Introdução
Apesar das inúmeras críticas existentes na literatura acadêmica (Altbach; Hazelkorn, 2017), referentes aos métodos adotados pelos rankings acadêmicos e a sua incapacidade de mensurar a qualidade do ensino e da aprendizagem ou a qualidade da experiência do aluno, a tese de Altbach (2006), divulgada em 2003, continua atual e ainda ecoa ao afirmar que os rankings estão em voga em todo o mundo, alcançando legitimidade pública e aura de credibilidade, posto que organizações respeitáveis de pesquisa e de natureza política a eles recorrem para a sondagem de dados e deles usufruem.
Nessa perspectiva, os instrumentos de avaliação da educação superior utilizados passaram a provocar fascínio no cotidiano da comunidade educacional na busca pela certificação da excelência (Théry, 2010; Dametto; Esquinsani, 2015; Hazelkorn, 2011; 2019). Seu poder de atração envolve governantes, gestores acadêmicos, diretores de escolas, professores e se estende a vestibulandos, pais, marqueteiros, entre outros atores, no marco da expansão desse contexto gerencial na avaliação da qualidade da educação superior (Post et al., 2013), bem como, na batalha pela excelência (Hazelkorn, 2011) em um mercado global de educação baseado no prestígio universitário.
Poder-se-ia chegar a diversificadas definições sobre os rankings acadêmicos, dependendo da perspectiva teórica adotada ou do lugar ocupado nos âmbitos do cenário educacional, das políticas públicas e do mercado. Eles podem ser idilicamente exaltados ou satanizados, sujeitam-se à lente pela qual são abordados. Neste artigo, são considerados como um conjunto de tabelas classificatórias de abordagem quantitativa, empírico racional, que a partir da combinação de múltiplos indicadores, pesos e métricas, com suas potencialidades e limites, contribuem para a avaliação da qualidade das Instituições de Educação Superior (IES) e dos sistemas de educação superior, nas esferas nacional ou internacional, servindo como chancela de excelência e qualidade, sendo o selo de Universidade de Classe Mundial (UCM), o mais valioso e almejado na economia do conhecimento (Calderón; França, 2018; Calderón, 2022).
Neste enfoque, os rankings acadêmicos “não podem nem devem ser considerados como os únicos indicadores ou instrumentos de avaliação institucional” (Calderon, 2022). Os chamados “Princípios de Berlim para Rankings de Instituições de Ensino Superior”, elaborados, em 2006, pelo Grupo Internacional de Especialistas em Rankings (International Ranking Expert Group - IREG), afirmam explicitamente que os rankings e as tabelas classificatórias devem:
“ser uma entre várias, diferentes abordagens para a avaliação do ensino superior. Rankings podem fornecer informações comparativas e uma melhor compreensão do ensino superior, mas não devem ser o principal método para avaliar uma instituição de ensino superior. Rankings fornecem uma perspectiva baseada no mercado que pode complementar o trabalho do governo, das instituições de acreditação e das agências de avaliação independentes” (IREG, 2006, p.1).
Como se pode observar, a abordagem adotada neste artigo se distancia dos enfoques teórico-críticos, enquadrados no paradigma do conflito (Sander, 1984), que hipervalorizam os aspectos negativos dos rankings como resultado de estratégias neoliberais, no âmbito das políticas de governança na educação superior, as quais ainda são hegemônicas na literatura acadêmica brasileira, principalmente, nas Ciências da Educação (Calderón; Franca, 2018).
Em termos técnicos, esses instrumentos de avaliação, como campo de estudo, englobam díspares tipos de tabelas classificatórias, podendo assumir formas de rankings ou ratings, as mesmas que são utilizadas, em termos multidisciplinares, tanto no âmbito acadêmico-científico para a produção do conhecimento (Pinho, 2023) quanto no âmbito do mercado e da economia de plataforma (Garcia Ruiz, 2023), sendo fundamentais para o surgimento da sociedade métrica, isto é, “uma sociedade de pontuações, classificações, curtidas (likes), estrelas e notas”, na qual existem “dados e métodos de avaliação e monitoramento baseados em indicadores que estão incentivando a quantificação total da esfera social” (Mau, 2019, p. 2 - tradução livre dos autores). Aliás, é precisamente, nessa sociedade, em que as práticas de mensuração, avaliação e comparação estão se expandindo, no meio da “popularização de conceitos como transparência, responsabilidade e embasamento em evidências”, em que as “classificações, rankings e formas quantitativas de avaliação desempenham um papel central” (Mau, 2019, p. 3 - tradução livre dos autores).
Nos rankings, IES ou cursos são classificados hierarquicamente, do melhor ao pior desempenho, ficando em uma posição específica, com reduzida possibilidade de empate. Exemplo, o Ranking Universitário Folha (RUF), em sua edição de 2019, classificou 197 universidades brasileiras, distribuídas do 1o ao 197o lugar. Nos ratings, IES ou cursos são classificados e/ou enquadrados em segmentos/faixas de qualidade, não sendo possível distinguir, dentro do grupo, se um é melhor que outro, uma vez que estão na mesma faixa. Exemplo, o Guia do Estudante (GE), presente no Brasil de 1986 a 2018, que classificava cursos de graduação em três faixas de qualidade: a) Excelente (cinco estrelas), b) muito bom (quatro estrelas) e, c) bom (três estrelas). Convém registrar que existem tabelas classificatórias que misturam elementos dos rankings e ratings em seus desenhos, como por exemplo, o QS World University Rankings que usa a classificação na forma de rankings para distinguir as primeiras 500 melhores universidades, após esse número começa agrupá-las na forma de rating, adotando faixas de desempenho. Além disso, destaca-se que a adoção de rating que classificam cursos e universidades por meio de estrelas, tendo as cinco estrelas como sinônimo de excelência, é uma prática comum na economia global do conhecimento, como exemplo citam-se os ratings nacionais promovidos pelo The Good Universities Guide sobre a qualidade dos cursos universitários em Austrália ou, em âmbito internacional, QS Stars University Ratings, que permite encontrar as melhores universidades a partir de áreas específicas do conhecimento.
Estudos demonstram que os rankings acadêmicos vêm se constituindo, no Brasil, como emergente campo de estudo, de caráter multidisciplinar, por meio de uma embrionária literatura científica em expansão, produzida por pesquisadores de diversas áreas do conhecimento preocupados pela compreensão da dinâmica de funcionamento desses instrumentos de avaliação externa (Calderón et al., 2015). Nesse campo, a área das Ciências da Educação destaca-se, pela ínfima produção científica, fato que sinaliza o reduzido interesse em torno do assunto, marcada por uma literatura teórico-crítica, de caráter ensaística, que questiona predominantemente aspectos epistemológicos referentes a uma concepção de educação como mercadoria, que se sustenta na cultura da performatividade (Ball, 2005; Dametto; Esquinsani, 2015) e da avaliação por meio de ranqueamento (Calderón et al., 2015).
