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Revista Diálogo Educacional

Print version ISSN 1518-3483On-line version ISSN 1981-416X

Rev. Diálogo Educ. vol.25 no.84 Curitiba  2025  Epub May 19, 2025

https://doi.org/10.7213/1981-416x.25.084.ds05 

Dossiê

Empreender para (sobre) viver: o estado da arte do Novo Ensino Médio e a legitimação de um Projeto de Vida

Entrepreneurship to (over)live: the state of the art of the new secondary education and the legitimation of a Life

Emprender para (sobre) vivir: el estado del arte de la nueva educación secundaria y la legitimación de un Proyecto de Vida

Emanoela Thereza Marques de Mendonça Glatz

[a] Doutoranda em Educação pela Universidade Estadual de Maringá (UEM), e-mail: manuglatz@hotmail.com

[a] 
http://orcid.org/0000-0001-9645-3589

Solange Franci Raimundo Yaegashi

[b] Doutora em Educação pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), e-mail: solangefry@gmail.com

[b] 
http://orcid.org/0000-0002-7666-7253

Luciane Guimarães Batistella Bianchini

[c] Doutora em Psicologia e Sociedade pela Universidade Estadual Paulista Júlio Mesquita Filho (UNESP), e-mail: lgbbianchini@uem.br

[c] 
http://orcid.org/0000-0003-3523-2752

aUniversidade Estadual de Maringá (UEM), Maringá, PR, Brasil

bUniversidade Estadual de Maringá (UEM), Maringá, PR, Brasil

cUniversidade Estadual de Maringá (UEM), Maringá, PR, Brasil


Resumo

Este estudo tem como objetivo investigar o impacto do componente curricular "Projeto de Vida" no Novo Ensino Médio brasileiro, analisando como o mesmo reflete e reforça ideologias neoliberais na educação. Trata-se de uma pesquisa bibliográfica do tipo "estado da arte” que analisou teses, dissertações e artigos científicos de acesso aberto publicados entre 2019 e 2024 nas bases de dados CAPES, SciELO e Google Scholar. Os estudos selecionados foram subdivididos em duas categorias de análise: 1) Projeto de Vida e o trabalho: a formação do “empreendedor de si”; e 2) Projeto de Vida e a lógica meritocrática: entre o desejo e a (im)possibilidade. Os principais resultados revelam que o Projeto de Vida tende a promover o conceito de “empreendedor de si”, adaptando os estudantes a uma visão de mercado que privilegia a competitividade e a autossuficiência, desconsiderando desigualdades estruturais. Esse direcionamento reflete uma lacuna no desenvolvimento crítico e social dos alunos. Limitações do estudo incluem o acesso a apenas três bases de dados, o que restringe a generalização dos resultados, embora forneça insights importantes sobre as tendências neoliberais nas políticas educacionais atuais.

Palavras-chave: Projeto de Vida; Novo Ensino Médio; Base Nacional Comum Curricular; Neoliberalismo; Empreendedorismo.

Abstract

This study aims to investigate the impact of the curricular component "Life Project" in the New Brazilian High School, analyzing how it reflects and reinforces neoliberal ideologies in education. This is a "state-of-the-art" bibliographic research that analyzed open access theses, dissertations and scientific articles published between 2019 and 2024 in the CAPES, SciELO and Google Scholar databases. The selected studies were subdivided into two categories of analysis: 1) Life Project and work: the formation of the “entrepreneur of the self”; and 2) Life Project and meritocratic logic: between desire and (im)possibility. The main results reveal that the Life Project tends to promote the concept of “entrepreneur of the self”, adapting students to a market vision that privileges competitiveness and self-sufficiency, disregarding structural inequalities. This direction reflects a gap in the critical and social development of students. Limitations of the study include access to only three databases, which restricts the generalization of the results, although it provides important insights into neoliberal trends in current educational policies.

Keywords Life Project; New High School; National Common Curricular Base; Neoliberalism; Entrepreneurship.

Resumen

Este estudio tiene como objetivo investigar el impacto del componente curricular "Proyecto de Vida" en la Nueva Escuela Secundaria Brasileña, analizando cómo refleja y refuerza las ideologías neoliberales en la educación. Se trata de una investigación bibliográfica de "estado del arte" que analizó tesis, disertaciones y artículos científicos de acceso abierto publicados entre 2019 y 2024 en las bases de datos CAPES, SciELO y Google Scholar. Los estudios seleccionados se subdividieron en dos categorías de análisis: 1) Vida. Proyecto y trabajo: la formación del “autoemprendedor”; y 2) Proyecto de Vida y lógica meritocrática: entre el deseo y la (im)posibilidad Los principales resultados revelan que el Proyecto de Vida tiende a promover el concepto de “autoemprendedor”. , adaptando a los estudiantes a una visión de mercado que favorece la competitividad y la autosuficiencia, desconsiderando las desigualdades estructurales. Esta dirección refleja un vacío en el desarrollo crítico y social de los estudiantes en el acceso a sólo tres bases de datos, lo que restringe la generalización de resultados, aunque proporciona importantes. reflexiones sobre las tendencias neoliberales en las políticas educativas actuales.

Palabras clave Proyecto de Vida; Nueva Escuela Secundaria; Base Curricular Nacional Común; Neoliberalismo; Emprendimiento.

Introdução

A Reforma do Ensino Médio (REM), iniciada pela Medida Provisória 746/2016 e convertida na Lei nº 13.415/2017, trouxe profundas mudanças na estrutura do Ensino Médio no Brasil, alterando a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) de 1996 (Brasil, 2017). De maneira geral, a Lei nº 13.415/2017 objetivou tornar o Ensino Médio mais flexível e adequado às necessidades dos jovens e às exigências do mercado de trabalho (Macedo; Silva, 2022).

Para tanto, introduziu-se no currículo do Ensino Médio a estrutura de "itinerários formativos", permitindo que os estudantes escolham áreas específicas de estudo para aprofundar-se ao longo da etapa, além de um núcleo comum de disciplinas baseadas na Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Os cinco itinerários formativos oferecidos incluem: Linguagens e suas Tecnologias, Matemática e suas Tecnologias, Ciências da Natureza e suas Tecnologias, Ciências Humanas e Sociais Aplicadas, e a Formação Técnica e Profissional. Cada escola ou rede de ensino ficou responsável por oferecer um ou mais desses itinerários, visando alinhar o aprendizado às preferências e vocações dos estudantes (Brasil, 2018).

