Introdução
Quando as pesquisas se vinculam à realidade prática, possuem papel fundamental na vida social, pois permitem a revisão de hábitos, costumes e modelos, além de facilitar a apresentação de novas soluções e a renovação dos desafios. Ciência e sociedade influenciam-se mutuamente neste sistema, que inclui o meio acadêmico e a vida laboral onde as competências profissionais e investigação científica estão atreladas. O aprimoramento profissional requer conhecimentos, tecnologias, inovações entre outros elementos que são produtos da investigação empírica. Em contrapartida, a experiência prática e os saberes de áreas específicas originam novas perspectivas para a pesquisa científica.
Neste campo encontram-se diversos atores, temáticas, demandas e objetivos, sendo que aqui o objeto de discussão é uma revista de caráter formativo que se propõe a transpor as pesquisas para a prática profissional e vice-versa no contexto de uma rede municipal de ensino. Para tanto, a exploração do material e o tratamento dos resultados obtidos juntamente com a interpretação tem como parâmetros de avaliação de revistas os indicadores de Costa e Guimarães (2010); Ferreira (2005); Ferreira e Kryzanowski (2003); Kryzanowsky et al (1991) e Oliveira (2017). O estudo se pauta na discussão de Kuhn (2011) e Latour (2000) sobre o desenvolvimento a ciência, no estabelecimento do vínculo da produção científica e das práticas profissionais, conforme preconiza UNESCO (2010), e no caso da Revista Veredas, publicação da Secretaria Municipal da Educação de Curitiba (SME).
Este artigo tem como objetivo ressaltar a relevância do vínculo entre a pesquisa e a prática, valendo-se das experiências compartilhadas na Revista Veredas e investigando as publicações, formatação, organização, projetos e iniciativas que originam publicações além do fluxo contínuo como o Projeto Pesquisa-Ação na Escola (PAE) da Secretaria Municipal da Educação (SME) de Curitiba e o Mestrado Profissional fruto do Termo de Cooperação Técnica entre a UFPR e o município de Curitiba.
A pesquisa e a formação profissional: a contextualização da vida prática
Partindo da premissa que a análise da produção científica envolve o debate da ciência enquanto aplicação prática, Kuhn (2011) suscita discussões sobre a relação entre ciência, sociedade e o papel da comunidade científica na formação do conhecimento especializado. A prática científica, para Kuhn (2011), está associada à compreensão do comportamento e das decisões dos pesquisadores, para além do funcionamento e dos mecanismos da própria ciência. Tal prática extrapola a mera orientação sob a visão de uma metodologia científica; envolve a complexidade da comunidade científica, o contexto histórico, os fatores psicológicos e sociais. O autor apresenta o conceito de "mudança de paradigma" argumentando que o progresso científico não é um processo linear, e sim uma série de revoluções onde um paradigma é substituído por outro. Sendo um paradigma um conjunto de princípios, processos metodológicos e conceitos culturais universalmente reconhecidos que se referem ao trabalho da comunidade científica de uma determinada época (Kuhn, 2011).
Já Latour (1994) argumenta que a ciência não existe por si só, mas sim em redes que possibilitam a circulação dos fatos socialmente determinados e influenciados por interesses intrínsecos e extrínsecos. É uma prática que permite a superação de limitações imediatas e empíricas e está interligada tanto com a natureza das coisas quanto com o contexto social. Segundo Simons (2017), as considerações de Kuhn sobre as renovações científicas podem ser relacionadas à obra de Latour, ainda que haja discrepância entre alguns aspectos das teorias. Mesmo que exista uma visão ambígua de Latour sobre Kuhn, ambos exploram a interação entre a ciência e a sociedade, reconhecendo a importância dos aspectos sociais na construção do conhecimento científico. Enquanto Kuhn enfatiza a mudança de paradigmas e as revoluções científicas, Latour destaca a ação e a prática científica no contexto social mais amplo. Os dois autores incitam a superação da visão tradicional de ciência pela leitura de fatores culturais, históricos e sociais e incorporação dos mesmos em pesquisas.
Conforme Latour (1994), a ciência não é unidirecional; a relação ciência e sociedade é complexa e de mútua dependência. O progresso humano vincula-se à produção científica e, em larga escala, influencia a expansão ou retração de mercados, criação de empregos, produtividade entre outros tantos fatores associados ao conhecimento e apropriação de dados. Nesse sistema social encontra-se a educação, motor de formação dos indivíduos que poderão vir a promover transformações sociais. Latour (2000), propõe uma análise não hierárquica e não linear das relações entre ciência, tecnologia e sociedade priorizando a compreensão da complexidade entre estas áreas. Para Abrantes e Martins (2007), a elaboração científica, na leitura da teoria marxista, interpreta a práxis enquanto meio de transformar o mundo e criar formas de organização social. Sendo assim, a prática científica não se dá apenas enquanto atividade teórica, também como prática com potencial social transformador. A partir dessas reflexões, observa-se que a real compreensão da ciência não se limita a um conjunto de métodos e teorias, mas a uma prática dinâmica e multifacetada que carece de interação com a sociedade para sua efetivação. Quando a ciência se vincula à prática, pode se tornar agente de mudança social, capaz de impactar mercados, empregos, produtividade e educação.
A construção de habilidades e conhecimentos se dá nos mais diversos meios e aqui opta-se por destacar o desenvolvimento profissional e as pesquisas originadas e aplicadas neste mesmo contexto. Na concepção da Fundação Getúlio Vargas (FGV) (2023), instituições e pesquisadores devem trabalhar juntos para que sejam criadas e fortalecidas as condições de formulação e disseminação de pesquisas que busquem soluções para problemas reais, provendo assim efetivas contribuições sociais. Do mesmo modo, se reflete sobre a importância de as instituições nortearem e subsidiarem pesquisas apoiadas em teorias comprovadas, descobertas e soluções possíveis. Ainda, a reportagem da FGV (2023) trata do indispensável compartilhamento de teorias e práticas, envolvendo diretamente a atuação profissional. A divulgação de conhecimentos específicos pode se dar por revistas, impressas ou digitais, mantida por universidades, instituições de pesquisa, sociedades científicas, empresas editoriais ou outras entidades. Enquanto ferramenta significativa para o compartilhamento de ideias e para o avanço do conhecimento, tais comunicações se consolidam a partir de um processo de avaliação, favorecendo professores, estudantes, profissionais da área, entre outros.
