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Revista Educação e Políticas em Debate

versão On-line ISSN 2238-8346

Rev. Educ. Polít. Debate vol.13 no.2 Uberlândia maio/apr. 2024

https://doi.org/10.14393/repod-v13n2a2024-73340 

DOSSIÊ - “INTERNACIONALIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO: TENDÊNCIAS GLOBAIS E DESAFIOS NACIONAIS”

As políticas educacionais e os adultos que regressam ao ensino superior na Bélgica francófona: quais modelos? Quais motivações? Quais obstáculos e quais os tipos de recursos utilizados?

Educational policies and adults returning to higher education in French-speaking Belgium: what models? What motivations? What obstacles and what types of resources are used?

Raehda Kabir

Mestrado em educação/Mestrado em ciências políticas

1 
http://orcid.org/0009-0002-7796-8071

Joiciane Aparecida de Souza

Doutorado em educação.

2 
http://orcid.org/0000-0002-0455-1155

1Doutorando em educação (Universidade Livre de Bruxelas). Haute Ecole Francisco Ferrer (Professor em pedagogia e sociologia da educação), Bruxelas, Bélgica. E-mail: raehda.kabir@he-ferrer.eu;

2Haute Ecole Francisco Ferrer (Professora em pedagogia e sociologia da educação), Bruxelas, Bélgica. E-mail: joiciane.desouza@he-ferrer.eu;


Resumo

Este artigo pretende discutir a problemática dos adultos em mudança profissional. Quais políticas educativas podem permitir uma integração harmoniosa desses adultos com pouca ou nenhuma formação acadêmica e, sobretudo, quais as motivações, obstáculos e recursos destes adultos que regressam aos estudos (Carré, 2020)? Existe aqui um verdadeiro desafio na luta contra o determinismo social e uma possibilidade de assumir plenamente o papel social emancipatório do ensino superior. Por meio de uma série de entrevistas e questionários com mais de sessenta adultos que regressam ao ensino superior na Bélgica francófona, iremos destacar as ocorrências e as recorrências nos discursos, assim como dados para entender os tipos de recursos utilizados, as motivações, os obstáculos e a importância das políticas educacionais para esse público específico devido à sua alteridade e às suas particularidades. Por fim, destacamos o modelo de formação mais adequado às necessidades e expectativas dos adultos que regressam ao ensino superior.

Palavras-chave Políticas educacionais; Andragogia; Motivações para aprender; Formação de adultos; Ensino superior

Abstract

This article aims to discuss the problem of adults undergoing professional change. What educational policies can allow for the harmonious integration of these adults with little or no academic training and, above all, what are the motivations, obstacles and resources of these adults returning to studies (Carré, 2020)? There is a real challenge here in the fight against social determinism and a possibility of fully assuming the emancipatory social role of higher education. Through a series of interviews and questionnaires with more than sixty adults returning to higher education in French-speaking Belgium, we will highlight occurrences and recurrences in discourses, as well as data to understand the types of resources used, motivations, obstacles and the importance of educational policies for this specific audience due to their alterity and particularities. Finally, we highlight the training model most suited to the needs and expectations of adults returning to higher education.

Keywords Educational policies; Andragogy; Motivations to learn; Adult training; University education

Résumé

Le présent article vise à discuter la problématique des adultes en mutation professionnelle. Quelles politiques éducatives peuvent permettre une insertion harmonieuse de ces adultes peu ou pas diplômés et surtout, quels sont les motivations, freins et atouts de ces adultes en reprise d’études supérieurs (Carré, 2020) ? Il y a ici un réel enjeu de lutte contre le déterminisme social et une possibilité d’assumer pleinement le rôle d’émancipateur social de l’enseignement supérieur. À travers une série d’entretien et des questionnaires sur plus d’une soixantaine d’adultes en reprises d’étude en Belgique francophone sur trois institutions d’enseignement supérieur, nous allons souligner les occurrences et les récurrences dans les discours et les données pour envisager les atouts, les motivations, les freins et l’importance des politiques éducatives pour ce public spécifique de par son altérité et ses particularités. Nous soulignons finalement le modèle de formation le plus adapté aux besoins et aux attentes des adultes en reprise de formation.

Mots clés Politiques éducatives; Andragogie; Motivations à l’apprentissage; Formation d’adultes; Enseignement supérieur en Belgique

Introdução

O retorno de adultos3 com baixas qualificações aos estudos é frequentemente apresentado como uma forma de combater o determinismo socioeconômico e educativo, oferecendo-lhes uma segunda oportunidade de formação e de inserção no mercado de trabalho. No entanto, este processo não está isento de dificuldades ou desafios, tanto para os indivíduos envolvidos como para as instituições que os acolhem. Neste contexto, quais são as políticas educativas que incentivam o regresso dos adultos ao ensino superior? Quais são as motivações, obstáculos e recursos desses adultos? Qual o modelo de formação mais adequado às suas necessidades e expectativas?

