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Reflexão e Ação

versão On-line ISSN 1982-9949

Rev. Reflex vol.32 no.1 Santa Cruz do Sul jan./abr 2024  Epub 18-Dez-2024

https://doi.org/10.17058/rea.v32i1.17704 

Artigos do Fluxo

E eu, não sou acadêmico? Condições de êxito escolar de um professor de origem popular

Am I not an academic? Conditions of school success of a teacher of popular origin

¿No soy un académico? Condiciones de éxito escolar de un profesor de origen popular

Lucas Costa de Santana1 
http://orcid.org/0000-0002-3499-7991

Marlécio Maknamara2 
http://orcid.org/0000-0003-0424-5657

1 Universidade Federal da Bahia - UFBA - Bahia - BA - Brasil - https://orcid.org/0000-0002-3499-7991

2 Universidade Federal da Paraíba - UFPB - Paraíba - PB - Brasil - https://orcid.org/0000-0003-0424-5657


RESUMO

A pesquisa em tela busca compreender as condições de êxito escolar de um professor de origem periférica. Opera metodologicamente com a pesquisa autobiográfica para captar pistas que dão a ver os fatores que contribuíram para tal êxito. Das narrativas problematizadas emergiram fatores que contribuíram para o êxito escolar do sujeito estudado, com destaque para a relação com o saber vivida por tal sujeito como experiência estética. Compreender as condições de êxito escolar de indivíduos de origem popular pode nos fornecer subsídios para lutar cada vez mais para que outros indivíduos conheçam tal experiência de improvável sucesso e ascendam socialmente pela via educacional.

Palavras-chave: Sociologia do Improvável; Narrativas (auto)biográficas; Formação docente; Êxito escolar

ABSTRACT

The research in question seeks to understand the conditions for academic success of a teacher from peripheral origins. It operates methodologically with autobiographical research to capture clues that reveal the factors that contributed to such success. Factors emerged from the problematized narratives that contributed to the academic success of the subject studied, with emphasis on the relationship with knowledge experienced by that subject as an aesthetic experience. Understanding the conditions for academic success of individuals from popular origins can provide us with support to increasingly fight for other individuals to learn about this experience of unlikely success and move up socially through education.

Keywords: Sociology of the Improbable; (Auto)biographical narratives; Teacher training; School success

RESUMEN

La investigación en cuestión busca comprender las condiciones de éxito académico de un docente de origen periférico. Opera metodológicamente con la investigación autobiográfica para capturar pistas que revelen los factores que contribuyeron a tal éxito. De las narrativas problematizadas surgieron factores que contribuyeron al éxito académico del sujeto estudiado, con énfasis en la relación con el conocimiento vivido por ese sujeto como experiencia estética. Comprender las condiciones para el éxito académico de individuos de origen popular puede brindarnos apoyo para luchar cada vez más para que otros individuos conozcan esta experiencia de éxito improbable y asciendan socialmente a través de la educación.

Palabras clave: Sociología de lo improbable; Narrativas (auto) biográficas; Formación de profesores; Éxito escolar

INTRODUÇÃO

Em seu livro intitulado “A Ralé Brasileira: quem é e como vive”, Jessé Souza (2018) argumenta em prol de uma correlação entre a origem social desfavorecida de pessoas das classes populares e problemas associados à aprendizagem escolar. Assim, o baixo rendimento nos estudos levaria a dificuldades de empregabilidade, o que, por conseguinte, resultaria na manutenção das condições sociais pré-estabelecidas. Contudo, existem sujeitos oriundos das classes populares que, apesar das condições adversas, lograram êxito nos estudos e, por meio deste, conseguiram ascender socialmente. Tais sujeitos são representativos não da manutenção das condições prévias de vida, muitas vezes precárias ou até mesmo miseráveis, mas de uma mudança no quadro, onde o êxito nos estudos favoreceu a sua empregabilidade e consequente ascensão social. Tais situações de êxito escolar nos levam a perguntar: quais as condições que permitem a sujeitos oriundos das classes populares lograrem êxito nos estudos e, por meio deste, ascenderem socialmente?