Para Demo (1995) a realidade social como um processo histórico sempre está à espreita de mudanças, sendo as modificações naturais e as estruturas formadas a partir dos processos de mutações, novos fenômenos são gerados, que por sua vez, acarretam o processo histórico. Segundo a Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ) (2017), a ciência é fundamental para o desenvolvimento da sociedade e para a democratização do saber, sendo estabelecida por vários indivíduos e instituições, promovendo o avanço do conhecimento e a resolução de problemas locais e globais. Diniz (2015) argumenta que é necessária a democratização da produção científica, atentando-se ao perigo da simples constatação quantitativa das atividades desenvolvidas. A pauta levantada por Diniz (2013) abre espaço para reflexões acerca do porquê produzir pesquisas, se estas estão inseridas em um contexto e a quem seus resultados beneficiam.
Segundo a UNESCO (2010), a pesquisa na área educacional desempenha um papel fundamental na promoção de uma educação de excelência e do aprimoramento do sistema educacional, promovendo reflexos especialmente na formação docente e na prática educativa. A investigação do campo da educação necessita de subsídios teóricos e práticos, reflexão crítica sobre as práticas pedagógicas, avaliação de políticas educacionais, compreensão dos desafios enfrentados entre diversos outros fatores.
A elaboração de questões para investigação está relacionada aos interesses e circunstâncias socialmente condicionadas. Em um ciclo sem fim, experiências baseiam análises e interpretações que, por sua vez, geram comportamentos e novas experiências. Para Minayo (2001, p.17), "[...] nada pode ser intelectualmente um problema, se não tiver sido, em primeiro lugar, um problema da vida prática", assim a pesquisa científica, não foge às vivências do cotidiano. Construir o conhecimento científico é um processo complexo que relaciona o sujeito, um ser coletivo, social e histórico, e seu objeto de pesquisa. Tal processo não pode ser reduzido a um único aspecto, pois envolve a natureza das coisas e o contexto social em constante transformação (Abrantes; Martins, 2007).
Debatendo sobre essa mesma esfera, Diniz (2015, p. 204) coloca que “a Ciência evolui sobre os pilares da livre circulação do conhecimento, da construção de novos conceitos a partir da base preexistente, e da identificação pelos pares sobre o que é, de fato, novo para uma determinada área”. A geração e disseminação de conhecimentos, para Gomes e Rosa (2010), têm grande importância, sendo o desenvolvimento intelectual e a produção científica pilares fundantes da formação profissional, permitindo aos profissionais a atualização de seus conhecimentos, o desenvolvimento de suas habilidades e capacidades, contribuindo para a solução de problemas reais. Aqui interpreta-se a formação profissional como processo de desenvolvimento de habilidades e conhecimentos necessários para a prática de uma profissão específica.
Schuchter e Lomba (2021) relacionam a qualidade da educação à qualidade da formação de professores e estabelecem que tal formação deve ser contínua e baseada em conhecimentos teóricos e práticos, bem como Carvalho (2021), que considera que a formação de excelência para os profissionais do magistério garante o direito à educação em âmbito social. Em relatório elaborado pela Comissão Internacional sobre Educação para o século XXI, UNESCO (2010), destaca-se que a formação baseada em competências e na habilidade de pesquisa, com foco na resolução de problemas, é um elemento crucial na formação de profissionais: “...deve ser dada atenção especial ao recrutamento e aperfeiçoamento dos professores de formação pedagógica a fim de que, com o tempo, possam contribuir para a renovação das práticas educativas…” UNESCO (2010, p. 160).
No caso do magistério, a efetiva participação de um (a) professor (a) no mercado de trabalho envolve uma formação acadêmica. O profissional inicia sua trajetória pela graduação em meio às mais diversas disciplinas e ao desenvolvimento de várias habilidades, sendo a formação acadêmica acompanhada pelas formações profissional e pessoal. É necessário observar o mundo para além das bases teóricas, sendo importante ponto de conexão entre a pesquisa e o âmbito do trabalho.
O caso da Revista Veredas
O vínculo entre pesquisa e prática é crucial para o desenvolvimento profissional e desempenha um papel estratégico no setor educacional. Na cidade de Curitiba, no âmbito da educação pública municipal, existe o Programa Veredas Formativas, formulado a partir de uma pesquisa realizada pela Secretaria Municipal da Educação (SME) de Curitiba em 2017 com os servidores municipais da educação, com o intuito de levantar o interesse e as necessidades em relação aos processos de formação profissional da Rede Municipal de Educação (RME) (Curitiba, 2023c).
Em 2018, a SME de Curitiba implementou o Programa Veredas Formativas com a finalidade de impulsionar o desenvolvimento profissional na rede municipal de ensino. A proposta do programa é oferecer aos docentes e demais profissionais técnico-administrativos oportunidades de participação em cursos, palestras, oficinas, workshops, ampliação cultural e outras formações específicas (Curitiba, 2021). A iniciativa pretende que cada profissional se torne responsável por sua própria jornada formativa delineando sua trajetória de aprendizagem. Para Vaillant e Marcelo (2012), é necessário criar condições para os professores aprenderem e, consequentemente, as escolas melhorarem. Sob essa perspectiva, há no próprio ambiente escolar um espaço de formação, desenvolvimento profissional e aprendizagem. Para a efetivação desta ideia, verifica-se a necessidade de ampliar a conexão entre pesquisa e prática, ofertando aos profissionais da educação oportunidades de desenvolvimento profissional significativas.