O retorno à escola é um fenômeno que preocupa um número crescente de adultos nas sociedades contemporâneas. De acordo com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE, 2019), a taxa de participação de adultos na educação formal ou não formal aumentou cinco pontos percentuais entre 2012 e 2018, passando de 40% para 45% em média nos países membros. Esta tendência pode ser explicada por vários fatores, como a necessidade de adaptar suas competências às evoluções do mercado de trabalho, o desejo de ter acesso a oportunidades profissionais ou pessoais, ou a procura de desenvolvimento pessoal.

Entre os adultos que regressam aos estudos em nível superior, uma categoria em especial chama a nossa atenção: são os adultos com baixas qualificações, ou seja, aqueles que não concluíram o ensino secundário ou que obtiveram um diploma do ensino secundário sem perspectivas de continuação do ensino superior. Estes adultos são frequentemente confrontados com situações de precariedade social e profissional (Van Zanten, 2021), associadas ao seu baixo nível de qualificação. Eles também estiveram mais propensos a enfrentar dificuldades ou fracassos escolares em seus percursos anteriores. A retomada dos estudos representa para eles uma oportunidade para se reconciliarem com o sistema educacional, valorizarem as experiências e os conhecimentos adquiridos e fortalecerem seu capital educacional.

O capital educacional é um conceito desenvolvido por Bourdieu (1980) para designar todos os recursos culturais e educacionais de um indivíduo e que lhe permitirá evoluir na sociedade com os códigos necessários à sua emancipação.

Este é um elemento importante para a compreensão da reprodução social, uma vez que o capital educativo é transmitido pela família, influenciado pelo meio social de origem e pela ligação que o indivíduo irá criar entre estas duas esferas. O capital educacional tem também um impacto na trajetória profissional e no status social dos indivíduos. Assim, o regresso aos estudos pode ser visto como uma estratégia que visa aumentar o capital educativo, através da aquisição ou validação de competências, dos conhecimentos e dos diplomas reconhecidos pela sociedade civil e, portanto, pelo seu círculo social.

Contudo, o retorno aos estudos não é um processo linear ou sem obstáculos (Bourgeois, 2006). Trata-se, portanto, de um processo dinâmico e multifatorial que deverá permitir ao aluno adquirir novos saberes (conhecimentos), saber-fazer e saber-ser/saber-estar. Os adultos que regressam aos estudos devem enfrentar múltiplos desafios, como a conciliação da vida familiar, profissional e acadêmica, o custo financeiro da formação, ou mesmo o sentimento de ilegitimidade face aos alunos ou professores mais novos. Eles devem também encontrar os recursos necessários para estimular a sua motivação e perseverança no seu projeto de formação (Carré, 2009).

A motivação é um conceito central na psicologia educacional, que se refere aos motivos que levam um indivíduo a agir ou a aprender. Existem diferentes tipos de motivação, dependendo do grau de autodeterminação do indivíduo. A motivação intrínseca corresponde ao fato de agir por interesse ou prazer, sem esperar recompensa externa. A motivação extrínseca corresponde ao fato de agir para obter uma recompensa ou evitar uma punição, sem sentir interesse ou prazer. Deci e Ryan (1985) propuseram a teoria da autodeterminação, que afirma que a motivação intrínseca é mais favorável à aprendizagem e ao bem-estar do que a motivação extrínseca. Segundo esta teoria, a motivação intrínseca depende de três necessidades psicológicas fundamentais: autonomia, competência e filiação social.

Nessa perspectiva, o retorno aos estudos pode ser analisado como uma escolha motivada por fatores intrínsecos ou extrínsecos, dependendo do grau de autodeterminação dos adultos (Bourgeois, 2006). Trata-se então de compreender quais são os fatores que influenciam a motivação dos adultos que regressam aos estudos no ensino superior e quais são os efeitos desse retorno aos estudos sobre sua motivação.

O objetivo deste artigo é, portanto, responder às seguintes questões: quais são as políticas educacionais que favorecem o retorno de adultos ao ensino superior? Quais são as motivações, os obstáculos e os tipos de recursos utilizados pelos adultos que regressam ao ensino superior? Qual o modelo de formação mais adequado às suas necessidades e expectativas?

