkowski (2004, 2008) já publicaram sobre estes temas. Nossa intenção ao resgatar o ProInfo, é destacar que quando se fala em formação de professores com as tecnologias, seja ela inicial ou continuada, temos uma longa história, porém ainda há muito o que ser feito, contado, (re)construído e pesquisado.

Em 1997, estávamos no início da internet no Brasil cuja conexão era exclusivamente via cabo telefônico fixo em computadores de mesa sem nenhuma mobilidade. Mais de 20 anos se passaram e estamos na era das conexões, das redes sem fio e dos dispositivos móveis. Vivemos em mobilidade ubíqua como nos apontou Santaella (2010, 2013), com possibilidades de acessar, produzir e publicar conteúdo na palma da mão com os smartphones cada vez mais potentes e híbridos.

Olhando a trajetória dos Programas e Projetos1 do Ministério da Educação e da Cultura (MEC), criados desde 1997, especialmente para a inserção das tecnologias na educação, percebe-se que todos eles foram na verdade projetos governamentais e por não ter sido criado uma política pública de formação de professores com as tecnologias, nunca, de fato, os professores foram preparados/formados para uma educação crítica com as tecnologias.

Isso porque os treinamentos e cursos aligeirados para ensinar os professores a usar softwares e aplicativos não formam professores críticos, autônomos capazes de produzir “ atos de currículo ” (Macedo, 2013), mas sim de reproduzir currículos descontextualizados, separando a teoria da prática e considerando as tecnologias meramente como recursos didáticos ou ferramenta pedagógica.

Vale ressaltar, que para nós, as tecnologias não são ferramentas, recursos ou meios, termos estes herdados do tecnicismo - e não coloca o uso da tecnologia no centro do processo pedagógico. No entanto, entendemos que as tecnologias são estruturantes (Pretto, 1996) de formas de pensar, de compreender o mundo, de produzir sentidos e que, por esta razão, são tecnologias da inteligência (Lévy, 1993), máquinas cerebrais (Santaella, 1997) que amplificam as habilidades mentais humanas com o digital em rede (Santos, 2014).

Nesse sentido, nosso fazer pedagógico com os discentes do curso de Pedagogia da Universidade Federal de Sergipe - Campus Prof. Alberto Carvalho, sempre foi pautado na pesquisa com as tecnologias digitais. A cada semestre letivo indagamos aos discentes: como produzir “ atos de currículo” com as tecnologias digitais de informação e comunicação na educação básica? Ao iniciarmos o semestre 2019.2 com o componente curricular “Educação e Tecnologias da Informação e Comunicação”, percebemos que os alunos e alunas estavam com certo sentimento de apreensão, de insegurança e de vigilância, pois os discursos sobre a “escola sem partido” (Frigotto, 2017) nos assombrava e vivíamos momentos difíceis com indícios de que nossa democracia estava se desfazendo no ar ou talvez nas redes. Nesse texto, temos como objetivo principal apresentar uma experiência com os alunos e alunas do curso de Pedagogia da Universidade Federal de Sergipe sobre fake news, pós-verdade e vigilância nas redes com um olhar para as performances atravessadas no cenário político, econômico e social no Brasil. Para tanto, vamos descrever o que vivemos, sentimos, aprendemos e cocriamos com estes discentes imersos nas culturas digitais e a atuantes nos cenários da contemporaneidade.

2 CULTURAS DIGITAIS E ATOS DE CURRÍCULO

O ano de 2019 foi marcado por uma crise política, econômica, social, e educacional, que já estava sendo gestada desde o final de 2015, quando iniciou, por parte de um grupo de opositores, os primeiros passos para o impeachment do governo da Presidente Dilma Rousseff. Nesse recorte da linha do tempo, vivemos a intensidade da circulação de notícias falsas em relação ao governo e uma série de investigações, tendo como consequência o caos e incerteza na sociedade brasileira. Diante desse cenário, passamos a ser bombardeados diariamente nas redes sociais da internet e nos aplicativos de mensagens instantâneas via smartphones por uma diversidade de notícias falsas (fake News) - em forma textos, áudios, vídeos e memes. A partir desse contexto, percebemos que muitos professores, tanto da escola básica quanto aqueles que estavam em formação inicial na universidade, não sabiam como discutir, desconstruir, analisar as notícias que chegavam às suas mãos por meio dos dispositivos móveis.

Os jovens alunos e alunas do curso de Pedagogia têm idades entre 19 e 27 anos, o que para alguns estudiosos significa dizer que eles fazem parte de uma geração que já nasceu na era das tecnologias digitais. Isto é, operam e manuseiam bem essas interfaces, evidenciando o quanto estarem imersos nas redes é algo comum do cotidiano. No entanto, esse contato nem sempre corresponde a uma facilidade de acesso, pois, muitos desses estudantes moram distantes dos centros urbanos e, por vezes, o acesso à internet ocorre apenas por meio de redes públicas sem fio, wi-fi, ou usando os pacotes de dados móveis (3G, 4G etc.) das operadoras de telefonia.

