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Estudos em Avaliação Educacional

versão impressa ISSN 0103-6831versão On-line ISSN 1984-932X

Est. Aval. Educ. vol.37  São Paulo  2026  Epub 29-Abr-2026

https://doi.org/10.18222/eae.v37.12097 

ARTIGOS

A HISTÓRIA EM QUADRINHOS COMO INSTRUMENTO DE AVALIAÇÃO NA EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR

LO CÓMIC COMO INSTRUMENTO DE EVALUACIÓN EN LA EDUCACIÓN FÍSICA ESCOLAR

COMIC BOOKS AS AN ASSESSMENT TOOL IN SCHOOL PHYSICAL EDUCATION

RICARDO CHAVES DOS SANTOSI  , conceitualização, curadoria de dados, pesquisa, redação do manuscrito original
http://orcid.org/0009-0001-5715-6212

MARCELA BRUSCHIII  , conceitualização, análise de dados, redação, revisão, aprovação da versão final do trabalho
http://orcid.org/0000-0003-3948-9408

MARCIEL BARCELOSIII  , análise de dados, redação, revisão, aprovação da versão final do trabalho
http://orcid.org/0000-0003-1181-8724

MATHEUS LIMA FROSSARDIV  , conceitualização, administração do projeto, supervisão, redação, revisão, aprovação da versão final do trabalho
http://orcid.org/0000-0002-2273-7535

IUniversidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Cuiabá-MT, Brasil; ricardo.ch1989@gmail.com

IIUniversitat Autònoma de Barcelona (UAB), Barcelona, Espanha; mbruschi.cefd@gmail.com

IIIUniversidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), Seropédica-RJ, Brasil; marcielbarcelos@gmail.com

IVUniversidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Cuiabá-MT, Brasil; matheusmlf1@gmail.com


RESUMO

Este estudo analisa a história em quadrinhos como instrumento avaliativo para as aulas de educação física. Colaboraram com a pesquisa 23 crianças de uma escola do estado de Mato Grosso. As histórias em quadrinhos permitiram aos alunos narrarem seus processos de aprendizagem, significados em experiências individuais. Os resultados evidenciam que as regras e os fundamentos do basquete foram aprendidos (saberes-objetos e saber de domínio), mas também houve reflexões sobre valores, atitudes e questões socioculturais, como cooperação e respeito às diferenças (saber distanciação-regulação), o que denota a especificidade da educação física, que transcende a mera reprodução de habilidades motoras.

PALAVRAS-CHAVE: AVALIAÇÃO INDICIÁRIA; HISTÓRIA EM QUADRINHOS; EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR; RELAÇÕES COM O SABER

RESUMEN

Este estudio analiza lo cómic como instrumento evaluativo en las clases de educación física. En la investigación colaboraron 23 niños y niñas de una escuela del estado de Mato Grosso, Brasil. Los cómics permitieron a los alumnos narrar sus procesos de aprendizaje, significados en experiencias individuales. Los resultados evidencian que las reglas y los fundamentos del baloncesto fueron aprendidos (saber-objeto y saber-dominio), pero también se produjeron reflexiones sobre valores, actitudes y cuestiones socioculturales, tales como la cooperación y el respeto a las diferencias (saber distanciamiento-regulación), lo que denota la especificidad de la educación física, la cual trasciende la mera reproducción de habilidades motoras.

PALABRAS CLAVE: EVALUACIÓN INDICIARIA; CÓMIC; EDUCACIÓN FÍSICA ESCOLAR; RELACIONES CON EL SABER

ABSTRACT

This study examines the use of comic books as an assessment tool in physical education classes. The research involved 23 children from a public school in the state of Mato Grosso, Brazil. Comic books enabled students to narrate their learning processes and the meanings attributed to their individual experiences. The results show that the rules and fundamentals of basketball were learned (object-knowledge and mastery knowledge), while also prompting reflections on values, attitudes, and sociocultural issues - such as cooperation and respect for differences (distancing-regulation knowledge). These findings underscore the specificity of physical education, which goes beyond the mere reproduction of motor skills.

KEYWORDS: INDICATIVE ASSESSMENT; COMICS; SCHOOL PHYSICAL EDUCATION; RELATIONSHIPS WITH KNOWLEDGE

INTRODUÇÃO

O presente trabalho tem como objetivo analisar as histórias em quadrinhos produzidas pelos alunos como narrativas de aprendizagem e que são utilizadas pelo professor como instrumento avaliativo. De maneira específica, busca-se compreender os sentidos e os significados que os discentes produzem nas aulas de educação física.