Levantamento realizado por Calderón e França (2018, p. 462) sobre o estado da arte da produção científica ibero-americana revela que, após uma década de estudos caracterizados pela crítica à emergência dos rankings nacionais e internacionais, a partir de 2010, “prevalecem estudos teóricos conceituais mais alinhados ao paradigma do consenso que tendem a enxergar o fenômeno do ranqueamento como um fator indutor de melhoria das instituições e sistemas de educação superior”. Paralelamente aos estudos teóricos críticos, alinhados ao paradigma do conflito, no qual os rankings são abordados pelo prisma da mercantilização e privatização da educação superior, surgem estudos de natureza empírica preocupados em compreender de modo mais objetivo,
[...] aspectos relacionados à metodologia utilizada para a construção dos indicadores, de realizar estudos comparativos entre diferentes rankings e/ou sobre o desempenho de diferentes universidades de um país a partir de determinados rankings (Calderón; França, 2018, p. 462).
Nesse sentido, os rankings acadêmicos, como campo de estudos, se fortalecem com a existência de uma produção científica ibero-americana que revela a “tendência direcionada para o estudo sobre a performatividade institucional e de países, compreendendo suas limitações, mas também suas potencialidades” (Calderón; França, 2018, P. 462).
É nesse último campo de estudos, caracterizado especificamente pela preocupação, em termos analíticos, descritivos e comparativos, com a compreensão de indicadores, metodologias e performatividade de IES vinculados aos rankings, que este artigo, com apoio e financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), se insere, contribuindo com a incipiente literatura sobre a trajetória dos rankings acadêmicos.
Assim, o objetivo é compreender a trajetória do Guia do Estudante (GE), da Editora Abril, umas das primeiras tabelas classificatórias que existiu no Brasil, na forma de rating de cursos e rankings de instituições de educação superior (IES), durante trinta e dois anos (1986-2018).
Para entender a importância do GE no estudo dos rankings acadêmicos, deve-se considerar que no Brasil, duas foram as tabelas classificatórias pioneiras: o ranking ‘As melhores Faculdades do Brasil’, promovido pela Revista Playboy, existente entre 1982-2000 (Calderón et al., 2014) e o rating GE criado em 1984, que a partir de 1986, começou a classificar os melhores cursos e as melhores IES existentes no país. Antes de 1986, o extinto ranking da Revista Playboy era o único no cenário educacional na primeira metade da década de 1980, passando a conviver, após a segunda metade e ao longo da década de 1990, com os ratings produzidos pelo GE.
Até então, essas foram as duas referências sobre a qualidade da educação superior produzidas no mercado editorial, às quais se somaram, a partir de 1996, ao Exame Nacional de Cursos (ENC), o chamado Provão, ranking oficial do governo federal (Cechin, 2011; Calderón et al., 2014). Nessa trajetória, no âmbito das tabelas classificatórias produzidas pelo setor privado, com a extinção do ranking da revista Playboy em 2000, as classificações produzidas pelo GE tornaram-se única referência de ranqueamento universitário ao longo da primeira década do século XXI, passando a conviver desde 2012, com o RUF (Calderón; Lourenço, 2014) até 2018, ano de sua abrupta extinção.
É sobre essa trajetória do GE que o presente artigo se debruça, cujo prestígio e reconhecimento se vê registrado e divulgado nos sites de IES públicas e privadas (com ou sem fins-lucrativos), bem como, em jornais e materiais de propaganda que inundam o mercado editorial. A Universidade de São Paulo (USP), por exemplo, divulgou em sua página oficial: “USP é a melhor universidade pública segundo Guia do Estudante” (USP, 2016). A Pontifícia Universidade Católica de Campinas, publicou em seu portal: “PUC-Campinas é eleita pelo Guia do Estudante a melhor universidade privada na área de Saúde” (PUC-Campinas, 2006). Por sua vez, o Grupo Anhanguera Educacional (2013), pioneiro por negociar suas ações na bolsa de valores, anunciou: “Anhanguera tem 93 cursos estrelados pelo Guia do Estudante 2013”.
Embora o GE seja predominantemente um rating, ao classificar os cursos por segmentos com determinado número de estrelas, convém destacar que também ofertava classificações em forma de rankings, exemplo, o Prêmio ‘Melhores Universidades’, no qual ranqueava as 20 melhores IES privadas e as 20 melhores públicas. Ao longo de suas edições, o GE se autoproclamava como ranking e não rating. Esta prática se deve ao fato de que o público a quem estava direcionado o GE estava mais familiarizado com a palavra ranking. Convém esclarecer que o termo rating está mais vinculado ao mundo anglófono, não sendo comum sua utilização no Brasil, porém, como se trata de um artigo acadêmico, sua nomeação adequada é oportuna.
Para atingir os objetivos deste artigo, realizou-se pesquisa bibliográfica e documental de natureza exploratória, quali-quantitativa, a partir de quatro dimensões referenciais: (i) tipologia, (ii) funcionamento, (iii) metodologia e (iv) tendências predominantes. As fontes de análise foram vinte e oito edições, coletadas no acervo da editora Abril. O estudo da trajetória do GE, permitiu identificar a existência de cinco períodos definidos ao longo do tempo, os quais guardam especificidades em termos de padrões, sequências e regularidades, permitindo agrupar fatos, processos e metodologias de forma cronológica.
Para efeito da análise comparativa dos ratings e dos rankings produzidos pelo GE ao longo do tempo, tomou-se como referência, o Grid elaborado por Calderón, França e Gonçalves (2017), possibilitando identificar múltiplas tipificações, como observado na Figura 1, podendo classificá-los como puros (objetivos ou subjetivos) e híbridos, com indicadores que podem ser classificados como objetivos ou subjetivos, e focados em insumos ou em produtos, havendo a possibilidade de aglutinação de indicadores subjetivos e objetivos, bem como, o enfoque concomitante entre produtos e insumos, possibilitando, nove categorias que podem gerar multiplicidades de combinações na construção dos rankings acadêmicos.
Os rankings híbridos misturam em sua composição tanto indicadores objetivos quanto subjetivos, podendo ter mais predominância de um do que outro, além da possibilidade de possuir foco concomitante nos produtos e nos insumos (Ganga-Contreras, et al, 2020), revelando, desta maneira, rankings diversificados, ante a existência de múltiplas combinações.