Pensar nos modos desse acesso, inevitavelmente torna necessário destacar que para cada tecnologia desenvolvida novos modos de produção e apropriação são criados pelos atores sociais nas suas práticas cotidianas, (re)criando outros modos de fazer. Entretanto, o fato de saberem operar tecnicamente não os habilitam necessariamente a compreender os processos sociais, políticos e econômicos atravessados nos usos dos aplicativos e trocas de mensagem nas redes. Muitos utilizam os dispositivos móveis na perspectiva de “interagidos”, ou seja, sabem apenas as operações básicas (Castells, 1999); que como “interagentes”, isto é, criando, agindo e produzindo saberes, como colocado por Primo (2007). Assim, ter um smartphone nem sempre significa conhecer todas as suas potencialidades para além da recepção de informações e comunicação entre pares. Lemos (2011, p. 19) nos chama a atenção para alguns aspectos:

[...] se ler é uma forma de inclusão desde a Grécia antiga até o início da era moderna; se entender o audiovisual (os mídia de massa) e saber ‘ler’ as informações que nos são despejadas diariamente por centros de informação é uma necessidade para se incluir na sociedade industrial; então, saber lidar com os novos dispositivos e as redes telemáticas são hoje condições necessárias e imprescindíveis para inclusão social na sociedade da informação. Saber ler é hoje entender, produzir e distribuir informações sob os mais diversos formatos (texto, programas, sons, imagens...). As habilidades anteriores se mantêm (saber ler, poder criticar os mass media), mas outras aparecem, como novas habilidades para produzir e distribuir conteúdo em uma sociedade cada vez mais móvel e global.

As tecnologias digitais móveis conectadas em rede potencializam aos seus interagentes serem produtores e distribuidores de saberes, isso significa dizer que é preciso ser imerso na cibercultura. Para Lucena e Oliveira (2014, p. 38) as “culturas digitais ou cibercultura são as formas de usos e apropriações dos espaços virtuais feitas pelos sujeitos culturais”. No componente curricular que ministramos no curso de Pedagogia buscamos debater as apropriações dos espaços virtuais com os discentes para que eles possam se apropriar destes espaços de forma crítica e neles produzirem atos de currículo.

Os atos de currículo, ou melhor, o currículo em ato, é um conceito-acontecimento ou conceito-dispositivo cunhado por Roberto Sidnei Macedo (2013, p .33). Este autor define conceito enquanto os modos de compreender “[...] como os currículos e os atores curriculantes mudam, como mudam seus significantes, ou como conservam, de alguma maneira, suas concepções e práticas, como definem as situações curriculares e têm pontos de vistas sobre suas questões”. Os atos de currículo partem de uma perspectiva socioconstrutivista e, por esta razão, em cada semestre acadêmico produzimos com os alunos e alunas da disciplina “Educação e Tecnologias da Informação e Comunicação” os dispositivos a serem estudados e debatidos durante as aulas, socializando seus saberes e juntos cocriando as práxis formativas.

Atualmente, todas as turmas na universidade possuem alguma interface de comunicação para compartilhar as informações e divulgar notícias sobre atividades acadêmicas. Na turma que trabalhamos em 2019.2, eles já possuíam grupo de comunicação no aplicativo WhatsApp e conta na rede social Instagram. Logo, nas primeiras aulas fomos convidadas a adentrar no grupo do aplicativo de mensagens e, desta forma, passamos a ter outro espaçotempo2 de interação com a turma, pois pudemos conhecer mais sobre suas culturas performances, um espaço digital informacional atravessado por muitos temas, conversas e as mais diversas notícias; estas, muitas vezes, repassadas sem uma análise quanto à sua origem ou veracidade.

Em uma das aulas-encontros vieram à tona os seguintes questionamentos: será que todas as notícias encaminhadas no grupo do WhatsApp são verdadeiras? Como podemos saber? É possível um site de um jornal conhecido na mídia propagar uma notícia que não é verdadeira? Será que a mensagem enviada é mesmo do emissor publicado? Percebemos durante o debate que alguns alunos e alunas desconheciam completamente o que era uma Fake News, como são construídas a partir de interesses políticos e econômicos e disseminadas em segundos, pois um simples “click” é capaz de envolver diversas vertentes que atravessam o digital em rede.

A partir deste debate, iniciamos a “Checagem de Fake News na prática” com o objetivo de compreender as transformações nos modos como as informações são produzidas, recebidas e distribuídas nas redes sociais da internet e nos aplicativos de mensagens.