Após o início do Programa Veredas Formativas em 2018, em setembro de 2019 foi lançada a Revista Veredas, um periódico online da SME de Curitiba. Este periódico se dedicada a compartilhar pesquisas, reflexões educacionais e conteúdos pedagógicos produzidos por acadêmicos, profissionais da SME ou público externo por meio de artigos, relatórios de experiência e resumos expandidos (Curitiba, 2024). A ideia é o que o periódico componha um conjunto de estratégias sistemáticas para aprimoramento da prática profissional com o objetivo de promover uma significativa melhoria na qualidade do ensino, da pesquisa e da gestão educacional (Curitiba, 2021). A Revista Veredas é uma publicação com demanda contínua e publica pesquisas e outras questões formativas relacionadas à educação, tendo como foco a reflexão teórico-prática de autores e leitores destes trabalhos (Curitiba, 2024).
Segundo Ferreira e Krzyzanowski (2003), as avaliações de revista científicas não são recentes, sendo datado, em 1964, o primeiro modelo da UNESCO que mensura e avalia as revistas latino-americanas. Tal referência é seguida de outras discussões e, aqui, os parâmetros a serem analisados partem dos estabelecidos por Ferreira (2005), Costa e Guimarães (2010) e Oliveira (2017).
Costa e Guimarães (2010, p. 82) estabelecem critérios para a análise da qualidade de periódicos científicos em que a avaliação pode ser voltada para os processos ou para os resultados, aqui opta-se pela análise de processos “consideram-se fatores relacionados com a gestão editorial, tais como formação e expertise da equipe editorial (editores, corpo e conselho editoriais), regras de submissão e de avaliação de manuscritos, prazos de avaliação e de disponibilização de artigos aprovados, dentre outros itens”.
Ferreira (2005) especifica dentre seus critérios de análise:
Qualidade do conselho editorial;
Qualidade das regras de submissão;
Distribuição da autoria;
Arbitragem por pares;
Pontualidade;
Periodicidade;
ISSN.
A equipe editorial fixa da Revista Veredas é composta por três grupos distintos. O primeiro grupo é a Comissão Executiva liderada pela Editora-Chefe Prof.ª Dra. Maria Sílvia Bacila1 e conta com os editores-adjuntos Prof. Dr. Oséias Santos de Oliveira2 e Prof.ª Esp. Andressa Woellner Duarte Pereira3. O segundo grupo é a Comissão Consultiva, formada pelos 10 diretores e coordenadores da SME, incluindo 6 especialistas, 3 mestres e uma doutora. Por último, o grupo de produção editorial é composto por servidoras da SME distribuídas entre uma gestora do ambiente virtual (também integrante editorial), 7 integrantes editoriais, sendo 5 doutoras e duas mestres, duas revisoras gramaticais com especialização e uma profissional especialista para suporte técnico. Cada um dos grupos desempenha função específica dentro do processo editorial.
Diniz (2018) argumenta que é necessário a democratizar da produção científica. Neste artigo defende-se concepção de que tal democratização, representada aqui no conceito de pesquisa, se dá com valorização das experiências de profissionais e acadêmicos que atuam e pesquisam; independentemente de sua formação. Ainda é preciso expandir os conhecimentos por meio de ações formativas e trocas recorrentes. Dessa forma, a equipe editorial deste periódico de caráter formativo é estabelecida por profissionais com diferentes níveis de formação que contribuem tanto com conhecimentos teóricos, discussões, reflexões e vivências, o que está alinhado com a abordagem adotada para aceite de autores.
Sobre a disponibilização, a Revista Veredas (Curitiba, 2024) é de Acesso Aberto, pois as transmissões de conteúdos, a submissão, a avaliação e a publicação de textos são realizadas sem taxas, que é, de acordo com Costa e Guimarães (2010, p. 81), “a disponibilidade livre e irrestrita, em meio eletrônico, da literatura que os pesquisadores entregam ao mundo sem esperar pagamento em retorno”, sendo essa uma das qualidades em periódicos científicos. De acordo com o critério de qualidade de Ferreira (2005), a Revista possui ISSN n.º 2675-3715, porém a mesma não possui Qualis. Segundo a Prof.ª Dr.ª Rita de Cássia Barradas Barata, Diretora de Avaliação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) do Ministério da Educação de 2016 a 2018:
O Qualis Periódicos é uma das ferramentas utilizadas para a avaliação dos programas de pós-graduação no Brasil. Tem como função auxiliar os comitês de avaliação no processo de análise e de qualificação da produção bibliográfica dos docentes e discentes dos programas de pós-graduação credenciados pela CAPES. Ao lado do sistema de classificação de capítulos e livros, o Qualis Periódicos é um dos instrumentos fundamentais para a avaliação do quesito produção intelectual, agregando o aspecto quantitativo ao qualitativo (Barradas Barata, 2016, p. 16).
Ainda destaca o critério de estabelecimento do Qualis:
O Qualis não é uma base de indexação de periódicos - este é o ponto que provavelmente gera maior confusão entre os editores científicos e é fonte de inúmeras consultas aos coordenadores de área. Vários são os editores que solicitam a inclusão, vale dizer a indexação, de seus periódicos na lista do Qualis. Entretanto, tal solicitação não tem sentido visto que o Qualis só existe como ferramenta para a avaliação de programas (Barradas Barata, 2016, p. 17).
A partir de tais colocações, evidencia-se a impossibilidade de a Revista Veredas possuir uma classificação Qualis, pois não está vinculada a programas de pós-graduação.
