1 Introdução
Pesquisadores brasileiros mostraram a contribuição de Vladimir V. Repkin para a organização e desenvolvimento de um sistema de aprendizagem desenvolvimental, estudaram e escreveram sobre alguns aspectos de sua biografia e trajetória criativa, sobre suas buscas e descobertas na construção de um novo sistema de aprendizagem para os alunos do anos iniciais e finais do nível fundamental, criando uma teoria da atividade de estudo (PUENTES; AMORIM; CARDOSO, 2021). Alguns eventos na vida de Vladimir V. Repkin foram descritos anteriormente por seu colega Dusavitskii (2023), e não vamos nos alongar sobre eles em detalhes. Além disso, não analisaremos em minúcias o conteúdo do estudo de Vladimir V. Repkin, as diferenças entre suas posições teóricas sobre várias questões e as de outros autores.
Neste artigo tentarei mostrar uma aproximação à vida de Vladimir V. Repkin. Abordarei a trajetória de sua existência física difícil, incomum e romântica. Ele mesmo costumava dizer que o lema de sua vida eram as palavras de Vladimir Mayakovsky:
Brilhar sempre
brilhar em todos os lugares
até os últimos dias,
brilhar -
e sem unhas!
Aqui está o meu lema -
e o Sol!
Vladimir Vladimirovich Repkin viveu quase um século e teve uma vida muito ativa e criativa até o último momento de sua existência. É impossível separar sua vida da escola e da ciência, porque elas constituíram o principal conteúdo e sentido de toda a sua subsistência. Vladimir Repkin sempre disse sobre si mesmo: “Eu sou um professor.” Uma vez ele afirmou que sua fotografia favorita é onde ele fica ao lado de um aluno perto do quadro-negro, porque mostra que ele é um professor.
Vladimir Repkin amava muito as crianças e estava sinceramente interessado em seus pensamentos, dificuldades e sucessos, experiências, planos e pequenas aventuras. Ele se lembrava perfeitamente de muitos alunos dos anos iniciais do nível fundamental das escolas vinculadas a aprendizagem desenvolvimental, contava em detalhes quais eram suas características e problemas, embora quase 60 anos tivessem se passado desde aquela época.
Criatividade e senso do dever eram as características de Vladimir Repkin em tudo o que fazia. Ele vivia literalmente para e no trabalho. Sem o que mais gostava, que era a criação de um novo sistema de aprendizagem, ele não conseguia se imaginar. No entanto, às vezes ele dizia brincando que um dia terminaria todos os seus compromissos e se sentaria em uma poltrona situada sobre um tapete macio e não faria nada. Esse “algum dia” nunca aconteceu. A obra (“O Caso”, como ele dizia) estava sempre presente e exigia atenção. Mesmo após uma lesão grave, não totalmente recuperada, assim que Vladimir Repkin conseguiu se sentar fez comentários sobre o filme relacionado com o sistema de aprendizagem desenvolvimental e participou ativamente de sua edição. Nem o cansaço nem a doença poderiam servir de motivo para que ele não cumprisse uma tarefa importante para a escola.
Vladimir Repkin exigia muito dos resultados de seu trabalho, e nenhuma razão era uma desculpa válida para não fazer algo ou não o fazer no mais alto nível. Ele fez as mesmas exigências aos seus colaboradores. Ele interpretava a falta de dedicação dos colaboradores como um insulto pessoal e perdoava com muita dificuldade. Isso explica por que Vladimir Vladimirovich nunca concordou com aqueles que sugeriram simplificar a aprendizagem desenvolvimental.
Vladimir Repkin considerou a aprendizagem desenvolvimental da língua russa como sua principal tarefa. Para resolver essa questão, ele precisava ter um conhecimento profundo não apenas da psicologia, mas também da linguística moderna, especialmente ao desenvolver livros didáticos para o ensino médio.2
No processo de criação de todos os cursos de aprendizagem, Vladimir Repkin sempre pensou antes de tudo em como esse conceito proporcionaria uma oportunidade para o desenvolvimento do aluno como sujeito, se a busca por esse conceito seria uma tarefa criativa para a criança.
Aqueles que trabalharam e se comunicaram com Vladimir Repkin ficaram surpresos com seu intelecto. Em todos os aspectos, esse nível de desenvolvimento da inteligência é talento e sabedoria. Não vamos analisar este momento no âmbito deste artigo, vamos nos deter brevemente apenas nas características de sua incrível memória. Ele se lembrava de muitos poemas de vários autores. Conseguia de lembrar de ter lido um longo poema que lecionou na escola no 8º ano, quando em vez de alemão se estudava francês. E não apenas lembrou, mas analisou significativamente as sutilezas linguísticas da língua francesa! É especialmente surpreendente que ele não pudesse olhar para lugar nenhum para se lembrar, porque já havia perdido a visão há vários anos.
Vladimir Repkin tinha uma família muito amorosa e apreciável, e ele amou a todos e cuidou de todos até os últimos dias de sua vida. Sua Esposa - Galina Repkina, as filhas Natalya, Antonina e Elena, bem como os 11 netos e os 14 bisnetos.
2. Infância
Vou dizer algumas poucas coisas sobre os pais de Vladimir Vladimirovich Repkin.
Seu pai, Vladimir Vasilyevich Repkin, nasceu e foi criado perto de Moscou, em uma pequena cidade. Ele era pequeno quando seu pai morreu, a família vivia muito mal, e aos 8 anos o menino começou a trabalhar em uma fábrica onde faziam peças de vidro. Ele disse que as crianças cortavam o tubo de vidro ainda quente com uma tesoura especial, a jornada de trabalho era de cerca de nove horas. Após a Revolução de Outubro de 1917, aos 17 anos, ingressou no serviço militar soviético, participou ativamente de três guerras. Ele gostava muito de falar sobre a guerra civil, sobre aventuras emocionantes e inesperadas, como se não tivesse sido uma época terrível e cruel. Durante a guerra civil, ele foi brevemente mantido em cativeiro por Nestor Makhno,3 sobre o qual contou aos netos uma aventura maravilhosa com humor.
Ele não gostava de falar sobre a guerra russo-finlandesa, afinal na Segunda Guerra Mundial ele era um oficial de infantaria, que apenas um ano de iniciada foi ferido e depois disso não lutou mais. Contudo, em sonhos ele frequentemente gritava até os últimos dias de sua vida: “Companhia, ataque! O pai de Vladimir Repkin era gentil, alegre e amava muito as crianças: brincava com elas de todo coração, inventava todo tipo de histórias divertidas. Ele adorava jardinagem e ler livros. Até os últimos dias, ele dedicou todo o seu tempo livre à leitura.
A mãe de Vlazhimir Repkin, Maria Grigoryevna, morava na Ucrânia. Maria perdeu sua mãe muito cedo. Desde a infância, ela ajudou o pai a trabalhar no campo e no jardim, até construiu uma casa com ele. Acima de tudo, ela adorava ler livros. Durante toda a sua vida, essa foi sua ocupação em seu tempo livre. Maria sempre foi muito gentil, inteligente, trabalhadora e responsável. Ela conheceu o jovem militar, Vladimir Vasilyevich Repkin, e concordou em se casar, e eles viveram muito felizes por toda a vida.

Fonte: Arquivo pessoal da família.
Foto 1 Pais de Vladimir Vladimirovich Repkin Maria: Maoiya Ternovaya e Vladimir Vasilyevich Repkin (1924).

Fonte: Arquivo pessoal da família.
Foto 2 Pais de Vladimir Vladimirovich Repkin Maria: Maoiya Grigorievna e Vladimir Vasilyevich (1978).
Vladimir Vladimirovich Repkin nasceu em 25 de dezembro de 1927 na cidade de Nikolaev, na Ucrânia. Seu pai estava servindo no exército na época. Quando Vladimir tinha 3 anos, ele teve um irmão, Valentin. Os meninos eram muito diferentes tanto externamente quanto em caráter. Valentin adorava fazer algo mais, Vladimir desde a infância adorava ler livros, como sua mãe e seu pai. Os irmãos viveram juntos e mantiveram boas relações durante toda a vida, embora mais tarde tenham morado em cidades diferentes.
Vladimir Repkin passou sua infância em várias cidades grandes e pequenas da Ucrânia no local de serviço de seu pai.