É fundamental definir os instrumentos e as técnicas constitutivas do processo de avaliação nos diversos âmbitos (sistema, institucional e aprendizagem). Para Poleto et al. (2020), na decisão de avaliar a aprendizagem, devem-se considerar vários fatores, incluindo vantagens e desvantagens de determinados instrumentos ou métodos. A esse respeito, Covacevich (2014) argumenta que uma única ferramenta pode não ser capaz de compreender todos os aspectos das aprendizagens dos estudantes, tornando-se indispensável combinar metodologias diversas que permitam acessar outras informações, ampliando as possibilidades de interpretação dos dados. Para Depresbiteris (1991, p. 127), a maioria dos instrumentos de avaliação “mede memorização, reconhecimento de fatos, em detrimento de outros níveis mais complexos de pensamento”.

Nesse sentido, os instrumentos de avaliação são ferramentas auxiliares na compreensão da realidade educacional e devem servir para melhoria do ensino e da aprendizagem, “caso contrário poderá se transformar em mero instrumento de coleta” (Depresbiteris, 2001, p. 144).

Assim, os instrumentos e técnicas são locais de registro de informações, em que o professor elege de forma intencional aqueles que melhor irão ajudar na coleta de dados, pois são complexos e não lineares. Na avaliação entendida como prática indiciária, os instrumentos avaliativos evidenciam pistas e indícios que permitem tanto ao professor quanto ao aluno refletirem sobre “os processos de ensino-aprendizagem construídos, em construção e ainda os não construídos, oferecendo elementos para projetar outras possibilidades pedagógicas” (Santos et al., 2016, p. 746).

O estudo de revisão de literatura de Santos et al. (2018) analisou 56 artigos sobre o tema da avaliação na educação física entre os anos de 1932 e 2014 e identificou que 12 textos abordavam o contexto da educação básica; entretanto, apenas 4 apresentaram possibilidades de práticas avaliativas no contexto escolar. Os outros 8 artigos denunciam e/ou anunciam o que deveria ser a prática avaliativa dos professores de educação física.

Em estudo mais recente, Batista e Frossard (2024) revisaram a produção de artigos sobre a avaliação da aprendizagem na educação física escolar produzidos entre os anos de 2013 e 2023. Os autores identificaram 32 artigos, do quais 12 apresentavam possibilidades de práticas avaliativas. Apesar de o estudo de Batista e Frossard (2024) apresentar um avanço da literatura em relação ao contexto investigado por Santos et al. (2018), a maior parte dos trabalhos ainda está focada em analisar as teorias uti- lizadas ou as opiniões dos professores da educação básica sobre a avaliação. Ainda é perceptível em muitos trabalhos um tom crítico em relação às práticas avaliativas dos docentes.

Moura (2012) sinaliza a necessidade de as pesquisas em educação física superarem o cenário de críticas ao que não se deve fazer na escola, típico da produção acadêmica da área nas décadas de 1980, 1990 e 2000, e avançar para pensar possibilidades de como fazer. Nesse sentido, esta pesquisa se faz relevante por evidenciar uma possibilidade de prática avaliativa para as aulas de educação física escolar.

TEORIA E MÉTODO

Adotamos a abordagem teórica e metodológica da pesquisa narrativa (Souza & Abrahão, 2006) para a produção e análise das fontes. No caso das histórias em quadrinhos criadas pelos estudantes, essa análise é vista como uma oportunidade para narrar e ouvir histórias de vida, além de entender como eles atribuem sentido às suas experiências de aprendizagem (Certeau, 2002).

A história em quadrinhos, proposta como um instrumento avaliativo, é entendida a partir de uma perspectiva que permite às crianças narrarem suas experiências nas aulas de educação física. Essa abordagem é fundamentada na perspectiva de Josso (2004), que entende o corpo como um repositório de vivências e memórias biográficas. Nesse sentido, as narrativas são práticas que emergem dessas experiências, sendo incorporadas e expressas através do corpo, que se torna um corpo biograficamente falado. Nesse contexto, acreditamos que narrar a própria história possibilita rememorar os processos de ensino e de aprendizagem vivenciados nas aulas. Le Goff (2003), ao discutir o ato de rememorar, destaca que os percursos formativos não se configuram apenas como uma ordenação de vestígios na memória, mas também como uma releitura das experiências que marcaram o sujeito. Recordar esse processo autoriza as crianças a identificar suas aprendizagens, permitindo entender as ações produzidas coletivamente e as apropriações pessoais.

Colaboraram com a pesquisa 23 alunos1 do 7o ano do ensino fundamental (EF) de uma escola do governo do estado de Mato Grosso, localizada no município de Vera. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), inscrito com o Certificado de Apresentação para Apreciação Ética (CAAE) n. 83105924.1.0000.5690.

As histórias em quadrinhos apresentadas neste artigo foram produzidas no ano de 2022 e são frutos de uma unidade didática sobre o conteúdo de basquetebol durante o 3o bimestre letivo. Ao todo, foram realizadas 12 aulas, cada uma com 50 minutos de duração.

