INTRODUÇÃO
Dinamicidade? Resolutividade de problemas? Estudos de casos aplicados? Mudanças constantes de metodologia? Afinal, o que os estudantes do ensino superior, millenials e geração Z (todos nascidos entre as décadas de 1990 e o início do século XXI), enxergam como competência essencial ao professor de ensino superior para que o processo de ensino e aprendizagem seja bem-sucedido?
A urgência das gerações contemporâneas presentes no ensino superior atualmente, impõe e demanda transições nas “formas de ensinar”. Essa modificação relevante impacta também nas competências necessárias ao professor frente a esse processo. De acordo com Perrenoud (2014), as competências se relacionam com a mobilização de recursos para o enfrentamento de determinadas situações, e estão associadas a quatro aspectos: não são saberes e atitudes, mas os mobilizam diretamente; são singulares; passam por operações mentais complexas e permitem adaptação às situações e são instruídas tanto na formação quanto na experiência rotineira de docência.
Apesar dos diversos enfrentamentos passados pela sociedade, é necessário reformular estratégias educacionais (BAUMAN, 2011) e competências docentes (PERRENOUD, 2014). No que tange ao público em estudo, Freitas et al. (2019) já discutem a importância dessas reflexões acerca da prática docente diante desse perfil, que representa o maior público hoje nos cursos superiores brasileiros, como demonstra o censo da educação superior do ano de 2019 (INEP, 2021). De uma população universitária total de 8,6 milhões de estudantes, cerca de 1,8 milhão estudam em IES públicas e 6,8 milhões em IES privadas. Os millenials representam 81% do total de alunos, considerando a faixa etária de 18 a 34 anos. Quando se trata somente as IES públicas, o percentual destes sobe para 88%, analisando os estudantes matriculados no ano de 2019 (INEP, 2021).
Nesse sentido, pode-se inferir que é imperiosa a demanda de uma nova postura docente frente ao desafio de educar discentes com competências superiores em tecnologia, entretanto, com comportamento imediatista ou, como já dizia Bauman (2011), que vivem em tempos de modernidade líquida.
Esta pesquisa busca identificar quais competências do docente no ensino superior, listadas por Freitas et al. (2019), são consideradas mais importantes pelos discentes, pertencentes as gerações Y e Z, oriundos de IFES (Instituição Federal de Ensino Superior) no Brasil.
COMPETÊNCIAS DO DOCENTE
Nas ciências da educação e do trabalho, identifica-se um amplo consenso em torno da seguinte definição: a competência é o poder de agir com eficácia em uma situação, mobilizando e combinando, em tempo real e de modo pertinente, os recursos intelectuais e emocionais (PERRENOUD, 2013). As competências passam a ser consideradas como o produto da aprendizagem e, ao mesmo tempo, como fundamento da ação humana.
Com Perrenoud, que tem uma base teórica na obra de Jean Piaget, denota-se uma abordagem construtivista na qual as competências são abordadas como possibilidade de inclusão, de formação integral do indivíduo e de desenvolvimento (BEHAR,2013). Entendemos por “competências profissionais” o conjunto formado por conhecimentos, posturas, mas também as ações e as atitudes necessárias ao exercício da profissão de professor. Essas competências são de ordem cognitiva, afetiva, conativa e prática. São também duplas: de ordem técnica e didática na preparação dos conteúdos e de ordem relacional, pedagógica e social e na adaptação às interações em sala de aula (ALTET, 2008).
Para Almerich et. al (2016), as competências pedagógicas referem-se à série de conhecimentos e competências que os professores possuem e que lhes permitem empregar os recursos tecnológicos na concepção curricular, no desenvolvimento profissional e na planificação do seu próprio ensino e organização das aulas. No contexto de trabalho, as competências constituem um conjunto complexo de comportamentos que demonstram a capacidade profissional de utilizar harmoniosamente os seus conhecimentos, experiências, competências, disposições, atitudes e valores para abordar, resolver ou agir em situações do mundo pessoal, profissional, cívico e social (VILLARROEL; BRUNA, 2017).
Cunha (1989) aponta cinco grupos de habilidades de ensino em relação aos bons professores, a saber: organização do contexto da aula; incentivo à participação do aluno; trato da matéria de ensino; variação de estímulo; e uso da linguagem. No intuito de categorizar as competências pedagógicas necessárias ao docente universitário, Masseto (2012) indica: mediar o processo de aprendizagem; aperfeiçoar a capacidade de pensar; construir um processo coletivo de aprendizagem; dominar o uso das TIC’s; desenvolver o processo de avaliação; e implantar técnicas participativas.
