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Ciência & Educação

versão impressa ISSN 1516-7313versão On-line ISSN 1980-850X

Ciência educ. vol.31  Bauru  2025  Epub 11-Mar-2025

https://doi.org/10.1590/1516-731320250007 

ARTIGO ORIGINAL

O podcast como recurso didático para o ensino de Biologia

Podcast as a learning resource for biology teaching

Mauro Fernando Silva Barroso1 
http://orcid.org/0009-0007-3410-9791

Letícia da Costa Bomfim1 
http://orcid.org/0009-0005-3164-3695

Lyzette Gonçalves Moraes de Moura2 
http://orcid.org/0000-0001-6366-8110

Jackson Ronie Sá-Silva1 
http://orcid.org/0000-0001-9607-3674

1Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), Centro de Educação, Ciências Exatas e Naturais (CECEN), Departamento de Biologia (DBIO), São Luís, MA, Brasil

2Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Centro de Ciências Exatas e Tecnologia (CCET), Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica, São Luís, MA, Brasil


Resumo

Após a pandemia da COVID-19 e retorno às atividades presenciais nas escolas, os alunos da Educação Básica sentiram dificuldades nas atividades desenvolvidas anteriormente, sendo necessário recorrer às tecnologias digitais utilizadas no período remoto. Esta investigação se configurou como um estudo da inclusão de podcasts como recurso didático no ensino de Biologia. A metodologia, de caráter qualitativo, possui como perspectiva a revisão sistemática de estudos sobre o uso do podcast no processo de ensino e aprendizagem. A análise do material bibliográfico selecionado indica que o podcast é um recurso didático utilizado em vários países e, no Brasil, tem se revelado uma materialidade pedagógica facilitadora da aprendizagem de temas relacionados ao ensino de Biologia, possuindo potencial pedagógico devido à sua flexibilidade e mobilidade. Novas tecnologias e metodologias no ensino de Biologia, tais como o podcast, podem trazer benefícios tanto ao professor, quanto ao aluno, viabilizando aulas mais atraentes, instigantes e interativas.

Palavras-chave: Ensino de biologia; Tecnologia educacional; Tecnologia e didática; Podcast; Processo de ensino-aprendizagem

Abstract

The return to face-to-face teaching after the COVID-19 pandemic made it difficult for basic education students to adapt to learning activities. This situation made it necessary to use the same digital technologies that were used during the distance learning period. This study investigates podcasts as a teaching tool in biology education. The qualitative methodology used involves a systematic review of the application of podcasts in the teaching and learning process. The analysis revealed that podcasts are a widely used educational resource in different countries. In Brazil, they have proven to be an effective learning tool with significant pedagogical potential due to their flexibility and accessibility. Teachers and students can benefit from new technologies and methodologies, leading to more engaging, thought-provoking, relaxed, and interactive classes.

Keywords: Biology teaching; Educational technology; Podcast; Teaching and learning process

Introdução

Em dezembro de 2019, a Organização Mundial da Saúde (OMS) foi notificada sobre uma série de casos de pneumonia na cidade de Wuhan, província de Hubei, na República Popular da China. Verificou-se, então, que a doença era causada por uma cepa de coronavírus que ainda não fora detectada em humanos. Em janeiro de 2020, essa mesma cepa foi confirmada pelas autoridades chinesas como um novo coronavírus, posteriormente identificado como Sars-cov-2, responsável pela doença COVID-19 (Barcelos et al., 2021; Freitas; Napimoga; Donalisio, 2020). No Brasil, no dia 26 de fevereiro de 2020, dois meses após a descoberta do vírus na China, foi identificado, na cidade de São Paulo, no estado de São Paulo, o primeiro caso de COVID-19. Um mês após sua descoberta no país, em março de 2020, quando o novo coronavírus já havia se propagado por boa parte do mundo, a COVID-19 foi considerada Pandemia pela OMS em virtude de sua extensa distribuição geográfica (Barcelos et al., 2021; Freitas; Napimoga; Donalisio, 2020). O termo COVID é uma abreviação da expressão em inglês Corona Virus Desease, que, em tradução livre para o português, significa Doença do Coronavírus, enquanto o número 19 indica o ano no qual a doença foi observada pela primeira vez (Barbalho, 2020).

A velocidade de disseminação da doença gerou grande preocupação em todo o mundo e a pandemia repercutiu ampla e multidimensionalmente, tornando as estratégias de prevenção e os estudos para o desenvolvimento de vacinas os meios mais eficazes para controlar e combater a doença (Alves et al., 2020; Barcelos et al., 2021; Freitas; Napimoga; Donalisio, 2020). Ao longo de 2021, porém, apesar da liberação de vacinas específicas para esse agente, foi notória a persistência da crise de saúde pública, principalmente devido ao surgimento de variantes do vírus. Como consequência, foram observados efeitos epidemiológicos e biomédicos negativos, que se refletiram em diversas esferas (sociais, econômicas, políticas etc.). Com base nisso, houve a necessidade de dar continuidade às atividades educativas de forma híbrida ou totalmente remota, que são formas alternativas de promover o aprendizado mantendo o distanciamento social (Freitas; Napimoga; Donalisio, 2020; Soares Neto et al., 2021).

Nesse contexto, os professores, ainda que enfrentando o trauma coletivo do luto, precisaram se adaptar aos novos arranjos de educação mediados pelas tecnologias digitais. Deve-se frisar que, se por um lado é importante superar o luto e o período no qual houve a interrupção geral dos processos educacionais e formativos tradicionais de alunos de todas as idades e dos próprios professores, por outro lado, paradoxalmente, este período não deve ser esquecido. A rigor, a função da pesquisa educacional é escrever e registrar o que as gerações futuras conhecerão sobre o que aconteceu em dado período, para que possam aprender com a experiência. É preciso documentar as perspectivas dos professores sobre essa fase de pandemia e construir conhecimento a partir delas (Barcelos et al., 2021; Carvalho; Farias; Brito, 2021; Freitas; Napimoga; Donalisio, 2020).