Segundo Kryzanowski et al. (1991), são necessários critérios de frequência de publicação para avaliação de um periódico. No caso da Revista Veredas, há duas ocasiões de publicação: o fluxo contínuo e edições do Projeto Pesquisa-Ação na Escola (PAE), também iniciativa da SME. De setembro de 2019 a maio de 2024, foram publicadas 25 edições da Revista Veredas, sendo 10 de fluxo contínuo e 15 do PAE, uma vez que existem dois contextos de publicação, esses serão abordados individualmente.
O fluxo contínuo da Revista Veredas
São aceitos artigos, relatos de experiência e resumos expandidos produzidos tanto pelos profissionais da educação da RME quanto por outros pesquisadores e acadêmicos, sendo dois os tipos de publicação: fluxo contínuo e por projetos, processos detalhados a seguir.
As publicações de fluxo contínuo são iniciadas com a submissão de trabalhos no site4 da Revista Veredas. Quando os autores não pertencem à SME de Curitiba, é necessário fazer o cadastro de informações; quando são servidores da SME, são informados login e senha já empregados em outras ações do Programa Veredas Formativas. A revista é de demanda contínua, sendo possível submeter textos ao longo de todo o ano5. Para início do processo de avaliação, as produções devem estar alinhadas com as temáticas da Revista Veredas:
Cidades Educadoras e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável;
Desenvolvimento Profissional Docente;
Direitos Humanos;
Educação Integral;
Gestão Escolar;
Inclusão e Atendimento Educacional Especializado;
Inovação Educacional;
Práticas de Ensino e Aprendizagem;
Outras temáticas pertinentes ao campo educacional.
Quando Kuhn (2011) determina a imprescindibilidade da superação do processo linear de construção do conhecimento, evidencia a necessidade de reestruturações profundas. Os procedimentos adotados pela Revista Veredas caminham neste sentido, uma vez que instituem redes de circulação (Latour, 1994) nas quais são estabelecidas relações entre diferentes atores com o objetivo de compartilhar e construir conhecimento. Ainda que a democratização seja um ponto relevante para a elaboração das redes de circulação do conhecimento, não é possível negligenciar os critérios científicos necessários às publicações. Há dois documentos que regulamentam e orientam o envio e produção de textos que estão disponíveis após cadastro no site, as normas de publicação e o template de publicação. As normas referem-se à submissão de artigos, relatos de experiências e resumos expandidos produzidos pelos profissionais da Rede Municipal de Ensino de Curitiba (RME) e demais interessados da área educacional, sendo que as temáticas elencadas devem relacionar-se às experiências vividas no ambiente escolar ou de suas pesquisas.
São aceitos três tipos de envio: artigo científico, relato de experiência e resumo expandido, definindo-os da seguinte forma:
Artigo científico “...é uma publicação com autoria declarada, que apresenta e discute ideias, métodos, técnicas, processos e resultados nas diversas áreas do conhecimento” (ABNT. NBR 6022, 2003, p. 2).
Relato de experiência é um relato de vivências acadêmica e/ou profissional, cuja característica principal é a descrição da intervenção sendo relevante o embasamento científico e a reflexão crítica (Ludke; Cruz, 2010).
Resumo expandido é a ampliação do resumo simples (ABNT. NBR 6028, 2003), é uma comunicação direta e clara sobre o que está sendo pesquisado, por que e como.
São critérios para assegurar a qualidade da submissão: o envio de textos exclusivamente pelo site do periódico; os trabalhos submetidos via plataforma no modelo de formatação (template) disponível na página da revista; o contato sobre questões específicas e outras informações sobre a Revista realizado exclusivamente pelos canais6 da própria Revista; é vedada qualquer tipo de comunicação entre autores, pareceristas, revisores e outros profissionais participantes do processo de avaliação dos textos, sendo a coordenação de informações entre autores e revisores realizada pela equipe editorial. Sobre a distribuição de autoria, objetivando assegurar a diversidade de autores, cada autor pode submeter até 2 trabalhos por ano nas edições de fluxo contínuo e as produções podem conter até 3 escritores (1 autor e 2 coautores). Colocados tais critérios, corrobora-se com a ideia de qualidade de submissão e de distribuição de autoria elencadas por Ferreira (2005).
Após o envio dos textos pelos autores, a gestora do ambiente virtual realiza uma primeira verificação observando se as normas de publicação foram cumpridas. Em caso negativo, os autores do texto são contatados via e-mail oficial da Revista Veredas, na mensagem é indicado quais normas não foram cumpridas, além de ser enviado o arquivo de normas de publicação e o template da Revista. Em caso positivo, o texto é encaminhado a um parecerista.
A Revistas é revisada por pares (peer reviewed), o que significa que os textos submetidos são avaliados por especialistas na área antes de serem aceitos para publicação, um dos critérios de qualidade levantado por Kryzanowski et al. (1991). Para Gross (2020), o rito dos periódicos envolve uma avaliação duplamente cega que garanta o anonimato entre autores e pareceristas durante o processo, sendo o editor do periódico e sua equipe responsáveis por assegurar essa anonimização. Após verificar que a identidade do autor não está revelada, o editor encaminha o artigo para os pareceristas, que podem sugerir a rejeição, aprovação ou modificação do texto como condição para publicação. Com base nos pareceres, o editor toma a decisão final sobre o processo de avaliação, podendo solicitar modificações aos autores ou rejeitar o texto.
Quando do cadastro dos pareceristas, estes respondem a um questionário elencando sobre quais das temáticas da Revista possuem conhecimento e outros temas não elencados que lhes são familiares. Atualmente há 67 pareceristas cadastrados na Revista Veredas, considerando a maior titulação, são: 23 doutores, 30 mestres, 9 especialistas e 5 graduados. Se assume que o grupo de pareceristas ainda é majoritariamente de profissionais da SME, considerando que somente 9 pareceristas são profissionais externos.
Após o aceite do parecerista, inicia-se o ciclo de avaliações.