Fonte: Arquivo pessoal da família.
Foto 4 Vladimir Repkin encontra seu irmão em Tomsk, 1998. Da esquerda para a direita: Valentin Repkin, Alexandra Repkina (esposa de Valentin), Vladimir Repkin
Pouco antes do início da Segunda Guerra Mundial, a família mudou-se para a bela e tranquila cidade de Vinnitsa. Aqui Vladimir conseguiu seu primeiro amigo verdadeiro (filho de um professor de medicina). Os meninos caminhavam juntos pelas ruas, pelas margens do rio. Vladimir disse que, na maioria das vezes, os adolescentes jogavam de maneira muito estranha do ponto de vista das ideias modernas. Os meninos (e meninas também) enchiam os bolsos de suas calças de pedrinhas da rua e esperavam as pessoas passarem caminhando. Assim que encontraram um grupo de escolares que morava em outra rua, atiraram pedras neles, e esses adolescentes atiraram pedras em resposta. Como as pedras não eram muito grandes, as crianças não tiveram ferimentos. Hoje seria estranho, mas os adultos não prestavam atenção a esse tipo de jogos de adolescentes. Certa vez, Vladimir encontrou uma velha pistola enferrujada na margem do rio. Em casa, limpou-a, arrumou-a e mostrou-a ao pai. O pai se alegrou com a descoberta do menino, mas inutilizou a arma antes de devolver ao filho. Muitos anos depois, Vladimir lembrou que a arma havia se tornado seu brinquedo favorito. Vladimir queria se tornar um militar como seu pai.
No verão de 1941, a guerra chegou à Ucrânia, seu pai foi para o front e Vladimir, sua mãe e irmão, foram evacuados para a distante cidade de Petropavlovsk (Cazaquistão, Sibéria).
Em 1943, Vladimir se formou no 7º ano e ingressou na Escola Especial de Artilharia Militar de Moscou, que tinha se mudado para a Sibéria durante a guerra. Repkin lembrava muito bem dos bons professores que trabalharam nesta escola. Com a professora Emma Yosifovna ele manteve relações amistosas até o fim da vida dela. Foi muito interessante estudar, mas havia condições de vida muito difíceis, sobretudo como consequência do frio e da fome. Os alunos estavam sempre com fome. Vladimir Repkin disse que ele e seus amigos ficaram felizes quando foram enviados para descarregar um carro com repolho congelado porque foi possível comer à vontade o repolho em mal estado.
3. Anos de estudante
Em 1946, Vladimir se formou na escola com uma medalha e queria se tornar um militar, como seu pai. Para grande desgosto do menino, ele não pôde continuar seus estudos em uma escola militar por motivos de saúde, prejudicados pelas difíceis condições de vida na escola.
Vladimir foi para Moscou. Decidiu estudar na Universidade Estatal Lomonosov de Moscou e pensou em escolher uma especialidade. A palavra desconhecida "Filologia" chamou sua atenção no anúncio. Ele foi consultar sua amada professora Emma Yosifovna (ela já havia retornado a Moscou com a escola militar). Perguntou qual era o conteúdo e a função dessa especialidade. Ela sorriu, tirou uma enciclopédia de uma estante e deu a ele um artigo sobre filologia para ler. “Ah, então é nisso que estou muito interessado!” - Vladimir ficou encantado e entrou facilmente na Faculdade de Filologia. Começou a morar em uma república de estudantes. Houve muita fome no país durante este período pós-guerra. Vladimir não tinha experiência de vida e nem dinheiro suficiente, então não podia comer normalmente. Após dois meses de uma vida estudantil faminta, a sua saúde piorou drasticamente e a comissão médica o colocou em licença acadêmica.
No mesmo outono, V. Repkin mudou-se para a cidade de Maikop (Adygea, norte do Cáucaso). Seu pai, mãe e irmão viveram lá após a desmobilização do patriarca do exército. Ainda naquele ano receberam um pedaço de terra do estado e começaram a cultivar uma horta e um vinhedo. Vladimir Repkin não estava nem um pouco interessado no trabalho agrícola. Adorava ler e queria aprender. Vladimir ingressou e se formou no Instituto Pedagógico de Maikop, então Instituto Pedagógico de Krasnodar, ao mesmo tempo que trabalhou como professor de língua russa por 4 anos. A docência na escola era de seu interesse, mas Vladimir queria obter uma educação mais sólida e ampla.
No verão de 1952, Vladimir Repkin voltou a Moscou e, para continuar seus estudos, escolheu dessa vez a Faculdade de Filosofia da Universidade Estatal Lomonosov de Moscou. Por que ele decidiu entrar na Faculdade de Filosofia em lugar de dar continuidade a formação filológica? Vladimir Repkin explicou que naquela época ele queria obter algum tipo de educação geral mais essencial, e a Filosofia parecia ser essa base.
Vladimir apresentou documentos à universidade, mas descobriu que quem entrava não recebia residência estudantil. Ele não tinha onde morar em Moscou, mas encontrou uma solução muito rapidamente. Um dos institutos de maior prestígio em Moscou, o Instituto Estadual de Relações Internacionais, ofereceu aos alunos residência. Vladimir apresentou documentos lá também. Passou com sucesso nos exames e descobriu ter conseguido vaga nos dois institutos. Sobre o fato de ter escolhido a Faculdade de Filosofia, e não o prestigioso Instituto Estadual de Relações Internacionais de Moscou, Vladimir afirma nunca ter se arrependido. No último ano de sua vida, Vladimir Vladimirovich, relembrou essa história e disse que se tivesse escolhido o Instituto de Relações Internacionais teria se tornado um bom diplomata (e tinha todos os requisitos para isso), mas não teria assumido a aprendizagem desenvolvimental e não teria conhecido Galina, sua futura esposa, destino e musa.
A história de quando Vladimir e Galina se conheceram e o início de sua vida juntos foi muito romântica... O primeiro contato aconteceu de forma bastante estranha. Vladimir era líder do Komsomol4 do 2º ano da Faculdade de Filosofia e Galina era o líder do Komsomol dos estudantes do 1º ano de Psicologia (então a Psicologia não era um instituto independente, mas um departamento da Faculdade de Filosofia). Galina não compareceu às reuniões semanais, e Vladimir, no corredor, durante o intervalo entre as aulas, começou a repreendê-la emocionalmente. Ele então, ao longo dos anos, esqueceu esse momento. E Galina lembrou-se da conversa no corredor para o resto da vida: foi nesse momento que, por algum motivo, lhe veio à mente o seguinte pensamento: “Este homem vai ser meu marido!”. Ela contou a sua amiga sobre isso no mesmo dia, e ambas se perguntaram como isso poderia acontecer.
Duas semanas depois, Vladimir recebeu dois ingressos para a ópera no Teatro Bolshoi. O amigo com quem ele queria ir adoeceu. Vladimir Repkin relembrou:
Preciso ir com alguém. Eu preciso ligar para alguém. Por algum motivo, ocorreu-me - ligar para Galina. Por que ela, eu não sei. Ela concordou. A apresentação foi magnífica - a apresentação de aniversário de "Sadko".5 Os artistas mais famosos sempre atuavam em apresentações de aniversário. Depois da ópera, eu a acompanhei - eram 100 metros do teatro até sua casa. Ela morava perto do Teatro Bolshoi. Subimos até a entrada, onde por algum motivo beijei a mão dela. Então começamos a ir a diferentes teatros - fazia frio para andar nas ruas no outono e no inverno. Nos encontrávamos com frequência, mas não havia planos especiais. Juntos definimos que primeiro nos formaríamos na universidade e depois nos casaríamos. E então, no início das férias de verão, a mãe de Galina chegou para ver como estava a filha. Galina decidiu me apresentar sua mãe. Fomos a uma sorveteria. A mãe gostou do sorvete, mas do noivo não. Acima de tudo, não gostava por causa da voz rouca - a mãe de Galina achou que eu estava doente. Também não gostou porque, provavelmente, a filha trabalharia como professora e que por tal motivo o noivo não era necessário. A mãe convenceu Galina a viajar para Riga com seus pais. Eu estava indo para a casa de meus pais em Maikop. E então pensei que se Galina fosse para Riga com sua mãe, ela a persuadiria a se separar de mim. Comprei duas passagens de trem para Maykop, onde moravam meus pais. Galina foi se despedir de mim e levou as coisas dela para viajar com a mãe. O trem dela deveria partir logo depois do meu. Entramos no carro, sentamo-nos um pouco e Galina resolveu sair. Eu falei: onde vai, sente-se, você vá comigo. Galina estava muito preocupada, mas quando chegamos a Maykop ela imediatamente se tornou amiga dos meus pais. Na verdade, de acordo com os costumes dos montanheses, eu roubei minha esposa. Havia tal costume entre os habitantes do Cáucaso. Os pais de Galina ficaram indignados, escreveram longas cartas raivosas. Nos reconciliamos quando a segunda filha nasceu (conversas com a autora).
E então, por muitos anos, eles foram amigos de Vladimir e Galina até o fim de suas vidas. Vladimir nunca se arrependeu de sua escolha. Ele sempre acreditou que Galina tinha um talento especial para construir uma vida a dois.

Fonte: Arquivo pessoal da família.
Foto 6 Vladimir e Galina em Maykop. julho de 1953. Da esquerda para a direita: Maria Gigorievna (mãe de Vladimir Repkin) Vladimir Repkin, Galina Repkina, Vladimir Vasilyevich (pai de Vladimir Repkin).
Quando Vladimir Repkin terminou seu segundo ano na Faculdade de Filosofia, ele decidiu estudar no Departamento de Psicologia (em seu segundo ano). A transição repentina de um departamento para o outro, segundo Galina Repkina,
aconteceu quase de forma anedótica. De repente, há uma queda acentuada no número de alunos em nosso curso e, principalmente, no departamento de Filosofia. A transferência para qualquer curso da Universidade Estadual de Moscou foi permitida e muitos encontraram sua própria opção, mas não havia pessoas suficientes. Vladimir, como organizador do Komsomol do curso de Filosofia, deu o exemplo, escreveu um pedido de transferência para a Psicologia. Claro, Galina já estudava lá, e já estavam casados, mas com o mesmo sucesso, parecia que ele poderia partir para a tão cobiçada faculdade de Filologia. Então não, de forma inesperada para todos, ele escolheu a Psicologia, na época uma formação pouco promissora (praticamente não havia demanda de psicólogos), e na verdade foi uma escolha do destino (REPKINA, 2000, p. 153).
Na verdade, foi uma escolha do destino mesmo. Vladimir Repkin nunca se arrependeu de ter estudado Filosofia primeiro e depois mudado em favor da Psicologia. Em primeiro lugar, esses dois anos de estudos na Faculdade de Filosofia lançaram uma base sólida para a compreensão da Psicologia e, em segundo lugar, os anos de estudos no Departamento de Psicologia, segundo as memórias de Galina Repkina, foram permeados por uma atitude quase entusiástica em relação as ideias de nossos principais representantes. Houve vários deles naqueles anos que receberam reconhecimento mundial - A.N. Leontiev, A. R. Lúria, S.L. Rubinstein, P.Ya. Galperin, A. V. Zaporozhets, D.B. Elkonin. As disposições teóricas que desenvolveram nos pareceram irrepreensíveis e suas perspectivas inesgotáveis. Cada um dos alunos escolheu seus ídolos e se juntou abnegadamente às fileiras de seus fiéis seguidores. Vladimir e eu consideramos a teoria da atividade desenvolvida por A. N. Leontiev mais impecável, e começamos a trabalhar com entusiasmo sob sua orientação. (REPKINA, 2009, p. 1)
Vladimir e Galina Repkin ouviram e discutiram com entusiasmo todas as palestras de A. N. Leontiev, realizaram sob sua orientação primeiro um curso de estudo e, em dois anos, uma tese. O problema de pesquisa da tese de Repkin foi confirmar a tese de A.N. Leontiev sobre os órgãos funcionais no exemplo da constância da percepção de cores. (REPKINA, 2000, p. 99).

Fonte: Arquivo pessoal da família.
Foto 7 Vladimir e Galina Repkin no dormitório da Universidade de Moscou, outono de 1954.
Galina Repkina relembrou a defesa de seu trabalho de tese:
Aleksei Nikolaevich atribuiu importância fundamental a este trabalho, dando-lhe um lugar significativo na comprovação de sua pesquisa teórica. Ele estava convencido de que a hipótese sobre a constância da percepção da cor dos olhos se "aprende durante a vida" foi confirmada por dados experimentais. A defesa do trabalho de tese do aluno foi realizada em reunião do departamento. A discussão contou com a presença de importantes professores de psicologia: S.L. Rubinstein (ele era o principal oponente), P. Ya. Galperin, E. N. Sokolov e outros. A discussão foi vigorosa. Devo dizer que Volodya (V.V. Repkin - autor) se mostrou um teórico muito destacado. Mas, claro, as principais disputas eram entre os professores, tanto que Pyotr Yakovlevich Galperin lembrou brincando que estávamos falando sobre o trabalho específico dos alunos. As impressões duram a vida toda (REPKINA,2000, p. 101-102).
Após a defesa, Alexei Nikolaevich Leontiev submeteu esta tese para concorrer ao Prêmio Lomonosov. O prêmio foi recebido pelo casal Repkin já estando na cidade de Sakhalin, junto com uma compensação financeira.
Alexei Nikolaevich Leontiev teve uma influência muito forte na posição teórica de Vladimir e Galina Repkin. Galina Repkina escreveu que suas posições teóricas nos conquistaram, acreditávamos nele incondicionalmente e, para ser honesto, estávamos extremamente orgulhosos de sua fé em nossas capacidades. Além disso, com o tempo, nos tornamos seus seguidores fiéis, tendo finalmente entendido a teoria da atividade.
Os anos de estudo de Vladimir no Departamento de Psicologia não podem de forma alguma ser chamados de uma vida estudantil despreocupada. No final do segundo ano, uma filha nasceu na família Repkin. Vladimir, muito antes do nascimento de sua filha, disse que queria uma menina de cabelos loiros, olhos azuis e capuz vermelho. Ela ia se chamar Natasha (como estava em um de seus poemas favoritos). A menina nasceu exatamente como Vladimir ordenou. Eles a chamaram de Natasha e compraram uma capa vermelha com capuz. Após o nascimento da criança, Galina ficou temporariamente impossibilitada de frequentar as aulas. Vladimir ouvia palestras, fazia anotações, depois em casa lia as anotações das palestras para ela, explicando tudo o que ela não entendia. No semestre seguinte do 3º ano, os Repkin foram para a universidade alternadamente ou deixaram Natasha com uma babá.
No início do 4º ano, nasceu outra filha, Tonechka. Natasha deu-lhe o nome da melhor amiga dos Repkin (a famosa psicóloga Antonina Nikolaina Zhdan).