Nesse sentido, nosso interesse neste breve histórico das inter-relações entre a BNCC e o Novo Ensino Médio recai sobre o componente curricular "Projeto de Vida", já destacado como uma das competências gerais da BNCC para a Educação Básica. Este eixo formativo é uma das principais inovações da reforma, e tem o objetivo de auxiliar os estudantes no desenvolvimento do autoconhecimento, na definição de metas pessoais, acadêmicas e profissionais, explorando interesses individuais que orientem suas escolhas futuras. O Projeto de Vida (PV), ao menos teoricamente, consubstancia-se como uma disciplina ou componente transversal que possibilita a reflexão de trajetórias pessoais, identificando competências e desenvolvendo habilidades socioemocionais, como responsabilidade, planejamento e adaptabilidade (Brasil, 2018).

Entretanto, é preciso considerar que a educação, sendo um produto sociocultural, reflete em suas políticas a crise estrutural do capital, que angaria romper os muros das instituições de ensino, pleiteando por comportamentos que estejam cada vez mais condescendentes e subservientes ao regime social em voga (Glatz et al., 2023).

De acordo com essa perspectiva, Adorno (1996) aponta que o grande problema da semicultura1 está na superficialidade com que os fenômenos e a vida social são compreendidos, ou seja, o que é apenas parcialmente entendido, experimentado ou vivido não serve como base para uma formação sólida; pelo contrário, torna-se seu maior obstáculo. Nesse contexto, inserem-se a mercantilização da educação e o empreendedorismo nas escolas, temas centrais ao modelo neoliberal, que buscam introduzir lógicas mercadológicas em diversos setores, incluindo o sistema educacional (Barbosa; Francisco, 2024).

O mercantilismo educativo se refere ao processo em que o ensino passa a ser tratado como uma mercadoria, tornando-se objeto de interesse econômico, com instituições de ensino operando cada vez mais com uma visão empresarial. Esse modelo implica em um movimento institucional que prioriza metas de crescimento e competitividade em detrimento de uma visão educacional voltada para a emancipação dos estudantes, o que impacta tanto o acesso quanto a qualidade do ensino (Piolli, 2019; Martins; Pina, 2020).

O empreendedorismo nas escolas, por sua vez, é uma vertente dessa lógica, que acaba por incentivar o desenvolvimento de habilidades que possam preparar os estudantes para serem não apenas empregados, mas também gestores de si mesmos em um campo de trabalho competitivo e excludente. Em teoria, essas habilidades de autonomia e inovação poderiam ser vistas como positivas, mas no contexto neoliberal, são promovidas com vistas à formação de futuros "empreendedores" que se adaptem à lógica de mercado, ao invés de promoverem uma formação crítica. Assim, essas práticas acabam por reduzir a educação a uma função econômica, moldando os estudantes como produtos que atendem às demandas do mercado (Costa; Caetano, 2021).

Esse processo levanta questões sobre a perda do papel da escola enquanto espaço de formação crítica, que tradicionalmente deveria priorizar o desenvolvimento social, ético e intelectual dos alunos. Ao inserir o empreendedorismo nas escolas, o neoliberalismo reforça a ideia de que o sucesso é uma responsabilidade individual, desconsiderando as desigualdades estruturais e limitando as possibilidades de uma educação que questione o próprio sistema.

Diante do exposto, o presente estudo justifica-se pela necessidade de compreender as formas pelas quais o Projeto de Vida, eixo temático inserido no Novo Ensino Médio brasileiro, compactua - ou não - com o neoliberalismo e suas formas de controle dentro do ambiente educacional. Dessa forma, tem-se como objetivo investigar o impacto do componente curricular "Projeto de Vida" no Novo Ensino Médio brasileiro, analisando como o mesmo reflete e reforça ideologias neoliberais na educação.

Outrossim, este estudo procurou responder à seguinte problemática: o que tem sido investigado sobre as inter-relações entre Projeto de Vida, neoliberalismo e empreendedorismo?

O artigo está estruturado em três seções, além desta introdução. Na primeira seção, estão descritos os procedimentos metodológicos utilizados para coletar as produções científicas nas bases de dados. A segunda seção traz os resultados obtidos e as discussões acerca dos dados. Finalmente, nas considerações finais, destacam-se as percepções e descobertas sobre as produções acadêmicas relacionadas ao PV e a sua correlação com o neoliberalismo.

Procedimentos metodológicos

Pesquisas do tipo revisão de literatura buscam identificar, consultar e reunir referências de fontes adequadas ao objetivo da pesquisa, das quais devemos extrair e organizar informações pertinentes e essenciais para a identificação de temáticas recorrentes, apontamentos de novas perspectivas, consolidação de áreas de conhecimento, ou outras questões relevantes (Vosgerau; Romanowski, 2014).

Para a realização deste estudo, foi realizada uma pesquisa bibliográfica do tipo "estado da arte”, que objetiva contribuir para a constituição do campo teórico de uma área do conhecimento, ao buscar identificar os principais aportes na construção de uma teoria ou prática pedagógica. Esses estudos também destacam as limitações da pesquisa, as lacunas na sua disseminação e identificam experiências inovadoras que sugerem alternativas para resolver problemas práticos, além de reconhecerem as contribuições da pesquisa na formulação de propostas dentro da área em voga (Romanowski; Ens, 2006). Destarte, objetivando compreender como ocorre a produção do conhecimento científico na área da educação, buscou-se por teses de doutorado, dissertações de mestrado, artigos científicos e outras publicações que pudessem responder nosso problema de pesquisa.

A busca por produções bibliográficas foi realizada em três bases de dados: 1) Portal de Periódicos da Capes; 2) Scientific Electronic Library Online (SciELO); e 3) Google Scholar. O recorte temporal estabelecido para a pesquisa abrangeu publicações realizadas entre os anos de 2019 e 2024, utilizando os seguintes descritores: "projeto de vida"; "ensino médio"; "neoliberalismo"; “BNCC”; e “empreendedorismo”.

A busca foi configurada para "todos os campos", sem restrição à ocorrência dos termos no título, no assunto ou no resumo. Os descritores foram combinados de diferentes formas: no Portal de Periódicos da CAPES e no Google Scholar, utilizou-se o operador booleano AND, já na plataforma SciELO, o operador OR.

Foram excluídos os trabalhos que, apesar de mencionarem aspectos sobre o Novo Ensino Médio (NEM) e sobre a disciplina PV, não abordavam especificamente fatores sobre o neoliberalismo e o empreendedorismo nas escolas, assim como artigos de revisão de literatura, produções duplicadas e traduções. Por outro lado, foram incluídos apenas artigos publicados entre os anos de 2019 e 2024, em português, e de acesso aberto e irrestrito.

A busca inicial a partir dos parâmetros supracitados, localizou um total de 1.718 publicações. No entanto, após a aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, apenas 25 produções foram selecionadas. Após uma análise mais cuidadosa dos títulos, resumos e metodologias, 10 delas foram descartadas por não atenderem aos critérios de inclusão da pesquisa. Finalmente, o corpus de análise foi composto por 15 produções, sendo elas: 3 dissertações, 1 tese e 11 artigos científicos.