Para isso, realizamos um estudo com 66 adultos que regressaram ao ensino superior na Bélgica francófona4, entre 2019 e 2021. Estes estudantes estão distribuídos em três estabelecimentos de ensino superior não universitários (“Haute Ecole”5), em faculdades de Pedagogia e, especificamente, em cursos de formação inicial de professores.

Nosso estudo possui uma abordagem qualitativa e quantitativa, visando combinar dados de diferentes fontes e métodos. Utilizamos três instrumentos de coleta de dados:

  • Entrevistas semi-estruturadas para o primeiro grupo, realizadas com 31 adultos que regressaram aos estudos, selecionados sem tomar em conta critérios de diversidade (idade, gênero, nível de estudos anterior, tipo de formação, estatuto profissional). Efetivamente, a diversidade da amostra foi significativa e aleatória. A única condição sine qua non era ser um “adulto que tivesse regressado aos estudos” (no sentido institucional e semântico (Van Zanten, 2021)), a escolha destes estudantes se baseia, portanto, numa abordagem aleatória que cumpre um critério de seleção mínimo (adultos que regressam aos estudos) (Albarello, 2003). As entrevistas centraram-se no percurso educativo e profissional dos adultos, nas suas motivações, nas suas dificuldades, nos seus recursos e nas suas expectativas em relação ao regresso aos estudos. As entrevistas foram gravadas, transcritas e analisadas com a ajuda do software Nvivo.

  • Questionários incluindo questões fechadas e abertas foram aplicados a um segundo grupo. As questões foram respondidas de forma voluntária por 35 adultos (diferentes do primeiro grupo) que retornaram aos estudos. As questões referiam-se às características sociodemográficas dos adultos, formações escolares e profissionais anteriores, situações atuais, planos de formação, motivações, satisfação e perseverança. Os questionários foram digitados e analisados pelo software SPSS.

  • Dados administrativos fornecidos por instituições de ensino superior belgas que acolhem adultos que regressam aos estudos (respeitando o “Regulamento geral de proteção de dados – RGPD”). Estes dados dizem respeito ao número e ao perfil dos adultos inscritos nos diferentes cursos de formação, à taxa de sucesso e à taxa de abandono dos adultos que regressam aos estudos. Esses dados não foram utilizados diretamente neste estudo, mas permitiram isolar antecipadamente o grupo de adultos que retornaram aos estudos e que poderiam participar de nossa pesquisa.

Quanto à distribuição dos questionários, ela foi realizada em três instituições de ensino superior, por meio de seus serviços de “Reconhecimento de competências adquiridas pela experiência (VAE)”6. Em geral, na Bélgica francófona, os adultos que regressam aos estudos estão inscritos nos serviços “VAE” das “Hautes Ecoles”. O fato de divulgarmos nossos pedidos e questionários através destes serviços nos permitiu otimizar as práticas de coleta de dados.

Os resultados do nosso estudo são apresentados em três partes: “Políticas educacionais que incentivam o retorno dos adultos ao ensino superior”; “As motivações, os obstáculos e os tipos de recursos utilizados pelos adultos que regressam aos estudos”, e “O modelo de formação mais adequado às necessidades e às expectativas dos adultos”.

Políticas educacionais que incentivam o retorno dos adultos ao ensino superior

Nosso estudo demonstra, assim como os estudos de Van Zanten (2021) que o retorno dos adultos aos estudos é influenciado pelas políticas educacionais implementadas em nível nacional e em nível institucional. Os elementos que justificam esta posição encontram-se nos dados recolhidos e analisados nos capítulos seguintes.

A nível francófono de ensino superior, identificamos dois tipos de políticas educativas que promovem o regresso dos adultos aos estudos:

As políticas de reconhecimento de competências e experiências adquiridas: são dispositivos que permitem aos adultos ter reconhecidas oficialmente as suas competências adquiridas através da experiência profissional ou pessoal. Estes dispositivos facilitam o acesso7 ao ensino superior de adultos que não possuem o diploma exigido: certificado de conclusão do ensino médio (“certificat d’enseignement secondaire supérieur - CESS)”. Eles permitem beneficiar de reduções ou dispensas no percurso de formação, dependendo do nível de domínio das competências esperadas. Na Bélgica francófona, existem dois tipos de reconhecimento de competências adquiridas: reconhecimento de competências, que diz respeito às profissões e qualificações profissionais; e o reconhecimento da experiência adquirida, que diz respeito a estudos superiores e habilitações acadêmicas (AEF-Europe, 2019). Este último é utilizado principalmente no ensino superior de curta duração (3 ou 4 anos de formação) e ele é submetido à gestão do estabelecimento acadêmico que recebe o pedido e que, posteriormente, vai propor internamente uma maneira de reconhecer e validar esta experiência.

