Série-Estudos
Print version ISSN 1414-5138On-line version ISSN 2318-1982
Abstract
AVILA, Ângela Aline Hack Schlindwein and FREITAS, Claudia Rodrigues de. A criança que interroga e a professora que responde: a construção de práticas pedagógicas não medicalizantes na creche. Sér.-Estud. [online]. 2025, vol.30, n.68, pp.191-212. Epub Apr 24, 2025. ISSN 2318-1982. https://doi.org/10.20435/serieestudos.v30i68.1997.
A medicalização na Educação Infantil refere-se ao processo de interpretar comportamentos e singularidades infantis como sinais de possíveis transtornos, frequentemente resultando na antecipação de diagnósticos e na busca por intervenções que nem sempre consideram a complexidade do desenvolvimento infantil. Na creche, etapa que atende crianças entre 0 e 3 anos, a inquietação docente diante das diferenças nos tempos e modos de aprendizagem pode ser atravessada por discursos medicalizantes, influenciando a prática pedagógica. Este artigo apresenta parte de uma pesquisa maior de uma das autoras e analisa os impactos desse fenômeno na docência, problematizando como os modos de olhar e narrar as crianças afetam as práticas educativas. Com base em referenciais teóricos e narrativas docente, discute-se a importância do olhar coletivo, da escuta qualificada e do cuidado na construção de práticas pedagógicas que se afastam de reduções normativas e patologizantes. Conclui-se que a docência na creche pode ser fortalecida a partir da reflexão sobre as próprias práticas e do compromisso com uma educação que respeite as singularidades da infância. Ao reconhecer a infância como um tempo singular, em que cada criança se desenvolve em ritmos próprios, a docência se constitui como um espaço de acolhimento, experimentação e construção de sentidos.
Keywords : creche; medicalização; narrativa docente.












