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Revista Diálogo Educacional

versão impressa ISSN 1518-3483versão On-line ISSN 1981-416X

Rev. Diálogo Educ. vol.24 no.83 Curitiba  2024  Epub 27-Fev-2025

https://doi.org/10.7213/1981-416x.24.083.ap01 

Apresentação

A Educação no mundo das plataformas, da conectividade e da inteligência artificial

Education in the world of platforms, connectivity and artificial intelligence

La educación en el mundo de las plataformas, la conectividad y la inteligencia artificial

Bianca Salazar Guizzo1  [a] 
http://orcid.org/0000-0003-1080-2210

Edgar Roberto Kirchof2  [b] 
http://orcid.org/0000-0002-1072-2547

Ana Machado3  [c] 
http://orcid.org/0000-0003-4392-2999

Alboni Marisa Dudeque Pianovski Vieira4  [d] 
http://orcid.org/0000-0003-3759-0377

1Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Porto Alegre, RS, Brasil

2Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Porto Alegre, RS, Brasil

3Universidade de Coimbra (UC), Coimbra, Portugal

4Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), Curitiba, PR, Brasil


O dossiê A Educação no mundo das plataformas, da conectividade e da inteligência artificial foi organizado com o intuito de reunir trabalhos de pesquisadoras e pesquisadores do Brasil e do exterior que se dedicam ao estudo dos desenvolvimentos mais recentes no campo de interseção entre as tecnologias digitais e a educação. Nos últimos anos, esse campo tem sido profundamente transformado por fenômenos como a plataformização de instituições e de setores estratégicos da sociedade, a proliferação de artefatos culturais digitais - produzidos e distribuídos em redes sociais, blogs, websites e plataformas - e o avanço dos sistemas de inteligência artificial. Para a área educacional e pedagógica, esses avanços, embora ampliem possibilidades e alternativas, também impõem desafios e riscos significativos, exigindo reflexões críticas e bem fundamentadas.

Diante desse contexto, o presente dossiê reúne artigos distribuídos em quatro principais eixos temáticos. Os cinco textos que compõem o primeiro eixo trazem perspectivas críticas e análises contextuais do modo como os sistemas de Inteligência Artificial (IA) vêm sendo integrados ao campo educacional.

No artigo O Surgimento da Alfabetização Crítica em IA, os pesquisadores argentinos Alejandro Artopoulos e Alejandra Lliteras inicialmente definem a alfabetização em IA como o conjunto de conhecimentos e habilidades necessários para compreender, avaliar, usar e interagir com a IA capacitando a participação ativa no mundo. Em seguida, levantam uma questão central: é possível sustentar um projeto de alfabetização crítica em IA no contexto de democracias ameaçadas por abusos algorítmicos? Utilizando uma metodologia de mapeamento sociotécnico, os autores identificam redes de atores sociais que buscam formular respostas aos impactos sociopolíticos da integração de plataformas com IA nos sistemas educacionais. Observam padrões de trajetórias e convergências em iniciativas como alfabetização digital, pensamento computacional e alfabetização midiática. Em sua reflexão final, os autores exploram terrenos e fronteiras disciplinares, analisam as limitações desses arranjos e propõem critérios para possíveis desenvolvimentos futuros.

O segundo artigo deste eixo é História e Inteligência Artificial: uma análise sobre as percepções de discentes sobre a automação da pesquisa e do ensino em História. Nesse texto, André Luiz da Silva apresenta uma análise das percepções de 69 estudantes de graduação, coletadas por meio de um formulário eletrônico. As respostas desses alunos são discutidas criticamente para levantar reflexões sobre os riscos e as oportunidades trazidos pela automação das atividades e produções do historiador, tanto na docência quanto na historiografia.

Em Inteligência Artificial em Contextos Restritos de Recursos: uma revisão no ensino de ciência, Osmundo Rocha Claudino, Diego Dermeval e Luiz Rodrigues discutem sobre as implicações do uso da IA no ensino de Ciências, considerando os problemas da baixa proficiência científica e da baixa conectividade, que marcam o contexto educacional brasileiro.

