Introdução
A Revista Educação em Questão foi oficialmente criada na Reunião Plenária dos Professores do Departamento de Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Norte do dia 18 de abril de 1986. A primeira edição foi solenemente lançada em 28 de agosto de 1987, quando o Mestrado em Educação dessa instituição universitária com áreas de concentração em Pré-Escolar e Tecnologia Educacional (criado pela Resolução nº 105/77 do Consepe, de 15 de agosto de 1977), completava nove anos.
Desde o princípio, conforme Carta Circular nº 01, de 15 de julho de 1986, a Revista Educação em Questão vinha a público com a missão de “[...] estimular, divulgar e ampliar a produção do conhecimento científico da Área da Educação, situada no contexto histórico”. Almejando o intercâmbio intelectual das ideias educacionais em divulgação no país e no exterior, o Conselho Editorial composto por docentes, era formado por um Comitê Científico Internacional (Louis Marmoz, da Universidade de Caen - França) e um Comitê Científico Nacional (Carlos Roberto Jamil Cury, Gilberto Luiz Alves e Marieta Cruz Dias Teixeira, respectivamente das Universidades Federais de Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Goiás).
Os procedimentos acadêmicos concernentes à gestão editorial das seções da Revista (artigos, resenhas, relatos de pesquisas e de experiências educacionais, resumos de teses e dissertações, entrevistas com pensadores brasileiros e estrangeiros, informes, painel de revistas de educação etc.) seriam encargos do Conselho Deliberativo, da Comissão Editorial, do Editor Responsável e do Editor Assistente.
Na seção Painel de Revistas de Educação (1988), por exemplo, a partir da publicação da primeira edição (jan./jun.1987), o gestor do Conselho Editorial pleiteou a permuta da Revista Educação em Questão com periódicos de educação então publicados em instituições universitárias de ensino e pesquisa, além de orgãos públicos e privados. Ao mesmo tempo, publicou, mediante solicitação dos editores, 49 títulos de periódicos entre 1987 (ano da criação) e 1999 (ano do encerramento), portanto, no período de 12 anos.
O conhecimento de domínio teórico e empírico da área de educação divulgado por tais periódicos corroborava, por um lado, a divulgação da literatura atualizada concernente a esse campo de estudos e pesquisas; por outro lado, colaborava na construção das dissertações dos mestrados das áreas de concentração em Pré-Escolar e Tecnologia Educacional. O teórico da Filosofia da ciência Thomas Kuhn (2006, p. 214) evidencia que o conhecimento científico, quando se desenvolve no plano da amplitude, “[...] se manifesta, principalmente, através da proliferação de especialidades e não através do âmbito de uma única especialidade [...]”, o que era o caso daquelas áreas de concentração do Mestrado em Educação da UFRN.
Em princípio, o gestor da seção de Painel de Revistas não vislumbraria reciprocidades subsequentes em razão das crescentes permutas? A respeito disso, Cadernos de Pesquisa, da Fundação Carlos Chagas, foi um dos primeiros periódicos a postular a permuta com a Revista Educação em Questão, além de destinar um Destaque Editorial (edição de maio de 1992) a essa Revista, o qual foi publicado na edição jul./dez. 1993.
O aspecto mais marcante da Educação em Questão parece ser a busca de uma diretriz no equilíbrio entre a divulgação da produção dos docentes e discentes da Universidade e a publicação de autores nacionais e estrangeiros clássicos da área. [...] O que possibilita o confronto dos avanços é, de um lado, as elaborações de teóricas de renomes internacionais (como Manacorda e Snyders, em entrevistas exclusivas para a Revista), e de outro, as produções de autores brasileiros mais conhecidos (Dermeval Saviani, Carlos Jamil Cury, Vanilda Paiva etc). [...] (Educação em Questão - destaque editorial, 1993, p. 204, grifo nosso).
A matéria do Destaque Editorial de Cadernos de Pesquisa, naquele ano de 1993, fez-nos, por seu turno, admitir a viabilidade de o Programa de Pós-Graduação em Educação da UFRN vir a sediar a Red Latinoamericana de Información y Documentación em Educación - REDUC, que foi divulgada na Seção Informes da Revista Educação em Questão (edição jul./dez. 1993).