Fonte: Arquivo pessoal da família.
Foto 9 Vladimir e Galina Repkin com a filha Natasha e Tonya (no carinho de bebê), 1955.
E, novamente, Galina e Vladimir não apenas continuaram a estudar, mas também estavam ativamente engajados no trabalho científico. Foi durante o período de estudos na universidade que o início da atividade científica de Vladimir Repkin nasceu: na revista Questões de psicologia, foi publicado seu primeiro artigo intitulado "Sobre a contribuição dos cientistas austríacos para a teoria da percepção".6 O segundo artigo foi publicado nos relatórios da APS da URSS com base nos resultados de seu trabalho conjunto de diploma. Por muito tempo, este artigo foi incluído na lista de literatura obrigatória para estudantes de psicologia da Universidade Estadual de Moscou.
4. Sakhalin
Depois que V. V. Repkin se formar na universidade foi convidado por A.N. Leontiev para cursar estudos de pós-graduação, mas para Galina Repkina não havia essa oportunidade. Por esse motivo, a família Repkin partiu para trabalhar em uma escola quase nos confins do mundo, situada na Ilha Sakhalin. O próprio Vladimir escolheu este local de trabalho entre as quatro opções oferecidas: a região de Moscou e o norte do Cáucaso pareciam desinteressantes - sem romance, já Kamchatka estava muito longe.
Galida Repkina escreveria:
A oferta para trabalhar em Sakhalin não foi tão surpreendente quanto parecia ridícula, pois nos últimos meses de estudo na Universidade, Repkina e suas amigas sabiam que poucos graduados eram enviados para trabalhar. Portanto, eles brincaram que não havia problemas - iríamos para Sakhalin. Por que exatamente lá? O absurdo total para psicólogos que se formaram na Universidade de Moscou simplesmente atraiu. E nas cidades centrais não eram necessários psicólogos, mas por que Sakhalin? (REPKINA, 2000, p. 153).
Vladimir Repkin viajou desde Moscou até a Ilha Sakhalin por mais de 10.000 quilômetros atravessando todo o grande país, com sua esposa e duas filhas pequenas. A filha mais velha tinha três anos e meio, a mais nova, dois.

Fonte: Arquivo pessoal da família.
Foto 10 Na estação com os enlutados antes de partir para Sakhalin. Da esquerda para a esquerda: Zhdan Antonina Nikolaevna, Gali Polyak (tia de Galina Repkina), mãe de Galina Repkina, Vladimir Repkin, Tonya (filha), Natasha (filha), babá de Natasha Kapitolina, Galina Repkina, Daunis Iskra Borisovna.
Em Sakhalin, Vladimir começou a trabalhar como diretor de um orfanato na pequena cidade de Gornozavodsk. Acontece que ele não teve que lidar com questões de educação, mas com a organização das condições de vida dos alunos (consertando o aquecimento, construindo uma estrada para a escola do orfanato). E, como ele mesmo lembrou, que ficou neste emprego, felizmente, não por muito tempo - apenas um mês e alegremente foi trabalhar como vice-diretor e professor de língua e literatura russa em uma escola. Este trabalho de Vladimir Repkin foi mais interessante. Ele não só deu aulas com criatividade e entusiasmo, mas organizou atividades complementares, uma espécie de clube, onde estudou música clássica, pintura e literatura com alunos do ensino médio, que “não se encaixavam” no currículo escolar. Essas aulas eram frequentadas não apenas por alunos, mas também por numerosos professores. Muitas vezes eram organizados concertos, noites escolares, nas quais alunos e professores se apresentavam e convidavam jovens e talentosos poetas e escritores de Sakhalin. Um deles - Vladimir Sangi7 - posteriormente recebeu fama mundial.
Vladimir Repkin sempre, mesmo no último ano de sua vida, lembrava-se de Sakhalin como o melhor período de sua vida. Ele disse que Sakhalin não é como nada: tanto a natureza quanto as relações entre as pessoas são muito especiais. A vida e o trabalho em Sakhalin foram surpreendentemente peculiares e românticos em sua vida.

Fonte: Arquivo pessoal da família.
Foto 11 Ilha Sakhalin, na cidade de Gornozavodsk, onde viveu Vladimir Repkin (1960).
Ao partir para Sakhalin, os Repkin pensaram em continuar o estudo dos problemas não resolvidos da percepção visual, mas o trabalho na escola levava muito tempo, e nem Vladimir nem Galina Repkina voltaram a este estudo. Vladimir Repkin, enquanto trabalhava na escola, procurava métodos para melhorar a aprendizagem da língua russa. Ele tratou Pyotr Yakovlevich Galperin com grande respeito e foi um firme defensor de sua teoria da formação gradual das ações e conceitos mentais. Em Sakhalin, desenvolveu, com base na teoria de Galperin, um método para a aprendizagem da ortografia no ensino médio. Um artigo baseado nos resultados desse método de aprendizagem foi publicado na revista Questões de Psicologia.8
Em Sakhalin, nasceu na família Repkin a terceira filha, Alenka - um bebê encantador, o favorito de toda a família. Infelizmente, sua saúde foi prejudicada pelos testes atômicos que ocorreram perto de Sakhalin antes de seu nascimento.
5. Estudos de pós-graduação. Início da pesquisa da atividade de estudo
Após cinco anos de trabalho em Sakhalin, em 1962, Alexei Nikolaevich Leontiev convidou Vladimir e Galina Repkin para cursar pós-graduação. A proposta era interessante, mas não totalmente conveniente para uma família jovem: Galina deveria estudar em Moscou, e Vladimir recebeu uma oferta de ensino à distância, ou seja, ele continuaria trabalhando em Sakhalin e estudando. Eles pensaram sobre isso e concordaram, e Galina veio a Moscou para se matricular na pós-graduação. Na universidade, ela conheceu Vladimir Petrovich Zinchenko, e ele a convenceu a entrar em contato com seu pai, Petr Ivanovich Zinchenko, que estava procurando por dois alunos de pós-graduação. P. I. Zinchenko era um conhecido pesquisador de problemas da memória e, na década de 30 do século passado, trabalhou em Kharkiv junto com Alexei Nikolaevich Leontiev. Antes disso, os Repkin não estavam muito interessados na pesquisa da memória, mas depois de alguns minutos conversando ao telefone com Pyotr Ivanovich, Galina ficou tão fascinada por ele que ligou imediatamente para Vladimir Repkin em Sakhalin. Eles decidiram ir para Kharkiv. Vladimir Vladimirovich no último ano de sua vida relembrou esse momento e disse que, se não tivesse tomado essa decisão, ele nunca teria lidado com os problemas da atividade de estudo e teria uma vida chata como professor na Universidade de Moscou. Provavelmente, disse ele, lidaria com problemas de personalidade, mas era professor e estava mais interessado em uma escola ao vivo.
Petr Ivanovich Zinchenko na primeira reunião começou a discutir com Vladimir Repkin o que ele queria fazer quando entrar na pós-graduação. Claro, isso tinha que corresponder ao objeto de pesquisa do orientador.
O principal problema tratado por P. I. Zinchenko tina sido formulado por A.N. Leontiev como a questão da relação entre memória e atividade. Foi a partir dessas posições que Petr Ivanovich realizou seu estudo da memória involuntária. Zinchenko entendeu que os resultados de seu estudo da memória forneciam dados muito incompletos, porque no laboratório o experimentador estabelece um objetivo pronta para os sujeitos.
P. I. Zinchenko queria estudar o papel da memória involuntária na atividade humana real, em primeiro lugar na atividade de estudo do aluno. Foi para resolver este e alguns outros problemas que a P.I. Zinchenko convidou V. Repkin para Kharkiv. Já ao discutir o problema da pesquisa de Vladimir Repkin, ficou claro que o modelo de formação escolar existente não era adequado para a realização de tal pesquisa, pois o professor estabelece os objetivos para o aluno, assim como em um experimento de laboratório. Era necessário resolver o problema da organização dessa aprendizagem, que seria construída de acordo com os princípios da teoria psicológica da atividade. Vladimir Repkin tinha experiência pedagógica, então Pyotr Ivanovich imediatamente ofereceu a ele esse problema. Vlidimir Repkin sugeriu que, para realizar tal estudo, era preciso primeiro reestruturar a aprendizagem de acordo com a teoria da atividade e só então procurar mudanças na memorização involuntária. A essa altura, nem os princípios dessa aprendizagem nem os métodos de diagnóstico da memória funcionando sob novas condições haviam sido desenvolvidos. Um pesquisador não consegue lidar com tamanho volume de trabalho. Vladimir Repkin sugeriu organizar tal aprendizagem e indicou que outra pessoa fizesse os estudos da memória. Petr Ivanovich entendeu que não seria capaz de liderar sozinho com a tarefa de pesquisa de reestruturação da aprendizagem e, depois de muito pensar, decidiu que era necessário receber conselhos de outros cientistas. Então recorreu à ajuda de Pyotr Yakovlevich Galperin, que o aconselhou a estabelecer contato com um grupo de psicólogos liderado por Daniil Borisovich Elkonin. Portanto, uma aliança com D.B. Elkonin e V. V. Davydov foi estabelecida de imediato.
Vladimir Repkin conhecia Danil Borisovich Elkonin há muito tempo - ele ouvia suas palestras quando estudava no Departamento de Psicologia da Universidade de Moscou. Antes disso, ele praticamente não conhecia Vasily Vasilyevich Davidov - Davidov se formou no departamento de Psicologia quando V. Repkin se mudou para lá da Filosofia. No entanto, Davidov conhecia e lembrava-se dos Repkin, sobretudo de suas filhas. Galina Repkina soube disso com surpresa em um encontro casual com Davidov em Moscou, dois anos depois de se formar na universidade.
A cooperação entre Vladimir Repkin e Vasily Davidov tornou-se uma união criativa de longo prazo. Eles não se encontraram com a frequência que gostariam, mas sempre se comunicaram de maneira muito significativa. Essas conversas não eram como a chamada comunicação acadêmica suave. Davidov e Repkin sempre tiveram um diálogo significativo e emocional, que muitas vezes se transformou em uma disputa emocional sobre certas questões de aprendizagem desenvolvimental. Essas disputas podiam durar horas e pareciam apenas fortalecer suas relações amigáveis, respeito e interesse mútuo. Vladimir Repkin encontrava Davidov em Moscou duas ou três vezes por ano. Mas era muito difícil falar lá - Davidov estava constantemente distraído com telefonemas, perguntas dos funcionários. Acontecia com calma, sem assuntos estranhos, apenas à noite na casa de Vasily Vasilyevich. Para fazer isso, eles frequentemente concordavam que V. V. Repkin passaria a noite com V. V. Davidov. (Davidov sempre encontrava um lugar para os hóspedes, mesmo quando morava em um apartamento muito pequeno com alguns vizinhos).
Eles conseguiram trabalhar de maneira especialmente frutífera quando Davidov veio para Kharkiv. Depois de se encontrar com Vladimir Repkin e seus colaboradores no laboratório, Vasily Vasilyevich veio visitar os Repkin em casa. E sempre foi muito bom! As filhas dos Repkin ficavam muito satisfeitas. O começo tradicional do encontro de Vasily Vasilyevich com as meninas eram suas perguntas sobre o que havia mudado nelas nos últimos tempos. Os adultos que estavam presentes na conversa ficaram muito surpresos ao ver como Vasily Vasilyevich conseguia se lembrar que seis meses atrás a filha mais velha teve problemas com uma professora de história e a outra tinha uma professora de química maravilhosa. E então havia perguntas sobre livros lidos, lições interessantes, tópicos difíceis e assim por diante. As meninas olhavam para ele com olhos amorosos e riam de alegria quando, no final da conversa, Vasily Vasilyevich pronunciava deliberadamente com voz severa (ao contrário, ele cantou): “Corte e rasgue, chicoteie e rasgue, aos sábados, aos sábados!” Então todos eles se sentavam para jantar juntos. Era sempre surpreendentemente divertido, eles brincavam muito, contavam histórias divertidas, ouviam músicas em um gravador (na maioria das vezes de Bulat Okudzhava) e cantavam sozinhos. Vladimir Repkin lia poesia.
Desde o início, a relação de trabalho entre Vladimir Repkin com seu grupo e a equipe Elkonin-Davidov foi construída com base no interesse mútuo, parceria e cooperação. O laboratório de V. Repkin nunca foi uma plataforma experimental para testar as hipóteses de Elkonin e Davidov, porque ambos os grupos resolveram problemas independentes. D. B. Elkonin e V. V. Davidov estudaram naqueles anos principalmente o desenvolvimento do pensamento da criança em idade escolar, enquanto que o grupo de pesquisa de Repkin estava interessado no papel da memória na aprendizagem, com base na generalização significativa e na teoria da atividade. Com o tempo, para Vladimir Repkin, o centro do estudo foi justamente a construção de um sistema desse tipo de aprendizagem, que muito mais tarde foi chamado de “desenvolvimental”.
Voltemos a 1963, ao início da experiência de aprendizagem. Depois de algumas dúvidas, graças à possibilidade de cooperação com o grupo de Moscou de D. Elkonin e V. Davidov, P. Zinchenko deu a V. Vladimir Repkin o problema de desenvolver a aprendizagem experimental, e o ex-professor Grigory Sereda, que então ingressou na pós-graduação, assumiu o estudo da memória involuntária. Durante o estudo, G.K. Sereda e Vladimir Repkin frequentemente discutiam problemas convergentes. Após a obtenção dos resultados, que confirmaram a possibilidade de uso efetivo da memória involuntária na aprendizagem na defesa de sua dissertação, G.K. Sereda abandonou o estudo posterior dos problemas da memória na aprendizagem e concentrou-se em seus problemas puramente teóricos.
Vladimir Repkin, em 1963, começou a procurar uma escola em Kharkiv para organizar a aprendizagem experimental. Apesar do apoio ativo do Departamento Regional de Educação de Kharkiv, Vladimir Repkin encontrou com grande dificuldade a escola nº 62, na qual o diretor concordou em organizar a educação experimental. Em geral, naquela época não havia tradição no país de realizar experimentos psicológicos com escolares, por muitos anos o governo os proibiu. Na escola que concordou em realizar o experimento, o talentoso professor de matemática Felix Grigoryevich Bodanskii trabalhou como vice-diretor. Ele considerou de grande interesse Vladimir Repkin e seus planos para organizar a aprendizagem experimental. Felix Bodanskii começou a liderar uma parte do estudo dedicada ao desenvolvimento da aprendizagem de matemática e Vladimir Repkin ao desenvolvimento de uma teoria psicológica da atividade de estudo e a criação de programas de aprendizagem e de materiais didáticos com base nessa teoria para o curso de língua russa, e, mais tarde, sobre vários outros assuntos. Desde o início, Vladimir Vladimirovich participou com grande interesse no desenvolvimento do curso de matemática. Repkin e Bodanskii resolveram juntos os problemas teóricos e práticos da aprendizagem experimental e foram amigos até a morte prematura de Felix.
Em 1963, o experimento começou a ser realizado por um grupo de 4 pessoas (V. V. Repkin, G.K. Sereda, F.G. Bodanskii e G.V. Repkina). Desde o início de seu trabalho, Vladimir Repkin procurou e encontrou entre professores e pesquisadores pessoas com ideias semelhantes, inspirando-os a buscar argumentos para projetar uma nova educação. Vladimir Vladimirovich falou sobre as teses da nova educação de forma muito convincente, interessante e emocional, e pesquisadores e professores talentosos foram levados por esses planos e incluídos no estudo. Funcionários do Instituto Pedagógico de Kharkiv - Polina Zhedek, Yuriy Barkhaev, Elvira Aleksandrova e outros - estiveram envolvidos no desenvolvimento da aprendizagem experimental. V. Repkin estudou os problemas da atividade de estudo da criança em idade escolar em contato próximo com o Instituto de Pesquisa Científica de Psicologia de Kiev.