3 EDUCAÇÃO PARA/NAS REDES: A CHECAGEM DE FAKE NEWS NA PRÁTICA

Atualmente vivenciamos transformações profundas nos modos de produzir, receber e compartilhar informações. Estamos todos conectados ao mesmo tempo pelas redes e fazendo uso das possibilidades propiciadas desse acesso; uma forma de conexão rizomática a qual em suas complexidades mudou nossas formas de ser e estar no mundo. Por um lado, esses devires permitiram a ampliação da cultura participativa dos atores sociais nas redes, por meio de um acesso mais democrático, rompendo com a dinâmica vertical dos meios de comunicação de massa. Por outro lado, temos ambivalências, em destaque, nos últimos anos, de como o mau uso da rede tem consolidado a alta disseminação de notícias falsas (fake news), alimentado discursos pautados na pós-verdade e “pegadas” algorítmicas para constituição de bolhas.

Santaella (2018) nos alerta que as notícias falsas, estórias, boatos e fofocas sempre fizeram parte das relações humanas com intuito de influenciar as crenças das pessoas e manipulá-las, acima de tudo, em decisões políticas em prol de interesses próprios. Sabe-se ainda que não é um fenômeno inteiramente novo, pois já existia desde a época dos gregos. Embora sempre presente nas interações sociais com o propósito de enganar, a diferença entre o seu surgimento para os dias de hoje é a sua potencialização no acesso às plataformas digitais e as formas que são produzidas e disseminadas. A autora cita a emergência da internet, das culturas digitais e das redes sociais diante das formas facilitadas de publicar, consumir e compartilhar informação e notícias,

[...] qualquer pessoa pode abrir um site, um blog ou um perfil em quaisquer plataformas que quiser. As mídias não são mais consumidas à maneira que foi consolidada pelas mídias massivas, hoje chamadas de mídias convencionais. O verbo, a imagem e o som, quase sempre juntos, são agora criados, compartilhados, aceitos, comentados ou atacados e defendidos de numerosas maneiras, em diversas plataformas, por milhões de pessoas (Santaella, 2018, p. 23).

Quanto mais temos acesso democrático à informação com maiores proporções no poder de decisão nas culturas digitais em compartilhamento e produção, tanto mais se complexificam a interação dos atores sociais na internet. D’Anconda (2018) afirma que o tecido conjuntivo da internet sofreu metamorfoses traiçoeiras fazendo surgir novos modelos de negócios que adentram e mudam a paisagem da revolução digital. Neste ponto, sob vários aspectos, ele cita a captura de dados, instituição de filtros-bolhas e vigilância algorítmica na internet em decorrência do avanço das funcionalidades técnicas das tecnologias móveis digitais e também personificação de conteúdos nas redes que transformou o mercado digital e decisões políticas.

Em todo este cenário pensar a educação está sendo um dos maiores desafios dos educadores. Por mais que o fenômeno de disseminação de Fake News perpasse pelas diferentes áreas, a educação, "[...] sem dúvida, é esse o campo, no qual é cabível depositar esperanças" (Santaella, 2018, P. 75). Assim, entendemos que a educação na/para a checagem de notícias falsas atravessa desafios técnicos, políticos, sociais e culturais e o imbricamento com as TIC. E, para tal, indicamos como uma das principais referências da disciplina Educação e Tecnologias da informação e comunicação o livro “A Pós-verdade é verdadeira ou falsa? ”, da autora Lucia Santaella (2018), os vídeos do canal no YouTube “Tecnopolítica3” organizado pelo professor Sérgio Amadeu e a coletânea “Paulo Freire em tempos de Fake News”; este último traz artigos e projetos sobre a importância dos conceitos de Paulo Freire na era digital.

Nesse sentido, o encontro do referido componente curricular se dividiu em quatro momentos principais: 1) Análise de variações das fake news na prática; 2) Roda de conversa sobre os principais conceitos; 3) Imersão em sites, análise de imagens, perfis de redes, aplicativos e agências de checagem; 4) Roteiro de análise das fake news. Tudo isso baseado em um mapeamento prévio em que se constatou nos resultados que todos os discentes tinham acesso às redes e possuíam smartphones como principal meio de acesso à informação. Sendo assim, houve uma total participação prática e engajamento dos alunos e alunas, pois o acesso à informação, compartilhamento e produção já fazia parte da rotina diária deles.

