Introdução
A Síndrome de Burnout (SB), também chamada de Síndrome do Esgotamento Profissional, segundo Maslach e Leiter (2022), caracteriza-se como uma resposta ao estresse emocional crônico, resultante do contato direto e intenso com outras pessoas, particularmente quando estas estão preocupadas ou passando por dificuldades. No modelo proposto por esses pesquisadores, a SB é compreendida como um conceito multidimensional que abrange três componentes principais: 1) exaustão emocional, 2) despersonalização e 3) falta de envolvimento pessoal no trabalho. A exaustão emocional refere-se à condição em que os trabalhadores sentem que não podem mais se doar afetivamente; há um esgotamento total dos recursos afetivos e energéticos devido à constante exposição aos desafios do cotidiano laboral. A despersonalização envolve o desenvolvimento de sentimentos e atitudes negativas e cínicas em relação às pessoas destinatárias do trabalho, resultando em um endurecimento afetivo e na “coisificação” das relações interpessoais. A falta de envolvimento pessoal no trabalho caracteriza-se por uma tendência à “evolução negativa” do ambiente profissional, o que impacta a capacidade de desempenho das tarefas e a interação efetiva com os beneficiários do trabalho, comprometendo a relação com a própria organização.
Para Santos et al. (2023), apesar de a SB ser um tema de estudo desde os anos 1970, apenas em 2019 recebeu o reconhecimento oficial da Organização Mundial da Saúde (OMS) como um fenômeno relacionado ao trabalho. Esse reconhecimento resultou na sua inclusão na nova Classificação Internacional de Doenças (CID-11). Alguns dos motivos para isso consistem no considerável aumento nos problemas de saúde relacionados ao trabalho e na potencialização da precarização do trabalho durante a pandemia de Covid-19 afetando inclusive o período pós-pandemia (Neves; Fialho; Machado, 2021).
Uma característica importante da SB refere-se ao fato de que ela impacta especialmente profissionais que interagem continuamente e de maneira direta com outras pessoas, como os professores (Maslach; Leiter,2022). A docência é uma das categorias profissionais mais pesquisadas em relação ao burnout, devido aos graves impactos negativos na saúde física e mental dos educadores. Constatam-se crescentes níveis de desmotivação entre os professores, acompanhados de um aumento na frequência de afastamentos do trabalho e de uma intenção elevada de abandonar a profissão.
O estudo de Arvidsson et al. (2016) revela que a atividade docente é marcada por condições estressantes devido aos frequentes contatos sociais e ao alto nível de responsabilidade. Tais fatores têm despertado o interesse de pesquisadores em diversos países. As explicações para a SB entre professores são variadas, abrangendo altas jornadas de trabalho, falta de valorização, estruturas e materiais de trabalho inadequados e baixos salários. A precarização e a desvalorização do trabalho docente podem impactar diversas dimensões da prática e da identidade dos professores, podendo levar inclusive ao esgotamento profissional. A docência está entre as três carreiras com maior prevalência de SB, destacando a necessidade de pesquisas para entender e mitigar esse problema no ambiente educacional.
Desse modo, partiu-se da seguinte questão central: quais os principais problemas educacionais asseverados pela pandemia da Covid-19 apontados na literatura científica que precisam ser superados mediante políticas públicas de enfrentamento às consequências em tempos pós-pandêmicos? Para refletir criticamente sobre essa querela, desenvolveu-se esta pesquisa com o objetivo de sistematizar os principais problemas educacionais do período pandêmico que acarretaram maior precarização do trabalho docente e esgotamento nos professores apontados pela literatura científica na Web of Science (WoS) (2019-2023).
Destaca-se que esta pesquisa é parte do projeto “A precarização do trabalho docente asseverada na pandemia da Covid-19: políticas públicas para minorar o esgotamento profissional”. Obteve-se um financiamento através do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), além da Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap). Trata-se de um projeto interinstitucional em rede, abrangendo todas as regiões brasileiras, tendo sido desenvolvido por uma equipe multiprofissional composta por professores doutores de 18 universidades nacionais e internacionais.
Sabe-se que a literatura atual permite sistematizar estudos científicos consistentes que se debruçaram sobre a temática em tela, factíveis de elucidar problemas educacionais e direcionar ações e políticas para minorar a precarização do trabalho docente e, respectivamente, favorecer a compreensão do sofrimento psíquico docente, de modo a evitá-lo.
Metodologia
Antes de descrever o percurso investigativo realizado, importa mencionar que esta pesquisa respeitou os procedimentos éticos necessários, inclusive o seu projeto foi submetido ao Comitê Nacional de Ética em Pesquisa e aprovado com o Parecer nº 6.456.552.Mesmo trabalhando-se exclusivamente com artigos disponibilizados publicamente, houve o respeito às ideias dos autores, referenciando-as de acordo com as normas técnicas para garantir o crédito a eles devido. Somando-se a isso, no cuidado com a preservação e democratização dos dados da pesquisa, eles foram disponibilizados em acesso aberto no repositório Zenodo, com Digital Object Identifier (DOI) 10.5281/zenodo.15124464.