O Programa de Pós-Graduação em Educação - UFRN foi o escolhido para sediar um Centro Difusor Latino-Americano de Informação e Documentação Educacional. A REDUC é representada no Brasil pela Fundação Carlos Chagas - um dos Centros Nacionales y Associados - que decidiu aumentar a capacidade da Rede, criando outros Centros Difusores como o de Natal (Reduc, 1993, p. 205).
O fato é que, justamente nesse mês de dezembro de 1993, quando ocorreu a institucionalização do REDUC, no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Educação da UFRN, o Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão da UFRN emitiu um parecer favorável à criação do curso de Doutorado em Educação (Resolução nº 257-A/93 do Consepe, 21 de dezembro de 1993), que foi matéria da seção Informes da Revista.
O Programa de Pós-Graduação em Educação da UFRN implantou o Curso de Doutorado em Educação, que deverá receber a sua primeira turma em agosto de 1994. A criação do Curso de Doutorado foi possível devido à consolidação de cinco Núcleos de Pesquisas. A sua estrutura é moderna, flexível e fórum de discussão com professores pesquisadores do Nordeste e com professores pesquisadores de universidades nacionais e internacionais (Curso de Doutorado, 1993, p. 205).
Apesar da Revista Educação em Questão ser originalmente impressa e contar com extensiva divulgação (bibliotecas de universidades e faculdades, assinaturas individuais e institucionais, livrarias etc.), sua periodicidade e a sua circulação estavam, reiteradamente, em atraso. Por isso subsequentes editores julgaram os óbices restritivos para uma bem-sucedida gestão editorial. Na altura de seus 16 anos (1987-2003), não mais do que 15 edições vieram à público, com 126 artigos e 21 resenhas.
A despeito desses óbices, o Editorial (jan./abr. 2004) sobrelevava a expressividade da Revista na coleção dos periódicos brasileiros de educação, com a contrapartida da credibilidade que gozava nas comunidades de pesquisadores:
Nesses 17 anos de vida, o Conselho Editorial da Revista Educação em Questão lutou sem tréguas para manter a sua circulação - a despeito das dificuldades enfrentadas na sua periodicidade - por saber da sua relevância no conjunto dos periódicos educacionais do país e pesquisadores (Editorial, 2004, p. 7).
Na constelação dos óbices restritivos de uma gestão editorial bem-sucedida, encontravam-se aqueles evidenciados por Araújo e Oliveira (2016), a saber, as sucessivas avaliações medianas da Revista (2001-2007) pelo então sistema de classificação do Qualis/Capes, circunscritas nos estratos Nacional C (2001, 2003 e 2005) e Nacional B (2006 e 2007).
Nesse sistema de classificação do Qualis/Periódicos, a escala de avaliação compreendia os critérios de Normatização, Publicação, Circulação, Autoria, Conteúdo e Gestão Editorial, além dos correspondentes subcritérios. Conforme a Ficha de Avaliação da Revista Educação em Questão (ano de 2007), os critérios de Circulação e de Gestão Editorial foram, respectivamente, avaliados em 7,5 (pontos possíveis 10,0) e 6,5 (pontos possíveis 10,0). Aliás, no tempo de 2 anos (2004-2006) - coincidente com aquelas avaliações medianas da Revista - 9 edições foram publicadas, com 86 artigos e 8 resenhas.
Em vista das dimensões qualitativa e quantitativa do Qualis/Periódicos, o Relatório da Comissão de Avaliação dos Periódicos Brasileiros de Educação (ANPEd, 2001 - 1ª fase, p. 3) já recomendava que avaliações posteriores contemplassem “[...] o impacto do periódico, dentre outros aspectos qualitativos”. Aliás, admitem Araújo, Oliveira e Moraes (2023, p. 6) que a intenção precípua da Comissão Avaliadora seria, justamente, fazer com que a comunidade científica de editores “[...] observasse a dimensão do fator de impacto das citações de artigos contígua ao dos indexadores condizentes, que daí em diante estavam implicados nos procedimentos avaliativos das políticas editoriais”.