Assim, movidos por essa questão, apresentamos o estudo em tela, que resulta da dissertação de mestrado de um dos autores, e narra sobre as condições objetivas e subjetivas que permitiram ao sujeito de origem popular lograr êxito nos estudos e se formar professor de Ciências/Biologia. Tal êxito foi possível, sobretudo, graças à sua relação com o saber vivida como experiência estética. Compreendemos como experiência estética todos os acontecimentos que, ao passarem por um indivíduo, fornecem rotas outras que o conduzem a si mesmo, que o fazem voltar-se para si mesmo e, nesse processo, trabalhar sobre si e converter-se em algo diferente do que se é (do que vem sendo) (Larrosa, 2019a). Nas palavras de Larrosa (2019a), “alguém, a princípio, era de uma maneira, ou não era nada, pura indeterminação, e, ao final, converteu-se em outra coisa” (Larrosa, 2019a, p. 66).

Nossa investigação opera metodologicamente com as narrativas autobiográficas/de formação, e dá a ver, ainda, as condições pelas quais tal sujeito veio a se formar como um professor periférico e acadêmico. Objetiva compreender as condições sociais e individuais que o permitiram lograr êxito nos estudos e, por meio dele, se formar em uma universidade e realizar um curso de mestrado. Para tanto, nossa investigação aciona as narrativas autobiográficas como dispositivo para produção do material empírico que será, por conseguinte, essas mesmas narrativas. Busca, portanto, compreender as condições de êxito escolar a partir das suas próprias palavras sobre as experiências vividas.

A utilização das narrativas autobiográficas associadas aos estudos sobre as condições de êxito escolar de sujeitos de origem popular justifica-se na medida em que a escrita de tais narrativas pode contribuir para a compreensão de aspectos da realidade macrossociológica a partir das realidades microssociológicas narradas pelo sujeito que logrou tal êxito. Além disso, operar com o campo (auto)biográfico nesse contexto nos permite vincular as trajetórias de vida a questões sociopolíticas, visto que a vida pessoal é política (Bolívar; Domingo, 2006). Por fim, possibilita aumentar a compreensão sobre o nosso sistema social por meio dos atos, comportamentos, e sonhos individuais, uma vez que “a história do sistema social está contida por inteiro na história da vida individual dos sujeitos” (Ferrarotti, 1988, s.p).

ALICERCES TEÓRICOS

As condições de êxito escolar e ascensão social por meio dos estudos de sujeito oriundos das classes populares é objeto de estudo de uma disciplina das Ciências Sociais chamada Sociologia do Improvável. Tal disciplina se propõe a estudar a realidade microssocial dos indivíduos por entender que esta é mais complexa que a realidade macrossocial. Focaliza, portanto, aqueles sujeitos que, resilientes, superaram as condições de pobreza e obtiveram um bom desempenho escolar. Partindo da ideia apresentada por Jessé Souza (2018) de que as condições sociais desfavorecidas dos sujeitos das classes populares dificultam o bom desempenho escolar, a Sociologia do Improvável busca compreender quais as condições objetivas e subjetivas levam alguns desses mesmos sujeitos a “nadarem contra a maré”, desafiando as estatísticas e alcançarem o êxito escolar. Assim, a pergunta sobre o porquê de certos sujeitos das classes populares conseguirem êxito escolar traz em si um conjunto de aspectos que merecem ser compreendidos (Bezerra; Xypas, 2019).

Informações concernentes à prática de leitura e escrita das famílias são suficientes para que se identifique um primeiro ingrediente do sucesso escolar em famílias de meios populares (Brilhante; Pereira, 2019). De acordo com os autores, apesar de o esperado para tais “famílias de baixa renda e reduzida escolarização ser uma relação distanciada com a leitura e a escrita” (Brilhante; Pereira, 2019, p. 125), em famílias de classe popular cujos membros lograram êxito escolar, verifica-se a presença da cultura escrita. Assim, a presença e utilização de materiais relacionados à prática da leitura, como livros e jornais, constituem investimentos pedagógicos realizados por tais famílias cujos frutos se apresentarão no êxito escolar de filhos e filhas.

Costa e Silva (2019) apontam outros fatores que se apresentam como importantes para a compreensão de êxitos escolares que contam com contributos das práticas familiares. São exemplos desses fatores a preocupação dos pais/responsáveis pela vida escolar dos filhos, bem como a sua participação assídua nas rotinas escolares. Contribuem, ainda, para o êxito escolar a posse de certo capital informacional sobre o sistema escolar, bem como a presença de uma ordem moral doméstica. Tais fatores favorecem a adequação dos estudantes às normas e valores típicos do mundo escolar. Uma vez que as práticas familiares estejam de acordo com o que a escola demanda dos estudantes, acaba por ocorrer uma adaptação da família às exigências escolares, o que resulta em uma maior adequação dos filhos ao ambiente escolar, contribuindo sobremaneiramente para o seu bom desempenho.