Primeiros passos na classificação de cursos (1986-1990)
Sabe-se que a publicação do GE surge em 1984 como suplemento do Almanaque Abril (Guia do Estudante, 2012). Entretanto, sua primeira tabela classificatória ou ranking acadêmico foi elaborada em 1986, com informações obtidas junto à Revista Playboy, que na época publicava um pioneiro ranking universitário nacional (Guia do Estudante, 2005). As tabelas classificatórias de 1986 e 1987, não apresentavam dados técnicos a respeito da quantidade de cursos avaliados, procedimentos metodológicos e resultados.
Observa-se na Tabela 1, que apenas em 1988, o GE passou a realizar suas próprias avaliações, existindo apenas um único tipo de classificação voltada aos cursos de graduação, por meio de padrões de desempenho que se traduziam em uma escala de qualidade dividida em cinco faixas que se traduziam em estrelas: uma estrela (fraco), duas estrelas (regular), três estrelas (bom), quatro estrelas (muito bom) e cinco estrelas (excelente).
Tabela 1 Escala de qualidade e número de cursos avaliados pelo GE e seus respectivos resultados (1986-1990)
| Ano | Número de Cursos Avaliados | Avaliação dos Cursos (escala de qualidade) | ||||
|---|---|---|---|---|---|---|
| Fraco % | Regular % | Bom % | Muito bom % | Excelente % | ||
| 1986 | * | * | * | * | * | * |
| 1987 | * | * | * | * | * | * |
| 1988 | 4.025 | 47,3 | 29,1 | 17,9 | 4,7 | 1,0 |
| 1989 | 4.332 | 42,8 | 32,8 | 18,0 | 5,1 | 1,2 |
| 1990 | 4.639 | 42,9 | 33,0 | 17,8 | 5,1 | 1,2 |
Fonte: Elaborada pelos autores com base nos resultados das avaliações do GE.
Nota:
*Os dados utilizados pelo GE foram da Revista Playboy.
Quadro 1 Tipos de Classificação e Estratégias de Avaliação do Guia do Estudante (1988-1990)
| Ano | Tipos de Classificações Acadêmicas | Estratégias de Avaliação | |
|---|---|---|---|
| Melhores Cursos por Estrelas | Melhores Cursos por Natureza Administrativa (Público e Privado) | Visita in loco com Entrevistas | |
| 1988 | Sim | Não | Sim |
| 1989 | Sim | Sim | Sim |
| 1990 | Sim | Sim | Sim |
Fonte: Elaborado pelos autores com base nos resultados das avaliações do GE.
Na primeira avaliação, os conceitos, fraco e regular, prevaleceram em 76,4% dos cursos avaliados. De acordo com o Guia do Estudante (1988, p. 8), os resultados deram “um colorido sombrio ao horizonte dos estudantes brasileiros”, na medida em que apenas 17,9% dos cursos foram avaliados como bom, muito bom e excelente. No decorrer do período, verifica-se uma leve queda nos cursos avaliados como fracos, entretanto, quando se olha o conjunto de cursos abaixo da média, os números continuavam ultrapassando a casa dos 75%.
Referente às estratégias de avaliação adotadas, de acordo com o Guia do Estudante (1988), desde as primeiras edições foram realizadas entrevistas in loco para efetivar o processo avaliativo, ocasião em que um repórter do GE se dirigia às IES. A primeira avaliação foi realizável mediante esforço de uma equipe de dez pessoas, apoiadas por consultores especializados nas diversas áreas de ensino. Nessa primeira edição (1988), 2.000 entrevistas foram realizadas com professores, empregadores, profissionais formados e faculdades, bem como, foram recolhidas informações disponíveis sobre cursos e faculdades. Os critérios foram: qualificação dos professores e regime de contratação; qualidade das instalações e recursos didáticos; atividades extracurriculares; bolsas e estágios; restaurantes; alojamento; satisfação dos alunos; empregabilidade dos formandos; e cursos de pós-graduação de qualidade.
A equipe era apoiada por consultores escolhidos dentro da comunidade acadêmica, científica e empresarial (Guia do Estudante, 1989). Durante a vigência da visita in loco, os repórteres eram “orientados a percorrer incógnitos as escolas e a xeretar em todas as portas abertas” (Guia do Estudante, 1990, p. 6). Conversavam com professores, gestores e alunos, conferindo as instalações e a infraestrutura de perto, “escalados em regime de rodízio”.
Classificação de cursos e IES (1991-2001)
Observa-se no Quadro 2 que, de 1991 a 2001, foram realizados diversos tipos de classificações, sendo dois os rankings com destaque e permanência ao longo dessa década. Comparando com o período anterior, o ranking das ‘Melhores Universidades’ foi a maior inovação, pois, até então, a avaliação era de cursos isoladamente, “independente da instituição” (Guia do Estudante, 1990, p. 6). Outra inovação foi a criação do ranking das ‘Melhores Faculdades e Escolas Isoladas, com cursos quatro e cinco estrelas’, reflexo da chamada institucionalização do mercado de educação superior (Calderón, 2000; Polidori, 2011), processo que envolveu a abertura de inúmeras IES particulares e cursos superiores no Brasil, marcando um substancial “boom” ocorrido na segunda metade da década de 1990.
Quadro 2 Tipos de Classificação do Guia do Estudante (1991-2001)
| Classificações | Avaliações Anuais* | ||||||
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| 1991 | 1992 | 1994 | 1998 | 1999 | 2000 | 2001 | |
| Melhores cursos | X | X | X | X | |||
| Melhores universidades | X | X | X | X | X | X | |
| Cursos estrelados por região | X | ||||||
| Universidades por porcentagem de cursos estrelados por região | X | ||||||
| Melhores cursos acadêmicos por área do conhecimento | X | X | X | ||||
| Balanço do ensino universitário, percentual de cursos estrelados | X | ||||||
| Campeãs de excelência, com as 10 IES com mais cursos com quatro e cinco estrelas e as estreantes | X | ||||||
| As melhores universidades por proporção de cursos, com total de cursos estrelados, o percentual e o número de cursos quatro e cinco estrelas | X | ||||||
| As melhores faculdades e escolas isoladas com cursos quatro e cinco estrelas | X | X | X | X | |||
| Mapa regional do tesouro com cursos quatro e cinco estrelas | X | ||||||
| Segmento universitário mais estrelado | X | ||||||
| Cursos estrelados por natureza administrativa | X | X | |||||
Fonte: Elaborado pelos autores com base nos resultados das avaliações do GE.