Quadro 1 Cronograma de avaliação
| Parecerista | Autor (a) | |
|---|---|---|
| 1.ª avaliação | 14 dias para correção | 10 dias para retornar |
| 2.ª avaliação | 1 semana para correção | 1 semana para retornar |
| x.ª avaliação | 1 semana para correção | 1 semana para retornar |
Fonte: Autoras (2024).
Observa-se que no cronograma estão previstas várias avaliações, porém se, após em qualquer das correções por parte do autor, o parecerista entender que o trabalho pode seguir para a próxima etapa, se dá continuidade ao processo. Da mesma forma que, se o parecerista compreender que o texto ainda necessita de revisões, serão realizadas retomadas até as questões sejam esgotadas. A participação de pareceristas garante que os textos submetidos sejam examinados com base em critérios técnicos e metodológicos bem estabelecidos. Na dinâmica estabelecida na Revista Veredas, a avaliação é realizada por um único parecerista, juntamente com a equipe editorial. Posto o caráter formativo do periódico, se considera a avaliação de um parecerista para que esse acompanhe o desenvolvimento do texto em sua integralidade. Ainda, quando há casos de discordâncias entre colocações de autores e pareceristas que necessitem de retomadas, um segundo parecerista é acionado e, se preciso, um terceiro. Durante as devolutivas e correções do texto, tanto as novas escritas dos autores, quanto os apontamentos dos pareceristas são analisados pela equipe editorial. Primeiramente, as integrantes editoriais analisam toda a redação do texto; em seguida, os textos partem para validação da Comissão Consultiva, o representante da área ao qual o texto se refere faz a análise de seu conteúdo. Necessitando retomadas, o mesmo é feito. De acordo com a FGV (2023), é essencial a colaboração entre instituições e cientistas para estabelecer as condições para as pesquisas e resoluções de problemas, é nesta troca entre autores, equipe editorial, pareceristas e leitores que se fortalece o conhecimento.
A estruturação dos procedimentos teórico-metodológicos engloba uma série de fatores e, em meio a tantas questões, é necessário seguir normas de formatação e estruturação, no caso da Revista Veredas, as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). A adequação gramatical e discursiva requer formação e prática constante, também é preciso aproximar as regras de linguagem à estruturação dos procedimentos teórico-metodológicos. Por isso, após a etapa de análise de conteúdo e adequações das submissões, se inicia o processo de revisão ortográfica com a equipe do Núcleo de Mídias Educacionais da SME. O processo de revisão ortográfica possibilita a melhora da qualidade do texto e desenvolvimento de habilidades de escrita mais precisas e profissionais, esse também é um momento formativo, pois as sugestões de correções ortográficas retornam aos autores para que esses realizem as alterações que julgarem necessárias.
Realizadas as verificações da equipe editorial, as avaliações do parecerista, as devolutivas dos autores, a revisão ortográfica e a devolutiva dos autores, inicia-se nova análise da equipe editorial para averiguar se todas as demandas foram atendidas e verificar a possibilidade de publicação e qual a edição pertinente. A Comissão Executiva acompanha e orienta os processos, sendo que, ao final de todo o fluxo, a análise dos textos e a publicação do periódico é realizada por esse grupo.
Cada uma das dez edições de fluxo contínuo da Revista Veredas foi analisada, sendo os critérios considerados os parâmetros de avaliação de revistas os indicadores de Costa e Guimarães (2010); Ferreira (2005); Ferreira e Kryzanowski (2003); Kryzanowsky et al (1991), Oliveira (2017) juntamente com as características anunciadas pela própria publicação. Destacam-se na análise:
Considerando que o periódico publica artigos, relatos de experiência e resumos expandidos desde setembro de 2019, nas dez edições de fluxo contínuo lançadas contabilizam-se:
Tabela 1 Publicações por edição
| Edição | Data de publicação | Total de textos | Total de páginas | Artigos | Relatos de Experiência | Resumos Expandidos |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Vol. 1 n.º 1 | 09/2019 | 13 | 216 | 13 | 0 | 0 |
| Vol. 2 n.º 2 | 03/2020 | 11 | 139 | 4 | 7 | 0 |
| Vol. 2 n.º 3 | 12/2020 | 9 | 120 | 3 | 6 | 0 |
| Vol. 3 n.º 4 | 06/2021 | 7 | 97 | 4 | 3 | 0 |
| Vol. 3 n.º 5 | 12/2021 | 4 | 97 | 3 | 1 | 0 |
| Vol. 4 n. 6 | 06/2022 | 4 | 68 | 3 | 1 | 0 |
| Vol. 4 n.º 7 | 12/2022 | 3 | 59 | 3 | 0 | 0 |
| Vol. 5 n.º 8 | 06/2023 | 7 | 95 | 6 | 1 | 0 |
| Vol.5 n.º 9 | 12/2023 | 9 | 128 | 7 | 2 | 0 |
| Vol. 6 n.º 10 | 05/2023 | 6 | 53 | 1 | 3 | 2 |
| Total | --- | 73 | 1072 | 47 | 24 | 2 |
Fonte: Autoras (2024).
Fica evidenciado o predomínio de artigos científicos, o que revela a natureza de pesquisa, demonstrando o desenvolvimento de estudos e investigações no contexto educacional. Para além da discussão de métodos e técnicas, também se fazem presentes os relatos de experiência, tais trabalhos traduzem a relação entre teoria e prática, evidenciando a interligação entre os aspectos conceituais e as vivências concretas no campo da educação. A periodicidade semestral do fluxo contínuo também se comprova.
A Revista Veredas possui enfoque em 9 temas e admite outras temáticas pertinentes ao campo educacional. A partir de levantamento de dados nas produções especificamente sobre as temáticas, verificou-se a presença de mais de uma temática no mesmo texto, fosse o texto artigo, relato de experiência ou resumo expandido.