Fonte: Arquivo pessoal da família.
Foto 12 No laboratório de Petr Ivanovich Zinchenko (professora de escola primária, Petr Zinchenko, Galina Repkina, a primeira professora da aprendizagem desenvolvimental Galina Grigorenko, Vladimir Repkin, Felix Bodanskii, Rimma Skotarenko.
V. Repkin entendeu desde o início que o estudo exigia a solução de questões teóricas e práticas muito complexas que não tinham respostas na ciência psicológica e na prática pedagógica. Além disso, descobrir esses problemas e defini-los como objetivos de pesquisa também foi um processo criativo complexo. Testes experimentais cuidadosos e demorados das hipóteses sempre foram necessários.
Por exemplo, um dos primeiros problemas descobertos por Vladimir Repkin foi o da correlação entre as condições para a formação dos conhecimentos teóricos e habilidades práticas. Ele entendeu que, para projetar uma nova aprendizagem como um sistema integral, devia haver métodos uniformes. No laboratório de V. Davidov e D. Elkonin, esse problema não foi levantado, a tarefa de desenvolver habilidades e hábitos práticos foi resolvida por métodos tradicionais. Para ilustração, vamos nos concentrar na resolução desse problema ao construir um sistema integral de aprendizagem do curso de língua russa para a escola primária. V. V. Repkin com P. S. Zhedek mostrou que uma generalização significativa dos métodos ortográficos só pode ser assegurada se a aprendizagem da ortografia for consistentemente orientada desde o início para a teoria fonética. O desenvolvimento de programas e a realização adequada da aprendizagem demonstraram que, no final do 1º ano, os alunos conseguem dominar o princípio fonético da escrita russa, cuja posterior concretização garante, por um lado, a assimilação de um sistema de conceitos linguísticos, e, por outro lado, a formação intensiva de conceitos ortográficos com base naqueles conceitos linguísticos e ações, e transformá-los em habilidades sólidas. Diferia fundamentalmente não apenas do programa tradicional, mas também das variantes de programas experimentais que naquela época haviam sido criadas no laboratório de Elkonin-Davidov: L. I. Aidarova e E. E. Shulezhko (REPKIN, 1998).
Para resolver cada problema em todas as etapas da pesquisa, Vladimir Repkin organizou uma busca criativa conjunta de pesquisadores e professores. Assim, cada pesquisador e professor que trabalhou no laboratório tornou-se coautor desse processo criativo. Seria um erro apresentar isso como algum tipo de comunhão pacífica e calma. Muitas vezes eram disputas emocionais nas quais nascia a ideia de resolver um problema, ou novas questões. Vladimir Repkin ficou surpreso com o fato de colegas pesquisadores nem sempre perceberem e entenderem os problemas que surgiam. De fato, nem todo interlocutor poderia possuir um conhecimento tão amplo em vários campos da ciência (psicologia, linguística, filosofia) quanto V. Repkin. E o mais importante, ele não tinha apenas conhecimento, mas uma compreensão profunda dos problemas e a capacidade de ver as conexões entre eles, uma “visão” surpreendentemente rápida da situação como um todo, destacando conexões significativas nela. Muitas vezes, Vladimir Repkin não entendia que outros pesquisadores não tinham um nível de desenvolvimento do pensamento, da compreensão e da memória como o dele. Ele às vezes se perguntava como um pesquisador ou professor poderia esquecer alguma coisa. No processo, quando os problemas foram colocados em conjunto e resolvidos experimentalmente, nesta complexa atividade criativa conjunta, o pesquisador criativo independente e o professor criativo "cresceram".
Depois de muitos anos, hoje é difícil imaginar como Vladimir Repkin conseguiu com sua pequena equipe trabalhar tanto.
Cada lição foi projetada pelo autor e, em seguida, o autor e o professor implementaram em conjunto uma aula real em uma sala real. Mas todos os dias era necessário preparar duas ou três novas aulas com professores diferentes em turmas diferentes. Os projetos de aulas elaborados tiveram que ser testados na prática, ou seja, realizar uma aula na presença, e por vezes com participação ativa, dos investigadores com quem foi desenhada, bem como com colegas professores e dirigentes escolares. Colegas, psicólogos e o líder Petr Ivanovich Zinchenko participaram ativamente da discussão das aulas. Foi realizada uma análise substantiva detalhada do que foi e do que não foi possível, foi criado um rascunho de novas lições, tendo em conta os erros cometidos e as novas ideias que surgiram. E assim, dia após dia, mês após mês, ano após ano.