Conforme as pesquisas de Araújo e Brito (2018), no ano de 2007, o Conselho Técnico-Científico da Educação Superior (CTC-ES) da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal do Ensino Superior (Capes) aprovou o presente Qualis/Periódicos, compreendendo um sistema de classificação com sete estratos: A1, A2; B1; B2, B3, B4 e B5, além do estrato C. Por essa razão, a diretora de Avaliação da Capes (2016-2018), Rita de Cássia Barradas Barata (2016), admitia que o Qualis/Periódico então vigente favorecia agregar o aspecto qualitativo ao quantitativo, os quais se sucedem na exata medida de seu tempo de circulação e de gestão editorial, para a avaliação da produção intelectual publicada pelos periódicos em geral.
Quando um grupo de pesquisadores apresenta um dossiê intitulado Editoração de periódicos científicos em Educação: tópicos contemporâneos, por conseguinte, almeja que se publiquem artigos que propiciem o aprofundamento de estudos correlatos à proposta.
À vista disso, propusemos-nos refletir acerca da produção da gestão editorial de um periódico de educação específico para reconstituir, pelo crivo do corpus da pesquisa, as interdependências notórias e subjacentes e as “variações das mudanças” (denominação emprestada de Bachelard, 2005, p. 38) de 2007 (ano do primeiro delineamento da produção da gestão editorial) a 2023 (último ano de registro dessa produção).
É o que aqui pretendemos em relação à produção da gestão editorial da Revista Educação em Questão como objeto de estudo, com a perspectiva histórica como parâmetro analítico.
Metodologicamente, o presente artigo de cunho histórico, faz uso do entendimento da dimensão temporal de Elias (1998, p. 60), especialmente pela concepção de que “[...] a capacidade humana de relacionar sequências diferentes de mudanças [...], uma delas servindo de escala de referência para a outra ou as outras [...]”, constitui o alicerce para suas interdependências.
Para Elias (1998, p. 12), a dimensão temporal traduz, antes de tudo, os esforços envidados “[...] capazes de abarcar e de reunir, numa síntese empírica e conceitual, aquilo que se apresenta numa sucessão de ocorrências de mudanças em suas relações recíprocas de variações, e não como um conjunto”. De um certo modo, como atesta Reis (2000, p. 83), os fenômenos historicamente estudados são abordáveis no plano da cientificidade, “[...] porque se repetem, são mensuráveis, variáveis e empiricamente verificáveis”.
Assumindo a perspectiva histórica, o estudo está organizado no continuum de duas sequências - A sequência das variações de mudanças no tempo de sete anos (2007-2014) e As sequências das variações de mudanças no tempo de oito anos (2015-2023) -, basicamente porque as fontes documentais da pesquisa combinam as matérias dos editoriais da Revista com as pesquisas quantitativas produzidas pelo editor responsável. Os editoriais eram, por vezes, as instâncias que divulgavam o trabalho da gestão editorial.
A sequência das variações de mudanças no tempo de sete anos (2007-2014)
No ano de 2007, transcorridos 20 anos de circulação da Revista Educação em Questão, o Editorial (set./dez. 2007, p. 4) veiculava, pela primeira vez, o delineamento da produção da gestão editorial, “[...] para que ela mesma se torne um instrumento de mudanças institucionais [...],” na medida em que se preconiza a editoração acadêmica e a publicação de artigos tanto nas versões impressas quanto em meio digital. Ademais, o Editorial demarcava a convergência e a sinergia da Revista na divulgação das reflexões sistematizadas da área de educação, que qualifica o tempo presente como uma sociedade do conhecimento globalizado. Nesse ano, a periodicidade de publicação em três edições anuais quadrimestral desde 2004, ao mesmo tempo que os indexadores nacionais (Diadoriam, BBE e Edubase) e internacionais (Latindex e Clase) preservavam-se no continuum do ano de 2006.
