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Revista Diálogo Educacional

versão impressa ISSN 1518-3483versão On-line ISSN 1981-416X

Rev. Diálogo Educ. vol.24 no.82 Curitiba jul./set 2024  Epub 21-Out-2024

https://doi.org/10.7213/1981-416x.24.082.ds05 

Dossiê

O campo editorial e os desafios contemporâneos: reflexões sobre a Ciência Aberta

The editorial field and contemporary challenges: reflections on open science

El campo editorial y los desafíos contemporáneos: reflexiones sobre la Ciencia Abierta

1Fundação Cesgranrio, Rio de Janeiro, RJ, Brasil

2Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), Ouro Preto, SP, Brasil


Resumo

O objetivo deste artigo foi refletir sobre os pilares da Ciência Aberta (CA) e sua implementação no espaço Ibero-americano. Este movimento tem sido fundamental para o avanço científico moderno, promovendo colaboração e transparência na pesquisa. O movimento se insere em um contexto de transformações nas formas de produção e circulação de informação e conhecimento, facilitando a rápida divulgação dos resultados de pesquisas, aumentando sua eficiência e impacto. A implementação desta prática científica exige esforços conjuntos de financiadores, instituições e reguladores, transformando profundamente as bases da prática científica e promovendo uma ciência mais colaborativa e eficaz para enfrentar os desafios contemporâneos. No Brasil, o movimento enfrenta desafios na comunicação científica, mas o Brasil não está sozinho, faz parte de um movimento maior que ocorre por toda Iberoamérica. A implementação do acesso aberto, a internacionalização dos periódicos, o enfrentamento à mercantilização do conhecimento científico é central para a democratização do conhecimento. A hegemonia do inglês como língua científica impõe barreiras, mas a colaboração regional pode promover uma ciência mais inclusiva. Porém, Iniciativas como DIALNET, REDIB, LATINDEX, SciELO e Redalyc exemplificam os esforços para integrar a ciência ibero-americana às práticas de Ciência Aberta, visando o desenvolvimento sustentável e a justiça social.

Palavras-chave: Ciência Aberta; Produção do conhecimento; Comunicação científica.

Abstract

The objective of this article was to reflect on the pillars of Open Science (OS) and its implementation in the Ibero-American space. This movement has been fundamental to modern scientific advancement, promoting collaboration and transparency in research. The movement is part of a context of transformations in the forms of production and circulation of information and knowledge, facilitating the rapid dissemination of research results, increasing their efficiency and impact. The implementation of this scientific practice requires joint efforts from funders, institutions and regulators, profoundly transforming the foundations of scientific practice and promoting more collaborative and effective science to face contemporary challenges. In Brazil, the movement faces challenges in scientific communication, but Brazil is not alone, OS is part of a movement that occurs throughout Ibero-America. The implementation of open access, the internationalization of journals, and combating the commodification of scientific knowledge are central to the democratization of knowledge. The hegemony of English as a scientific language imposes barriers, but regional collaboration can promote inclusive science. However, initiatives such as DIALNET, REDIB, LATINDEX, SciELO and Redalyc exemplify efforts to integrate Ibero-American science with Open Science practices, aiming for sustainable development and social justice.

Keywords: Open Science; Production of knowledge; Scientific Communication.

Resumén

El objetivo de este artículo fue reflexionar sobre los pilares de la Ciencia Abierta (CA) y su implementación en el espacio iberoamericano. Este movimiento ha sido fundamental para el avance científico moderno, promoviendo la colaboración y la transparencia en la investigación. El movimiento se enmarca en un contexto de transformaciones en las formas de producción y circulación de información y conocimiento, facilitando la rápida difusión de los resultados de las investigaciones, aumentando su eficiencia e impacto. La implementación de esta práctica científica requiere esfuerzos conjuntos de financiadores, instituciones y reguladores, transformando profundamente los fundamentos de la práctica científica y promoviendo una ciencia más colaborativa y efectiva para enfrentar los desafíos contemporáneos. En Brasil, el movimiento enfrenta desafíos en comunicación científica, pero Brasil no está solo, CAf es parte de un movimiento que ocurre en toda Iberoamérica. La implementación del acceso abierto, la internacionalización de las revistas y la lucha contra la mercantilización del conocimiento científico son fundamentales para la democratización del conocimiento. La hegemonía del inglés como lengua científica impone barreras, pero la colaboración regional puede promover la ciencia inclusiva. Sin embargo, iniciativas como DIALNET, REDIB, LATINDEX, SciELO y Redalyc ejemplifican los esfuerzos por integrar la ciencia iberoamericana con las prácticas de Ciencia Abierta, apuntando al desarrollo sostenible y la justicia social.

Palabras clave: Ciencia Abierta; Producción de conocimiento; Comunicación Científica.

1. Introdução

A Ciência Aberta (CA) tem sido fundamental para o avanço científico moderno, revolucionando as práticas de pesquisa e incentivando maior colaboração e transparência. Este movimento deve ser considerado dentro do contexto dos movimentos sociais que emergem com as alterações nas condições de produção e circulação de informação, conhecimento e cultura, desafiando os arcabouços epistemológicos e institucionais vigentes (Albagli et al., 2015).

Essa abordagem permite que resultados de pesquisas sejam publicizados mais rapidamente, melhorando a eficiência da ciência ao permitir que estudos sejam escrutinados e construídos com pouco atraso. Além disso, a CA ajuda a aumentar a visibilidade e o impacto das pesquisas, uma vez que artigos publicados de forma aberta tendem a receber mais citações e cobertura da mídia. Estudos mostram que artigos de acesso aberto em várias áreas da ciência recebem mais citações do que aqueles que não são de acesso aberto, o que indica uma maior disseminação e engajamento com a pesquisa (Oliveira, et al., 2023).