Fonte: Arquivo pessoal da família.
Foto 13 Vladimir e Galina Repkin com suas filhas vieram para Kharkiv para se matricular na pós-graduação. Verão de 1962 (esposa Galina e filhas).
Através deste enorme trabalho, um novo sistema de educação foi criado e melhorado, e surgiram professores de um novo tipo - professores - coautores de uma nova educação experimental (o conceito e o termo de sistema de aprendizagem desenvolvimental só aparecerá muito mais tarde). Os professores que trabalharam no sistema de aprendizagem desenvolvimental por, pelo menos, alguns anos não podiam mais recusá-lo. Tornou-se para eles a única forma possível de atividade pedagógica. Os professores que trabalharam com Vladimir Repkin mantiveram um profundo contato espiritual com ele até os últimos dias de sua vida e agradeceram pela oportunidade de se tornar uma pessoa criativa.
Vou contar um pouco sobre as condições de vida de Vladimir Repkin e sua família nesse período. Quando os Repkin chegaram a Kharkiv para fazer pós-graduação, a família tinha três filhas. Natasha estava no 3º ano, Tonya tinha quase sete anos e Alyonka tinha menos de dois anos.
Enquanto estudavam na pós-graduação e depois por vários anos de trabalho, os Repkin moraram com suas três filhas em um dormitório de 19 metros quadrados na Universidade de Kharkiv. O “quarto das crianças” para as meninas era uma parte estreita da sala comum, cercada por guarda-roupas. As aulas eram ministradas, brincavam e dormiam nas camas dobráveis das crianças no mesmo lugar. Vladimir fez prateleiras para eles ao longo de toda a parede sob a janela. Essa estante servia de mesa onde eram ministradas as aulas, embaixo dela havia estantes para livros e brinquedos. O lavabo e a cozinha compartilhada ficavam no corredor e eram utilizados pelos inquilinos de outros 19 quartos. Quase todos os dias, vários funcionários e professores vinham trabalhar com Vladimir Repkin ao mesmo tempo. Depois do trabalho, muitas vezes sentavam-se para jantar juntos. À mesa, muitas vezes continuavam a conversar sobre trabalho. Às vezes ouviam música, contavam histórias interessantes, liam poesia. As crianças ficavam quietas atrás da divisória e ouviam. Surpreendentemente, todos ficavam felizes. Assim, eles viveram por 8 anos, após os quais as autoridades da cidade forneceram a Vladimir Repkin um apartamento confortável.
6. Defesa de dissertações e continuidade de pesquisa.
As dissertações de Vladimir e Galina Repkin foram defendidas na Universidade de Moscou, em 1967. Assim como a tese, defenderam o trabalho em um dia, mas apenas cada um sobre o seu tema. O trabalho de Vladimir Repkin “Organização psicológica do material científico e o sucesso da aprendizagem” foi recebido com grande interesse. É claro que ocorreu uma discussão animada, na qual Vasily Davidov e Daniil Borisovich Elkonin participaram ativamente. Após a defesa, Vladimir e Galina Repkin, junto com Vasily Davidov, foram até sua casa, onde continuaram a discutir a pesquisa e fizeram planos para o futuro. Foram para a cama muito tarde e às cinco da manhã acordaram com os sinais altos de um carro embaixo do janelas. Davidov olhou pela janela e viu o que havia por baixo da janela era um táxi. Acontece que os Repkin tinham esquecido suas dissertações e todos os documentos no carro. Eles ainda não perceberam, mas a perda de documentos e dissertações naquela época era um problema muito grande. O motorista encontrou os documentos, procurou lembrar qual dos passageiros poderia esquecê-los, para onde estava levando essas pessoas, e localizou o endereço!
Depois de defender sua tese, Vladimir Repkin dirigiu o Departamento de Educação Primária do Instituto Pedagógico de Kharkiv e deu palestras sobre psicologia para alunos - futuros professores. O principal trabalho que ocupou o resto de seu tempo foi o trabalho no laboratório. Naquela época, o laboratório estava localizado em uma pequena casa no pátio da escola nº 17, para onde V. Repkin se mudou, em 1965, junto com professores, alunos e um grupo de pesquisa. Era chamado de “Laboratório da atividade de estudo dos alunos da escola primária". Se no começo, em 1963, o experimento foi iniciado por um grupo de 4 pessoas, a partir do final da década de 1960, de 10 a 15 pesquisadores participaram do trabalho em momentos diferentes. G. K Sereda concluiu o estudo da memória involuntária e deixou o laboratório. O estudo incluiu pessoas talentosas que adoravam novas ideias. Vladimir Repkin teve seus próprios alunos de pós-graduação (N.I. Matveeva, I.I. Veshtak, V.T. Dorokhina) e candidatos a doutor em ciências (P.S. Zhedek, A.K. Dusavitskii e outros).
Os principais problemas nos que V. Repkin trabalhou naquela época foram o conceito de atividade de estudo, a análise aprofundada de sua estrutura e de seus componentes (interesse cognitivo, aceitação da tarefa de estudo, estabelecimento de objetivos, controle), construção de um curso de língua russa para os anos iniciais do nível fundamental com base na teoria fonética.
Em 1968, o Estúdio de Televisão de Kharkiv rodou o filme intitulado “2 x 2 = X” na escola experimental, que despertou grande interesse quando exibido na Televisão Central. O filme foi premiado no festival internacional de documentários e não perdeu sua relevância até hoje. Nenhum filme foi feito posteriormente sobre aprendizagem desenvolvimental que pudesse ser comparado com ele em termos de qualidade. Vladimir Repkin participou ativamente de todas as etapas - desde a discussão do roteiro até os comentários do filme. O roteiro do filme foi criado por Alexander Dusavitskii, que se empolgou tanto com o experimento que deixou o emprego de engenheiro e ingressou na pesquisa da atividade de estudo. O principal problema que estudou junto com V. Repkin foi o desenvolvimento do interesse cognitivo dos alunos da escola primária em condições de aprendizagem experimental. Mais tarde, Alexander Dusavitskii escreveu um livro científico popular "2 x 2 = X", no qual conta de forma fascinante e acessível a experiência dos psicólogos de Kharkiv sobre o desenvolvimento de crianças em idade escolar no processo de atividade de estudo.
7. Trabalho no Departamento de Psicologia da Universidade de Kharkiv.
Em 1972, graças ao apoio ativo de Alexei Nikolaevich Leontiev, que chefiou a Escola de Psicologia de Kharkiv, na década de 1930, um departamento de psicologia foi aberto na Universidade de Kharkiv. Vladimir Vladimirovich Repkin foi convidado a se mudar do Instituto Pedagógico para a universidade. Lecionou no Departamento de Psicologia nos cursos de formação as disciplinas de “Introdução à Psicologia”, “Psicologia Geral”, “Desenvolvimento da Personalidade” e “Psicologia da Atividade de Estudo”. As palestras dadas por Vladimir Repkin podem ser chamadas de problema teórico. Mas esta será sua classificação formal, que não reflete a essência. Concordo plenamente com o que A.K. Dusavitskii escreveu sobre palestras de V. V. Repkin.
A psicologia como ciência surge nas palestras e seminários de V. V. Repkin em toda a sua atraente complexidade, consistência e problemática. As palestras de V. V. Repkin não são um conjunto de conhecimentos e conceitos psicológicos, elas são a chave para pensar o desenvolvimento da ciência psicológica, sua historicidade. Vladimir Vladimirovich dialoga com os alunos do primeiro ano sem qualquer subsídio para a idade "jovem", faz com que leiam monografias, e não apenas respondam a um exame baseado no livro didático elaborado para as faculdades de formação de professores. Os primeiros graduados do Departamento de Psicologia da Universidade de Kharkiv receberam uma verdadeira educação universitária de acordo com V. V. Repkin que permitiu que muitos deles posteriormente trabalhassem com sucesso em muitos ramos da psicologia teórica e prática (DUSAVITSKII; REPKIN, 2002, p. 16).
Acrescentaria que cada palestra lembrava uma boa história policial, onde os ouvintes, prendendo a respiração (mas fazendo anotações rapidamente), esperavam o desenrolar dos acontecimentos - desvendando esse emaranhado de contradições na compreensão dos problemas psicológicos. Além dos estudantes de Psicologia, as palestras sempre contavam com a presença de quase todos os funcionários do Departamento de Psicologia da universidade, do pessoal do laboratório e de muitos outros interessados. As anotações, como ex-alunos disseram mais tarde, ainda são mantidas. Os que atuam como professores de Psicologia as utilizam como base para a construção de palestras, enquanto os que não atuaram como professores disseram que, às vezes, simplesmente releem e lembram dessas palestras como um descanso para o pensamento.
Em 1975, V. Repkin deu um curso sobre a teoria da atividade de estudo para estudantes de psicologia na Universidade de Kharkiv. Em 1976-78, Vladimir Vladimirovich publicou uma série de artigos teóricos dedicados ao conceito de atividade de estudo, uma descrição de sua estrutura, a formação da atividade de estudo como um problema psicológico e as condições para sua formação na idade escolar primária.9 São esses textos que Vasily Vasilievich Davidov mais tarde utilizou no livro intitulado Teoria da aprendizagem desenvolvimental (1986) e na seção “Atividade de Estudo” no Dicionário Psicológico elaborado sob sua direção.
8. Preparação para a transição da aprendizagem desenvolvimental para uma escola de massa
Em meados da década de 1970, Vladimir Repkin e sua equipe de pesquisa iniciaram um novo trabalho por ordem do Ministério da Educação, juntamente com o grupo de V. V. Davidov: os preparativos para a transferência do sistema de aprendizagem desenvolvimental de sua forma experimental para a educação em massa de um novo tipo. O grupo de pesquisa de Vladimir Repkin desenvolveu materiais educacionais de forma independente na língua russa, além de que o trabalho com materiais em matemática foi realizado pelo grupo de Kharkiv sob a liderança de F. G. Bodanskii junto com o laboratório de V. V. Davidov.
Por vários anos, V. V. Repkin e seu grupo de pesquisadores especificaram o conteúdo e a lógica da construção de programas de língua russa para a escola primária, prepararam materiais didáticos, desenvolveram métodos de aprendizagem em seus vários estágios etc. Além disso, o conteúdo e a metodologia para conduzir todas as aulas de russo do 1º ao 3º ano foram testados repetidamente em condições reais e também registrado na forma de notas detalhadas.
Vladimir Repkin falou sobre a necessidade de criar um novo tipo de livro didático para os alunos da escola primária. Já em 1967 considerava a criação de livros didáticos a principal tarefa para o futuro próximo. Levando em consideração a experiência acumulada de aprendizagem experimental até o final dos anos 1970, V. Repkin acreditava que o sistema de educação para as escolas de massa não podia ser viável se não for fixado em livros didáticos relevantes. Esta opinião causou sérias e justificadas objeções de V.V. Davidov: de fato, como você pode resolver um problema de aprendizagem em uma aula se o livro didático já tiver um caminho de solução e respostas? Para V. Repkin ficou claro que os livros escolares existentes não correspondiam aos princípios da aprendizagem desenvolvimental. V. Rekpin e seu grupo começaram a desenvolver um novo tipo de livros didáticos. No início dos anos 1980, foi possível criar a primeira versão dos livros didáticos de russo para o 1º ao 3º ano. Esses livros didáticos, em termos de conteúdo, estrutura e métodos de apresentação do material, atendem aos objetivos da aprendizagem desenvolvimental e podem ser usados como um dos meios mais importantes para modelar a atividade de estudo dos alunos.
Durante esses anos, Repkin estabeleceu contato próximo com um grupo de funcionários do Instituto de Língua Russa da Academia de Ciências da URSS sob a liderança de M.V. Panov, que, pela primeira vez, ofereceu aos alunos da escola de nível médio ano o domínio do sistema de conceitos científicos da linguística moderna. Vladimir Repkin apreciou muito esta cooperação, e acreditou que ajudou muito a entender melhor o curso de idiomas para a escola primária e começar a construir sua continuação no ensino médio.
O trabalho na criação e melhoria de disciplinas educacionais para escolas primárias e de nível médio continuou por muitos anos, mas no início dos anos 1980, a preparação de materiais em língua russa e matemática foi basicamente concluída. Isso criou os pré-requisitos para a implantação de um sistema de aprendizagem desenvolvimental na escola de massa de nível primário.
9. Proibição da aprendizagem desenvolvimental.
No entanto, não foi possível realizar esses pré-requisitos na época, pois o trabalho do laboratório de V.V. Davidov em Moscou, e o grupo Kharkiv de V. V. Repkin foi de maneira inesperada completamente encerrado por ordem da liderança do país. Os experimentos nas escolas foram proibidos, os inspetores das autoridades vieram à escola, entraram inesperadamente nas salas de aula e olharam por quais livros as crianças estavam aprendendo. Mas Vladimir Repkin e alguns de seus funcionários continuaram trabalhando (sem remuneração, porque o laboratório estava fechado) e mantiveram a esperança de que a proibição fosse suspensa. Alguns professores não podiam trabalhar de acordo com os programas tradicionais. Eles agora lembram com um sorriso que um livro qualquer estava nas carteiras das crianças, mas o livro experimental estava embaixo da mesa, e foi nele que as crianças estudaram.
A esperança pela possibilidade de continuar o experimento permaneceu com D. B. Elkonin e V. V. Davidov. Vladimir Repkin continuou a se comunicar com eles. Certa vez, quando Davidov foi demitido do cargo de diretor do Instituto de Psicologia e outro diretor foi nomeado, Vladimir Repkin se solidarizou muito com Davidov e entregou uma gravação de uma música na qual o autor, brincando, explicava por que uma pessoa incompetente costuma ocupa um "lugar sagrado". A autora deste artigo pegou pessoalmente esta fita e pode confirmar que Vasily Vasilyevich, que tinha um grande senso de humor, apreciou a música.
Durante esses anos de proibição da aprendizagem desenvolvimental, Vladimir Repkin trabalhou como chefe do departamento de língua russa em um dos institutos técnicos de Kharkiv e tentou ativamente implementar lá as principais ideias da aprendizagem desenvolvimental na língua russa para estudantes estrangeiros.
10. O sistema de aprendizagem desenvolvimental em uma escola de nível médio de massa
Apenas 5 anos depois, em 1988, quando a situação geral do país mudou, V. Repkin retomou as pesquisas interrompidas com um pequeno grupo de ex-funcionários do laboratório. Mas uma nova tarefa já apareceu de imediato: descobrir as possibilidades e condições para dominar o sistema de aprendizagem desenvolvimental pelos alunos das escolas de educação geral de massa. Vladimir Repkin e Vasily Davidov, por iniciativa do chefe da organização educacional sem fins lucrativos "Evrika" Alexander Adamsky, começaram a familiarizar os professores com a aprendizagem desenvolvimental. Um interesse muito grande, como os participantes lembraram, foi causado por tal encontro entre V. Repkin e os professores na cidade de Sochi.