GERAÇÃO MILLENNIALS
A geração dos millennials, também conhecida como a geração Y ou geração Net, é um termo usado para descrever os indivíduos da geração nascida entre as décadas de 1980 e 1990. Podem ser considerados os indivíduos nascidos entre 1982 e o ano 2000 (ROBB, 2014; HOWE; STRAUSS, 2000). A geração seguinte, ou Z, é considerada como pós-milenar (TAPSCOTT, 2009), com pessoas nascidas entre meados de 1990 ao início de 2010.
As características únicas desses indivíduos criam empolgantes desafios nos campi universitários e nos locais de trabalho em que atuam. Eles são emergentes de uma geração mais experiente em termos tecnológicos, pertencem a primeira geração na sociedade em que estes avanços são aceitos como naturais. A geração dos millennials tem habilidades multitarefas, além de qualquer uma já vista nas gerações anteriores. Além disso, com uma grande experiência de consumo por meio da Internet, habituou-se a progressivas melhorias de produtos e serviços com base no feedback dos consumidores e nos desejos e necessidades em constante mudança (OLSON, 2009).
Howe e Strauss (2000), mencionam sete características principais desta geração: focado na realização; confiante; convencional; pressionado; protegido; especial e orientado para a equipe. A geração dos millennials é descrita como tendo um foco na interação social e na “conectividade”, via mensagens instantâneas, conversas no celular ou mensagens de texto, com amigos, família e colegas, e preferindo abordagens baseadas em grupo para estudar e atividades sociais (MCMAHON; POSPISIL, 2005; GALLARDO-ECHENIQUE et.al., 2015).
Os millennials interagem com a tecnologia como nenhuma outra geração anterior e isso está afetando a forma como desejam participar do ensino superior e como pretendem liderar e serem liderados nas organizações, após a formatura. Eles são propensos em quebrar as regras ou protocolos, altamente conectados tecnologicamente e muito mais abertos a experimentar novos conceitos do que seus pais ou avós jamais foram (BERNARDI, 2018). Essa orientação leva a um uso mais adequado das TIC’s (Tecnologias de Informação e Comunicação) em sala de aula, visando um melhor aprendizado. Estão mais familiarizados às novas plataformas disponibilizadas para o acesso e acompanhamento dos encontros, fóruns de discussão e outros recursos. Para Fonseca et al. (2014), ao recorrer à tecnologia, no ensino à distância, é possível capturar a atenção dos alunos, com incentivos na entrega de vídeos e áudios editados, aumentando o interesse pelos novos desafios da nova era digital.
No entanto, segundo Au-Yong-Oliveira et al. (2018), ainda são poucos estudos realizados sobre como ensinar a geração dos millennials, o que eles esperam do ensino superior e o que eles pensam sobre liderança e os ingredientes para o sucesso (BARRON; NOVAK, 2017; LOURENCO; CRONAN, 2017; MCGLYNN, 2005), revelando ser um tema bastante importante a ser abordado, por esta ser uma geração muito representativa, mais ameaçadora e excitante, desde que os baby boomers trouxeram a revolução social.
Como “nativos digitais”, são considerados usuários sofisticados de tecnologia (PRENSKY, 2001). No entanto, estudos realizados revelam que o uso e a percepção da tecnologia por alunos com essas habilidades não demonstram as profundas mudanças esperadas para o ensino e aprendizagem no ensino superior (CAVIGLIA et. al, 2018). Por exemplo, Gallardo-Echenique et al. (2015) descobriram, pesquisando mais de 200 alunos matriculados em um módulo on-line, que os alunos não gostavam de usar a tecnologia para interagir com seus colegas e instrutores. Além disso, Sorensen (2018) sugere que a visão dos alunos como nativos digitais é estreita e pode até estar errada. Nesta linha, Desmurget (2020), critica esta visão de nativos digitais como uma casta superior de conhecimento; para ele, grande parte do uso da tecnologia por estudantes está relacionado ao ócio e não ao aprendizado, afirmando, que eles podem ser capazes de pular entre o Facebook e o Twitter enquanto carregam uma selfie no Instagram e enviam uma mensagem de texto, mas, quando se trata de avaliar as informações que circulam nas redes sociais, verifica-se que são fáceis de enganar.