O Editorial (jan./abr. 2009, p. 8) externava que a Revista (na época apenas impressa) deveria alcancar a produção de uma gestão editorial em andamento na “[...] divulgação universal do conhecimento produzido, fazendo com que pesquisadores se aproximem numa corrente crescente de interações acadêmicas e científicas”. Por seu turno, a divulgação e a circulação do conhecimento educacional viabilizavam-se nos moldes de uma revista impressa, mas já lançando mão de uma comunicação institucionalizada via e-mails. Daí, a hipótese do Conselho Editorial de haver uma interdependência da versão impressa com a versão online para o alcance universal.
O Editorial (set./dez. 2010, p. 7) enfatizava a necessidade de a Revista Educação em Questão “[...] fazer jus ao seu nome e a sua história de quase 25 anos e que nos próximos anos contemple as nossas esperanças de inovação e afastem nossos receios”. Aquele tempo de confluência das tecnologias intelectuais inovadoras (internet, editoração eletrônica, e-ISSN, leitura do texto na tela etc.) permeava a acepção de periódicos científicos de acesso aberto mais do que antes.
A par desse tempo de fronteiras, o Editorial (jul./dez. 2011, p. 5) frisava: “De diversas maneiras foram as mudanças acadêmicas e institucionais da Revista [...]”. Por isso mesmo, ela foi aprovada para integrar o Portal de Periódicos da UFRN (criado pela Resolução nº 237 do CONSEPE, de 15 de dezembro de 2009), além de ter sido notadamente classificada pelo então Qualis/Periódico (2009-2012) no estrato B1, “[...] o que já indicava o reconhecimento acadêmico”. Desde o início, a avaliação dos periódicos de educação (e de todos os demais) - como é do nosso conhecimento - teria sido realizada à luz de um sistema de classificação que diferenciava e qualificava as publicações mediante critérios eleitos. O periódico avaliado, em princípio, deveria perfazer um conjunto de critérios/indicadores de caráter técnico, acadêmico, científico, além de abranger indexadores nacionais e internacionais e uma política editorial.
É evidente que, no contracanto, havia dissonâncias entre vozes. Contudo, como visto no Editorial (maio./ago. 2013, p. 5) e no Editorial (jan./abr. 2014, p. 9), também havia vozes concordantes no que tange ao fortalecimento da cooperação e da solidariedade interinstitucional dos/das editores/as para fins de “[...] aprofundamento dos procedimentos normativos das políticas editoriais em constantes atualizações e variações, bem como “[...] dos critérios de qualidade científica [...] e dos fatores de impactos de periódicos acadêmicos [...]”. Assim se sucedeu nos V e VI Encontros de Editores Periódicos de Educação das Regiões Norte e Nordeste na Universidade Federal do Maranhão e na Universidade do Estado da Bahia (São Luís, 30 e 31 de agosto de 2013; Salvador, 22 e 23 de abril de 2014).
Encarregávamo-nos, durante e ao término dos Encontros, de “envidar esforços” na colaboração do trabalho intelectual da gestão editorial (com o suporte do conhecimento teórico e técnico e da utilização de tecnologias especializadas) em tudo que viabilizasse a ascensão dos periódicos de educação aos estratos elevados do Qualis/Periódicos. A respeito disso, a morosidade na impressão das edições era um dos obstáculos enfrentados pela Revista Educação em Questão no tocante à cadeia contígua de editoração.
Em contrapartida, havia a demonstração da produção da gestão editorial conduzir-se pelo conhecimento teórico e técnico e pela utilização de tecnologias especializadas, diga-se, mediante aquiescência da Revista Educação em Questão (com o sitehttps://periodicos.ufrn.br/educacaoemquestao/) integrar, no primeiro semestre de 2014, o chamado Portal Eletrônico de Editoração de Revistas (SEER), que era de fato a Plataforma Open Journal Systems (OJS).