Fonte: Arquivo pessoal da família.
Foto 15 V.V. Repkin dá palestras sobre Aprendizagem do Desenvolvimento. Verão de 1989.
Já em 1988, sob a liderança de seu grupo, 13 professores trabalhavam em Kharkiv e no Território de Krasnodar. Um ano depois, o número de turmas que trabalhavam em programas de aprendizagem desenvolvimental chegava a várias dezenas e, desde 1990, hegava às centenas. Em 1995, estimou-se que o número de alunos no Sistema de Aprendizagem Desenvolvimental era ligeiramente inferior a 10% do número total de alunos no nível primário. Turmas separadas e escolas inteiras na Ucrânia, Rússia, Cazaquistão e países bálticos começaram a funcionar.
O grupo de pesquisa de V. V. Repkin, por iniciativa de V. V. Davidov, ingressou como laboratório independente no Instituto de Inovações Pedagógicas da Academia de Ciências Pedagógicas da URSS. V. V. Repkin usou ativamente essas oportunidades para expandir a aprendizagem experimental.
Provavelmente, foi o trabalho tão ativo e um surto criativo que ajudou V.V. Repkin a sobreviver à tragédia que aconteceu na vida de sua família na primavera de 1988. Inesperadamente, e de maneira trágica, a filha do meio Tonya faleceu (uma complicação após o parto). Vladimir Repkin a amava muito, não era apenas amor pela filha, mas algum tipo de profundo afeto espiritual. Tonya tinha apenas 31 anos e meio, seis filhos ficaram sem mãe, o mais novo tinha três meses...
O trabalho de V. V. Repkin em Moscou, no Instituto de Inovações Pedagógicas da APS da URSS, não durou muito: em 1991, a URSS deixou de existir e a Ucrânia tornou-se um país independente. Passou a ser impossível para V. Repkin administrar o laboratório em Moscou. Mas a aprendizagem desenvolvimental já estava nas escolas de massa e o trabalho devia continuar. Portanto, V. V. Repkin, junto com A. M. Zakharova, criou em Kharkiv o Centro Científico e Metodológico Independente de Aprendizagem Desenvolvimental. Além disso, Vladimir Vladimirovich continuou a administrar o trabalho do laboratório, mas já foi transferido para a escola nº 4 e depois para a escola nº 85 em Kharkiv.
V. V. Repkin preservou com V. V. Davidov relações de trabalho, criativas e amigáveis, mas, como antes, foi uma cooperação bastante autônoma. Repkin e Davidov não concordaram em várias questões teóricas e práticas (cf. PUENTES, 2022). Por exemplo, Davidov, por um lado, deu palestras para professores com grande interesse e entusiasmo, por outro lado, foi muito cuidadoso com a disseminação da aprendizagem desenvolvimental nas escolas de massa. Além disso, até os últimos anos de sua vida, Davidov acreditava que a presença de livros didáticos atrapalharia a organização da aprendizagem desenvolvimental. Escrevemos sobre algumas diferenças na compreensão dos problemas teóricos da aprendizagem desenvolvimental entre V. Repkin e V. Davidov (REPKIN; REPKINA, 2019).

Fonte: Arquivo pessoal da família.
Foto 17 Vasily Davydov, Zinaida Lozing, Vladimir Repkin, Vyacheslav Lozang. Krasnoyarsk, 1993.
O principal e mais difícil problema, segundo V. V. Repkin, durante a transição da aprendizagem desenvolvimental para a escola de massa, foi a formação de professores para a implantação do sistema.
Vladimir Vladimirovich acreditava que era impossível preparar professores para este trabalho por meio de métodos tradicionais de transferência de informações. Ele propôs o método de aprendizagem "incluído", quando os professores recebem relativamente pouca formação preliminar, começam a realmente trabalhar em programas de aprendizagem desenvolvimental e, periodicamente, sob a orientação e com a participação de metodólogos experientes, discutem coletivamente os problemas que surgiram e as formas de resolvê-los, e delinear um programa de ações futuras. Neste trabalho, Vladimir Repkin sempre teve um papel muito ativo, juntamente com os metodólogos do Centro.
Vladimir Vladimirovich acreditava que o professor em formação deveria receber não apenas o conhecimento de aprendizagem de línguas e matemática, mas também compreender os fundamentos psicológicos da aprendizagem desenvolvimental. Portanto, desde o início desses cursos para professores em diferentes cidades, ele lecionou psicologia da aprendizagem desenvolvimental. Foi nesses cursos nos que ele sempre deu muita atenção aos conceitos básicos da aprendizagem desenvolvimental e da teoria da atividade de estudo. O conteúdo mudava a cada ano, e uma versão das palestras proferidas em Riga, em 1992, foi publicada.
Ele também deu palestras para professores sobre as especificidades da aprendizagem desenvolvimental da língua russa em escolas de nível primário e médio. Enquanto trabalhava no Instituto Siberiano de Aprendizagem Desenvolvimental (mais sobre isso abaixo), ministrou um curso exclusivo intitulado “Metodologia da língua russa no sistema de aprendizagem desenvolvimental”.
A ideia de Vladimir Repkin de uma "escola de excelência em aprendizagem" para professores de aprendizagem desenvolvimental foi muito interessante e promissora. Esses professores já haviam concluído anteriormente os cursos de professor e metodólogo, mas queriam melhorar ainda mais suas habilidades na teoria. V. Repkin convidou esses professores de diferentes cidades para virem à Escola de Aprendizagem Desenvolvimental de Kharkiv, que tinha um laboratório. Os professores planejaram as aulas juntos, conduziram-nas na presença de outros professores, metodólogos e autores de disciplinas escolares. Após as aulas, eles discutiram juntos as mesmas, os problemas que surgiram e planejaram as próximas aulas. O trabalho se mostrou extremamente eficaz tanto para o crescimento profissional dos professores quanto para o entendimento dos autores dos programas, bem como para a melhoria sistemática da proposta.

Fonte: Arquivo pessoal da família.
Foto 18 V.V. Repkin com um grupo de alunos da Escola de Excelência Pedagógica, 1996. Da esquerda para a direita na linha inferior, a metodóloga da língua russa Tatiana Nekrasova, a psicóloga Galina Viktorovna Reepkina, Vladimir Vladimirovich Repkin.
Um incidente interessante ocorreu quando os professores da “escola” davam aulas de russo. Os professores planejaram e conduziram as aulas em conjunto, mas não funcionou na hora que os alunos precisavam “descobrirem” o que era um fonema. Foi necessário realizar a quinta aula sobre este tema, mas resultava completamente incompreensível como fazê-lo, porque, em primeiro lugar, os alunos já tinham perdido a motivação e, em segundo lugar, porque descobriu-se durante as aulas que, por várias razões, alguns alunos não foram suficientemente formados para compreender o material. Os professores (e eles eram professores do sistema de aprendizagem desenvolvimental muito experientes!) ficaram confusos porque todas as ideias estavam esgotadas. Então Vladimir Vdazhimiolvich Repkin disse que, se nada realmente pode ser feito nessa situação, a aprendizagem desenvolvimental deve ser encerrada.
V. V. Repkin começou sugerindo que os alunos aproveitassem o tempo “só para conversar” porque ele não era professor e não iria dar aula. Assim, resolveu imediatamente o problema da motivação. Esta "conversa", ou melhor, este diálogo de estudo, Vladimir Vladimirovich o organizou como um excelente diretor. O problema com algumas das habilidades ausentes dos alunos foi resolvido por Repkin de maneira muito simples, exatamente de acordo com Lev S. Vigotski. Vladimir Vladimirovich executou essas ações junto com os alunos, e as crianças lidaram com tudo. Foi um excelente exemplo de trabalho na zona de desenvolvimento possível. A aula terminou com uma vitória total - os alunos esclareceram o conceito por si próprios, demonstraram um bom entendimento do mesmo e domínio do método na resolução das tarefas práticas propostas.
Durante o trabalho da escola de excelência pedagógica e nas escolas-laboratório das cidades de Kharkiv, Lugansk e Samara, por iniciativa de Vladimir Repkin, foi realizado um vídeo profissional de um grande número de aulas, sua discussão e o processo de concepção realizado. Com base nesses materiais, foram feitos filmes para professores com comentários de Vladimir e Galina Repkin. Esses filmes forneceram um material muito valioso para professores e metodólogos do sistema de aprendizagem desenvolvimental.
Durante todos os anos de existência do grupo de pesquisa de Kharkiv, Galina Repkina invariavelmente participou dele. No início da pesquisa de Vladimir Repkin sobre a organização da aprendizagem experimental, ela esteve constantemente envolvida tanto na discussão do projeto de aprendizagem quanto na análise das aulas. Galina Viktorovna participou ativamente da pesquisa de dissertação de Vladimir Repkin. Juntamente com Vladimir Repkin, eles conduziram um experimento de aprendizagem com alunos para estudar a influência do método de organização psicológica do material na estrutura da atividade de estudo.
Depois de defender sua dissertação, ao longo de muitos anos, Galina Viktorovna trabalhou como professora de psicologia e se envolveu em pesquisas sobre problemas da memória no campo da psicologia da engenharia. Mesmo assim, nesse período ela participou ativamente do desenvolvimento dos problemas da aprendizagem desenvolvimental com Vladimir Repkin. A discussão de programas, livros didáticos e aulas muitas vezes acontecia na casa dos Repkin, e Vladimir Vladimirovich, em momentos difíceis e controversos, frequentemente pedia a Galina Viktorovna que ouvisse e oferecesse conselhos. Ela foi especialmente ativa na concepção e análise dos resultados de pesquisas sobre a atividade de estudo.
Mais tarde, durante a formação da teoria da aprendizagem desenvolvimental na escola pública, Galina Viktorovna Repkina deixou seu emprego como professora e ingressou na pesquisa da atividade de estudo no Laboratório de Aprendizagem Desenvolvimental de Kharkiv. Ela esteve presente nas aulas nas escolas de Kharkiv e em diferentes cidades onde os professores trabalhavam de acordo com os programas de V.V. Repkin. No processo deste trabalho, Galina Viktorovna desenvolveu um esquema para diagnosticar as características da atividade de estudo dos alunos dos anos iniciais do nível fundamental, que os professores da aprendizagem desenvolvimental começaram a usar. Galina Viktorovna, juntamente com Vladimir Vladimirovich, participou da realização de cursos para a formação de professores do sistema de aprendizagem desenvolvimental.
Vladimir Vladimirovich sempre apreciou muito a sabedoria, a intuição e a profunda compreensão da psicologia de Galina Viktorovna. Durante todos os anos de convivência, ela foi para ele a principal interlocutora em todos os temas. Ele discutiu com ela todas as suas ideias, não deixou de ler para ela seus artigos finalizados.
Galina Viktorovna era uma pessoa incrivelmente gentil e simpática. Muitos funcionários do laboratório e professores recorreram a ela em busca de aconselhamento psicológico sobre assuntos profissionais e pessoais. E o mais importante, ela era a alma da família, a alma da casa.
Durante 10 anos, Vladimir Repkin, como reitor, supervisionou a formação de professores no Instituto Siberiano de Aprendizagem Desenvolvimental, na cidade de Tomsk. Este trabalho era diferente dos programas de treinamento ou reciclagem de professores. Era preciso preparar os alunos, muitos dos quais não haviam sido professores, e não requalificar os professores, como acontecia nos cursos de aprendizagem desenvolvimental. Além disso, esta não era uma oportunidade para treinamento de curto prazo, mas para um trabalho de estudo sistemático de acordo com um currículo completo, como em um instituto pedagógico. V. Repkin, juntamente com uma equipe criativa e muito interessada de professores do instituto, encontrou novas abordagens e métodos para a formação de professores do sistema de aprendizagem desenvolvimental e os executou com sucesso.