As políticas de financiamento: são medidas que visam reduzir o custo financeiro do regresso de adultos aos estudos. Estas medidas podem assumir a forma de subvenções, empréstimos, reduções ou isenções de taxas de inscrição, ou ainda licenças remuneradas do trabalho durante a formação.

Na Bélgica francófona, existem vários tipos de financiamentos para o regresso aos estudos: 1) o “vale-formação”, que permite aos trabalhadores e aos desempregados beneficiar de uma ajuda financeira para seguirem uma formação profissional; 2) a “licença educação remunerada”, que permite aos trabalhadores do setor privado ausentar-se do trabalho para seguirem uma formação, mantendo seu salário; 3) a “licença para formação profissional”, que permite aos funcionários do setor público se afastarem do trabalho para seguirem uma formação, mantendo o salário, e 4) o “direito individual a formação”, que permite aos trabalhadores do terceiro setor beneficiar de créditos de tempo para seguirem uma formação (Service Public Wallon pour l’emploi et la formation professionnelle - Forem, 2021). Um outro ponto sobre as políticas de financiamento diz respeito ao decreto “Paisagem” que define o panorama do ensino superior e a organização dos estudos (07-11-2013/39681). Este decreto permite que os estabelecimentos de ensino superior que organizam a formação inicial de professores, possam oferecer formação em horário diferenciado, permitindo aos estudantes se integrarem ao mundo profissional do ensino diurno, utilizando o título chamado de “escassez”, se essa escassez pode ser justificada (artigo 20 – Decreto de títulos e funções – 04-11-2014/40701). Este dispositivo permite aos alunos beneficiarem de uma compensação financeira pelos serviços docentes e realizarem uma formação em horário diferenciado.

Os adultos que o desejarem podem, portanto, utilizar essas vias alternativas de acesso à formação.

Políticas institucionais que promovem o retorno de adultos ao ensino superior

A nível institucional, identificamos dois tipos de políticas educativas que incentivam os adultos a regressarem aos estudos:

Políticas de acessibilidade: são medidas que visam facilitar o acesso e a permanência dos adultos no ensino superior. Estas medidas podem assumir a forma de métodos educativos adaptados, como o ensino à distância, a formação em alternância, a formação modular ou mesmo a formação personalizada. Elas podem também assumir a forma de serviços de acompanhamento, como a orientação, o conselho, a tutoria, o coaching ou mesmo o apoio psicológico. Na Bélgica francófona, existem vários tipos de instituições que oferecem modalidades de ensino adaptadas aos adultos: 1) universidades abertas, que oferecem cursos universitários à distância; 2) instituições de ensino superior especializadas, que oferecem formações profissionais em alternância; 3) centros de educação permanente, que oferecem diferentes formações modulares; e 4) centros de validação de competências, que oferecem testes que permitem validar as competências adquiridas através da experiência (Agence francophone pour l’éducation - AEF-Europa, 2019).

Políticas de qualidade: são medidas que visam garantir a qualidade e a pertinência da formação oferecida aos adultos. Estes dispositivos podem assumir a forma de normas ou critérios que definem os objetivos, conteúdos, métodos e avaliações das formações. Eles podem também assumir a forma de procedimentos ou organizações responsáveis pelo controle ou melhoria da qualidade da formação. Na Bélgica francófona, existem vários tipos de instrumentos ou organismos ligados à qualidade da formação: 1) o quadro europeu de certificações (CEC), que permite situar as qualificações de acordo com um nível de referência comum; 2) o suplemento ao diploma (SD), que descreve as competências e os conhecimentos adquiridos associados a um diploma; 3) a agência de avaliação da qualidade do ensino superior (AEQES), responsável pela avaliação periódica dos programas e das instituições de ensino superior; e 4) o conselho superior de educação permanente (CSEP), responsável por emitir pareceres sobre políticas e práticas de educação permanente (AEF-Europa, 2019).

As motivações, os obstáculos e os tipos de recursos utilizados pelos adultos que regressam aos estudos

Para introduzir essa parte do artigo, focaremos nos estudantes da amostra de nossa pesquisa. Um total de 66 estudantes participaram do nosso estudo: 28 homens, 37 mulheres e um indivíduo que não deseja ter gênero. A média de idade é de 34 anos. O estudante mais jovem tem 21 anos e o mais velho 52 anos. No que diz respeito à formação de base destes alunos que regressam aos estudos, 29% deles possuem a graduação (ou seja, três anos de estudos no ensino superior com um diploma justificativo deste curso), 3% dos alunos já possuem o grau universitário de mestre e os estudantes restantes não possuem diploma do ensino superior. Em média, o tempo de interrupção dos estudos é de 12 anos.