Após o início da pandemia, a maioria das escolas passou cerca de seis meses, ou mais, sem aulas, para somente após esse período serem implementadas as aulas de forma remota, sendo que grande parte optou por aulas em videochamadas em plataformas como o Google Meet, Teams, Skype etc. Diante disso, foi natural que muitos alunos apresentassem dificuldade para retomar a rotina regular de estudos naquele momento e, sobretudo, posteriormente, na volta às aulas presenciais (Fonseca; Sganzerla; Enéas, 2020; Soares Neto et al., 2021).

Por outro lado, pesquisas indicam que o aprendizado à distância é eficaz quando existe uma preparação prévia em relação ao que será estudado, evidenciando que tanto professores, quanto alunos, podem ser favorecidos com a utilização de ferramentas já consolidadas da Educação a Distância (EaD) como apoio ao ensino presencial (Rodrigues et al., 2022). Os resultados positivos obtidos com essas abordagens podem ser atribuídos às denominadas 'metodologias ativas', nas quais o processo educacional está focado no aluno, existindo diversas possibilidades que podem ser aplicadas no ensino presencial, remoto ou híbrido. Nas bases dessas metodologias, estão as Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação (TDIC), fundamentadas na Aprendizagem Tecnológica Ativa (ATA), que propõe que os alunos estejam no centro do processo educacional e possam utilizar conteúdos digitais em qualquer espaço, geográfico ou temporal (Oliveira et al., 2021; Rodrigues et al., 2022).

Nesse contexto, os podcasts despontam como recursos que podem proporcionar autonomia de ideias e ações aos alunos, rompendo o paradigma do professor como único detentor e difusor do conhecimento. Esse tipo de ferramenta permite, ainda, que os alunos possam acessar materiais pertinentes e, possivelmente, eficientes à sua aprendizagem, podendo, também, elaborá-los e (re)adequá-los aos seus contextos, sendo que plataformas como Instagram, Facebook, YouTube, Spotify etc., facilmente acessíveis em dispositivos digitais, sejam eles privados, públicos ou compartilhados, podem ser usadas nesse processo (Oliveira, 2022).

Dessa forma, surge a necessidade de levar informações idôneas para essas plataformas, a fim de possibilitar o acesso a uma educação de qualidade, além de torná-la mais fácil e prazerosa para os alunos e todos aqueles que desejem aprender. Além disso, levando em consideração que é extremamente notório que a internet tem sido utilizada de forma generalizada para o lazer, a disponibilização de recursos como o podcast em plataformas de ampla divulgação pode contribuir fortemente para a instrução por meio da difusão de informações verídicas de forma clara e objetiva (Esteves; Lemgruber, 2018).

A implantação de ferramentas tecnológicas acessíveis pela internet aliada às atividades educacionais, promove o dinamismo e a aquisição de conhecimento constante, além do prazer de estudar, permitindo que os alunos sejam capazes de interagir mais com o professor e de uma forma mais dinâmica (Castro; Conde; Paixão, 2014; Nunes; Lacerda, 2021). Com base nessas informações, a fim de tornar as aulas mais atraentes para os alunos e o assunto que está sendo trabalhado mais compreensível, o uso do podcast no ensino de modo geral e, em especial, de Biologia, pode ser uma alternativa didático-pedagógica facilitadora de aprendizagens e estimuladora das relações comunicacionais entre professor e aluno.

Assim, este artigo tem como objetivo apresentar informações da literatura sobre a utilização do podcast como recurso didático no ensino de Biologia, além de fomentar as discussões acerca do acesso a essa ferramenta, do ponto de vista técnico e tecnológico, e das implicações educacionais relacionadas à sua incorporação ao cotidiano de professores e alunos, dentro e fora das salas de aula.

Procedimentos metodológicos

Este estudo caracteriza-se como uma investigação qualitativa focada na compreensão de aspectos relacionados à intensificação do uso de recursos tecnológicos educacionais no contexto da pandemia da COVID-19. Possui como perspectiva metodológica a revisão sistemática de literatura sobre o uso do podcast no processo de ensino e aprendizagem (Coradini; Borges; Dutra, 2020; Corrêa; Dias; Prata, 2022).

As buscas foram realizadas no Google Acadêmico (Google Scholar), por se tratar de uma base de dados que não demanda qualquer tipo de cadastro prévio e ser de fácil e amplo acesso, sobretudo devido à similaridade com a ferramenta de busca geral equivalente. Foram definidas como adequadas e suficientes as palavras-chave biologia, ensino e podcast (ou podcasts), combinadas com o operador booleano and. Como critério de exclusão, houve somente a delimitação do período de publicação, de 2006 a 2023, que abrange a difusão inicial do podcast como instrumento educacional, a circunstância atípica da pandemia e o período imediatamente posterior até o momento de desenvolvimento do estudo.

Resultados e discussão

Foram localizados um total de 4.490 trabalhos acadêmicos, dos quais 235 tinham seus textos disponíveis na íntegra em acesso aberto e originalmente em língua portuguesa. Após a leitura dos títulos e, sempre que necessário, dos resumos, foram excluídas as pesquisas que não se relacionavam à abordagem deste trabalho, como aquelas que consideravam o uso de TICs (Tecnologias da Informação e da Comunicação), TDICs (Tecnologias Digitais da Informação e da Comunicação) ou Metodologias Ativas de ensino em geral. Com isso, foram selecionados 25 trabalhos para leitura sistemática, conforme apresentado no quadro 1, que envolviam o emprego de podcasts no ensino, direta ou indiretamente, e que poderiam ser de maior interesse para aplicação no ensino e aprendizagem de Biologia.

