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Revista Educação em Questão

Print version ISSN 0102-7735On-line version ISSN 1981-1802

Rev. Educ. Questão vol.62 no.72 Natal Apr./June 2024  Epub Dec 02, 2024

https://doi.org/10.21680/1981-1802.2024v62n72id35952 

Artigos

Internacionalização como estratégia para a permanência estudantil: o estado do conhecimento com apoio da inteligência artificial

La internacionalización como estrategia para promover la permanencia estudiantil: el estado del conocimiento con apoyo de la inteligencia artificial

Pricila Kohls-Santos1 

Prof.ª Dr.ª Pricila Kohls-Santos Universidade Católica de Brasília (Brasil) Programa de Pós-Graduação em Educação Coordenadora do Departamento de Permanência Estudantil e Sucesso Acadêmico (PESA) Líder do Grupo de Pesquisa Interdisciplinar em Tecnologias Digitais, Internacionalização e Permanência Estudantil (GeTIPE) Orcid id: http://orcid.org/0000-0002-3349-4057, E-mail: pricila.kohls@gmail.com


http://orcid.org/0000-0002-3349-4057

Marília Costa Morosini1 

Prof.ª Dr.ª Marília Costa Morosini Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (Brasil) Coordenadora do Centro de Estudos em Educação Superior (CEES) Coordenadora da Rede Sulbrasileira de Investigadores da Educação Superior (RIES) Pesquisadora 1A CNPq Orcid id: https://orcid.org/0000-0002-3445-1040, E-mail: marilia.morosini@pucrs.br


http://orcid.org/0000-0002-3445-1040

1Programa de Pós-Graduação em Educação


Resumo

O presente artigo aborda a temática da internacionalização como estratégia para a permanência estudantil e o sucesso acadêmico na educação superior em periódicos científicos, publicados nas bases Scopus e Lens, nos últimos cinco anos. É um estudo de abordagem qualitativa e exploratória, fazendo uso de pesquisa bibliográfica, do tipo estado do conhecimento, para o mapeamento de análise das publicações científicas. Ademais, tem como caráter inovador o uso do ChatGPT, com validação humana, para a organização, categorização, análise e apresentação dos dados. Os resultados apontam para a confirmação dessa relação com destaque para as categorias Estresse e adaptação acadêmica; Impacto do estudo no exterior; Motivação e aprendizagem em contextos internacionais e Educação em contextos de refugiados. De uma forma geral, os artigos estudam não só fatores positivos, mas também desafios a serem resolvidos para que a internacionalização constitua-se em uma estratégia de permanência estudantil e sucesso acadêmico.

Palavras-chave: Estado do conhecimento; Permanência estudantil; Internacionalização da educação; Inteligência artificial

Resumen

Este artículo aborda el tema de la internacionalización como estrategia para la retención de estudiantes y el éxito académico en la educación superior en revistas científicas, publicadas en las bases de datos Scopus y Lens, en los últimos cinco años. Es un estudio con enfoque cualitativo y exploratorio, que utiliza la investigación bibliográfica, del tipo estado del conocimiento, para mapear el análisis de publicaciones científicas. Además, es innovador el uso de ChatGPT, con validación humana, para la organización, categorización, análisis y presentación de los datos. Los resultados apuntan a la confirmación de esta relación con énfasis en las categorías Estrés y adaptación académica; Impacto de estudiar en el extranjero; Motivación y aprendizaje en contextos internacionales y Educación en contextos de refugiados. En general, los artículos estudian no sólo factores positivos, sino también desafíos a resolver para que la internacionalización se convierta en una estrategia de permanencia estudiantil y éxito académico.

Palabras clave: Estado del conocimiento; Permanencia estudiantil; Internacionalización de la educación; Inteligencia artificial

Abstract

This article addresses the theme of internationalization as a strategy for student retention and academic success in higher education in scientific journals, published in the Scopus and Lens databases, over the last five years. This a qualitative and exploratory study, using bibliographical research, of the state of knowledge type, to map the analysis of scientific publications. Furthermore, the use of ChatGPT, with human validation, for the organization, categorization, analysis and presentation of data is innovative. The results point to confirmation of this relationship with emphasis on the categories Stress and academic adaptation; Impact of studying abroad; Motivation and learning in international contexts and Education in refugee contexts. In general, the articles study not only positive factors, but also challenges to be resolved so that internationalization becomes a strategy for student retention and academic success. Keywords: State of knowledge. Student persistence. Internationalization of education. Artificial intelligence.

Keywords: State of knowledge; Student persistence; Internationalization of education; Artificial intelligence

Introdução

A permanência estudantil é um tema de suma importância para as instituições educativas e vem ganhando espaço nos últimos anos, haja vista que, na literatura, a perspectiva mais utilizada é a evasão. Na mesma esteira, está a internacionalização da educação superior que, no Brasil, vem adquirindo força a partir dos processos de globalização do final do século passado.