Tabela 2 Relação de temáticas abordadas por edição
| Temáticas | n.1 | n.2 | n.3 | n.4 | n.5 | n.6 | n.7 | n.8 | n.9 | n.10 |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Desenvolvimento profissional | 5 | 0 | 1 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 |
| Desenvolvimento profissional docente | 10 | 1 | 1 | 1 | 0 | 0 | 1 | 0 | 0 | 0 |
| Direitos Humanos | 0 | 0 | 1 | 2 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 |
| Educação Integral | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 2 |
| Gestão escolar | 0 | 0 | 0 | 1 | 0 | 0 | 1 | 0 | 0 | 0 |
| Inclusão de uma cidade educadora pautada nos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) |
0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 7 | 0 | 0 |
| Inclusão e atendimento educacional especializado | 1 | 1 | 1 | 0 | 0 | 2 | 1 | 0 | 9 | 1 |
| Inovação educacional | 1 | 0 | 0 | 0 | 1 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 |
| Outras temáticas pertinentes ao campo educacional | 1 | 3 | 1 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 |
| Práticas de ensino e aprendizagem | 1 | 6 | 7 | 5 | 6 | 2 | 1 | 0 | 0 | 3 |
Fonte: Autoras (2024).
Cinco são as temáticas que possuem maior incidência dentre as publicações, sendo a maior ênfase no tema “práticas de ensino e aprendizagem”. Observa-se o interesse em compreender e aprimorar as metodologias e estratégias utilizadas nos contextos educacionais, o desenvolvimento da temática demanda a união entre teoria e prática num contexto específico. Os estudos fornecem informações sobre como os profissionais podem integrar seus conhecimentos e competências às teorias e às experiências de colegas. Sobre as outras quatro temáticas de destaque, tanto o desenvolvimento profissional em geral quanto o desenvolvimento profissional docente são tópicos recorrentes na primeira edição, corroborando a ideia de ser atribuída importância à formação e aprimoramento dos profissionais da educação nesta edição temática7.
O déficit de publicações voltadas à “inclusão de uma cidade educadora pautada nos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS)”, foi sanado com a edição temática sobre Cidades Educadoras8, que teve a participação de diversos autores externos à SME. Bem como a ampliação da discussão da temática “inclusão e o atendimento educacional especializado”, o que promoveu a elaboração de uma edição temática9 com participação exclusiva10 de autores da SME. Discussões sobre o acesso a uma educação de qualidade, conceitos e sobre as práticas desenvolvidas neste contexto estão presentes nesta edição. As temáticas “direitos humanos”; “educação integral”; “gestão escolar” e “inovação educacional” não possuíram número expressivo de publicações, o que demonstra necessidade de ampliação de tais discussões nas futuras publicações do periódico.
Tabela 3 Titulação dos autores nas edições da Revista Veredas
| Edição | Total de autores | Membros da SME | Doutorado | Mestrado | Especialização | Graduação | Ensino Técnico | Ensino Médio |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Vol. 1 n.º 1 | 36 | 36 | 4 | 8 | 22 | 2 | 0 | 0 |
| Vol. 2 n.º 2 | 23 | 23 | 0 | 8 | 10 | 5 | 0 | 0 |
| Vol. 2 n.º 3 | 12 | 12 | 1 | 1 | 4 | 6 | 0 | 0 |
| Vol. 3 n.º 4 | 10 | 10 | 0 | 2 | 4 | 2 | 1 | 1 |
| Vol. 3 n.º 5 | 10 | 8 | 0 | 3 | 3 | 4 | 0 | 0 |
| Vol. 4 n. 6 | 11 | 11 | 1 | 3 | 6 | 1 | 0 | 0 |
| Vol. 4 n.º 7 | 7 | 7 | 1 | 3 | 0 | 3 | 0 | 0 |
| Vol. 5 n.º 8 | 9 | 1 | 7 | 1 | 1 | 0 | 0 | 0 |
| Vol.5 n.º 9 | 30 | 30 | 4 | 6 | 19 | 1 | 0 | 0 |
| Vol. 6 n.º 10 | 12 | 12 | 0 | 3 | 8 | 1 | 0 | 0 |
Fonte: Autoras (2024).
O argumento de Diniz (2018) de que é necessária a democratização da produção científica, conforme citado anteriormente, se faz presente na perspectiva da Revista Veredas (Curitiba, 2024) com valorização das experiências de profissionais e acadêmicos que atuam e pesquisam independentemente de sua formação. Destaca-se que a maior parte dos autores possuem título de especialista. Ainda que o periódico aceite submissões de autores diversos, observa-se que as publicações são quase que integralmente de servidores da SME.
Para além das publicações de origem no fluxo contínuo, ocorrem as publicações de relatos de experiência e resumos expandidos desenvolvidos por profissionais do magistério e professores da Educação Infantil da RME durante o Projeto Pesquisa-Ação na Escola (PAE). Explica-se a seguir a estruturação do Projeto PAE.
Projeto Pesquisa-Ação na Escola: os relatos de experiência que aproximam teoria e prática
O Projeto PAE é uma proposta de desenvolvimento profissional vinculado à pesquisa destinada aos profissionais do magistério e professores da Educação Infantil em exercício nas unidades educacionais da SME de Curitiba. Estabelecido a partir do Decreto n.° 568/2022, expande as iniciativas do Veredas Formativas visando facilitar o desenvolvimento profissional dos profissionais do magistério e professores por meio da contratação de Instituições de Ensino Superior (IES) para oferecer serviços de orientação pedagógica em projetos/trabalhos técnicos/científicos de relevância para o serviço público. Em resumo, a proposta é que os participantes do projeto possam ampliar da qualificação docente por meio de um trabalho dinâmico, planejado, fundamentado nos princípios da qualidade e da ação crítico-reflexiva sob a orientação de professores de ensino superior.