Quadro 1 Lista dos trabalhos acadêmicos selecionados para análise (2006 a 2023) 

Título do trabalho Sobrenome autor/a(s) e ano de publicação Síntese do objetivo geral
1 Podcast como potencial recurso didático para prática e a formação docente Bodart; Silva (2021) Abordar os usos de podcast como recursos didático-pedagógicos.
2 Podcast em educação: um contributo para o estado da arte Bottentuit Junior e Coutinho (2007) Apresentar o Podcast e as suas funcionalidades como ferramenta de produção, edição e distribuição de áudio na Internet.
3 Podcast: uma ferramenta tecnológica para auxílio ao ensino de deficientes visuais Bottentuit Junior; Coutinho (2009) Apresentar a nova geração da Internet web 2.0, seus potenciais educativos e as vantagens da ferramenta Podcast aplicada ao ensino de deficientes visuais.
4 Podcasts exploratórios e colaborativos: oralizando conhecimentos em um curso de graduação a distância Castro; Conde; Paixão (2014) Apresentar a experiência de utilização de podcasts educativos em disciplinas do Curso de Ciências Biológicas EaD da UECE/UAB.
5 O uso de podcasts como instrumento didático na educação: abordagens nos periódicos nacionais entre 2009 e 2020 Celarino et al. (2023) Verificar como os trabalhos científicos têm abordado o podcast como instrumento pedagógico no ambiente educacional.
6 Tecnologia educacional podcast na educação profissional e tecnológica Coradini; Borges; Dutra (2020) Discutir como o Podcast pode ser utilizado por professores e alunos como recurso tecnológico com foco para a Educação Profissional e Tecnológica (EPT).
7 Podcasts na educação a distância: possibilidades pedagógicas e desafios a partir da experiência Corrêa; Dias; Prata (2022) Avaliar a importância do uso de podcasts (e videocasts) para o ensino de leitura e produção de textos na universidade.
8 As possibilidades do uso de podcast no ensino superior: uma breve revisão Crepaldi; Ferreira (2022) Traçar um panorama do uso da tecnologia digital podcasts no ensino superior brasileiro analisando trabalhos publicados em português entre 2015 e 2020.
9 As organelas endossimbióticas e o filme Star Wars: sequência didática de ensino de biologia com produção de podcast Cunha; Chagas (2021) Relatar um caso de produção de podcast sintetizando o conteúdo trabalhado em uma sequência didática com conteúdo de Biologia Celular.
10 O retorno da era do áudio: analisando os podcasts de divulgação científica Dantas; Deccache-Maia (2022) Mapear as produções nacionais de podcasts de divulgação científica disponíveis na plataforma Spotify.
11 Podcast como ferramenta educacional na pandemia de COVID-19 Rodrigues et al. (2022) Identificar podcasts voltados para a área educacional disponibilizados em plataformas digitais e utilizados como recurso pedagógico.
12 Podcast: novas vozes no diálogo educativo Freire (2013a) Esclarecer a importância educativa do podcast como tecnologia direcionada à ampliação da expressão e audição de vozes diversas na formação dos sujeitos.
13 Podcast na educação brasileira: natureza, potencialidades e implicações de uma tecnologia da comunicação Freire (2013b) Prover bases teóricas iniciais a um pensamento educativo articulado do podcast enquanto tecnologia de oralidade distribuída sob demanda.
14 Website e Podcasts temáticos em zoologia de invertebrados como proposta didática para o ensino de Biologia Freitas (2021) Elaborar Website e Podcasts como recursos didáticos para o ensino de Zoologia de Invertebrados na disciplina de Biologia.
15 Aprendizagem colaborativa no ensino de Biologia: o smartphone como ferramenta potencializadora dessa aprendizagem Inácio et al. (2021) Investigar se atividades voltadas ao ensino de Biologia podem se apresentar como potencial didático no ensino e aprendizagem.
16 Podcast como inovação nas práticas pedagógicas Martins et al. (2020) Instigar uma reflexão e análise do PodCast como ferramenta tecnológica capaz de potencializar o ensino e a inclusão.
17 Desenvolvimento de uma aplicação web para criação de podcasts na educação Meira; Pereira (2018) Explorar a ferramenta Podcast como método de ensino e expansão do conteúdo passado em sala de aula pelo professor.
18 Oficina de produção de podcasts: um recurso didático-pedagógico para o ensino de Ciências e Biologia Nascimento; Sousa; Sobral (2022) Valorizar o potencial didático-pedagógico dos podcasts para o ensino de Ciências e Biologia.
19 O uso de podcasts no ensino-aprendizagem de Biologia: um estudo com estudantes de Ensino Médio Nunes; Lacerda (2021) Verificar a potencialidade da utilização de podcasts em turmas de 1º e 2º anos do Ensino Médio.
20 O podcast no ensino de Ciências da Natureza: uma revisão bibliográfica no Brasil e em Portugal Oliveira (2022) Avaliar o potencial do podcast para fins educacionais com enfoque em disciplinas das Ciências Naturais no Brasil e em Portugal.
21 O Podcast como ferramenta de educação ambiental na formação inicial em Ciências Biológicas Oliveira et al. (2021) Utilizar o Podcast como ferramenta de informação e discussão sobre a temática dos resíduos sólidos.
22 Uma perspectiva para a divulgação científica em Biologia em mídias digitais brasileiras Salles; Cestaro; Alle (2020) Analisar a dinâmica de oferta e procura por informações de divulgação científica em Biologia em plataformas digitais brasileiras.
23 Criação de podcasts para alunos com deficiência visual durante o ensino remoto Silva et al. (2022) Relatar a experiência da utilização de podcasts para alunos com deficiência visual no período de dezembro de 2020 a janeiro de 2021.
24 Podcast: potencialidades e desafios na prática educativa Soares; Barin (2016) Investigar o uso de Podcast como ferramenta para o ensino e aprendizagem de Química, suas potencialidades e desafios.
25 Podcast: um recurso educacional aberto na discussão de gênero e sexualidade Yoshimoto; Ribeiro (2019) Propor uma metodologia para a utilização de podcasts na discussão de gênero e de sexualidade no ensino médio de uma escola pública no interior paulista.