A pesquisa utilizou a abordagem qualitativa, com estudo do tipo revisão de escopo. A pesquisa qualitativa busca compreender os significados atribuídos às experiências, interpretando fenômenos complexos de forma descritiva e reflexiva, sem se preocupar com a mensuração quantitativa desses fenômenos (Neves; Fialho; Machado, 2021). A revisão de escopo é definida como um método que busca oferecer uma visão ampla acerca de um determinado tópico, fornecendo informações sobre conceitos, lacunas na literatura e direções para futuras pesquisas (Munn et al., 2022). Distingue-se da revisão sistemática principalmente por seu caráter exploratório, direcionado a estudos com diferentes metodologias para mapear o tema em questão. Em conformidade com essa especificidade, utilizou-se o protocolo Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses (Prisma) 2020, adaptado para revisões de escopo (Page et al., 2022).
Metodologicamente, o estudo foi realizado em seis etapas, a saber: 1) Definição do protocolo de busca que se adéqua à revisão integrativa, no caso, elegeu-se o Pecot (Stone, 2002); 2) Busca de literatura internacional na WoS da área educacional sobre burnout e precarização do trabalho docente; 3) Triagem com revisão em duplo anonimato com suporte da ferramenta Rayaan; 4) Sistematização dos dados no fluxograma Prisma 2020 (Page et al., 2022); 5) Processamento dos resultados no programa R pourles Analyses Multidimensionnelles de Textes et de Questionnaires (IRaMuTeq), versão 0.7 alpha 2 (Camargo; Justo, 2018); e 6) Análise categórica a partir do dendrograma hierárquico descendente, da árvore de similitudes e da nuvem de palavras.
No protocolo Pecot, cada letra significa uma característica do estudo. “P” indica a população do estudo, que neste caso são professores. “E” infere a exposição ou fator de risco, de modo que se relaciona à precarização do trabalho docente. “C” representa o comparador, mas neste caso não se aplica, porque não se objetivou comparar grupos profissionais de professores. “O” significa o desfecho (outcome), que envolve os descritores de busca: esgotamento profissional, esgotamento psicológico e SB. “T” indica o tempo elegido para a busca dos produtos objeto de estudo, ou seja, os anos de 2019 a 2023.
Definido o protocolo, foram estabelecidos e testados os descritores de busca e booleanos: (“Professor” OR “Teacher” OR “School Teacher” OR “Pre-School Teacher” OR “Kindergarten Teachers” OR “Teachers, Middle School” OR “Elementary School Teachers” OR “High School Teachers”) AND (“Work”) AND (“Professional Exhaustion” OR “Burnout, Professional” OR “Professional Burnout” OR “Occupational Burnout” OR “Burnout, Occupational” OR “Career Burnout” OR “Burnout, Career” OR “Burnout, Psychological” OR “Burnout Syndrome” OR “School Burnout” OR “Burnout, School”).
A coleta dos dados foi realizada em 12 de junho de 2023, para a qual se definiu como critérios de inclusão: artigos que abordem sobre esgotamento profissional de professores, na língua portuguesa, inglesa, espanhola ou francesa, em acesso aberto e revisado por pares. Já como critérios de exclusão foram: documentos diferentes de artigos - tais como livros, capítulos de livros, cartas ao editor ou trabalhos publicados em congressos e eventos -, artigos que não abordassem sobre esgotamento profissional de professores, que estivessem em idioma diferente dos elegidos ou que não estivessem disponibilizados em acesso aberto.
A busca pela literatura internacional no campo educacional foi realizada na WoS, mantida pela Clarivate Analytics, selecionada por abrigar mais de 1,9 bilhão de referências de mais de 171 milhões de registros, a partir da indexação de periódicos com rígidos critérios de qualidade (WoS, 2020). Dessa maneira, esse indexador consolidou-se como um dos mais importantes do mundo e é bastante recomendado para pesquisa bibliográfica por desenvolver sério acompanhamento do processo de propagação da informação científica a partir de índices de citações, ademais, na área da Educação, possui uma expressiva coleção que dissemina parte considerável das pesquisas qualificadas do mundo.
Em seguida, os documentos localizados com a busca foram exportados em formato BibTeX Bibliography Database para o programa Rayaan, onde foi possível gerar uma lista com os títulos, resumos e palavras-chave dos artigos para facilitar a localização e exclusão de documentos repetidos e enviar para a triagem dos professores doutores, avaliadores externos experts na temática, para a seleção mediante análise em duplo anonimato. Dessa maneira, com a organização dos produtos exportados no Rayaan, foram rapidamente excluídos os documentos que estavam repetidos e os que não eram caracterizados como artigos. Posteriormente, os artigos restantes foram encaminhados para a leitura e avaliação dos avaliadores, para a exclusão daqueles que não atendiam à temática em estudo. Ressalta-se que, em casos de divergências ou dúvidas na avaliação, inseria-se um terceiro avaliador, responsável pelo desempate.
