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Revista Teias

versão impressa ISSN 1518-5370versão On-line ISSN 1982-0305

Revista Teias vol.26 no.80 Rio de Janeiro jan./mar. 2025  Epub 08-Maio-2025

https://doi.org/10.12957/teias.2025.82665 

Artigos de Demanda Contínua

A EJAI NA PESQUISA DE PRÁTICAS DECOLONIAIS NO MUNICÍPIO DE CAICÓ, RIO GRANDE DO NORTE

EJAI IN RESEARCH OF DECOLONIAL PRACTICES IN THE MUNICIPALITY OF CAICÓ, RIO GRANDE DO NORTE

EJAI EN INVESTIGACIÓN DE PRÁCTICAS DECOLONIALES EN EL MUNICIPIO DE CAICÓ, RIO GRANDE DO NORTE

Emanuelle Deyse dos Santos Almeida1 
http://orcid.org/0009-0002-1573-0762; lattes: 9755114620388816

Dayane Lopes de Medeiros2 
http://orcid.org/0000-0002-0363-723X; lattes: 0220441976820803

Maria Aparecida Vieira de Melo3 
http://orcid.org/0000-0001-6288-9405; lattes: 6705733173478276

1Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN)

2Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN)

3Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN)


Resumo

A educação vem sendo consubstanciada pela desconstrução da memorização como única metodologia de ensino. Em um giro metodológico significativo, os processos de ensino-aprendizagem seguem moldes decoloniais. Estando a educação de jovens, adultos e idosos (EJAI, doravante) no discurso formativo revolucionário, questionamos: como a linha de pesquisa EJAI, no GEPEPF, vem sendo desenvolvida no município de Caicó/RN? Temos como objetivo geral descrever o papel do GEPEPF no processo formativo por meio da intervenção no Centro de Educação de Jovens e Adultos sobre a EJAI, mais especificamente: analisar a perspectiva dos docentes sobre as práticas pedagógicas decoloniais na EJAI, identificar o desenvolvimento pedagógico da EJAI no CEJA, Caicó/RN e explicitar as ações pedagógicas do GEPEPF sobre a EJAI no CEJA, Caicó/RN. O procedimento metodológico utilizado é a pesquisa qualitativa (Gaskell, 2002), respaldada na ação pesquisadora (Stringer, 1996), reflexiva-analítica, com base na análise de conteúdo (Bardin, 2011). Os resultados desta pesquisa visam contribuir para o processo formativo do ser professor/pesquisador, bem como explicitar os processos de ensino-aprendizagem que vêm sendo desenvolvidos nos espaços formais de ensino na escola CEJA Senador Guerra, em Caicó/RN, elencando os aspectos da decolonialidade nas práticas pedagógicas utilizadas pelos docentes da instituição escolar.

Palavras-chave: decolonialidade; ensino-aprendizagem; educação de jovens; adultos e idosos; práticas pedagógicas

Abstract

Education has been embodied by the deconstruction of memorization as the only teaching methodology. In a significant methodological shift, teaching-learning processes are following decolonial molds. With Youth, Adult and Elderly Education (EJAI, henceforth) being part of the revolutionary formative discourse, we ask: how has the EJAI research line at GEPEPF been developed in the municipality of Caicó/RN? The general objective is to describe the role of GEPEPF in the training process through intervention in the Youth and Adult Education Center on EJAI. More specifically: to analyze the teachers' perspective on decolonial pedagogical practices in the EJAI, to identify the pedagogical development of the EJAI at CEJA, Caicó/RN and to explain GEPEPF's pedagogical actions on the EJAI at CEJA, Caicó/RN. The methodological procedure used is qualitative research (Gaskell, 2002), based on researcher action (Stringer, 1996) and reflective-analysis based on content analysis (Bardin, 2011). The results of this research aim to contribute to the formative process of being a teacher/researcher, as well as explaining the teaching-learning processes that have been developed in the formal teaching spaces at the CEJA Senador Guerra school in Caicó, RN, listing the aspects of decoloniality in the pedagogical practices used by teachers at the school.