Como proposta de registros avaliativos de uma unidade de ensino sobre o basquetebol, o professor sugeriu a criação de histórias em quadrinhos que narrassem o que os alunos aprenderam durante aquele período nas aulas de educação física. As crianças utilizaram a linguagem escrita e imagética, permitindo-nos explorar diversas formas de expressão. Tanto a escrita quanto os desenhos foram considerados narrativas, em um movimento de pesquisa que nos possibilitou conhecer as formas de tradução de suas experiências e compreender como os alunos se relacionam com o saber (Charlot, 2000).

Dessa forma, as narrativas não foram tratadas como dados, mas analisadas como produtos da ação cultural dos alunos no contexto escolar. Os registros construí- dos pelas crianças dão pistas e sinais daquilo que aprenderam nas aulas de educação física, oportunizando o estudo das experiências individuais e coletivas que os praticantes tiveram nas aulas. De maneira mais ampla, suas implicações viabilizam refletir sobre os saberes valorizados e ensinados na educação física escolar.

ANÁLISE DE DADOS

A construção desta pesquisa surge a partir da seguinte questão: Como avaliar considerando as necessidades da escola e a especificidade do saber trabalhado nas aulas de educação física escolar? Em resposta, os professores têm inventariado diversas possibilidades de instrumentos avaliativos para não só atender às demandas da escola em produzir uma avaliação materializada em um saber-objeto, mas também para se diferenciar de outras disciplinas escolares ao valorizar as especificidades da edu- cação física.

Ao analisar histórias em quadrinhos, o interesse está em compreender quais sentidos os alunos produzem sobre seus aprendizados. Essa forma de avaliar centra-se no estudante, focando suas aprendizagens e valorizando seu protagonismo. Os desenhos e a construção de pequenas histórias são formas de demonstrar como um evento coletivo se torna uma experiência individual. Esses elementos sinalizam as diferentes maneiras como os alunos se apropriam dos conteúdos ensinados nas aulas de educação física (Santos et al., 2014).

É preciso salientar que esse instrumento avaliativo, fonte de análise deste estudo, não deve ser considerado como uma ideia final, acabada e/ou um modelo para a reprodução, mas como um instrumento possível que se fundamenta na perspectiva da avaliação indiciária (Santos, 2005).

A partir da leitura e da interpretação das histórias em quadrinhos, estruturamos as análises em três categorias, com base na teoria de Bernard Charlot sobre a relação com o saber. Charlot (2000, p. 71) propõe a classificação das figuras do aprender em três categorias: “constituição de um universo de saberes-objetos, saber de domínio e saber distanciação-regulação com os outros e consigo”. É evidente que, em muitas narrativas, mais de uma figura do aprender foi evidenciada. No entanto, para fins de organização, atribuímos a cada categoria uma figura principal do aprender.

A avaliação e o saber-objeto

Nesta categoria, apresentamos as histórias em quadrinhos que tratam da aprendizagem sobre o conteúdo ensinado. Charlot (2000, p. 75) denomina esse tipo de conteúdo como saber-objeto, compreendendo como “o próprio saber, enquanto objetivado, isto é, quando se apresenta como um objeto intelectual, como o referente de um conteúdo de pensamento”. As narrativas dão visibilidade à aprendizagem das regras, às organizações do jogo, à história da modalidade e às táticas. As figuras 1 e 2 apresentam pistas e indícios sobre essas aprendizagens.

Fonte: Material de pesquisa - História em quadrinhos do Lucas.

FIGURA 1 História em quadrinhos sobre as regras do basquetebol 

Fonte: Material de pesquisa - História em quadrinhos da Flávia.

FIGURA 2 História em quadrinhos sobre a defesa 

É importante salientar que as narrativas destacam os diferentes aprendizados em relação às regras que compõem o jogo de basquetebol. Na Figura 1, o discente optou pela não linearidade, representando em cada quadrinho algo diferente que foi apropriado e que marcou sua trajetória educativa sobre o conteúdo de ensino do basquetebol. Foram evidenciadas transgressões de diferentes naturezas, como: infrações oriundas do confronto entre equipes (faltas de contato físico), das ações individuais (faltas de duplo drible), de posicionamento (posicionamentos dos jogadores no garrafão em lances livres), regras sobre a reposição de bola após a falta (reposição de bola pela linha lateral) e sobre pontuação (tiro de um, dois ou três pontos).

Já a Figura 2 é sequencial e narra uma história real que ocorreu com a aluna durante a aula. Nas primeiras aulas sobre o conteúdo, era comum essa discente cometer faltas por conta da marcação que fazia em seus colegas, e, em sua narrativa, ela evidencia uma dessas situações, ressaltando a aprendizagem sobre não poder se jogar em cima do adversário, invadindo seu espaço durante a defesa.

O uso de histórias em quadrinhos como prática avaliativa permitiu que os alunos selecionassem as experiências que mais os marcaram na aprendizagem do conteúdo. Nesse sentido, eles mobilizaram os conhecimentos sobre as regras tanto na representação em forma de desenho quanto na descrição, sublinhando o conhecimento conceitual sobre as regras em consonância com a sua representação mental (e transformação em registro imagético) a partir da relação com as experiências motoras.