Todo esse processo foi sistematizado seguindo as prescrições do Prisma, o que possibilitou melhor organização do fluxo de triagem, evidenciando a rigorosa aplicação dos critérios de inclusão e exclusão (Page et al., 2022), bem como o quantitativo final de artigos a serem lidos integralmente e analisados.
Os artigos selecionados, que atenderam aos critérios de elegibilidade, foram codificados e processados pelo programa IRaMuTeq, o que possibilitou a realização de cálculos estatísticos sobre o corpus textual para sistematizar as conexões temáticas, definir categorias e assegurar maior qualidade nas análises e interpretações realizadas (Fialho; Neves, 2022).
Resultados
A partir da busca com os descritores selecionados na WoS, foram localizados 90 documentos, que, após exportados ao Rayaan, foram triados quanto ao tipo de produto e pertinência temática. De início, retiraram-se sete textos repetidos e os quatro produtos diferentes de artigos, restando 79. Em seguida, houve a avaliação em duplo anonimato, na qual foram excluídos 46 artigos que não diziam respeito ao esgotamento profissional ou que não se centravam nos professores. Por fim, 32 artigos foram selecionados para serem estudados e discutidos na íntegra, todavia, mesmo selecionando apenas documentos de acesso aberto no filtro da WoS, constatou-se que cinco não estavam disponíveis na íntegra, também sendo excluídos da análise, restando, assim, 27 artigos. Todo esse processo de identificação, triagem e inclusão dos artigos, para a revisão sistemática, foi organizado no fluxograma Prisma com o objetivo de melhorar a compreensão leitora, como se demonstra na Figura 1.

Fonte: Dados da pesquisa em fluxograma Prisma 2020 (Page et al., 2022)
Figura 1 Fluxograma de seleção dos estudos incluídos
Após a leitura integral dos 27 artigos, iniciou-se o processo de codificação dos resumos para que fossem submetidos ao programa IRaMuTeq, com vistas a viabilizar uma análise lexical a partir das categorias mais destacadas na classificação hierárquica descendente (CHD), validadas pela Análise Fatorial de Correspondência (AFC).
O IRaMuTeQ é uma ferramenta de acesso aberto que auxilia na compreensão da estrutura do material escrito. Suas formulações se estruturam sobre o corpus, os textos e os segmentos de textos (ST). O conjunto de texto monotemático codificado pelos autores e submetido ao processamento pelo programa é denominado corpus. O corpus é composto pela reunião de texto - neste estudo, cada texto correspondeu aos resumos dos artigos que atenderam aos critérios de elegibilidade -e os ST são trechos dimensionados pelo software que contêm as palavras com significância estatística na elucidação das evidências veiculadas nos estudos examinados (Camargo; Justo, 2018).
Nessa trilha, o corpus textual formado pelos 27 resumos apresentou 5.573 ocorrências, 1.335 formas, sendo 741 com frequência única, denominadas hápax, que corresponderam a 13,3% das ocorrências e 55,51% das formas. A média de ocorrência por texto foi 206.41.
O dendrograma a partir da CHD repartiu o corpus em cinco classes diferenciadas por cores, cuja leitura é feita da parte superior para a inferior. Como lecionam Camargo e Justo (2018), a disposição das palavras obedece a uma ordem estatisticamente relevante, assinalada pelo valor de X2. As formas lexicais com maior força de ligação são as que apresentam X2 ≥3,84, indicado pelo P<0,05.
Como mostra a Figura 2, uma primeira partição criou dois subcorpus. O subcorpus da direita contém as classes 5 (rosa) e 4 (azul) e o da direta alberga as classes 1 (vermelha), 2 (cinza) e 3 (verde). A segunda divisão destacou a classe 1 das classes 2 e 3. A terceira segmentação manteve as classes 2 e 3 intimamente vinculadas em um mesmo nível. Igualmente, a quarta segmentação conectou a classe 4 imediatamente à classe 5.

Fonte: Dados da pesquisa (2023)
Figura 2 Dendrograma de CHD “evidências científicas sobre burnout em professores”
Embora a CHD aborde a mesma temática, burnout em professores, quanto mais próximas as classes estão, mais familiaridade temática possuem. Assim, é possível inferir que as classes 4 e 5 veiculam evidências conexas, semelhantemente ao que acontece com as classes 2 e 3. O nível de relação entre as cinco classes apresentadas na CHD também é constado por meio da AFC, consoante a Figura 3.
A maneira como os componentes das classes da CHD é distribuída nos quadrantes do plano fatorial informa o nível de relação entre eles, podendo ser classificada em nulo, baixo, moderado e acentuado. Destarte, observam-se as classes 2 (cinza) e 3 (verde) miscigenadas e predominantes no plano fatorial 1 (eixo horizontal à direita da imagem), portanto com uma acentuada relação de dependência temática. No plano fatorial 1 (eixo horizontal à esquerda da imagem), predomina, em maior parte, a classe 4 (azul), porém com uma proximidade moderada da classe 5 (rosa). No plano fatorial 2 (eixo vertical à direita e à esquerda da figura), a classe 1 (vermelha) se destaca, não obstante alguns de seus elementos se relacionarem com as outras classes próximas à linha horizontal.