Fonte: elaborado pelos autores e pelas autoras.

Nesses 25 trabalhos acadêmicos analisados, foi observada uma tendência geral de incentivo ao uso do podcast como recurso didático complementar às aulas, tanto no ensino regular, quanto no ensino remoto. Especificamente em relação ao ensino de Biologia, foi verificado que o uso de podcasts pode ser enriquecedor na abordagem do conteúdo, uma vez que traz vantagens de acesso ao tema de qualquer que seja a natureza desse tipo de postagem, como a possibilidade de ouvir várias vezes, podendo as informações científicas serem endossadas por professores e por pesquisadores da área, de âmbito nacional e internacional.

Obstáculos que ficaram evidentes no uso regular dessa ferramenta tecnológica em nível educacional têm sido a maior divulgação dos seus recursos instrumentais e a capacitação de educadores no uso e produção das TDICs. A produção de podcasts por e para estudantes, sob supervisão e orientação adequadas, pode ser crucial para a incorporação desse recurso como uma metodologia ativa de aprendizagem, capaz de promover maior interação e integração dos estudantes nos diversos formatos de ensino.

Não obstante, neste estudo, foi realizada apenas uma discussão qualitativa e, após as leituras, os trabalhos selecionados foram usados para a construção das argumentações e discussões sobre o conceito de podcast, o podcast no campo da Educação e o podcast no ensino de Biologia.

Conceituando podcast

Advinda da junção entre Ipod (aparelho produzido pela Apple que reproduz arquivos de áudio em formato mp3) e Broadcast (transmissão, em inglês), a palavra Podcast pode ser usada para definir um episódio personalizado gravado nos formatos mp3, mp4 ou em outras extensões digitais que permitem armazenar arquivos de áudio em um espaço virtual relativamente pequeno (Bottentuit Junior; Coutinho, 2009: Castro; Conde; Paixão, 2014).

Em termos de formato, o podcast é uma página, site ou local muito semelhante a um blog, que, por sua vez, é uma espécie de diário online que pode ser pessoal ou empresarial, mas de atualização frequente e que também tem sido adotado como ferramenta educacional (Barros; Menta, 2007; Nascimento; Sousa; Sobral, 2022). As principais características do podcast são: (a) Permitir a utilização de textos, imagens, áudios, vídeos e hipertextos; (b) Ser de fácil utilização, sem a necessidade de grandes conhecimentos de informática; (c) Possuir grande variedade e tipos de servidores que o disponibilizam de forma gratuita na internet; (d) Ter organização feita por meio de postagens, que podem ser produzidas individual ou coletivamente; (e) Permitir o acesso livre, ou mediante registro, ao conteúdo publicado (Bottentuit Junior; Coutinho, 2007; Soares Neto et al., 2021).

Em comparação ao rádio e à televisão, o podcast ainda é uma TDIC relativamente recente, com seu surgimento em 2004, sendo que a primeira produção brasileira aconteceu em meados de 2005 (Freire, 2013a). A liberdade com que o podcast consegue abranger vários eixos em sua produção é uma característica marcante dessa ferramenta. Um desses eixos, por exemplo, é o opinativo, no qual os produtores podem se expressar a respeito de diversos temas, de modo formal ou informal. Outra característica é a simplicidade técnica para se produzir e distribuir um podcast, dispensando recursos financeiros significativos ou até mesmo a formação de grandes equipes especializadas; há, inclusive, liberdade em termos burocráticos, já que os podcasts não precisam de concessões legais para serem distribuídos (Barros; Menta, 2007; Coradini; Borges; Dutra, 2020).

A pandemia da COVID-19 alterou muitos hábitos dos brasileiros, assim como ocorreu em todo o mundo, incluindo a rotina de ouvir podcasts. Com o crescente consumo desses conteúdos, vários podcasts foram surgindo e se consolidando como grandes canais de entretenimento e informação no Brasil. No entanto, um podcast não surge por acaso, mas, sim, passa por um planejamento estratégico, envolvendo a preparação de todo o ambiente de gravação, do conteúdo que será gravado e dos participantes de cada episódio, aspectos que podem contribuir para torná-lo o melhor meio para compartilhar determinado conhecimento (Meira; Pereira, 2018). De modo geral, para um podcast de execução e desenvolvimento bem-sucedido, é necessário seguir cinco etapas fundamentais: a produção, a gravação, a edição, a publicação e a distribuição, quando finalmente é disponibilizado para ser ouvido (Lopes, 2015).

Segundo Lopes (2015, p. 12),

Se você perguntar a dez podcasters como cada um faz seus podcasts, tenho certeza de que ouvirá dez respostas diferentes. Isso acontece porque, ao contrário de outras Mídias tradicionais, como jornal, rádio ou TV, não há uma fórmula ou manual para se fazer podcasts, um padrão que deva ser seguido por todos. Essa é, inclusive, uma das características que faz o podcast ser tão fascinante: a flexibilidade. É possível fazer de diversas formas, com infinitas combinações de programas e equipamentos, e falar sobre qualquer assunto da maneira que quiser.