Apresentam-se, ainda, como importantes para a compreensão do êxito escolar de sujeitos de origem popular a aquisição de um capital cultural, de um habitus, e uma relação com o saber. A noção de capital cultural foi proposta por Pierre Bourdieu e Jean-Claude Passeron na obra “Cultural Reprodution and Social Reproduction”, e se refere às diferentes oportunidades de acesso aos bens culturais que filhos de famílias oriundas de classes sociais diferentes possuem. O que acontece é que “os estudantes não chegam ao estabelecimento de ensino com a mesma ‘herança’, visto que aqueles de origem popular carecem de capital econômico, cultural e social” (Rodrigues; Xypas, 2019, p. 33). Assim, “os alunos que recebem um capital cultural significativo apresentam maiores chances de ter êxito escolar” (Bezerra; Xypas, 2019, p. 89).

Por seu turno, o habitus é compreendido por Bourdieu (2003) como uma subjetividade socializada, que opera como uma série de disposições que, ao serem apreendidas, tendem a se repetir nos comportamentos e formas de pensar. Conforme pensam Bezerra e Xypas (2019), o habitus de um indivíduo não pode ser deduzido diretamente a partir da classe social à qual tal indivíduo pertence, uma vez que nos constituímos “a partir de um conjunto multifacetado de influências sociais” (p. 90), inclusive por influências que podem mudar a configuração dos nossos habitus. Portanto, indivíduos que adquirem certas disposições positivas em relação aos estudos e à valorização das rotinas e das exigências escolares podem alcançar o êxito escolar, mesmo aqueles que pertencem às classes mais desfavorecidas, que, via de regra, não compartilham o habitus valorizado pelo sistema escolar.

Por fim, uma noção importante para compreender o sucesso escolar de pessoas de origem popular é a relação que tais pessoas estabelecem com o saber. A relação com o saber é uma noção formulada por Bernard Charlot (2000), e se refere a uma “relação com o mundo, com o outro e com ele mesmo, de um sujeito confrontado com a necessidade de aprender, [...] é o conjunto das relações que um sujeito mantém com tudo quando estiver relacionado com o aprender e o saber” (Charlot, 2000, p. 80). Assim, a relação com o saber contribui para o êxito escolar de indivíduos da classe popular na medida em que fornece um sentido a essa busca por conhecimento (Rodrigues; Xypas, 2019). Tal sentido na busca pelo saber faz com que, segundo Charlot (2005), uma pessoa se mobilize e se engaje intelectualmente.

ASPECTOS METODOLÓGICOS

Empreendemos um estudo de natureza qualitativa, valendo-nos da abordagem (auto)biográfica para produção do material empírico da pesquisa, a saber, as narrativas autobiográficas de êxito escolar do sujeito investigado. Isso porque as narrativas (auto)biográficas constituem “fontes privilegiadas no campo epistêmico da pesquisa qualitativa interpretativista”, sendo usadas como fonte de investigação e método de pesquisa (Passeggi, Nascimento, Oliveira, 2016, p. 113). O trabalho com narrativas autobiográficas busca “relatar experiências individuais e discutir o seu sentido para o indivíduo, além de documentar a sua voz e visão dentro de um contexto sociocultural” (Creswell, 2012, p. 502).

Por seu turno, “o objetivo da pesquisa biográfica é explorar os processos de gênese e de devir dos indivíduos no seio do espaço social, de mostrar como eles dão forma às suas experiências, como fazem significar as situações e os acontecimentos de sua existência” (Delory-Momberger, 2012, p. 524). Assim, “a construção da narrativa autobiográfica aciona a memória para capturar os detalhes significativos na trajetória de vida” (Rodrigues; Chaves, 2013, p. 966), aqui relacionados às condições de êxito escolar e às formas pelas quais o indivíduo investigado veio a se constituir como sujeito periférico e acadêmico.

A inspiração para a escrita das narrativas autobiográficas se deu a partir de registros tais como documentos escritos e imagéticos feitos ao longo da licenciatura, arquivos e postagens presentes em redes sociais, materiais acadêmicos e recursos didático-pedagógicos produzidos pelo sujeito biográfico/biografado. Uma vez tendo adotado a escrita autobiográfica como estratégia para produção do material empírico, se fez necessário para o autor das narrativas, no processo de escrita, não apenas contar o que lhe veio à memória, mas deixar que a memória contasse sua história à sua própria maneira. Assim, a escrita das narrativas autobiográficas se deu não apenas pela retórica (por sua capacidade argumentativa/de transmissão de informações), mas sobretudo pela poética (por sua capacidade de funcionar como espetáculo). De tal forma que se aproximou, em certa medida, de uma linguagem literária, menos subordinada à lógica e mais dedicada à estética. Uma linguagem que não buscou retratar o real do vivido, mas elaborá-lo de maneiras singulares e singularizantes: uma linguagem da experiência (Larrosa, 2019b).