No geral, do total de 156 ST, foram classificados 127 (81,41%). Esse nível de aproveitamento valida a pertinência do método da CHD para representar o conteúdo veiculado nos artigos analisados, pois, como critério para o uso dessa modalidade de apoio analítico lexical, de acordo com Camargo e Justo (2018), visa-se reter no mínimo 75%.
Da mesma maneira que a AFC distribuiu as formas ativas mais relevantes no plano fatorial e esclareceu as suas relações de proximidade temática, também ocorreu com as referências mais substanciais para representar a síntese das evidências científicas. Essa representação seguiu a codificação atribuída pelos pesquisadores para indicar precisamente os textos, seus autores e as classes da CHD, conforme Figura 4.

Fonte: Dados da pesquisa (2023)
Figura 4 AFC das principais referências representativas das evidências sobre burnout em professores
A AFC certificou as constatações da CHD, conferindo maior acurácia na elucidação das categorias temáticas pelos pesquisadores. A retenção dos ST foi maior na classe 1, com 35 (27,56%) ST. Em segundo lugar, despontou a classe 5, com 25 (19,69%) ST. Em terceira posição, ficou a classe 3, com 23 (18,11%) ST. As classes 2 e 3 apresentaram a mesma proporção de aproveitamento, cada uma com 22 (17,32%) ST. Como testificam Fialho e Neves (2022), a decifração das categorias é uma tarefa manual dos pesquisadores e aponta para a experiência investigativa lastreada no referencial teórico da pesquisa, e não apenas no processamento dos resumos pelo IRaMuTeQ.
A classe 2 conferiu significância principalmente para os termos “data” (X2 30,78), “teste” (X2 24,84), “questionário” (X2 24,72), “amostra” (X2 24,23), “conduta” (X2 24,23), “coleta” (X2 19,71) e “instrumento” (X2 15,14). Nesta classe, não houve a sobreposição de relevância de nenhum texto em relação a outro, possivelmente em razão de ser uma classe que aponta para as metodologias dos estudos presente em todos os textos. De tal maneira, pode-se denominá-la “metodologia de estudo”.
A classe 1, ao atribuir maior relevância para as formas ativas “burnout” (X2 24,27) e “requerer” (X2 15,37), bem como para as pesquisas de Darius, Voigt-Zimmermann e Böckelmann (2023), Dike et al. (2021), Salmela-Aro, Hietajärvi e Lonka (2019) e Sygit-Kowalkowska (2023), sugeriu a categoria “variedade de recursos”.
A classe 3 enfatizou as palavras “característica” (X2 29,77), “Síndrome de Burnout” (X226,14), “personalidade” (X2 19,83), “versão sérvia” (X2 19,71), “propriedade” (X2 19,16), “desenvolvimento” (X2 19,16) e “objetivo” (X2 15,4). Além delas, os estudos de Rocha et al. (2020), Tasic et al. (2020) e Villaverde et al. (2019) foram os maiores participantes na composição do vocabulário característico da classe. Nesse caso, a categoria identificada foi “características docentes”.
A classe 4 realçou os termos “significativo” (X2 49,21), “satisfação no trabalho” (X233,34), “negativo” (X2 28,48), “satisfação” (X2 23,48), “exaustão emocional” (X2 23,54), “estatisticamente” (X2 18,06) e “esgotamento profissional” (X2 18,06), como também o estudo de Anastasiou e Belios (2020), o que possibilitou a idealização da categoria “exaustão emocional vs. satisfação com o trabalho”.
A classe 5 ostentou com mais veemência as formas ativas “alto” (X2 39,14), “situação” (X2 16,14), “lidar” (X2 16,14) e “cinismo” (X2 16,14) e a pesquisa de Ribeiro et al. (2022), indicando a categoria “situações relacionadas ao trabalho”.
Discussão
As categorias identificadas a partir da interpretação das conexões da CHD foram: 1) metodologia de estudo; 2) variedade de recursos; 3) características docentes; 4) exaustão emocional vs. satisfação com o trabalho; e 5) situações relacionadas ao trabalho. Todas tratam da SB, porém cada uma enfoca uma dimensão específica, o que proporciona uma compreensão ampla e aprofundada do fenômeno. Congruente com a categoria “metodologia de estudo”, o Quadro 1 apresenta uma síntese metodológica dos estudos analisados nesta revisão.