Esse movimento revela a potencialidade da avaliação indiciária (Santos, 2005), que, ao utilizar as histórias em quadrinhos como instrumento de avaliação na educação física escolar, possibilitou ao discente interrogar-se sobre suas aprendizagens, retratando-as por meio de narrativas imagéticas. Tal ação permitiu compreender as relações com o saber que os alunos estabelecem nas aulas, sendo possível analisar suas aprendizagens para além do erro e do acerto, compreendendo os diferentes sentidos produzidos por cada sujeito. Ou seja, foi possível identificar como os alunos usam aquilo que foi ensinado e quais sentidos são atribuídos a essa aprendizagem.

Ao analisarmos a representação das regras e sua disposição, percebemos uma apropriação para além do dito. A forma como o primeiro quadrinho (Figura 1) revela a disposição tática dos praticantes de basquete na quadra sublinha algo específico, que não foi sinalizado na história, compondo o hall de apropriações naquele bimestre letivo. Referimo-nos ao posicionamento tático, com dois pivôs próximos ao garrafão e três armadores à frente da linha de três pontos. Portanto o processo de investigação, como reforça Esteban (2002), permite que o docente vá além daquilo que foi registrado, na medida em que se interrogam as práticas avaliativas (Vieira, 2018).

Outros registros mobilizando os saberes referentes às regras do basquetebol foram realizados. Contudo, na Figura 3, queremos explorar uma dimensão que aglutina a capacidade de extrapolação das aprendizagens sobre as regras e o papel do discente no compartilhamento de suas aprendizagens.

Fonte: Material de pesquisa - História em quadrinhos do João.

FIGURA 3 História em quadrinhos sobre a regra de andar com a bola 

Assim como a Figura 2, a narrativa apresentada na Figura 3 também é sequencial e retrata um acontecimento vivido durante uma aula específica. A ideia apresentada está assentada na infração andar com a bola e como a mediação do professor foi significativa em seu processo de aprendizagem.

Nos quadros superiores (1, 2 e 3), é destacada a intervenção do professor para a apropriação do movimento de bandeja corretamente, sem acarretar infração de duplo drible. Já nos quadros inferiores (4, 5 e 6), há a tomada de decisão após a aprendizagem. Assim como na Figura 1, a história em quadrinhos evidenciada na Figura 3 também coloca o docente com roupas diferentes e utiliza o croqui como fonte para a criação da história.

Concordamos com Santos (2005) ao sinalizar que avaliador e avaliado estão imbricados em uma relação dialógica, que no caso em tela foi representada pela prática avaliativa história em quadrinhos. Nessa ocasião, a narrativa avança no sentido de destacar o momento em que a aprendizagem ocorre. Santos et al. (2015) observam que tão importante quanto avaliar o que se aprende nas aulas de educação física é compreender aquilo que se faz com o que se aprende. A prática avaliativa selecionada permitiu ao discente evidenciar esse movimento, representando o momento do erro e como ele transforma em acerto na medida em que recebe o feedback do professor.

Esse feedback sinaliza a necessidade de compartilhar as aprendizagens com os demais discentes da turma, o que ocorre a partir do momento em que é reconhecida a apropriação de determinado movimento - nesse caso em específico, o aprendizado do momento em que ocorre o andar com a bola. Concordamos com Charlot (2000) ao destacar que não há saber senão para um sujeito da aprendizagem, uma vez que o aprender é assentado na relação que estabelece consigo mesmo, com o outro e com o mundo.

Na Figura 3, o discente dá visibilidade, por meio de história em quadrinhos, às diferentes relações estabelecidas com o saber durante suas aprendizagens. No primeiro momento, focalizando a relação consigo mesmo (quadrinho 1); posteriormente, estabelece relação de aprendizagem com o outro (quadros 2, 3 e 5), representado pelo professor de educação física no processo de mediação pedagógica por meio de feedback. A relação com o saber estabelecida a partir das orientações do docente permite ao aluno reorientar sua prática, compreendendo o erro (quadro 4) ocorrido em relação à regra do jogo de basquetebol e identificando o que é necessário para o conhecimento ser consolidado (Harlen, 2006).

Essas narrativas demonstram que os saberes-objetos também são componentes dos conteúdos e das aprendizagens na educação física, já que o corpo é percebido de forma integrada, sem separação entre físico e intelecto, pois a aprendizagem dos movimentos não ocorre em um vazio conceitual. Sugere-se uma abordagem que valoriza a inter-relação dialógica e dialética entre prática-teoria-prática, com a experiência sendo o elemento central para a aprendizagem de diferentes linguagens. As representações do mundo são criadas e reinterpretadas a partir das experiências vividas, nas quais os saberes de domínio, os saberes-objetos e os saberes relacionais estão interconectados (Frossard et al., 2023).