No artigo Representações de mães com filhos: análises das interpretações do ChatGPT, Carine Bueira Loureiro e Fábio Okuyama analisam os resultados de uma pesquisa que investigou as interpretações do ChatGPT sobre imagens de “mães com filhos” coletadas no Google. Utilizando o conceito-ferramenta de discurso de Foucault como base analítica, os autores examinam como o chatbot reproduz o racismo estrutural presente na sociedade brasileira em suas respostas. O artigo defende a importância de uma educação escolarizada comprometida com uma formação mais crítica e democrática, tanto no que diz respeito aos conhecimentos científicos quanto à nossa atuação como sujeitos ativos em uma sociedade digitalizada.

O último texto deste eixo, intitulado A inteligência artificial na educação: Será o professorado substituível?, de Carlos Ângelo de Meneses Sousa, Candido Alberto Gomes e Maria Cecília Fierro, explora os resultados de uma pesquisa internacional envolvendo universidades públicas e privadas no Brasil, México, Portugal e Federação Russa, com foco apenas nos dois primeiros países. Com uma abordagem teórico-metodológica quantitativa e qualitativa, o estudo centraliza-se no conceito de capital digital. Os dados foram coletados por meio de um questionário virtual adaptado a cada contexto e revelam as desigualdades sociais e regionais que afetam grupos menos privilegiados, evidenciando como essas disparidades impactam o acesso e o uso das tecnologias.

O segundo eixo reúne dois artigos que procuram investigar algumas das principais implicações dos processos de plataformização para o campo educacional.

No artigo Educação tecnológica na era da plataformização: a Academia Cisco, Edgar Roberto Kirchof, Vital Pereira dos Santos Júnior e Augusto Russini discutem a plataformização da educação tecnológica, tendo como estudo de caso o sistema educacional da Cisco Systems, conhecido como Academia Cisco. Pioneira na implementação de um modelo de ensino baseado em plataformas desde a década de 1990, a Cisco, uma das principais empresas de tecnologia do Vale do Silício, oferece um exemplo central para a compreensão desse fenômeno. Com base nos estudos da Escola de Amsterdã, o artigo inicia com uma revisão dos estudos sobre a plataformização da educação e, em seguida, analisa como a Academia Cisco aplica os três principais mecanismos de plataformização - datificação, comodificação e seleção.

No artigo Aperfeiçoamento educativo ou gestão comunicacional? Sobre o significado pedagógico da plataformização para a educação, Juliana Rossi Duci, Luiz Antonio Calmon Nabuco Lastoria e João Mauro Gomes Vieira de Carvalho apresentam uma pesquisa que analisa materiais publicitários e institucionais da plataforma Moodle, utilizando a Hermenêutica Objetiva como método. Essa análise permitiu reconstruir os elementos pedagógicos da plataforma. Constatou-se que, embora o Moodle prometa aprimoramento educacional, na prática, ele funciona como uma ferramenta comunicacional voltada para a aprendizagem técnica e a gestão de dados. Assim, opera segundo a lógica técnica e econômica da sociedade contemporânea, limitando o potencial pedagógico da atividade educativa.

O terceiro eixo é composto por quatro artigos que desenvolvem reflexões críticas sobre alguns importantes desafios colocados por esse novo cenário tecnocultural para a educação, tais como a relação entre o neoliberalismo e o colonialismo digital, a questão da governança de dados e as transformações das funções e das identidades docentes frente ao cenário da ecologia de dados.

O artigo Neoliberalismo e a constituição de professores de Matemática na sociedade infocrática da sedução, de Fernando Henrique Fogaça Carneiro e Fernanda Wanderer, analisa “os efeitos do neoliberalismo sobre as práticas pedagógicas nas quais os jogos no ambiente tecnológico estão presentes e a constituição de determinados modos de ser professor de Matemática em uma sociedade infocrática da sedução”. Os autores inspiraram-se na análise de discurso foucaultiana para analisar 24 produções acadêmicas disponíveis, entre 2020 e 2021, nos anais eletrônicos das reuniões nacionais da ANPEd no GT 19 - Educação Matemática.Teoricamente o artigo ampara-se em uma perspectiva pós-crítica sobre o neoliberalismo; além disso, vale-se do conceito de infocracia de Byung-Chul Han. Nas análises, os autores identificaram que “o professor da sociedade infocrática da sedução pode ser visto como um gestor de informações, ou seja, responsável por um trabalho de pesquisa detalhada, de captura de todos os pormenores dos alunos, desde seu conhecimento da disciplina até seus desejos”.