Ao contrário da era dos alunos da Geração X, os millennials e seus pares insistem em padrões acadêmicos mais elevados, turmas menores e um processo de avaliação claro com a integração de valores tradicionais e tecnologia de ponta. Outras demandas incluem tempo de resposta rápida para as notas e feedback imediato e constante, sincronizado com o traço multitarefa dessa geração.
Utilizando-se das categorias identificadas por Masseto (2012), Freitas et al. (2019) realizaram uma revisão bibliográfica, encontrando oito competências do professor universitário frente aos millennials e seus sucessores, a saber: facilitar o processo educativo; estimular o pensamento crítico dos estudantes; utilizar metodologias ativas; desenvolver o uso de TIC’s em prol da aprendizagem; promover ambiente dinâmico para ensino-aprendizagem; planejar o desenvolvimento das atividades; definir estratégias para avaliação da aprendizagem; e aplicar modelo de parceria no processo educacional. Os autores salientam a importância do desenvolvimento contínuo do professor para estar preparado frente ao público universitário em estudo, bem como para o mundo em “permanente evolução” (FREITAS et. al, 2019, p. 254).
PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
Este estudo se caracteriza como exploratório quanto ao objetivo, com utilização da coleta de dados por questionário do tipo survey. Quanto à análise dos dados, considera-se quantitativa e não probabilística, utilizando-se da estatística descritiva para sintetizar os dados, gerando tabelas para melhor visualização dos percentuais e médias obtidas. O desenvolvimento foi realizado a partir das oito competências do professor universitário identificadas por Freitas et al. (2019) e suas respectivas características, conforme demonstrado na Tabela 1.
Tabela 1 : Oito competências do professor universitário e suas características
| Competências | Características |
|---|---|
| Facilitar o processo educativo | |
| Planejar o desenvolvimento da aprendizagem | |
| Estimular o pensamento crítico dos estudantes | |
| Promover ambiente dinâmico para ensino-aprendizagem | |
| Aplicar modelo de parceria no processo educacional | |
| Desenvolver o uso das TIC’s em prol da aprendizagem | |
| Definir estratégias para avaliação da aprendizagem | |
| Utilizar metodologias ativas |
Fonte: Adaptado de Freitas et al. (2019, p. 247)
As questões relacionadas às competências foram construídas para avaliar a percepção dos estudantes de graduação de uma IFES no Brasil. A amostra da pesquisa se constitui de graduandos dos cursos superiores de Administração, Economia, Ciências Contábeis e Gestão da Informação e foi realizada no período de 21 de junho a 07 de julho de 2021. A IFES em questão, em razão da pandemia1, disponibiliza as disciplinas dos respectivos cursos de graduação, desde o 2º semestre de 2020 e no primeiro semestre de 2021, somente aulas no formato remoto.
O formulário eletrônico foi dividido em 2 blocos, com questões referentes à qualificação dos respondentes (curso de graduação na IES e faixa etária e as questões referentes às oito competências foram estruturadas dentro de uma escala de Likert de 5 posições (discordo totalmente a concordo totalmente). Ao final, foi apresentada uma questão para a avaliação dos respondentes das três principais competências, em uma ordem da primeira mais importante, segunda mais importante e por último, a terceira mais importante.
Os questionários foram encaminhados para os alunos por e-mail, contendo um breve resumo dos objetivos da pesquisa e um endereço eletrônico para acessar o questionário e iniciar as respostas no formato on-line. Antes da aplicação foi realizado um pré-teste com sete estudantes de diversos cursos para validar o instrumento.
Foram obtidas 114 respostas, das quais 17 respondentes estavam além da faixa etária atribuída à geração dos millennials, ou seja, acima de 36 anos, sendo excluídos do cômputo geral. Dessa forma, se considerou para análise 97 questionários como válidos. Destes, 9 respondentes haviam concluído o curso de graduação, sendo considerados como válidos para a amostra.
RESULTADOS E DISCUSSÕES
Apresenta-se na Tabela 2, o perfil dos respondentes participantes da pesquisa, oriundos dos quatro cursos de graduação desta IES pública federal no Brasil.