Outro aspecto importante é como este movimento incentiva a inovação por meio da colaboração interdisciplinar. A necessidade de especialização, combinada com a complexidade das questões científicas modernas, tem incentivado a colaboração entre diferentes disciplinas. Isso é facilitado pelo acesso aberto e compartilhamento de dados, permitindo que equipes de diferentes áreas compartilhem ideias, planos e dados mais facilmente, o que é crucial para o avanço da ciência em um mundo cada vez mais conectado e interdependente (UnderstandingSci, 2022).

Além disso, a CA também é vista como um caminho para melhorar a rigorosidade e a confiabilidade das pesquisas científicas. A transparência e o compartilhamento de dados promovem uma avaliação mais precisa da pesquisa, embora a abertura da avaliação por si só não garanta rigor ou equidade. A implementação bem-sucedida de práticas de CA requer esforços concertados de financiadores, instituições, editoras e reguladores para criar um ambiente de pesquisa que cultive a abertura, o rigor e a colaboração (Thibault, 2023).

Portanto, o movimento não é apenas uma mudança nos meios de publicação científica, mas uma transformação profunda nas próprias fundações de como a ciência é feita, promovendo uma ciência mais colaborativa, transparente e eficaz para enfrentar os desafios do século XXI. Pois, conforme Albagli, Maciel e Abdo (2015), o movimento pela Ciência Aberta surge em um contexto de tensão entre, de um lado, novas modalidades de produção colaborativa, interativa e compartilhada de informação, conhecimento e cultura, e, de outro, mecanismos que buscam capturar e privatizar esse conhecimento, o qual é produzido de maneira coletiva e social.

No que respeita ao campo da Educação, as mudanças vêm ocorrendo no campo editorial, especialmente com a adoção dos pilares da CA, tais pilares estão transformando significativamente a publicação científica na área, mas não sem resistências. A CA, ao promover a transparência e a acessibilidade dos dados e pesquisas, enfrenta desafios, mas também cria oportunidades para a disseminação do conhecimento.

Posto isto, buscou-se na primeira parte do artigo, refletir sobre alguns dos pilares do movimento e os desafios que essas mudanças trazem às dinâmicas científicas, seus valores e práticas, primeiramente no Brasil, e como poderemos lidar melhor com estes desafios. E, na segunda parte do artigo, procuramos refletir sobre a questão da Ciência Aberta e as alternativas de comunicação científica na região Ibero-americana, a partir dos acordos e declarações internacionais acerca do tema.

2. Acesso aberto, dados abertos, preprints

A investigação científica está em transição cultural, buscando maior abertura, facilitada pelo caráter digital, que acelera o acesso aos resultados científicos. A Ciência Aberta visa tornar os resultados de pesquisa financiada pelo setor público mais acessíveis digitalmente à comunidade científica, setor empresarial e sociedade, abrangendo acesso aberto (AA), informações e recursos livres, software livre e avaliação aberta (Silva, 2017).

O AA permite acesso virtual sem barreiras a artigos científicos em periódicos acadêmicos. Existem modalidades de AA, as mais comuns são o: acesso aberto dourado, onde os custos são suportados pelos autores, e o acesso aberto verde, onde as publicações ficam disponíveis após um período de embargo, acessíveis inicialmente por meio do compartilhamento pelos autores. As informações e recursos livres referem-se à capacidade dos dados científicos serem acessados sem impedimentos técnicos ou legais, permitindo a visualização e uso dos dados, ampliando a pesquisa original e possibilitando novas investigações (Martins, 2020).

Já, o software livre, ou open source, disponibiliza o código ao público gratuitamente, sem restrições legais ou técnicas, permitindo a personalização e modificação do software (Pereira, 2022). A avaliação participativa aberta (Open Peer Review) é uma alternativa à revisão por pares tradicional, em que a identidade de autores e revisores é divulgada, e os comentários e respostas são publicamente acessíveis, aumentando a transparência da avaliação (Pérez, 2018). O open peer Review é amplamente utilizado em repositórios preprints.

Neste artigo, os pilares que queremos destacar são acesso aberto, dados abertos e preprints, pela sua relevância e pela maneira como estão sendo adotados nos periódicos de Educação no Brasil, embora os estágios da sua implementação variem entre as diferentes publicações. Os preprints, por serem manuscritos não avaliados por um periódico científico ou já avaliados, mas ainda em processo de publicação, e, por isso mesmo já disponíveis ao público em repositórios completamente gratuitos, acabam por ser mais um pilar da CA. No mundo, estes artigos aceleram os resultados das pesquisas para o público e, por serem de acesso completamente livre, e permitirem uma avaliação aberta nos repositórios nos quais se encontram, depois de publicados1, ou semiaberta - sistema simples cego - quando enviados para os periódicos, acabaram se tornando num outro fundamento da CA, em virtude do AA e da abertura da avaliação.

A transição para a CA envolve a publicação em acesso aberto e o uso de repositórios de dados abertos, permitindo a verificação e expansão dos estudos originais por outros pesquisadores (Rocha, 2023). Para entender o acesso aberto, é importante mencionar o Plano S, que propôs um modelo de comunicação científica mais aberto, onde apenas revistas de acesso livre seriam utilizadas por autores financiados por agências signatárias.2 O consórcio (cOAlition S), composto por 17 agências europeias e instituições como a Fundação Bill & Melinda Gates e o Wellcome Trust, considerou patrocinar novos periódicos com a abordagem de acesso aberto, mas enfrentou forte resistência das cinco maiores editoras (Elsevier, Sage, Springer-Nature, Taylor & Francis e Wiley), sociedades científicas, pesquisadores e governos (Velterop, 2019).