Essa linguagem da experiência nas narrativas autobiográficas assumiu para si a forma de algo como um gênero textual híbrido. Tal forma de expressão “mistura estilos e formas existentes”, “infringe a lei da forma linguística unitária”, onde “cada um dos elementos permanece como que descentrado por sua relação com os demais” (Larrosa, 2019a, p. 148). A escrita das narrativas de êxito escolar na formação docente se deu, então, a partir da perspectiva da intertextualidade (coexistência de vários discursos em um único espaço textual) e da literariedade (função poética e estética do texto, valorizando aspectos subjetivos) (Larrosa, 2019a).

As narrativas escritas foram submetidas a um gesto investigativo chamado problematização. A problematização, como estratégia de tratamento do material empírico, se refere a “maneira de proceder diante do objeto de pesquisa a fim de proceder um real trabalho de pensamento e não um conjunto de regras procedimentais capazes de conduzir [...] a uma verdade” (Vinci, 2015, p. 201). Assim, problematizar as narrativas de êxito escolar e formação do sujeito biográfico/biografado significou realizar sobre elas um exercício de pensamento, buscando interpretar o conjunto de significados nelas presentes (Foucault, 2006a; Revel, 2011).

RESULTADOS E DISCUSSÃO: AS CONDIÇÕES DE ÊXITO ESCOLAR

Meus pensamentos

Tomam formas e viajo

Vou pra onde Deus quiser

Um vídeo tape que dentro de mim

Retrata todo o meu inconsciente

De maneira natural

Ah! Tô indo agora Pra um lugar todinho meu [...]

- Roberta Miranda, A Majestade, O Sabiá -

Quando criança, ele passeava com sua avó, a majestade, o sabiá, amante de Roberta Miranda, pelas ruas do seu bairro. Também ao som de Osvaldo Silva e Edson Gomes ele caminhava, entre meninos de rua, criminalidades, e cheiro de peixe. Cheiro de peixe, mariscos e siris recém-pescados e mariscados. Pescadas também eram as palavras por ele lidas, a pedido de sua avó. Leia a placa daquela loja, leia o nome daquele ônibus, ela dizia. Leia a Bíblia. Leia tudo, e soletre bem. Escreva muito, escreva bem. Pelas manhãs, ia com ela à feira ou ao porto, atrás de peixe fresco. Mas apenas quando não estava na escola. E quase sempre esteve na escola - e esteve bem, disso a sua avó fazia questão. No porto: a maré, a lama, as almas, os peixes. Os pobres. A ponte - ah, tão fascinante e adorada ponte aos olhos infantis! - onde passava o trem que os levava à feira de São Joaquim. Paisagens maltratadas, e cheias de uma triste beleza. Os seus avós, com sete filhos, chegaram a passar fome em determinado momento de suas vidas. Os seus avós, que o criaram desde os quatro anos de idade, nunca chegaram a concluir o Ensino Fundamental I, mas o educaram tão bem quanto puderam. Ensinaram-lhe as letras, a ler e soletrar bem, a escrever bem e a contar bem, assim como haviam aprendido. Muito da sua alfabetização deu-se, então, em casa. Contudo, apesar do seu passado faminto, os seus avós nunca permitiram que o menino ficasse de barriga vazia. Assim, o seu corpo, sempre bem nutrido - de alimento e de palavras, sobretudo a Palavra de Deus - nunca padeceu. A sua avó, a majestade, o sabiá, cantava canções aos seus ouvidos, e ele nunca as esqueceu. Cantava o seguinte: - Estude, meu filho, para não depender de ninguém. Estude para ser independente financeiramente. Estude para ser alguém na vida. Estude para não ter a vida que nós tivemos. Estude. O estudo será bom para você. Estude. E ele estudou. E amou. Amou os seus estudos, amou estudar. E ainda ama.