Nota:
* Nos Anos de 1993, 1995, 1996 e 1997 não houve avaliações do GE.
O ranking ‘Melhores Universidades’, lançado em 1991, anunciado pelo GE como uma “avaliação exclusiva”, foi divulgado como “o ranking das universidades campeãs”, dando-se visibilidade a quatorze IES que se destacaram pela concentração do maior número de estrelas (Guia do Estudante, 1991, p. 14).
Verifica-se no Quadro 2 que, em 1992, o GE passou a contar com oito tabelas classificatórias, manteve os ‘Melhores Cursos’, sendo divulgado na mídia como o ranking dos 317 melhores cursos acadêmicos e manteve o das ‘Melhores Universidades’, mas com o nome ‘Campeãs de Excelência’, inclusive destacando as 10 IES com mais cursos com quatro e cinco estrelas. Em 1993 não houve avaliação. Já em 1994, houve uma redução do número de classificações adotadas. Observa-se a expansão do número de ‘Melhores Cursos’ e a retomada da nomenclatura ‘Melhores Universidades’, deixando-se de lado o nome Campeãs de Excelência. O total de tabelas classificatórias se reduz de oito, em 1992, para quatro, em 1994, com o acréscimo de uma classificação nova: ‘cursos estrelados por natureza administrativa’, deixando de ser editado o ranking das ‘Melhores Faculdades e Escolas Isoladas com cursos quatro e cinco estrelas’.
Em 1992, foi o último ano em que se expôs cursos que obtiveram conceitos “fraco” e “regular”. Em 1994, somente foram mencionados cursos e instituições com conceitos “excelente” e “muito bom”. Não há registros dos motivos para a mudança da escala, mas, como observado na Tabela 1, o elevado número de cursos classificados como “regular” e “fraco”, evidenciava uma realidade que ofuscava o objetivo de divulgar os cursos de excelência.
Nos anos de 1995, 1996 e 1997 não houve avaliações, da mesma forma que 1993 e, não constam informações sobre os motivos que levaram à paralização das avaliações nesse período. Entretanto, as paralizações coincidiram com o surgimento do “Provão”, sistema de avaliação do Ministério da Educação (MEC), criado em 1996 com o objetivo de acompanhar a qualidade do ensino superior no país.
As tabelas classificatórias promovidas pelo GE voltaram a ser realizados em 1998 apresentando uma importante mudança nos critérios que definiam os conceitos de qualidade: os cursos e as IES passaram a ser avaliados em três faixas de qualidade (Guia do Estudante, 1998): três estrelas (bom), quatro estrelas (muito bom) e cinco estrelas (excelente). Deve-se destacar que essas três faixas de estrelas permaneceram até o abrupto encerramento do GE, em 2018.
Em 1998, retomou-se a classificação Melhores Faculdades e Escolas Isoladas, suspenso em 1992, destacando somente cursos quatro e cinco estrelas, e manteve-se três rankings: 1) Cursos mais estrelados por natureza/dependência administrativa, 2) os melhores cursos e, 3) as Melhores Universidades, com destaque às onze melhores universidades.
Em 1999, a publicação reduziu as quatro tabelas classificatórias do ano anterior para apenas duas: Melhores Universidades, premiando as dez melhores por proporção de cursos estrelados e Melhores Cursos por área do conhecimento, premiando 982 cursos do país. Nessa edição, houve um aumento de 12% do número de cursos em relação à edição anterior (Guia do Estudante, 1999).
Neste período, os números dos cursos avaliados tornaram-se cada vez mais expressivos e marcaram o ritmo do crescimento da publicação. Em 2000, foram premiados 1.012 cursos com cinco, quatro ou três estrelas, (Guia do Estudante, 2000). O ranking Melhores Universidades foi mantido, mas divulgado nas manchetes sob o nome ‘A Excelência em Universidades’, e a classificação dos cursos estrelados por área do conhecimento permaneceu. A novidade foi o retorno do ranking Melhores Faculdades e Escolas Isoladas, sob a denominação: A Excelência em Escolas Superiores.
Em 2001, nova mudança nas classificações. Foram mantidos dois rankings presentes também na publicação de 2000, Melhores Universidades e Melhores Faculdades, em conjunto com As Melhores por Região em Todo País (Quadro 2).
Referente às estratégias e instrumentos adotados, o Quadro 3 revela que na edição de 1991 realizou-se, pela última vez a avaliação in loco. Tal mudança justifica-se em razão do crescimento do número de cursos e da crescente dificuldade de avaliá-los, tornando a prática inviável, surgindo os questionários via postal às IES e aos coordenadores de cursos.
Quadro 3 Estratégias e Instrumentos de Avaliação do GE (1991 a 2001)
| Anos* | In loco com entrevistas | Consultores | No | Questionários para IES e Coordenadores de Cursos | No | Entidades Profissionais | Nota ENC | Desempenho em anos anteriores |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| 1991 | Sim | Não | 0 | Não | 0 | Não | Não | Sim |
| 1992 | Não | Sim | 500 | Sim | 6.000 | Não | Não | Não especifica |
| 1994 | Não | Sim | 300 | Sim | 6.000 | Sim | Não | Sim |
| 1998 | Não | Sim | 300 | Sim | Não | Não | Sim | |
| 1999 | Não | Sim | 496 | Sim | Não | Sim | Sim | |
| 2000 | Não | Sim | 600 | Sim | Não | Não | Sim | |
| 2001 | Não | Sim | 600 | Sim | 6.000 | Não | Sim | Sim |
Fonte: Elaborado pelos Autores com base nos resultados das avaliações do GE.
Legenda: ENC = Exame Nacional de Cursos (Provão).
Nota:
* Nos Anos de 1993, 1995, 1996 e 1997 não houve avaliações do GE.
Em 1992 foram enviados 6.000 questionários às IES, ano em que surge a figura dos consultores como responsáveis pela finalização da avaliação, na medida em que recebiam, para conferência, os dados já cruzados por uma equipe de jornalistas e pesquisadores. Neste processo, “profissionais dos mais diferentes setores, professores, cientistas, representantes de entidades de classe e de organizações governamentais e não governamentais ligadas à Educação” faziam parte da etapa final da avaliação. (Guia do Estudante, 1992, p. 11).