Tais temas, comumente, são abordados em separado, porém propomos, neste artigo, a internacionalização como oportunidade para incrementar a permanência e o sucesso na educação superior. Nessa direção, KohlsSantos (2020, 2021, 2022, 2024) apresenta a internacionalização como uma variável chave do Modelo Integracionista para a Permanência Estudantil e Sucesso Acadêmico (MIPESA). Tal modelo propõe ações de internacionalização para além da mobilidade acadêmica, considerando a mobilidade virtual e presencial, em complementariedade a outras formas como a Internacionalização em casa (IaH) e a Internacionalização do currículo (IoC).

Fonte: Kohls-Santos (2024).

Figura 1 Modelo Integracionista para a Permanência Estudantil e Sucesso Acadêmico 

De acordo com Tinto (1987, 2017, 2020), a permanência estudantil está diretamente relacionada com a integração social e acadêmica dos estudantes. O autor apresenta cinco fatores que auxiliam na permanência estudantil, a saber: as expectativas dos estudantes, o apoio social e acadêmico, as questões relacionadas à aprendizagem, a avaliação e o feedback, o envolvimento acadêmico e a interação e as ações administrativas (Tinto, 2017, 2020).

Nessa mesma linha, Kohls-Santos (2020, 2022) apresenta quatro fatores essenciais para organizar ações voltados à permanência, quais sejam: gestão institucional, prática docente, dedicação do estudante e qualidade do curso. Além disso, apresenta como essencial o trabalho conjunto entre os atores institucionais – docentes, estudantes, gestores e demais educadores –,que são corresponsáveis pelo processo de permanência estudantil e sucesso acadêmico.

É importante frisar que, na perspectiva deste trabalho, a permanência estudantil não é considerada sinônimo de sucesso acadêmico, uma vez que o sucesso acadêmico

[...] está ligado à conclusão dos estudos por parte do estudante, mas vai além, contempla a aplicação na prática dos conceitos aprendidos ao longo de sua formação, contribuindo para o exercício da sua profissão e para o desenvolvimento do cidadão no âmbito pessoal, profissional e social (Kohls-Santos, 2022, p. 5).

Um dos contributos importantes para a permanência e sucesso acadêmico é a qualidade na qual deve estar incluída a internacionalização, considerada um dos seus principais critérios constitutivos. Mas a internacionalização não pode estar restrita à concepção transfronteiriça (mobilidade) do senso comum, que implica no deslocamento presencial do estudante para outro país, para que adquira significância (Mentges; Morosini, 2023). Outros modos de internacionalizar uma instituição são identificados (Morosini; DallaCorte, 2021, 2023) como a Internacionalização do Currículo –IoC (Leask, 2009), a Internacionalização em Casa – IaH (Beelen; Jones, 2015) e a Internacionalização Integral (Hudzik, 2015).

O contexto social, político e econômico tem impacto sobre a predominância e a abrangência dessas formas e mesmo sobre a complementariedade de seu uso. Um dos fatores contextuais mais significativos está relacionado às tecnologias marcadas por um desenvolvimento e uma expansão exponencial que transpassa todas as formas de internacionalização. A virtualidade se faz presente neste século e auxilia o processo de internacionalização, contribuindo para potencializar as funções universitárias como janelas para o mundo. Estudos recentes sobre virtual exchange (Bilk; Satar; Sak, 2022) tem confirmado a relação positiva com a internacionalização. Paralelamente, fatores ambientais ligados à saúde, como o isolamento causado pela Covid19, contribuíram para o processo de internacionalização virtual na medida em que “obrigaram” os acadêmicos (estudantes, professores, funcionários) a dominarem o uso da comunicação virtual, bem como as instituições a adotarem uma gestão que propiciasse suporte para o desenvolvimento de suas atividades.

Nessa influência contextual, a perspectiva global advinda de organismos internacionais aponta para o necessário atendimento da proposta de desenvolvimento sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU), consubstanciada em 17 objetivos – Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) (ONU, 2015). Na área da educação, o ODS4 propõe uma qualidade inclusiva, equitativa e ao longo da vida (Unesco, 2014; Morosini, 2022) e impacta a inclusão de estudantes, na medida em que se apoia num processo marcado pela complementariedade de diferentes formas de internacionalização (Woicolesco; Cassol-Silva; Morosini, 2022). Esse processo inclusivo, equitativo, ao longo da vida com qualidade educativa é impactado pela inter-relação da complementariedade das diferentes formas de internacionalização, interconectadas a uma efetiva adoção institucional das Tecnologias Digitais (TDs) utilizadas na formação do graduando. Em outras palavras, a internacionalização integral (comprehensive) não deixa “ninguém para trás”, pois pode ocorrer pela presença de um currículo internacionalizado, que acolha a internacionalização transfronteiriça presencial e/ou virtual, efetivada em casa, no ambiente das instituições de educação superior e/ou com deslocamentos físicos do estudante.