Dessa forma, para o desenvolvimento de um podcast não há necessidade de grandes investimentos técnicos ou em formação de recursos humanos especializados, pois é necessário apenas pessoas que estejam empenhadas na sua criação.

O podcast na Educação

A inclusão das TDICs na área da educação tornou-as instrumentos amplamente adotados para aumentar a interação entre professor e aluno e a qualidade do ensino (Barros; Menta, 2007; Teixeira; Henz; Guimarães, 2017). Dentre as abordagens mais comuns, há os métodos de internalização de conhecimento enquanto ato de significação, por meio dos quais têm sido propostas inúmeras inovações para os mais diversos tipos e formas de aprendizagem (Duarte; Santos, 2022; Soares Neto et al., 2021). Esse é um aspecto essencial, já que qualquer forma de transmissão de conteúdo que possa explorar novas tecnologias pode ser orientada para um público específico, sobretudo considerando que os alunos possuem diferentes aptidões para assimilação de conteúdo: forma visual, auditiva, tátil etc. (Meira; Pereira, 2018).

Na Educação, essa ferramenta tem elevado potencial como recurso com grandes utilidades pedagógicas e motivacionais, já que é uma tecnologia de acesso relativamente simples, bastando apenas o uso de um smartphone, computador ou aparelho reprodutor de mp3 ou mp4. Convém ressaltar, contudo, que, como apontado por Souza e Viana (2023), a pandemia expôs muitos desafios relacionados à inclusão digital, evidenciando o despreparo das instituições de ensino, dos profissionais do setor e indisponibilidade das TICs/TDICs no espaço escolar, além da falta de provedor de internet (eficiente) nesses espaços (urbanos e rurais) e nas residências dos alunos e professores.

Por outro lado, segundo dados da Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil (ATRICON), com base nos dados do Censo de 2022, uma pesquisa envolvendo mais de 138 mil escolas públicas das redes federal, estadual e municipal, no país, e cerca de 38,3 milhões de alunos matriculados, indicou que, no período de 2021 a 2022, cerca de 9,6 mil escolas da rede pública do país foram contempladas com internet banda larga, atendendo a mais de 1,7 milhão de alunos. No mesmo período, o número de instituições de ensino sem qualquer acesso à rede reduziu de quase 30 mil para aproximadamente 22 mil (Appel, 2023). Esses dados revelam que o acesso à internet ainda não é o ideal na rede de ensino pública, mas têm havido esforços nesse sentido.

A maior popularização do podcast aconteceu durante a pandemia da COVID-19, sendo utilizado para divulgar informações dos mais diversificados assuntos e promover entretenimento com diferentes temáticas, incluindo educação. Pode-se destacar que, por meio de produções que abarcam temas às vezes ignorados ou pouco trabalhados na escola, como saúde mental e diversidade sexual, essa ferramenta diminui o distanciamento entre alunos e professores, promovendo maior entendimento sobre vários conteúdos e tornando-os mais atrativos (Freire, 2013b).

Recursos como podcasts podem incentivar professores e alunos a buscarem conhecimento de maneiras diferentes, empregando novas tecnologias e instrumentos que poderão ser incorporados aos Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVA) ou Ambientes Virtuais de Ensino e Aprendizagem (AVEA), espaços facilitadores para a EaD. Os AVEAs envolvem a construção e a socialização do conhecimento, assim como a operacionalização dos princípios educacionais, promovendo uma interação assíncrona e síncrona entre alunos e professores, pelo uso de ferramentas que podem variar de acordo com cada ambiente (Castro; Conde; Paixão, 2014; Corrêa; Dias; Prata, 2022; Santos; Jorge; Winkler, 2021; Teixeira; Henz; Guimarães, 2017).

Santos, Jorge e Winkler (2021) relatam que, para cada recurso tecnológico incorporado aos AVAs, diversos desafios podem surgir e a relação entre professores e alunos fica cada vez mais dinâmica e interativa, ao mesmo tempo em que os alunos ficam mais dispostos e com suas capacidades cognitivas aguçadas. Por outro lado, vale frisar que muitos professores ainda estão em fase de adaptação didática, sendo que os mais tradicionais seguem buscando se adequar aos novos recursos tecnológicos, que estão em constante evolução, e podem ter dificuldades nesse processo.

Nesse sentido, é importante que ocorra a capacitação dos professores, para que possam usar essas ferramentas sem que estas se tornem apenas mais um viés do ensino tradicional, no qual o educador é o detentor do conhecimento que será apresentado, e os alunos, meros ouvintes, expectadores. Outro aspecto que precisa ser considerado é a necessidade de delineamento claro das relações professor/aluno, uma vez que a possibilidade de interações assíncronas pode levar a uma distorção de limites, principalmente temporais. Há que se considerar, ainda, a hiperconectividade, com o volume massivo de informações, nem sempre factíveis, disponibilizadas continuamente na internet, e o potencial desenvolvimento do tecnoestresse, termo usado para descrever o impacto negativo sobre o estado psicológico humano relacionado, direta ou indiretamente, ao uso de tecnologias digitais ou à possibilidade futura de sua utilização, levando a sintomas mentais (distúrbios do sono, ansiedade, depressão etc.) e físicos (dores musculares e articulares etc.) (Rosa; Souza Junior; Zumstein, 2022).