A avaliação e o saber de domínio

Nesta categoria, a análise das narrativas permitiu identificar os aprendizados que perpassam pela experiência corporal durante as aulas. Conforme os conceitos estabelecidos por Charlot (2000, p. 66), essas são “atividades a serem dominadas, de estatuto variado: ler, nadar, desmontar um motor”. Ou seja, elas estão inscritas no corpo, nas práticas e em atividades a serem dominadas. Nesse caso, os alunos apresentam um autorretrato de seus envolvimentos nas aulas, destacando a aprendizagem de novos movimentos e de fundamentos específicos do esporte, assim como o desenvolvimento do gosto pela prática, pelo prazer e pelo divertimento.

As figuras 4 e 5 narram os sentimentos que a experimentação da prática gerou nos alunos.

Fonte: Material de pesquisa - História em quadrinhos da Júlia.

FIGURA 4 História em quadrinhos sobre a participação 

Fonte: Material de pesquisa - História em quadrinhos do Pedro.

FIGURA 5 História em quadrinhos e gosto pelo esporte 

Na Figura 4, a aluna apresenta uma das aulas na qual vivenciou a prática do jogo. A narrativa e os elementos gráficos evidenciam a representação das experiências e dos conhecimentos adquiridos. É possível perceber tanto o deleite dos que jogavam - e a expectativa de jogar dos que estavam de fora - quanto a demonstração de insatisfação de um aluno que não queria jogar.

Os diálogos entre as personagens (“Meninas e meninos”; “Eu vou jogar a bola e vocês peguem”; “Eu vou”; “Pega”; “A bola passou na cesta”; “Agora o outro time”) mostram a interação entre o professor e os alunos, entre os próprios discentes, o trabalho em equipe e a dinâmica do jogo. A aluna se representou e desenhou os colegas de maneira ativa, participando do jogo, o que sugere que ela se vê como parte integrante das atividades e que reconhece a importância da colaboração e do esforço individual. As expressões faciais simples e os movimentos são suficientes para transmitir a ação e os sentimentos que tiveram durante a prática. O cenário contribui para a ambientação da narrativa, e a menção ao outro time e os movimentos indicados mostram que a aluna compreende as regras básicas do basquetebol e sabe como o jogo deve ser praticado, sinalizando a assimilação do conteúdo ensinado.

Assim como a Figura 4, a história contada na Figura 5 também é representativa de uma vivência que os estudantes tiveram ao visitar e assistir a um treino de basquete de jogadores profissionais. Embora a imagem seja predominantemente em preto e branco, é possível perceber os detalhes visuais, como a disposição de cinco jogadores para cada lado, a tabela e as linhas específicas da quadra de basquete, por exemplo, o garrafão. Essa vivência, somada com as experiências práticas que os alunos tiveram ao longo das aulas, despertou o desejo do estudante pelo esporte, vislumbrando a possibilidade de ser um jogador profissional.

A visita dos estudantes ao ambiente de prática profissional do esporte pode despertar o interesse e incentivá-los a considerar o esporte como uma parte significativa de suas vidas, para além dos muros da escola, seja no lazer, na saúde ou até profissionalmente. Freire (2004) salienta que é preciso educar pelo esporte, ensinar o esporte para todos, ensiná-lo bem, ensinar mais do que ele próprio e ensinar a gostar de esporte. Para Machado et al. (2014), ensinar a gostar do esporte passa pela necessidade de conhecer sua origem, história, evolução, personagens e os fatos marcantes. Entender o esporte como um patrimônio cultural da humanidade requer da escola trabalhá-lo pedagogicamente, compreender suas diferentes manifestações e possibilitar ao aluno a construção de novos significados.

As figuras 6 e 7 apresentam as vivências que os estudantes tiveram ao experimentar a prática do basquete e ao aprender seus movimentos e técnicas.

Fonte: Material de pesquisa - História em quadrinhos do Ricardo.

FIGURA 6 História em quadrinhos sobre regras, fundamentos e colaboração 

Fonte: Material de pesquisa - História em quadrinhos do Carlos.

FIGURA 7 História em quadrinhos e gosto pelo esporte 

Esses registros evidenciam a aprendizagem de um saber de domínio, que é expresso no corpo e no movimento. Ao transpor os movimentos e os fundamentos do basquetebol em formato de história em quadrinhos, os alunos indicam ter compreendido corporal e conceitualmente os próprios fundamentos que constituem o esporte. Nas narrativas, é possível identificar os fundamentos de drible, passe, arremesso, assim como momentos específicos do jogo, como a distribuição dos jogadores no início da partida para a disputa da bola, oposições de ataque e defesa e colaboração entre os jogadores.