Fonte: Arquivo pessoal da família.
Foto 20 V.V. Repkin com a professora do Instituto Siberiano de Aprendizagem Desenvolvimental Irina Markedonova. Cidade de Tomsk, 1998.
Com a ajuda e participação direta de V. Repkin, foram criados centros para a aprendizagem desenvolvimental em Tomsk, Samara e Lugansk. Várias vezes ao ano ele vinha até aos professores, dava palestras, discutia as aulas, oferecia consultas. A sua comunicação com os professores foi sempre muito dialógica, interessava-se atentamente pelas opiniões, problemas, dificuldades. Vladimir Repkin tratou os professores com profundo respeito e realmente fez todo o possível para que os professores pudessem se tornar coautores do Sistema de Aprendizagem Desenvolvimental. Como resultado deste trabalho, vários professores tornaram-se coautores de livros didáticos e auxiliares da aprendizagem.

Fonte: Arquivo pessoal da família.
Foto 21 V.V. Repkin lê um livro sobre a professora de russo Galina Sokolova. Cidade de Samara, 1998.
A segunda tarefa mais importante de trabalho em uma escola de massa de acordo com o sistema de aprendizagem desenvolvimental, segundo Vladimir Repkin, foi o desenvolvimento de materiais didáticos. Ele analisou os novos requisitos e a experiência acumulada ao longo dos anos na implementação do sistema e, juntamente com os coautores, realizou um ajuste fundamental dos materiais previamente preparados e desenvolveu novos.
Depois de 1991, um país independente foi criado na Ucrânia. Nesse sentido, o estado passou gradativamente a prestar mais atenção ao desenvolvimento da língua ucraniana. Na Ucrânia, a língua russa foi imposta artificialmente por muitos anos. As crianças estudaram ucraniano como língua estrangeira, em muito menos anos escolares do que o russo. Para a aprendizagem da língua ucraniana, apenas 1 aula por semana era alocada nos anos iniciais do nível fundamental, enquanto as aulas de língua russa eram 8 aulas por semana. Além disso, durante o período alfabético, as crianças aprendiam primeiro a língua russa e, seis meses depois, aparecia uma aula de língua ucraniana. Vladimir Vladimirovich entendeu a necessidade do conhecimento da língua nativa e deu grande importância à criação de livros didáticos de língua ucraniana. O problema era muito difícil, porque era necessário não só pensar no sistema de tarefas de estudo, e ao mesmo tempo correlacioná-lo com o sistema de tarefas de estudo da língua russa, mas também de alguma forma “colocar” o material didático necessário em esta lição. O desenvolvimento de livros didáticos em língua ucraniana começou em 1991, com os metodólogos de Kharkiv Petrovna Sosnitskaya Nadezhda e Galina Nikolaevna Vlasenko, sob a liderança de Vladimir Vladimirovich Repkin. Eles trabalhavam o dia inteiro, discutiam o programa, o aluno, construíam planos de aula. No início da segunda metade do 1º ano, um novo livro didático já havia sido desenvolvido. Não foi publicado, os alunos receberam um texto impresso para cada aula. Para cada aluno (eram 62), Petrovna Nadezhda e Galina Nikolaevna imprimiram material didático em papel carbono em uma máquina de escrever. O mesmo texto teve que ser impresso 11 vezes. Cada aula foi ministrada em duas turmas experimentais das escolas nº 146 e nº 64 da cidade de Kharkov. Os desenvolvedores sempre estiveram presentes nas aulas. Depois disso, eles discutiram os resultados com Repkin, decidiram o que precisava ser mudado. Em 1994 o livro já foi publicado. Em seguida, os autores desenvolveram livros didáticos para os anos seguintes da escola primária. No ano letivo de 1996/1997 em duas turmas da escola nº 85 de Kharkiv, a cartilha dos autores indicados foi testada com sucesso. Desde o início do século 21, os autores E. A. Perepelitsyna, N. P. Sosnitskaya e I. P. Staragin desenvolveram um programa, livros didáticos e auxiliares de aprendizagem do idioma ucraniano para os alunos da escola primária, que foram repetidamente revisados e republicados. Os programas e livros didáticos sempre foram aprovados pelo Ministério da Educação e receberam os respectivos selos.
Hoje, as classes de aprendizagem desenvolvimental operam em muitas regiões da Ucrânia. Somente na região de Kharkiv eles estão em 31 escolas.
Vladimir Vladimirovich entendeu que a introdução da aprendizagem desenvolvimental nas escolas de massa levantava fortemente o problema da organização de sua sucessão na escola de nível médio. Para garantir a continuação da aprendizagem desenvolvimental nos anos intermediários, ele e os coautores prepararam uma série de livros didáticos em russo para 5º a 8º. Ao trabalhar em novos livros didáticos para esse nível, V. Repkin organizou o trabalho de um grupo criativo de professores, metodólogos e coautores que moravam em diferentes cidades. Eles vieram para trabalhar junto com V. V. Repkin, discutiram os resultados do trabalho, os problemas que surgiram na implementação dos projetos em turmas escolares reais, etc.
Vladimir Repkin sabia que um professor de uma escola de massa, quando domina a aprendizagem desenvolvimental, tem muitas perguntas todos os dias, mas não tem ninguém para perguntar. Portanto, nos anos 1990, V. V. Repkin escreve o livro intitulado O começo do tempo. Nele, Vladimir Vladimirovich analisa os problemas psicológicos e metodológicos do estágio inicial de aprendizagem da língua russa para alunos mais jovens de acordo com o sistema de aprendizagem desenvolvimental. Este foi apenas o começo do trabalho metodológico. Na década de 1990, sob a liderança e com a participação de V. V. Repkin, muito trabalho foi destinado à preparação de manuais metodológicos para professores de aprendizagem desenvolvimental (T.V. Nekrasova e outros).
Um evento significativo para a aprendizagem desenvolvimental foi a publicação de um Dicionário Educacional da Língua Russa fundamentalmente novo. Vladimir Repkin trabalhou nisso por muito tempo e com cuidado. A ideia foi esclarecida várias vezes, já que não havia análogo de tal dicionário. O Dicionário para os anos de 2º - 7º, foi publicado em 1993. Depois disso, Vladimir Vladimirovich o retrabalha de maneira muito significativa e, no aniversário de Alexander Pushkin, afirmou que este era um dicionário único no qual as classes gramaticais de palavras da língua russa moderna estão claramente marcadas. Explicações são dadas para cada palavra, sinônimos e antônimos são anexados. O uso de palavras na fala russa é ilustrado por trechos das obras de A.S. Pushkin.10
Em dezembro de 1994, Vasily Davidov e Vladimir Repkin se encontraram na cidade de Tomsk durante a participação em uma conferência sobre aprendizagem desenvolvimental. À noite, os dois discutiram uma série de problemas relacionados à disseminação da aprendizagem desenvolvimental na escola pública. Eles chegaram à conclusão de que, para identificá-los e resolvê-los, era necessário combinar os esforços de cientistas e professores que se dedicam a essa concepção. Foi então que se decidiu que a criação da Associação Internacional de Aprendizagem Desenvolvimental contribuiria para isso. A Associação foi criada em outubro de 1995 em uma conferência em Moscou, enquanto que Davidov e Repkin se tornaram os líderes. Pouco tempo depois, Vladimir Repkin, com Alexander Dusavitskii e o acadêmico Sergei Maksimenko, criaram a Associação Ucraniana para de Aprendizagem Desenvolvimental. Vladimir Vladimirovich participou muito ativamente do trabalho de ambas as associações. A última vez que ele falou na conferência da associação foi em 2020.
No final da década de 1990, Galina e Vladimir Repkin voaram para Sakhalin para dar palestras para professores que estudaram no Instituto Siberiano de Aprendizagem Desenvolvimental. Os Repkin ficaram felizes em ver mais uma vez sua amada ilha, sua natureza e professores. Os professores ficaram felizes por terem ouvido as palestras dos Repkin e por poderem obter respostas para suas perguntas e conversar pessoalmente. Vladimir Vladimirovich descobriu que na escola onde trabalhara 30 anos atrás, agora o diretor era seu aluno favorito. Claro, isso foi uma notícia muito boa para Vladimir Vladimirovich.
11. Mudança para Lugansk
No mesmo ano, Vladimir e Galina Repkina, com sua filha mais nova Alena, mudaram-se para a cidade de Lugansk. A filha mais velha Natalya Repkina e sua família moravam e trabalhavam lá.
Vladimir Repkin continuou a trabalhar ativamente em livros didáticos e artigos científicos. Mesmo nos últimos anos de sua vida em Kharkiv, Vladimir Vladimirovich aprendeu a trabalhar no computador e isso o ajudou muito. Continuou trabalhando com os professores. Os professores vieram a ele de outras cidades. Durante este período, Vladimir Vladimirovich ficou muito satisfeito em trabalhar com coautores de livros didáticos. Basicamente, ele trabalhou com Elena Vostorgova e Tatyana Nekrasova: às vezes era necessário mudar alguma coisa nos livros didáticos dos anos iniciais do nível fundamental, mas na maioria das vezes durante esses anos eles trabalharam nos livros didáticos do ensino médio. O trabalho era especialmente alegre no verão. Uma escrivaninha era colocada no pátio da casa, sob as videiras. E depois do trabalho, Vladimir Vladimirovich recitava poemas encomendados pelos ouvintes. Tatyana e Elena se lembraram desses dias alegres e românticos por muito tempo.
Vladimir Repkin não tinha uma visão muito boa desde a infância, mas sempre se adaptou ao fato de que estava piorando: adquiriu novos óculos, trocou o monitor ... Com cerca de oitenta anos, Vladimir Vladimirovich perdeu completamente a visão - ele levantou-se de manhã e descobriu que não conseguia ver nada. Ele não queria ir ao médico, porque não acreditava que eles pudessem ajudar em alguma coisa. Não demorou mais de uma semana e ele se adaptou a isso. Ele localizava os objetos pelo toque, principalmente porque sempre foi muito cuidadoso - colocou todas as coisas em lugares permanentes.
Ele continuou a trabalhar em livros e materiais didáticos. Todos que trabalharam com Vladimir Repkin ficaram surpresos com a rara memória que ele tinha. Lembrava-se perfeitamente de todos os materiais dos anos anteriores, muito raramente pedia para ler novamente algo dos novos desenvolvimentos, explicava exatamente onde, em quais páginas, procurar o texto que precisava. No trabalho técnico (digitação de textos, leitura de materiais necessários etc.), as secretárias estudantis auxiliavam. Vladimir Vladimirovich tinha um relacionamento comovente e terno com eles. Todos os dias depois do trabalho (e trabalhavam 4 horas seguidas), Vladimir Vladimirovich conversava com as meninas sobre sua vida, problemas para estudar na universidade, lia poesia com frequência ou falava sobre escritores ou poetas. A relação continuou mesmo após o fim do trabalho conjunto, até o fim de sua vida às vezes ligavam e continuavam a se falar.
