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Educação e Realidade

versão impressa ISSN 0100-3143versão On-line ISSN 2175-6236

Educ. Real. vol.45 no.1 Porto Alegre  2020  Epub 30-Jan-2020

https://doi.org/10.1590/2175-623686158 

SEÇÃO TEMÁTICA: EXPRESSÕES DE ARTE E SUBJETIVIDADES CONTEMPORÂNEAS

Experiências na Pós-Graduação, Comportamento nas Redes Sociais e Bem-Estar

Alison Martins MeurerI 
http://orcid.org/0000-0002-3704-933X

Iago França LopesI 
http://orcid.org/0000-0001-7627-4815

Ricardo Adriano AntonelliII 
http://orcid.org/0000-0001-7606-2388

Romualdo Douglas ColautoI 
http://orcid.org/0000-0003-3589-9389

IUniversidade Federal do Paraná (UFPR), Curitiba/PR - Brasil

IIUniversidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), Curitiba/PR - Brasil


Resumo:

O objetivo do estudo consiste em analisar a relação entre a satisfação na pós-graduação e o comportamento exteriorizado nas redes sociais, mediado pelo bem-estar subjetivo. O estudo envolve 1.173 alunos de cursos stricto sensu. As evidências encontradas confirmam a relação, em especial quando esta se refere as relações interpessoais. Assim, a satisfação com a pós-graduação ultrapassa os limites da formação profissional e os laços sociais estabelecidos interferem no bem-estar dos alunos, o qual é exteriorizado nas redes sociais. O ambiente de compartilhamento de informações ganha um novo espaço caracterizado pelas redes sociais, que podem ser utilizadas para maximizar os níveis de bem-estar acadêmico.

Palavras-chave: Bem-Estar; Comportamento nas Redes Sociais; Experiência na Pós-Graduação

Abstract:

The aim of the study is to analyze the relationship between satisfaction in the graduate course and the externalized behavior in social networks mediated by subjective well-being. The study involves 1,173 students from stricto sensu courses. The evidence found confirms the relationship, especially when it refers to interpersonal relationships. Thus, satisfaction with graduate studies exceeds the limits of professional training and established social ties interfere with the well-being of students, which is externalized in social networks. The information-sharing environment gains a new space, characterized by social networks which can be used to maximize levels of academic well-being.

Keywords: Well-being; Behavior in Social Networks; Graduate Experience

Introdução

A pós-graduação stricto sensu é caraterizada por múltiplas responsabilidades que se entrelaçam com aspectos familiares e financeiros, por vezes derivadas de mudanças sociais e demográficas (Hyun; Quinn; Madon; Lustig, 2006). Como consequência, as responsabilidades expõem os acadêmicos às pressões para cumprimento de prazos, publicações científicas, incertezas com a carreira profissional, estresse, competitividade e problemas interpessoais, demandando automotivação dos acadêmicos para superação das vulnerabilidades (Hyun et al., 2006; University of California, 2014; Cowie; Nealis; Sherry; Hewitt; Flett, 2018). Esse cenário mostra-se preocupante à medida que a exposição a estes fatores reflete no desenvolvimento acadêmico e na saúde dos estudantes (Saklofske; Austin; Mastoras; Beaton; Osborne, 2012).

Estudos recentes e a mídia têm comunicado que a ansiedade, Síndrome de Burnout¸ depressão, sobrecarga e exaustão emocional contribuem para alterações psicológicas (Hyun et al., 2006; University of California, 2014; Kulikowski; Damaziak, 2017; Levecque; Anseel; De Beuckelaer; Van der Heyden; Gisle, 2017). As preocupações quanto à saúde psicológica e bem-estar dos pós-graduandos têm ultrapassado os muros das universidades e vêm ganhando destaque em importantes meios de comunicação (The Guardian, 2014; Business Insider UK, 2017; Folha de São Paulo, 2017a; G1, 2017; The Guardian, 2017). As consequências desse processo podem comprometer desde o desempenho acadêmico (Hyun et al., 2006; Kulikowski; Damaziak, 2017; Levecque et al., 2017) até casos extremos, como suicídios ocorridos recentemente no Brasil, Estados Unidos e Índia (Folha de São Paulo, 2017b; Hindustan Times, 2017 ; The State, 2017; WLTX, 2017).

Abordar questões relacionadas às vivências dos pós-graduandos no stricto sensu e seu bem-estar é importante devido à capacidade destas de atrelarem-se aos comportamentos e ao próprio desempenho do aluno (Saklofske et al., 2012). No âmbito conceitual, o bem-estar tem sido abordado a partir de duas perspectivas: objetiva e subjetiva. A primeira consiste em medidas que independem do indivíduo e normalmente referem-se às métricas de qualidade de vida. A segunda consiste em avaliações afetivas e cognitivas que o indivíduo realiza sobre sua própria vida, por meio de critérios e valores pessoais (Diener, 2000). A perspectiva subjetiva é o foco desta pesquisa, uma vez que o interesse da investigação paira sobre o comportamento do estudante da pós-graduação stricto sensu e seu relacionamento com o meio interno e externo.

Os preceitos conceituais de bem-estar subjetivo indicam que sua manifestação dar-se-á a partir das experiências e das situações às quais o sujeito é exposto, sejam elas agradáveis ou desagradáveis (Diener, 2000; Gasper, 2005; Rosin; Zanon; Teixeira, 2014). Logo, baixos níveis de bem-estar subjetivo têm entre seus precedentes o desajuste do indivíduo com o ambiente no qual ele está inserido (Stubb; Pyhältö; Lonka, 2011; Levecque et al., 2017).

Evidências empíricas (Levecque et al., 2017; Kulikowski; Damaziak, 2017) apontam que a satisfação com a estrutura formal de um Programa Stricto Sensu, em termos de infraestrutura, apoio social, requisitos e aspectos pessoais estão associadas às possibilidades de conclusão do curso e contribuem para níveis de bem-estar dos acadêmicos. Nessa conjuntura, o espaço acadêmico tem sido descrito na literatura como solitário devido ao distanciamento físico, social e a pluralidade dos temas de pesquisas desenvolvidas ao longo da trajetória dos estudantes. Além disso, fatores relacionados às horas de dedicação extraclasses, em laboratórios de pesquisa, para coletas de dados, análises de informações e leituras, modificam as relações sociais e podem contribuir para o isolamento social e profissional dos pós-graduandos (Hyun et al., 2006; Reeve; Partridge, 2017). Consequentemente, tais fatores interferem na percepção de bem-estar subjetivo.

Para compensar a sensação de bem-estar subjetivo, os estudantes buscam novas formas de relacionamentos sociais, incluindo maneiras de ressignificar esse momento de sua vida. Novos meios de comunicação são constantemente utilizados como mecanismos para combater o isolamento físico, atenuar sensações psicológicas desagradáveis e atuar como automotivação durante o período da pós-graduação (Hyun et al., 2006; Reeve; Partridge, 2017). Nesse contexto, as redes sociais são vistas como formas de aproximação entre os acadêmicos para troca de experiências científicas e para a discussão da relação aluno-professor e orientador-orientando (Reeve; Partridge, 2017). Por isso, as redes sociais criam vínculos que passam a compor o capital social do sujeito melhorando sua satisfação com a vida pessoal, autoestima e bem-estar psicológico (Ellison; Steinfield; Lampe, 2007; Park; Song; Lee, 2014).