A primeira condição de êxito escolar que emerge do excerto narrativo acima diz respeito ao fato de a família do sujeito biográfico/biografado, aqui representada pela figura da sua avó paterna, ter desenvolvido “no ambiente doméstico uma cultura diferencial de exortações e admoestações voltadas ao êxito escolar” (Brilhante; Pereira, 2019, p. 122). Ainda de acordo com os autores, e como ficou demonstrado a partir das palavras narradas, a sua família foi exitosa em acionar um trabalho pedagógico, de modo a transformar as suas aspirações materiais e simbólicas.

Leia a placa daquela loja, leia o nome daquele ônibus, ela dizia. Leia a Bíblia. Leia tudo, e soletre bem. Escreva muito, escreva bem. Além disso, observa-se, a partir do excerto em questão, a presença da cultura escrita no seio familiar, que constituíram formas de investimento pedagógico, contribuindo, assim, para o seu êxito escolar. A prática da leitura e da escrita compreende, assim, “um primeiro ingrediente do sucesso escolar em famílias de meios populares” (Brilhante; Pereira, 2019, p. 125). De alguma forma, tal família conseguiu superar a relação distanciada com a leitura e a escrita que se espera em ambientes familiares de baixa renda, e, a partir de tal superação, realizou um investimento pedagógico de modo a contribuir para a valorização do estudo e, por conseguinte, para o êxito escolar do sujeito em questão.

E quase sempre esteve na escola - e esteve bem, disso a sua avó fazia questão. Costa e Silva (2019, p. 140) afirmam que “em famílias cujos filhos possuem bom desempenho escolar, nota-se que os pais demonstram um forte controle sobre a vida escolar dos filhos, dando orientações, cobrando as tarefas, olhando as notas e comparecendo às reuniões escolares”. Assim, um dos fatores que certamente contribuiu para o seu bom desempenho escolar consistiu na presença da família na sua vida escolar, representada fundamentalmente pelas (poucas) mulheres presentes em sua família. A sua mãe, que todos os dias ia buscá-lo na escola, e sempre participava das reuniões de pais e mestres, e a sua avó paterna, que, em casa, sempre cuidava para que as tarefas escolares fossem realizadas - e com excelência.

Tal presença da família na vida escolar dos filhos acaba por promover um ajustamento entre as exigências familiares e as exigências escolares: as práticas familiares passam a estar de acordo com o que a escola demanda dos estudantes. Os filhos de famílias de baixa renda que passam por esse ajustamento adaptam-se com mais facilidade ao ambiente escolar e às suas exigências. Tal adaptação, por sua vez, contribui sobremaneiramente para o bom desempenho e o consequente êxito escolar, pois com o tempo os filhos a incorporarão, tornando-se desnecessária a admoestação dos pais. A incorporação da prática dos estudos se configura, por seu turno, como a aquisição de um habitus, sobre o que nos contará os excertos narrativos a seguir.

Pela janela do quarto

Pela janela do carro

Pela tela, pela janela,

Quem é ela, quem é ela

Eu vejo tudo enquadrado

Remoto controle [...]

- Esquadros, Adriana Calcanhotto -

Na escola, uma das suas professoras de Artes o convidou a ser seu pupilo. Ela, amante de Adriana Calcanhotto. O menino, que estava sendo fabricado para ver tudo enquadrado. Ela, que o levou a conhecer Sonhos de Uma Noite de Verão. Ela, um corpo leve, suave, frágil, mas orgulhoso, potente. Dono de si. E o menino, que amava a sua professora, bem como amava seus amigos e suas amigas, com eles e elas aprendeu. Aprendeu os seus gostos musicais, literários, cinematográficos. Aprendeu as suas culturas. Consumiu tudo, até delas estar impregnado. As suas experiências com artefatos artístico-culturais representaram grande parte do que veio a conhecer como belo. E, além disso, os estudos.

A aquisição de um habitus, ou seja, de uma série de disposições positivas em relação aos estudos (aqui compreendidas como autonomia intelectual e disciplina familiar, além de uma relação positiva com o saber) que, com o tempo, passam a se repetir em comportamentos e formas de pensar, constitui outro fator que contribui para o bom desempenho e sucesso escolar. Tal habitus, então, se expressa por meio de uma nova forma de subjetividade, que inclui tanto as representações concebidas sobre si e sobre a realidade, quanto o sistema de práticas em que a pessoa se inclui, os valores e crenças que veicula, suas aspirações, identificações, etc. (Bourdieu, 2002, s.p). Uma vez que o habitus de um indivíduo não pode ser deduzido, de forma direta, a partir do habitus da classe social a qual pertence (Bourdieu, 2002, s.p), a aquisição de um habitus voltado a uma relação positiva com os estudos pode constituir um fator para o êxito escolar de indivíduos que se constituíram a partir de diferentes influências sociais.