Nesse processo, merecem destaque estudos de caso e projetos em culturas diferentes; instâncias reais ou simuladas de negociação e comunicação intercultural; questões interculturais na prática profissional; práticas profissionais internacionais; e conteúdo atual internacional e local.

É ainda importante considerar os impactos normativos nacionais. A internacionalização como meio para uma educação de qualidade se relaciona com as finalidades da concepção da educação de um país. Esta prevê não somente a capacitação para o mundo do trabalho, mas para a formação integral do estudante para a cidadania (Brasil, 1996). Assim, se relaciona aos princípios de uma educação para a cidadania global (Unesco, 2014).

A partir dessas considerações, a internacionalização vem sendo considerada como uma estratégia para a promoção da permanência estudantil e sucesso acadêmico na educação superior? Para atender tal questão, retomamos, inicialmente, o conceito de estado do conhecimento e suas etapas (Morosini; Kohls-Santos; Bittencourt, 2021) e apresentamos a análise das pesquisas realizadas e publicadas na forma de artigos científicos sobre a temática em tela.

Nessa perspectiva, o objetivo deste texto, é analisar as publicações em periódicos científicos dos últimos 5 anos (2019-2023) sobre a internacionalização como estratégia para a promoção da permanência estudantil e do sucesso acadêmico na educação superior.

Metodologia

O presente artigo tem uma abordagem qualitativa e utiliza a pesquisa bibliográfica de viés exploratório, através do estado do conhecimento (EC) como metodologia para a coleta e geração dos dados. Tal como uma metodologia científica, o EC possui etapas definidas, as quais auxiliam na elaboração do estado corrente do conhecimento acerca de determinado tema e/ou área do conhecimento. Tal como apresentado no quadro 1, a metodologia do EC possui 4 etapas denominadas: Bibliografia Anotada, Bibliografia Sistematizada, Bibliografia Categorizada e Bibliografia Propositiva.

Quadro 1 Alternativas de recursos para atividades educativas 

Etapas Definições
1. Bibliografia Anotada Identificação e seleção, a partir da pesquisa, por descritores dos materiais que farão parte do corpus de análise.
2. Bibliografia Sistematizada Leitura flutuante dos resumos dos trabalhos para a seleção e o aprofundamento das pesquisas, a fim de elencar os que farão parte da análise e escrita do estado do conhecimento.
3. Bibliografia Categorizada Reorganização do material selecionado, ou seja, do corpus de análise e seu reagrupamento em categorias temáticas.
4. Bibliografia Propositiva Organização e apresentação de proposições presentes nas publicações e propostas emergentes, a partir da análise realizada.

Fonte: Kohls-Santos; Morosini (2021).

Para análise dos dados, nos apoiamos nos princípios da análise de conteúdo (Bardin, 2020) que prevê as etapas de desconstrução do texto, leitura flutuante, categorização e escrita do texto analítico. Como ferramenta de apoio para a organização e análise dos dados, fez-se uso do recurso de inteligência artificial ChatGPT (https://chat.openai.com/), com o uso explicitado no tópico dos resultados da pesquisa.

O estado do conhecimento na prática

Inicialmente, a partir do objetivo proposto, foi definido como descritores “Higher Education” AND “Internationalization” AND “Persistence”. Os critérios de seleção foram publicações em periódicos científicos, entre os anos de 2019 e 2023, e que inter-relacionam a temática da internacionalização com a permanência estudantil na educação superior. Ademais, realizamos a busca utilizando, também, o termo “Academic Success”. Foram realizadas duas buscas por se tratar de uma expressão relativamente nova em se tratando da temática da permanência estudantil e não muito recorrente em pesquisa sobre o tema, porém incluímos na busca levando em consideração o referencial teórico utilizado.

Definidos os critérios, foram selecionadas duas bases de dados internacionais, a plataforma The Lens (https://www.lens.org/) e a Scopus (https://www.scopus.com/), ambas plataformas foram eleitas por sua amplitude e indexar artigos de grande parte dos periódicos nacionais e internacionais. Na tabela 1, apresentamos a estratégia de busca utilizada.

Tabela 1 Descritores e campos de busca 

Base de dados Descritores Campos Nº de documentos
Lens “Higher Education” AND Internationalization AND Persistence Título, resumo e palavras-chave 39
Scopus “Higher Education” AND Internationalization AND Persistence Título, resumo e palavras-chave 52
Lens “Higher Education” AND Internationalization AND Persistence AND “academic success” Título, resumo e palavras-chave 5
Scopus “Higher Education” AND Internationalization AND Persistence AND “academic success” Título, resumo e palavras-chave 1

Busca realizada em fevereiro de 2024

Fonte: Elaboração das autoras (dados da pesquisa)

A busca foi realizada nos dois grupos de descritores (tabela 1), e apresentou 44 artigos científicos como resultados na plataforma Lens e 53 na Scopus. Os títulos encontrados foram os mesmos, com exceção de 13 artigos. Assim, a primeira etapa da pesquisa do EC –bibliografia anotada – é composta por 57 artigos científicos que foram registrados e organizados para posterior análise e seleção.