Discussões sobre especificações, perturbações e motivações no ambiente da pós-graduação têm despertado a atenção de muitos pesquisadores contemporâneos preocupados com o produtivismo acadêmico e a eficácia da relação ensino-aprendizagem. Nesse contexto, o estudo apresenta a seguinte questão norteadora: qual a relação entre satisfação na pós-graduação e o comportamento exteriorizado nas redes sociais, mediado pelo bem-estar subjetivo? Assim, o objetivo da pesquisa consiste em analisar a relação entre a satisfação na pós-graduação e o comportamento exteriorizado nas redes sociais, mediado pelo bem-estar subjetivo.

A escassez de informações sobre o ambiente da pós-graduação, que limita o desenvolvimento de políticas estudantis embasadas em relatos empíricos (Levecque et al., 2017), apresenta-se como fator motivador desta pesquisa. O estudo sobre emoções, o qual inclui o bem-estar subjetivo e a satisfação dos acadêmicos, promove uma conjunção de associações e oportuniza conhecer aspectos peculiares do comportamento exteriorizado nas redes sociais, visto que esses meios são utilizados como forma de interação social e exposição de vivências peculiares dos pós-graduandos (Saklofske et al., 2012; Reeve; Partridge, 2017). Pesquisas envolvendo aspectos psicológicos ajudam a conhecer novas vertentes relacionais no ambiente acadêmico, em especial aquelas sobre a exteriorização de sentimentos reprimidos no processo de ensino-aprendizagem (Reeve; Partridge, 2017).

Outro aspecto interessante deste estudo refere-se à inovação nos procedimentos metodológicos que, em oposição a trabalhos embasados em informações secundárias ou percepções clínicas, utiliza-se de escalas de autorrelato que permitem aos participantes expor suas percepções de modo confidencial (Diener, 2000; Hyun et al., 2006). A pesquisa também se diferencia por sua amplitude, na medida em que a amostra contempla várias universidades brasileiras e pós-graduandos de nível mestrado e doutorado.

Na realização do estudo, houve 1.173 participações de estudantes da pós-graduação stricto sensu do Brasil e pertencentes a todas as áreas do conhecimento classificadas pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) (2017). O conhecimento das evidências aqui expostas sobre os demais campos de ensino e pesquisa, além da área de Ciências Sociais Aplicadas, pode proporcionar elementos que subsidiem o desenvolvimento de políticas de acompanhamento estudantil, servindo de benchmarking para a melhoria e o aperfeiçoamento do ambiente acadêmico e educacional dos Programas de Pós-Graduação da área de Ciências Sociais Aplicadas.

Por fim, a motivação central para a realização deste estudo pauta-se que, em geral, estudantes de pós-graduação têm utilizado com maior frequência e intensidade as redes sociais (Reeve; Partridge, 2017), comumente para exteriorizar seus sentimentos e emoções reprimidas com a satisfação vivenciada a partir da formação acadêmica no stricto sensu. A referida exteriorização de sentimentos tem sido estudada, por exemplo, na pesquisa de Guimarães (2017), na qual os resultados indicam avanços na análise de sentimentos em textos extraídos das redes sociais, o que possibilita resultados cada vez mais confiáveis e realistas na captura de tais sentimentos. As manifestações remetem a fortes indícios de que há conturbações no processo de ensino-aprendizagem que merecem reflexão sobre a relação afetiva na educação.

Comportamento Exteriorizado nas Redes Sociais

As redes sociais são mídias virtuais formadas por grupos de aplicativos para formação de comunidades, interações entre pessoas com o propósito de compartilhar conhecimento, entretenimento, expressar ideias, criar e trocar conteúdos (Kaplan; Haenlein, 2010; Li et al., 2017). Essas mídias fomentam a criação de novas formas de capital social e benefícios advindos de interações pessoais (Ellison; Steinfield; Lampe, 2007). A partir das interações em redes virtuais, os usuários formam grupos, estabelecem ou reforçam laços voltados a interesses comuns (Ellison; Steinfield; Lampe, 2007; Li et al., 2017). A exteriorização nas redes sociais evidencia elementos importantes sobre a vida pessoal ou acadêmica, à medida que atua como mecanismo de autodivulgação de informações íntimas, mas ao mesmo tempo embebidas de desejabilidade social (Moon, 1998, 2000; Schau; Gilly, 2003).

Reeve e Partridge (2017) expõem que os acadêmicos têm utilizado com maior intensidade as redes sociais para compartilhar informações sobre as experiências vividas no ambiente universitário, seja referente às pesquisas ou a fatos pessoais. Nesse sentido, os recursos virtuais materializados pelas redes sociais mostram-se úteis para a aproximação entre discentes e a minimização dos efeitos advindos do isolamento. Desse modo, os recursos proporcionados por essas ferramentas podem ser empregados em processos de aculturação. Park, Song e Lee (2014) apontam que o uso das redes sociais minimiza os efeitos de estresse e maximiza o bem-estar psicológico dos discentes frente a necessidade de adaptação no que tange a novas culturas e ambientes. A partir desse achado, pode-se fomentar reflexões sobre as mudanças sociais e demográficas as quais os pós-graduandos podem vivenciar ao ingressar nesta modalidade de ensino (Hyun et al., 2006) e de que forma o comportamento adotado nas redes sociais é afetado pelas percepções e experiências com o meio acadêmico.

Apesar de redes sociais serem utilizadas com maior frequência pelos acadêmicos na exposição de fatos relacionados estritamente à vida pessoal, nota-se o crescimento das publicações que permeiam também à vida acadêmica (Neal, 2012), sendo nebuloso estabelecer delimitações entre ambas. Tal constatação é corroborada pelos achados de Lupton (2014) ao questionar 711 acadêmicos, dos quais 26% eram pós-graduandos, sobre o uso das redes sociais na academia, constatando-se vantagens proporcionadas em termos de compartilhamento de conhecimento, apoio emocional, minimização do isolamento na pesquisa, estabelecimento de redes de contatos e desenvolvimento de estudos conjuntos. Os participantes também apontaram o risco da exposição de informações pessoais e/ou profissionais, uso imprudente e postura incoerente no meio virtual que podem ser prejudiciais à carreira, bem como autopromoção, plágio, qualidade dos conteúdos publicados e tempo dedicado ao uso das redes sociais. A partir dos argumentos levantados é possível elucidar que o comportamento exteriorizado nas redes sociais expõe traços da satisfação dos acadêmicos.

A satisfação tem sido conceituada de inúmeras maneiras e o termo normalmente é moldado de acordo com o contexto da pesquisa desenvolvida. Os fatores que se relacionam com a satisfação podem ser diversos e possuem a capacidade de abranger uma pluralidade de elementos cognitivos e estruturais (Palacio; Meneses; Pérez, 2002). Neste estudo, satisfação representa o quanto um elemento ou processo atende ou supera as expectativas dos pós-graduandos (Palacio, Meneses; Pérez, 2002; Cheng; Taylor; Williams; Tong, 2016).