Os trabalhos selecionados foram organizados de acordo com a autoria, o tipo de produção (artigo, dissertação e/ou tese), o estado brasileiro do periódico e/ou do Programa de Pós-Graduação e o ano de publicação. É importante ressaltar que as 15 produções foram lidas na íntegra e analisadas de maneira quali-quantitativa. A sistematização dos dados quantitativos foi realizada por meio da elaboração do Quadro 1.

Quadro 1 Distribuição dos estudos por autor, tipo de produção, cidade/estado/país do periódico e/ou do Programa de Pós-Graduação e ano de publicação. 

Código Autores (as) Tipo de produção Cidade, estado e pais do periódico e/ou do programa de pós-graduação Ano de publicação
Prod1 Cruz; Soares Artigo científico Belém - Pará - Brasil 2024
Prod2 Faria; Leal Artigo científico São Paulo - Brasil 2024
Prod3 Hilário; Ziliani Artigo científico Viçosa - Minas Gerais - Brasil 2024
Prod4 Mueller; Fontanella Artigo científico São José dos Pinhais - Paraná - Brasil 2024
Prod5 Reis Dissertação Santa Cruz do Sul - Rio Grande do Sul - Brasil 2024
Prod6 Ferreira; Silva Artigo científico Curitiba - Paraná - Brasil 2023
Prod7 Linhares; Lourenço Artigo científico Campinas - São Paulo - Brasil 2023
Prod8 Reis; Rodrigues Artigo científico Ponta Grossa - Paraná - Brasil 2023
Prod9 Rocha Dissertação Inhumas - Goiás - Brasil 2023
Prod10 Silva Tese Recife - Pernambuco - Brasil 2023
Prod11 Camargo Dissertação Rio Claro - São Paulo - Brasil 2022
Prod12 Bernardes; Voigt Artigo científico Juiz de Fora - Minas Gerais - Brasil 2022
Prod13 Macedo; Silva Artigo científico Santa Maria - Rio Grande do Sul - Brasil 2022
Prod14 Silva; Morais Artigo científico Rio Grande - Rio Grande do Sul - Brasil 2022
Prod15 Vicentin; Silveira Artigo científico Osorno - Chile 2021

Fonte: Elaborado pelas autoras (2024).

Já os dados qualitativos obtidos foram categorizados em eixos temáticos e semânticos, com base na frequência das palavras encontradas em cada uma das produções. Com base na análise de conteúdo proposta por Bardin (2011), foram identificadas duas categorias de análise, sendo elas: 1) Projeto de Vida e o trabalho: a formação do “empreendedor de si”; e 2) Projeto de Vida e a lógica meritocrática: entre o desejo e a (im)possibilidade.

Resultados e Discussões

Análise quantitativa das produções

O Quadro 1 inclui os autores de cada trabalho; o tipo de produção (artigo, dissertação e/ou tese); a cidade, o estado e o país do periódico e/ou do Programa de Pós-Graduação; e o ano de publicação.

A fim de sintetizar e padronizar a revisão da literatura, foi atribuído um código para cada produção encontrada, cuja nomenclatura será utilizada ao longo do estudo (Prod1, Prod2, Prod3 e assim por diante).

Por meio da análise do Quadro 1, percebe-se que dos 15 trabalhos selecionados, 4 são provenientes de pesquisas produzidas em Programas de Pós-Graduação, sendo 3 dissertações de mestrado e 1 tese de doutorado. Convém salientar, que tanto as dissertações quanto a tese foram desenvolvidas em Programas de Pós-Graduação stricto sensu na área da Educação, das seguintes universidades: Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC); Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP); Faculdade de Inhumas (FACMAIS); e Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

Quanto à localização dos trabalhos analisados, observa-se que 3 deles são provenientes do estado do Paraná (PR), 1 do Pará (PA), 3 do Rio Grande do Sul (RS), 3 de São Paulo (SP), 1 de Goiás (GO), 1 de Pernambuco (PE), 2 de Minas Gerais (MG), e 1 foi publicado em periódico internacional chileno. Não obstante, percebe-se que a maior produção intelectual a respeito da temática são provenientes da região sul (6 estudos) e sudeste (5 estudos).

Nota-se, ainda, que dos 15 estudos analisados, 1 foi publicado no ano de 2021, 4 em 2022, 5 em 2023 e, finalmente, 5 foram publicados em 2024. Observa-se, assim, que 10 (66,67%) desses estudos foram publicados entre os anos de 2023 e 2024, o que indica uma crescente preocupação da comunidade científica com os efeitos que a mercadorização da educação têm gerado nos estudantes a longo prazo. Também, ressalta-se que não foram encontrados estudos publicados entre os anos de 2019 e 2020, período marcado pela pandemia da covid-19, que acabou impactando a organização social e a produção científica brasileira.

Análise qualitativa das produções

O Quadro 2 elenca o código de identificação de cada estudo analisado, o objetivo, o tipo de pesquisa, a metodologia para a coleta e análise dos dados, assim como os principais resultados e conclusões evidenciados em cada um.

Quadro 2 Distribuição dos artigos por objetivo, tipo de pesquisa, metodologia para a coleta e análise de dados, e principais resultados e conclusões. 

CÓD. Objetivo do estudo Tipo de pesquisa Metodologia para a coleta e análise dos dados Principais resultados e conclusões
Prod1 Investigar as implicações da lógica neoliberal na saúde mental dos jovens estudantes capixabas, apresentando dispositivos de enfrentamento à escola-mercado. Pesquisa bibliográfica e de campo, de caráter qualitativo. Foi realizada uma investigação documental dos diferentes marcos legais e normativos que orientam o Novo Ensino Médio Capixaba bem como da divulgação das iniciativas adotadas pela SEDUC/ES para sua implementação. Não obstante, realizou-se uma pesquisa de campo, com a realização de encontros temáticos em aulas da disciplina PV com turmas do 3º ano do ensino médio regular de uma escola pública capixaba.

- As informações foram analisadas com base na Análise Dialógica do Discurso (ADD) bakhtiniana.
Os resultados indicam que a relação entre currículo e prática escolar é cada vez mais influenciada pelo terceiro setor presente nas políticas educacionais, como no caso do Novo Ensino Médio Capixaba. Observa-se uma tensão entre o PV neoliberal, que promove uma trajetória de sucesso padronizada, e uma visão de PV que valoriza a singularidade. No entanto, a escola ainda se mostra como um espaço propício para práticas de resistência contra a homogeneização de subjetividades.
Prod2
Investigar as afinidades entre o discurso da reforma de 2017, em especial na Base Nacional Comum Curricular para o Ensino Médio, e a construção de uma subjetividade neoliberal na formação escolar. Pesquisa bibliográfica e documental, de caráter qualitativo. Realizou-se uma busca na Base Nacional Curricular para o Ensino Médio das expressões “PV” e “empreendedorismo”, compreendidas como registros semânticos de ancoragem discursiva a partir dos quais se realizou uma posterior análise textual de três recortes específicos do documento, ambos encontrados na seção “As finalidades do ensino médio na contemporaneidade”.