Em Colonialismo digital: Desafios para a educação das mulheres numa perspectiva decolonial, Elisângela Hahn dos Santos Santiago, Jaci de Fátima Souza Candiotto e Leoncio Santiago discutem os impactos do Colonialismo Digital na educação das mulheres. Os autores discorrem sobre o reconhecimento do direito das mulheres à educação e, ao mesmo tempo, ponderam que sua falta e o modo como ele se apresenta tornam-se facetas do processo de colonização e das colonialidades. A discussão central do artigo versa sobre o fato de que o Colonialismo Digital precisa ser debatido e enfrentado, uma vez que aplica, em ambientes virtuais, opressões do colonialismo clássico, que reverbera diretamente em mulheres negras e pobres. Por essa razão, os autores argumentam que são necessárias iniciativas de organização de propostas de educaçãoem direitos humanos, em ambientes virtuais, a partir de perspectivas feministas decoloniais.

O artigo Dimensões para formações críticas frente às tecnologias orientadas por dados, de Jaciara de Sá Carvalho e Roberto Cardoso Freire da Silva, propõe três dimensões para as práticas educativas desenvolvidas sob abordagens críticas para compreensão e ação frente às mudanças decorrentes do uso de Inteligência Artificial e de Algoritmos. Teoricamente, os autores “estudaram um recorte da literatura composto por autores da educação, das relações entre tecnologia e sociedade, assim como da educação e tecnologia que poderiam ser reunidos sob abordagens críticas”. O artigo propõe, como resultados, a desenvolvimento de formações que se comprometam com a promoção da criticidade, possibilitando a conferência da materialidade e da visibilidade aos dados; a discussão sobre a politicidade das tecnologias; a observação de concepções e culturas promovidas pelos algoritmos. A título de conclusão, os autores reforçam o entendimento de que as tecnologias e as problemáticas envolvendo-as não são estáticas, o que torna permanente a busca pela criticidade.

Em Go with the flow? Professor, Influencer e a crise no sistema de peritos, Moysés Pinto Neto explora as diferenças entre as figuras do professor e do influenciador digital no contexto do capitalismo de plataforma. Ao longo do artigo, o autor discute os modos como a autonomia do professor em abordar temas complexos contrasta com a restrição do influencer, o qual se limita pela necessidade de adaptação aos algoritmos e à manutenção do engajamento de seu público. Outro aspecto discutido no artigo relaciona-se com a ecologia da atenção, enfatizando a profundidade e reflexão no aprendizado, em oposição à superficialidade e imediatismo promovidos pela ansiedade algorítmica.

Por fim, o último eixo temático deste dossiê contém dois artigos que abordam diferentes práticas tecnoculturais, a saber, o papel da cultura dos influencers na formação das infâncias contemporâneas e o uso de tecnologias digitais para a produção de narrativas no contexto escolar.

No artigo intitulado Educação das infâncias no Youtube: problematizações a partir da parceria ‘Felipe Neto e Minecraft’, as autoras Daniela Ripoll, Bianca Salazar Guizzo e Joici Oliveira Ferreira Rocha problematizam os modos como as infâncias estão sendo produzidas, educadas e representadas em vídeos do canal de Felipe Neto no YouTube. Analiticamente as autoras empreenderam uma etnografia de tela para a análise dos vídeos em que o YouTuber Felipe Neto joga Minecraft, um jogo de propriedade da Microsoft que é sucesso em todo o mundo. A partir das contribuições teóricas do campo dos Estudos Culturais, as análises possibilitaram verificar a construçãode uma infância gamer, orientada pelo hiperconsumo, pela hiperatenção, pelo hiper desempenho e pelo empreendedorismo. Sendo assim, as autoras concluíram que a parceria “Felipe Neto e Minecraft” educa as infâncias, na medida em que promove mudanças de hábitos, reforçando determinadas representações e moldando as identidades das crianças.