Embora Estados Unidos, China, Alemanha e Suécia adotem políticas públicas de acesso aberto, não aderiram à coalizão. O modelo foi flexibilizado para aumentar a aceitação, permitindo publicações em periódicos híbridos que cobram assinaturas e taxas dos autores para acesso aberto, o que é criticado por prejudicar países de renda média e baixa. As editoras concordaram com “acordos transformativos”, transferindo recursos de assinaturas para taxas de publicação (APC), comprometendo-se a aumentar as atividades de acesso aberto, conforme queria a coalizão, embora isso tenha consolidado um esquema de cobrança exorbitante dos autores (Marques, 2024). Isto é, o Plano S conseguiu avançar, porém gerou um efeito colateral complexo: revistas passaram a exigir taxas exorbitantes para publicar em AA.

O acesso aberto dourado, onde artigos são disponibilizados gratuitamente após o pagamento de taxas, tornou-se prevalente. Em 2022, quase 133 mil dos 168 mil artigos financiados pelo cOAlition S, eram de acesso aberto. Destes, 64 mil foram publicados em periódicos dourados, 42 mil em revistas híbridas e 23,5 mil no modelo verde (auto arquivamento). Outros 3,4 mil artigos seguiram o modelo bronze, disponibilizados a critério da editora e sem licença de reuso. A cOAlition S não aceita os modelos verde e bronze (Marques, 2024).

As taxas de publicação variam significativamente, com revistas de prestígio cobrando entre US$ 3 mil e US$ 6 mil por artigo, e algumas do Nature Publishing Group cobrando mais de US$ 11 mil. Esse esquema de financiamento é problemático para países de baixa e média renda, que não possuem recursos para negociar acordos ou pagar taxas tão altas (Butler et al., 2023).

Em 2018, pesquisadores temeram que o Plano S restringisse a liberdade de escolha de publicação, enquanto editoras e sociedades científicas temiam perdas financeiras com o fim das assinaturas. A cOAlition S flexibilizou as regras, permitindo publicações em qualquer modelo de periódico, desde que uma cópia revisada fosse disponibilizada em repositório de acesso aberto. Essa flexibilização beneficia periódicos com “acordos de transformação”, comprometidos a atingir 100% de artigos em acesso aberto até 2024. Embora o Plano S tenha progredido, seu impacto real ainda é incerto e permanece uma estratégia principalmente europeia (Marques, 2021).

Um estudo da MIT Press (Butler et al., 2023) calculou que, entre 2015 e 2018, as taxas pagas para publicar em acesso aberto nas cinco grandes editoras comerciais ultrapassaram US$ 1,06 bilhão. Ressaltando que estas editoras controlam entre 50% e 70% do mercado editorial (Larivière et al., 2015). Assim, as cinco grandes editoras - Elsevier, Sage, Springer-Nature, Taylor & Francis e Wiley - permitiram a publicação de artigos em AA mediante pagamento de APC, transferindo o custo da publicação para os pesquisadores, o que contrariou a ideia de democratização da ciência, preconizada pela CA (Alves, 2019).

Atualmente, publicar um artigo em acesso aberto em quase qualquer revista do grupo Nature Portfolio custa US$ 12.290 em taxas de publicação, equivalente a mais de um ano e meio de bolsa de doutorado da CAPES, principal agência pública de financiamento de pós-graduação no Brasil (Cudischevitch; Neves, 2024).

Assim, para cada ação voltada à democratização do conhecimento, o mercado editorial responde de maneira a proteger seus interesses comerciais, gerando bilhões de dólares em lucros.

Quando falamos em AA estamos nos referindo à disponibilização gratuita de artigos de pesquisa na internet, sem custos para os leitores, por meio de periódicos ou repositórios. Isso beneficia o público, evitando taxas altas, como as cobradas pela Nature, que variam de US$ 1,95 por 48 horas a US$ 39,95 pelo acesso aberto permanente. No acesso fechado, a Nature, publicada desde 1869, cobra US$ 199 por ano para assinantes (Cudischevitch; Neves, 2024).

No Brasil, SciELO BR (www.scielo.br ) e Educ@ (http://educa.fcc.org.br ) são exemplos de bases de dados de acesso aberto, mas sem o mesmo prestígio e impacto das editoras internacionais de acesso fechado (Nassi-Calò, 2013).

O acesso livre não significa necessariamente gratuito, pois os custos de produção existem. No entanto, há modelos que permitem a difusão em acesso aberto. Uma alternativa é oferecer subsídios estatais a profissionais da edição. Na França, existem diversos cargos dedicados à publicação científica, especialmente nas ciências humanas e sociais, mas não se limitando a estas áreas. Por exemplo, há uma rede nacional de profissionais de publicação científica pública (Métiers de l'Édition sCientifique Publique) (Alves, 2019).

Há também o modelo APC, o autor ou sua instituição pagam altas taxas, entre 2 e 5 mil euros por artigo, para publicar em acesso aberto. Este modelo é rentável para grandes grupos editoriais. O modelo "freemium" oferece serviços gratuitos com recursos adicionais pagos, permitindo aos leitores "premium" pagar por formatos como PDF e ePub. O modelo híbrido permite que periódicos por assinatura liberem artigos em acesso aberto mediante pagamento pelos autores. Críticos do Plano S argumentam que limitar publicações pode resultar em altas taxas, criando barreiras para autores de instituições e países com recursos limitados (Alves, 2019).

Os benefícios do acesso aberto, como maior visibilidade, aumento de citações e a promoção da colaboração científica, também promovem os objetivos da Ciência Aberta. Aumentar o acesso aos resultados da pesquisa facilita a colaboração entre diferentes campos científicos e entre pesquisadores de diferentes partes do mundo, especialmente aqueles em países com menos recursos (McKiernan et al., 2016). Embora, o movimento englobe também a disponibilização de dados, métodos, softwares de pesquisa e outras variedades de conteúdo científico, com o objetivo de tornar todo o processo científico mais transparente e acessível (Thibault, 2023) .

A adoção do acesso aberto, dentro deste contexto, impacta positivamente a prática científica ao promover uma cultura de compartilhamento e colaboração. Isso pode levar a uma maior replicabilidade e validação dos resultados da pesquisa. Além disso, ao facilitar o acesso imediato aos resultados de pesquisas mais recentes, o acesso livre acelera a disseminação de novas descobertas e promove um ciclo mais rápido de inovações científicas (Spinak, 2020).