- As informações levantadas foram analisadas através do método da Análise de Discurso.
Os resultados mostram que os objetivos educacionais da BNCC-EM alinham-se a uma "biopolítica disciplinar" que promove a adaptação ao ambiente, funcionando como mecanismo para normalizar comportamentos compatíveis com as demandas de mercado. A ênfase na autonomia dos estudantes, ligada ao empreendedorismo e ao PV curricular, busca formar recursos humanos adaptáveis às novas exigências do mercado de trabalho, refletindo o "novo espírito neoliberal".
Prod3
Analisar de quais formas o trabalho, enquanto dimensão formativa, aparece nas formulações do Novo Ensino Médio no contexto de Mato Grosso do Sul. Pesquisa analítica-documental,
de caráter qualitativo.
Realizou-se uma análise do Currículo de Referência de Mato Grosso do Sul/Ensino Médio, documento elaborado pela Secretaria de Educação de Mato Grosso do Sul (SED/MS) em consonância com a BNCC/EM, explicitando a sua relação com as normatizações gerais e problematizando as particularidades desse Estado em foco.

- Os documentos foram analisados sob o referencial teórico de autores que tratam das teorias curriculares contemporâneas e da manifestação neoliberal no contexto brasileiro.
Os resultados evidenciam que o trabalho é o foco central do Novo Ensino Médio, sendo o eixo das práticas propostas no Currículo de Referência/MS/EM. Esse enfoque prioriza o PV e a formação profissional tecnológica, com a intenção de formar jovens empreendedores que sejam capazes de desenvolverem seus projetos alinhados a essa visão utilitarista.
O trabalho é, assim, visto como ferramenta mercadológica para a formação de indivíduos úteis ao capital.
Prod4
Compreender os limites e as possibilidades do PV como Componente Curricular no Currículo Base do Ensino Médio do Território Catarinense (CBTC). Pesquisa documental de método dedutivo e de caráter qualitativo. Foi realizada uma pesquisa documental, que buscou analisar as reformas na legislação educacional nacional, especialmente a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) - Lei nº 13.415/2017 - e o conjunto de documentos que compõem o CBTC para a última etapa da Educação Básica. Os resultados revelam que o currículo está intensamente ligado a questões de poder e ideológicas, e que a atual política educacional se afasta de uma escola voltada ao bem-estar social, dificultando a formação crítica dos estudantes. Com a reforma educacional, a carga horária da BNCC foi reduzida para 1800 horas, prejudicando uma formação básica já insuficiente antes da Lei nº 13.415/2017. Em vez de promover uma educação cidadã, a reforma prioriza uma formação humana ajustada à lógica de mercado, refletindo uma perda de direitos sociais e a negligência das elites quanto à democracia.
Prod5
Explicar como o PV, instituído como componente curricular do Ensino Médio com a reforma estabelecida pela Lei 13.415/2017, mobiliza a formação do sujeito neoliberal. Pesquisa bibliográfica e documental, de caráter qualitativo. Realizou-se uma análise documental e bibliográfica, tendo como fontes documentos normativos nacionais relacionados à Reforma do Ensino Médio e livros didáticos de PV pertencentes ao Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD), publicados no ano de 2020.

- Para a análise dos documentos, utiliza-se elementos da Análise Textual Discursiva.
A pesquisa revelou que o componente curricular PV funciona como uma ferramenta para formar subjetividades alinhadas ao perfil do "sujeito neoliberal". Os materiais didáticos reforçam essa formação ao apresentar o trabalho como ambiente de competição. Tanto nos documentos oficiais quanto nos livros didáticos, o PV no NEM surge como mecanismo de personalização curricular, visando moldar indivíduos empreendedores em todas as esferas da vida, que estejam preparados para gerenciar sua existência como um empreendimento.
Prod6
Discutir sobre o papel do componente curricular PV, no contexto das reformas educacionais, realizadas para atender às demandas do capitalismo em sua fase neoliberal. Pesquisa bibliográfica e documental, de caráter qualitativo. Foi realizada uma pesquisa bibliográfica e documental tendo como referência a Constituição de 1988, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação de 1996, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e Documento Curricular para Goiás - Etapa Ensino Médio (DC-GOEM). Os resultados mostram que a Reforma do NEM e o componente curricular PV estão orientados a atender às demandas do capitalismo neoliberal. Observa-se a forte influência do capital na formulação de políticas educacionais, sustentando uma ideologia que transforma o indivíduo em "empreendedor de si mesmo" e promove a meritocracia como único caminho para o sucesso.
Prod7
Problematizar as condutas e as prescrições neoliberais que aparecem no eixo PV de livros didáticos socializados em escolas públicas brasileiras. Pesquisa bibliográfica de caráter qualitativo. Foi realizada uma pesquisa bibliográfica, tomando como materialidade de estudo os livros didáticos que circulam a partir da implementação do NEM, de forma especial aqueles específicos para o eixo PV.

- As informações levantadas foram examinadas utilizando as ferramentas analíticas do filósofo Michel Foucault.
Os resultados indicam que o novo currículo, além de preparar os jovens para o mercado, os incentiva a se verem como "empreendedores de si". O objetivo é formar indivíduos submissos, sem aspirações próprias, subordinados ao trabalho e às funções produtivas, refletindo o poder sutil do Estado. A vida como projeto é pautada em práticas de gestão empresarial, e a escola difunde a máxima de uma vida orientada para um futuro "bem-sucedido", adaptado à convivência social. O PV foca na gestão de escolhas desde cedo, centrando o futuro no trabalho, no dinheiro e na administração da vida social, transformando interesses e hobbies em habilidades profissionais.
Prod8
Discutir as bases teóricas do modelo de flexibilização estabelecido pela Lei 13.415/2017 e adotado pelos “reformadores” do ensino médio, que estabelece itinerários formativos atrelados à ideia de PV. Pesquisa analítica-documental, de caráter qualitativo. Foi realizado um estudo documental da Lei 13.415/2017, da BNCC/2018, das DCNEM/2018 e da Portaria MEC 1.432/2018, buscando compreender mais sobre a atual política de flexibilização educacional neoliberal orientada para o final da educação básica, analisando a flexibilização adotada na atual reforma do ensino médio.