Nosso estudo e nossa coleta de dados mostram que o retorno de adultos ao ensino superior é motivado por diversas razões, que se relacionam tanto com a motivação intrínseca quanto com a motivação extrínseca.

As principais motivações intrínsecas expressadas pelos adultos são: 1) o prazer de aprender, como relata um estudante: “Pessoalmente, eu retomei os estudos pelo prazer de aprender, uma forma de abordagem epistêmica. Temos que dizer a verdade, a Bélgica nos permite estudar com baixo custo. Então aproveitei a oportunidade, eu gosto de aprender, a matéria é interessante e os cursos são ricos em trocas e por isso resolvi estudar nesse sentido. »; 2) o desejo de cultivar-se; 3) a necessidade de se realizar ou se superar, e 4) o sentimento de realização pessoal.

As principais motivações extrínsecas manifestadas pelos adultos são: 1) a obtenção de um diploma, como nos conta um estudante: “Para mim o que importa é conseguir o diploma. Esta é a minha motivação suprema, quero poder transcender a minha condição social e a da minha família. Eu quero... eu quero provar para todos da minha família que eu consigo (obtenção do diploma). No final das contas é um pedaço de papel, mas tem muito valor na minha cultura. Eu não vou desistir.”; 2) a melhoria da qualificação profissional; 3) o acesso à uma promoção no trabalho ou à uma mudança na carreira profissional, como destaca outro estudante: Aqui, eu decidi me orientar via a VAE (validação de competências e experiência adquiridas) porque depois da Covid percebi que poderia perder o meu emprego (trabalho). Na verdade, sei que tenho as competências porque estou no mundo do trabalho há dez anos e sou perfeitamente poliglota, mas faltava-me um documento que comprovasse que eu sou capaz e competente. Eu precisava estudar e ter um diploma para conseguir um emprego que me agradasse…”, e 4) a resposta a uma exigência ou oportunidade profissional (Carré, 2020).

Nossa análise por meio das entrevistas também mostra que a retomada dos estudos pelos adultos é dificultada por múltiplos obstáculos, que estão relacionados a fatores pessoais, institucionais e contextuais. Os principais obstáculos pessoais enfrentados pelos respondentes são: 1) falta de tempo; 2) falta de dinheiro; 3) falta de autoconfiança, como ressalta um estudante: “Sinceramente, eu não tinha tempo de voltar a estudar e quando encontrei a formação com horário diferenciado, fiquei feliz em poder dizer a mim mesmo que conseguiria estudar. Por outro lado, tenho muito medo de não ser capaz de prosseguir os estudos. Você sabe, eu tenho pouca autoconfiança, as pessoas ao meu redor não acreditam muito em mim e eu sou deixado por conta própria na minha formação...” , e 4) a falta de apoio familiar.

Durante seu estudo para conhecer melhor o público que retorna aos estudos em uma universidade de letras, línguas, artes - ciências humanas e sociais (LLA-SHS) na França, Canals (2020) também observou que entre suas dificuldades, a falta de tempo era frequentemente destacada pelos estudantes. Para a maioria deles, trata-se de “partilhar (o tempo) entre trabalho, família e formação”. (Canais, 2020, p.110).

Os principais obstáculos institucionais encontrados pelos adultos são: 1) falta de informação; 2) falta de adaptação, como diz um estudante: “Retomar os estudos foi para mim um projeto de vida. Depois foi um desejo num contexto em que eu não tinha realmente esperança de poder retomar os estudos porque já fazia muito tempo que tinha saído dos “bancos da escola”. O que mais me preocupou durante o regresso aos estudos foi a dificuldade de adaptação à instituição de formação. Em diversas ocasiões, disse ao professor titular da turma que eu tinha dificuldades de gerir o meu percurso de formação e de me adaptar às expectativas do corpo docente.»; 3) falta de reconhecimento, e 4) falta de acompanhamento, como explica outro estudante: “Entre nós, o projeto é interessante e a retomada dos estudos é um desafio para meus colegas e para mim, mas a grande dificuldade é que o acompanhamento neste processo não está presente. Tive que preencher sozinho meu dossiê de admissão e me orientar na Haute École sem apoio específico, mas não importa. Estou motivado a terminar meus estudos para mostrar que o elevador social existe. Eu vou conseguir...”.