Concordamos com Macedo (2013) ao afirmar que as compreensões dos fenômenos humanos implicam na relação com os saberes e as realidades as quais estão inseridas. Por isso mesmo, no intuito de fazermos um mapeamento prévio, uma espécie de diagnóstico e provocar reflexões com base nas descrições dos tipos de notícias abordadas por Santaella (2018, p. 25) foram distribuídas notícias impressas (para que não houvesse consulta nos dispositivos digitais) a serem trabalhadas em cinco grupos. Assim, foram elencadas cinco notícias de diferentes gêneros: 1ª) notícia verdadeira com chamada alarmante; 2ª) notícia verdadeira, entretanto, opinião mascarada de fato refutando fatos científicos; 3ª) Noticia verdadeira, destacando a divulgação de uma fake news por um telejornal de grande audiência na televisão aberta e considerado confiável no Brasil; 4ª) efeito invertido da crítica, do site sensacionalista4; e, por último, 5ª) notícia falsa em forma de imagem, disseminada na época das eleições no Brasil em 2018. Esta última, tratava-se de uma montagem de um perfil de um ex-deputado anunciando uma turnê nas escolas do Brasil com um cantor drag.

A análise das notícias exigiu conhecimentos prévios dos alunos sobre um acompanhamento contínuo das notícias nos diferentes meios de difusão, pessoas citadas cientistas, políticos, intelectuais e até mesmo sobre as possíveis montagens de imagens com efeitos de manipulação. Macedo (2013) destaca a importância da experimentação de trilhas em que os saberes múltiplos orientam caminhadas formativas com possibilidades de debates, escolhas, conversas, ou seja, cenários curriculares que podem ser verdadeiras ágoras. Nesse intuito, as trilhas constituídas por notícias extraíram questionamentos e debates em todos os momentos e até mesmo dúvidas: “Sou uma pessoa informada ou desinformada? ”. Este protagonismo por meio da análise instigou os alunos a buscarem respostas para os questionamentos surgidos e possibilitou engajar novas ações e formas de lidar com a realidade.

Em busca de transformar a sala de aula em uma verdadeira ágora, fizemos uma roda de conversa sobre os principais conceitos que envolvem construção de uma notícia falsa (NF). Antes de tudo, esses conceitos foram transformados em perguntas, acrescido da indicação de sites, livros, vídeos, artigos e podcasts, os quais os alunos consultaram para responder as questões propostas. “Tudo isso no intuito de deflagrar curiosidade e autonomia”, como nos ensina Freire (1996a, p. 13). E, a partir disso, o aluno, enquanto aprendiz, por meio de sua autonomia, pode ser capaz de recriar e refazer o que ainda não foi aprendido provocando a reflexão crítica sobre a prática. Nesse intuito, as perguntas buscaram provocar a reflexão crítica sobre as performances dos alunos na relação com os dispositivos e com as informações acessadas, já que melhor conhecendo a realidade a qual está inserido, melhor ele pode transformá-la (Freire, 1996a). Uma das alunas da turma em relação aos atos de currículo desenvolvidos colocou que:

Os assuntos que mais gostei foram: Fake News, avanço das tecnologias, vigilância e pós-verdade. Fake News porque podemos perceber como essas fakes podem afetar nossa vida, uma notícia falsa pode mudar muita coisa até as eleições por isso é bom se manter informado (Relato da aluna J5).

Embora, as referências indicadas para estudos sobre a temática utilizadas tenham perspectivas epistemológicas diferentes, ao trabalhar com as redes e as relações socioculturais dos atores sociais, elas se complementam nas discussões propostas. De fato, uma aborda como a interação e conexões entram em cena nas atividades pessoais, culturais e sociais e suas ambivalências nos benefícios e malefícios no contato com as TIC e a internet (Santaella, 2018), a outra, destaca a noção de vigilância nas redes e a consequência dos avanços das funcionalidades técnicas atravessando as relações de poder mercadológicas e políticas, controle e governos dos algoritmos (Silveira, 2016). Logo, lançamos para a turma a seguinte pergunta: “Quais dos assuntos abordados nessa aula você não conhecia?”. E o resultado foi o seguinte:

Fonte: Elaborado pelas autoras.

Gráfico 1 Temas Debatidos  

As perguntas foram alicerçadas nos seguintes capítulos: “Uma era da pós-verdade?” e o “A pós-verdade no tsunami das Fake News” (Santaella, 2018, p.35), neles a autora aborda como a ascensão da pós-verdade (post-truth)6 ocorre em meio aos discursos políticos da campanha eleitoral norte-americana de 2016. Por isso, utiliza os fatos ocorridos nessa eleição para explicar a pós-verdade a partir das ações de uma figura pública do mundo político. Nele, a autora afirma que os discursos se dividem em disseminação de informações falsas no intuito de contribuir com interesses partidários e pós-verdade, este último “[...] se fundamenta em crenças e valores construídos e engessados nebulosos quanto aos fatos, mas potentes na inculcação confirmadora de crenças” (Santaella, 2018, p. 39).