Tabela 2 : Cursos participantes da pesquisa
| Curso | Respondentes | % | |
|---|---|---|---|
| Administração | 57 | 58,76% | |
| Gestão da Informação | 18 | 18,56% | |
| Contabilidade | 12 | 12,37% | |
| Economia | 10 | 10,31% | |
| Total | 97 | 100% | |
Fonte: Os autores (2022)
Nota-se, que a maioria dos estudantes respondentes são oriundos do curso de Administração. Em segundo plano ficaram os alunos de Gestão da Informação, seguidos por Contabilidade e Economia.
Em relação à faixa-etária, apresentado na Tabela 3, existe uma concentração dos respondentes na faixa de 18 a 24 anos (45,61%), seguidos pela faixa de 25 a 35 anos (39,47%).
Tabela 3 : Faixa etária dos respondentes
| Faixa Etária | Respondentes | % | |
|---|---|---|---|
| 18 a 24 anos | 52 | 45,61% | |
| 25 a 35 anos | 45 | 39,47% | |
| Acima de 36 anos | 17 | 14,91% | |
| Total | 114 | 100% | |
Fonte: Os autores (2022)
Na sequência, estão descritas as respostas referentes à percepção dos estudantes nas oito competências e as suas características. Utilizou-se um método quantitativo para estabelecer o Ranking Médio (RM) das questões apresentadas sendo aplicada a escala tipo Likert de 5 pontos (MALHOTRA, 2001), para mensurar o grau de concordância dos estudantes que responderam aos questionários. Realizou-se a verificação quanto à concordância ou discordância das questões avaliadas, por meio da obtenção do RM da pontuação atribuída às respostas, relacionando à frequência das respostas, onde os valores menores que 3 são considerados como discordantes e, maiores que 3, como concordantes.
Para efeitos de confiabilidade foi realizado o teste de alfa de Cronbach nas questões em que se utilizou uma escala de Likert de 5 pontos. Os resultados das 21 variáveis empregadas indicaram um resultado de 0,830, o que atesta um significativo grau de concordância entre elas (LANDIS; COCH, 1977). Para Hair (2005) o coeficiente alfa de Cronbach que mede a confiabilidade, deve se situar entre os limites de (0,60 a 0,70), o que denotou uma validade convergente importante a partir das respostas recebidas.
O resultado médio geral, considerando todas as questões, ficou em 4,05 pontos, sendo considerada uma posição muito favorável em relação a todas as oito competências apresentadas para avaliação pelos estudantes. Em relação à facilitação do processo educativo, os respondentes demonstraram, de uma forma geral, grande importância na demonstração do entusiasmo em dar atenção ao estudante, assim como na atenção aos demais colegas de acordo com o nível de dificuldade apresentado, conforme pode ser observado na Tabela 4.
Tabela 4 : Facilitação do processo educativo
| Questões | RM |
|---|---|
| O (A) professor(a) demonstrar entusiasmo em dar atenção ao estudante no momento da aula. | 4,37 |
| O (A) professor(a) adequar o conteúdo conforme o nível de dificuldade da turma. | 4,29 |
Fonte: Os autores (2022)
Denotaram, conforme visualizado na Tabela 5, a importância do planejamento dos recursos a serem utilizados pelo professor e as devidas adequações decorrentes, colocando o estudante no centro do processo de aprendizagem.
Tabela 5 : Planejamento do desenvolvimento da aprendizagem
| Questões | RM |
|---|---|
| O (a) professor(a) planejar ou ainda replanejar os recursos que utilizará no momento de aula. | 4,36 |
| Relevância de colocar o estudante no centro do processo de aprendizagem. | 4,29 |
Fonte: Os autores (2022)
Na construção do conhecimento, consideraram válidos os recursos aplicados, como debates, estudos de casos, apresentações orais e outros, conforme se observa na Tabela 6. No entanto, não tiveram uma maior concordância quanto ao desenvolvimento da habilidade de comunicação ao se empregar debates, exposição oral, seminários, assim como na percepção quanto à aplicação do desenvolvimento da crítica pelos alunos com dramatizações e simulações.
Tabela 6 : Estimular o pensamento crítico dos estudantes
| Questões | RM |
|---|---|
| Propiciar a construção do conhecimento mais aprofundado dos alunos com debates, estudos de casos, quizes, apresentações orais e outras ações. | 4,12 |
| Desenvolver as habilidades de comunicação dos alunos com trabalhos em equipe, debates, exposição oral, seminários e outros. | 3,62 |
| Desenvolvimento da crítica: debates, estudos de caso, dramatizações, simulações e práticas de jornalismo. | 3,46 |
Fonte: Os autores (2022)
Na Tabela 7, observam-se condições favoráveis para o uso das TIC’s para as práticas de ensino e aprendizagem. A indicação é a de que o professor busque se atualizar nas ferramentas de ensino e aprendizagem e saiba manejá-las adequadamente.