Quadro 1 Metodologia dos estudos
Autor (ano) | Síntese metodológica |
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Douelfiqar, El Madhi e El Faylali (2022) | Pesquisa para a avaliação das propriedades psicométricas do Maslach Burnout Inventory (MBI), com 218 professores de escolas públicas de Marrocos. |
Piperac et al. (2021) | Estudo transversal para avaliar a validade e confiabilidade da Copenhagen Burnout Inventory (CBI), com 475 professores do ensino infantil da Sérvia. |
Tyunnikov et al. (2021) | Pesquisa com delineamento de survey realizada com 59 professores e 57 estudantes universitários, utilizando-se questionários, na Rússia. |
Tsubono e Ogawa (2022) | Estudo quantitativo e qualitativo realizado com dados de questionário on-line da Nation wide survey, com 138.651 professores de escolas públicas, no Japão. |
Salmela-Aro, Hietajärvi, Lonka (2019) | Pesquisa de identificação de perfis profissionais realizada com 149 professores de escolas secundárias, através de questionários, na Finlândia. |
Restrepo et al. (2021) | Estudo não experimental transversal conduzido com 110 professores de Instituições de Ensino Superior, através de questionários, na Colômbia. |
Ribeiro et al. (2022) | Estudo transversal desenvolvido com 200 professores do Ensino Fundamental e Médio de 18 escolas públicas, por meio de questionários, no Brasil. |
Bartosiewicz et al. (2022) | Estudo descritivo transversal realizado com 412 professores de escolas primárias e secundárias, através de questionários, na Polônia. |
Yarim (2021) | Metanálise realizada nas bases de dados National Center for Theme, EBSCO, Google Scholar, Dergipark e ULAKBİM, incluindo 41 teses e artigos científicos, na Turquia. |
Rocha et al. (2020) | Pesquisa para a avaliação das propriedades psicométricas do Copenhagen Burnout Inventory-Brazilian version (CBI-Br), com 676 professores e funcionários de universidades públicas, no Brasil. |
López-Vílchez et al. (2019) | Estudo transversal conduzido com 211 professores de educação secundária, através de questionários, em Portugal. |
Darius, Voigt- -Zimmermann e Böckelman (2023) | Estudo realizado com 192 professores da Educação Infantil, através de questionários e medições de nível sonoro, na Alemanha. |
Garcia-Arroyo e Segovia (2019) | Pesquisa realizada com 202 professores universitários de instituições públicas e privadas, através de questionários, no Equador. |
Polishchuk et al. (2022) | Estudo quantitativo conduzido com 90 professores da pré-escola, por meio de questionários, na Ucrânia. |
Almatrafi et al. (2022) | Estudo transversal quantitativo realizado com 354 professores da educação básica, através de questionários, na Arábia Saudita. |
Douelfiqar et al. (2023) | Pesquisa transversal descritiva realizada com 218 professores de escolas públicas de Ensino Médio, utilizando-se questionários, no Marrocos. |
Cortez-Silva et al. (2021) | Estudo correlacional transversal conduzido com 205 docentes que trabalhavam em instituições educativas nacionais, através de questionários, no Peru. |
Sygit- -Kowalkowska (2023) | Estudo realizado com 169 professores de centros de acolhimento juvenil e escolas públicas, através de questionários, na Polônia. |
Morska et al. (2022) | Pesquisa com método misto, envolvendo 140 professores de língua inglesa de 18 escolas, com um questionário e uma entrevista semiestruturada, na Polônia. |
Copkova (2021) | Estudo correlacional realizado com 241 professores de escolas profissionais secundárias, utilizando-se questionários, na Eslováquia. |
Villaverde et al. (2019) | Pesquisa correlacional, transversal e ex-post-facto, compreendendo 375 professores da educação básica pública, com questionários, no México. |
Pimenta et al. (2021) | Estudo quantitativo, descritivo e correlacional, com 65 professores de escolas públicas de Ensino Médio, através de questionários, no Brasil. |
Jodra e Domínguez (2020) | Pesquisa transversal conduzida com 65 docentes do Ensino Infantil, primário e secundário, por meio de questionários, na Espanha. |
Anastasiou e Belios (2020) | Pesquisa correlacional realizada com 125 professores de escolas primárias, através de questionários, na Grécia. |
Tasic et al. (2020) | Estudo transversal conduzido com 302 professores em instituições pré-escolares, com questionários, na Sérvia. |
Martel e Santana (2019) | Estudo quantitativo envolvendo 304 docentes universitários, utilizando-se questionários, na Espanha. |
Dike et al. (2021) | Pesquisa experimental envolvendo 58 professores de crianças com transtorno do espectro autista (TEA), os quais participaram de uma intervenção de ioga com terapia comportamental, com pré-teste, pós-teste e follow-up através de questionários, na Nigéria. |
Fonte: Próprios autores (2023).
Evidencia-se que 26 dos 27 estudos revisados foram classificados como pesquisas de campo (empíricas), representando 96,3% do total. Todos esses estudos adotaram questionários como método principal de coleta de dados. No entanto, houve casos de métodos complementares. Um estudo específico incluiu medições de nível sonoro (Darius; Voigt-Zimmermann; Böckelman, 2023), enquanto outro empregou entrevistas semiestruturadas (Morska et al., 2022).