O último artigo que compõe este dossiê intitula-se TecnoContos: ficções sonoras, tecnologias e educação e é de autoria de Tania Lucía Maddalena. No artigo, é exposta uma experiência de ciberpesquisa-formação realizada em uma universidade pública do Rio de Janeiro, na qual mais de 200 estudantes criaram ficções sonoras, em formato de podcast, sobre temáticas da área de Tecnologias e Educação. Tomando como referência as discussões da ciberpesquisa-formação (Santos, 2019), da pesquisa narrativa (Ferraroti, 2014) e das pesquisas com os cotidianos (Alves, 2019; Certeau, 2012), a pesquisa priorizou a intervenção direta na sala de aula com o desenvolvimento de projetos narrativos e os usos criativos das tecnologias digitais em rede. Alguns achados encontrados/discutidos pela autora foram: “1) O trabalho com sons digitais proporcionou um acesso aos cotidianos habitados pelos estudantes, evidenciando as paisagens sonoras como um recurso narrativo potente; 2) A ficcionalização e os usos da invenção ficcional permitem problematizar e pluralizar o presente; 3) Os projetos narrativos funcionam como dispositivos autorais, potencializando o letramento digital; e 4) A criação de uma história digital é atravessada pela hiperescrita de si (Maddalena, 2018) e, em algumas ocasiões, revela a busca por uma narrativa coletiva”.

Na seção destinada a artigos de demanda contínua, este número da Revista Diálogo Educacional apresenta resultados de pesquisas sobre diversas temáticas, tais como as mudanças históricas nas representações sociais do professor; a colaboração entre docentes por meio das tecnologias digitais; a formação feminina católica nos finais do século XIX; o posicionamentos de professoras em relação ao uso do livro didático; a ampliação da jornada escolar no Brasil e no Uruguai; a doutrina social da Igreja como um novo paradigma de gestão para as instituições educacionais; a gestão municipal de uma escola rural em Londrina; educação, democracia e modernidade no movimento dos pioneiros da Educação Nova; além de uma crítica ao humanismo como ideologia na educação.

O primeiro artigo da seção é de autoria de Elaine Conte, Patrícia Gusmão Maciel e Amarildo Luiz Trevisan, intitulado O futuro do professor é online? Implicações políticas, sociais e pedagógicas. O trabalho tem como objetivo analisar imagens da profissão de professor/a e os saberes que se renovam historicamente, buscando formas manifestas de (re)existência do ser professor no tempo presente, sobretudo em tempos de crise do capitalismo. Com a utilização de fontes históricas, estudos literários e análises documentais de imagens de professor, foram analisadas as mudanças históricas nas representações sociais do professor, identificando o papel das tecnologias educacionais na contemporaneidade. Os procedimentos metodológicos adotados foram a revisão bibliográfica, a pesquisa documental e a análise de tendências pedagógicas e tecnológicas nos diferentes experimentos vivenciados.

Na sequência, Projeto CONNECT e a contribuição das tecnologias digitais na formação continuada de professores, das autoras Patrícia Lupion Torres, Raquel Pasternak Glitz Kowalski e Regina Liberato Shibuta, tem por objetivo saber de que forma o Projeto CONNECT, financiado pela União Europeia, promove a colaboração entre professores por meio de tecnologias digitais, usando MOOC, site e plataforma para a formação continuada. Tanto o site quanto a plataforma buscam ampliar o compromisso dos professores com a ciência e a escolarização aberta. O estudo apresenta a implantação, no Paraná, de um MOOC em sete módulos, abordando todas as etapas para a implementação do projeto, em uma abordagem interdisciplinar.

Adiante, Maria Celi Chaves Vasconcelos e Maria Teresa Santos Cunha, no artigo “Em suaves preceitos”: conselhos para a formação católica feminina nos finais do século XIX, se debruçam sobre os conselhos registrados no livro “A mulher como deveria sê-lo”, do padre Victor Marchal, missionário francês, cuja obra foi traduzida em Portugal, em 1892. O estudo tem como objetivo evidenciar a formação feminina católica proposta e considerada ideal, no século XIX, bem como discutir a religião como devoção e modeladora de comportamentos/condutas; analisar os preceitos morais para construção da imagem da “esposa perfeita”; e apresentar o exemplo de Maria como o padrão de virtude a ser seguido e aspirado pelas mulheres. Trata-se de pesquisa histórico-documental, com abordagem qualitativa.