Um dos dilemas constantemente enfrentados pelos professores de educação física relaciona-se com o ensino dos fundamentos e das técnicas dos esportes no contexto escolar. Por um lado, o movimento crítico da educação física foi importante para a diferenciação do esporte da escola e do esporte na escola ao alertar que “o esporte ensinado nas escolas enquanto cópia irrefletida do esporte competição ou de rendimento só pode fomentar vivências de sucesso para uma minoria e o fracasso ou vivência de insucesso para a grande maioria” (Kunz, 2004, p. 125). Por outro lado, segundo Rodrigues e Darido (2008), as críticas ao ensino dos esportes nas aulas de educação física resultaram em alguns equívocos que levaram os professores a rejeitar o esporte como conteúdo, a criar uma oposição entre o lúdico e o rendimento e a estabelecer uma contraposição entre a reflexão e a técnica.

Ou seja, ao mesmo tempo que a crítica à reprodução do esporte nas aulas de educação física foi importante para estabelecer uma nova abordagem para o seu ensino nas escolas, ela também gerou um problema quanto ao seu ensino e, consequentemente, à indefinição sobre o que avaliar. Nesse sentido, entende-se que o conteúdo pode ter diversos enfoques dependendo do contexto, sendo “a concepção de educação física que define o que deve ser ensinado, aprendido e consequentemente avaliado” (Frossard & Santos, 2024, p. 159).

Historicamente, as aulas de educação física avaliavam principalmente os aspectos corporais, a aptidão física e as habilidades motoras e técnicas específicas para prática esportiva. Nesse contexto, o olhar do professor concentrava-se nos resultados, utilizando uma avaliação normativa para comparar as performances com base em curvas estatísticas de padrões de desempenho e desenvolvimento. Frequentemente, a medida era entendida como sinônimo de avaliação, baseando-se na concepção de mensuração do desempenho e empregando diversos instrumentos.

Entretanto, nas narrativas apresentadas neste estudo, outro movimento tem sido observado, um que valoriza o processo avaliativo efetivamente formativo. De acordo com Grego (2013), a avaliação formativa se distingue por seu papel como ferramenta de aprendizagem, pela partilha de responsabilidades e poder, pelo fornecimento de feedback, essencial para a melhoria do ensino e aprendizagem, e pela tomada de decisões baseada em evidências. É evidente que a definição da abordagem avaliativa e os aspectos a serem avaliados estão intimamente ligados à concepção de educação física adotada e seus objetivos de ensino.

Em outras palavras, a pedagogia, o currículo e a avaliação são componentes indissociáveis. Se o foco estiver nas aprendizagens relacionadas ao desenvolvimento físico, motor e na performance esportiva, a avaliação tenderá a ter uma abordagem mais quantitativa, favorecendo o desenvolvimento dos alunos nesses aspectos. Por outro lado, se a visão de educação física estiver centrada nos aspectos culturais e sociais do movimento humano, a avaliação será predominantemente qualitativa (Santos et al., 2015). No contexto avaliativo deste estudo, o objetivo era identificar o que foi aprendido pelos alunos, como eles usam esses saberes e, ainda, quais são as ações necessárias para consolidar essas aprendizagens.

Concordamos com os autores da pedagogia do esporte que o ensino dos fundamentos das modalidades esportivas não deve ser menosprezado nas escolas. No entanto argumentamos que a compreensão da lógica de desenvolvimento dessas modalidades é mais relevante e deve ser priorizada, em vez da busca pela excelência técnica (Scaglia et al., 2013; Silva, 1998).

Essa perspectiva assume que os saberes corporais vão além do simples ensino de técnicas. É crucial proporcionar aos alunos outras formas de aprendizado durante a prática esportiva, como a capacidade de tomar decisões durante o jogo e de se posicionar adequadamente, de acordo com as situações táticas de defesa e de ataque vivenciadas nas atividades. Isso implica a necessidade de um tratamento pedagógico que valorize as diferenças, garantindo a participação de todos nas atividades, independentemente de seus níveis de habilidade ou de condições físicas. Busca-se, assim, um ensino de esportes inclusivo, abrangente e que não valorize apenas a técnica.

A avaliação e o saber distanciação-regulação

A análise das histórias em quadrinhos também permitiu identificar aprendizados de valores, atitudes e mudanças de comportamento que, conforme os conceitos estabelecidos por Charlot (2000), podem ser classificados como saber distanciação-regulação. Ou seja,

. . . trata-se de dominar não uma atividade, mas uma relação consigo mesmo, com os outros e com o mundo. Aprender é tornar-se capaz de regular essa relação e encontrar a distância conveniente entre si e os outros, entre si e si mesmo. (Charlot, 2000, p. 70).

Nesse caso, quem aprende é o sujeito afetivo e relacional que, embora possua um estatuto diferente do saber-objeto e do saber de domínio, encontra-se totalmente a eles articulado.