Aprendeu os seus gostos musicais, literários, cinematográficos. Aprendeu as suas culturas. Consumiu tudo, até delas estar impregnado. Apresenta-se também como fator contribuinte para os casos exitosos de desempenho escolar a aquisição de um capital cultural. Isso porque o capital cultural investido pela família (o qual independe do capital econômico da mesma) pode se expressar na forma de valorização do conhecimento. Tal aquisição se apresenta como a oportunidade de acesso aos bens, artefatos e conhecimentos culturais, à cultura de modo geral. Assim, “os alunos que recebem um capital cultural significativo apresentam maiores chances de ter êxito escolar” (Bezerra; Xypas, 2019, p. 89). Apesar de “as condições sociais mais elevadas levarem a um certo privilégio cultural, e consequentemente às diferenças quanto ao capital cultural transmitido” (Bezerra; Xypas, 2019, p. 88), famílias de baixa renda também podem realizar investimentos culturais de modo a garantir um bom desempenho escolar aos seus filhos. No caso particular do nosso sujeito biográfico/biografado, a aquisição de capital cultural se deu majoritariamente a partir da sua relação com seus amigos (indiretamente, a partir das famílias dos seus amigos), onde, ao consumir os artefatos culturais que estes consumiam, incorporou-os ao seu repertório cultural. Assim, a aquisição de capital cultural se deu via capital social a partir das relações sociais estabelecidas no ambiente escolar.

Há algo sobre este jovem estudante que agora precisa ser dito. É um fato: a educação (trans)formou a sua vida. Ao buscar formas de expressar a importância que a educação escolar teve em sua vida, as palavras escorregam por entre os seus dedos e fogem aos seus lábios. Foi moldado para ser estudante. Não sabe mais não sê-lo. Aprendeu a ser desde cedo e nunca soube - ou quis - desaprender. Sempre foi o seu consolo, a sua diversão, o significado da sua vida. Estudar, aprender, conhecer. Só assim se saciava. Só assim não sentia em si o fastio da existência. Só assim a sua vida estaria justificada. Viveu o estudar como uma experiência estética. Fez daquilo o sentido da sua vida. Fez do estudar uma arte. Alguma parte de si estudava também porque era a única coisa que havia verdadeiramente para fazer, já que cresceu uma criança um tanto solitária. Como um alguém solitário, trilhou o caminho para si mesmo, trilhou o caminho do criador, e do amante. Transformou o estudar em muitas outras coisas (diversão, passatempo, obrigação moral, responsabilidade), ressignificou tal ato de inúmeras formas e logo começou a estudar e aprender por puro prazer. Apenas para sentir aquele êxtase proveniente do conhecimento adquirido. E os seus efeitos foram imensos - e intensos. Permitiu-lhe destaque, honras, oportunidades. Permitiu-lhe ser o primeiro membro da família a ingressar em uma universidade pública, e a saber o que era uma universidade. Permitiu-lhe ser o primeiro membro da família formado numa universidade pública - um alguém com ensino superior completo numa família com alguéns que sequer possuem ensino fundamental completo. A sua avó sempre o incentivou a estudar. Sempre. Afinal, não era o seu desejo que ele tivesse o mesmo destino que ela e muito outros tiveram em sua geração. A sua família sempre buscou garantir condições materiais para que ele pudesse se dedicar exclusivamente aos estudos. Com a ajuda do salário de várias pessoas em casa, mantinham-se bem materialmente. Nada de luxo. Apenas o básico para uma boa e segura sobrevivência. E assim, ele foi estudando e estudando mais. Estava materialmente amparado, e por isso era grato. Ser amparado por tanto tempo o permitiu concluir a graduação sem nunca ter realizado nenhum trabalho pesado para sobrevivência. O permitiu fazer algo até então impensado naquele seio familiar: construir uma carreira profissional. Quanto privilégio! Construir uma carreira profissional foi um feito que nunca idealizou. Mas a construiu aos poucos, tijolo por tijolo, e hoje tem um pequeno lar do qual se orgulha imensamente. O construiu com educação. Com os estudos, os aprendizados, os conhecimentos. É o seu lar: o lar do saber. Por mais que soprem, não há como demoli-lo. Ele está alicerçado nas profundezas da terra, e foi construído com muito suor, esforço, ajuda e oportunidade.