Neste ponto, percebemos pelas interações nas aulas que Pós-verdade (63,6%) está entre os assuntos que os alunos e alunas mais desconheciam. Por ser um conceito novo, eles relataram algumas estratégias de consulta utilizadas em diferentes fontes na internet para compreender melhor este conceito. Para tanto, consultaram vídeos, livros, artigos e até mesmo imagens que pudessem apresentar um sentido e significado mais exato. A Figura 1, capturada na rede e socializada no grupo, foi uma das referências utilizadas por eles nas discussões.

Fonte: Projeto um Milhar7.

Figura 1 Verdade versus pós-verdade 

Outros temas mencionados como desconhecidos por eles foram as “Bolhas e Algoritmos” (36,4%) e “Vigilância na internet e captura de dados” (36,4%) com a mesma porcentagem. No geral, as perguntas sobre esse conteúdo também foram baseadas nos “Podcast Tecnopolítica”, com os seguintes temas: a) Episódio 06: “Celulares Vigilância e Espionagem”; b) Episódio 08: “Quando os sistemas algorítmicos chegam para definir a justiça”; c) Episódio 09: “Tecnologias de Vigilância e Direitos humanos” d) Episódio 11: “Internet e a concentração de poder” 8. Complementando as temáticas abordadas, Silveira (2016) destaca como a paisagem sociotécnica está repleta de algoritmos que “podem ser definidos como rotinas logicamente encadeadas [...]” (p.268). Toda essa dinâmica performática abarca as relações sociais econômicas e políticas, capturas de dados na internet e constituição de bolhas. O autor afirma ainda que tudo é consequência do uso intensivo de celulares, tablets, smart TVs, mecanismos de buscas na web, entre outros corriqueiros no nosso dia a dia.

Ao avaliar as aprendizagens construídas nas aulas-encontros e “[...] interpretar os atos de currículo in situ”, como aconselha Macedo (2013, p. 115), percebemos que esse uso intensivo dos dispositivos móveis digitais é generalizado na sala de aula e também faz parte do cotidiano dos alunos e alunas. Por isso mesmo, a construção das experiências formativas ao falar das performances algorítmicas se deu com os alunos discutindo as percepções no dia a dia sobre o acesso aos seus smartphones.

Essa estratégia de discutir sobre as percepções cotidianas sempre era iniciada com uma interrogação e com um meme (Figura 2). Por isso, ao iniciarmos sobre como a vigilância nas redes nos atinge uma aluna relatou sua percepção sobre como seu celular “ouvia” suas conversas quando estava próxima do aparelho e também quando acessava a web apareciam sugestões de sites contendo o assunto abordado em suas conversas corriqueiras com outras pessoas fora das redes. Ao abrir espaço para os demais responderem, de modo geral, eles relataram recomendações de amigos em comum nas redes sociais, de produtos pesquisados aparecendo por meio de cookies depois de ter dito algo sobre, dentre outras situações.

Fonte: Imagem do Instagram9.

Figura 2 O cara da Cartaz 

Diante disso, após compreender melhor os conceitos, o terceiro momento ocorreu com imersão em sites, análise de imagens, perfis de redes, aplicativos e agências de checagem. Inspirada no capítulo “Como nos livrar das NFs?” da autora Santaella (2018, p.30), a aula-encontro trabalhou: a) mapear com atenção e verificar a confiabilidade das fontes; b) ir além das chamadas e reconhecer sinais de sensacionalismo; c) procurar por outras fontes; d) verificar os fatos, sua data de publicação; e) conferir se os conteúdos afetam seus preconceitos; f) reconhecer quando se trata de brincadeira e conferir se vem de fonte piadista.

Percebi que a aula se torna muito mais dinâmica quando incluímos tecnologia, o trabalho em equipe é reforçado, pode-se permitir à inovação em quaisquer âmbitos. Após as práticas nas aulas, se antes não compartilhava tudo que via, agora é que não faço mesmo. Primeiro procuro analisar e pesquisar, e quando recebo, é o mesmo processo de análise, já procuro orientar a pessoa que está me enviando também (Relato da aluna S).

Nesta aula, a aluna se refere a imersão total prática no laboratório de informática Universidade Federal de Sergipe - Campus Prof. Alberto Carvalho, onde eles puderam acessar os computadores e também conectar seus dispositivos à rede Wi-fi e, principalmente ter “[...] o acesso de sites especializados em auxiliar nos processos educativos as NFs” (Santaella, p.30). Primeiramente, falamos sobre a importância das principais agências de checagem de notícias no Brasil e sites com objetivo de desmentir boatos e algumas deep fake10, tais como: Aos Fatos, Agência Lupa, Truco, Revista Piauí, E-farsas, Boatos. Org, Fato ou Fake do G1, site do TSE, curso “Vaza, Falsiane11”, dentre outras. Referidas por Santaella (2018, p. 31) como “os verdadeiros antídotos à proliferação de NFs”, a prática checagem de fatos ou fact-checking é a dedicação de checar pronunciamentos de autoridades e pessoas que têm impacto na sociedade e seu principal objetivo é levar a verdade à sociedade. Ao explicar a função da checagem e essencialidade de ser transparente, a agência Aos Fatos12 afirma que os métodos de verificação variam de plataforma para plataforma, no entanto, todas devem dispor e explicar passo a passo dos caminhos para se chegar à conclusão da veracidade das informações publicadas.