Keywords: decoloniality; teaching-learning; youth; adult and elderly education; pedagogical practices

Resumen

La educación se ha plasmado en la deconstrucción de la memorización como única metodología de enseñanza. En un cambio metodológico significativo, los procesos de enseñanza y aprendizaje están siguiendo moldes decoloniales. Siendo la Educación de Jóvenes, Adultos y Adultas Mayores (EJAI, en adelante) parte del discurso formativo revolucionario, nos preguntamos: ¿cómo se ha desarrollado la línea de investigación EJAI del GEPEPF en el municipio de Caicó/RN? El objetivo general es describir el papel del GEPEPF en el proceso de formación a través de la intervención en el Centro de Educación de Jóvenes y Adultos sobre EJAI. Más específicamente: analizar la perspectiva de los profesores sobre las prácticas pedagógicas decoloniales en la EJAI, identificar el desarrollo pedagógico de la EJAI en el CEJA, Caicó/RN y explicar las acciones pedagógicas del GEPEPF sobre la EJAI en el CEJA, Caicó/RN. El procedimiento metodológico utilizado es la investigación cualitativa (Gaskell, 2002), basada en la acción del investigador (Stringer, 1996) y el análisis reflexivo basado en el análisis de contenido (Bardin, 2011). Los resultados de esta investigación pretenden contribuir al proceso formativo de ser docente/investigador, así como explicar los procesos de enseñanza-aprendizaje que se han desarrollado en los espacios formales de enseñanza en la escuela CEJA Senador Guerra de Caicó, RN, enumerando los aspectos de la decolonialidad en las prácticas pedagógicas utilizadas por los docentes de la escuela.

Palabras clave: decolonialidad; enseñanza y aprendizaje; educación de jóvenes; adultos y mayores; prácticas pedagógicas

INTRODUÇÃO

Modalidade de ensino amparada pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) de 20 de dezembro de 1996, a Educação de Jovens, Adultos e Idosos constitui um mecanismo que oportuniza o retorno dos estudantes às atividades escolares, diante do impasse relacionado à alfabetização e ao seu processo de ensino continuado na idade equivalente à escolarização social (Brasil, 1996, artigo 37).

A educação é um direito garantido por lei, fundamentado em contextos plurais e currículos emancipatórios. Considerando a complexidade educacional, realizam-se as pesquisas aqui narradas mediante a necessidade de ações pedagógicas que atendam ao processo de ensino-aprendizagem sob perspectivas decoloniais, tendo em vista que a decolonialidade atua em prol da transformação social dos sujeitos historicamente prejudicados em instâncias econômicas, sociais, políticas e educacionais.

A pesquisa em andamento, intitulada “Processos de ensino-aprendizagem: descolonizando as práticas pedagógicas”, propõe identificar ações pedagógicas que ocorrem nos espaços escolares e não escolares. Refletindo sobre as constantes mudanças no fazer educativo do professor, destacase a importância de estudar e compreender o processo formativo que constitui o ato de ensinar em sala de aula. De forma inquietante, questiona-se: como a linha de pesquisa Educação de Jovens, Adultos e Idosos no Grupo de Estudos e Pesquisas da Educação em Paulo Freire (GEPEPF) vem sendo desenvolvida no município de Caicó/RN?

Nesse sentido, apresenta-se como objetivo geral: descrever o papel do GEPEPF no processo formativo por meio da intervenção no Centro de Educação de Jovens e Adultos (CEJA) Senador Guerra sobre a Educação de Jovens, Adultos e Idosos (EJAI). Mais especificamente, busca-se: analisar a perspectiva dos docentes sobre as práticas pedagógicas decoloniais na EJAI; identificar o desenvolvimento pedagógico da EJAI no CEJA, em Caicó/RN; e explicitar as ações pedagógicas do GEPEPF relacionadas à EJAI no CEJA, em Caicó/RN. Visa-se contribuir para o processo de ensino-aprendizagem desenvolvido no ambiente educativo da escola CEJA Senador Guerra, em Caicó.

A metodologia utilizada é a pesquisa qualitativa, conforme Gaskell (2002, p. 65), que afirma ser essa “[...] a que fornece os dados básicos para o desenvolvimento e a compreensão das relações entre os atores sociais e sua situação. O objetivo é uma compreensão detalhada das crenças, atitudes, valores e motivações em relação aos comportamentos das pessoas em contextos sociais específicos”. Essa abordagem vai ao encontro da proposição analítica reflexiva acerca do contexto social e político dos sujeitos da pesquisa, bem como de seu viés resistente, que se coloca como hipótese ao funcionamento da modalidade.