A predominância dos questionários em estudos sobre a SB provavelmente decorre da influência dos estudos clássicos de e colaboradores (Maslach; Leiter, 2022) sobre o tema. Esses pesquisadores, além de estabelecerem a definição atualmente mais aceita de SB (Manzano-García; Ayala-Calvo; Desrumaux, 2021), desenvolveram um questionário para avaliar esse construto: o Maslach Burnout Inventory (MBI). Em decorrência disso, muitos estudos contemporâneos continuam a utilizar tal instrumento ou realizam novas pesquisas para modificá-lo e adaptá-lo a diferentes contextos.
Entre os estudos revisados, houve ainda uma pesquisa realizada através da metanálise de artigos e teses de doutorado, com foco na relação entre a satisfação no trabalho e o burnout profissional em organizações educacionais. A utilização desse método sobre a SB é essencial para sintetizar dados de múltiplos estudos, oferecendo uma visão complexa do fenômeno. Além disso, permite economizar recursos por ser uma alternativa eficiente à condução de novos estudos primários.
Identifica-se ainda uma variedade na localização dos estudos, refletindo diferentes contextos educacionais e socioeconômicos ao redor do mundo. A Europa emerge como o continente com maior representação nos estudos analisados, contribuindo com 51,9% do total. Em seguida, a América apresenta uma participação de 25,9%, seguida pela África, com 11,1%, e Ásia, com 7,4%. Uma pesquisa específica conduzida na Turquia, país que possui território em ambos os continentes, europeu e asiático, representa 3,7% dos estudos examinados.
Os principais países de estudo incluem Polônia (Bartosiewicz et al., 2022; Morska et al., 2022; Sygit-Kowalkowska, 2023), Brasil (Ribeiro et al.,2022; Rocha et al., 2020; Pimenta et al., 2021), Sérvia (Piperac et al., 2021; Tasic et al., 2020), Espanha (Jodra; Domínguez, 2020; Martel; Santana, 2019) e Marrocos (Douelfiqar et al., 2023; Douelfiqar; El Madhi; El Faylali, 2022), destacando a diversidade geográfica das pesquisas. Essa variedade reflete não apenas as diferentes realidades educacionais e socioeconômicas, mas também as estratégias diversas adotadas para compreender e enfrentar o burnout entre professores.
No que se refere à categoria “variedade de recursos”, destacam-se as interferências dos diferentes tipos de recursos na SB. O estudo de Sygit-Kowalkowska (2023), realizado com professores de escolas públicas e centros de acolhimento de jovens, evidenciou a influência dos recursos físicos do próprio docente. A exaustão entre os professores se mostrou associada às condições de trabalho a que são submetidos. Nesse mesmo sentido, a pesquisa de Darius, Voigt-Zimmermann e Böckelmann (2023), com professores da Educação Infantil, apontou para as demandas vocais como associadas à SB, podendo causar inclusive enxaquecas e dores no pescoço.
Os estudos de López-Vílchez et al. (2019), Salmela-Aro, Hietajärvi e Lonka (2019) e Tsubono e Ogawa (2022) identificaram que a falta de recursos materiais e financeiros contribui significativamente para o aumento do burnout entre professores. A insuficiência de materiais didáticos, tecnologias adequadas e apoio financeiro cria um ambiente de trabalho estressante, forçando os educadores a improvisarem para suprirem as carências, o que aumenta a carga de trabalho (Santos; Modesto, 2023). Isso gera frustração e sentimento de impotência e obriga muitos a usarem meios próprios a fim de suprirem as lacunas materiais e de formação, intensificando o estresse financeiro e emocional. Essas condições levam à desvalorização e desmotivação dos professores, impactando negativamente sua saúde mental e física. Isso está de acordo com as ideias de Miranda et al. (2024), os quais afirmam que a falta de recursos nas escolas afeta negativamente o trabalho e a saúde dos professores, criando um ambiente de ensino desafiador e estressante. A escassez de recursos gera sobrecarga adicional, exigindo mais tempo e esforço dos docentes para compensarem as deficiências, o que pode levar ao esgotamento físico e mental. A sensação de impotência diante dessas limitações também contribui para a desmotivação e diminuição da satisfação profissional, impactando negativamente a qualidade do ensino e a saúde dos professores.
A pesquisa de Tyunnikov et al. (2021), por sua vez, aponta para a relação entre recursos digitais e SB. O uso de mídias e recursos digitais exige mais esforço e tempo dos professores, que precisam estudá-los, integrá-los aos métodos tradicionais, corrigir trabalhos e se comunicar com os alunos. Isso reduz o tempo para descanso e vida familiar, causando estresse e frustração e levando ao burnout profissional. Nesse sentido, López-Vílchez et al. (2019) remetem aos professores como recursos humanos, indicando que o coletivo de docentes está exposto a fatores de risco psicossocial devido às intensas demandas de interação social inerentes ao seu trabalho, como ministrar aulas e participar de reuniões com pais. Esse contexto exige uma liderança adequada nas escolas para facilitar o trabalho dos docentes. Quando essa liderança é ausente, pode resultar em SB.