Na bibliografia sistematizada, a partir da leitura dos títulos e resumos, foram aplicados os critérios de inclusão, quais sejam, estudos realizados em nível de educação superior, abordando a internacionalização e sua intersecção com a permanência estudantil, no período de 2019 a 2023. Foram excluídos artigos fora da temática estabelecida ou que apresentassem apenas um dos temas em separado.

Após a leitura flutuante dos títulos e resumos das publicações, o corpus de análise do corrente EC se constituiu de 14 artigos científicos, relacionados na tabela 2.

Tabela 2 Corpus de análise 

ID Ano Título Autores País
1 2023 Once highly productive, forever highly productive? Full professors' research productivity from a longitudinal perspective Marek Kwiek, Wojciech Roszka Polônia
6 2022 La política de internacionalización de la Educación Superior. Efectos, brechas y asimetrías persistentes Jaime Moreles Vázquez, Sara Aliria Jiménez García, Silvia Regina Canan México Brasil
11 2022 Moving towards multipolarity: shifts in the core-periphery structure of international student mobility and world rankings (2000-2019) Chris R Glass, Natalie I Cruz EUA África do Sul
13 2022 Meaningful higher education in Kakuma refugee camp: A case study of why context and contextualization matter Paul O'Keeffe, Thibault Lovey Suíça Irlanda
17 2022 Does conflict of interest distort global university rankings? Igor Chirikov Rússia
20 2021 Strategies to boost international student success in US higher education: an analysis of direct and indirect effects of learning communities Esen Gokpinar-Shelton, Gary R Pike EUA
23 2021 A Robust Estimation of the Relationship Between Study Abroad and Academic Outcomes among Community College Students Melissa Whatley, Manuel S. González Canché EUA
24 2021 Guests in someone else’s house? Sense of belonging among ethnic minority students in a Hong Kong university Gao, Fang, Liu, Henry Chi Yin China
29 2020 What influences PhD graduate trajectories during the degree: a research-based policy agenda Lynn McAlpine, Montserrat Castelló, Kirsi Pyhältö Finlândia Espanha
46 2019 Academic Integration of Chinese Students in Finland and Germany: A Comparative Perspective Hanwei Li China Inglaterra
47 2019 At-Home International Education in Vietnamese Universities: Impact Graduates' Employability and Carrer Prospects Tran Le Huu Nghia, Haang Truong Giant, Vo Phuong Quyen Austrália Vietnã
48 2019 An Intellectual Interaction Betwenn International Research Students and Western Educators in the Internationalization of Australian Research Education Hui Meng, Desheng Gao Austrália
50 2023 Motivation for English Medium Instruction Among Chinese University Students: The Effect of Gender, Academic Level, Attitude and Linguistic Self-Confidence Bin Wu, Zhongshe Lu, Yuan Renqing China
52 2022 Education Abroad and College Completion Rachana Bhatt, Angela Bell, Donald L. Rubin, Coryn Shiflet, Leslie Hadges EUA

Fonte: Elaboração das autoras (dados da pesquisa)

A terceira etapa constituiu-se da leitura aprofundada dos textos selecionados para o corpus de análise, sendo que, a partir da leitura, os artigos foram organizados em categorias analíticas, nas quais são apresentados os resultados da análise do estado do conhecimento.

Resultados

A presença de pesquisas relacionadas à internacionalização e permanência estudantil vem crescendo ao longo das últimas décadas, porém, grande parte das publicações abordam as temáticas em separado. De acordo com Kohls-Santos (2022), a internacionalização é considerada uma das variáveis constitutivas do modelo para a permanência estudantil e o sucesso acadêmico. Ela deve estar na pauta das discussões e ações institucionais com vistas à qualidade da formação de nível superior e o desenvolvimento de competências para a atuação do futuro profissional.

Ao analisar as publicações, é possível perceber o crescimento de pesquisas relacionadas à temática, porém, ainda é um tema pouco explorado em termos de artigos científicos nas duas bases de dados utilizadas. Das 14 publicações selecionadas, em 2023, 2 artigos foram publicados, seguidos de 5, em 2022, 3, em 2021, 1, em 2020 e 3, em 2019. Percebe-se um crescimento do número de publicações no ano de 2022, porém a tendência não se mantém no ano seguinte. Pode-se hipotetizar, com base em estudos de publicações científicas, que, de uma forma geral, o crescimento nos anos 2021 e 2022 refletem o impacto da Covid-19 e do isolamento social que propiciou a expansão das publicações (Woicolesco; Morosini; Marcelino, 2022).

Dos principais campos de estudo que investigam a permanência, a internacionalização e o sucesso acadêmico de estudantes na educação superior têm destaque as áreas que abordam a Ciência Política, a Sociologia, a Psicologia e a Pedagogia. Tal constatação nos leva a afirmar que é um campo interdisciplinar, da área das Humanidades.