Assim, em 28 de março de 2018, a agência de checagem “Aos Fatos” lançou um material informativo em formato de quadrinhos em parceria com a International Fact-Checking Network13 (IFCN). Como um manual de combate às notícias falsas (Figura 3), o informativo tem sete dicas de como descobrir se a informação é verdadeira ou não, tais como: 1) Cheque a fonte; 2) Leia; 3) Cheque o Autor; 4) Pergunte para o Google em caso de dúvida; 5) Verifique se estatísticas estão corretas ou não; 6) Desafie-se e saia da bolha; 7) Peça ajuda aos especialistas.

Fonte: Agência aos fatos.

Figura 3 Capa da cartilha 

O material da cartilha foi disponibilizado para todos os alunos no formato digital14 e com essas dicas todos imergiram nas redes em variados tipos de notícias compartilhadas em grupos na plataforma WhatsApp, algumas com apenas texto ou áudio, publicadas por grandes veículos de comunicação, perfis falsos de possíveis figuras públicas no Twitter e Instagram, outras com chamadas alarmantes e até mesmo imagens. Para tanto, acessaram o site de busca Google imagens para analisar veracidade de imagens e também o site PegaBot15 para verificar a atividade de uma rede social e se algum perfil tem probabilidade de ser um Bot.

Diante dessas experiências, uma das alunas destaca como a atuação em sala de forma prática nas maneiras de analisar as notícias, complementou as suas estratégias de checagem no dia a dia, por isso relata:

[...] a aula que mais gostei foi identificação das fakes news. Por que mostrou a importância de ficar atenta ao que vejo em noticiários, grupos de WhatsApp, informações que em sua maioria não são verídicas, e o perigo de receber a informação como verdadeira e publicá-la logo em seguida. Não tenho o hábito de publicar, mas não pesquisava a respeito. Agora sim (Relato da aluna D).

Esse protagonismo dos processos ser ator/atriz das cenas da análise de toda investigação instigou nos alunos e alunas à reflexão. Freire (1996a) afirma a natureza do se comprometer e estar, tudo isso é apenas possível quando o indivíduo reflete sobre si, seu papel e suas práticas no mundo. Isso impreterivelmente gera uma ação reflexiva e mudança por meio do comprometimento, como explícito acima na fala da aluna. Na medida em que os alunos, de forma prática, analisaram as experiências cotidianas na internet de diferentes perspectivas na sala de aula, eles iniciaram um maior comprometimento sobre as práticas diárias fora dela. Assim, no quarto e último momento a intenção foi intensificar a experiência ocorrida no terceiro momento com uma atividade avaliativa que demandou a análise de notícias escolhidas por eles.

Para tanto, foi criado um roteiro de análise com base no material informativo trabalhado na aula anterior e também nas dicas disponíveis na Federação Internacional das Associações e Instituições de Bibliotecária (IFLA) citada ainda no capítulo “Como nos livrar das NFs?” (Santaella, 2018, p.30). Dentre os elementos estavam: a) considerar a fonte da informação; b) ler além do título; c) checar se os autores existem e se são confiáveis; d) procurar fontes de apoio confirmadoras; e) checar a data da publicação e se está atualizada; f) questionar se não passa de uma piada; g) revisar preconceitos afetando seus julgamentos; h) consultar especialistas em busca de mais conhecimentos sobre o assunto.

Sobre fake news, todos devem ter conhecimento do que se trata como analisar se uma notícia é verdadeira ou falsa, imagem, ou até mesmo um vídeo é fruto de uma fake news ou não. É muito importante que esse assunto seja trabalhado em outros cursos, até mesmo nas escolas, pois com a proporção que as fake news estão tendo nessa contemporaneidade, todos devem estar preparados ao receber uma notícia, e conhecer se ela é verídica ou não (Relato da aluna L).

Encorajamento e prática em relação às NFs são palavras-chave em todo o livro da autora Santaella (2018), mais que isso, ressalta-se ainda a necessidade de criar estratégias para auxiliar a educação na/para as redes. Desenvolver uma formação crítica para as mídias e sua relação com a educação como sendo objetivo principal da segunda unidade da disciplina, objetivou ser uma defesa aos paradoxos maléficos decorrentes dos desafios nas culturas digitais.