Portanto, enquanto o acesso aberto se concentra na remoção de barreiras para acessar artigos e resultados de pesquisa, a Ciência Aberta engloba uma visão mais ampla que inclui a transparência de todos os aspectos da prática científica. Juntos, constituem uma mudança fundamental em direção a uma ciência mais inclusiva, colaborativa e transparente.

2.2 Preprints prós e contra

No fim do século XX, as evoluções nas Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) iniciaram uma revolução também nas ciências, especialmente com a popularização da internet e as novas possibilidades de intercâmbio de documentos digitais, conhecidos como Arquivos Abertos. Essa revolução impactou profundamente os periódicos, desafiando o modelo tradicional de acesso restrito por assinatura e promovendo o movimento de acesso aberto à informação científica, que eventualmente evoluiu para o conceito mais amplo de Ciências Abertas. É possível afirmar que a adoção do acesso aberto, por parte dos periódicos, foi menos contestada que a recente adoção de Preprints nas áreas das Ciências Humanas (Amaral, Príncipe, 2019).

Atualmente, este é um dos grandes desafios que os editores científicos enfrentam. Preprints são versões de artigos científicos compartilhadas publicamente antes de passarem pelo processo formal de revisão por pares. Eles permitem que pesquisadores divulguem rapidamente suas descobertas à comunidade científica, acelerando a disseminação de conhecimento e facilitando a colaboração imediata. A publicação deste tipo de manuscrito é uma prática comum em diversas áreas, especialmente nas ciências biomédicas e físicas, e é valorizada por aumentar a transparência e o acesso aberto à informação científica. Embora não sejam revisados por pares formalmente, estes papers podem receber feedback da comunidade que contribui para melhorias no trabalho final. Com o aumento da pressão para publicar rapidamente (impulsionada pelo acesso digital e pelos preprints), os editores enfrentam o desafio de manter altos padrões de revisão por pares e integridade acadêmica. Isso inclui evitar a publicação de estudos de baixa qualidade ou fraudulentos (Amaral; Príncipe, 2019).

É crucial enfatizar que os movimentos para publicar artigos sem avaliação por pares e artigos revistos em avaliação por pares aberta estão interligados, servindo como uma resposta da comunidade científica ao modelo atual de publicação científica, especialmente no que diz respeito a tempo, custo e credibilidade das publicações formais em periódicos3. Esses movimentos buscam estabelecer barreiras ao sistema tradicional de comunicação científica e questionar o futuro dos periódicos tal como são conhecidos hoje (Zeldina, 2020).

Porém, os preprints trazem, no seu bojo, problemas e soluções, por isso são tão rejeitados por uma parte dos editores científicos e tão bem aceitos por outra parte. Vejamos:

Estes artigos reduzem a falta de acesso à literatura, pois estão disponíveis para todos em todo o mundo; tornam o trabalho mais recente do pesquisador visível, estimulam colaborações e feedbacks, são permanentes e com datas que mostram quando foi produzido, isto é, o leitor pode pesquisar os textos mais recentes sobre determinada temática. Também são imediatamente acessíveis, o tempo entre submissão e publicação é infinitamente menor do que o tempo de publicação em um periódico eletrônico, o que oportuniza o avanço da pesquisa em geral.

Por outro lado, a publicação de pesquisas sem avaliação por pares pode levar a sobreposição, já que o mesmo texto pode ser publicado como preprint e posteriormente em um periódico. Isso resulta em duplicidade dos identificadores do artigo e dispersão no número de citações, com citações duplicadas devido às duas versões da pesquisa. Como preprint, pode haver falta de controle na coleta de dados e menor controle na retratação, ao contrário dos periódicos. Além disso, nem todos os periódicos aceitam artigos já publicados em repositórios, para tal, os periódicos precisam renunciar ao ineditismo (Silveira, 2023).

2.3 Dados Abertos

Sobre os dados abertos, ressaltamos que compartilhar dados de pesquisa com outros pesquisadores permite que esses recursos contribuam além do estudo original. Isso possibilita a confirmação de resultados e a exploração de novas hipóteses, especialmente quando combinados com outros dados. A prática beneficia a comunidade científica ao aumentar a transparência, reduzir fraudes, treinar novos pesquisadores e usar recursos eficientemente, evitando duplicações. No entanto, há desafios como a criação e gestão de repositórios institucionais, e a necessidade de os pesquisadores documentarem e formatarem dados, exigindo tempo e habilidades em gestão de dados. Embora o compartilhamento possa aumentar as citações, variações disciplinares influenciam essa prática, com taxas mais altas de compartilhamento em ciências da saúde em comparação com ciências sociais e humanidades (Schielss; Barcelos, 2019).

Um estudo realizado pela editora científica Wiley revelou variações significativas no compartilhamento de dados entre diferentes campos do conhecimento. Segundo a pesquisa, enquanto 66% dos pesquisadores nas áreas da saúde e biologia disponibilizam seus dados, principalmente por meio de repositórios de dados ou periódicos especializados, apenas 36% dos cientistas sociais e das humanidades fazem o mesmo, frequentemente de maneira informal dentro de suas próprias instituições (Ferguson, 2014).

Estudos que disponibilizam seus dados geralmente recebem mais citações do que aqueles que não o fazem (Dorch, 2012). A variação no compartilhamento de dados entre áreas acadêmicas pode limitar a pesquisa, causando repetição desnecessária de estudos e perda de oportunidades. A replicabilidade dos dados, um princípio FAIR (findable, accessible, interoperable, reusable), é um dos benefícios da Ciência Aberta. Contudo, falta de políticas específicas para depósito e compartilhamento de dados em periódicos persiste, apesar do aumento de periódicos exigindo dados com as publicações. No Brasil, essa é uma diretriz, por exemplo, do SciELO BR para os periódicos lá inseridos e para aquelas que pleiteiam entrar na plataforma.4

A crescente demanda por dados acompanhando publicações em periódicos, reforça a necessidade de políticas claras sobre depósito e compartilhamento de dados, considerando ainda aspectos éticos e custos associados. Por isso, os repositórios de dados abertos ainda estão em crescimento no Brasil. Há repositórios específicos de instituições, como por exemplo, o Arca Dados da Fiocruz,5 mas não é para todos os pesquisadores, e sim para pesquisas produzidas pela comunidade Fiocruz ou em parceria com a Fiocruz.