Tabela 7 : Promover ambiente dinâmico para ensino-aprendizagem
| Questões | RM |
|---|---|
| O (a) professor(a) oferecer oportunidades e experiências apropriadas utilizando TIC’s (Tecnologias de Informação e Comunicação) para as práticas de ensino e aprendizagem. | 4,00 |
| O(A) professor(a) fazer uso das TIC’s (Tecnologias de Informação e Comunicação) como instrumento para estimular o engajamento dos estudantes. | 3,83 |
| Uso das mídias sociais e da Internet pelo(a) professor(a) nas práticas de ensino e aprendizagem. | 4,07 |
Fonte: Os autores (2022)
Conforme apresentado na Tabela 8, verifica-se a importância da parceria no processo educacional. Veiga (1991) entende que o professor como protagonista do processo faz a mediação do aprendiz com os objetos dos conhecimentos. O estudante também pode ser considerado como protagonista, pois é entendido como sujeito da aprendizagem e, consequentemente, sua atividade cognitivo-afetiva é fundamental para manter uma relação interativa com o objeto do conhecimento. No que tange ao incentivo e facilitação da criação de um ambiente estimulante, denota-se a relevância dada pelos estudantes e, quanto à importância na colocação do estudante no centro do processo de aprendizagem, a média cai para um nível mediano.
Tabela 8 : Parceria no processo educacional
| Questões | RM |
|---|---|
| O(a) professor(a) agir como um incentivador e facilitador na criação de um ambiente de sala estimulante. | 4,51 |
| Relevância de colocar o estudante no centro do processo de aprendizagem. | 3,84 |
Fonte: Os autores (2022)
O uso das TIC’s como engajamento, conforme observamos na Tabela 9, foi a de menor percepção em toda a pesquisa, em que o escore indica um equilíbrio dos respondentes. Pode-se concluir que o engajamento dos estudantes deve partir de outras iniciativas praticadas pelos professores, sem necessariamente de sobrepor as TIC’s.
Tabela 9 : Desenvolver o uso das TIC’s em prol da aprendizagem
| Questões | RM |
|---|---|
| O (A) professor(a) fazer uso das TICs (Tecnologias de Informação e Comunicação) como instrumento para estimular o engajamento dos estudantes. | 3,03 |
| O (A) professor(a) ter conhecimento técnico adequado e motivação para aprender e para a utilizar ferramentas adequadas de TICs. | 4,03 |
| Orientações do(a) professor(a) no uso adequado da TIC (Tecnologias de Informação e Comunicação) disponibilizadas para o processo de ensino. | 3,74 |
Fonte: Os autores (2022)
No que tange à percepção do discente quanto às definições das estratégias para avaliação de aprendizagem, encontraram-se as médias mais altas nas questões postuladas quanto à importância de apresentação de um plano de ensino para acompanhamento, do desenvolvimento de avaliações e feedbacks diferenciados, mediados inclusive pelas TIC’s, bem como da apresentação dos critérios de avaliação, conforme é possível observar na Tabela 10.
Tabela 10 : Definir estratégias para avaliação da aprendizagem
| Questões | RM |
|---|---|
| A apresentação de um plano de ensino para acompanhamento do processo de aprendizagem pelos alunos. | 4,53 |
| O (A) professor(a) desenvolver avaliações e feedbacks diferenciados, mediado principalmente pelas TICs, durante o processo de ensino e aprendizagem. | 3,98 |
| O (a) professor(a) apresentar claramente os critérios de avaliação e a forma de pontuação com base nas expectativas de respostas esperadas. | 4,71 |
Fonte: Os autores (2022)
Com uma média significativa e a maior entre todas as respostas obtidas, a apresentação dos critérios de avaliação e a forma de pontuação representam grande relevância nas estratégias de mensuração de desempenho da aprendizagem. Neste sentido, Cunha (1989) salienta que, ao apresentar um roteiro da aula, esta ação impacta em uma visão-sincrética pelo aluno e na compreensão lógica do conteúdo. Com este comportamento, abre-se a possibilidade da iniciativa do estudante em procurar, nas fontes indicadas no plano de aula, mais informações sobre o tema ou da problemática apresentada pelo docente.