De acordo com o autor, o entendimento dos sujeitos da pesquisa se caracteriza como qualitativo quando o objetivo é “[...] o fornecimento de uma descrição detalhada de um meio social específico, uma base para construir um referencial para pesquisas futuras e fornecer dados para testar expectativas e hipóteses desenvolvidas fora de uma perspectiva teórica específica” (Gaskell, 2002, p. 65). A pesquisa aqui descrita analisa a compreensão dos sujeitos envolvidos, por meio da observação, propondo a construção de uma epistemologia a partir das ações práticas em questão.

A pesquisa-ação (Stringer, 1996), reflexiva e analítica, é dividida em três etapas principais: a observação, que constitui o cenário a ser construído com base nas informações reunidas; a organização do pensamento para exploração, análise e interpretação dos fatos decorrentes da pesquisa; e a ação avaliativa do ato implementado. Como explica Lindgren et al. (2004), a pesquisaação caracteriza-se como um método interventivo que facilita a ação de testar hipóteses e fomenta a execução de mudanças na realidade vivenciada.

O pesquisador deixa de ser um mero espectador, tornando-se um dos sujeitos de sua atividade de pesquisa, sendo também objeto de análise, por fazer parte do processo e intervir na situação para transformá-la de acordo com as necessidades dos envolvidos. O processo de pesquisa-ação divide-se em: fase exploratória, fase principal, fase de ação e fase de avaliação (Thiollent, 1997). Ou seja, parte-se da avaliação para a análise, pautada aqui na técnica da análise de conteúdo (Bardin, 2011). Essa técnica reúne um conjunto de instrumentos metodológicos que se aperfeiçoam continuamente e sistematicamente na busca por resultados.

A análise de conteúdo é compreendida como um conjunto de técnicas de “análise das comunicações”, que visa obter, por procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens, indicadores (quantitativos ou não) que permitam inferências de conhecimentos relativos às condições de produção/recepção (variáveis inferidas) dessas mensagens (Bardin, 2011, p. 41). O objetivo é analisar a diversidade encontrada nos aportes de conteúdo verbais ou não verbais, por meio da aplicação de uma sistematização escolhida.

As fases em que se estrutura essa análise são triádicas: 1) pré-análise; 2) exploração do material, categorização ou codificação; e 3) tratamento dos resultados, inferências e interpretação. A primeira fase pode se basear nos objetivos, no questionamento, na hipótese, nos sujeitos, no contexto, nas contradições e/ou em outras suposições. As segunda e terceira fases se unem para dar validade aos achados da pesquisa, garantindo sua coerência interna, sistematicidade e rigor na organização da investigação. Assim, aprecia-se a corporeidade significativa da pesquisa em execução, inibindo total ou parcialmente suas ambiguidades.

Com essas expectativas, a pesquisa se justifica por sua importância em: promover a pesquisa e a extensão nas ações pedagógicas para além do processo de ensino em sala de aula; e ter relevância social, ou seja, descolonizar a educação na EJAI por meio de diálogos reflexivos, propositivos e pontuais, oficinas pedagógicas (dinâmicas para análise da práxis desenvolvida no espaço educativo em questão), entrevistas com a gestão, a coordenação e alguns professores voluntários (realizadas em atividades coletivas), além de intervenções pedagógicas que favoreçam a escuta dos docentes, articulando mudanças no pensar, falar e agir, repercutindo diretamente no fazer pedagógico do espaço formativo.

Assim, a pedagogia decolonial emergente busca construir uma concepção pedagógica que ultrapasse os processos de ensino e transmissão de conhecimento, entendendo a pedagogia como uma política cultural (Walsh, 2007). Trata-se de uma pedagogia que valoriza a essência cultural dos indivíduos e parte desse princípio para a produção de novos conhecimentos, tornando-os sujeitos ativos em seu desenvolvimento educacional.

Nessa perspectiva, a diversidade é um fator importante e atual no que se refere à valorização do direito à diferença e à dignidade humana. Dessa forma, a instituição escolar, como espaço social, deve se tornar um ambiente que promova uma educação pautada no pluralismo, no pensamento crítico e político, e na luta pela presença dos sujeitos da EJAI no mercado de trabalho e na elite social, por meio da ocupação de espaços profissionais em diversidade.