Há repositórios específicos de bases de dados, por exemplo, o SciELO Data, que permite ao pesquisador que já tenha publicado ou que tenha um artigo aceito para publicação em uma revista indexada na base SciELO, que compartilhe seus dados no repositório SciELO. E há outros, gratuitos e confiáveis, mas com diferentes graus de curadoria, nos quais os pesquisadores podem guardar e compartilhar os dados de suas pesquisas. 6 Ao fazê-lo, os repositórios conferem um DOI para o conjunto de dados do pesquisador, que pode ser inserido nas referências do artigo para ser compartilhado com outros pesquisadores.

O compartilhamento de dados de pesquisa valida resultados, explora novas hipóteses e combina dados de diferentes fontes, beneficiando a comunidade científica. Facilita a identificação de erros, reduz fraudes, treina novos pesquisadores e otimiza recursos, evitando duplicação de coleta de dados. Apesar dos desafios e custos associados, como a criação e gestão de repositórios e a documentação e formatação de dados, o compartilhamento pode aumentar significativamente as citações recebidas pelos pesquisadores. No Brasil, editores da área da Educação estão começando a incentivar essa prática, embora ainda faltem políticas detalhadas sobre o compartilhamento de dados.

À medida que a ciência avança para uma maior abertura, incluindo a publicação de resultados, softwares, métodos experimentais e dados, surge a necessidade de uma reflexão mais profunda sobre questões complexas. Estas incluem a ética no compartilhamento de dados, a concorrência acadêmica, o tempo necessário para disponibilizar dados, a falta de especialização em curadoria de dados e metadados por parte dos repositórios e dos periódicos, os custos de armazenamento, caso o repositório pertença a uma instituição, como é o caso do Arca Dados da Fiocruz, e a necessidade de políticas explícitas que orientem o compartilhamento de dados, considerando as particularidades de cada área (Gewin, 2016).

2. 4 Transformações no campo editorial

Devido à crescente demanda por práticas de CA, houve mudanças significativas no campo editorial científico, especialmente na área da Educação. Os editores científicos enfrentam desafios e novas oportunidades, destacando-se três problemas principais: sustentabilidade financeira, qualidade e integridade da pesquisa, e gestão de dados abertos.

No que respeita à sustentabilidade financeira, os editores enfrentam desafios no financiamento de publicações em acesso aberto, buscando modelos econômicos que não imponham custos elevados aos autores (Unesco, 2021). A cobrança de taxas de publicação (APC) aos autores é frequente devido ao escasso apoio de instituições governamentais e agências de financiamento da educação. Por isso, os preprints estão se tornando cada vez mais aceitáveis no Brasil, os autores não precisam pagar taxas para publicar em repositórios preprints.

Manter a qualidade e a integridade das publicações científicas é um desafio significativo. A aceleração dos processos de revisão e publicação, visando aumentar a acessibilidade, exige rigor na revisão por pares das publicações tradicionais. Nos preprints, a avaliação aberta ou o sistema de revisão simples cega impõem desafios adicionais, necessitando um equilíbrio cuidadoso para assegurar a integridade e credibilidade da pesquisa (Unesco, 2021).

A gestão de dados abertos envolve administrar grandes volumes de dados de pesquisa, garantindo segurança e organização conforme os princípios FAIR. Segundo a Unesco e outros organismos (Unesco, 2021; Henning et al., 2019), esses princípios asseguram que os dados sejam localizáveis, acessíveis, interoperáveis e reutilizáveis. A curadoria desses dados, frequentemente realizada pela revista ou instituição mantenedora, demanda conhecimento, tempo, recursos e princípios éticos.

3. Uma mirada Além-mar: leitura ibero-americana sobre Ciência Aberta

Na primeira parte fizemos uma síntese sobre os pilares da Ciência Aberta e sobre as discussões nacionais acerca dos desafios com os quais as editorias de periódicos lidam a respeito do debate sobre a implementação destes pilares na comunicação científica, principalmente, no Brasil.

Porém, não estamos sós, fazemos parte de uma comunidade social e linguística denominada de Ibero-América. Por isso, torna-se tão necessário compreender como o debate e a implementação da Ciência Aberta tem ocorrido nesta região, a partir da implementação do acesso aberto e da internacionalização das revistas, opondo-se à mercantilização do conhecimento.

Faremos isso a partir da reflexão das declarações e acordos firmados internacionalmente sobre a Ciência Aberta e a democratização do conhecimento científico.

Neste sentido recuperamos aqui um informe publicado pela OEI (Organização de estudos ibero-americanos para a Educação a Ciência e a Cultura) realizado como resultado de consultas e processos de colaboração inter-regional no âmbito da tríade Ciência Educação e Cultura (Badillo, 2021). Assim, percebemos que o debate sobre Ciência Aberta e Dados Abertos é uma construção muito mais localizada no sul global que nas esferas centrais do norte global. Todavia, parece ser motivado, em especial, pela hegemonia de uma língua considerada científica que produz uma fetichização (Salatino, 2018) no discurso da comunicação científica. Aqui cabe uma reflexão sobre a pregunta do relatório da OEI:

¿Qué futuro tienen el español y el portugués como lenguas de ciencia? Pese a que más de 850 millones de personas en cuatro continentes hablan portugués o español -el 11% de la población mundial- solo un 1% de la producción científica indexada globalmente se publica en estos dos idiomas. Es más, el 96% de los científicos portugueses, el 91% de los mexicanos, brasileros o españoles y más del 80% de los colombianos, argentinos o peruanos publican en inglés, (…) la pregunta que tratábamos de responder iba más allá de la mera estadística. Todos intuíamos que la hegemonía del inglés como lengua vehículo de la ciencia es apabullante: como se revisa en el informe, el 90% de los trabajos científicos publicados en la Web of Science en los últimos 20 años están escritos en esta lengua. (Badillo, 2021, p 11).