Os principais obstáculos contextuais encontrados pelos estudantes adultos são a falta de emprego, a falta de mobilidade profissional, a falta de flexibilidade e a falta de valorização.

Finalmente, nossa investigação mostra que o regresso de estudantes adultos aos estudos é apoiado por diferentes tipos de recursos, que estão relacionados com fatores pessoais, institucionais e contextuais. Os principais recursos pessoais mobilizados pelos adultos são a experiência profissional ou pessoal, as competências transversais ou específicas, a autonomia e responsabilidade, a motivação e a perseverança. Já os principais recursos institucionais utilizados pelos adultos são os sistemas de validação de competências anteriores, os sistemas de financiamento, os métodos educativos adaptados e os serviços de acompanhamento. Os principais recursos contextuais mobilizados pelos adultos são o apoio familiar, social ou profissional; as redes de cooperação formais ou informais; as oportunidades profissionais ou pessoais, e o reconhecimento social ou profissional.

No quadro seguinte, enumeramos as respostas dos estudantes que acabamos de analisar. Esses dados foram coletados via as entrevistas semi-estruturadas e os questionários que realizamos.

Quadro 1 As motivações e os obstáculos dos adultos que regressam ao ensino superior. 

Níveis de motivação Itens Média Desvio-padrão
Motivação intrínseca (Resposta de 83% dos participantes) Prazer em aprender 4.2 0.8
Desejo de cultivar-se 4.1 0.9
Necessidade de se realizar ou se superar 3.9 1.0
Sentimento de realização pessoal 4.0 0.9
       
Motivação extrínseca (Resposta de 81% dos participantes) Obtenção de um diploma 3.8 1.1
Melhoria da qualificação profissional 3.7 1.2
Acesso à uma promoção no trabalho ou à uma reconversão profissional 3.5 1.3
Resposta a uma exigência ou oportunidade profissional 3.2 1.4
       
Obstáculo pessoal (Resposta de 79% dos participantes) Falta de tempo 3.1 1.3
Falta de dinheiro ou de financiamento 3.4 1.3
Falta de autoconfiança 2.9 1.4
Falta de apoio familiar 2.7 1.5
       
Obstáculo institucional (Resposta de 66% dos participantes) Falta de informação 2.8 1.4
Falta de adaptação 2.6 1.5
Falta de reconhecimento 2.5 1.6
Falta de acompanhamento 2.4 1.6
       
Obstáculo contextual (Resposta de 64% dos participantes) Falta de emprego 3.3 1.3
Falta de mobilidade profissional 3.1 1.5

Fonte: Preparado pelos autores (2023).

O modelo de formação mais adequado às necessidades e às expectativas dos adultos

Vários estudos destacam a necessidade, para os estudantes que retornam ao ensino superior, de um acompanhamento adequado, porque “engajar-se nessa iniciativa (retomada dos estudos) não se baseia apenas na motivação, mas também e sobretudo numa oferta de formação compatível com a sua organização material e cotidiana” (Canals, 2020, p. 110).

Os resultados do nosso estudo vão na mesma direção e mostram que o retorno dos adultos ao ensino superior envolve um modelo de formação específico, que leve em consideração suas necessidades e expectativas.

Durante as entrevistas e a coleta de dados via questionários, identificamos quatro características essenciais para que este modelo de formação seja óptimo e eficiente. É importante salientar que as respostas podiam ser cumulativas:

  • Flexibilidade: Como apontam 61% dos participantes da pesquisa, consiste em permitir que os adultos escolham o ritmo, o local, o modo e a duração da sua formação, dependendo da sua situação pessoal e profissional. A flexibilidade também envolve reconhecer a diversidade de perfis e de percursos dos adultos e oferecer formações personalizadas e modulares.

  • Qualidade: Para 82% dos respondentes, consiste em garantir aos adultos uma formação que corresponda às normas acadêmicas e profissionais vigentes, que seja atualizada e relevante em relação às evoluções do mercado de trabalho, que se baseie em métodos de ensino ativos e participativos, que seja avaliada regularmente e seja certificada oficialmente. A noção de subjetivação aqui assume todo o seu sentido. É necessário que os estudantes adultos compreendam a razão da sua aprendizagem com conteúdos e formadores de qualidade (Burguês, 2018).

  • Acompanhamento: Como demonstrado por 85% dos participantes, consiste em apoiar os adultos ao longo do seu percurso formativo, oferecendo-lhes orientações, conselhos, tutoria, coaching ou serviços de apoio psicológico. O acompanhamento envolve também promover a integração social e acadêmica dos adultos, oferecendo-lhes espaços de trocas e de colaboração com outros estudantes e com os professores. Podemos enfatizar aqui a importância do companheirismo cognitivo. O formador deve ser: coach, formador, acompanhante, guia, supervisor, etc. (Legenda, 2005).