Assim, a satisfação pode ser verificada por meio da pluralidade de escopos no qual o stricto sensu está envolto. No nível estrutural, os recursos disponibilizados aos estudantes e a cultura dos ambientes podem atrelar-se às experiências do aluno e influenciar decisões como a opção pela continuidade do curso, seu trancamento e até o abandono (Golde, 2005; Hyun et al., 2006).

Além disso, o desenho da infraestrutura dos programas associa-se às relações interpessoais estabelecidas no âmbito da pós-graduação. Ao entrevistar 58 alunos desistentes de programas de doutorado americanos, Golde (2005) identificou que o isolamento físico ocasionado pela forma de divisão das estruturas físicas do ambiente de estudo contribuiu para o desengajamento dos discentes na pós-graduação e com a decisão de desistir do curso. Assim, percebe-se que as relações estabelecidas entre funcionários, alunos e professores fomentam um ambiente propício para a aprendizagem e o engajamento acadêmico. O baixo apoio emocional advindo das pessoas com quem os indivíduos convivem na universidade, além de contribuir com a desistência do curso, alavancam os níveis de ansiedade, exaustão emocional e tensão no trabalho e, negativamente, a satisfação com o trabalho e bem-estar (Levecque et al., 2017).

No que concerne ao processo de orientação, a convivência harmônica entre orientador-orientando é essencial, visto ser uma das pessoas com quem os pós-graduandos mais interagem no decorrer do curso e recebem direcionamentos para o desenvolvimento da pesquisa e outras atividades no âmbito acadêmico (Leite Filho, 2004; Barnes; Williams; Archer, 2010).

Os relatos contidos no estudo de Barnes, Williams e Archer (2010) realizado com 564 doutorandos indicam que os atributos positivos valorizados por estes na relação com seus orientadores estão consubstanciados na acessibilidade para encontros pessoais, utilidade em fornecer direcionamentos para o desenvolvimento da pesquisa, atendimento dos protocolos dos programas, socialização no processo de network, desenvolvimento profissional e empatia ao preocupar-se com o bem-estar do aluno. Por outro lado, os atributos negativos se caracterizam pela inacessibilidade devida a restrição do contato pessoal ou a não obtenção de respostas por e-mail e/ou telefone do orientador, fornecimento de informações e orientação de pouca utilidade para o desenvolvimento da pesquisa ou estada no programa, e desinteresse em relação à pesquisa desenvolvida e ao bem-estar dos orientandos.

Do mesmo modo, a organização do curso e das disciplinas são fatores que interferem na satisfação dos estudantes. Desajustes em disciplinas, duplicidade de conteúdos estudados, baixa utilidade dos conteúdos programados e enfoques estritamente acadêmicos impactam negativamente a satisfação dos estudantes com as experiências na pós-graduação (Tunes, 1981; Romero-Gutierrez; Jimenez-Liso; Martinez-Chico, 2016).

No que tange ao apoio para o desenvolvimento acadêmico, Romero-Gutierrez, Jimenez-Liso e Martinez-Chico (2016) por meio da análise SWOT, elaborada em seis programas da área ambiental da Espanha, identificaram que a natureza interuniversitária dos programas de pós-graduação é um elemento valorizado e visto como ponto forte pelos discentes. Por meio de laços entre instituições nacionais e/ou internacionais, o apoio para o desenvolvimento acadêmico pode ser fortalecido a partir de oportunidades de intercâmbio e impactar no nível de satisfação com o desenvolvimento acadêmico percebido pelos discentes.

O apoio financeiro também pode ser apontado como fator relevante para o desenvolvimento acadêmico e engajamento dos alunos de pós-graduação, visto que não há cotas para o ingresso nem número de bolsas de apoio financeiro para todos os discentes do stricto sensu. Hyun et al. (2006, p. 260) apontam que “[...] a confiança financeira na capacidade de terminar a pós-graduação é um contribuinte significativo para o bem-estar emocional em estudantes de pós-graduação”. Justifica-se a importância atribuída ao fator financeiro pelos pós-graduandos visto que em muitos casos não é possível manter vínculo empregatício durante o mestrado ou doutorado, seja por regras formais ou pela alta carga de trabalho exigida no desenvolvimento das atividades acadêmicas, além dos baixos níveis de financiamentos disponíveis para pesquisas (Bair; Haworth, 2001; Kulikowski; Damaziak, 2017).

Nesse contexto, a satisfação com a pós-graduação pode ser visualizada a partir da estrutura disponibilizada aos estudantes sob aspectos físicos e organizacionais, em termos de disposição das disciplinas bem como do curso de modo geral. Destacam-se os relacionamentos interpessoais e o apoio oferecido para o desenvolvimento acadêmico dos alunos, sendo propício o estudo em conjunto desses elementos com o comportamento exteriorizado nas redes sociais e o bem-estar subjetivo dos pós-graduandos.

Delineamento da Hipótese de Pesquisa

O bem-estar subjetivo é por vezes atrelado ao conceito de felicidade. Sua manifestação ocorre a partir da própria avaliação do sujeito quanto a satisfação com sua própria vida e se atrela positivamente às emoções agradáveis vivenciadas e negativamente às desagradáveis. Esta autoavaliação vincula-se à dimensão subjetiva do bem-estar, a qual é considerada uma medida apropriada para identificação de aspectos subjetivos, pois possibilita que o próprio indivíduo reconheça o quão satisfeito ele está com sua própria vida e feliz com as experiências vividas (Diener, 2000).

Logo, diversos acontecimentos e elementos podem estar relacionados aos níveis de bem-estar. Restringindo-se ao âmbito acadêmico, Stubb, Pyhältö e Lonka (2014) apontam que os estudantes de pós-graduação vivenciam uma ampla gama de experiências positivas, relacionadas à aprendizagem e ao entusiasmo, e negativas, atreladas ao estresse, ao isolamento, à carga de trabalho, entre outras, que afetam o nível de bem-estar. Levecque et al. (2017) expõem que o medo do fracasso nas etapas finais da pós-graduação e os conflitos interpessoais podem diminuir os níveis de bem-estar, mas que o suporte social advindo das redes de convivência harmônica entre amigos, colegas, professores e funcionários maximizam o bem-estar dos alunos.

Achados (Diener, 2000; Stubb; Pyhältö; Lonka, 2014) mostram que há consenso quanto ao bem-estar ser resultado da dinâmica entre o indivíduo e o ambiente no qual está inserido. Nesta pesquisa, o termo bem-estar acadêmico, oriundo da dimensão subjetiva, indica o nível de satisfação com a vida acadêmica, emoções positivas e negativas que são vivenciadas pelos pós-graduandos.

Defende-se que a satisfação com o ambiente apropriado tende a moldar as habilidades, interesses e o bem-estar acadêmico e social dos pós-graduandos (Feldman; Smart; Ethington, 2004). A partir das evidências é possível inferir que o bem-estar acadêmico pode estar relacionado com os níveis de satisfação dos discentes em relação às experiências vivenciadas na pós-graduação e que podem refletir no comportamento exteriorizado pelos sujeitos nas redes sociais. Assim, declara-se a hipótese de pesquisa: a relação entre satisfação com as experiências na pós-graduação e os comportamentos exteriorizados nas redes sociais é mediada pelo bem-estar subjetivo dos acadêmicos.