- Os documentos foram analisados sob o viés teórico Marxista.
Os resultados indicam que a reforma atual adota um discurso político voltado para a formação integral, em contraste com a visão de um ensino médio integrado. Essa abordagem fragmenta o currículo, os projetos de vida dos jovens e limita suas opções de formação, qualificação e trabalho. A fundamentação teórica por trás da reforma do ensino médio se baseia em uma perspectiva pragmática e instrumental, que prioriza certas atividades curriculares, ignora questões sociais, reduz a importância do currículo e do conhecimento científico, além de focar na formação individualizada.

Prod9
Compreender como se configura o componente curricular PV no currículo das escolas públicas estaduais de Goiás. Pesquisa analítica-documental, de caráter qualitativo. Realizou-se um estudo bibliográfico e uma análise documental da Lei n.º 9394/96, da Base Nacional Comum Curricular e do Documento Curricular para o Estado de Goiás - Etapa Ensino Médio.

- As informações foram analisadas através do método dialético.
Os resultados evidenciam que a REM utiliza um discurso de formação integral, mas na prática fragmenta o currículo e os projetos de vida dos jovens, limitando suas opções de formação e trabalho. Fundamentada em uma perspectiva pragmática e instrumental, a reforma prioriza certas atividades, desconsidera questões sociais, reduz a relevância do currículo e do conhecimento científico, e foca na formação individualizada.
Prod10 Analisar o percurso de ressignificação do PV em documentos curriculares do Ensino Médio e em artefatos culturais sob influência do discurso neoliberal e sua emergência enquanto dispositivo pedagógico para formação do sujeito-empresa. Pesquisa bibliográfica e documental,
de caráter qualitativo.
Foi realizada uma pesquisa bibliográfica e documental que buscou analisar a ressignificação dos enunciados sobre PV em documentos curriculares do novo Ensino Médio e em artefatos culturais - publicitário e pedagógico - sob influência do discurso neoliberal na educação.

- A pesquisa foi norteada pela abordagem arqueogenealógica, de Michel Foucault.
Os resultados indicam que o PV atua como um mecanismo que incentiva o indivíduo a se autogerir sob a lógica empresarial. A política curricular do NEM, fortemente alinhada ao discurso neoliberal, promove a redução dos conteúdos escolares, a influência de empresas privadas e uma trajetória educacional individualizada.
A função do PV mudou: de apoio ao autoconhecimento e metas, passou a orientar os jovens a internalizar o discurso empreendedor, gerindo suas vidas como "empresas" e desenvolvendo competências voltadas ao mercado. Assim, o PV torna-se uma ferramenta de mensuração e autorresponsabilização do desempenho dos estudantes em todas as esferas da vida.

Prod11
Compreender o papel da escola na formação das identidades juvenis enquanto mediadora nos processos de formação e socialização. Pesquisa analítica-documental, de caráter qualitativo. Realizou-se um estudo bibliográfico e a análise de um extenso corpo documental sobre o Programa de Ensino Integral do Estado de São Paulo (PEI) - 2014; já que foi a partir dele que o módulo PV foi introduzido no estado. A posteriori, analisou-se o material didático do PV, ou seja, os cadernos dos professores e os últimos cadernos dos alunos do 1º, 2º e 3º ano de Ensino Médio da rede estadual paulista.

- Os documentos foram analisados sob o viés teórico da Teoria Crítica da Sociedade.
Os resultados revelam que, embora os discursos na legislação e nos materiais didáticos que pautam o NEM usem termos que sugerem inovação e emancipação, eles reforçam o modelo neoliberal, centrado na meritocracia e na responsabilidade individual dos jovens por seus destinos. Esse enfoque exime o Estado de suas obrigações e afasta a educação de seu papel emancipador, comprometendo a formação de uma identidade genuinamente autônoma.
Prod12
Discutir a relação entre empreendedorismo e o componente PV presentes nestes documentos dentro proposta do Ensino Médio para Santa Catarina, bem como questionar qual a relação deste a uma suposta ordem social que produz relações sociais, maneiras de viver e também maneiras de subjetivar. Pesquisa bibliográfica e documental, de caráter qualitativo. Realizou-se um estudo teórico-analítico que promoveu uma discussão sobre o Caderno Estruturante 1 do Currículo Base do Território Catarinense do Ensino Médio (CBTCEM), desenvolvido a partir da Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Os resultados da análise do Caderno 1 do Currículo Base do Território Catarinense do Ensino Médio mostram que o componente curricular PV está vinculado ao conceito de empreendedorismo, refletindo uma abordagem neoliberal que considera o indivíduo como "empresa de si". Embora essa meritocracia aparente seja positiva à primeira vista, é ilusória, pois fatores estruturais impedirão muitos jovens de concretizarem seus projetos de vida, sendo que contradições sistêmicas continuarão a afetá-los nas próximas décadas.
Prod13
Examinar a relação entre o neoliberalismo conservador e as políticas curriculares para o Novo Ensino Médio (NEM), focando no conceito de PV e em sua proposta de projetar a vida para a felicidade. Pesquisa analítica-documental, de caráter qualitativo. Os autores realizaram um estudo documental, pautando-se no componente curricular PV, se concentrando em documentos produzidos pelo Ministério da Educação (MEC), assim como por organizações privadas a ele ligadas.

- As informações coletadas foram analisadas seguindo o pressuposto do neoliberalismo como racionalidade, ditado por Wendy Brown.
Os resultados indicam que a promoção do empreendedorismo como solução para as desigualdades sociais reforça a responsabilização individual pelos sucessos e fracassos dos estudantes, marginalizando as diferenças e normalizando uma única forma de ser e viver, sustentada por métricas capacitistas e neoliberais.
O eixo temático PV emerge como uma ferramenta que reforça a subjetividade do "empreendedor de si", ignorando as condições estruturais que dificultam a ascensão social de muitos alunos.
Prod14
Investigar como os discursos sobre o trabalho presentes em coleções didáticas de PV,
articulam-se com a racionalidade neoliberal.
Pesquisa bibliográfica e documental, de caráter qualitativo. Realizou-se uma pesquisa bibliográfica e documental, cujo corpus de análise foi composto por enunciados extraídos de três coleções didáticas de PV, aprovadas no Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD), edição de 2021.