Na edição de 1994, a avaliação por meio de consultores foi mantida, assim como a prática dos questionários enviados às IES e aos coordenadores de cursos, apresentando, como inovação, a consulta a entidades profissionais enquanto técnica avaliativa, brevemente apresentada como a oitiva de “representantes de entidades de classe e de organizações governamentais e não-governamentais das diferentes regiões do país” (Guia do Estudante, 1994, p. 15). A consulta às entidades profissionais utilizada em 1994, foi retomada apenas em 2011.
Se, em 1998, foram mantidos os meios de coleta de dados, de envio de questionários e de utilização de consultores, em 1999 surgiu, como critério avaliativo inovador, o cruzamento do desempenho dos dados coletados dos cursos e das IES com os resultados de 1996 e 1997 do Provão (ENC) (Guia do Estudante, 1999).
A estratégia de utilização de consultores e de questionários enviados às IES e aos coordenadores de cursos se consolidou em 2000, mas o cruzamento de dados com o desempenho no ENC foi suspenso, e retomado em 2001.
Convém destacar que o critério de desempenho em publicações anteriores apresentava-se, de modo perceptível desde 1991, mantendo-se presente ao longo de todo o período analisado.
Diversificação e instabilidade dos múltiplos ratings (2002-2008)
As informações sobre esse período foram sistematizadas e evidenciam os tipos de tabelas classificatórias adotadas. O Quadro 4, refere-se aos tipos de classificações existentes de 2002 a 2008. Em 2002, o GE contava com quatro classificações, sem realizar distinção por natureza administrativa. Ao longo do período, o número de classificações aumentou, indicando a tendência de instabilidade e diversidade de ranqueamentos.
Quadro 4 Tipos de Classificações ou rankings do GE (2002-2008)
| Classificações | Ano das Avaliações Realizadas | ||||||
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| 2002 | 2003 | 2004 | 2005* | 2006 | 2007 | 2008 | |
| Melhores Universidades com maior número de cursos estrelados | X | X | X | ||||
| Média de cursos estrelados | X | X | X | ||||
| IES com os melhores cursos acadêmicos por área do conhecimento | X | ||||||
| IES com maior porcentagem de cursos estrelados por região | X | X | X | ||||
| Percentual de cursos estrelados por região | X | ||||||
| IES com maior percentual de cursos estrelados | X | X | X | X | X | X | |
| IES com maior percentual de cursos cinco estrelas | X | X | |||||
| Total de estrelas que cada IES recebeu | X | ||||||
| Melhores IES por número de cursos estrelados por Região | X | ||||||
| Melhores IES por número de cursos estrelados por estado | X | X | X | X | |||
| Melhores faculdades e escolas isoladas | X | X | X | X | |||
| Melhores centros universitários, faculdades, escolas e institutos superiores | X | X | X | ||||
| Mapa regional melhores cursos por região e Estados | X | X | |||||
| Prêmio ‘Melhores Universidades’ | X | X | X | X | |||
| Adota-se classificação por natureza administrativa | X | X | X | X | X | X | |
Fonte: Elaborado pelos Autores com base nos resultados das avaliações do GE.
Nota:
* Os resultados da Avaliação de 2005 foram divulgados no ano de 2006.
Analisando o período 2002-2004, foi possível observar quatro maneiras de classificar as melhores IES, conforme observado no Quadro 3. Em 2003, a distinção por natureza administrativa retorna, permanecendo até a última edição. Em contraposição, o ranking da melhores IES com os melhores cursos acadêmicos por área do conhecimento, aparece apenas em 2004, edição que contou com aumento do número de classificações em relação a 2002 e 2003. Em 2004, ocorreu a última classificação das IES com maior percentual de cursos estrelados por região.
Em 2006 houve duas edições: a divulgação da avaliação de 2005 e a de 2006. Foi na apresentação dos dados de 2005 que, pela primeira vez ocorreu o Prêmio ‘Melhores Universidades’, valorizando-se 36 cursos de excelência, e premiando IES, de acordo com sua natureza administrativa. A premiação tornou-se um evento de gala em que certificados com estrelas eram conferidos aos melhores cursos e IES (Portal Aprendiz, 2006). Na edição 2005 (Quadro 4), mantiveram-se cinco classificações adotadas em 2004 e, como novidades: o Prêmio ‘Melhores Universidades’, as melhores IES por número de cursos estrelados por Estado e as melhores IES por Região.
A segunda edição de 2006 contou novamente com o Prêmio ‘Melhores Universidades’, com a presença de seis classificações. Nas edições referentes a 2005, 2006, 2007 e 2008, além da premiação ‘Melhores Universidades’, foram publicadas diversas tabelas classificatórias, algumas apresentadas como inovadoras, como o caso do ranking das IES com maior porcentual de cursos cinco estrelas, publicados apenas em 2006 e 2007. Há, também, o caso da classificação referente à média de Estrelas por IES, publicado em 2006, 2007 e 2008, com a somatória de todas as estrelas da IES dividida pelo número de cursos avaliados, resultando na média. Em 2006, foi criada a classificação dos melhores centros universitários, faculdades, escolas e institutos superiores, publicada até 2008, a qual substituiu o denominado ranking Melhores faculdades e escolas isoladas, vigente de 2002 a 2005.
Em 2007, o Prêmio ‘Melhores Universidades’ passou a ressaltar as melhores IES incluindo-se, pela primeira, vez três categorias: além de destaque regional, foram premiadas as melhores universidades nas categorias empregabilidade/inserção no mercado e inovação/sustentabilidade (Guia do Estudante, 2007a). O diferencial, também observado nas edições 2005 e 2006, foi a criação de múltiplas classificações, aplicadas tanto ao segmento privado quanto público, envolvendo não somente universidades, mas também centros universitários, faculdades isoladas e institutos superiores.
Em 2008, se reduziu a quantidade de rankings, indicando o caminho trilhado no período seguinte, em direção à estabilidade e à diminuição do número de classificações. Neste ano, foi extinto o ranking das IES com maior percentual de cursos cinco estrelas.
Em termos de estratégias e instrumentos, o Quadro 5 expõe que, 2002 e 2004 manteve-se um padrão metodológico. Em 2002, houve cerca de mil cursos estrelados, o contingente de consultores totalizou 500 indivíduos, os questionários impressos enviados chegaram a 9.000, maior quantidade observada, até então. Além do que, as notas do Provão foram utilizadas como critério avaliativo.