Com base nas hipóteses desenvolvidas, a Figura 1 ilustra o modelo teórico proposto nesta investigação.

Fonte: Elaboração dos autores (2017)

Figura 1 Modelo teórico da pesquisa 

O modelo teórico proposto está alinhado às discussões fomentadas por Hyun et al. (2006, p. 248) ao pontuar que “[...] as características do programa de pós-graduação estão associadas ao bem-estar emocional dos alunos e a probabilidade de completar o curso”. Nessa conjuntura, oportuniza-se a verificação da satisfação dos discentes com a pós-graduação, denominadas neste estudo como experiências e a relação com o bem-estar subjetivo. Acredita-se que o papel mediador do bem-estar proporcione maior liberdade para autodivulgação sobre assuntos inerentes à vida pessoal e/ou acadêmica no stricto sensu nas redes sociais (Moon, 1998, 2000; Schau; Gilly, 2003).

Metodologia

A presente pesquisa possui caráter descritivo e abordagem quantitativa e os dados foram coletados por meio de uma survey instrumentalizada e divulgada na plataforma online SurveyMonkey®. O instrumento ficou disponível para preenchimento nos meses de novembro e dezembro de 2017. A população do estudo consiste nos pós-graduandos de nível stricto sensu das diferentes áreas do conhecimento classificadas pela CAPES (2017). A divulgação da pesquisa foi realizada de quatro formas e a participação foi voluntária, sendo: (i) convites em grupos nas redes sociais voltados para pós-graduandos que totalizam aproximadamente 54.000 membros; (ii) divulgação junto as fan pages voltadas para assuntos da pós-graduação nas redes sociais, as quais possuem aproximadamente 75.000 seguidores; (iii) divulgação em blogs com conteúdo voltado para alunos de pós-graduação; e (iv) encaminhamento para mais de mil endereços eletrônicos de Programas de Pós-Graduação de todas as regiões do País, solicitando à coordenação dos cursos a divulgação da pesquisa junto aos estudantes.

A título de rigor metodológico, além de ser explicitado no convite de participação da pesquisa que esta era destinada a alunos de pós-graduação stricto sensu, foram incluídas algumas perguntas filtros que possibilitaram a exclusão de participantes com perfil diferente do almejado pelos pesquisadores. Dessa forma, obteve-se 1.250 instrumentos preenchidos, sendo excluídos 43 por apresentarem respostas incompletas, 21 por serem de alunos de graduação e especialização e 13 por não estarem vinculados a programas de pós-graduação. Portanto, a amostra final é de 1.173 instrumentos válidos. As características dos respondentes da pesquisa são elucidadas na Tabela 1.

Tabela 1 Perfil dos respondentes 

Gênero Área do Conhecimento
Feminino 70,247% Ciênc. Ex. e da Terra 11,082% Ciênc. Soc. Aplic. 19,096%
Masculino 29,753% Ciências Biológicas 10,656% Ciências Humanas 12,446%
Idade Engenharias 8,354% Interdisciplinar 3,239%
Até 26 anos 30,946% Ciências da Saúde 20,119% Ling., Letras e Art. 4,347%
De 26 - 29 anos 25,746% Região da Instituição de Ensino
De 29 - 33 anos 20,461% Centro-oeste 3,069% Sudeste 58,312%
De 33 - 69 anos 22,847% Nordeste 6,734% Sul 29,752%
Instituição de Ensino Norte 1,108% Não declararam 1,025%
Comunitária 2,472% Nível de Formação
Particular 8,525% Doutorado 48,849% Mestrado Profis. 2,474%
Pública 89,003% Mestrado Acadêmico 47,058% Pós-Doutorado 1,619%

Fonte: Dados da pesquisa.

A maior parte dos respondentes se identifica com o gênero feminino; da região sudeste do Brasil; a faixa etária se concentra em participantes com até 26 anos de idade; a origem dos participantes centra-se nas instituições de ensino pública, havendo predominância de acadêmicos da área da saúde que cursam o nível de doutorado.

O instrumento de coleta de dados foi estruturado em quatro blocos, sendo que os três primeiros representam os construtos de primeira ordem do estudo, satisfação com as experiências na pós-graduação, bem-estar acadêmico e comportamento exteriorizado nas redes sociais, e o último dedicado a questões de caracterização dos respondentes. Para a mensuração desses constructos foram adaptadas métricas já testadas e disponíveis na literatura. Na Figura 2 são descritos os construtos da pesquisa, o número de assertivas correspondente a cada item, a descrição e a fonte que norteou a sua elaboração.

Figura 2 Construtos da pesquisa 

Construtos ** Descrição Constitutiva Referências
1* Estrutura Institucional 9 Recursos físicos disponibilizados e compromisso da instituição com a qualidade do curso. Adaptado de Schleich, Polydoro e Santos (2006)
Organização do Curso 8 Organização das disciplinas, atendimento extraclasse, formas de avaliação e atenção dos professores durante as aulas.
Relações Interpessoais 4 Relação com colegas do mesmo nível de formação, funcionários, coordenação, membros de grupos de pesquisa, entre outros. Autores (2017)
Apoio ao Desenvolvimento Acadêmico 8 Workshops instrumentais, incentivos financeiros para pesquisa, intercâmbio e demais atividades extracurriculares. Adaptado de Schleich, Polydoro e Santos (2006)
2 Satisfação com a Vida Acadêmica 5 Mensura o quanto o pós-graduando está satisfeito com a vida acadêmica. Adaptado de Dinner, Emmons, Larsen e Griffin (1985)
Emoções Positivas 4 Mensura a manifestação de emoções positivas em sua vida nos últimos tempos. Lent, Ireland, Penn, Morris, e Sappington (2017)
Emoções Negativas 4 Mensura a manifestação de emoções negativas em sua vida nos últimos tempos.
3 Comportamento Pessoal Exteriorizado 4 Posts relacionados a satisfação com a vida pessoal. Os autores (2017).
Comportamento Acadêmico Exteriorizado 5 Posts relacionadas a satisfação com a vida acadêmica.

Fonte: Elaboração dos autores (2017).

*Nota: 1 = Satisfação com as Experiências na Pós-Graduação; 2 = Bem-estar Acadêmico Subjetivo; 3 = Comportamento Exteriorizado nas Redes Sociais;

**Nº = Número de assertivas do construto.

A análise estatística dos dados foi realizada a partir do software R Studio® utilizando Modelagem de Equações Estruturais - PLS-PM (Parcial Least Squares Path Modeling). A técnica PLS-PM possibilita a análise de redes formadas por variáveis, além da quantificação das conexões ou relações entre as variáveis considerando a rede como um sistema de múltiplas regressões lineares interconectadas (Sanchez, 2013).

Hair Jr., Hult, Ringle e Sarstedt (2014) destacam que a PLS-PM possibilita a identificação de relações que dificilmente seriam encontradas por outras técnicas estatísticas em face da forma do tratamento e das características dos dados, como tamanho reduzido da amostra e não normalidade dos dados (Ringle; Silva; Bido, 2014). No que concerne ao tamanho da amostra, Hair Jr. et al. (2014) recomendam que preferencialmente deve ser 10 vezes o número de caminhos da variável latente que recebe o maior número de preditores. Assim, para esta pesquisa, o número mínimo de respondentes exigidos a partir deste critério é de 70 respondentes.