Durante este período difícil da vida, Vladimir Repkin teve um relacionamento surpreendentemente terno com sua filha mais nova, Alena. Quando ele perdeu a visão, Alena começou a cuidar dele. Ela não trabalhava por problemas de saúde e dedicava todo o seu tempo livre ao pai. Ela alegremente ia até ele assim que chamava, e brincando o chamava de "meu filho", e todos, especialmente Vladimir Vladimirovich, gostavam muito desse jogo. "Olha o que meu bebê está fazendo!" - isso era sobre o pai dele, e então as coisas ficavam mais fácil e divertidas para todos. Vladimir Vladimirovich às vezes se entregava um pouco deliberadamente e brincava. Alena amava todos na família, cuidava de todos e todos a amavam muito. Portanto, foi uma grande dor quando Alena morreu prematuramente, antes de completar 50 anos. Frequentemente, e especialmente em cada um de seus aniversários, Vladimir Vladimirovich lembrava dela com grande gratidão e tristeza. Ele e todos os seus parentes sentiram a cada passo a ausência dela.
Claro, Vladimir Repkin não estava sozinho: sempre, e principalmente nos momentos difíceis de sua vida, toda a família o apoiou: esposa Galina, filha Natalya, 11 netos e 14 bisnetos. E, parece-me, não adianta procurar entender Vladimir Repkin se você não conhece seu maior amor. Depois de muitos anos, ele carregava um amor tocante e muito romântico por sua esposa Galina. Nunca esquecia de dar flores nas datas memoráveis da convivência deles, no dia em que se conheceram, quando foram juntos ao teatro pela primeira vez... E no aniversário de 80 anos de Galina ele deu 80 lindas rosas vermelhas. Ele já havia perdido a visão, mas explicou ao neto detalhadamente que tipo de rosa comprar, que tamanho, que tonalidade. E quando Galina deixou esta vida, muitas vezes ele perguntou se tínhamos esquecido de colocar nossas margaridas favoritas na frente de seu retrato ...
12. A guerra.
Em 2014, após a ocupação de Lugansk pelas tropas russas, tornou-se perigoso viver ali. Os Repkin decidiram se mudar com a família de Natalya para o centro da Ucrânia. Vladimir Repkin brincou tristemente que a guerra o expulsou de Vinnitsa, em 1941, e o trouxe para Vinnitsa, em 2014.
Durante esses anos, a saúde de Vladimir Repkin piorou e praticamente parou de andar sozinho. Na juventude, ele levava um estilo de vida bastante ativo - passeava com as crianças, andava de trenó com elas, ensinava-as a andar de bicicleta etc. Durante sua vida em Kharkiv, ele ia regularmente caminhando não apenas a trabalhar, mas também para fazer compras. Após uma fratura grave na perna, ocorrida aos 70 anos, ele continuou a viajar para outras cidades, ir às compras, mas aos poucos a atividade foi diminuindo.
Depois de perder a visão, Vladimir Repkin parou de fazer caminhadas. Muitas vezes ele se recusou a ir a qualquer lugar e brincou que você pode assistir a natureza na TV, e na TV é ainda mais bonito. Após o início da guerra e a saída de Lugansk, ele apenas uma vez concordou em sair no terraço e tomar chá com Galina e Natalya. Ele passava o tempo todo em seu quarto: ouvia notícias na Internet e muito mais - música em um gravador especial para cegos. Por muito tempo, apenas deitava e pensava (claro, principalmente nos problemas da aprendizagem desenvolvimental). Vladimir Vladimirovich ficou muito chateado por ele próprio não saber ler braile. Ele não gostava de ouvir áudio-livros, a única exceção era o livro de memórias de Galina Repkina. Ele substituiu a leitura pelo fato de poder ler para si mesmo poemas mentalmente, dos quais se lembrava surpreendentemente. Se ele percebesse que havia esquecido uma linha em algum lugar, pedia para lê-la, mas raramente se esquecia. Acima de tudo, Vladimir Repkin estava triste por ter perdido muitos contatos com alguns parentes, colegas e amigos: alguns deles morreram, enquanto outros estavam muito longe. Alguém vinha visitar muito raramente, só havia comunicação por telefone.
Claro, havia comunicação com a família: a filha mais velha Natalya estava por perto, às vezes vinha um dos netos e bisnetos, e Vladimir Repkin ficava feliz em conversar com eles, ler poesia para eles (e só por alguma coisa, mas tentou para adivinhar o que exatamente eles gostariam), contava histórias interessantes. Surpreendentemente bem lembrado de quais problemas e aventuras cada um deles teve na infância, sobre os quais ele contou fascinantemente.
E neste período difícil da vida, Vladimir Repkin continuou a trabalhar. Apesar de todas as dificuldades, ele consegue trabalhar frutuosamente em materiais em língua russa (claro, no modo Internet) com a coautora Tatyana Nekrasova. Eles falavam muito ao telefone todos os dias, principalmente após a morte de Galina Repkina, Tatyana esteve gravemente doente durante esses anos, e Vladimir Vladimirovich a apoiou com muito cuidado: ele discutiu seus problemas, recitou poemas para ela, diferentes a cada dia, e até cantou músicas.
Sobre os problemas psicológicos da aprendizagem desenvolvimental, ele continuou a trabalhar com sua filha Natalya. Os últimos anos de trabalho foram principalmente dedicados à análise dos conceitos centrais do sistema de aprendizagem desenvolvimental, à construção do seu modelo teórico.
Foi muito difícil para Vladimir Vladimirovich Repkin experimentar a situação de uma invasão russa em grande escala na Ucrânia. Para ele, foi também uma tragédia pessoal, a destruição de valores, a perda, em muitos aspectos, do sentido da vida. Talvez tenha sido esta situação militar, ou melhor, as vivências a ela associadas, que levaram a uma acentuada deterioração de sua saúde. A sabedoria permitiu a Vladimir Repkin manter o autocontrole, a dignidade e até o sentido da vida. Sua mente incrível não poderia existir sem trabalho, e Vladimir Repkin manteve a esperança de que haveria uma vida pacífica e que nela a aprendizagem desenvolvimental seria necessária. As últimas palavras de Vladimir Vladimirovich foram a pergunta: "Ainda vamos escrever sobre aprendizagem desenvolvimental?" Eu respondi que é claro que sim. Adormeceu e não acordou mais...
Posfácio
Heinrich Heine11 disse que “Cada pessoa é um mundo que nasce com ela e morre com ela; sob cada lápide encontra-se uma história mundial.”
Não estimamos e não podemos estimar o tamanho deste mundo. Nós vemos algo, nós adivinhamos sobre isso. A maior parte da vida de Vladimir Repkin, a principal, foi a aprendizagem desenvolvimental.
Entrei neste Mundo, que se chamava "Aprendizagem Desenvolvimental" ainda na escola. Minha irmã Tonya estudou na primeira turma de Aprendizagem Desenvolvimental, na qual trabalhou a primeira professora Galina Petrovna Grigorenko. Às vezes eu via suas aulas de matemática e russo. Pude ir até eles para as aulas de química, que eles aprenderam no 3º ano. Mais tarde, assisti como o filme "2 x 2 = X" foi filmado na classe onde minha irmã Alenka estudava. A porta da sala de aula estava aberta e você podia assistir silenciosamente do corredor. Trilhos foram colocados em toda a classe, ao longo dos quais a câmera viajava. A câmera às vezes se aproximava de um aluno que estava falando ou escrevendo. Fiquei muito surpresa com o fato de os alunos não prestarem atenção à câmera, nem aos adultos, aos cinegrafistas que andam pela sala de aula, nem a nós no corredor. Os alunos ficavam muito interessados em aprender!
Comecei a lidar com os problemas da aprendizagem desenvolvimental dois anos depois de me formar no Departamento de Psicologia da universidade. Vladimir Vladimirovich e eu decidimos investigar o papel do estabelecimento de objetivos no desenvolvimento da memória de crianças em idade escolar nas condições da formação dirigida da atividade de estudo (agora soaria "nas condições da aprendizagem desenvolvimental"). O trabalho foi surpreendentemente interessante e me apaixonei pelos alunos da aprendizagem desenvolvimental e seus professores incríveis e completamente incomuns. O estudo foi concluído em 1983, mas a defesa da dissertação não ocorreu até 1987, quando a proibição do governo à aprendizagem desenvolvimental foi suspensa.
Em dezembro de 1994, Vasily Vasilievich Davidov e Vladimir Vladimirovich Repkin na cidade de Tomsk, após uma conferência sobre aprendizagem desenvolvimental, discutiram vários assuntos, ambos estavam muito preocupados com um tema: o que está acontecendo com o desenvolvimento das crianças em idade escolar nas aulas de aprendizagem desenvolvimental nas escolas de massa. Afinal, ali o professor trabalha de forma independente, sem o controle e auxílio dos autores e metodólogos, às vezes sem formação nos cursos. Vladimir Vladimirovich decidiu organizar tal estudo e sugeriu que eu resolvesse esse problema. A ideia foi apoiada por Vasily Vasilievich Davydov - ele conhecia bem minha pesquisa de dissertação, porque era meu orientador. Eu estava muito interessado em saber o que realmente estava acontecendo nessas escolas. Vladimir Vladimirovich teve uma participação muito ativa no estudo, principalmente na análise dos resultados. O estudo durou 10 anos, e este trabalho estava inteiramente na tradição da aprendizagem desenvolvimental: quanto mais você aprende, mais perguntas surgem. Desde o início desta pesquisa até os últimos dias da vida de Vladimir Vladimirovich Repkin, tive a feliz oportunidade de participar com ele na busca e estudo de vários problemas psicológicos da educação desenvolvimental.
O mundo da Aprendizagem Desenvolvimental de Vladimir Vladimirovich Repkin foi preservado em artigos publicados e não publicados, notas, livros didáticos, materiais metodológicos e filmes. Vladimir Vladimirovich acreditava que registrou com mais clareza a compreensão da Aprendizagem Desenvolvimental em seus livros didáticos da língua russa. Ele às vezes dizia que mesmo que o trabalho da Aprendizagem Desenvolvimental esteja fechado em todos os lugares, depois de muitos anos haverá um professor que verá o livro didático e entenderá o significado da aprendizagem desenvolvimental. E, disse ele, ainda construirá um sistema ainda mais perfeito a partir disso.
O principal lugar onde vive o mundo da Aprendizagem Desenvolvimental de Vladimir V. Repkin, é na escola viva. Felizmente, na Ucrânia, apesar de todas as dificuldades, a aprendizagem desenvolvimental continua a existir. Uma variante do sistema de aprendizagem desenvolvimental, desenvolvida pelo grupo de pesquisa de Kharkiv, sob a liderança de Vladimir Vladimirovich Repkin, não apenas existe, mas também está se desenvolvendo ativamente. Em diferentes regiões da Ucrânia, turmas e escolas inteiras funcionam de acordo com esse sistema. Os livros didáticos de matemática e língua ucraniana foram significativamente revisados para atender aos requisitos e condições modernas. A aprendizagem desenvolvimental continua no ensino médio. A formação de professores para trabalhar nessa perspectiva nas escolas primárias e médias foi organizada em nível estadual. O Centro Científico e Metodológico Independente de Kharkiv de Aprendizagem Desenvolvimental, fundado na década de 1990 por Vladimir Vladimirovich e Anna Mikhailovna Zakharova, continua participando de todo esse trabalho.










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