Destaca-se, assim, que a escola é, de fato, uma instituição onde se adquirem conhecimentos científicos, mas também um espaço democrático e transformador, que deve ser continuamente analisado, interpretado, documentado e reimaginado (Freire, 1996). Para que essa transformação aconteça, os estudantes devem assumir o papel de protagonistas de seu fazer social e humano, enfrentando as adversidades com estudo, ação imponente, autonomia e perspicácia.

É essencial abordar os diferentes atores que integram a comunidade escolar da EJAI e seu movimento de resistência. Parte-se da perspectiva de que o professor é a figura central e intransferível na formação dos indivíduos, pois suas práticas pedagógicas diárias têm o poder de edificar o conhecimento em uma perspectiva crítico-reflexiva sobre a realidade social e cultural que os cerca. É fundamental, portanto, a harmonia entre a teoria e as práticas pedagógicas, bem como o compromisso contínuo com o trabalho docente.

A EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO GEPEPF

O Grupo de Estudos e Pesquisas da Educação em Paulo Freire (GEPEPF, 2021) vem desempenhando um importante papel na difusão do conhecimento acadêmico através de seu movimento itinerante, envolvendo pesquisadores de vários estados do Brasil, entre eles: representantes dos movimentos sociais, professores da educação básica, estudantes do ensino médio, estudantes de graduação e pós-graduação, mestrandos, doutorandos, docentes universitários (doutores) e demais interessados. Vinculado à Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), na lotação do Centro de Ensino Superior do Seridó (CERES), localizado em Caicó, RN, o grupo atua junto a projetos de ensino, pesquisa e extensão.

O movimento do GEPEPF tem como base o educador Paulo Reglus Neves Freire (19211997) e se concretiza sob atuação em suas quatro linhas de pesquisa: Didática: Educações e Diversidades; Educação de Jovens, Adultos e Idosos; Educação Integral; e Processos de EnsinoAprendizagem: Pedagogia Decolonial. Impulsionando a produção científica e fomentando a sistematização de experiências, promove-se um ambiente de aprendizado contínuo.

Sentindo a necessidade de refletir mais profundamente sobre a educação de jovens, adultos e idosos, iniciou-se uma ação de pesquisa na Escola Centro Educacional de Jovens e Adultos Senador Guerra (CEJA), através do projeto “Processos de ensino-aprendizagem: descolonizando as práticas pedagógicas”. A ação tem como embasamento a linha de pesquisa “Educação de Jovens, Adultos e Idosos”, que visa: refletir sobre os processos formais de ensino escolares e não escolares que possibilitam uma educação “decolonizadora” nos espaços de socialização dos saberes; dialogar sobre os processos de inclusão social a partir do olhar da pedagogia social; destacar as ações pedagógicas realizadas nos diversos contextos educacionais, nos quais a aprendizagem é mediada; e refletir sobre a contribuição de Paulo Freire para uma educação transformadora da realidade social em que o sujeito de direito está inserido.

A necessidade parte da premissa de que a EJAI combate à exclusão social por meio de uma luta resistente que possibilita a transformação, garantindo direitos fundamentais historicamente negados aos públicos jovens e adultos. Mais do que uma modalidade educacional, a categoria articula a formação para a cidadania plena e ativa dos sujeitos, permitindo que, ao atuarem conscientemente em sua realidade, provoquem intervenções sob perspectivas de mudanças sem precedentes.

A EJA, de acordo com a Lei nº 9394/96, passando a ser uma modalidade da educação básica nas etapas do ensino fundamental e médio, usufrui de uma especificidade própria que, pra tal deveria receber um tratamento consequente (Brasil, 2024, p. 02).

Nessa perspectiva, a escola desempenha um papel importante na aquisição do conhecimento para o desenvolvimento da criticidade dos estudantes. A busca pela valorização dessa categoria educacional proporciona, panoramicamente, atividades de intervenção na sociedade, em todas as instâncias possíveis, por abarcar a população historicamente oprimida. Conforme Freire (1996, p. 67) destaca: “[...] a capacidade de aprender, não apenas para nos adaptar, mas, sobretudo, para transformar a realidade, para nela intervir, recriando-a”. Ou seja, a aprendizagem processa o conhecimento adquirido em favor de melhorias na realidade social de cada sujeito.