Quadro 5 Estratégias e Instrumentos de Avaliação do GE (2002-2008)
| Ano | Consultores como Avaliadores | Entidades Profissionais | Questionários para IES e coordenadores de curso | Nota ENC- ‘Provão’ | Contratação assessoria - Ibope Opinião | Contratação Consultoria - PWHC | Bônus regularidade |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| 2002 | Impresso | Não | Impresso | Sim | Não | Não | Não |
| 2003 | Impresso | Não | Impresso | Sim | Não | Não | Não |
| 2004 | On-line | Não | Impresso | Sim | Não | Não | Não |
| 2005* | Via telefone | Sim | On-line | Não | Sim | Sem informações | Não |
| 2006 | On-line | Não | On-line | Não | Sim | Sem informações | Não |
| 2007 | On-line | Não | On-line | Não | Sim | Sim | Sim |
| 2008 | On-line | Não | On-line | Não | Sim | Sim | Sim |
Fonte: Elaborado pelos Autores com base nos resultados das avaliações do GE.
Nota:
* Os resultados da Avaliação de 2005 foram divulgados no ano de 2006.
Na edição de 2005 houve mudanças metodológicas. Pela primeira vez foi utilizada a assessoria técnica do Ibope Opinião para desenvolver a metodologia de pesquisa e o tratamento dos dados. Da mesma forma, iniciou-se a realização de toda a coleta de dados de forma on-line, por meio de formulários específicos. Entretanto, houve problemas, pois os formulários on-line encaminhados aos cursos participantes não eram respondidos pela maioria dos coordenadores, além da presença de grande quantidade de informações incorretas. Diante da dificuldade, a equipe passou a obter dados, via telefone, baseando-se no conhecimento de professores e coordenadores de cursos estrelados em edições anteriores e entidades profissionais, que se tornaram fontes básicas da avaliação. A partir dessa edição, a nota no Provão foi desconsiderada, pois, deixou de existir com a criação do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (SINAES).
Em 2006 foram estrelados 2.280 cursos e, nessa edição surgiram duas mudanças: a primeira, a volta do envio dos questionários às IES pela internet; a segunda, o retorno da avaliação dos consultores on-line. Alguns coordenadores, no entanto, pediram a volta das visitas in loco, prática aplicada no passado, mas considerada como “impraticável, tendo em vista os mais de 7 mil cursos a serem avaliados nas cinco regiões do país” (Guia do Estudante, 2006).
Em 2007, dos 8.223 cursos avaliados, 2.873 foram estrelados, aumento significativo em relação às edições anteriores (Guia do Estudante, 2007a). Os questionários continuaram sendo enviados via internet, bem como houve a manutenção dos consultores, a assessoria do Ibope Inteligência e, pela primeira vez, consultoria técnica da Price WhaterHouseCooper (PWHC). Nessa edição começou a vigorar um bônus, relativo às estrelas recebidas pelo curso nas quatro últimas edições do GE, esta era a forma encontrada para evitar variações abruptas no desempenho das universidades e cursos de um ano para outro. Nota-se que um bônus semelhante, em termos de pontuação, já tinha sido praticado no período 1991-2001. Houve, também, a atualização do banco de dados de pareceristas, “priorizados os consultores que possuíam currículo cadastrado na Plataforma Lattes do CNPq e constavam no Banco de Avaliadores dos Sistema de Avaliadores da Educação Superior (BASIs)” (Guia do Estudante, 2007b, p. 21).
A avaliação foi realizada pelos consultores com “a distribuição dos cursos aos pareceristas de cada área” por meio eletrônico e aleatório, “a maior parte da avaliação foi feita via internet”, apenas algumas entrevistas efetivadas por telefone. A etapa seguinte ficou ao a cargo do Ibope Inteligência, responsável pela consultoria técnica na coleta, sistematização e análise dos dados. Cada curso avaliado recebeu um conceito, porém, foram divulgados somente aqueles que receberam três, quatro ou cinco estrelas. O resultado da avaliação foi verificado pela PWHC (Guia do Estudante, 2007b, p. 21).
Em 2008, dos 9.053 cursos avaliados, 3.204 foram estrelados (GE, 2008). Nas edições de 2007 e 2008, percebe-se o fortalecimento das explicações metodológicas relativas ao processo de avaliação, abrindo espaço para o próximo período de fortalecimento dos critérios avaliativos e de estabilidade dos rankings. Mudanças editoriais e um maior rigor fomentaram o crescimento de informações destinadas ao público leitor. Nota-se uma mudança editorial na medida em que são apresentadas informações acerca dos parceiros, como o Ibope e PWHC, de especialistas em avaliação e educação e de outros rankings, como o da Revista US News & World Report e dos jornais El Mundo e The Times (Guia do Estudante, 2008, p. 14).
Aprimoramento metodológico e redução de tipos de ratings (2009-2015)
O Quadro 6 permite verificar a continuidade e estabilidade do Prêmio ‘Melhores Universidades’, presente desde 2006, com clara divisão dos segmentos público e privado. As IES foram classificadas a partir de duas categorias: Universidade do Ano e Melhores Universidades por área do conhecimento, nas áreas de Administração e Negócios; Meio Ambiente e Ciências Agrárias; Saúde; Ciências Sociais e Humanas; Comunicação e Informação; Artes e Design; Ciências Exatas e Informática; e Engenharia e Produção.
Quadro 6 Tipos de Classificação do Guia do Estudante (2009-2015)
| Classificações | Anos* | |||||
|---|---|---|---|---|---|---|
| 2009 | 2011 | 2012 | 2013 | 2014 | 2015 | |
| Universidade do ano | X | X | X | X | X | X |
| Melhores instituições universitárias por área do conhecimento | X | X | X | X | X | X |
| Prêmio ‘Melhores Universidades’ | X | X | X | X | X | X |
| Adota-se classificação por natureza administrativa | X | X | X | X | X | X |
| Melhores centros universitários | X | |||||
| Melhores Faculdades, Escolas e Institutos Superiores | X | |||||
| Melhores IES por região | X | |||||
Fonte: Elaborado pelos Autores com base nos resultados das avaliações do GE.
Nota:
* No ano de 2010 não houve avaliação.
No ano de 2009, o Prêmio ‘Melhores Universidades’ chegou à quinta edição, destacando a universidade do ano e as melhores IES por área do conhecimento. Na divulgação do Prêmio, foram entregues 107 troféus para 40 IES em 15 categorias (Guia do Estudante, 2009, p. 16).