De modo complementar, utilizou-se o software G*Power® para determinação do número mínimo de respondentes que viabilizasse a utilização da técnica de PLS-PM. Ao definir um nível mediano para o Effect size f² = 0,15, nível de significância de 1% (α err prob = 0,01), Power (1-β err prob) = 0,95, e o Numbers of predictors = 7, obteve-se a amostra mínima de 292 respondentes. Assim, as recomendações de Hair Jr. et al. (2014) e Ringle, Silva e Bido (2014) foram atendidas, o que viabiliza a utilização da técnica PLS-PM com método bootstrapping.

Descrição e Análise dos Resultados

Avaliação do Modelo de Mensuração

No modelo de mensuração é necessário analisar a unidimensionalidade dos indicadores que compõem o construto (Sanchez, 2013). A partir dessa verificação, é possível identificar se as assertivas elaboradas no instrumento de coleta quando analisadas em conjunto conseguem representar a variável latente que se propõe a mensurar (Hair Jr. et al., 2014).

Para verificação da consistência interna do modelo estrutural foi utilizado o DG. Rho. A análise dos autovalores derivados das correlações dos indicadores consiste no primeiro autovalor ser maior que 1 e o segundo autovalor ser menor que 1. Ao realizar a análise destes indicadores de confiabilidade interna foram identificadas assertivas que prejudicavam a formação dos construtos Estrutura Institucional, com duas assertivas com valores de confiabilidade insatisfatórios, e Apoio ao Desenvolvimento Acadêmico e Comportamento Pessoal Exteriorizado com uma assertiva cada, sendo necessário remover estas assertivas do modelo de mensuração interna para atendimento deste pressuposto de validade do construto.

Após analisar a consistência interna dos construtos foi necessário verificar a Validação Convergente (VC) obtida a partir dos valores da Variância Média Extraída (VME), que indica o quanto da variação dos indicadores foram considerados na formação da variável latente (Sanchez, 2013). Para tanto, adotou-se o critério de Fornell e Larcker (1981), em que são considerados satisfatórios os valores acima de 0,50 (VME > 0,50) (Ringle; Silva; Bido, 2014). Na Tabela 2 são expostas as correlações de Pearson entre os construtos e as medidas de confiabilidade interna e VC.

Tabela 2 Correlação entre Construtos e Modelo de Mensuração - Consistência interna e Validasão Convergente 

*Variáveis 1 2 3 4 5 6 7 8 9
1 1,000                
2 0,575 1,000              
3 0,421 0,588 1,000            
4 0,597 0,624 0,569 1,000          
5 0,372 0,491 0,425 0,434 1,000        
6 0,152 0,216 0,229 0,211 0,394 1,000      
7 -0,142 -0,216 -0,183 -0,177 -0,329 -0,027 1,000    
8 0,121 0,169 0,178 0,122 0,188 0,171 -0,274 1,000  
9 0,205 0,284 0,257 0,278 0,550 0,757 -0,118 0,181 1,000
DG. Rho > 0,70 0,896 0,926 0,824 0,876 0,925 0,958 0,927 0,727 0,962
1º Auto Valor > 1,00 3,87 4,88 2,16 3,54 3,56 3,41 3,04 1,51 4,17
2º Auto Valor < 1,00 0,802 0,702 0,746 0,872 0,597 0,314 0,494 0,967 0,330
VME > 0,50 0,545 0,610 0,538 0,503 0,712 0,851 0,755 0,480 0,834

Fonte: Dados da pesquisa.

*Nota: (1) Estrutura Institucional; (2) Organização do Curso; (3) Relações Interpessoais; (4) Apoio ao Desenvolvimento Acadêmico; (5) Satisfação com a Vida Acadêmica; (6) Emoções Positivas; (7) Emoções Negativas; (8) Comportamento Pessoal Exteriorizado; (9) Comportamento Acadêmico Exteriorizado.

A partir da Tabela 2 verifica-se que a satisfação com a Organização do Curso (2) está associada positivamente com a Estrutura Institucional (1) (r = 0,575), Relações Interpessoais (3) (r = 0,588) e Apoio ao Desenvolvimento Acadêmico (4) (r = 0,624). Por outro lado, as Emoções Negativas (7) se correlacionam inversamente proporcional com a Satisfação com a Vida Acadêmica (5) (r = -0,329) e Comportamento Pessoal Exteriorizado (8) (r = -0,274).

Ao analisar as VMEs, nota-se que o construto Comportamento Pessoal Exteriorizado (8) obteve valor próximo das recomendações teóricas, porém abaixo de 0,50. Devido à proximidade com o parâmetro definido, optou-se por não retirar outras assertivas do construto para não afetar a confiabilidade interna da variável latente.

Por fim, foi realizada a Validação Discriminante (VD), em que, por meio das Cargas Fatoriais é analisado se as crossloadings de cada construto são maiores do que as demais na mesma linha, formando-se uma matriz diagonal. Na Tabela 3 são expostos os valores mínimos e máximos das crossloadings e dos construtos associados, sendo que o valor máximo das crossloadings não pode ser maior que o mínimo do construto associado.

Tabela 3 Modelo de Mensuração - Validação Discriminante 

Validade
Discriminante
1 2 3 4 5 6 7 8 9
Crossloadings
(Mínimas)
-0,163 -0,216 -0,152 -0,167 -0,324 -0,120 -0,370 -0,322 -0,137
Crossloadings
(Máximas)
0,642 0,538 0,517 0,529 0,506 0,736 0,092 0,305 0,723
Construto Associado
(Mínimas)
0,687 0,705 0,685 0,551 0,695 0,879 0,730 0,616 0,864
Construto Associado
(Máximas)
0,769 0,830 0,790 0,807 0,928 0,947 0,913 0,764 0,951

Fonte: Dados da pesquisa.

*Nota: (1) Estrutura Institucional; (2) Organização do Curso; (3) Relações Interpessoais; (4) Apoio ao Desenvolvimento Acadêmico; (5) Satisfação com a Vida Acadêmica; (6) Emoções Positivas; (7) Emoções Negativas; (8) Comportamento Pessoal Exteriorizado; (9) Comportamento Acadêmico Exteriorizado.

Considerando que os parâmetros de validação do modelo de mensuração indicados na literatura foram atendidos (Henseler; Ringle; Sinkovics, 2009; Sanchez, 2013; Hair et al., 2014; Ringle; Silva; Bido, 2014), seguiu-se à análise do modelo estrutural e da hipótese da pesquisa.

Modelo Estrutural e Hipótese da Pesquisa

A avaliação do modelo estrutural e da hipótese de pesquisa foi realizada de modo simultâneo. Para avaliar se a relação entre a satisfação com as experiências na pós-graduação e comportamentos exteriorizados nas redes sociais é mediada pelo bem-estar acadêmico, empregou-se as três condições propostas por Baron e Kenny (1986).