Essa plataforma talvez tenha concorrido para induzir uma gestão editorial na editoração científica, necessariamente sequenciada nos fluxos interdependentes - submissão do artigo, conferência, avaliação, editoração eletrônica, normatização, publicação, indexação, divulgação, veiculação do periódico - e na tendência de variações das mudanças em relação aos levantamentos quantitativos que vinham se constituindo. Por esse dado, no tempo de 7 anos (2007-2014), exatamente 23 edições foram veiculadas, com 214 artigos e 19 resenhas.
Aliás, a organicidade da produção da gestão editorial haveria de adiantar-se, a um só tempo, às posteriores sequências, no que compete à utilização das tecnologias digitais, observando as interdependências notórias nos planos qualitativo e quantitativo. Desde então, todos os artigos e resenhas recebiam o registro do Id-Orcid (Open Researcher and Contributor) e do Digital Object Identifier (DOI), o que já preconizava a abertura de alternativas de leitura dos artigos e das resenhas publicadas na versão impressa e por intermédio dessa plataforma digital.
É o que discutiremos na sequência do tempo de oito anos em suas interdependências notórias e subjacentes e em suas variações de mudanças.
As sequências das variações de mudanças no tempo de oito anos (2015-2023)
O Editorial (set./dez. 2015), antes de tudo, assinalava que o Qualis/Periódico (2013-2015) da Revista Educação em Questão foi designado para o estrato A2, para, a seguir, especificar o parecer dos avaliadores ad-hoc:
A consistência da política editorial, a abrangência intitucional dos autores, a diversificação dos temas educacionais e a qualidade científica dos artigos publicados com cuidadoso rigor teórico e metodológico comprovam a relevância da Revista Educação em Questão para a área da Educação (Editorial, 2015, p. 10).
À respeito da gestão editorial, o parecer recomendava que a Revista se mantivesse consentânea com sua permanente renovação concernente aos indicadores via de regra construídos. Em nossas palavras, que a gestão editorial fosse correlata às sequências das variações das mudanças qualitativas e quantitativas de modo contínuo.
O Editorial (jan./abr. 2016) recordava, já na abertura, que a Revista Educação em Questão havia completado 30 anos no dia 18 de abril daquele ano, com consecutivas mudanças institucionais. O ponto alto das consequentes variações de mudanças seria, particularmente, a Revista estar, desde 2014, entre os 29 periódicos presentes do Portal de Periódicos Eletrônicos da UFRN. Os outros pontos altos das ulteriores variações de mudanças consistiam na indexação da Revista em outros indexadores nacional (Educ@) e internacionais (Redalic, Iresie, DOAJ, OAJI, Publons), além de sua inserção no Portal do Periódicos da Capes e no da UFRN. Ora, as indexações eram indicadores de qualificação do periódico e de uma superior divulgação do conhecimento produzido na área de educação.
O Editorial (jan./mar. 2017) transmitiu aos leitores e autores que, a partir dessa primeira edição de 2017, “[...] a periodicidade da Revista Educação em Questão seria trimestral e ela seria publicada somente em versão eletrônica, que, universalmente, permite a divulgação do conhecimento produzido na área de educação de autores brasileiros e estrangeiros [...]”. Além disso, sua originalidade era conferida por intermédio de ferramentas antiplágio.
O Editorial (abr./jun. 2019, p. 1) esclarecia que, devido a uma política editorial de ética e de boas práticas na produção e na publicação de artigos e de resenhas, haviam sido acrescidas às Normas da Revista os títulos dos documentos que as fundamentam, assim sintetizados:
i) As Diretrizes Básicas para a Integridade na Atividade Científica do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq - 2011); ii) Os Protocolos da Plataforma Brasil por meio do(s) Comitê de Ética em Pesquisa; iii) A Resolução do Conselho Nacional de Saúde de n° 510, de 7 de abril de 2016 (dispõe sobre normas aplicáveis às pesquisas em Ciências Humanas e Sociais); iv) O Documento Preliminar: Ética na Pesquisa em Educação, da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (2017); v) O Código do Comitê de Ética em Publicações - Cope; vi); A Declaração de Avaliação de Pesquisa (Dora); e vii) Os padrões de acessibilidade de documentos digitais do Laboratório de Acessibilidade da Biblioteca Central ‘Zila Mamede’, da UFRN P (Editorial, 2019, p. 1).