Ao analisar o país de origem das publicações, percebe-se que alguns estudos foram realizados em colaboração entre países diferentes, os quais relatam experiências de internacionalização com estudantes ou pesquisas em nível de pós-graduação. Destacam-se as parcerias México-Brasil (1), Estados Unidos da América-África do Sul (1), Suíça-Irlanda (1), FinlândiaEspanha (1), China-Inglaterra (1), Austrália-Vietnã (1). As demais publicações são dos Estados Unidos da América (3), da China (2), da Polônia (1), da Rússia (1) e da Austrália (1). Os números podem ser visualizados na figura 2.

Fonte: Elaboração das autoras (dados da pesquisa)

Figura 2 Mapa das publicações por país 

Uma das razões do predomínio dos estudos nos EUA, provavelmente, se refere a uma tradição de estudos sobre permanência (Pascarella; Terenzini, 1991), (Tinto; 1987, 2017), (Perna; Thomas, 2008), que se apoiam numa epistemologia positiva e propositiva. Já a Europa, com base em uma epistemologia crítica, tinha como foco inicial o abandono, o dropout e a evasão (Arriaga, 2013), (Castaño, Gallón, Gómez, Vásquez 2006), (RedGuia, 2015).

Organização da análise dos dados

Na metodologia EC, a organização das categorias analíticas, era tradicionalmente realizada de forma manual apenas pelo pesquisador e pela equipe, a partir do título e do resumo de cada artigo selecionado na bibliografia anotada e, posteriormente, sistematizada. Com o desenvolvimento da tecnologia, nesta pesquisa, nos apoiamos no recurso do ChatGPT, versão 4.0, para auxiliar na organização das categorias analíticas estabelecidas a priori e as categorias emergentes. Este processo passou por três etapas (figura 3).

Fonte: Elaboração das autoras.

Figura 3 Ciclo do EC apoiado em IA 

O Ciclo do EC apoiado em IA (figura 3) deve iniciar a partir da bibliografia sistematizada, segunda etapa da metodologia do EC. Definido o corpus de análise, se inicia o ciclo conforme as etapas*:

1. Exploratória: nesta fase, os títulos e resumos são apresentados ao ChatGPT a fim de explorar possíveis agrupamentos, temáticas mais relevantes e relação entre os temas estabelecidos no objetivo do EC. Um exemplo do uso deste recurso é apresentado na figura 4;

2. Organizativa:com o resultado da etapa exploratória, passamos à organização das categorias analíticas estabelecidas a priori (de acordo com o objetivo do EC) e das categorias emergentes (encontradas na fase exploratória). Um exemplo do uso desse recurso é apresentado nas figuras 5 e 6;

3. Reflexiva:Validação das categorias com a inclusão dos textos dos resumos, a fim de evitar discrepâncias entre a categorização dos títulos e textos dos resumos. Além disso, nesta etapa reflexiva, os autores realizam uma análise pormenorizada dos resultados organizados a fim de realizar a validação humana de todo o processo, que é construída a partir da leitura dos artigos pelo pesquisador. É importante salientar que a validação em dois passos, a validação com o uso da IA e a validação humana são inerentes a todas as etapas.

Outrossim, é importante utilizar a mesma conversa (registro) em todas as etapas, pois essa IA funciona com base no contexto, ou seja, na memória da conversa para aprofundar as análises.

A figura 4 apresenta a sentença ou comando utilizado no ChatGPT para obter o resultado desejado. Para a exploração das categorias analíticas, num primeiro momento, foram utilizados os títulos das publicações, já para os resumos, utilizou-se a mesma sentença. Como separador para os títulos, utilizamos o termo “Título x” e um título separado por linha e, para os resumos, foi utilizado “Resumo x”, separados por “**”. Esses caracteres são necessários para que o ChatGPT faça distinção entre cada título ou resumo.

Fonte: Elaboração das autoras.

Figura 4 Exemplo de análise exploratória, a partir dos títulos e das categorias com ChatGPT 4.0 

As categorias de análise foram organizadas com o auxílio do ChatGPT, mas comprovadas pelas autoras a partir da leitura dos textos. A ferramenta auxilia e apresenta algumas possibilidades, porém, cabe ao pesquisador validar e organizar as sugestões apresentadas. Assim, definidas as categorias de análise, utilizamos a IA para auxiliar no processo de organização dos textos em cada uma dessas categorias novamente utilizando, tanto o texto dos títulos (figura 5) quanto dos resumos (figura 6).

Fonte: Elaboração das autoras.

Figura 5 Exemplo de organização de categorias com Chat GPT a partir dos títulos dos artigos 

Fonte: Elaboração das autoras.