Dessa forma, a intenção deste artigo é explicitar a pesquisa que vem sendo realizada desde 2022 na cidade de Caicó, Rio Grande do Norte (RN), em um movimento contínuo que tem obtido resultados proveitosos. Essa pesquisa tem proporcionado grande aprendizado, além do estreitamento de laços entre a universidade, a escola, a sociedade e a formação inicial e continuada. Busca-se compreender a realidade local e intervir nela, por meio de articulações educativas práticas e/ou teóricas, integrando ambas e garantindo um fazer educativo humanizado, em prol de uma cultura de paz e justiça social.

CONTEXTUALIZAÇÃO DO PROJETO “PROCESSOS DE ENSINO-APRENDIZAGEM: DESCOLONIZANDO AS PRÁTICAS PEDAGÓGICAS”

O projeto de pesquisa intitulado “Processos de ensino-aprendizagem: descolonizando as práticas pedagógicas” teve início em setembro de 2021, sendo renovado em 2022 e, posteriormente, em 2023, ano em que o projeto alcançou sua 3ª versão.

Nesse viés, o referido projeto de iniciação científica está relacionado à linha de pesquisa “Processos de ensino-aprendizagem: pedagogia decolonial” do Grupo de Estudos e Pesquisas da Educação em Paulo Freire (GEPEPF), cadastrado na plataforma do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ) e vinculado à Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Lotação Centro de Ensino Superior do Seridó (CERES), Campus Caicó (RN), estando sob a liderança de uma docente efetiva do Departamento de Educação da UFRN - CERES/Caicó.

Nessa perspectiva, o projeto busca realizar práticas educativas que abrangem as diversas áreas do conhecimento, assim como desenvolver atividades de intervenção em espaços de formação escolares e extraescolares, concomitantemente refletindo sobre as singularidades e mudanças frequentes nos métodos de ensino, destacando a relevância de analisar e entender o processo formativo que caracteriza o ato de ensinar.

Sendo assim, nesta ação, adere-se ao pensamento de Freire (1996, p. 21), de que “[...] ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção”. Logo, entende-se que o processo dialógico presente entre estudantes, professores e todos os sujeitos, em sua totalidade, constitui uma pluralidade de experiências socialmente construídas nas relações socioculturais, o que proporciona a possibilidade de elaboração de novos conhecimentos.

Para tanto, o projeto tem como objetivo geral: descrever o papel do GEPEPF no processo formativo por meio da intervenção no Centro de Educação de Jovens e Adultos sobre a EJAI. De modo mais específico, busca-se identificar os processos de ensino-aprendizagem que têm acontecido tanto nos espaços escolares quanto nos não escolares; analisar a perspectiva dos docentes sobre as práticas pedagógicas decoloniais na EJAI; e explicitar as contribuições que a pesquisa fomenta para o processo identitário profissional dos estudantes bolsistas envolvidos. Tais objetivos suscitam a seguinte curiosidade epistemológica: como têm sido os processos de ensinoaprendizagem nos espaços formais de ensino e nos espaços não escolares?

Nesse ínterim, a pesquisa, em geral, se justifica pela sua relevância em viabilizar a pesquisa e a extensão como ações pedagógicas, perpassando o processo de ensino em sala de aula; por sua importância de cunho social em descolonizar as práticas pedagógicas tanto nos espaços formais de ensino quanto nos espaços não formais; e, no âmbito acadêmico, por fomentar o desenvolvimento do saber através da propagação de conhecimentos produzidos, que são divulgados em eventos como congressos, seminários, simpósios, encontros científicos e culturais, considerando o estímulo à pesquisa desenvolvida.

As ações realizadas pela pesquisa desde 2021 prezam pela afirmação dos estudantes enquanto sujeitos de direitos, provocando uma mudança no sistema de ensino que se constitui como uma quebra de paradigma acerca das concepções coloniais e de sua organização de saber. A identidade profissional é reconfigurada através dos diálogos reflexivos, mediando conhecimentos com a valorização da diversidade cultural, econômica e social existente.

As entrevistas que se efetivam em ações de pesquisa e análise de discurso reivindicam as reconfigurações da escola a partir de suas identidades. A pesquisa, que atenta às especificidades das práticas educativas decoloniais nos espaços formais e não formais de ensino, “[...] ponen en cuestión lo público de las políticas educativas y lo público en el espacio de la escuela, y sostienen expresar lo público en tanto representan los intereses de los sectores populares y establecen mecanismos de debate y decisión colectivos” (Gluz, 2013, p. 86).