O Editorial (out./dez. 2019, p. 1) enfatizava que, nos seus 33 anos, a Revista Educação em Questão sempre passou por ininterruptas mudanças e/ou variações de mudanças, “[...] o que se evidenciava pelos constantes estudos técnicos, acadêmicos e científicos do Conselho Editorial”. No ambiente técnico e tecnológico dos periódicos eletrônicos da UFRN - a plataforma Open Journal Systems “ganhou” a última versão (OJS, 3.1.1.2) - a ferramenta download permitia conhecer a quantidade diária de vezes que um artigo é “baixado” para leitura e pesquisa e, igualmente, viabilizava as estatísticas de acessos, visualizações em países e localidades diversos.
Frente às atualizações das políticas editoriais em suas multíplices interdependências, a produção da gestão editorial confrontava-se, de tempos em tempos, com a imprescindibilidade de outras sequências de variações de mudanças efetivarem-se à vista de um conhecimento especializado. De acordo com Editorial (jan./mar. 2020), desde o dia 13 de novembro de 2019, a gestão editorial adianta-se por outras etapas dos componentes técnicos e tecnológicos da Revista, com a inclusão da licença Creative Commons e com a assinatura de um Termo de Responsabilidade com a Rede Cariniana do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT) comprometendo-se a
i) Encaminhar dados atualizados da Revista Educação em Questão para a Coordenação da Rede Cariniana de cada edição publicada na Internet; ii) Informar quando houver mudanças técnicas na Instalação da Revista como migrações de versão do OJS ou endereço eletrônico; iii) Divulgar a logo do serviço de preservação da Rede Cariniana no Portal da Revista (Editorial, 2020, p. 1).
Todavia, o Editorial (jan./mar. 2021, p. 1) enfatizava que, desde o mês de fevereiro 2020, a produção da gestão editorial da Revista, em toda a extensão do trabalho intelectual, técnico, tecnológico, científico, acadêmico e normativo, era então desenvolvida de forma remota, devido à pandemia da Covid-19 (novo coronavírus). Isso em decorrência do isolamento social e da suspensão das atividades acadêmicas e administrativas presenciais da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, de modo que se dizia “[...] que vivíamos em um tempo de exceção [...]”, que se prolongou até o fim do ano de 2022.
Não seria sem alguma inquietação e expectativa que o Conselho Editorial nos afazeres cotidianos da complexa produção da gestão editorial, em suas multíplices interdependências e variações de mudanças, aguardasse a classificação da Revista de acordo com a definição de cada estrato do Qualis/Periódico (2017-2020). A partir desta avaliação, o Editorial (abr./jun. 2023) trazia ao conhecimento da comunidade científica de pesquisadores da área de educação que:
No ano de 2022, a Revista Educação em Questão foi classificada no Qualis/Periódico A1. Por sua excelência acadêmica e internacionalidade, o Qualis A1 representava o pleno reconhecimento de sua notoriedade pela divulgação do conhecimento em Educação (Editorial, 2023, p. 2, grifo nosso).
No transcorrer do tempo de doze meses (2023), os aportes dos conhecimentos técnicos, tecnológicos, acadêmicos e cientificos intervenientes na produção da gestão editorial conduziram a patamares de outras sequências de variações de mudanças, que consistiram desde a divulgação dos artigos e resenhas publicados na Revista Educação em Questão em mídias sociais (Fecebook, Instragram, X, antes Twitter) até comunicações breves.
Ademais, os artigos aprovados em língua portuguesa passaram a ser publicados, concomitantemente, em língua inglesa e/ou língua espanhola, assim como a produção de dados quantitativos e, eventualmente, cálculos estatísticos. Nesse outro tempo de 8 anos (2015-2023), por exemplo, constataram-se outras sequências de variações de mudanças quanto ao número de edições (34), à quantidade de artigos (372) e à parcela de resenhas (34). Logo, no tempo de 36 anos (1987-2023) em que se circunscreve esta pesquisa, tem-se a publicação de 81 edições, 798 artigos e 82 resenhas.