Figura 6 Exemplo de organização de categorias com Chat GPT a partir dos resumos 

Após a exploração das categorias temáticas pelos títulos e pelos resumos, foram estabelecidas as seguintes categorias de análise: Estresse e adaptação acadêmica; Impacto do estudo no exterior; Motivação e aprendizagem em contextos internacionais e Educação em contextos de refugiados. Estabelecidas as categorias, seus respectivos textos foram novamente analisados com apoio do ChatGPT para a confirmação dos dados (figura 7), sendo que a validação foi realizada pelas pesquisadoras.

Fonte: Elaboração das autoras.

Figura 7 Confirmação da categorização 

Fonte: Elaboração das autoras.

Figura 8 Categorias de Análise 

Discussão

A discussão dos resultados, levantados neste estado do conhecimento, é apresentada à luz de estudos relacionados à permanência estudantil e internacionalização. Ademais, para esta discussão, apresentamos o texto analítico organizado em categorias que serão explicitadas uma a uma nesta seção.

Estresse e adaptação acadêmica

A categoria Estresse e adaptação acadêmica apresenta aspectos relacionados à importância da adaptação dos estudantes à realidade acadêmica, bem como o estresse refletido, principalmente em estudantes de pós-graduação, em experiências internacionais de formação e a exigência dos programas no exterior. Fazem parte dessa categoria analítica, quatro estudos realizados na China, Inglaterra, Polônia e Rússia.

Os estudos realizados por Pappa, Elomaa e Perälä-Littunen (2020) e Li (2019) abordam os desafios enfrentados por estudantes internacionais em contextos acadêmicos, incluindo o estresse decorrente da adaptação a novos ambientes e da necessidade de desenvolver estratégias de enfrentamento. Por meio de entrevistas, Pappa, Elomaa e Perälä-Littunen (2020) realizaram uma pesquisa com estudantes internacionais de doutorado na Finlândia a fim de conhecer os principais estressores para estes estudantes. Identificaram como fonte de estresse questões relacionadas ao relacionamento interpessoal e aos desafios relacionados com a realização da pesquisa de campo, financiamento e perspectivas de carreira, além da falta de uma rede de apoio.

Por sua vez, Li (2019) analisa o impacto da educação no exterior na conclusão dos estudos e no desempenho acadêmico a partir de registros de 221.981 estudantes de 35 instituições, além de entrevistas realizadas com 35 estudantes chineses que estudaram na Alemanha e Finlândia. Os desafios foram a falta de adaptação às aulas dos estudantes estrangeiros, a dificuldade de relacionamento com os estudantes locais, a incompatibilidade entre a sua formação acadêmica e os requisitos de aprendizagem.

Ainda assim, a pesquisa encontrou impactos positivos na realização do curso de graduação no exterior no período de 4 e 6 anos. Além disso, detectou que grande parte dos estudantes que participaram da experiência internacional concluíram seus estudos de graduação antecipadamente. Embora tenha havido um pequeno aumento nas horas de crédito obtidas, houve também uma pequena diminuição no tempo de obtenção de um diploma associado ao estudo no exterior. Em geral, os resultados indicam que estudar no exterior incentiva a conclusão da faculdade, sendo esses resultados aplicados a estudantes com múltiplas experiências de estudo e durações variadas de cursos.

Pusztai, Demeter-Karászi, Alter, Marincsák, Dabney-Fekete (2022) analisaram o perfil de abandono entre estudantes estrangeiros que cursaram medicina na Hungria através dos riscos de atrito com os estudantes locais. Os pesquisadores ressaltam a importância da criação de políticas educacionais flexíveis e suporte direcionado para estudantes com dificuldades. Embora não se limite apenas a estudantes internacionais, a abordagem proposta tem implicações significativas para a inclusão e suporte a esse grupo, que pode enfrentar barreiras adicionais ao sucesso acadêmico por serem de outros países e enfrentarem resistências, inclusive, dos estudantes locais.

Ainda que não apresentado de forma explícita no texto, ambos estudos incluem a internacionalização como uma oportunidade para o desenvolvimento do estudante, assim como para a sua permanência e o seu sucesso acadêmico, desde que observadas questões relacionadas à sua integração social e acadêmica (Tinto, 2017), bem como o auxílio institucional para o enfrentamento de barreiras. Tais aspectos remontam a proposta de Kohls-Santos (2022; 2024) no desenvolvimento de propostas e ações de internacionalização com vistas à permanência estudantil e ao sucesso acadêmico, além da importância da responsabilidade compartilhada entre os atores institucionais para viabilizar tais ações.

Impacto do estudo no exterior

O impacto do estudo no exterior é um importante elemento para análise da proposta de internacionalização como elemento a ser desenvolvido no processo de permanência dos estudantes. Nessa categoria, se encontram pesquisas realizadas nos Estados Unidos da América, na África do Sul, na Austrália e no Vietnã.