  • Valorização: Como indicam 74% dos respondentes, consiste em reconhecer os conhecimentos e as competências dos adultos, permitindo-lhes o acesso a diplomas ou a qualificações reconhecidas no mercado de trabalho. A valorização envolve também promover o regresso dos adultos aos estudos como uma abordagem positiva e enriquecedora para os indivíduos e para a sociedade.

Os principais desafios que as instituições de ensino superior enfrentam hoje são, portanto, facilitar esse regresso aos estudos por meio de percursos personalizados e organizar as condições de sucesso (Canals, 2020, p.111).

Conclusão

O regresso aos estudos é um fenômeno que diz respeito a um número crescente de adultos nas sociedades contemporâneas. A questão da emancipação socioeconômica numa sociedade em constante mudança é o elemento central do nosso artigo. O regresso aos estudos representa uma oportunidade para os adultos com baixas qualificações de lutarem contra o determinismo socioeconômico e educativo, oferecendo-lhes uma segunda oportunidade de formação e de integração profissional. Esse retorno representa também um desafio para os indivíduos envolvidos e para as instituições que os acolhem, envolvendo múltiplos obstáculos e questões.

Nosso estudo buscou apresentar diversas contribuições ao campo de pesquisa sobre o retorno dos adultos aos estudos. Ele permite compreender melhor os fatores que influenciam esse regresso, bem como os efeitos desse retorno nas trajetórias sociais e profissionais desses adultos. Como aponta Van Zanten (2021), esses regressos aos estudos permitem lutar contra as precariedades sociais e econômicas.

Nosso trabalho permite também propor caminhos para melhorar as políticas educativas a favor do regresso dos adultos aos estudos, tendo em conta as suas necessidades e expectativas. Esses caminhos se enquadram no fortalecimento do capital educacional como proposto por Bourdieu (1980).

Nosso estudo mostrou que a retoma dos estudos é influenciada pelas políticas educativas implementadas a nível nacional e institucional, que visam facilitar o acesso, o financiamento, a qualidade e o reconhecimento da formação oferecida aos adultos.

Estas políticas fazem parte de um movimento de institucionalização da educação de adultos que visa expandir o acesso à educação e à formação, independentemente da idade e do fato do adulto estar empregado ou não. Elas contam com o apoio de grandes organizações internacionais como a UNESCO (Organização das Nações Unidas para a educação, a ciência e a cultura), a OCDE e a União Europeia. Tais políticas por uma educação ao longo da vida inscrevem-se, portanto, num desejo de lutar contra uma certa segregação educativa ou social baseada na idade: “Um sistema escolar que vise a igualdade não deve mais apenas facilitar a transição de um nível de ensino para o outro ou apenas favorecer um aumento na taxa de sucesso acadêmico. Ele deve também permitir que os indivíduos regressem aos estudos em diferentes momentos das suas vidas, por diversas razões. » (Doray et al, 2012, p. 76)

Nosso estudo demonstrou também que o retorno dos adultos aos estudos é um processo complexo e multidimensional, que envolve fatores pessoais, institucionais e contextuais. Ele mostra que os adultos que regressam aos estudos são motivados por várias razões, que dizem respeito tanto à motivação intrínseca como à motivação extrínseca. É nesse sentido que o referencial teórico proposto por Bourgeois (2006) corresponde à nossa pesquisa. Efectivamente, a retomada dos estudos não é linear e imutável. É, portanto, um processo em constante mutação e regulação interna (Carré, 2020).

O regresso aos estudos tornou-se, portanto, uma realidade para muitos adultos que abandonaram os estudos e que efectivamente regressaram (Doray et al, 2012), mesmo que eles encontrem diversos obstáculos, os quais têm relação principalmente com os itens anunciados anteriormente neste parágrafo. No entanto, nosso trabalho constatou também que os adultos que regressam aos estudos utilizam diferentes tipos de de recursos importantes, que decorrem de fatores intrínsecos, estruturais e dos contextos sociais nos quais eles estão inseridos.