No caso da educação física, os conteúdos de ensino e seu aprendizado estiveram por muito tempo ligados à dimensão procedimental, ficando os valores mais frequentemente na forma de currículo oculto, ou seja, como aprendizagens não intencionais (Acedo et al., 2014). No entanto, cada vez mais pesquisadores têm entendido que os modos valorativos e atitudinais de atuação social integram o conjunto de conhecimentos a serem trabalhados (Souza & Tavares, 2021). Sendo assim, faz-se necessário que os aspectos afetivo e relacional que perpassam o aprendizado sejam sistematizados nas aulas, o que implica uma organização pedagógica e didática na práxis educativa.

Nas histórias em quadrinhos, alguns aspectos sobre distanciação-regulação são abordados. Na Figura 8, que mostra a história A bandeja, apesar de o aluno expor o aprendizado de fundamentos do basquetebol, especificando regras e elementos técnicos, ao final fica evidenciado que há questões de gênero que carecem de maior intervenção por parte do professor.

Fonte: Material de pesquisa - História em quadrinhos do Nicolas.

FIGURA 8 História em quadrinhos sobre fundamentos e questões de gênero 

A interpretação da narrativa nos permite compreender, por meio de sinais e de indícios, os saberes que já foram apropriados pelo discente e aqueles que ainda precisam ser consolidados. À vista disso, é possível entender que o aluno aprendeu sobre a bandeja. Entretanto, no último quadrinho, após a orientação por parte do professor de que os meninos se retirassem da quadra para iniciar o jogo das meninas, um dos alunos diz: “Tropa, fiquem quietos que o desastre vai começar”. A fala expressa um possível tensionamento existente nas questões de gênero envolvendo a turma, com condicionantes socioculturais que marcam, desde muito cedo, estereótipos atribuídos ao sexo masculino e ao sexo feminino em relação às práticas esportivas.

Na contramão desses registros, outras histórias em quadrinhos produzidas por estudantes da mesma sala relataram, por meio da narrativa textual e imagética, o jogo compartilhado entre meninos e meninas, uma vez que o professor incentivava a realização de jogos mistos e lembrava aos alunos a importância do respeito às diferenças. Essa narrativa indica um saber ainda não construído pelo aluno da Figura 8.

Brandolin et al. (2015) ressaltam a necessidade de a discussão sobre gênero estar presente nas aulas de educação física, uma vez que as meninas frequentemente estão mais sujeitas a assédios físicos, verbais, psicológicos e à difamação, o que pode impactar negativamente sua participação e desempenho durante a aula. Tendo em vista a ocorrência do bullying quanto ao gênero, as próprias alunas solicitavam ao professor a separação entre os sexos nas vivências dos jogos de basquete. Essas situações podem acarretar desinteresse e afastamento por parte das meninas das aulas de educação física, sendo necessário desconstruir esse imaginário e ampliar possibilidades em que todos possam participar da prática.

As figuras 9 e 10 indicam que a prática do bullying era mais abrangente e não se relacionava apenas à questão de gênero.

Fonte: Material de pesquisa - História em quadrinhos do Marcelo.

FIGURA 9 História em quadrinhos sobre o respeito às diferenças 

Fonte: Material de pesquisa - História em quadrinhos da Bruna.

FIGURA 10 História em quadrinhos sobre bullying  

A narrativa da Figura 9, intitulada Nunca zoe um colega, apresenta um diálogo entre dois alunos sobre o fundamento da cesta de três pontos a partir de uma defesa do adversário. Na conversa, um dos discentes não acredita na possibilidade de seu colega realizar a defesa devido à sua baixa estatura e se impressiona com o sucesso do amigo, que afirma: “Não importa o tamanho”. Segue-se um pedido de desculpas.

Já na narrativa da Figura 10, nenhuma relação com a modalidade esportiva vivenciada é estabelecida, nem mesmo com as aulas de educação física, mas é externalizado o sentimento de rejeição e de bullying experienciado no âmbito escolar por uma das alunas, em razão de seu estereótipo físico, um corpo obeso.

O ambiente educacional se configura como um lugar de diversidade, em que há diferentes corporeidades. Nas aulas de educação física, há grande exposição do corpo e das habilidades, consequentemente havendo julgamentos e ofensas por parte dos colegas, o que pode ocasionar afastamento e exclusão de alunos (Zoboli & Santos, 2005). No caso da menina obesa, percebeu-se uma dificuldade de lidar com o próprio corpo, que é aumentada em virtude das constantes ridicularizações por parte dos colegas por não se encaixar em um padrão de beleza vigente na sociedade atual.

Com a intenção de mudar essa realidade a partir de um processo de emagrecimento, a aluna passou a frequentar a academia, correr na praia e fazer dieta, sendo finalmente aceita. Sobre a obesidade, a insatisfação com o corpo e a prática do bullying por parte dos colegas, pesquisas como a realizada por Carvalho et al. (2020) têm chamado a atenção para a recorrência da distorção e do descontentamento com a forma corporal por meninas e adolescentes, com o risco de desenvolvimento de distúrbios.