Nghia, Giang e Quyen (2019) analisaram o impacto dos programas de internacionalização em casa oferecidos por universidades vietnamitas na empregabilidade e nas perspectivas de carreira dos estudantes. Como resultado sugerem que a oferta de atividades de internacionalização em casa contribui para a permanência estudantil ao possibilitar aos estudantes desenvolverem habilidades e conhecimentos que são valorizados no mercado de trabalho global, aumentando as suas chances de empregabilidade, motivando-os a permanecer no curso, pois veem um valor agregado em sua educação, principalmente com ganho futuro. Tal aspecto é abordado na literatura por Cabrera, Nora, Castañeda (1992).

Ainda assim, o estudo destaca um desafio significativo, pois existe uma discrepância entre a formação e a empregabilidade efetiva, o que sugere a necessidade de alinhar os programas de internacionalização que potencializam a permanência estudantil com as exigências de mercado e com as políticas de incentivo à contratação de profissionais com tais experiências. Outra possibilidade seria a criação de parcerias entre as universidades e instituições do mundo do trabalho para que a permanência se traduza em sucesso acadêmico e profissional após a graduação.

Os estudos realizados por Whatley e Canché (2022) e Bhatt, Bell e Rubin (2022) investigaram a relação entre o impacto da participação em programas de estudo no exterior no desempenho acadêmico e a conclusão do ensino superior. Whatley e Canché (2022) analisaram o impacto em cursos de dois anos de duração, como os tecnólogos, considerando, como principais variáveis, as características individuais dos estudantes e os indicadores associados às suas origens geográficas e créditos aprovados. Os resultados indicam uma associação positiva entre estudar no exterior e bons resultados acadêmicos, destacando a importância do estudo no exterior na promoção do sucesso dos estudantes. Os resultados também sugerem que o estudo brinda a oportunidade para o planejamento de políticas educacionais e práticas institucionais.

Na mesma direção, Bhatt, Bell e Rubin (2022) mostram que a participação em programas de estudo no exterior têm um impacto positivo na graduação, no índice de desenvolvimento acumulado na graduação e não impedem o término de curso dentro do prazo. Além disso, observaram um pequeno aumento no número de horas de crédito obtidas e uma pequena diminuição no tempo para a conclusão do curso, o que sugere que a participação em atividades de internacionalização, do tipo mobilidade acadêmica, não apenas auxilia no rendimento dos estudantes e na permanência estudantil, mas também na conclusão dos estudos.

Por sua vez, Glass e Cruz (2023) analisam as mudanças na mobilidade estudantil internacional e nas classificações das universidades mundiais ao longo das duas primeiras décadas do século XXI. Sinalizam um crescimento significativo no número de conexões entre países, além de uma distribuição mais ampla e uniforme da internacionalização em cada um desses países, com um aumento no número de universidades descentralizadas. Isso sugere uma mudança nas dinâmicas da centro-periferia na mobilidade estudantil internacional, com uma influência cada vez maior de centros educativos em regiões como Ásia, América do Sul, África e Oriente Médio. Ou seja, ainda que países do Norte Global sigam como destino para atividades de internacionalização, não são mais exclusividade na escolha dos estudantes em mobilidade acadêmica.

Motivação e aprendizagem em contextos internacionais

Na presente categoria, foram analisados trabalhos que apresentam a motivação para aprender e o processo de aprendizagem influenciados por contextos educacionais internacionais e em que medida essa motivação influencia na decisão do estudante em permanecer nos estudos e no seu sucesso acadêmico. Nessa direção, a pesquisa realizada por Gao e Liu (2021) analisou um grupo de estudantes em Hong Kong de etnia do Sul/ Sudeste Asiático, principalmente de países como o Nepal, a Índia, o Paquistão e as Filipinas, buscando identificar a sua percepção de pertencimento.

Os autores ressaltam que o sentimento de pertencimento, aspecto abordado na literatura por Tinto (2017) e Kohls-Santos (2020; 2022), é crucial para a permanência estudantil, além da importância da ligação emocional e institucional para estudantes de minorias, um aspecto fundamental da internacionalização que visa criar um ambiente acolhedor e inclusivo para todos. Gao e Liu (2021) destacam que a inclusão efetiva dos estudantes no processo de internacionalização pode contribuir significativamente para a permanência de estudantes de grupos marginalizados e de diferentes etnias. Tal reflexão suscita pensar na organização de políticas e ações institucionais de acompanhamento de estudantes internacionais para o desenvolvimento desse sentimento ao longo do processo de internacionalização.

Na esteira das políticas institucionais, o estudo apresentado por Vázquez, García e Canan (2021) analisa a simetria entre a política e sua efetividade na prática das instituições, assim como as assimetrias entre regiões mais e menos industrializadas. Os autores sugerem que políticas eficazes de internacionalização podem melhorar a experiência educacional, promovendo inclusão e diversidade, o que pode contribuir para a permanência estudantil. No entanto, a implementação desigual dessas políticas pode levar a experiências estudantis inconsistentes, afetando potencialmente sua decisão de permanecer na instituição e o sucesso acadêmico.