Não obstante, são diversas as potencialidades que uma ferramenta como o podcast pode oferecer no âmbito do ensino e, quando o educador está motivado a enfrentar os novos desafios para levar o melhor conteúdo para seus alunos, os processos de adaptação e utilização se tornam mais prazerosos e dinâmicos, engajando narradores, mediadores e ouvintes em prol da difusão de informações bem fundamentadas visando à melhoria da aprendizagem (Celarino et al., 2022).

Para tanto, existem vários formatos de podcasts, que são utilizados de acordo com os objetivos que se pretende alcançar. O formato entrevista permite troca de experiências de modo natural, com episódios contendo entrevistados diferentes e temas diversos. No podcast informativo, a intenção é passar algum tipo de informação ao ouvinte, muito semelhante aos programas de rádio. Existe, ainda, o formato de painel, marcado pela presença de um apresentador e convidados. Contudo, seja qual for o formato que se pretende utilizar, uma das maiores vantagens do podcast está na possibilidade e facilidade de descarregamento (download) dos arquivos para os dispositivos de reprodução digital de áudio, como iPods, dispositivos comuns de mp3 e mp4 e outros, permitindo a execução a qualquer momento desejado e sem a necessidade de se estar conectado à internet (Celarino et al., 2023; Meira; Pereira, 2018).

A capacidade de recolher e partilhar informação por meio do tempo e do espaço, juntamente à ênfase no diálogo, participação e voz ativa, implica, também, que os podcasts podem conter potencial emancipatório (Crepaldi; Ferreira, 2022). Como exemplo, no Brasil, o PodEscola foi uma série de podcasts desenvolvida por professores de escolas públicas e colaboradores de Núcleos de Tecnologia Educacional (NTEs) de todo o país visando, essencialmente, à produção de áudios para utilização na educação a fim de contribuir para a formação de um cidadão crítico e incluído social e digitalmente (Barros; Menta, 2007).

Esse tipo de tecnologia tem avançado rapidamente e se tornado cada vez mais acessível para grande parte da população, o que dificulta o trabalho dos educadores em repassar conhecimento aos alunos na forma tradicional de ensino. As metodologias utilizadas dentro e fora das salas de aula para o estudo se tornam cada vez mais diversificadas e o podcast apresenta grande potencial no processo de ensino e aprendizagem. Analisando esse cenário, ferramentas que auxiliam os alunos ganham constantemente mais espaço, podendo se tornar um canal de comunicação mais informal entre professores e alunos.

O fácil acesso levou a uma crescente popularidade dos podcasts; o maior desafio reside, agora, na possibilidade de adaptação do processo de ensino e aprendizagem às necessidades e estilo de vida atual dos alunos, posto que esse processo já não está confinado à sala de aula, podendo ocorrer em qualquer outro contexto, de acordo com a escolha dos envolvidos (Celarino et al., 2022).

O uso do podcast na educação pode trazer uma série de vantagens, pois é um recurso que ajuda nos diferentes ritmos de aprendizagem dos alunos, podendo ser ouvido várias vezes para uma melhor compreensão, possibilitando, assim, uma revisão mais precisa do assunto, sem o risco de ocasionar qualquer constrangimento. E como forma de estimular o uso do podcast nesse contexto, a dinâmica de gravação de conteúdo pode ser direcionada e, mesmo, transferida para os alunos, que terão maior preocupação em preparar um bom trabalho, disponibilizando um material fidedigno e coerente. Isso proporciona, ainda, que se tenha mais produções realizadas em grupo e com melhor qualidade, estimulando a aprendizagem colaborativa, mais vantajosa em relação à individualizada em relação a esse tipo de trabalho. Dessa forma, vão surgindo mais argumentos capazes de incentivar a aplicação dessa ferramenta no contexto pedagógico (Crepaldi; Ferreira, 2022; Rodrigues et al., 2022).

Estudos mencionam que a audição de podcasts é eficaz na aprendizagem da maioria dos alunos, assim como na satisfação decorrente desse processo, sendo provável que eles se sintam naturalmente atraídos para essa ferramenta, que reflete o estilo de vida atual, independentemente de idade ou condição socioeconômica (Celarino et al., 2022). Essa tecnologia desempenha um papel mais relevante para os jovens, estimulando sua capacidade de desenvolver mais competências auditivas e de atenção, pois o podcast possibilita a apreensão de emoções e desenvolvimento de um sentimento de proximidade entre aluno e professor, evitando a sensação de isolamento, geralmente experimentada no estudo individual. Ademais, várias pesquisas mostram que a aprendizagem baseada no sentido auditivo permite que o aspecto emocional do estudo e a relação de comunicação entre educador e educando sejam melhorados, possibilitando a melhor compreensão e assimilação de informações, incluindo aquelas mais complexas (Meira; Pereira, 2018).

De modo geral, o maior desafio dos professores e das instituições de ensino é identificar quais os principais pontos que podem levar os alunos a terem postura mais ativa nas aulas, a fim de contribuir da melhor maneira possível no processo de ensino e aprendizagem. Dessa forma, metodologias de ensino que incluam um recurso didático como o podcast e aplicação de metodologias ativas em sala de aula, configuram-se como importantes iniciativas para alcançar melhores resultados, sobretudo considerando-se que tais ferramentas poderão ser tanto indicadas, quanto criadas pelos professores e pelos próprios alunos.

Podcasts no ensino de Biologia

As inovações tecnológicas no âmbito escolar surgiram, principalmente, com a globalização desencadeada no final do século XX e, desde então, tornou-se corriqueira na vida dos alunos e educadores, proporcionando o desenfadamento do modo de educar tradicional. A inserção dessas inovações tecnológicas na educação foi possível graças à propagação e melhoria da conexão à internet nas instituições escolares, tornando concebível a ressignificação do exercício da profissão de professor nesse novo cenário, possibilitando aos profissionais reinventarem-se, inovarem-se e aguçarem suas criatividades para desenvolvimento de novas práticas pedagógicas (Soares Neto et al., 2021; Teixeira; Henz; Guimarães, 2017; ).