- As informações levantadas foram ancoradas pelo aparato teórico proposto por Michel Foucault e suas teorizações em torno do discurso, do enunciado e nas reflexões sobre o neoliberalismo.
Os resultados mostram que as coleções didáticas promovem discursos sobre o trabalho fortemente vinculados ao neoliberalismo evidenciados por certas características: a) o mercado de trabalho é visto como instável, exigindo que o indivíduo planeje seu projeto de vida conforme essa volatilidade; b) há um incentivo contínuo ao desenvolvimento de habilidades e competências, com foco em autoavaliação e competição; c) espera-se que essas habilidades incluam o controle das emoções, tratadas como programáveis; d) a responsabilidade pelo sucesso é transferida ao trabalhador, minimizando a importância das desigualdades do sistema neoliberal; e) aparecem declarações que quase celebram a ausência de direitos trabalhistas, promovendo uma suposta "liberdade" para o trabalhador.
Prod15
Problematizar a subjetivação que emerge na formação de jovens a partir da instauração do Programa de Ensino Integral e da emergência do PV. Pesquisa bibliográfica de caráter qualitativo. Foi realizado um estudo teórico que, partindo da premissa “aprender a aprender” ou aprender por toda a vida, buscou interrogar as premissas do PV, observando-o dentro do campo do neoliberalismo. Os resultados revelam que o PV, ao incentivar os alunos a perseguirem seus sonhos, impõe os ideais do mundo contemporâneo, moldando-os de acordo com as exigências da racionalidade neoliberal. O PV ativa processos de subjetivação através de normas que naturalizam e normalizam a sociedade. Embora ofereça aos alunos a chance de realizar seus sonhos, o Estado, como mantenedor da proposta, e a escola, como facilitadora do ensino, apenas promovem essa trajetória sem assumir a responsabilidade pelo "crédito" que é imposto aos alunos, que, nesse contexto, permanecem como devedores dessa relação.

Fonte: Elaborado pelas autoras (2024).

Analisando o Quadro 2, observa-se que todos os estudos objetivam, em algum grau, investigar e discutir sobre o eixo temático PV, proposto pelo NEM, relacionando-o ao neoliberalismo e à mercantilização da educação básica no Brasil.

Dentre as produções selecionadas, observa-se que 7 (46,67%) delas realizaram uma análise das propostas do NEM, das diretrizes impostas pela BNCC-EM e da aplicabilidade do eixo temático “PV” nos documentos normativos das secretarias de educação estaduais, sendo eles: Prod1 - Espírito Santo; Prod3 - Mato Grosso do Sul; Prod4 e Prod12 - Santa Catarina; Prod6 e Prod9 - Goiás; Prod11 - São Paulo.

No que tange ao tipo de pesquisa, observa-se que houve um predomínio de pesquisas bibliográficas e documentais, uma vez que 14 estudos (93,33%) empregaram essa abordagem para a coleta de seus dados. Apenas 1 estudo (6,67%) utilizou a pesquisa de campo e bibliográfica como abordagem metodológica.

Para analisar os resultados apresentados em cada estudo, foi elaborada a Figura 1, que apresenta duas categorias de análise definidas com base na frequência das palavras identificadas em cada pesquisa, conforme a metodologia de análise de conteúdo proposta por Bardin (2011).

Fonte: Elaborada pelas autoras (2024).

Figura 1 Categorias utilizadas para análise das produções selecionadas 

Para a análise qualitativa, conforme mencionado anteriormente, os trabalhos foram subdivididos em duas categorias de análise, de acordo com a Figura 1. Na primeira categoria - Projeto de Vida e o trabalho: a formação do “empreendedor de si” -, foram inseridas as seguintes pesquisas: Prod2; Prod3; Prod4; Prod5; Prod6; Prod7; Prod12 e Prod13. Já os estudos Prod1; Prod8; Prod9; Prod10; Prod11; Prod14 e Prod15, por sua vez, fizeram parte segunda categoria - Projeto de Vida e a lógica meritocrática: entre o desejo e a (im)possibilidade.

Projeto de Vida e o trabalho: a formação do “empreendedor de si”

Nesta categoria de análise foram considerados 8 trabalhos (Faria; Leal, 2024; Hilário; Ziliani, 2024; Mueller; Fontanella, 2024; Reis, 2024; Ferreira; Silva, 2023; Linhares; Lourenço, 2023; Bernardes; Voigt, 2022; Macedo; Silva, 2022), sendo 7 artigos científicos e 1 dissertação de mestrado.

O estudo produzido por Mueller e Fontanella (2024) reforça que a REM contribuiu para a exclusão dos jovens em situação de vulnerabilidade, ao priorizar uma formação técnica que desconsidera a formação geral, limitando o acesso a conhecimentos essenciais. Os autores ressaltam que a REM coloca em evidência a ideia de “empreendedor de si”. Essa abordagem enfatiza a importância de habilidades como autoconhecimento, resiliência e proatividade, permitindo que as pessoas se adaptem às mudanças do mercado e busquem oportunidades de crescimento. Além disso, promove a mentalidade de que cada um é responsável por seu sucesso, o que pode ser problemático, ao desconsiderar as desigualdades sociais e as condições externas que afetam o acesso a oportunidades.

Seguindo essa lógica, Macedo e Silva (2022), argumentam que a educação - ao promover uma falsa noção de felicidade baseada no empreendedorismo e na noção de autossuficiência para o sucesso -, passa a ser moldada para formar jovens "empreendedores de si mesmos", o que desloca o papel da educação pública e favorece um modelo que enfatiza a responsabilidade individual. Para os autores, essa abordagem negligencia a diversidade, ao padronizar a subjetividade dos estudantes e marginalizar aqueles que não se ajustam ao ideal de empreendedorismo. A escola, sob essa visão, reforça a ideia de que o sucesso depende exclusivamente do esforço pessoal, ignorando as desigualdades estruturais

Acerca disso, o filósofo Beck (2011) reflete que a cultura age como um dos motores daquilo que nomeia como “sociedade de risco”, contribuindo, para a modernização reflexiva e para o aprofundamento do processo histórico de individualização. Em termos gerais, a individualização, segundo Beck (2011), decorre de uma isenção das instituições tradicionais da modernidade, que deixa os indivíduos livres de vínculos com a sociedade de classes e a família nuclear. Por outro lado, eles enfrentam pressões do mercado de trabalho e das demandas de consumo e sobrevivência, sendo levados a assumir individualmente os riscos produzidos socialmente. Esse é o paradoxo da individualização: os sujeitos se desvinculam de laços sociais típicos da sociedade industrial, mas são fortemente pressionados pelo mercado de trabalho e pelas exigências de consumo.

Ainda nesse contexto, Marcuse (2001) também destaca que há a emergência de uma racionalidade tecnológica, na qual o sujeito “livre” se torna um objeto manipulável em uma vasta rede de coordenação; o que deveria ser visto como desenvolvimento pessoal é, na realidade, uma “eficiência padronizada”, uma vez que o desempenho individual é guiado, avaliado e regulado por normas externas que correspondem a funções predefinidas. A liberdade passa a ser delimitada pelos meios e fins do sistema de produção e da sociedade de consumo.

No que diz respeito ao papel do trabalho como dimensão formativa no Currículo de Referência do estado do Mato Grosso do Sul para o NEM, Hilário e Ziliani (2024) identificam dois modos principais de integração do trabalho no currículo estadual: através dos itinerários técnico-profissionais e da disciplina PV. Para os autores, o currículo reflete tendências neoliberais ao promover uma formação profissional voltada ao mercado. Entretanto, há muitas contradições, pois a proposta curricular nem sempre se alinha com a realidade econômica local, especialmente em áreas predominantemente agrícolas, como em muitos municípios do estado.