As discussões empreendidas ao longo desses três anos de pesquisa-ação remetem ao diálogo com os movimentos educativos descentralizadores e às práticas de ensino-aprendizagem existentes em diferentes setores de organização da sociedade. Ou seja, a instituição de ensino assume uma função emancipatória com o intuito de proporcionar transformações significativas na vida dos estudantes e de todos os envolvidos no processo.

O movimento do GEPEPF segue o pensamento de Catherine Walsh (2013, p. 585) ao propor identificar e instigar práticas pedagógicas orientadas por “[...] posturas, posicionamientos, horizontes y proyectos de resistir, transgredir, intervir, in-surgir, crear y incidir” e, portanto, decoloniais. E ainda, metodologias que, ao serem produzidas em contextos de resistências, configuram-se em pedagogias com a utilização de práticas “insurgentes” que rompem a lógica da “modernidade/colonialidade”, possibilitando outras maneiras de, efetivamente, ser e estar no mundo (Walsh, 2013, p. 19).

A realidade analisada denota o desejo pelo reconhecimento dos sujeitos em seu local de vivência, de modo individual e/ou coletivo, superando as perspectivas de um ensino que silencia suas próprias narrativas e culturas. Garante-se, assim, a afirmação do direito à diferença, elaborada em matrizes orientadoras de práticas pedagógicas afirmativas, que apontam caminhos para uma cultura de paz, uma cultura solidária e a ação ativa protagonista em favor da incitação do “ser mais”.

Reitera-se o imperativo ético nos processos pedagógicos correspondentes, ao adentrar nos territórios epistêmicos em prol de práticas socialmente inclusivas, que visem à inserção social dos sujeitos coletivos de direitos, para que sejam protagonistas de suas narrativas e de suas práticas sociais. A educação nos espaços não escolares viabiliza processos emancipatórios e libertadores, que permeiam o protagonismo dos sujeitos coletivos sociais inseridos nesses espaços coletivos de formação.

A terceira renovação do projeto revela um novo planejamento, idealizando a execução da pesquisa com foco na EJAI em Caicó, RN. Com base em Paulo Freire (1921-1997), através do GEPEPF, estabeleceu-se um novo foco de pesquisa na educação de jovens, adultos e idosos, almejando a organização de uma ação político-pedagógica voltada para o aprendizado horizontal, enfatizado por experiências vividas na escola, visando o combate à desigualdade social existente.

DESENVOLVIMENTO DA PESQUISA-AÇÃO

As ações de visitação, intervenção e análise que são objetos de estudo deste artigo envolvem a escolha da Escola Centro Educacional de Jovens e Adultos Senador Guerra (CEJA), uma instituição escolar estadual localizada no município de Caicó, RN. A escolha da escola decorre da decisão de trabalhar a decolonialidade na educação de jovens, adultos e idosos (EJAI), mediante um processo de transformação social pautado nos direitos dos sujeitos e em suas particularidades, essencialidades e resistências.

Ao longo do trabalho de pesquisa-ação aqui apresentado, analisa-se a educação na EJAI a partir do lócus CEJA Senador Guerra/Caicó (RN), em 2023 (primeiro e segundo semestres). Sabese que a Educação é fundamental para que a população, por meio da valorização cultural dos diferentes grupos sociais, possa garantir melhores condições de vida digna a todos os sujeitos. Além disso, jovens de classes sociais desfavorecidas frequentemente têm seus direitos violados, pois precisam contribuir para o rendimento econômico da família, seja através do trabalho, seja oferecendo suporte aos familiares para a geração de renda. Essa realidade caracteriza um importante setor da EJAI.

Sendo essas as prioridades de muitos adolescentes que habitam periferias e pequenas comunidades, percebe-se altas taxas de analfabetismo resultantes da situação de miséria dos envolvidos no sistema capitalista brasileiro, especialmente em contextos de menor ascensão econômica. Segundo Gadotti (2022), a negação do direito fundamental à alfabetização caracteriza o analfabetismo em sua essência, por meio de um conjunto de problemas sociais (falta de moradia, alimentação, transporte, escola, saúde e emprego, entre outras necessidades basilares para uma vida justa e digna). Assim, torna-se insuficiente apenas a elaboração e execução de programas sociais governamentais para resolver o problema. É essencial a existência e aplicação de políticas públicas pontuais que façam jus à ação de projetos sociais e educacionais.