O excerto narrativo acima dá a ver que o bom desempenho escolar do nosso sujeito biográfico/biografado logo converteu-se em oportunidades acadêmicas e profissionais, que foram responsáveis por uma relativa ascensão social. Uma vez elencadas as condições de êxito escolar e, observando-se, por meio das narrativas, que o sujeito do estudo satisfez tais condições, verificamos que o seu êxito lhe permitiu alcançar novas condições socioeconômicas, por meio do acesso ao Ensino Superior e, posteriormente, à pós-graduação. O excerto acima também dá a ver um outro fator que foi de suma importância para o seu êxito escolar: a relação com o saber.

A relação com o saber se relaciona com o êxito escolar na medida em que, para que se alcance tal êxito, o indivíduo precisa se engajar “em uma atividade intelectual, e que se mobilize intelectualmente” (Charlot, 2005, p. 54). Para que se mobilize, é fundamental que a busca pelo saber tenha sentido para sua vida (Rodrigues; Xypas, 2019). Tal relação entre a busca pelo saber e o sucesso escolar existe também porque “qualquer relação com o saber comporta também uma dimensão de identidade” (Charlot, 2000, p. 72), ou seja, comporta um modo pelo qual um sujeito se relaciona consigo mesmo e com o mundo ao seu redor, como ele se individualiza e se distingue, como dá forma a si mesmo. E tal forma de se relacionar consigo mesmo e com o mundo pode assumir a forma de uma experiência estética.

Enquanto a relação com o saber já consta como um fator conhecido que contribui sobremaneira para o êxito escolar de pessoas de baixa renda (Bezerra; Xypas, 2019), essa forma especial de relação com o saber que resulta em uma experiência estética constitui um novo fator relacionado ao sucesso escolar, sendo, portanto, um legítimo achado de pesquisa que emergiu a partir das narrativas autobiográficas do sujeito biográfico/biografado desta investigação. Assim, as experiências estéticas vividas constituíram, para o sujeito biográfico/biografado desta investigação, lócus de uma formação estética. Dito de outro modo, o ato de estudar, bem como a relação empreendida com os estudos, o (trans)formou, o levou a ser de outro modo, a ser de um modo diferente do que era. E isso só foi possível porque o estudo, vivido como experiência estética, levou-o até si mesmo. Uma vez tendo sido levado até si mesmo, pôde realizar um trabalho sobre si de modo a dar à sua vida uma certa forma na qual podia se reconhecer e ser reconhecido (Foucault, 2006b).

Tal experiência estética vivida no ato de estudar só pôde ser possível porque, além de constituir uma prática que o levou a realizar um trabalho sobre si, houve amor. Nas palavras de Foucault (2006b), Eros (amor) e ascese (trabalho sobre si) são as duas grandes formas pelas quais se torna possível ao sujeito se transformar. Assim, para o nosso sujeito biográfico/biografado, o estudo consistiu, como experiência estética, tanto um espaço-tempo de trabalho sobre si quanto um espaço-tempo de amor. Amor na medida em que o estudo manteve algo de sagrado, de misterioso, de excesso, que o lançou até o que não sabia, estabelecendo, assim, as condições para sua transformação (Larrosa, 2018, p. 299). Estudar, portanto, comportou uma dimensão amorosa e desejante, levando-o a ser diferente do que era, levando-o a ser um estudante e um estudioso. Contudo, apesar de constituir-se como acadêmico e, futuramente, docente, em certos aspectos jamais deixou de ser uma pessoa periférica.

Ele não sabia bem quem era, a não ser estudante, sujeito do saber. Não sabia o que queria ali, a não ser estudar. Não sabia o que queria ser, a não ser estudante. E, assim, não sabia ser da orla. Isso, precisou aprender. Precisou aprender a cultura acadêmica, a fala, a escrita e o comportamento acadêmico. Precisou desenvolver autonomia intelectual. Precisou desbravar o espaço universitário a fim de descobrir as suas regras. Precisou se afiliar àquele novo mundo e àquela nova cultura. Aos poucos foi sendo assujeitado pelas práticas, representações e significados culturais acadêmicas. Contudo, continuava a ser favelado. Seguia morando entre pessoas maltratadas, em paisagens maltratadas e rodeado por vidas negligenciadas e deixadas à própria sorte. Seguia sendo testemunha - e, às vezes, copartícipe - dos festejos, das danças e músicas, da embriaguez, do dionisíaco da periferia. Seguia convivendo com o swing, com os corpos dançantes, com o suor na pele e o calor na alma, com a alegria e a energia, com a força e a vontade, com o gosto do dendê. Seguia se reconhecendo nas práticas culturais periféricas (nas músicas, nas danças, nas práticas medicinais, no dialeto, etc.). E, desde então, se reconheceu como sujeito periférico. Ao retornar para a periferia, ele não era mais alguém estritamente periférico. Há muito não era, pois desde muito jovem fora exposto aos códigos da cultura dita erudita, em contraponto à cultura popular na qual cresceu. Desde cedo ele não era puramente isso ou aquilo. Nem puramente favelado, nem puramente acadêmico. Antes, sujeito tanto do popular quanto do erudito. Tanto sujeito ao popular, quanto sujeito ao erudito.