Como nos informa Salatino (2018) a partir do conceito de “fetichismo” utilizado como idealização, que de certa maneira converge com o conceito de Marx (1994)7 o autor considera que o discurso da “indexação” foi absorvida pelo campo intelectual mundial como ideal de comunicação das ciências e da produção de conhecimento veiculada em periódicos. A indexação vista desta maneira se opera como efeito da idealização traduzida em construções simbólica e práticas, recebida em de maneira acrítica e ascética sobre o que significa “qualidade científica” (Salatino, 2018, p.220 Tradução do autor).

É com base nas vozes críticas do sistema de circulação do conhecimento e sua mercantilização que Alperin e Rozemblum (2017) apontam para a necessidade de uma regionalização na formulação de indicadores que possam dar maior propriedade os efeitos pedagógicos sociais e institucionais da produção da ciência em cada região. Talvez por isso, temos recentemente no campo da editoria no Brasil, a rejeição em traduzir artigos científicos para a língua “mater” da ciência, para publicá-los, a fim de que sejam lidos por um outro público.8 Há exceções: em alguns periódicos pátrios se publicam as duas versões concomitantes. Ressaltamos que esse fato vem subsidiado pela chegada de ferramentas tecnológicas de facilitação de acesso ao conhecimento, que a Ciência Aberta proporciona, acessível em qualquer lugar, uma vez que as ferramentas de tradução hoje podem ocorrer de maneira simultânea por meio de aparatos tecnológicos.

Na verdade, o que se pode insinuar são aspectos de natureza excludentes ou preconceituosa com o conhecimento gerado do lado de cá. Com a fetichização de uma única língua científica vem adjunto uma ideologia da modernidade de “colonialidade” do saber explicitado no debate sobre a decolonialidade atual (Jardilino; Silva, 2024).

A partir da reflexão acima, a literatura do campo e os esforços de cooperação Ibero-Americana, traduzidos nas declarações, acordos e reuniões (internacionais) e da região - Declaração de Budapest (BOAI - Budapest Open Access Initiative) para acesso aberto (2002); Reunión de Ministros y Máximas Autoridades de Ciencia y Tecnología (Remcyt); OEA (2009); Plan de acción de Guatemala; Innovación inclusiva: clave para reducir la desigualdad y aumentar la productividad en la región, OEA (2015); Cuarta reunión de ministros y altas autoridades de ciencia y tecnología (REMCYT), 10 y 11 de marzo de 2015. Ciudad de Guatemala, Guatemala; Declaración de Medellín: la ciencia, la tecnología y la innovación como pilares de la transformación en las Américas; Quinta reunión de ministros y altas autoridades de ciencia y tecnología, 2 y 3 de noviembre de 2017; Medellín, Colombia, OEA (2017); Observatorio Iberoamericano de la Ciencia, la Tecnología y la Sociedad, OEA e OEI (2021). Enfim, todos estes espaços têm demostrado que há na região um avanço sobre o tema, embora pouco mencionados em reuniões de editores, eles são avanços importantes para a visibilidade e acesso aos meios de divulgação científica em Iberoamérica (revistas e/ou periódicos científicos):

Conforme Alonso-Gamboa y Cetto (2015), en décadas recientes el conocimiento, difusión, acceso y uso de las publicaciones de la región iberoamericana ha sido resultado del surgimiento de diversas iniciativas regionales cooperativas de información, que difunden contenidos sobre las revistas académicas y científicas publicadas en América Latina, España y Portugal. Según los autores, la posición secundaria que aún guardan las revistas iberoamericanas en el concierto internacional se debe en gran medida al hecho de no formar parte del mercado de información controlado por las grandes editoriales comerciales y cuya cobertura está dirigida principalmente a las revistas editadas en Europa Occidental y América del Norte. Resultan escasas las revistas de América Latina, España y Portugal que forman parte de ese sector comercial (p. 136).

Estes elementos podem nos indicar que a temática da Ciência Aberta em suas diversas facetas pode proporcionar à região uma clara reação à concepção de mercadoria que se instalou na comunicação científica, em boa parte de empresas editoriais que tentam controlar as revistas e indicar um modelo de avaliação da ciência, segundo as regras do mercado (Guédon, 2018), algumas hegemônicas na editoria brasileira.

Como vem indicando a literatura (Alperin; Fischmann; Willinsky, 2012; Alperin, 2014; Gamaboa; Cetto, 2015) com a iniciativa de criação de diversos repositórios, serviços e redes de serviços de indexação em Iberoamérica (DIALNET, REDIB) na Espanha e (LATINDEX, SciELO e Redalyc) nos países latino-americanos, a região Ibero-Americana aponta com uma possibilidade de atender aos anseios de uma Ciência Aberta em sintonia com a educação democrática, tendo como parâmetro as exigências de uma Ciência dirigida aos objetivos do desenvolvimento sustentável e da justiça social.

Esta mirada para o “além-mar” e para dentro de nossas configurações regionais, tendo como parâmetro o volume que estas iniciativas alcançam (mais de 14 mil periódicos científicos) organizadas e avaliadas por meio de uma gestão considerável de qualidade no computo da produção nacional, pelos critérios editoriais adotados e visibilidade do conhecimento regional, nos permitem prospectar o interesse do mercado internacional no filão ibero e latino-americano. Importa, contudo, que os governos da região elaborem políticas de Ciência e Tecnologia e o seu respectivo financiamento, com fins a mantê-la aberta e acessível a todos como bem comum, protegendo-as das investidas e garras do capital. Isso não é tarefa do científico/pesquisador, porém deve ser uma postura de Estado. Uma Política.