Dessa forma, adentrou-se ao espaço escolar do CEJA Senador Guerra em novembro de 2022, quando foi realizada a primeira visita para contato com a equipe gestora e os professores, com o objetivo de apresentar o projeto e propor sua efetivação na referida instituição. O diálogo foi propositivo: ouviu-se a equipe acerca das dificuldades enfrentadas pela escola na organização do trabalho pedagógico de ensino-aprendizagem nas turmas de EJAI atendidas. Foi possível conversar sobre a decolonialidade presente nos conteúdos das aulas e nas práticas pedagógicas dos professores. Um retorno foi agendado para abril de 2023, após as férias do setor educacional.

Na primeira visita realizada à escola EJA, sob a ação do projeto de pesquisa do GEPEPF, foi possível perceber que a escola ainda participa de um sistema “alienante”, que traz consigo características colonizadoras. Na visão de alguns integrantes do corpo docente, esteve presente a concepção de uma educação conservadora, mas com o desejo de proporcionar mudanças significativas. Muitos professores aplicam a decolonialidade sem entendê-la completamente, o que não deixa de ser positivo. Existem, ainda, docentes que adotam a perspectiva decolonial com base fundamentada, mas que destacam a necessidade de avanços no quesito de transformação educacional na escola.

A visita favoreceu o conhecimento e o destaque de atividades transformadoras que vêm sendo realizadas com muito esforço pelos professores da escola CEJA Senador Guerra. O aspecto da resistência é título de toda educação de Jovens, Adultos e Idosos implementada nas bases “freireanas”. Paulo Freire, de modo geral, defendia o caráter crítico do sistema de ensino, com o intuito de provocar inquietações nos aprendizes em relação ao seu fazer/ser no mundo, estimulando, por meio de indagações, o surgimento do desejo de mudança social e, mais que isso, a:

[...] elevação do pensamento das massas, o que se dói chamar apressadamente de politização, a que se refere Fanon, em Los Condenados de la Tierra, e que constitui para ele uma forma de se “ser responsável nos países subdesenvolvidos, começa exatamente por esta auto-reflexão. Auto-reflexão que as levaram ao aprofundamento e de que resultará sua inserção na história, não mais como espectadores, mas como figurantes e autoras (Freire, 1983, p. 36).

Sendo assim, é intrínseco promover uma educação voltada à reflexão dos conteúdos e contextos de vivência, um ensinar que possibilite a jovens, adultos e idosos tornarem-se ativos por meio da problematização do que lhes é ensinado, propiciando uma real emancipação. As instituições escolares precisam ultrapassar os moldes da escolarização, em vias de inclusão, cidadania, politização, reforma e reorganização social e humana continuamente.

Em abril de 2023, foi agendado e confirmado o retorno à instituição CEJA Senador Guerra, dando continuidade à parceria estabelecida com a UFRN. Na ocasião, houve o acréscimo de parceria com o projeto integrador de Pernambuco, coordenado por um docente da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), que veio realizar a transdisciplinaridade da pesquisa em outros estados, almejando a diversidade e outras possibilidades interpretativas no contexto educacional brasileiro. Ao conhecer outras realidades, percebe-se mais claramente a própria.

Em pauta e planejamento, esteve a operacionalização de uma oficina descolonizadora de ensino, com a apresentação das ideias de Freire (1996), Quijano (2005) e Ribeiro (2018). Entre as ações, destaca-se a construção de uma linha do tempo sobre os aspectos históricos que compõem a historicidade do nosso país.

O aspecto da ludicidade esteve bem presente, sendo sempre citado no discurso dos professores da EJA como uma ferramenta de ensino objetiva e certeira para momentos de aula interativos e propositivos. Ao fim, concluiu-se que o processo de descolonização pode ser efetivo e trazer resultados concretos e urgentes para a melhoria e transformação local, com potencial articulador de solução de problemas sociais e comunitários, do coletivo ao individual.

Em reflexão, atenta-se à luta resistente da educação no combate à exclusão dos sujeitos da EJAI. De acordo com Figueiredo (1919, p. 836), excluir é “[...] privar da posse de alguma coisa; desviar: excluir alguém de uma partilha”. Nesse ínterim, a oficina teve foco no combate ao sistema de opressão, levando o conjunto de docentes a imaginar situações em que os estudantes poderiam estar desprovidos dos direitos sociais básicos de um ser humano. Ao se colocar no lugar do outro, percebe-se detalhes importantes, que foram dialogados e aprofundados.