Dike et al. (2021) destacam a sensação de esgotamento dos recursos emocionais causada pela SB. Essa falta de recursos remete a uma das principais características da SB propostas por Maslach e Leiter (2022): a exaustão emocional. Como já mencionado, esse estado é resultado da constante exposição aos desafios e pressões do cotidiano laboral, levando os indivíduos a uma sensação de incapacidade para continuarem a desempenhar suas funções de maneira eficaz e com satisfação.
Sobre a categoria “características docentes”, destaca-se a relação entre o perfil dos professores e a incidência da SB. O estudo de Villaverde et al. (2019) evidenciou que os traços de personalidade desempenham um papel mediador no surgimento da SB, indicando que indivíduos com baixa sociabilidade expressiva, baixa tendência à organização e baixa capacidade de aceitação têm maior probabilidade de desenvolver a síndrome. Contudo, os autores ressaltam que a SB deve ser explicada de maneira multicausal, ou seja, a personalidade não é o único fator determinante para o seu aparecimento. Corroborando essa perspectiva, o estudo de Tasic et al. (2020) demonstrou que os traços de personalidade do modelo Big Five estão fortemente correlacionados com a SB. Agressividade, neuroticismo e valência negativa estão associados a maiores níveis de exaustão e cinismo, enquanto extroversão, abertura à experiência, valência positiva e conscienciosidade estão positivamente correlacionados com a eficácia profissional e negativamente com a exaustão e o cinismo.
Rocha et al. (2020) estabeleceram relações entre a SB e fatores psicossociais. O estudo evidenciou que, de maneira geral, as mulheres apresentam níveis mais elevados de burnout. Esse fenômeno é atribuído principalmente à dupla jornada de trabalho, às responsabilidades domésticas, aos papéis e expectativas sociais associados ao gênero, aos riscos de assédio sexual no ambiente de trabalho e violência doméstica, bem como à discriminação baseada no gênero. Professores mais jovens também apresentaram maiores níveis de burnout. Isso pode estar relacionado ao menor tempo de serviço, o que resulta em uma falta de estratégias positivas de enfrentamento para lidar com estressores pessoais e profissionais, além de características individuais. Douelfiqar, El Madhi e El Faylali (2022) mencionaram que professores de Matemática podem apresentar com mais frequência a SB, visto que essa matéria normalmente é vista pelos alunos como de difícil aprendizagem, o que pode acabar acarretando momentos e situações de alto estresse.
Por outro lado, o estudo de Jodra e Domínguez (2020) evidenciou que docentes que costumam realizar atividades físicas em níveis moderados ou altos tendem a ter efeitos benéficos em relação ao burnout. De todo modo, sabe-se que evitar o comportamento sedentário durante as atividades diárias, bem como incorporar a prática de exercícios, é um desafio para os professores, todavia esse tipo de prática se mostra como extremamente relevante para o bem-estar físico e psicológico dos trabalhadores.
Na categoria “exaustão emocional vs. satisfação no trabalho”, salienta-se a relação entre aspectos da SB e a satisfação dos professores com o seu trabalho. A pesquisa de Anastasiou e Belios (2020) indicou que a exaustão emocional pode variar conforme parâmetros de satisfação no trabalho, sejam eles intrínsecos ou extrínsecos. As condições de trabalho e a carga horária, por exemplo, tendem a diminuir a satisfação e aumentar o estresse dos professores. Em termos gerais, um aumento na satisfação no trabalho está associado à redução da exaustão emocional. Corroborando esses achados, Bartosiewicz et al. (2022) afirmam que a sensação de autoeficácia está relacionada tanto ao nível de satisfação no trabalho quanto ao nível de burnout entre os professores. Algumas circunstâncias, como a pandemia da Covid-19, podem impactar o nível de autoeficácia dos professores e sua satisfação no trabalho, predispondo-os à SB. Conforme apontado por Neves, Fialho e Machado (2021), a precarização do trabalho foi exacerbada durante a pandemia, destacando a necessidade urgente de implementar medidas de enfrentamento para aprimorar a qualidade do trabalho docente.
Polishchuk et al. (2022) concordam que há uma relação inversa entre o burnout profissional dos professores e sua satisfação no trabalho. Os autores concluem que a paixão pelo trabalho pode atuar como um agente contrariante ao burnout profissional, não sendo apenas seu oposto. Professores satisfeitos com seu trabalho tendem a apresentar baixos níveis de exaustão emocional e altos níveis de perfeccionismo e amabilidade. Os resultados de Almatrafi et al. (2022) complementam essas conclusões ao afirmarem que professores que se consideram forçados a realizar determinado trabalho demonstram maiores níveis de burnout. Esse achado sugere que a percepção de autonomia e escolha no trabalho é fundamental para a manutenção do bem-estar emocional dos professores.