O artigo Livro didático na Educação Infantil: perspectivas e expectativas das professoras, de Débora Figueiredo e Geisa Veloso, discute o posicionamento de professoras em relação ao uso de livro didático na Educação Infantil, captando as implicações do uso de material estruturado no trabalho pedagógico, dado que as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (Brasil, 2010) estabelecem que as interações e a brincadeira devem ser os eixos estruturantes do currículo. O estudo se configura como uma abordagem metodológica de natureza qualitativa, tendo como loci os Centros Municipais de Educação Infantil (Cemei’s) de Montes Claros/MG. Os dados foram produzidos a partir da realização de questionário e entrevista semiestruturada, dos quais participaram professoras que atuam com crianças nessa etapa de escolarização, além de uma analista educacional.

Carlos Antônio Diniz Júnior, em Estudo comparado do financiamento de políticas de ampliação da jornada escolar no Brasil e no Uruguai, analisa as estratégias de financiamento de políticas de ampliação da jornada escolar no Brasil, por meio do Programa Mais Educação (PME), no Brasil, e Escuelas de Tiempo Completo (ETCs), no Uruguai. Trata-se de estudo comparado em educação, para o qual foram utilizadas a pesquisa documental e a bibliográfica, com emprego de estudos realizados no campo,

O artigo seguinte, Doutrina social da Igreja: um novo paradigma de gestão às Instituições de Educação Superior no Brasil, de Valdir Borges, Sirley Terezinha Filipak e Jairo de Sousa Coelho, objetiva investigar a Doutrina Social da Igreja (DSI) como impulsionadora de um novo paradigma de gestão humanizadora para as Instituições de Educação Superior no Brasil. Considera que a DSI, um corpo doutrinário da Igreja Católica, impregnado de um humanismo solidário, pode servir de inspiração e paradigma à gestão das IES no país. A metodologia utilizada é a abordagem qualitativa, com revisão bibliográfica e documental.

Na linha da gestão educacional, ainda, Gabriela da Silva Sacchelli e Tony Honorato buscam compreender, em Gestão municipal da escola rural em Londrina/PR (1949-1992), as ações de gestão do município de Londrina, Paraná, voltadas à escolarização rural e empreendidas por órgãos do poder executivo (1949-1992). A pesquisa foi documental, tendo como fonte histórica registros (atas, fotografias, relatórios, termos de visita) das atividades da gestão da educação municipal no período.

O artigo Educação, democracia e modernidade no movimento dos pioneiros da Educação Nova (Brasil, 1932/1959), de Carlos Renato Carola e Mário Henrique Leite Souza, explicita o ideal de democracia e modernidade nos Manifestos dos Pioneiros da Educação Nova (1932 e 1959). Esses Manifestos são concebidos como lugares de memória nos quais estão cristalizados dois momentos históricos de lutas pela educação pública e defesa da democracia liberal no Brasil, no período de 1930 a 1960. O estudo percorreu os caminhos da História da Educação, se valendo de procedimentos metodológicos do método histórico, da pesquisa bibliográfica e documental, na perspectiva decolonial.

Encerrando a sequência de artigos que constam da demanda contínua, Alessandro de Melo e Ana Cláudia Marochi, em A crítica ao humanismo como ideologia na educação, avaliam as formas teóricas do humanismo na obra de Karl Marx a partir da análise que dela fez o filósofo francês Louis Althusser (1918-1990), e de como o humanismo acaba sendo o fundamento das pedagogias críticas brasileiras, especialmente a denominada Pedagogia Histórico-Crítica. Trata-se de uma pesquisa teórica, que visa ampliar os debates no interior das pedagogias críticas no sentido de que estas superem a ideologia humanista.

Ao reunir estudos que examinam os desafios impostos pelo contexto tecnocultural que molda grande parte das práticas educativas contemporâneas, esperamos que o dossiê que organizamos, em conjunto com as demais produções, possa contribuir para fomentar reflexões críticas sobre as complexidades desse novo cenário.

Desejamos a todos e todas uma boa leitura!

Como citar: GUIZZO, B. S.; KIRCHOF, E. R.; MACHADO, A.; VIEIRA, A. M. D. P. A educação no mundo das plataformas, da conectividade e da inteligência artificial. Revista Diálogo Educacional, v. 24, n. 83, p. 1276-1282, 2024. https://doi.org/10.7213/1981-416X.24.083.AP01

[a] Doutora em Educação, bguizzo_1@hotmail.com

[b] Doutor em Linguística e Letras, ekirchof@hotmail.com

[c] Doutora em Literatura Portuguesa, anamacha@fl.uc.pt

[d] Doutora em Educação, alboni@alboni.com

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