Nossa pesquisa fornece também novos elementos sobre os efeitos do retorno aos estudos no capital educacional e na motivação intrínseca dos adultos. Ela mostra que o regresso aos estudos tem efeitos positivos no capital educativo dos adultos, ao permitir-lhes adquirir ou validar competências, conhecimentos e diplomas. Ela demonstra também que o retorno aos estudos tem efeitos positivos nas suas motivações intrínsecas, proporcionando-lhes prazer, sentido e autonomia nas suas aprendizagens. No entanto, estes efeitos não se traduzem necessariamente numa melhoria de suas situações socioprofissionais, que depende também do contexto econômico, do mercado de trabalho e do setor de atividade.

A nossa análise sugere finalmente que o regresso aos estudos de adultos requer um modelo de formação específico, que leve em conta as suas necessidades e expectativas. Ela identifica quatro características essenciais para que este modelo de formação dure a longo prazo e que seja eficiente: flexibilidade, qualidade, acompanhamento e valorização. Conforme apontado por Doray et al (2012), é necessário elaborar políticas mais adaptadas que possam contribuir para o retorno aos estudos, bem como para a perseverança acadêmica dos adultos que estão nesse contexto.

Esperamos que o nosso estudo contribua para enriquecer o debate sobre o regresso aos estudos dos adultos e para alimentar as reflexões sobre as políticas educativas a serem implementadas para incentivar esse processo. Acreditamos que a retomada dos estudos é uma alavanca potencial no combate ao determinismo socioeconômico e educacional, mas que também requer apoio adequado e reconhecimento social. Acreditamos também que o retorno aos estudos é fonte de desenvolvimento pessoal e profissional para os indivíduos, mas também exige motivação e perseverança constantes. Por fim, acreditamos que a retomada dos estudos é uma oportunidade para as instituições, mas que também envolve adaptação e inovação permanentes.

3No quadro da nossa pesquisa, os “adultos que retornam aos estudos” são todas as pessoas a partir de 18 anos que interromperam os estudos e que regressam à uma formação de ensino superior para obter um diploma. Os adultos que frequentam a formação inicial diretamente após o final da escolaridade (escolaridade obrigatória até os 18 anos) não são considerados como “adultos que retornam aos estudos” na nossa pesquisa.

4A Bélgica possui três línguas nacionais e três comunidades linguísticas: a Comunidade francesa, a Comunidade flamenga e a Comunidade germanófona. O ensino está sob a jurisdição das Comunidades e os regulamentos sobre o ensino diferem, portanto, de acordo com cada Comunidade. No entanto, certos aspectos, como a escolaridade obrigatória, são regidos por uma lei federal que se aplica às três comunidades. A educação francófona na Bélgica é, portanto, regulamentada pelo Ministério da Federação Valónia-Bruxelas.

5As “Hautes Ecoles” são estabelecimentos de ensino superior não universitários belgas que diferem das universidades por seus estudos mais curtos (3 anos em vez de 5) e menos caros. A sua abordagem pedagógica é bastante concreta, pragmática e focada no aspecto prático da profissão, enquanto a abordagem universitária é mais teórica e abstrata. São estudos que dão acesso direto à profissão. No caso do público de nossa pesquisa, ele tem acesso a profissões relacionadas à educação, principalmente nas escolas.

6O “reconhecimento de competências adquiridas pela experiência – VAE” na Bélgica permite aos estudantes que possuem uma experiência profissional ou pessoal que pode ser reconhecida, e que pretendem regressar ao ensino superior, obterem: dispensa de cursos, redução do percurso de formação ou acesso ao Mestrado sem cumprir os requisitos acadêmicos anteriores.

7O ensino superior belga francófono é composto por três tipos de instituições: universidades, Hautes Ecoles e Ecoles supérieures des Arts-ESA (Escolas superiores de Arte). O acesso à maioria dos estudos superiores de graduação exige a apresentação de um certificado de conclusão do ensino médio (CESS) ou equivalente, e o pagamento de taxas de inscrição específicas ao estabelecimento. O acesso a determinadas Escolas superiores de arte (ESA) ou cursos universitários (engenharia civil, medicina, ciências dentárias) necessita da realização de um exame de admissão. As taxas de inscrição para estudar num estabelecimento de ensino superior variam segundo o tipo de ensino e a situação do aluno (por exemplo: com bolsa ou não, cidadão belga ou da União Europeia, ou cidadão de um estado que não faz parte da União Europeia União). A Federação Valónia-Bruxelas enumera os estabelecimentos reconhecidos, todos públicos. Considera-se que qualquer estabelecimento de ensino superior não listado neste registro oferece ensino privado. E qualquer diploma emitido por um estabelecimento que não esteja abrangido pelo referido registro não atesta um grau acadêmico reconhecido pela Federação Valónia-Bruxelas.

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Recebido: 31 de Outubro de 2023; Aceito: 11 de Janeiro de 2024

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