Por isso, os “ atos de currículos” dos alunos durante esse último momento se fundamentou não apenas nos roteiros, mas em realidades, as quais auxiliaram nas escolhas das NFs para a apresentação na última aula. Logo, os contextos educacionais multirreferenciais possibilitaram escolher as NFs que tinham a ver com as vivências e experiências dos atores sociais ali presentes (Macedo, 2013). Com um olhar crítico, os alunos e alunas analisaram notícias divulgadas em sua cidade, questões de gênero, sexualidade, desconstrução de discursos preconceituosos, desinformação política e até sobre a responsabilização judicial e prejuízos nas relações sociais humanas. Isso gerou uma maior conscientização, como relata a aluna:

As instituições educacionais devem ser o foco principal de disseminação de informação. Sobre a conscientização e transmissão de informações confiáveis, bem como ensinar sobre como se chegar até elas, também deve partir dos profissionais da educação. Portanto, é de valor fundamental o papel assumido por tais instituições (Relato da aluna N).

Atos de currículo e os sentidos semânticos emergidos das experiências e linguagens múltiplas nas aulas práticas sobre as NFs faz entender o papel da educação diante dos avanços sociotécnicos, consequentemente, sociais, culturais, mercadológicos e políticos. A paisagem informacional, hoje, exige que saibamos previamente em quais fontes confiar, se o conteúdo possui parcialidades, se está parcialmente ou totalmente manipulado, interpretar discursos, a pós-verdade, a mentira e até mesmo seus avanços como a deep fake. Tudo isso só será possível por meio de uma formação educacional de qualidade e a compreensão dos paradigmas emergentes que vivemos neste momento, sobretudo, aclamando uma educação na/para as redes, como nos afirma Santaella (2018, p. 21) corroborando com a fala da aluna sobre suas experiências educativas, a autora destaca:

A formação educacional para e nas redes é, assim, a chave para o desenvolvimento de habilidades que tornam o usuário confiante na tarefa de interrogar sobre a precisão de uma informação e desafiar representações injustas, visões extremistas, violências simbólicas e brincadeiras ofensivas. Sobretudo, merece ser considerado que a educação para e nas mídias deve estar inserida em ambientes de formação educacional no seu sentido mais amplo, aquela que é capaz de desenvolver a sutileza da sensibilidade, a arte do cuidado com a alteridade e a ética da curiosidade em relação às complexidades psíquicas e sociais que nos constituem como humanos.

Portanto, o cuidado com alteridade e a ética da curiosidade, como nos elucida a autora, em tempos de fake news, pós-verdades, deep fake, vigilâncias nas redes, captura de dados, dentre outros, são desafios ingressantes nas culturas digitais atravessando as experiências e vivências dos sujeitos, provocando rompimentos democráticos da cultura participativa dos atores sociais da cibercultura e impondo discursos do ódio, do medo, da mentira. Tudo isso vai de contra ao que o próprio nome “rede” nos passa, a conexão, ligação, rizomas. O que antes era um tecido de entrelaçamentos de colaboratividade e compartilhamento, rompendo com hierarquias de acessos, de participação, escuta de vozes. Hoje, mais do que nunca, nos desafia fazer educação de forma crítica preparando os atores sociais às cenas futuras e esse desafio antecipadamente precisa levar em conta as ambivalências manifestadas no digital em rede.

4 ALGUMAS CONSIDERAÇÕES

Aprendemos com Freire (1996b, p. 29) que ensinar exige pesquisa, pois “não há ensino sem pesquisa e nem pesquisa sem ensino” e, por esta razão, a cada semestre que iniciamos um componente curricular no curso de Pedagogia da Universidade Federal de Sergipe efetivamos nas nossas práxis pedagógicas uma pesquisa-formação com os discentes. Nesta forma de pesquisa, difundida também por Santos (2014), formamos e nos formamos por meio de (in)tensas trocas interativas com atores sociais. Construímos com eles atos de currículo para que possam expressar e compartilhar seus saberes e culturas e, além disso, pensarmos e cocriamos dispositivos para a educação escolar.

Na experiência relatada nesse artigo, abordamos a imersão de uma turma de Pedagogia nas culturas digitais e o estudo sobre as Fake News. Este tema foi escolhido pela turma por ter sido algo que os inquietavam nas trocas estabelecidas com os colegas nas redes sociais e nos grupos de WhatsApp. Percebemos que apesar de serem jovens que possuem tecnologias móveis digitais, consequentemente, imersos diariamente em rede nos diversos aplicativos, muitos se consideravam muito mais como interagidos do que interagentes, ou seja, consumiam informações, realizavam operações técnicas básicas com estas tecnologias, mas desconheciam outras potencialidades que os dispositivos móveis possibilitam.