Em 2010, não houve avaliação do GE. Desta forma, a 20ª edição da Avaliação do GE não ocorreu e tão pouco o VI Prêmio ‘Melhores Universidades’, que ficaram para o ano seguinte. Nas edições de 2011, 2013 e 2014 o modelo classificatório estabelecido em 2009 foi mantido, não sendo observada a criação de nenhuma outra tabela classificatória, iniciando-se o período de estabilidade e amadurecimento dos rankings promovidos pelo GE. A exceção é o ano de 2012 em que mais três rankings foram publicados: (1) Melhores Centros Universitários; (2) Melhores Faculdades, Escolas e Institutos Superiores; e (3) Melhores IES por região. Muito embora exista essa exceção, em 2014, volta-se ao padrão de estabilidade, com a utilização única e exclusiva das duas categorias do prêmio como forma de classificar IES: Universidade do Ano e Melhores instituições universitárias por área do conhecimento.
O Quadro 7 revela a estabilidade e padronização nas estratégias e nos instrumentos de avaliação adotados pelo GE entre 2009 e 2012, sendo certo que a fórmula utilizada para calcular os premiados recebeu um ajuste para as edições de 2013 e 2014. Os consultores realizaram as avaliações principalmente de forma on-line, e os questionários enviados aos coordenadores dos cursos foram preenchidos da mesma forma, agilizando o processamento de informações. Depois do ENC, não voltaram a ser utilizadas avaliações do governo como critério de desempenho, bem como, se conservou a utilização do bônus regularidade e a presença da assessoria do Ibope Inteligência e da consultoria da PWHC. A única variação deu-se na consulta realizada às entidades profissionais em 2011.
Quadro 7 Estratégias e Instrumentos de Avaliação do Guia do Estudante (2009-2015)
| Ano* | Consultores como avaliadores | Entidades profissionais | Questionário IES e Coordenadores | Avaliações do Governo | Contratação Assessoria - Ibope Opinião | Contratação Consultoria - PWHC | Bônus regularidade |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| 2009 | On-line | Não | On-line | Não | Sim | Sim | Sim |
| 2011 | On-line | Sim | On-line | Não | Sim | Sim | Sim |
| 2012 | On-line | Não | On-line | Não | Sim | Sim | Sim |
| 2013 | On-line | Não | On-line | Não | Sim | Sim | Sim |
| 2014 | On-line | Não | On-line | Não | Sim | Não | Sim |
| 2015 | On-line | Não | On-line | Não | Não | Não | Sim |
Fonte: Elaborado pelos Autores com base nos resultados das avaliações do GE.
Nota:
* No ano de 2010 não houve avaliação.
Tabela 2 Número de cursos avaliados versus número de cursos estrelados, Guia do Estudante (2009-2015)
| Ano* | Número de cursos avaliados | Número de cursos estrelados | Porcentagem dos cursos estrelados |
|---|---|---|---|
| 2009 | 9.371 | 3.551 | 37,9% |
| 2011 | 10.648 | 4.146 | 38,9% |
| 2012 | 10.692 | 4.329 | 40,5% |
| 2013 | 11.484 | 5.119 | 44,6% |
| 2014 | 11.903 | 6.115 | 51,4% |
| 2015 | 12.894 | 8.737 | 67,8% |
Fonte: Elaborada pelos autores com base nos resultados das avaliações do GE.
Nota:
*No ano de 2010 não houve avaliação.
Tabela 3 Número de cursos avaliados versus número de cursos estrelados, Guia do Estudante (2016-2018)
| Ano* | Número de cursos avaliados | Número de cursos estrelados | Porcentagem dos cursos estrelados |
|---|---|---|---|
| 2016 | 13,451 | 6.895 | 51,3% |
| 2017 | 16.791 | 9.556 | 56,9% |
| 2018 | 17.075 | 10.476 | 61,4% |
Fonte: Elaborada pelos autores com base nos resultados das avaliações do GE.
Basicamente, de 2009 a 2012, existiram dois modelos para estabelecer e identificar as IES vencedoras nas duas categorias da premiação. No que se refere a categoria Universidade do Ano, primeiramente dividiu-se os cursos avaliados em dois grupos: públicas e privadas. Depois, em cada grupo, a IES vencedora e as demais foram identificadas por meio de uma fórmula, pautada em “indicadores de qualidade (A) e de quantidade (B) de cursos estrelados”, sendo que A “é a média de estrelas dos cursos de determinada escola, ou seja, indica a qualidade média dos cursos” e B corresponde a “quanto determinada escola se aproxima da IES mais estrelada da categoria - que possui o maior número de cursos estrelados” (Guia do Estudante, 1999, p. 18). Quanto à categoria As Melhores por Área do Conhecimento, igualmente se dividiu em dois grupos: públicas e privadas. Depois, os cursos foram avaliados separadamente nas áreas do conhecimento e desconsiderou as IES que não tiveram pelo menos um curso com três, quatro ou cinco estrelas. Finalmente se aplicou a mesma fórmula da categoria anterior.
Com o passar das edições, os critérios de participação da premiação foram sofrendo pequenas alterações, por exemplo: em 2013 e 2014, na categoria A Universidade do Ano, participavam as escolas com no mínimo cinco cursos avaliados, critério estabelecido para não haver distorções em relação às IES menores, com menos cursos. Já na categoria Melhores por Área do Conhecimento, participavam aquelas que tinham, no mínimo, dois cursos com pelo menos três, quatro ou cinco estrelas, na área em questão.
Observa-se uma linearidade ascendente nas avaliações correspondentes aos anos de 2009, 2011, 2012, 2013 e 2014. Isto porque o número de cursos avaliados foi subindo gradativamente nesse período. Em 2014, por exemplo, foram quase 12.000 cursos em uma única edição do GE. Da mesma forma, a quantidade de cursos estrelados cresceu ano a ano, assim como o total de consultores. Dados que expõem a dimensão que o GE alcançou.
Ênfase na transparência da metodologia e abrupto encerramento (2016-2018)
Em 2016, o GE inaugurou uma nova fase por meio de três alterações em sua metodologia, visando aumentar seu rigor na avaliação e dar maior valor às estrelas concedidas como selo de qualidade. A primeira modificação na Avaliação de Cursos ocorreu na quantidade de notas conferidas pelos consultores que, até 2015, era apenas de uma nota por curso e, a partir de 2016, passou a ser de três notas, uma para cada um dos três indicadores que passaram a compor o critério de qualidade avaliado: corpo docente, projeto didático-pedagógico e infraestrutura. A avaliação numérica final de cada consultor se dava pela média dessas três notas.
A segunda alteração foi a troca da bonificação que ocorria por conta dos resultados acumulados dos últimos anos, para a consideração de uma média ponderada das notas médias dos últimos três anos, sendo essa multiplicada por três no ano mais recente, por dois no ano anterior e, finalmente, por um no antepenúltimo ano.