4. Adaptações e Enfrentamentos: reflexões para o futuro

Uma das principais mudanças no processo editorial foi a adoção do modelo de acesso aberto, que permitiu que artigos fossem livremente acessados e compartilhados. No entanto, essa transição envolveu repensar modelos de negócios tradicionais para sustentar financeiramente as publicações sem comprometer a qualidade e a integridade dos trabalhos publicados. Periódicos que cobravam assinaturas ou que estavam em editoras que cobravam para que o leitor pudesse aceder aos artigos, precisaram sair destas bases e deste modelo e passaram a fazer parte de outras bases de dados - na América Latina temos o SciELO, Redalyc, Latindex, especificamente de Educação temos o Educ@ - que não cobram para que o leitor possa ler, baixar e compartilhar o artigo. A discussão em torno dos custos de publicação, especialmente as taxas de processamento de artigos, é central e gera muita discussão, com esforços para manter esses custos acessíveis. É neste aspecto que podemos entender a nova portaria da CAPES a este respeito.9

O movimento pela CA ganhou impulso inicialmente pelo acesso aberto a publicações científicas, emergindo no fim do século XX como resposta aos altos preços das editoras comerciais. Esse período também viu o reforço dos regimes de propriedade intelectual, contribuindo para a privatização do conhecimento. Paralelamente, o surgimento de plataformas digitais e a internet facilitaram a abertura e compartilhamento de conhecimento, destacando a inadequação de barreiras legais e econômicas à disseminação de informações científicas. Esse contexto sugere que a abertura da ciência pode aumentar a produtividade, qualidade, retorno social da pesquisa, e promover colaboração e reprodutibilidade.

Outra adaptação significativa tem sido a experimentação com formas mais transparentes de revisão por pares. Isso inclui a divulgação das identidades dos revisores e a publicação das avaliações. Tais práticas visam aumentar a transparência e a confiabilidade do processo editorial, embora também apresentem desafios, como a aceitação dessa abertura por parte dos pesquisadores e o potencial impacto nas ampliam as dinâmicas de avaliação acadêmica (Pérez, 2018).

Na região Ibero-americana, como vimos, procurou-se criar alternativas aos processos de validade da ciência por meio de editoriais com clara orientação de mercado. Porém a hegemonia da chamada língua da ciência, ainda impera na tomada de decisão dos pesquisadores na hora de divulgar seus achados científicos. Este artigo é provocativo e pretende levar a reflexão na editoria de periódicos no Brasil para ir além dos parâmetros e critério estabelecidos por editorias do mercado da comunicação científica. A literatura tem considerado o contexto Ibero-americano como uma região propícia à implantação de uma Ciência Aberta com fins à democratização do conhecimento e com um acento na equidade social do conhecimento.

Além das mudanças nos processos editoriais, há um movimento internacional em direção ao uso de métricas alternativas para avaliar o impacto da pesquisa, que vai além do tradicional Fator de Impacto. Isso inclui métricas a nível de artigo que proporcionam uma visão mais granular e diversificada do impacto acadêmico (Pérez, 2018).

Os editores também têm se adaptado para incluir a gestão de dados abertos, alinhando-se aos princípios FAIR para assegurar que os dados de pesquisa sejam localizáveis, acessíveis, interoperáveis e reutilizáveis. Isso envolve criar infraestruturas para armazenar e compartilhar dados de pesquisa de forma segura e eficaz, no Brasil temos o SciELO data (https://data.scielo.org) , que aos poucos está se tornando um grande repositório de dados abertos, contudo, apenas para revistas que estejam na base de dados SciELO BR (www.scielo.br). Porém, o acesso aos dados lá publicados é para todos que acessarem o SciELO data.

A publicação de preprints e a avaliação aberta têm sido promovidas como formas de acelerar a disseminação da pesquisa e fomentar uma discussão mais ampla entre a comunidade científica antes da publicação formal (Jurberg, 2023).

Aqui no Brasil, poucos periódicos adotam a revisão por pares completamente aberta, sendo mais usual a semiaberta, onde o avaliador sabe quem é o autor, por se tratar de um artigo que já foi publicado como preprint (Pérez, 2018) A hegemonia pertence à avaliação no sistema duplo-cego10.

Mas, na área da Educação, há indícios que isso pode mudar num futuro breve, porque há revistas que já dialogam com os avaliadores e autores sobre a implementação de uma avaliação completamente aberta.

Recentemente, a fundação Bill e Melinda Gates anunciou que deixará de financiar o pagamento de taxas para que os pesquisadores, que recebem milhões em financiamento da fundação, publiquem suas pesquisas em editoras como Springer e Nature no formato acesso aberto. Em vez disso, os pesquisadores deverão utilizar repositórios de preprints. Esta mudança poderá impulsionar ainda mais este tipo de publicação e alterar o futuro dos periódicos científicos. A fundação é citada como exemplo devido às centenas de milhões de dólares que doa para pesquisas e para a publicação de artigos em diversas áreas, por meio de APC (Sever, 2024).

Entre os motivos para a implementação da nova política pela Fundação Gates, ressalta-se que o modelo de publicação em acesso aberto não sofreu alterações significativas ao longo de mais de uma década, o que propiciou o surgimento de práticas nocivas como avaliações por pares de credibilidade questionável, fábricas de artigos e preços de processamento de artigos nada transparentes. Com a preferência pelo uso de preprints, a Fundação visa priorizar o acesso direto à pesquisa em detrimento de periódicos específicos; enfrentar as desigualdades inerentes aos modelos de publicação vigentes, através da eliminação do financiamento das taxas de processamento de artigos; e fomentar uma estrutura de acesso aberto que garanta a disponibilidade ampla de artigos e dados (Nassi-Calò, 2024).