Ora, os,∕as professores,∕professoras editores,∕as - sabem que a produção da gestão editorial depende da constância, da regularidade, das multíplices interdependências, da pontualidade, da dedicação pessoal e do aperfeiçoamento contínuo, por exemplo, dos critérios das Normas de Publicação da Revista. Ao mesmo tempo, da produção de dados quantitativos, ao lado de cálculos estatísticos sobre o desempenho da Revista.
Foi, pois, pelo crivo do Google Acadêmico que elaboramos o gráfico 1, reproduzindo o quantitativo das citações dos artigos entre 2007 e 2023.

Fonte: Google Acadêmico (20 março, 2024).
Gráfico 1 Citações da Revista Educação em Questão (2007-2023)
Nota-se que, nesse tempo de 16 anos, houve uma tendência de variação ascendente das citações dos artigos de autores brasileiros e estrangeiros, quando se compara o ano de 2007 (35) com o de 2023 (739), o que alça a Revista a uma sequência de variação progressiva de citações próxima a uma média de 23% ao ano.
Outrossim, por intermédio da bibliometria do Google Acadêmico, foi averiguada a dimensão do fator de impacto das citações dos artigos mediante o índice H5. O gráfico 2 explicita a tendência das métricas no que concerne à variação das citações no tempo de 16 anos (2007-2023).

Fonte: Métricas calculadas pelas autoras (22 março, 2024).
Gráfico 2 Índice H5 das citações da Revista Educação em Questão (2007-2023)
A par das métricas estimadas no gráfico 2, a variação das citações, nesse tempo de 16 anos (2007-2023), por seu lado, assinala uma tendência de oscilação para cima no comportamento ano a ano, a exemplo de 2010 a 2018: 20; 17; 18; 20; 21; 24; 16 e 22.
No que concerne à correlação de gênero na autoria dos artigos publicados nas sequências do tempo de 7 anos (2007-2014) e de 8 anos (2015-2023) em edições quadrimestrais e, posteriormente, trimestrais, o gráfico 3, por sua parte, evidencia a tendência que vem prevalecendo.

Fonte: Gráfico construído pelas autoras (22 março, 2024).
Gráfico 3 Correlação de gênero na autoria de artigos (2007-2014) e (2015-2023)
De acordo com o gráfico 3 e considerando-se as duas sequências do tempo de 7 e de 8 anos no tocante à autoria dos artigos publicados, a representatividade do gênero feminino em número absoluto, apresenta-se com 266 e 504. No que concerne à representatividade do gênero masculino, a quantidade numérica equivale a 134 e 245, respectivamente.
À produção da gestão editorial compete, outrossim, conferir, ano a ano, a quantidade e os percentuais de acessos e de downloads, que a Revista participa do quadro de uma média de 30 revistas correntes do Portal de Periódicos Eletrônicos da UFRN. O quadro 1 aponta a quantidade numérica (acessos e downloads) da Revista produzida pelas bibliotecárias e bolsistas do Setor de Repositórios Digitais da Biblioteca Central “Zila Mamede”, da UFRN.
Quadro 1 Quantidade de acessos e downloads da Revista Educação em Questão (2014-2023)
| Anos | Acessos | Downloads | |
|---|---|---|---|
| 2023 | 1.619.686 | 1.486.950 | 1º Lugar |
| 2022 | 1.480.072 | 1.320.634 | 1º Lugar |
| 2021 | 1.350.336 | 1.181.847 | 1º Lugar |
| 2020 | 1.215.649 | 998.604 | 1º Lugar |
| 2019 | 987.746* | 843.224** | 1º Lugar* 2º Lugar** |
| 2018 | 724.087 | 642.230 | 2º Lugar |
| 2010-2017*** | 582.734* | 533.220** | 4º Lugar* 3º Lugar** |
Fonte: Portal de Periódicos Eletrônicos da UFRN.