Ao discutirem sobre a relação entre o componente curricular "PV" e o neoliberalismo no contexto do Ensino Médio em Santa Catarina, Bernardes e Voigt (2022) argumentam que o PV, ao ser apresentado como uma ferramenta para o desenvolvimento da autonomia e do autoconhecimento dos jovens, reflete, na verdade, uma lógica neoliberal que transforma os indivíduos em empresas próprias, responsabilizando-os por seu próprio sucesso, e/ou fracasso, em um mercado de trabalho cada vez mais incerto. Essa abordagem ignora as contradições sistêmicas e as desigualdades sociais que dificultam a realização dos projetos de vida dos estudantes, sugerindo que a escola deve garantir não apenas a aprendizagem, mas também a permanência dos alunos, em meio a um cenário de despolitização e desamparo. O PV, conforme apresentado no contexto do Ensino Médio em Santa Catarina, influencia o neoliberalismo ao promover a ideia de que os indivíduos devem se ver como empresas, sendo os únicos responsáveis por gerir suas próprias trajetórias e sucessos.

Os estudos de Ferreira e Silva (2023) e Faria e Leal (2024) apontam que, na BNCC-EM, o componente curricular “PV” não possui uma estrutura definida, mas é mencionado em relação às dez Competências Gerais da Educação Básica, especialmente na competência 6, em que se aborda a diversidade nos currículos. Os autores salientam que as principais controvérsias em torno da REM no Brasil incluem a pertinência dos atores envolvidos na sua construção, a fragmentação curricular, a desconsideração das críticas da juventude ao ensino médio, e seu caráter neoliberal. Destarte, a BNCC-EM reforça uma lógica de controle social que se alinha ao "novo espírito do neoliberalismo", buscando uma adaptação do sujeito à máxima do “empreendedor de si” (Faria; Leal, 2024).

Já para Linhares e Lourenço (2023), nessa nova perspectiva de currículo, o projeto educacional passa a moldar os corpos juvenis para um tipo de autocontrole, sendo a escola um meio desse processo. Assim, busca-se a formação de corpos submissos que não sejam desejantes, dinâmicos e vibrantes, mas que fiquem limitados pela força de trabalho que exercem na sociedade. Esse é o poder sutil do Estado, que agora não se impõe mais por meio de guerras, mas atua através de capturas ilusórias que restringem e inibem qualquer forma de resistência (Linhares; Lourenço, 2023).

Finalmente, Reis (2024) defende que os materiais didáticos base para o exercício do eixo PV nas escolas, apenas mobilizam a formação de sujeitos neoliberais. Para o autor, essa associação acontece por meio da validação de novos conhecimentos, reduzindo o ambiente de trabalho a simples espaço de competição. Isso se dá através de conteúdos visuais e audiovisuais, da legitimação de novos saberes e da adoção de metodologias e planejamentos de aula tidas como “inovadoras. Como visto a priori, esses elementos têm proporcionado aos estudantes uma formação que atende às demandas do mercado, ou seja, a formação de indivíduos alinhados aos princípios neoliberais.

Projeto de Vida e a lógica meritocrática: entre o desejo e a (im)possibilidade

Nesta categoria, foram elencados 7 trabalhos (Cruz; Soares, 2024; Reis; Rodrigues, 2023; Rocha, 2023; Silva, 2023; Camargo, 2022; Silva; Morais, 2022; e Vicentin; Silveira, 2021) como parte estruturante do diálogo, sendo 2 dissertações de mestrado, 1 tese de doutorado e 4 artigos científicos.

Inicialmente, verificou-se, por meio do trabalho de Cruz e Soares (2024), que o NEM Capixaba tem como eixo norteador a lógica neoliberal, já que, com as parcerias público-privadas, acaba influenciando o ensino no estado do Espírito Santo, especialmente no tocante à disciplina PV. Os autores destacam que o currículo e o ambiente escolar acabam moldando-se ao ideal meritocrático e de adaptabilidade, enquanto questões de saúde mental, por exemplo, são negligenciadas e o jovem é pressionado a ajustar-se às exigências do mercado. Não obstante, percebeu-se que a escola passou a operar mais como uma empresa, impulsionando uma formação individualista e rebaixando a dimensão social e crítica da educação, com a proposta de um dispositivo alternativo para resistir a essa lógica universalizante o que, não à toa, intensifica o sofrimento psíquico dos jovens que se deparam com a impossibilidade de ascensão social apenas via mérito próprio.

Corroborando, a pesquisa de Silva (2023) evidencia que o PV surge como um mero mecanismo de formação de capital humano adaptável, moldado às demandas do mercado de trabalho. Atuando como uma ferramenta de saber-poder, o eixo temático incentiva o indivíduo a gerir sua própria trajetória de vida ancorada sob ideais empresariais. Para Silva (2023), há uma mudança no propósito atribuído ao PV nas práticas escolares, que transitou de uma ferramenta de apoio ao autoconhecimento e definição de metas, para tornar-se um trivial meio de interiorização do discurso empreendedor que induz os jovens a gerirem suas vidas como empresas, objetivando tornarem-se mais “rentáveis” e úteis ao mercado.

Ao referir-se ao estado de Goiás, Rocha (2023) identificou que há no currículo planejado pela Secretaria de Educação de Goiás (SEDUC-GO), fundamentado na BNCC e no Documento Curricular para Goiás do Ensino Médio (DCGO-EM), a presença de conceitos e teorias relacionados à psicologia positiva, à logoterapia, a temas e métodos de coaching motivacional e a valores humanos e neuroplasticidade, com o objetivo de promover o desenvolvimento da autonomia e do protagonismo, de modo que os estudantes construam um PV mais “assertivo”. Não obstante, observa-se que a ideologia neoliberal encontra-se profundamente enraizada em nosso cotidiano, sendo visível na saúde, no mercado de trabalho, na economia, na política, na cultura, nas mídias, na educação e no entretenimento. Esse processo histórico se torna naturalizado, e a proposta curricular de PV reflete essa influência ao incentivar que os estudantes assumam a responsabilidade por seus destinos, transmitindo a ideia de que, quanto mais investirem em seus estudos, mais chances e oportunidades terão de alterar sua situação social. Em um contexto de incertezas e instabilidades econômicas, a meritocracia se faz presente em todos os âmbitos da vida.