Favela ê Favela

Favela eu sou Favela

Favela ê Favela

Respeite o povo que vem dela

Ô já tá quase na hora do nosso bonde passar

Levando a galera que faz as loucuras

Pega no batente dessa vida dura

Que acorda bem cedo para ir trabalhar

Ô, mas que nunca perde sua fé

Que samba na ponta do pé O alimento da alma é sonhar [...]

- Sou Favela, Banda Parangolé -

Assim, na medida em que o ato de estudar, como experiência estética, bem como as experiências acadêmicas, o fizeram vir a ser estudante, estudioso, acadêmico e docente, as suas experiências periféricas o fizeram vir a ser sujeito periférico. Como um contraponto, um contraste, as experiências de vida periférica o mostravam como era acadêmico, e as experiências acadêmicas o mostravam como era periférico. A partir de tal contraposição, reconheceu-se como sujeito periférico, ou seja, como sujeito que descobriu e tomou posse da sua condição, “que se transmutou de ser passivo em ser ativo dessa condição” (D’Andrea, 2013, p. 173). Nas palavras do autor, de periférico em si para periférico para si. Nesses mesmos termos, reconheceu-se como sujeito acadêmico, e acomodou ambas as condições em si.

CONCLUSÃO

Contidas nas narrativas autobiográficas do nosso sujeito biográfico/biografado estão os traços e as pistas que apontam para as suas condições particulares de êxito escolar, o qual foi fruto de influências diversas, diretas e indiretas, e de múltiplos fatores, pessoais e contextuais (familiares, sociais, culturais). Dentre as condições de sucesso apontadas pelas narrativas autobiográficas estão a presença da cultura escrita e do hábito da leitura no ambiente familiar, o acompanhamento, por parte da família, da sua vida escolar, a aquisição de um habitus voltado a uma relação positiva com os estudos e de um capital cultural na forma de bens e conhecimentos culturais, que foram adquiridos via capital social. Está, ainda, a sua relação com o saber, que, no seu caso em particular, configurou-se como uma experiência estética que veio a transformá-lo, levando-o a se relacionar consigo mesmo e com o mundo ao seu redor de uma maneira diferente da que vinha sendo até então. Das condições elencadas, merece especial consideração a experiência estética proveniente da sua relação com o saber por constituir um fator para o êxito escolar até então inédito na literatura do campo da Sociologia do Improvável.

Compreender as condições de êxito escolar de indivíduos de origem popular a partir de narrativas autobiográficas permite não apenas conhecer os fatores que levam a tal sucesso, mas possibilita também ao sujeito biográfico/biografado elaborar as suas experiências escolares/formativas, e dar a elas formas e significados próprios. Assim, a escrita de narrativas de formação, por permitir ao sujeito que se autobiografa elaborar os sentidos sobre si e sobre as suas vivências, constitui um terreno fértil para possíveis experiências estéticas por meio da palavra. E, na medida em que o estudo consiste fundamentalmente em exercícios de leitura e escrita, o estudo de si por meio do exercício autobiográfico pode nos mostrar que outros sujeitos também “venceram na vida” por meio dos estudos. Portanto, aprender sobre as condições de tal sucesso pode nos permitir, cada vez mais, dar vivas a quem vence a pobreza por meio dos estudos, e lutar para que mais vidas conheçam tal experiência de improvável sucesso.

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Recebido: 07 de Junho de 2022; Aceito: 15 de Fevereiro de 2024

Lucas Costa de Santana Licenciado em Ciências Biológicas pela Universidade Federal da Bahia (2018). Mestre em Educação pelo Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGEDU/FACED) da Universidade Federal da Bahia (2021).

Marlécio Maknamara Professor Associado do Centro de Educação da Universidade Federal da Paraíba

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