As duas primeiras condições consistem em analisar se “(A) as variações nos níveis da variável independente afetam significativamente as variações do mediador presumido” e “(B) as variações do (possível) mediador afetam significativamente as variações da variável dependente” (Baron; Kenny, 1986, p. 1176). Dessa forma, na Tabela 4 são apresentados os coeficientes de caminho e significância das relações entre satisfação com as experiências na pós-graduação e bem-estar subjetivo acadêmico.

Tabela 4 Avaliação dos Caminhos - Condições A e B 

Condições Caminho Coeficiente Erro t-valor p-value Decisão
(A) Variável Independente afeta significativamente a possível variável mediadora. Est. Inst. > S.V. Acad.   0,032 0,000 0,000*** Condição

Parcialmente Atendida
Est. Inst. > Em.
Positivas
-0,004 0,037 0,000 0,906
Est. Inst. > Em.
Negativas
-0,001 0,037 0,000 0,960
Org. Curso > S.V.
Acad.
0,276 0,035 0,000 0,000***
Org. Curso > Em.
Positivas
0,089 0,040 0,000 0,027**
Org. Curso > Em.
Negativas
-0,145 0,41 0,000 0,000***
Rel. Int. > S.V. Acad.   0,032 0,000 0,000***
Rel. Int. > Em.
Positivas
0,129 0,036 0,000 0,000***
Rel. Int. > Em.
Negativas
-0,070 0,037 0,000 0,058*
A.D. Acd. > S.V. Acad.   0,035 0,000 0,000***
A.D. Acd. > Em.
Positivas
0,084 0,040 0,000 0,039**
A.D. Acd. > Em.
Negativas
-0,044 0,041 0,000 0,274
(B) A possível variável mediadora afeta a variável dependente. S.V. Acad. > C.P. Ext. -0,012 0,035 0,000 0,000*** Condição

Atendida
S.V. Acad. > C.A. Ext. 0,291 0,022 0,000 0,000***
Em. Positivas > C.P.
Ext.
0,143 0,030 0,000 0,000***
Em. Positivas > C.A.
Ext.
0,641 0,019 0,000 0,000***
Em. Negativas > C.P.
Ext.
-0,025 0,029 0,000 0,000***
Em. Negativas > C.A.
Ext.
-0,005 0,018 0,000 0,000***

Fonte: Dados da pesquisa.

*Nota: Est. Inst. = Estrutura Institucional; Org. Curso = Organização do Curso; Rel. Int. = Relações Interpessoais; A.D. Acd. = Apoio ao Desenvolvimento Acadêmico; S.V. Acad. = Satisfação com a Vida Acadêmica; Em. Positivas = Emoções Positivas; Em. Negativas = Emoções Negativas; C.P. Ext. = Comportamento Pessoal Exteriorizado; C.A. Ext. = Comportamento Acadêmico Exteriorizado.

*p < 0,10;

**p < 0,05;

***p < 0,01.

A análise dos coeficientes de caminho é realizada a partir do parâmetro estabelecido por Hair Jr. et al. (2014), em que β ≅ 0,02, β ≅ 0,15 e β ≅ 0,35 são considerados efeitos pequenos, médios e grandes respectivamente. Ao analisar a Tabela 4 nota-se que somente as relações entre estrutura institucional com emoções positivas (β = -0,004; p-value = 0,906) e emoções negativas (β = -0,001; p-value = 0,960), além da relação de apoio ao desenvolvimento acadêmico com emoções negativas (β = -0,044; p-value = 0,274), mostraram-se não significantes. Dessa forma, não há possibilidade de emoções positivas e emoções negativas na dimensão estrutura institucional e também de emoções negativas na dimensão apoio ao desenvolvimento acadêmico mediarem o comportamento exteriorizado nas redes sociais.

Ainda em relação à Tabela 4, depreende-se que a satisfação com a organização do curso é a variável que exerce maior influência sobre a satisfação com a vida acadêmica (β = 0,276; p-value = 0,000) e com as emoções negativas (β = -0,145; p-value = 0,000), tendo efeitos grandes e médios, respectivamente. A variável organização do curso mensurou aspectos referentes à forma com que o curso de pós-graduação é estruturado em termos formais, planejamento das aulas, métodos de avaliação das disciplinas, atenção dos professores em sala de aula, atendimento extraclasse, entre outros. Apesar de reconhecer a importância das demais variáveis de satisfação com as experiências na pós-graduação, é a organização do curso que contém os elementos que mais impactam na rotina dos pós-graduandos, pois está relacionada às disciplinas e trabalhos desenvolvidos no cotidiano do estudante.

Na dimensão organização do curso, todos os caminhos apresentaram relação significante com o bem-estar acadêmico. Os resultados convergem com o estudo de Barnes, Williams e Archer (2010) no que se refere à importância da acessibilidade e da atenção atribuída pelos professores aos alunos, e com os de Tunes (1981) e Romero-Gutierrez, Jimenez-Liso e Martinez-Chico (2016) sobre a relevância dos conteúdos e forma de planejamento das disciplinas. Logo, seria interessante que estas variáveis fossem observadas pelos colegiados dos programas de pós-graduação à medida que as experiências vivenciadas em sala de aula e a organização formal do curso podem afetar de maneira significativa a satisfação com a vida acadêmica e as emoções negativas dos estudantes. Estas situações somadas ao estresse da sobrecarga de trabalho, insatisfação com a atenção recebida ou relevância e profundidade dos conteúdos estudados, além do sentimento de injustiça referente às avaliações, podem promover menores níveis de bem-estar acadêmico.

As emoções positivas foram relacionadas em maior intensidade com a satisfação das relações interpessoais (β = 0,129; p-value = 0,000), tendo apresentado efeito médio. Tal constatação mostra-se alinhada às evidências expostas por Golde (2005) e Levecque et al. (2017), pois o estabelecimento de relações interpessoais estáveis entre os sujeitos inseridos no ambiente da pós-graduação serve de apoio psicológico aos alunos, minimizando o sentimento de isolamento e fomentando a manifestação de emoções positivas.

As análises das dimensões de comportamentos exteriorizados nas redes sociais apontam a existência de efeitos grandes entre comportamento acadêmico exteriorizado e satisfação com a vida acadêmica (β = 0,291; p-value = 0,000) e emoções positivas (β = 0,641; p-value = 0,000). Os resultados indicaram que os pós-graduandos tendem a exteriorizar para seus contatos das redes sociais acontecimentos relacionados à vida acadêmica que os deixam satisfeitos e/ou despertam emoções positivas.

O comportamento pessoal exteriorizado possui efeito direto médio com as emoções positivas (β = 0,143; p-value = 0,000) e baixo com as emoções negativas (β = -0,025; p-value = 0,000). O fato de emoções negativas apresentarem relação baixa pode advir da autopreservação dos alunos em não expor acontecimentos negativos relacionados à vida pessoal (Lupton, 2014), ou ao vivenciarem sentimentos positivos buscam por meio de manifestações online como forma de legitimar suas conquistas pessoais e compartilhar tais fatos com seus amigos e seguidores de redes sociais.