Os discursos absorvidos coadunam com a concretização dos objetivos da pesquisa, ao pensar metodologias educativas para superar a realidade injusta que acomete a maioria dos brasileiros. Essa infeliz realidade advém do processo de dominação ao longo da história do país, que inevitavelmente transcorre de geração em geração.

CONSIDERAÇÕES

Pensando a educação como um campo complexo, é possível perceber que existe uma corrente hegemônica e, em contrapartida, uma contra-hegemônica. O projeto aqui abordado trata justamente da pedagogia no campo contra-hegemônico, na perspectiva da decolonialidade.

A pedagogia decolonial trata-se de uma práxis respaldada na desconstrução do atual sistema de educação em seu viés de base colonizadora. É um agir para pensar e repensar a vida em sociedade a partir de um sistema de ensino voltado para a transformação, para a vida criativa em favor da liberdade, da autonomia e da potencialização do ser humano em sua integridade.

Outrossim, tendo em vista que a educação, em sua complexidade, remete à transformação quando se movimenta no percurso contra-hegemônico, a pesquisa aqui explicitada se consubstancia na elaboração de práticas pedagógicas decoloniais na educação de jovens, adultos e idosos, com foco maior, atualmente, no CEJA, em Caicó/RN.

Logo, com os objetivos atingidos, reflete-se que a realização do ato de pesquisar foi relevante para o contexto educacional e social local, com capacidade de gerar repercussões globais ao longo do tempo e das gerações vindouras. A contribuição para o processo formativo do ser professor/pesquisador aparece de forma clara em seus resultados, ao dialogar, ao longo do texto, a teoria e a prática, fomentando a práxis transformadora.

Observa-se que a escola analisada vem realizando um contínuo trabalho formativo com os estudantes, proporcionando a construção de materiais didáticos na perspectiva das práticas pedagógicas descolonizadoras do processo de ensino-aprendizagem, como a realização de atividades dialógicas, oficinas problematizadoras, mapeamento sistemático do contexto dos sujeitos, exposições culturais e artísticas, ou seja, um plano de ação educativa voltado para a construção do “ser mais”.

Destaca-se também a abertura do corpo escolar para o diálogo com a universidade acerca de práticas pedagógicas decoloniais, pois o processo formativo realizado junto ao GEPEF, desde 2022, no CEJA Senador Guerra, explicita caminhos possíveis, efetivados em ações concretas para uma outra educação ou educações, na escola seridoense.

Nesse viés, o projeto será estendido ao longo de 2024, buscando dar continuidade à ação em espaços não formais de ensino, bem como no Centro de Educação de Jovens e Adultos Senador Guerra. Nesse âmbito, manter o olhar voltado para projetos de pesquisa na EJAI é crucial para entender as necessidades, os obstáculos e as capacidades dessa modalidade de ensino, que busca assegurar o direito à educação para aqueles que não tiveram a oportunidade de iniciar ou dar continuidade aos estudos na educação regular.

Assim, observa-se que a EJAI deve ser uma modalidade que valoriza a diversidade, a multiplicidade e a individualidade dos seus participantes, dando importância aos seus conhecimentos, experiências e aspirações. De tal modo, a educação desempenha um papel essencial nesse processo ao fomentar o diálogo, a reflexão crítica e a libertação dos alunos, auxiliando na transformação da realidade dos marginalizados. Nesse contexto, a educação é um ato político e revolucionário, que auxilia na edificação de uma sociedade mais equitativa, democrática e solidária.

Destarte, faz-se imprescindível enfatizar também a forte contribuição no caráter identitário dos bolsistas e voluntários envolvidos na pesquisa, pois a participação ativa no presente programa de iniciação científica mostrou-se um fator essencial para o desenvolvimento dos educandos de ensino superior. Por meio dos estudos e das experiências vivenciadas, os acadêmicos puderam aprimorar sua habilidade de pensar criticamente sobre a realidade nos ambientes escolares e extraescolares, aumentar seu potencial intelectual acerca das marcas da colonialidade/modernidade, aprofundar sua compreensão sobre a educação de jovens, adultos e idosos, além de expandir suas perspectivas de carreira em ambientes acadêmicos e profissionais.

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Recebido: Março de 2024; Aceito: Outubro de 2024

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