Os projetos são propostos pelos próprios servidores e devem ter estratégias direcionadas ao enfrentamento do(s) desafio(s) definido(s) no Plano de Ação da unidade educacional e em consonância com o Projeto Político-Pedagógico (PPP) da unidade onde estão lotados, com propostas a partir de metodologias pedagógicas inovadoras que contribuam para o desenvolvimento da aprendizagem; priorizem a recomposição da aprendizagem nos projetos destinados aos estudantes do Ensino Fundamental e alinhados aos documentos oficiais da SME de Curitiba.
A partir da submissão dos projetos de pesquisa de acordo com edital estabelecido anualmente pela SME, esses passam por avaliação de servidores lotados na SME e nos Núcleos Regionais de Ensino (NREs) para verificação de todos os critérios elencados acima. A partir da aprovação, os participantes seguem implementando a proposta pedagógica aprovada no projeto classificado, considerando as orientações mensais realizadas pela Instituição de Ensino Superior (IES) responsável; cada IES indica professores com titulação de mestre ou doutor para a orientação dos projetos. Neste processo, os orientadores analisam os projetos recebidos, propõem sugestões para sua implementação, orientam sobre referencial teórico, realizam encontros presenciais de orientação e fazem visitas técnicas às unidades educacionais durante o período de desenvolvimento do projeto (Curitiba, 2023b). Tendo os projetos classificados, os participantes recebem Gratificação Técnica Especial (Curitiba, 2022), referente ao desenvolvimento de estudos, pesquisas, planejamento e orientações, fora do horário de trabalho e durante a execução do projeto. Aos participantes cabe elaborar registros dos encaminhamentos do trabalho submetendo-o à revisão do orientador para correção e aprimoramento (aspectos teóricos, estrutura textual e gramática) antes da submissão.
É incumbência dos participantes compartilhar os resultados alcançados com a aplicação dos projetos por meio da redação de relatos de experiência ou de resumos expandidos, sendo prevista a possibilidade de publicação dos mesmos na Revista Veredas após análise da equipe editorial. Quando da redação dos relatos ou resumos, os participantes do Projeto PAE recebem como modelo o template já utilizado na Revista Veredas.
Ao fim de todo o ciclo do Projeto PAE, todos os textos finais dos projetos realizados passam por uma nova análise pela equipe editorial. Primeiramente, os textos são classificados de acordo com a temática abordada, em seguida é verificado se estão alinhados aos documentos oficiais da SME de Curitiba e se cumprem as normas da ABNT. Em caso de desacordo com alguma das situações, os autores são acionados pela equipe da Revista Veredas para orientações e correção das questões.
Quando aceitos pela equipe editorial, os textos passam por revisão ortográfica da SME, bem como os textos que compõem o fluxo contínuo. Ainda que a dinâmica de avaliação destes textos se diferencie da dinâmica dos textos submetidos diretamente no site do periódico, os processos do Projeto PAE vão de encontro ao caráter formativo da Revista Veredas, pois foca na instrumentalização teórica do profissional, na aplicabilidade das pesquisas no cotidiano e retorno efetivo para a ação prática.
No ano na edição Projeto PAE 2022, foram aprovados 500 projetos, com a participação de 1142 profissionais da RME, 223 unidades educacionais, e a presença de 140 professores orientadores de cinco IES credenciadas: Centro Universitário UNIDOMBOSCO, Centro Universitário UNINTER, Universidade Estadual do Paraná (UNESPAR), Universidade Federal do Paraná (UFPR) e Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR). Após a análise da equipe editorial, 497 relatos de experiência e resumos expandidos foram organizados entre 17 temas: Alimentação; Aprendizagem Criativa; Arte; Ciências; Documentação Pedagógica; Educação Física; Educação Infantil; Educação Integral; Direitos Humanos, Ensino Religioso; Relações Étnico-Raciais e Étnico-Culturais; Geografia; História; Inclusão e Atendimento Educacional Especializado; Língua Portuguesa; Matemática e Sustentabilidade. Visando a difusão dos estudos produzidos, os textos foram divulgados ao longo de 15 edições temáticas na Revista Veredas em maio de 2024.
Tabela 4 Levantamento quantitativo das temáticas do Projeto PAE 2022
| Temática | Volume | Edição | N.º de textos | N.º de páginas |
|---|---|---|---|---|
| Alimentação | Vol. 6 | n.º 11 | 14 | 146 |
| Aprendizagem Criativa | Vol. 6 | n.º 12 | 45 | 553 |
| Arte | Vol. 6 | n.º 13 | 17 | 204 |
| Ciências | Vol. 6 | n.º 14 | 12 | 147 |
| Direitos Humanos / Ens. Religioso / Relações Étnico | Vol. 6 | n.º 15 | 37 | 414 |
| Documentação Pedagógica | Vol. 6 | n.º 16 | 6 | 73 |
| Educação Física | Vol. 6 | n.º 17 | 23 | 274 |
| Educação Infantil | Vol. 6 | n.º 18 | 89 | 1073 |
| Educação Integral | Vol. 6 | n.º 19 | 10 | 130 |
| Geografia | Vol. 6 | n.º 20 | 5 | 62 |
| História | Vol. 6 | n.º 21 | 7 | 86 |
| Inclusão e Atendimento Educacional Especializado | Vol. 6 | n.º 22 | 43 | 556 |
| Língua Portuguesa | Vol. 6 | n.º 23 | 70 | 812 |
| Matemática | Vol. 6 | n.º 24 | 61 | 750 |
| Sustentabilidade | Vol. 6 | n.º 25 | 58 | 684 |
| Total | 497 | 5964 |
Fonte: Autoras (2024).