Sob essa égide, de acordo com Leão (2018), vivemos hoje em uma sociedade moldada pela modernização reflexiva, ou seja, uma modernização da Modernidade Industrial. Esse contexto é marcado pela retração das instituições típicas desse período, que já não conseguem conter os riscos e ameaças, os quais recaem agora sobre os indivíduos. Ao ideal moderno de controle e previsibilidade dos riscos, soma-se, por um lado, a necessidade concreta de enfrentar ameaças que escapam à ação institucional e, por outro, a perspectiva ideológica de que crises sistêmicas poderiam e deveriam ser resolvidas no âmbito pessoal. Esse movimento encobre as contradições estruturais e a natureza coletiva dos riscos socialmente construídos, reforçando o foco no desempenho individual (Beck, 2011; Han, 2017; Leão, 2018).

Já com o foco de análise voltado para o estado de São Paulo, mas com achados muito semelhantes ao já citados anteriormente, a pesquisa de Camargo (2022) explora como a escola, enquanto espaço de convivência e aprendizado, contribui para a construção da identidade dos jovens. Ele reflete sobre a implementação do Programa de Ensino Integral (PEI) e dos Projetos de Vida em escolas públicas de São Paulo, observando que o discurso de protagonismo e inovação do PEI pode, em alguns casos, reforçar uma ideologia de mérito individualista, afastando o Estado de sua responsabilidade na promoção de uma educação emancipadora. Para Camargo (2022), embora os documentos utilizem uma linguagem sobre a autonomia e o desenvolvimento, eles frequentemente perpetuam uma lógica neoliberal que responsabiliza o jovem por seu sucesso ou fracasso, desconsiderando o contexto social e econômico em que ele vive.

Nesse ínterim, Reis e Rodrigues (2023) abordam em seu artigo que a flexibilização curricular que introduziu os itinerários formativos conectados ao PV dos estudantes focou-se apenas em ideais individualistas e empreendedores, desvalorizando o conhecimento científico e limitando o desenvolvimento dos alunos, restringindo a educação a habilidades pragmáticas e adaptativas para o mercado de capital. A atomização do currículo, impõe ao aluno a responsabilidade pelo próprio sucesso ou fracasso, isentando o Estado de suas obrigações políticas e marginalizando questões sociais importantes para o fomento de uma educação emancipadora. Para Vicentin e Silveira (2021), o neoliberalismo como ferramenta do capital, transforma a educação em um bem econômico, priorizando o empreendedorismo e a competitividade, incentivando os estudantes a projetarem seu futuro em um contexto de incerteza, alinhando suas trajetórias pessoais às exigências do mercado.

Finalmente, ao debruçar-se sob os materiais didáticos do PV, Silva e Morais (2022) constataram que os discursos produzidos acerca do trabalho encontram-se alinhados aos ideais neoliberais, especialmente por destacarem a instabilidade do mercado e incentivarem que o indivíduo construa seu PV adaptando-se e aceitando essa imprevisibilidade. No mais, os materiais promovem o desenvolvimento constante de habilidades e competências, incentivam um estado de autoavaliação contínua e competitiva, sugerem que emoções e sentimentos devem ser controlados e aprimorados como se fossem habilidades técnicas; atribuem ao trabalhador a responsabilidade pelo próprio sucesso ou fracasso no mercado - minimizando o papel do sistema na criação de desigualdades -, e exaltam, implicitamente, a flexibilização de direitos trabalhistas sob a justificativa de uma suposta ”liberdade individual”.

Em suma, as pesquisas analisadas nesta revisão evidenciaram que o PV deixou de ser mera ferramenta para projeção de desejos e objetivos e se tornou, propositalmente, um dispositivo para mensuração das experiências dos estudantes, fortalecendo a responsabilização individual pelo desempenho pessoal, profissional e social desses sujeitos.

Considerações finais

O presente estudo teve como objetivo investigar o impacto do componente curricular "PV" no Novo Ensino Médio brasileiro, analisando como o mesmo reflete e reforça ideologias neoliberais na educação. Ao longo da análise, observou-se que o PV, ao invés de promover uma formação crítica e emancipadora, reforça valores neoliberais, centrados no empreendedorismo e na responsabilização individual pelo sucesso. Esses achados revelam como a lógica do “empreendedor de si” permeia os materiais e discursos educacionais, moldando identidades alinhadas ao mercado, o que representa um afastamento da função social original da educação.

Observou-se que o neoliberalismo, que adentra os muros escolar, aproxima o presente e o futuro dos alunos, forçando-os a antecipar e projetar suas vidas em um contexto de incerteza e ilusões. A figura do "empreendedor de si", responsabilizado por sua própria vida e sucesso, é caracterizada pela capacidade de identificar oportunidades, inovar e adaptar-se a um mercado de trabalho em constante mudança, e a uma sociedade de classe em que poucos detém o poder. Essa noção enfatiza a autocoerção e a autoculpabilização, colocando a carga do sucesso pessoal e profissional inteiramente sobre os ombros do indivíduo, o que pode gerar sofrimento psíquico, evasão e/ou abandono escolar.

Uma inquietação que ainda permanece enérgica, se refere à necessidade de estudos de campo que analisem a vivência dos estudantes com o PV, assim como o seu impacto na construção de perspectivas de vida e carreira profissional. Este aspecto qualitativo, dinâmico e experiencial poderia enriquecer a compreensão do efeito dessas políticas na formação de subjetividades.

Assim como toda pesquisa, este estudo teve limitações, como a análise de estudos provenientes de apenas 3 bases de dados de difusão científica. Estudos futuros poderiam expandir esses critérios para abarcar outras fontes e contextos, possibilitando uma visão ainda mais abrangente acerca das implicações do neoliberalismo na educação básica brasileira.

Como citar: GLATZ, Emanoela Thereza Marques de Mendonça; YAEGASHI, Solange Franci Raimundo; BIANCHINI, Luciane Guimarães Batistella. Empreender para (sobre) viver: o estado da arte do Novo Ensino Médio e a legitimação de um Projeto de Vida. Revista Diálogo Educacional, Curitiba: PUCPRESS, v. 25, n. 84, p. 86-105, 2025. https://doi.org/10.7213/1981-416X.25.084.DS05

1Para Adorno (1996), a cultura - ao se alinhar diretamente com a organização social capitalista -, afastou-se de uma formação universal que pudesse promover a autonomia e a liberdade do pensamento, usando a razão de forma instrumentalizada. Dessa forma, o fenômeno cultural é reduzido a um processo industrial e comercial, que fortalece os mecanismos sociais de dominação e, assim, perde seu caráter emancipador. Transforma-se, então, em uma semicultura, uma cultura superficial e ilusória, em que a racionalidade se torna paradoxalmente irracional.

Agradecimentos

Expressamos nossa gratidão à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) pela concessão de bolsa de doutorado à primeira autora.

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Recebido: 31 de Outubro de 2024; Aceito: 03 de Janeiro de 2025; Publicado: 18 de Março de 2025

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