Em ambos os casos, um sentimento de inferioridade é transmitido por alguns alunos aos seus colegas em virtude de seus corpos. No caso da Figura 9, o discente de baixa estatura não se sentiu em desvantagem ao realizar o bloqueio do arremesso de três pontos. Ao ser criticado (“Você é pequeno”), replicou (“O que importa?”), alcançando esse grau de confiança após os constantes incentivos por parte do professor. Nessa narrativa, é possível entender os sentidos atribuídos pelo aluno que desacreditou seu colega, pois expressa um processo de conhecimento valorativo, de respeito às diferenças. Já na Figura 10, fica demonstrado que o bullying constante contra a aluna já acontecia em sua escola anterior, podendo indiciar que esse assunto estaria ocorrendo no ambiente institucional ou que teria deixado marcas psicológicas.

Na Figura 11, a história em quadrinhos remete à presença do professor, o agente provocador de diálogos e de reflexões ao incentivar a participação de todos os alunos, independente do gênero, havendo desenhos de meninas em inter-relação com os meninos.

Fonte: Material de pesquisa - História em quadrinhos da Laura.

FIGURA 11 História em quadrinhos sobre regras, fundamentos e valores 

Fica sinalizada a intenção do professor em ensinar para além do basquete, ampliando o conteúdo ao destacar os valores e as mudanças de comportamento, o que indicia que havia por parte do docente a preocupação com o trato dessa dimensão do conhecimento (Frossard & Santos, 2024). Notam-se os esforços para que os alunos percebam a importância do próximo, o sentido de coletividade, a socialização e o respeito às diferenças, sejam elas físicas, de habilidades ou de outra natureza. O agradecimento por parte dos alunos (“Obrigada pelos ensinamentos”), neste caso, não remete apenas ao saber objetivação-dominação, mas também ao saber distanciação-regulação.

A partir das considerações de Schneider e Bueno (2005), é possível perceber que a disciplina de educação física privilegia saberes concretizados por meio do fazer com uma atividade, o que denota sua singularidade no contexto escolar. Também aprendemos quando nos expressamos corporalmente, uma vez que o movimentar-se não pode ser considerado apenas natural, espontâneo e biológico, pois de igual maneira relaciona-se com questões culturais, afetivas e sociais.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A utilização das histórias em quadrinhos como instrumento de avaliação nas aulas de educação física permitiu aos alunos narrarem seus processos de aprendizagem. Consequentemente, o professor pôde compreender o modo como o discente tem se relacionado com os saberes ensinados nas aulas. Ou seja, as narrativas eviden- ciam os sentidos e os significados produzidos pelos alunos ao se apropriarem dos conteúdos da área.

Esse instrumento de avaliação dá voz aos estudantes, permitindo contar suas experiências e refletir sobre seus processos de aprendizagem de maneira criativa e pessoal. É um processo de rememoração das vivências que foram coletivas, mas significadas em experiências individuais que marcaram cada sujeito.

Os resultados obtidos evidenciam que as histórias em quadrinhos não apenas facilitam a expressão dos saberes-objetos e do saber de domínio, como as regras e os fundamentos do basquetebol, mas também promovem a reflexão sobre valores, atitudes e questões socioculturais, como a cooperação, o respeito às diferenças e a superação do bullying. Esses aspectos são essenciais para uma compreensão de educação física cultural, que transcende a mera reprodução de habilidades motoras.

A utilização desse instrumento requer um movimento de juízo de valor, no qual o professor identifica conhecimentos consolidados e aquilo que ainda não foi aprendido. Entretanto, o processo avaliativo não pode finalizar na verificação da aprendizagem, pois o entendimento da avaliação como ato político a serviço da aprendizagem se constitui a partir de tomadas de decisões que permitam a regulação desse processo, em que tanto o professor quanto o aluno se conscientizem das necessidades de ensino e de aprendizagem.

Embora a prática avaliativa seja proposta pelo professor, ela não deve ser uma ação exclusiva dele. A centralidade do processo necessita estar nos alunos, que não podem permanecer passivos, uma vez que precisam refletir e revisar os resultados de suas ações. Há uma corresponsabilidade no processo de aprendizagem, sendo essencial desenvolver nos estudantes um protagonismo em seu processo educativo, capacitando-os a se autoavaliar e a identificar as ações necessárias para aprimorar suas trajetórias formativas.

AGRADECIMENTOS

Agradecemos ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) pelo financiamento da pesquisa, sob o Processo n. 201929/2025-2.

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COMO CITAR: Santos, R. C. dos, Bruschi, M., Barcelos, M., & Frossard, M. L. (2026). A história em quadrinhos como instrumento de avaliação na educação física escolar. Estudos em Avaliação Educacional, 37, Artigo e12097. https://doi.org/10.18222/eae.v37.12097

1Foram utilizados nomes fictícios para se referir aos alunos

Recebido: 05 de Junho de 2025; Aceito: 18 de Dezembro de 2025

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