Cabe ao professor todo o cuidado na elaboração do instrumento de avaliação e o que se espera dele. O plano de ensino também ganhou destaque entre os participantes da pesquisa, sendo considerado como um pré-requisito necessário ao professor, principalmente no início das atividades letivas, que deverá expor a programação de ensino proposta para uma determinada disciplina.
No que tange ao uso de metodologias ativas, os resultados alinham-se como uma prática crescente na didática em sala de aula, exemplificadas como sala de aula invertida, estudos de casos e no desenvolvimento de atividades de cunho prático, nos quais os estudantes são considerados sujeitos ativos na construção de um determinado assunto sob o aspecto teórico e aplicado, como jogos e simulações. Henz et al. (2019), entendem que a utilização dessas metodologias tem o potencial de favorecer a autonomia do educando, despertando a curiosidade, a criatividade, o pensamento crítico e reflexivo, o trabalho coletivo e a tomada de decisão, competências essas, cada vez mais necessárias no âmbito profissional. Essa aproximação entre teoria e experiências concretas repercute de modo significativo na formação crítico-social do estudante universitário.
Com base nos resultados tabulados, os estudantes consideraram muito relevante a utilização de metodologias ativas, como pode ser observado na Tabela 11.
Tabela 11 : Utilização de metodologias ativas
| Questões | RM |
|---|---|
| O incentivo, interação e a colaboração dos alunos no processo educacional, no qual estes deixam de ser receptores passivos do conhecimento para trabalhar ativamente junto ao professor(a). | 4,09 |
| O (a) professor(a) desenvolver atividades baseadas em problemas como os estudos de caso. | 4,10 |
| O (a) professor(a) apresentar aos alunos trabalhos práticos e atividades experienciais. | 4,31 |
Fonte: Os autores (2022)
Após a análise da abordagem das oito competências propostas por Freitas et al. (2019), foi solicitado aos estudantes que atribuíssem o grau de importância às três principais competências analisadas, as quais estão representados na Figura 1.

Fonte: Os autores (2022).
Figura 1 : As três principais competências em número de respondentes por questão
Entre as oito competências, àquela considerada de maior importância para grande parte dos respondentes foi a de facilitar o processo educacional, indicando a importância da aplicação do entusiasmo no desempenho pelo professor e na atenção com o aprendiz. A segunda, apontada como mais importante, foi a de estimular o pensamento crítico dos alunos, com a proposição de debates em sala, estudos de caso e outras ações proativas que despertem interesse do discente em demonstrar a sua opinião. A terceira mais indicada na pesquisa, foi na promoção de um ambiente dinâmico de ensino-aprendizagem, com a aplicação dos recursos de TIC’s, cada vez mais presentes nas plataformas disponíveis na internet e que permitem o engajamento dos estudantes, como questionários on-line, enquetes instantâneas e produções audiovisuais atrativas, como vídeos, imagens, desenhos animados e outros.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Com base na pesquisa realizada, pode-se comprovar a relevância das oito competências descritas por Freitas et al. (2019) e suas características, originadas das seis competências pedagógicas necessárias ao docente universitário apresentadas por Masseto (2012). Ao se avaliar cada uma das oito competências pelos estudantes millenials e sucessores de uma IFES brasileira, foi possível compreender a representatividade deste conjunto proposto sob o prisma de sua aplicação e entendimento mais amplo, dentro do escopo deste estudo.
Em relação à facilitação do processo educativo, destaca-se a importância de os docentes atuarem com entusiasmo no processo de ensino, usando recursos inovadores para a consolidação da aprendizagem e atenção a todos os estudantes, buscando atender às dificuldades apresentadas por alguns para a assimilação dos conteúdos apresentados. Quanto à importância do planejamento no desenvolvimento da aprendizagem, foi considerada relevante pelos respondentes a atuação do professor no planejamento ou replanejamento dos recursos empregados. Cabe ao docente não improvisar e atualizar sempre que necessário os conteúdos, propondo atividades de forma a centralizar as ações em consonância com as expectativas dos estudantes.