Conforme a decisão da Fundação Gates esses objetivos devem ser alcançados por meio dos preprints, sem, contudo, eliminar os artigos publicados em revistas científicas. Contudo, a nosso ver, esta decisão, se seguida por outras instituições ou Ministérios científicos, poderá sim, impactar a existência dos periódicos. Impacto que só será visível no final da próxima década.

Portanto, o movimento da Ciência Aberta, especificamente na Ibero-América ainda enfrenta questionamentos. Embora essas transformações sejam motivadas pelo reconhecimento de que práticas de CA podem resultar em uma pesquisa mais colaborativa, transparente e inclusiva, existe também a preocupação de que a adoção massiva de preprints pelos pesquisadores possa eventualmente levar à extinção da publicação de artigos em periódicos tradicionais.

No entanto, cada uma dessas mudanças apresenta desafios únicos que exigem adaptações cuidadosas por parte dos editores para equilibrar abertura, qualidade e sustentabilidade. A implementação bem-sucedida dessas práticas continuará a evoluir à medida que a comunidade acadêmica se adapta e responde ao cenário dinâmico da publicação científica.

5. À guisa de conclusão: impacto na Educação e Pesquisa

As práticas da Ciência Aberta têm o potencial de tornar a pesquisa em Educação mais colaborativa e inclusiva. Ao permitir o acesso mais amplo aos resultados de pesquisa e aos dados subjacentes, facilita-se uma ciência mais robusta que pode ser construída coletivamente pela comunidade global.

Por outro lado, torna-se necessário levar em consideração que os editores da área da Educação precisam lidar com algumas das questões trazidas pela Ciência Aberta, entre elas, aceitar ou não preprints, estimular ou não o pesquisador a compartilhar os dados de pesquisa, completa ou parcialmente, abrir ou não a avaliação dos artigos, levando-se em conta que para alguns editores, representa um desafio abandonar um sistema de avaliação por pares, o duplo-cego, consolidado ao longo do século XX, em favor de outro sistema que, embora ofereça maior transparência, suscita numerosas incertezas (ego dos autores e dos avaliadores, possibilidade de injustiças em processos de avaliação futuros em que os papeis se invertam, avaliações mais parciais, em virtude da abertura das identidades das duas partes). Ao mesmo tempo que começam a reconhecer que esta não é uma tendência passageira, mas sim um movimento que pretende disponibilizar uma nova maneira de conceber e realizar a ciência, que, juntamente com o principal pilar do movimento - o acesso aberto -, surgiu para desmantelar estruturas já estabelecidas.

Nos últimos anos, os editores de revistas científicas da área da Educação têm enfrentado vários desafios e realizado adaptações significativas para implementar práticas da Ciência Aberta. A começar pela compreensão do que é o movimento. Estas mudanças refletem um compromisso crescente com a transparência, o acesso e a colaboração na pesquisa acadêmica no espaço Ibero-americano.

Em síntese, a adoção da Ciência Aberta no setor editorial da área da Educação no espaço Ibero-americano está transformando as práticas tradicionais de publicação e introduzindo uma gama de desafios que devem ser superados para que se possa aproveitar plenamente seus benefícios potenciais. As revistas e os editores e editoras que conseguirem navegar por essas mudanças de maneira eficaz serão fundamentais para moldar o futuro da comunicação científica na área da Educação. Afinal, concorda-se com Dias (2024), quando afirma que a inovação e a renovação na área da Educação são bem-vindas, se entendermos o campo da Educação - ensino, pesquisa, editoria, área do conhecimento, ferramenta de transformação da sociedade - como uma prática social e como um processo.

1Aqui no Brasil, o Scielo Preprints já permite que o leitor, leigo ou pesquisador, possa fazer comentários e/ou avaliações abertas nos preprints lá publicados. Ver: https://preprints.scielo.org/index.php/scielo/annotations.

2Sobre o plano S. Disponível em: https://acsopenscience.org/funders/plan-s/ . Acesso em: 29 maio 2024.

3Vide os mais de 140 artigos já publicados este ano na aba das ciências humanas no SciELO preprints:https://preprints.scielo.org/index.php/scielo/preprints/section/human/8

6Estamos nos referindo ao repositório da Harvard e ao Zenodo: https://dataverse.harvard.edu/ ou https://zenodo.org/

7O conceito de fetichismo tem origem no pensamento de Marx feita ao apontar as características do sistema político-econômico ao ocultar as características próprias da mercadoria e seu valor de troca (segredo). Porém este conceito parece em muitos lugares na obra de Marx como uma ferramenta muito útil para desvelar os segredos da economia política e dos modos de produção capitalista.

8Não é comum, mas, vez ou outra, encontramos texto escritos em português e espanhol citados em publicações em inglês.

9O governo brasileiro acabou de publicar a portaria nº 120, de 26 de Abril de 2024 que Dispõe sobre o pagamento de Taxas de Processamento de Artigo para publicações com acesso aberto no âmbito do Programa de Apoio à Disseminação de Informação Científica e Tecnológica (PADICT).

10Porém, para os preprints, no repositório scielo, há uma aba para que qualquer um possa avaliar o artigo publicado: https://preprints.scielo.org/index.php/scielo/preprints-review

Como citar: DIAS, E. S. de A. C.; JARDILINO, J. R. L. O campo editorial e os desafios contemporâneos: devaneios sobre a Ciência Aberta. Revista Diálogo Educacional, Curitiba, PUCPRESS, v. 24, n. 82, p. 925-942, 2024. https://doi.org/10.7213/1981-416X.24.082.DS05

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Recebido: 30 de Abril de 2024; Aceito: 05 de Agosto de 2024

[a] Doutora em História pela Universidade Nova de Lisboa (UNL), e-mail: erikasimonedias@gmail.com

[b] Doutor em Ciências Sociais Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, e-mail: jrjardilino@ufop.edu.br

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