A categoria “situações relacionadas ao trabalho” refere-se a diferentes contextos e/ou circunstâncias que podem afetar o trabalho do professor e estar associadas à incidência de burnout. O estudo de Ribeiro et al. (2022) examina a relação entre a SB e a violência ocupacional entre professores. Os resultados indicaram que a exaustão emocional e a despersonalização estão diretamente associadas a sofrer violência física e verbal, bem como a presenciar esses tipos de violência. Isso ressalta a importância de implementar medidas para promover um ambiente de trabalho mais seguro, favorecendo a saúde física e mental dos docentes.
A pesquisa de García-Arroyo e Segovia (2019) verificou uma relação entre a sobrecarga de trabalho e a exaustão emocional. Quanto maior o estresse causado pelo excesso de tarefas, mais os professores se sentem exaustos emocionalmente. No entanto, aqueles que adotam um enfrentamento ativo dessas situações tendem a apresentar menor exaustão emocional. Os autores destacam a importância de que os professores dediquem tempo adequado para planejar suas tarefas e cronogramas. Dessa forma, conseguem dividir melhor as atividades, evitando a sobrecarga e diminuindo os efeitos do burnout. Conforme Martel e Santana (2019), esse aspecto é especialmente relevante para professores de Arte e Humanidades, visto que, apesar de possuírem níveis mais altos de percepção emocional, demonstram maior esgotamento diante das demandas.
O estudo de Cortez-Silva et al. (2021) discute especificamente os efeitos do confinamento por conta da pandemia da Covid-19 e seus efeitos na SB. Nessa situação, os autores verificaram que, quando os professores que estão muito cansados emocionalmente perdem a sensibilidade e empatia, sentem que suas habilidades estão se deteriorando e têm uma sensação de fracasso, além de normalmente estarem insatisfeitos com seu trabalho. Por conta disso, o apoio social é fundamental, visto que promove a satisfação laboral e previne a SB, em especial, os sintomas de exaustão emocional. Morska et al. (2022) acrescentam que, no contexto do confinamento da pandemia, o uso frequente de novas tecnologias nas aulas on-line contribuiu em muitos casos para o aumento do burnout. Problemas técnicos, especialmente durante as aulas, geraram sentimentos de decepção, frustração e ansiedade e diminuíram a eficiência do desempenho profissional dos professores. Esses fatores apontam para a necessidade de apoio técnico e treinamento adequado para minimizar o impacto negativo das tecnologias no ambiente educacional.
Considerações finais
Este estudo teve como objetivo sistematizar os principais problemas educacionais do período pandêmico que acarretaram maior precarização do trabalho docente e esgotamento nos professores apontados pela literatura científica na WoS no período de 2019 a 2023. A partir dos estudos encontrados, identificaram-se cinco categorias: 1) metodologia de estudo; 2) variedade de recursos; 3) características docentes; 4) exaustão emocional vs. satisfação com o trabalho; e 5) situações relacionadas ao trabalho.
Os estudos analisados enfatizam a importância de criar ambientes de trabalho que promovam a satisfação dos professores, a fim de reduzir a exaustão emocional e, consequentemente, a SB. Programas de apoio que aumentem o bem-estar dos professores em seu ambiente de trabalho podem ser eficazes para atenuar os efeitos negativos de sobrecarga e exaustão.
A revisão de escopo encontrou pesquisas de diferentes partes do planeta: Europa, América, África e Ásia. Essa diversidade geográfica dos estudos sublinha a complexidade do fenômeno do burnout entre professores. Diante disso, é fundamental fomentar estratégias adaptativas e sensíveis aos contextos locais, com o intuito de reduzir os efeitos adversos sobre os docentes.
É importante também compreender as especificidades contextuais atreladas à SB, como as alterações provocadas pela pandemia da Covid-19. Assim, possibilita-se o desenvolvimento de intervenções adaptadas às necessidades reais dos professores no período pós-pandemia. A implementação de estratégias que promovam um ambiente de trabalho seguro, com apoio social e planejamento adequado das atividades, é essencial para reduzir a incidência de burnout e melhorar a qualidade de vida dos profissionais.
A precarização do trabalho docente tende a aumentar os níveis de estresse e insatisfação entre os professores, influenciando a incidência da SB, sendo essencial, portanto, que haja políticas públicas que contemplem melhores condições de trabalho para assegurar uma educação de qualidade e a saúde mental dos profissionais da educação. A promoção de ambientes de trabalho saudáveis, incluindo a redução da carga horária excessiva, a oferta de programas de apoio psicológico e a garantia de condições seguras de trabalho, é fundamental para o bem-estar dos educadores.
Como limitação, destaca-se que este estudo, por analisar apenas artigos disponíveis publicamente, pode ter deixado de lado algumas pesquisas que não estão em acesso aberto. Futuras pesquisas podem continuar a explorar as inter-relações entre os diversos fatores de satisfação no trabalho e suas influências sobre o burnout. Além disso, considera-se relevante realizar revisões de literatura sobre políticas educacionais e seus impactos nos níveis de burnout entre os professores. Compreendendo melhor o burnout de professores, torna-se possível elaborar estratégias eficazes para promover o bem-estar docente e, consequentemente, melhorar a qualidade da educação