A terceira mudança ocorreu nas faixas de notas para a definição das estrelas, que, até 2015, era fixa e, a partir de 2016, passou a ser móvel, definida com base no desvio-padrão das notas concedidas para os diversos cursos. Essas modificações reduziram o número absoluto de cursos estrelados, que caiu, de 8.737 em 2015, para 6.895 em 2016. Em termos relativos, a queda foi maior, pois o total de cursos avaliados cresceu, assim o percentual de cursos estrelados em relação ao total foi de 67,8% em 2015, reduzindo para 51,3% em 2016 (Tabela 3).
Outra mudança foi na fórmula do Prêmio ‘Melhores Universidades’, que passou a considerar, na base de cálculo, a quantidade de estrelas recebidas pela IES mais bem avaliada nos cursos, e não mais uma base fixa de estrelas, ocorridas até 2015, o que possibilitou maior variabilidade no resultado a cada ano.
Em 2017, houve a inclusão, no escopo de avaliação, mais 4.100 licenciaturas de todo o país, atingindo-se o recorde de 16.797 cursos. Um dos efeitos dessa modificação foi o aumento de cursos estrelados, embora o aumento relativo tenha sido menor, seis pontos percentuais acima de 2016, mas dez pontos abaixo de 2015. Em 2018, mantendo estabilidade na metodologia para a coleta de dados, foram avaliados 17.075 cursos, dos quais 10.476 receberam as estrelas de qualidade. Essas oscilações nos números colocaram as avaliações do GE em uma nova fase, acenando para uma trajetória regular com uma estabilização da metodologia aplicada. Entretanto, foi precisamente, em 2018, que o GE encerrou suas atividades de forma abrupta. Em agosto de 2018, o Grupo Abril pediu recuperação judicial, colocando fim ao GE, publicação com uma trajetória de 32 anos de avaliação externa de cursos e IES brasileiras.
À guisa de conclusão
Sobre a trajetória do GE, as dimensões analíticas evidenciadas, permitiram constatar que sua estrutura foi se adaptando e aprimorando ao longo do tempo. O delineamento do estudo, a partir de seu processo histórico, aponta para seis tendências:
Em seus primeiros 20 anos de atuação, o rating Guia do Estudante apresentou algumas características que dificilmente seriam aceitas nos rankings atualmente existentes: a) ausência, de forma explicita na divulgação, dos indicadores adotados e seus respectivos pesos na composição final das classificações; b) emissão da percepção dos pareceristas de forma genérica sobre cursos e IES, sem haver clareza na discriminação dos indicadores avaliados, e; c) somente em 2016, se explicita três indicadores de avaliação (corpo docente, projeto pedagógico e infraestrutura), priorizando, efetivamente, os insumos educacionais na sua definição de qualidade da educação superior.
O GE somente começou a mostrar preocupações com a divulgação dos aspectos metodológicos após 2005, ano da criação do Prêmio ‘Melhores Universidades’, coincidentemente após a criação dos primeiros rankings acadêmicos internacionais como o Academic Ranking of World Universities (ARWU), criado em 2003, entre outros (Calderón; França, 2018). A partir deste fato infere-se que a transparência em termos metodológicos característicos dos pioneiros rankings internacionais, do início dos anos 2000, acabaram impactando na forma de condução do GE.
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Considerando o Grid de Tipologia dos Rankings Acadêmicos (Figura 1), pode-se afirmar que o rating GE ao longo de sua trajetória, pode ser considerado uma tabela classificatória que adotou predominantemente indicadores de insumos e subjetivos, tal como se observa na Figura 2. Ao longo de sua trajetória não explicitava os indicadores de qualidade adotados, dispersamente eram anunciados indicadores de insumos que eram avaliados por consultores de forma subjetiva. Como já foi mencionado, somente em 2016 o GE explicitou os três indicadores de insumos que passariam a adotar desse ano em diante. Além disso, a utilização de indicadores de produtos, objetivos, foi adotado somente num período específico, isto é, o tempo de duração do ENC por meio do desempenho dos alunos no Provão.

Fonte: Elaborada pelos autores, a partir da tipologia produzida por Calderón, França e Gonçalves (2017).
Figura 2 Grid de Tipologia dos rankings acadêmicos puros e híbridos, enquadramento do GE
Em termos metodológicos, evidencia-se: a) o perfil específico das tabelas classificatórias produzidas, identificados a partir da construção de períodos, permitiram compreender o aprimoramento contínuo dos indicadores; b) esforço em adaptar-se e promover as mudanças necessárias nas estratégias metodológicas, diante de um período tão longevo; c) influências externas ocorridas, como exemplo, advento das tecnologias em seus múltiplos formatos; d) exigência de ajustes de percurso, como a impossibilidade de continuar com avaliações de larga-escala in loco, exigindo utilização de ferramentas em formatos on-line para coleta e análise de dados; e) valorização da reputação, baseados na percepção de especialistas, especificamente avaliação por pares.
No último período da sua existência, já no calor da transparência das metodologias adotadas pelos rankings nacionais, o rating GE, evidenciou também: a) preocupação com a fidedignidade do processo avaliativo contratando empresas de auditoria (PWHC), b) diante do gigantismo das amostras, verificou-se a terceirização de complexos processos de avaliação qualitativa, como foi a contratação de empresas como a Ibope opinião e c) o diálogo com outros importantes rankings de outros países como os promovidos pelo jornal El Mundo de Espanha, entre outros.
A periódica divulgação dos resultados reforçaram algumas tendências predominantes na sociedade contemporânea: a) dinamização da chamada cultura da perfomatividade (Ball, 2005, 543-544), por meio da divulgação de desempenhos institucionais que servem de “parâmetros de produtividade ou de resultado, ou servem ainda como demonstrações de ‘qualidade’ ou ‘momentos’ de promoção ou inspeção”, fortalecendo a tendência de “nomear, diferenciar e classificar”; b) potencialização daquilo que Debord (1997) denominava de Cultura do Espetáculo, por meio da divulgação de imagens espetacularizadoras dos resultados nas manchetes do próprio GE, ao anunciar: “As Absolutas”, “As Dez Mais”, “As estrelas regionais”, “As campeãs nacionais”, entre outras, possibilitando acionar toda a engrenagem da performatividade, da competição e da diferenciação institucional; e c) contribuir juntamente com outros mecanismos de ranqueamento e classificação no âmbito das IES, sejam do setor privado ou público, para, no âmbito nacional, enraizar a chamada Sociedade Métrica (MAU, 2019), na qual como já mencionado, os ratings e rankings desempenha papel estratégico.










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