Já no ano de 2023, foram aprovados 500 projetos, com a participação de 1134 profissionais da RME, 221 unidades educacionais, e a presença de 185 professores orientadores de seis IES credenciadas: Centro Universitário UNIDOMBOSCO, Centro Universitário UNINTER, Instituto Federal do Paraná (IFPR), Universidade Estadual do Paraná (UNESPAR), Universidade Federal do Paraná (UFPR) e Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR). Foram recebidos 498 textos para análise da equipe editorial, os relatos de experiência e resumos expandidos foram categorizados entre 37 temas até o momento. Os 498 textos seguem em processo de avaliação da equipe editorial e revisão ortográfica por equipe da SME para elaboração de edições a serem publicadas pela Revista Veredas.
A Revista Veredas estabelece com o Projeto PAE a participação de diferentes profissionais no periódico, sejam professores das unidades educacionais, professores acadêmicos da pós-graduação ou professores das IES credenciadas. É um caminho para o estabelecimento de reflexões sobre a ciência enfatizando a ligação entre o conhecimento teórico e sua aplicação, características primordiais para as publicações da Revista Veredas, pois envolve a contribuição para o conhecimento, divulgação de pesquisas e práticas, reconhecimento, desenvolvimento profissional entre outros.
Em resumo, as publicação da Revista Veredas contam com 570 textos, sendo 497 somente oriundos do Projeto PAE.
Tabela 5 Publicações por edição
| Edição | Data de publicação | Total de textos | Total de páginas |
|---|---|---|---|
| Vol. 1 n.º 1 | 09/2019 | 13 | 216 |
| Vol. 2 n.º 2 | 03/2020 | 11 | 139 |
| Vol. 2 n.º 3 | 12/2020 | 9 | 120 |
| Vol. 3 n.º 4 | 06/2021 | 7 | 97 |
| Vol. 3 n.º 5 | 12/2021 | 4 | 97 |
| Vol. 4 n. 6 | 06/2022 | 4 | 68 |
| Vol. 4 n.º 7 | 12/2022 | 3 | 59 |
| Vol. 5 n.º 8 | 06/2023 | 7 | 95 |
| Vol.5 n.º 9 | 12/2023 | 9 | 128 |
| Vol. 6 n.º 10 | 05/2024 | 6 | 53 |
| Vol. 6 n.º 11 | 05/2024 | 14 | 146 |
| Vol. 6 n.º 12 | 05/2024 | 45 | 553 |
| Vol. 6 n.º 13 | 05/2024 | 17 | 204 |
| Vol. 6 n.º 14 | 05/2024 | 12 | 147 |
| Vol. 6 n.º 15 | 05/2024 | 37 | 414 |
| Vol. 6 n.º 16 | 05/2024 | 6 | 73 |
| Vol. 6 n.º 17 | 05/2024 | 23 | 274 |
| Vol. 6 n.º 18 | 05/2024 | 89 | 1073 |
| Vol. 6 n.º 19 | 05/2024 | 10 | 130 |
| Vol. 6 n.º 20 | 05/2024 | 5 | 62 |
| Vol. 6 n.º 21 | 05/2024 | 7 | 86 |
| Vol. 6 n.º 22 | 05/2024 | 43 | 556 |
| Vol. 6 n.º 23 | 05/2024 | 70 | 812 |
| Vol. 6 n.º 24 | 05/2024 | 61 | 750 |
| Vol. 6 n.º 25 | 05/2024 | 58 | 684 |
| Total | --- | 570 | 7036 |
Fonte: Autoras (2024).
Observa-se que a entrada de edições exclusivamente do Projeto PAE, ampliou o número de publicações da Revista Veredas e, consequentemente, a divulgação e ampliação do trabalho desenvolvido pelos servidores da RME.
Considerações finais
As revistas que publicam pesquisas desempenham um papel crucial no avanço do conhecimento em todas as áreas do saber desde que se relacionem aos problemas reais e seus produtos alcancem os objetos de suas pesquisas. Nesse contexto, o foco não está na quantidade pesquisas, mas sim na democratização do conhecimento científico. Além da disseminação, a democratização envolve a criação e fortalecimento de redes de conhecimento com profissionais de diversos níveis de formação e o acesso à ciência. A interligação entre a pesquisa e as experiências do dia a dia favorece ambos, pois há uma dependência mútua em que uma traz novos desafios e enriquecimentos à outra. Conforme destaca Minayo (2001), nenhum problema intelectual pode existir sem ter sido um desafio na vida prática, nessa perspectiva se encontram as práticas desenvolvidas nas unidades educacionais da RME de Curitiba e os conhecimentos científicos. Buscando proporcionar um espaço para a diversidade de vozes e perspectivas, a Revista Veredas desenvolve seu trabalho para a construção de um diálogo mais amplo e inclusivo no âmbito da produção científica, bem como a aplicação das pesquisas no cotidiano escolar.
Sejam originadas nas submissões no site do periódico ou no Projeto PAE, as pesquisas desenvolvidas oferecem visões do ambiente escolar, revelam realidades, mostram práticas de ensino-aprendizagem e apresentam conexões e singularidades do campo educacional. Verifica-se que o periódico possui características que se assemelham e outras que se distinguem das publicações científicas, pois volta-se a um papel formativo ao conectar investigação e pesquisa à vida profissional prática. Sua equipe editorial foge ao que é comum encontrar em outros periódicos devido à sua dinâmica diferenciada, dado que a proposição é a ampliação de conhecimento, se fazem presentes vários colaboradores neste processo. Observa-se ainda, nas publicações de fluxo contínuo, que é preciso expandir as publicações das temáticas “direitos humanos”; “educação integral”; “gestão escolar” e “inovação educacional”, bem como ampliar número de autores e pareceristas externos.
Ainda que a Revista Veredas possua especificidades e necessite de ajustes, considera-se que esta é uma plataforma para compartilhar pesquisas e descobertas do campo educacional, proporcionando visibilidade ao trabalho realizado por profissionais da educação e, especialmente, aos professores da SME.