A última condição a ser observada na verificação da mediação consiste na diminuição ou inexistência dos efeitos diretos significantes entre a variável independente e dependente com a inclusão da presumível variável mediadora (Baron; Kenny, 1986). Assim, se a inclusão da presumível variável mediadora reduzir o efeito direto a zero, permanecendo os efeitos significativos e as condições (A) e (B) sendo atendidas, é possível afirmar a existência de mediação total, caso contrário há indicação de múltiplos fatores de mediação (Baron; Kenny, 1986), sendo denominada na literatura recente de mediação parcial. Cabe destacar que o aumento do efeito direto com a inclusão da presumível variável mediadora não caracteriza mediação. Na Tabela 5 são expostos os valores do modelo estrutural e da avaliação da mediação.

Tabela 5 Modelo Estrutural e Avaliação da Mediação - Condição C 

(C) Caminhos Modelo
sem Med.
Modelo com Mediação considerando Desempenho Acadêmico Aceitação da
Mediação
Efeito Efeito Direto Efeito Indireto Efeito
Total
Efeito
Med.
Coef. Coef. % Coef. % Coef. %
Est. Inst. > C.P. Ext. 0,041 0,030*** 103,44 -0,000 -3,44 0,029 Inexiste Rejeitada
Est. Inst. > C.A. Ext. 0,000 -0,013*** -433,33 0,016 544,44 0,003
Org. Curso > C.P. Ext. 0,089** 0,047*** 50,54 0,046 49,46 0,094** +49,46 Parcial
Org. Curso > C.A. Ext. 0,141*** 0,004*** 2,79 0,138 97,21 0,143** +97,21
Rel. Int. > C.P. Ext. 0,127*** 0,089*** 72,35 0,034 27,65 0,123** +27,65
Rel. Int. > C.A. Ext. 0,091** -0,034*** -35,78 0,130 135,78 0,095** +135,78 Total
A.D. Acd. > C.P. Ext. -0,026* -0,045*** 187,50 0,021 -87,50 -0,024 Inexiste Rejeitada
A.D. Acd. > C.A. Ext. 0,138*** 0,039*** 29,77 0,092 70,23 0,131** +70,23 Parcial
Construto R2 - Modelo sem Mediação R2 - Modelo com Mediação
Satisfação com a Vida Acadêmica Não há. 0,285**
Emoções Positivas Não há. 0,066**
Emoções Negativas Não há. 0,052**
Comportamento Pessoal Exteriorizado 0,040** 0,113**
Comportamento Acadêmico Exteriorizado 0,102** 0,647**
Goodness-of-Fit 0,204 0,385

Fonte: Dados da pesquisa.

Nota: Est. Inst. = Estrutura Institucional; Org. Curso = Organização do Curso; Rel. Int. = Relações Interpessoais; A.D. Acd. = Apoio ao Desenvolvimento Acadêmico; C.P. Ext. = Comportamento Pessoal Exteriorizado; C.A. Ext. = Comportamento Acadêmico Exteriorizado.

*p < 0,10;

**p < 0,05;

***p < 0,01.

Na Tabela 5 são observados efeitos diretos do modelo de regressão sem a presença da presumível variável mediadora que nesta pesquisa representam o bem-estar acadêmico, seguido dos efeitos diretos, efeitos indiretos e efeitos totais do modelo estrutural com a presumível variável mediadora. A análise de caminho proposta nas três condições de Baron e Kenny (1986) e instrumentalizada com o auxílio da técnica bootstrapping (n=5000, com reposição) indicam a existência de efeito mediador do bem-estar subjetivo acadêmico na relação observada. Portanto, pode-se aceitar a hipótese de que a relação entre satisfação com as experiências na pós-graduação e os comportamentos exteriorizados nas redes sociais é mediada pelo bem-estar subjetivo de acadêmicos brasileiros.

Inicialmente, o efeito mediador não foi observado na relação entre estrutura institucional com comportamento acadêmico exteriorizado (β(semmediação) = 0,000; β(efeitototal) = -0,003; p-value > 0,100) e comportamento pessoal exteriorizado (β(semmediação) = 0,041; β(efeitototal) = 0,029; p-value > 0,100), pelo fato de não haver significância no coeficiente de caminho do modelo direto e no coeficiente total do modelo mediador. Apesar da não ocorrência de mediação, é importante destacar que a estrutura institucional pode colaborar para que o nível de satisfação com outros elementos das experiências acadêmicas seja potencializado ou minimizado à medida que a estrutura institucional modela o ambiente físico que o aluno frequenta. Por exemplo, a disposição de lugares e a alocação dos alunos nas salas de aulas e laboratórios de estudos pode fomentar a integração dos discentes e proporcionar alta satisfação com as relações interpessoais.

As conclusões advindas dos resultados mostram-se relevantes ao passo que os recursos físicos, representados pela estrutura institucional que as universidades disponibilizam para os alunos da amostra, afetam a satisfação com a vida acadêmica (β = 0,067; p-value = 0,000), mas estão relacionados com as suas emoções. A estrutura institucional apresentou efeitos pequenos na relação direta com os comportamentos dos alunos nas redes sociais. Dessa forma, pode-se inferir que as variáveis de bem-estar acadêmico e comportamento exteriorizado nas redes sociais são afetadas em maior proporção por outros fatores ligados às atividades rotineiras, apoio fornecido aos alunos e relações interpessoais do que puramente pela estrutura institucional.

A relação entre organização do curso e comportamento pessoal exteriorizado nas redes sociais foi mediada parcialmente pelo bem-estar acadêmico (Mediação = 49,46%), sendo que na dimensão comportamento acadêmico há presença de mediação quase total (Mediação = 97,21%). Os achados corroboram com as proposições de Barnes, Williams e Archer (2010), Kulikowski e Damaziak (2017) e Levecque et al. (2017), visto que os elementos cotidianos afetam o bem-estar acadêmico dos alunos e este medeia parcialmente o comportamento adotado nas redes sociais, com maior intensidade para assuntos relacionados à vida universitária. Tal resultado justifica-se à medida que a satisfação com a forma de organização do curso, em termos de nível de aprendizado, pode relacionar-se com a percepção de utilidade e escolha assertiva sobre a decisão de cursar a pós-graduação. O não atendimento das expectativas do curso pode gerar insatisfações que são exteriorizadas por meio da postura adotada nas redes sociais.

Adicionalmente, a presença de mediação parcial do bem-estar acadêmico na relação entre satisfação com as relações interpessoais e comportamento exteriorizado nas redes sociais na dimensão comportamento pessoal (Mediação = 27,65%), e total para o comportamento acadêmico (Mediação = 135,78%) expõe a importância do clima de apoio e cooperação entre discentes, funcionários e professores. Logo, observou-se que o bem-estar acadêmico foi influenciado pela satisfação com tais relações e o comportamento exteriorizado nas redes sociais é uma forma de identificar como os pós-graduandos percebem a qualidade dos relacionamentos estabelecidos no contexto acadêmico.

Assim, estes resultados ilustram que as coordenações dos cursos de pós-graduação por vezes desenvolvem papel motriz na trajetória do pós-graduando, ou seja, na experiência que o mesmo terá dentro do programa de pós-graduação. Por vezes, esta experiência pode culminar no desenvolvimento de profissionais qualificados e satisfeitos com a formação recebida, haja visto que a estrutura, a qual o mesmo estava inserido era satisfatória. Em contrapartida, o resultado deste processo pode ser um profissional frustrado e imerso em exaustão emocional e estresse, o que traz preocupação aos programas stricto senso.