Ainda sobre o desenvolvimento do pertencimento, Gokpinar-Shelton e Pike (2021) examinam a participação de estudantes internacionais em comunidades de aprendizagem, salientando que a sua presença em tais comunidades pode aumentar a sua satisfação e o seu sentimento de pertencimento, fatores críticos para a permanência estudantil, indicando que a internacionalização, através do desenvolvimento de competências interculturais, pode melhorar os índices e a qualidade da permanência estudantil.

Meng e Gao (2019, p. 122-123) analisaram a importância da relação intelectual entre professores e estudantes na pós-graduação, no contexto da internacionalização da educação superior de uma instituição australiana. Os autores afirmam que “[...] esta é uma interação intelectual, uma troca bidirecional de conhecimento intelectual, onde ambas as partes são capazes de articular os conhecimentos intelectuais e culturais”.

A interação intelectual pode enriquecer a experiência de estudantes internacionais, promovendo um ambiente acadêmico mais envolvente e inclusivo. Essa conexão intelectual e cultural, entre professores e estudantes, pode melhorar a satisfação dos estudantes, influenciando positivamente sua decisão de permanecer na instituição (Meng; Gao, 2019).

Wu e Yuan (2023) exploram a motivação de estudantes do programa English Medium Instruction (EMI), na China, que é uma forma de internacionalização em casa. O estudo destaca que a autoconfiança linguística, influenciada pela internacionalização através do EMI, pode afetar positivamente a experiência acadêmica dos estudantes. Os resultados apontam que a motivação dos estudantes em participar de programas EMI tem a ver com a manutenção e o desenvolvimento do nível de inglês para a disciplina, que é uma tendência internacional na educação, e para ter acesso a publicações internacionais. Também mostram que “os estudantes de mestrado têm maiores esperanças nos benefícios associados ao EMI do que os estudantes de licenciatura e doutoramento” (Wu e Yuan, 2023). Os autores ainda enfatizam que, se bem executada, esse tipo de internacionalização em casa pode melhorar a confiança dos estudantes e sua motivação para o aprendizado, fatores importantes para a permanência estudantil, especialmente em um contexto globalizado.

Tais publicações sugerem que a internacionalização consciente e bem implementada tem o potencial de melhorar significativamente a permanência estudantil na educação superior e, por conseguinte, contribuir para o sucesso acadêmico.

Educação em contextos de refugiados

O’Keeffe e Lovey (2023), examinaram o ensino superior em contextos de refugiados através de plataformas de aprendizagem on-line, buscando verificar a legitimidade da aprendizagem virtual para esse grupo de pessoas e a necessidade de abordagens mais contextualizadas, que reflitam melhor as realidades dos alunos refugiados. Os autores comparam um curso de estudos médicos contextualizado, ministrado via aprendizagem combinada no campo de refugiados de Kakuma em 2019, com uma versão não contextualizada ministrada em Dadaab em 2018. Os autores afirmam que o curso contextualizado alcançou melhores resultados de aprendizagem, destacando a importância da contextualização cultural e social para atender às necessidades de aprendizagem dos estudantes refugiados.

Conclusões

A internacionalização como estratégia para a permanência estudantil e sucesso acadêmico reconhece a importância de se criar espaços nas instituições de ensino nos quais os sujeitos tenham oportunidade de qualificar sua formação, preparar-se para atender às demandas globais e desenvolver competências interculturais, aspectos essenciais para a formação e atuação de um futuro profissional. Ao realizar a pesquisa do estado do conhecimento, percebemos que permitir e promover esse tipo de oportunidade de formação é importante, seja para os estudantes locais, seja para aqueles oriundos de contextos de internacionalização. A internacionalização promove a diversificação dos estudantes, dos docentes e de atividades que enriquecem o ambiente de aprendizagem com diferentes perspectivas culturais e acadêmicas. Tais aspectos podem contribuir para a permanência e o sucesso acadêmico, à medida em que desenvolve o sentimento de pertencimento, apresenta aos estudantes uma dimensão mais global da formação e, inclusive, os prepara para a atuação em mercados e sociedades globais.

Ademais das questões temáticas, salientamos a relevância da pesquisa do EC para vislumbrar o campo científico na perspectiva de um panorama internacional das pesquisas (bases Scopus e Lens) envolvendo a internacionalização e a permanência estudantil. Outrossim, destacamos a utilização da inteligência artificial como um diferencial para potencializar as análises, inferências e interpretação dos resultados. Transitar pelo ciclo do EC com a IA tem como condição indissociável os processos de validação da IA e humana para as etapas exploratória, organizativa e reflexiva, que culminam com a escrita do texto do estado do conhecimento.

Agradecimentos

O presente trabalho foi realizado com apoio da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal – FAPDF – Processo no 00193-00001014-2021-27.

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Recebido: 10 de Abril de 2024; Aceito: 11 de Junho de 2024

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