Um ponto de discordância observado é quanto ao planejamento dos recursos utilizados no processo de ensino versus parceira no processo educacional. No que tange ao planejamento, os discentes consideram muito importante colocar o estudante no centro do processo, já no que tange à parceria, a relevância de colocar o discente no centro do processo cai para um nível mediano de importância. Pode-se inferir, nesse sentido, que o discente considera que esse papel é em maior parte de responsabilidade do docente, sendo um elemento passivo do processo.
Para estimular o pensamento crítico, boas práticas são válidas na percepção pelos alunos, como debates, estudos de casos e estímulos nas apresentações orais, com o uso de tecnologias apropriadas em tempos de ensino remoto. Entendem que as mídias sociais e a internet podem ser ferramentas úteis, mas não o principal processo de ensino, cabendo aos discentes explorar os dados e as informações recebidas por estes meios virtuais.
Na promoção de um ambiente dinâmico para ensino-aprendizagem é importante oportunizar experiências aos alunos baseadas nos recursos das TIC’s como o uso de redes sociais para comunicação e interação (Ex. Instagram, WhatsApp), usando destas plataformas para o compartilhamento de arquivos, material de aula, documentos e outros assuntos de interesse em comum. Para tanto, o professor deverá estar sempre atualizado nas diversas ferramentas emergentes, principalmente em tempos de ensino remoto e sobretudo, saber usá-las e dar suporte aqueles que necessitam.
A parceria no processo educacional, foi uma competência bem avaliada no sentido do docente ser um incentivador e não apenas um replicador de teorias e informações, tornando os estudantes agentes ativos no processo de ensino por meio de um ambiente estimulante, criativo e participativo. Quanto ao desenvolvimento do uso das TIC’s em benefício da aprendizagem, pode ser importante, mas não visto como o principal instrumento para o engajamento dos estudantes. Parte-se do pressuposto que estes grupos de estudantes já convivem e manejam com certa facilidade a tecnologia no seu dia a dia. O que se espera é que o docente demonstre interesse e iniciativa para aprender e aplicar novas ferramentas tecnológicas relacionadas à educação e com conhecimentos suficientes para disseminar este aprendizado para o uso pelos estudantes, orientando-os em caso de dúvidas.
Em relação à definição de estratégias para avaliação da aprendizagem, apresentada como um dos maiores escores médios da pesquisa, foi de o docente apresentar claramente os critérios de avaliação, não permeando dúvidas quanto às rubricas das tarefas programadas, permitindo um feedback objetivo sobre o seu desempenho escolar por meio das pontuações aplicadas e dos comentários pertinentes quanto às respostas apresentadas pelos alunos.
Por fim, quanto à utilização de metodologias ativas, observa-se o aprendizado compartilhado, característica da geração millennials, com orientação do professor para a realização de trabalhos em equipe, marcada pela interação nas atividades relativas a estudos de casos. Tal condição, permite-se vivenciar a aplicação das teorias e conceitos, apresentados pelo docente, na materialização de situações reais no âmbito das ciências sociais aplicadas e das organizações e que possam ser replicadas pelos discentes em outras situações análogas.
Entre as oito competências apresentadas, os resultados da pesquisa indicaram que as três mais importantes são aquelas relativas em facilitar o processo educativo, estimular o pensamento crítico dos estudantes e a promoção de um ambiente dinâmico para o ensino-aprendizagem.
Quanto às limitações da pesquisa, deve-se considerar, também, o momento da pesquisa, que pode refletir nos respondentes, a influência da nova realidade do ensino, fruto da pandemia e das aulas baseadas no ensino remoto, como ocorre, desde o final do primeiro semestre de 2020, na IES pública foco do levantamento.
A contribuição da pesquisa se fundamenta na avaliação sistemática das oito competências apresentadas por Freitas et al. (2019), com questões elaboradas pelos autores em cada uma delas, procurando representar a essência, assim como em uma forma proativa de avaliação da aplicabilidade destas no contexto acadêmico. Pelos resultados apresentados para a amostra em questão, pode-se entender que as competências estão bem alinhadas quanto àquelas necessárias para o bom desempenho de um professor na opinião dos estudantes pertencentes à geração millennials e seus sucessores.
Como sugestão para trabalhos futuros, considera-se oportuno ampliar o foco de abrangência, incluindo estudantes de outros cursos de graduação ou uma pesquisa exclusiva com alunos da geração Z, o que requisitaria adentrar no âmbito da educação básica, uma vez que a grande maioria dos estudantes ainda se situa neste nível de escolaridade em razão da faixa etária.