* 1º Lugar em acessos no Portal de Periódicos Eletrônicos da UFRN
** 2º Lugar em downloads no Portal de Periódicos Eletrônicos da UFRN
*** Foi no ano de 2014 que a Revista Educação em Questão integrou o Portal de Periódicos Eletrônicos da UFRN.
No decorrer do tempo de 9 anos (2014-2023) - no quadro das 10+ revistas bem classificadas -, a Revista Educação em Questão aparece em quarto, segundo ou primeiro lugar em quantidade de acessos (2010-2017, 2018 e 2019); em terceiro ou segundo lugar em número de downloads (2010-2017, 2018 e 2019) e em primeiro lugar em acessos e downloads (2020, 2021 e 2023).
Quando se compara a quantidade de acessos por pesquisadores brasileiros e estrangeiros dos anos 2010-2017 (582.734) com a do ano 2023 (1.619.686), constata-se uma sequência progressiva de variação. Em percentual, corresponde a uma variação de aumento de 178%. Observa-se também uma sequência de variação elevada ao comparar-se a parcela de downloads dos anos 2010-2017 (533.220) com a do ano 2023 (1.486.950). A participação, em percentual, faz entrever uma variação ascendente de 179%
É fato que, desde o início do período de que se trata este artigo, particularmente a partir do ano de 2007, a dimensão temporal é, como ilustra Elias (1994, p. 17 e 18), “[...] uma representação simbólica de vastas inter-relações que reúne sequências de caráter individual, social e profissional [...], exigidas pela regulação da vida em geral”.
Apreender o âmago da produção da gestão editorial da Revista Educação em Questão, bem como o conhecimento científico nele interveniente e as variações de mudanças mais ou menos concebidas, além das multíplices interdependências notórias e aquelas transversalmente subjacentes - que, em particular, são: autores brasileiros e estrangeiros, leitores da revista, membros do comitê científico, pareceristas ad-hoc, comunidade científica de editores de periódicos de educação, representantes da área de educação na Capes, gestores do portal de periódicos eletrônicos da UFRN, equipes de indexadores nacionais e internacionais e as formalidades que cercam os protocolos das correspondências e mensagens escritas, dentre outras - simboliza, portanto, as dimensões recíprocas norteadoras do continuum da editoração de um periódico científico em Educação.
Conclusão
A atividade laboral de editores inerente ao processo de editoração científica de periódicos, dentre eles os de educação, conforme o trabalho doutoral de Juliana Gulka (2023, p. 99), “[...] é autodidata, complexa, invisível e muitas vezes anônima [...]”, envolvendo o pensar e o praticar rigorosos e éticos. A saber, a produção da gestão editorial é, frequentemente, encargo de docentes. Na intensidade das demandas do trabalho intelectual subjaz, sem falta, o que Maia (2019, p. 26) qualifica como “[...] grande quantidade de [afazeres] visível e invisível”.
Em qualquer das singularidades da produção da gestão editorial e/ou da gestão acadêmica, é pertinente reproduzir esta ideia de Bourdieu (1988, p. 24): “Quanto mais avançado estiver uma atividade científica e os recursos científicos nela acumulada, supõe-se a posse de um capital científico importante [...]”, por parte de agentes de um campo científico especializado, instituições e produtos acadêmicos. Todavia, para Bourdieu (1988, p. 43), as interrelações são com frequência “[...] invisíveis ou imperceptíveis à primeira vista, entre [essas] realidades aparentemente visíveis [...]”.
Com Bourdieu (2012), é pertinente dizer que a produção da gestão editorial de um periódico de educação específico inscreve-se nas práticas acadêmicas, científicas, normativas, tecnológicas e nas interrelações da comunidade de editores desse campo científico especializado. Por conseguinte, seus produtos acadêmicos são objetos de classificação e de qualificação por meio da lógica do Qualis/Periódicos.
Em quaisquer das particularidades na generalidade da editoração de periódico científico em Educação, como alhures reconheceu Elias (1993), em todas as redes de interdependências sólidas, há produções que se notabilizam mais do que outras.