No que concerne ao ensino de Ciências e Biologia, que comumente incluem um jargão técnico relacionado aos processos físicos, químicos e fisiológicos, as TICs se tornam ainda mais úteis no aprendizado, uma vez que permitem, por exemplo, explorar a representação de modelos tridimensionais de moléculas e células por meio de aplicativos de fácil acesso pelo celular, bem como a apresentação de recursos audiovisuais, uso de laboratórios virtuais, aplicação de atividades variadas e outros (Duarte; Santos, 2022).

No ensino de Biologia, por exemplo, os professores normalmente encontram diversas dificuldades em abordar conteúdo abstrato e/ou de maior complexidade, sofrendo com as limitações de um processo educativo de abordagem tradicional. Nessa área, muitos professores e alunos sabem que o estudo pode ser entediante e desinteressante em alguns momentos, sobretudo em virtude da quantidade de nomes e mecanismos biológicos trabalhados (Cunha; Chagas, 2021; Nunes; Lacerda, 2021).

Considerando, também, que o uso de tecnologias digitais é capaz de aprimorar o senso crítico dos alunos, pois pode auxiliar na contextualização de assuntos multidisciplinares, tem-se outro exemplo de aplicação na Biologia no ensino da genética, que, por explicar conceitos pertinentes a outros ramos (evolução das espécies, fisiologia, mecanismos de ação de doenças, Projeto Genoma Humano, clonagem e organismos geneticamente modificados), gera inúmeras discussões que podem ser melhor visualizadas e compreendidas por meio de esquematizações audiovisuais (Teixeira; Henz; Guimarães, 2017).

De modo geral, portanto, a utilização dos recursos tecnológicos no ensino de Ciências e Biologia pode ser muito útil para os professores, que poderão transmitir aos alunos, mais clara e eficientemente, o conhecimento das mais variadas áreas dessa disciplina, como Citologia, Anatomia e Histologia. Atualmente, por exemplo, já existem softwares e laboratórios virtuais que disponibilizam ideias de aulas dinâmicas, possibilitando que os alunos tenham maior interesse no processo de aprendizagem e consigam assimilar as informações de forma mais efetiva (Cunha; Chagas, 2021; Freitas, 2021; Santos; Jorge; Winkler, 2021).

Para Fonseca et al. (2014), é indispensável a contextualização dos temas abordados para que os alunos possam assimilá-los a partir de suas próprias realidades. Exemplo disso é o ensino sobre vírus, que pode facilmente ser abordado levando em consideração, além do próprio contexto da pandemia da COVID-19, eventos de surtos de gripes, dengue e outras enfermidades, dando a oportunidade de diferenciar esse micro-organismo de outros, como as bactérias. Assim, o ensino se torna ainda mais rico ao ser mediado por imagens, vídeos, mapas etc. que mostrem a propagação das viroses, animações que representem a multiplicação viral, resolução de questões online, entre outras estratégias possíveis.

Os temas abordados nas disciplinas de Ciências e Biologia são muito extensos e como a carga horária nas escolas é geralmente insuficiente para abordá-los de maneira efetiva para que possam ser bem compreendidos, os podcasts também podem assumir um papel complementar, ao serem construídos em episódios para somar conhecimentos secundários e aprofundados em relação àqueles trabalhados em sala de aula (Crepaldi; Ferreira, 2022; Rodrigues et al., 2022).

Para que haja essa construção, além do estudo e dedicação para a criação do material, seja pelo professor, seja pelo aluno, é indispensável que o educador tenha conhecimento das necessidades de seus alunos, para que seja produzido algo que verdadeiramente possa auxiliar a aprendizagem, levando em consideração também casos de alunos que são menos favorecidos economicamente, para que haja um meio-termo para a acessibilidade e alcance de todos (Freitas, 2021). Havendo a possibilidade de sua utilização, o podcast pode funcionar muito bem como integrante de sequências didáticas, entendendo-se estas como um conjunto de atividades articuladas planejadas de modo sequencial visando a determinado objetivo didático, constituindo-se uma ferramenta interessante para o ensino frente às limitações que podem ocorrer no mundo, como foi o caso da pandemia da COVID-19 (Cunha; Chagas, 2021). Nesse contexto de multiplicidade das TICs no âmbito educacional, o podcast pode proporcionar rápido acesso aos saberes de vários eixos, sendo que há liberdade para ouvir a qualquer momento e aprender, mesmo enquanto se executa tarefas rotineiras mecânicas, também exercitando, com isso, a atenção e a concentração (Martins et al., 2020).

O potencial educativo dos podcasts foi avaliado por Nunes e Lacerda (2021) com alunos do Ensino Médio. Nesse trabalho, fica claro que não é apenas o professor o grande atuante na produção de podcasts: os alunos também podem assumir esse papel para apresentar trabalhos, inclusive demonstrando preferência em assumir essa posição, pois, ao planejar construir o texto e realizar as gravações, revisam várias vezes o assunto e acabam aprendendo de forma mais eficiente. Os autores ainda perceberam que os alunos também adotam uma perspectiva positiva do podcast quando gravado pelo professor, pois ao ouvir como forma de revisão, relembram o assunto tratado em sala de aula e conseguem compreender e fixar melhor o conteúdo trabalhado, assimilando-o e incorporando-o ao seu repertório intelectual.