Ademais, as discussões apresentadas por Moon (1998, 2000) e Schau e Gilly (2003) enfatizam a relevância de observar o comportamento dos usuários nas redes sociais, pois nesse ambiente ocorrem diversas interações e há possibilidade de haver maiores níveis de autodivulgação de informações sobre as vivências dos alunos, com apontamentos do que sentem e avaliam em termos de satisfação com as experiências na pós-graduação.

O apoio ao desenvolvimento estudantil possui elevada capacidade de se relacionar de modo significante com a satisfação com a vida acadêmica e emoções positivas, sendo que estas medeiam parcialmente a relação com o comportamento exteriorizado nas redes sociais na dimensão acadêmica (Mediação = 70,23%), o que confirma a importância do apoio e recursos destinados aos estudantes para o fomento de seu bem-estar e satisfação com a universidade (Hyun et al., 2006). A importância dos incentivos aos estudantes é observada também nos dados expostos pela University of California (2014) em que as condições de vida e o apoio financeiro aos discentes são preditores importantes do nível de satisfação com a vida e depressão dos pós-graduandos.

Em resumo, os resultados desta pesquisa indicam ser relevante considerar o bem-estar acadêmico no comportamento de pós-graduandos, fato evidenciado na comparação do Goodness-of-Fit do modelo direto (GoF = 0,204; p-value < 0,05) com o modelo mediador (GoF = 0,385; p-value < 0,05). A consideração do bem-estar subjetivo dos acadêmicos mostra-se oportuna visto que é um construto atrelado ao desempenho acadêmico, engajamento universitário, permanência no curso e alterações psicológicas, expondo a necessidade de constante aprofundamento e avanços nos estudos inerentes a temática (Hyun et al., 2006; University of California, 2014; Kulikowski; Damaziak, 2017; Levecque et al., 2017; Cowie; Nealis, Sherry; Hewitt; Flett, 2018).

Conclusões

As discussões advindas dos resultados da pesquisa apontam que o contentamento com as relações interpessoais no âmbito da pós-graduação relaciona-se com o nível de bem-estar acadêmico. Nesse sentido, a satisfação com a pós-graduação ultrapassa os limites de conteúdo e formação profissional, sendo que os laços sociais estabelecidos nesse ambiente interferem no bem-estar dos alunos e no seu comportamento nas redes sociais. Ações que promovam a integração e a presença de um ambiente colaborativo entre professores, funcionários e pós-graduandos são recomendadas para que o bem-estar acadêmico e a satisfação com as experiências na pós-graduação sejam maximizados.

Do mesmo modo, os caminhos entre organização do curso e comportamento exteriorizados apresentaram elevados níveis de mediação por parte do bem-estar acadêmico. Assim, ao observar a postura dos alunos nas redes sociais, quanto às publicações negativas referentes à pós-graduação, é importante identificar o nível de satisfação com a forma de estruturação do curso, pois a qualidade dos conteúdos lecionados, atenção e didática dos professores são fortes preditores deste comportamento.

A relação entre apoio ao desenvolvimento estudantil e comportamento acadêmico exteriorizado apresentou efeito mediador quando considerado o bem-estar acadêmico. Nesse sentido, as oportunidades oferecidas aos estudantes, bem como os recursos financeiros disponibilizados mostram-se essenciais para que haja percepções positivas a respeito da pós-graduação e que isso seja manifestado no ambiente virtual por meio de suas publicações. A insegurança financeira justifica-se por ser um dos principais elementos que podem comprometer o término do curso, sendo necessária a manutenção das fontes de apoio e fomento estudantil no decorrer da pós-graduação.

O fato de não haver efeito mediador do bem-estar acadêmico na relação entre a dimensão da satisfação com a estrutura do curso e comportamento exteriorizado nas redes sociais, indica a necessidade de analisar os resultados com atenção, pois a estrutura do curso pode estar relacionada às outras dimensões do ambiente da pós-graduação e impactar na satisfação com as experiências vivenciadas no stricto sensu. Em resposta a esse resultado, espera-se que estudos possam refutar ou apresentar novos direcionamentos para esta relação.

A intensidade de uso de ferramentas virtuais tem aumentado a cada ano, sendo que grupos sociais são criados nesses locais para o compartilhamento de informações e experiências pessoais, acadêmicas e profissionais. De modo restrito, as publicações dos pós-graduandos nas redes sociais podem evidenciar informações que dificilmente seriam obtidas de outras formas. A autodivulgação pode ser maximizada nas redes sociais pela sensação de liberdade de comunicação proporcionada, enquanto no ambiente da pós-graduação as opiniões podem apresentar-se de forma restrita e reprimida, limitando a identificação de evidências úteis para o processo de melhoria da pós-graduação.

Acredita-se que as informações para o aprimoramento da qualidade dos cursos de pós-graduação e dos níveis de bem-estar acadêmico subjetivo dos alunos podem ser advindas da observação das publicações nas redes sociais. Não é esperado por meio dessa investigação esgotar as possibilidades de estudos a respeito da temática, mas sim destacar a importância em se observar a satisfação dos discentes com as experiências na pós-graduação e bem-estar acadêmico, bem como a forma com que esses construtos afetam o comportamento nas redes sociais e podem fornecer elementos a serem discutidos no âmbito educacional.

As limitações do estudo consistem em aspectos que podem ser aprimorados em pesquisas futuras. A abordagem restrita às técnicas quantitativas pode ser combinada futuramente com métodos qualitativos. O estudo aprofundado de cada dimensão das experiências com a pós-graduação também são oportunidades a serem exploradas.

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Recebido: 24 de Agosto de 2018; Aceito: 21 de Setembro de 2019

Alison Martins Meurer é doutorando em Contabilidade pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), mestre em Contabilidade (UFPR), bacharel em Ciências Contábeis na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) e possui especialização em Avaliação do Ensino e da Aprendizagem da Universidade do Oeste Paulista (UNOESTE). ORCID: http://orcid.org/0000-0002-3704-933X E-mail: alisonmmeurer@gmail.com

Iago França Lopes é doutorando do Programa de Pós-Graduação em Contabilidade pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), mestre em Contabilidade pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e bacharel em Ciências Contábeis pela UFPR. ORCID: http://orcid.org/0000-0001-7627-4815 E-mail: iagofrancalopes@gmail.com

Ricardo Adriano Antonelli é doutor e mestre em Contabilidade pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), especialista em Desenvolvimento para Ambiente de Internet utilizando Orientação a Objetos, Java e Banco de Dados pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), bacharel em Ciências Contábeis pela UTFPR e bacharel em Informática pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). ORCID: http://orcid.org/0000-0001-7606-2388 E-mail: ricardoaantonelli@yahoo.com.br

Romualdo Douglas Colauto é professor do Programa de Pós-Graduação em Ciências Contábeis na Universidade Federal do Paraná (UFPR) e doutor em Engenharia de Produção pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). ORCID: http://orcid.org/0000-0003-3589-9389 E-mail: rdcolauto.ufpr@gmail.com

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