Portanto, foi nessa conjuntura das metamorfoses do digital em rede, hoje utilizado para potencializar mentiras, preconceitos, evidenciando a pós-verdade engessada como verdades e até mesmo questionamentos da ciência; que os alunos do Curso de Pedagogia da Universidade Federal de Sergipe tomaram a cena. Nesse espaço, visto como oportunidade de experiências educativas atuaram como sujeitos de suas atuações, inspiradas em suas trilhas de vida, tornando-as alicerces de ações (trans)formadoras. Nelas, constituíram-se as sutilezas dos atos de currículos; estes em sua maioria muitas vezes silenciados por uma educação dita convencional, no entanto, provocaram a todo tempo rupturas, deslocamentos, reivindicaram seu lugar de fala e ocuparam as redes com maestria em meios aos desafios do cenário atual.

REFERÊNCIAS

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NOTAS:

1 Podemos citar alguns projetos como: reestruturação do ProInfo em 2007 que passou a ser denominado de Programa Nacional de Tecnologia Educacional; o Prouca em 2010; Tablet Educacional em 2013.

2 Temos adotado nas nossas publicações do grupo de pesquisa esta forma de grafia desses termos e de outros como aprenderensinar, saberfazer, praticatioriapratica, por concordarmos com Alves (2008), que a partir da teoria dos cotidianos, entende como categorias que foram separadas pela modernidade, mas que são na verdade categorias imbricadas e precisam permanecer juntas.

3 O mesmo é disponibilizado em formato de podcasts no serviço de streaming, mas também está disponível em formato de vídeos no YouTube. Essa variedade de plataformas se torna possível devido às gravações serem em forma de diálogo sempre com um convidado interagindo com o professor. Disponível em: https://www.youtube.com/c/PodcastTecnopol%C3%ADtica. Acesso em: 3 mar. 2020.

4 Disponível: https://www.sensacionalista.com.br/. Acesso: 25 mar. 2020.

5 Tendo em vista os cuidados éticos com os alunos e alunas participantes da pesquisa, optamos por trazer apenas as iniciais dos seus respectivos nomes a fim evitar a identificação.

6 “[...] ‘pós-verdade’ (post-truth) foi escolhida como palavra internacional desse ano pelo Dicionário Oxford (Oxford Dictionaries). O adjetivo foi eleito por denotar ‘circunstâncias nas quais fatos objetivos são menos influentes na formação da opinião pública do que apelos à emoção e à crença pessoal’” (Santaella, 2018, p. 35-36).

7 Disponível em: https://projetoummilhar.com.br/index.php/temas/54-proposta-de-redacao-a-verdade-em-questao-como-conviver-com-a-pos-verdade. Acesso: 1 mar. 2020.

8 Disponível em: https://www.youtube.com/channel/UCDy46jf2mcg8xySzrqV5pxw/videos. Acesso em: 7 fev. 2020.

9 Disponível em: https://www.instagram.com/p/B68OkICli2x/. Acesso em: 27 mar. 2020.

10 ODeep Fakeusa Inteligência Artificial para trocar o rosto de pessoas em vídeos, com a sincronização de movimentos labiais, expressões e outras características, em alguns casos os resultados são bem convincentes. Disponível em: https://tecnoblog.net/264153/o-que-e-deep-fake-e-porque-voce-deveria-se-preocupar-com-isso/. Acesso em: 1 abr. 2020.

11 “O ‘Vaza, Falsiane!’ é um curso online contra NFs voltado ao público em geral. Outra iniciativa é o desenvolvimento de um bot no Messenger que orientará as pessoas sobre como trafegar no universo de informações na internet para que elas próprias possam checar informações” (Santaela, 2018, p.32). Disponível em: https://aosfatos.org/checagem-de-fatos-ou-fact-checking/. Acesso em: 2 abr. 2020.

12 Disponível em: https://aosfatos.org/checagem-de-fatos-ou-fact-checking/. Acesso em: 2 abr. 2020

13 Disponível em: https://aosfatos.org/noticias/este-cartum-vai-ajuda-lo-a-descobrir-se-uma-informacao-e-verdadeira-ou-falsa/. Acesso em: 2 abr. 2020.

14 Disponível em: https://www.aosfatos.org/noticias/este-cartum-vai-ajuda-lo-a-descobrir-se-uma-informacao-e-verdadeira-ou-falsa/. Acesso em: 2 abr. 2020

15 Disponível em: https://pegabot.com.br/. Acesso em: 1 de abr. de 2020

Recebido: 23 de Março de 2021; Aceito: 31 de Março de 2023; Publicado: 28 de Março de 2024

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