Dessa forma, verifica-se que o podcast como material complementar também enriquece o conteúdo explorado pelos professores de Biologia, ajudando na compreensão e internalização do que foi discutido em sala de aula ou, mesmo, em AVAs. O podcast permite que os conteúdos sejam apresentados em formato alternativo que, por vezes, pode ser melhor que o tradicional, no qual a informação é normalmente repassada em forma de texto: possibilita e estimula pesquisas sobre os principais assuntos trabalhados e pode ser utilizado no processo de preparação para avaliações e seletivos, como o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) e vestibulares.

As vantagens do podcast na educação também estão associadas à facilidade de difusão, que ocorre por meio de rádios, computadores, celulares, tablets e, mesmo, com o suporte de outros recursos digitais, como sites, blogs e redes sociais diversas. A possibilidade de os arquivos serem descarregados para se ouvir a qualquer momento e quantas vezes se desejar, tem, ainda, um caráter social e inclusivo, pois respeita a velocidade, capacidade e possibilidade de aprendizagem de cada um, tornando a aprendizagem potencialmente mais confortável, por exemplo, para deficientes auditivos e portadores de Transtorno do Espectro Autista (TEA) (Freitas, 2021; Oliveira, 2022).

Convém ressaltar, contudo, que, se por um lado o podcast pode ser uma TIC de fácil acesso, inclusiva e congregadora, por outro lado, a ausência de, ou baixo, domínio da tecnologia em si e indisponibilidade de equipamentos aptos para gravações e edições de podcasts, além de pouco tempo livre para a elaboração de materiais didaticamente interessantes, sobretudo por parte dos professores, são empecilhos que permeiam a realidade de muitos profissionais da Educação e alunos, o que pode comprometer a funcionalidade dessa ferramenta. Ademais, o acesso aos podcasts pelos alunos também pode ser um fator limitante em contextos de vulnerabilidade econômica, sendo essa desvantagem ainda mais comprometedora quando a escola não possui infraestrutura adequada. Estima-se, inclusive, que muitos alunos, particularmente de escolas públicas do país, vivenciaram um grave processo de exclusão digital evidenciado pela pandemia da COVID-19, o que intensificou as desigualdades de oportunidades educacionais (Corrêa; Dias; Prata, 2022).

Nesse sentido, cabe aos professores, junto à escola e ouvindo as necessidades dos alunos, avaliar se o emprego do podcast como recurso no processo de ensino e aprendizagem, por mais simples que seja em relação a outros recursos tecnológicos, é realmente factível no contexto socioeconômico e de infraestrutura, devendo-se buscar promover meios e ações para viabilizá-lo sempre que possível.

Considerações finais

Esta investigação qualitativa em formato de revisão de literatura problematiza a utilização do podcast, enquanto TIC de fácil acesso, tecnicamente falando, como uma ferramenta no processo de ensino e aprendizagem e não apenas para utilização no formato de ensino remoto, mas também no ensino presencial ou híbrido. Seu uso pode estimular os professores a buscarem novas e diversas ferramentas para auxiliá-los na apresentação didática do conhecimento biológico, uma vez que o mundo está em constante transformação e os alunos, cada vez mais aptos a se adaptarem. Diante desse processo, aliar-se a esses avanços fará com que o ensino de Biologia seja mais interessante.

Os 25 trabalhos científicos selecionados foram analisados qualitativamente nesse processo de compreender o podcast como recurso para o ensino de Biologia. Foi possível identificar que, de modo geral, há um posicionamento positivo dos autores em relação ao uso de TDICs como os podcasts como recursos complementares ao ensino tradicional e à EaD.

A investigação bibliográfica demonstrou que o podcast como recurso didático já é uma realidade mundial, ainda que relativamente incipiente no Brasil, e que, de fato, já contribui na formação dos alunos da Educação Básica. Trabalhos desenvolvidos nessa área revelam a crescente busca por mais recursos tecnológicos por parte dos alunos, sendo esta ferramenta uma dessas alternativas, por ser acessível e não demandar formação especializada. Os podcasts possuem, portanto, potencial pedagógico importante devido à sua flexibilidade e mobilidade, auxiliando no processo de ensino e aprendizagem. Assim, utilizar novas tecnologias e metodologias no ensino de Biologia, tais como o podcast, pode trazer benefícios tanto ao professor, quanto ao aluno, viabilizando aulas mais atraentes, instigantes, descontraídas e interativas.

Foram identificados pontos sensíveis em relação ao uso das TICs em geral como recursos didáticos, uma vez que ainda existe bastante exclusão digital no país. O contexto pandêmico tornou mais evidente que, mesmo que os aparelhos celulares, computadores e a internet façam parte do cotidiano da sociedade atual, não são igualmente acessíveis a todos. Nesse sentido, políticas públicas e programas sociais em geral que visem à redução das desigualdades são imprescindíveis e urgentes.

Também é necessário que sejam observados aspectos relacionados à prevenção e tratamento do tecnoestresse de professores e alunos, posto que, por mais benéfico que seja a adoção de recursos tecnológicos nas práticas didáticas, a hiperconectividade e superexposição a dispositivos eletrônicos pode trazer efeitos adversos à saúde humana, tanto psicológica, quanto física.

Assim, espera-se que este trabalho possa tanto contribuir para a ampliação do uso das TICs e, particularmente, de podcasts, como recursos didáticos em todos os níveis de ensino, quanto colaborar para as discussões voltadas à inclusão digital e uso consciente de dispositivos eletrônicos no processo educacional.

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Recebido: 30 de Junho de 2024; Aceito: 01 de Outubro de 2024

Autora correspondente: lgmdemoura@gmail.com

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