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Revista Brasileira de Educação Médica

versão impressa ISSN 0100-5502versão On-line ISSN 1981-5271

Rev. Bras. Educ. Med. vol.44 no.4 Rio de Janeiro  2020  Epub 19-Nov-2020

https://doi.org/10.1590/1981-5271v44.4-20200082 

Revisão

Sentimentos dos Estudantes de Medicina e Médicos Residentes ante a Morte: uma Revisão Sistemática

Feelings of Medical Students and Resident Doctors Facing Death: a Systematic Review

Taísa Izabela Magalhães e SouzaI 
http://orcid.org/0000-0002-2821-5391

Larissa Cristina de AssisI 
http://orcid.org/0000-0001-9610-8304

Lorena Olimpio da SilvaI 
http://orcid.org/0000-0001-6927-9941

Thales Henrique Oliveira Magalhães e SouzaI 
http://orcid.org/0000-0001-6758-3368

Hermem de Almeida Campos TadeuII 
http://orcid.org/0000-0002-3550-8432

Marcelo Esteves Chaves CamposI 
http://orcid.org/0000-0002-8093-8052

Maria Aparecida TurciI 
http://orcid.org/0000-0002-4380-4231

1Universidade José do Rosário Vellano, Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil.

2Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil.


Resumo:

Introdução:

Como os profissionais da área médica terão que lidar com a questão da morte, este trabalho teve como objetivos identificar os sentimentos dos estudantes de Medicina e dos médicos residentes do Brasil ante o morrer e a morte, e compreender como eles vivenciam a própria formação durante a graduação e a especialização para esse enfrentamento.

Método:

Trata-se de uma revisão sistemática da literatura feita com base na metodologia PRISMA. A revisão foi conduzida entre agosto e dezembro de 2019 com os descritores “estudantes de medicina”, “medical students”, “morte” e “death”, pesquisados na Biblioteca Virtual de Saúde (BVS).

Resultados:

Dos 372 artigos identificados na busca, 18 estudos publicados atendiam a todos os critérios de inclusão e exclusão estabelecidos. Quanto à análise dos artigos em relação aos sentimentos dos estudantes de Medicina e dos médicos residentes perante situações de morte, percebeu-se que a maioria dos estudos relatou experiências negativas, como medo, insegurança, tristeza, raiva e culpa. Apesar de ainda serem incipientes as disciplinas e estratégias institucionalizadas, parece que, com o decorrer do curso e da prática profissional, os sentimentos negativos são amenizados, porque se vivenciam com mais frequência contextos de terminalidade e morte, oportunizando, assim, o aprendizado por meio da observação e postura perante essas situações práticas, visto que a morte e suas interfaces fazem parte do cotidiano médico.

Conclusões:

Os estudantes de Medicina e os médicos residentes do Brasil apresentam desconforto e dificuldade em lidar com os processos de morte e do morrer. Para modificar esse cenário de despreparo, é consenso entre eles a necessidade de incluir disciplinas teórico-práticas de Tanatologia, Cuidados Paliativos e Psicologia Médica no currículo das faculdades de Medicina e reformular o conteúdo delas de forma a abordar mais profundamente o processo de morte no contexto prático.

Palavras-chave: Estudantes de Medicina; Morte; Brasil; Pacientes; Cuidados Paliativos

Abstract:

Introduction:

Most professionals in the medical field will have to deal with the issue of death. This paper aims to describe the feelings of Brazilian medical students and resident doctors regarding end of life and death, as well as to understand how they experience their undergraduate training and specialization in dealing with this process.

Method:

This is a systematic literature review based on the PRISMA methodology, conducted between August and December 2019 with the descriptors “medical students” and “death,” in both English and Portuguese, in papers indexed in the Virtual Health Library (VHL).

Results:

372 papers were identified in the search; 18 were published studies that met all the established inclusion and exclusion criteria. Analysis of the articles concerning the feelings of medical students and resident doctors facing situations involving death revealed that most studies reported negative experiences, such as fear, insecurity, sadness, anger, and guilt. Despite the subjects and institutionalized strategies still being relatively new, it would seem that as their training and professional practice progress, the young doctors’ negative feelings are attenuated as they experience end-of-life and death situations more frequently, thus learning through observation and posture in these practical situations, seeing as death and dealing with it is part of everyday medical work.

Conclusions:

Medical students and medical residents in Brazil experience discomfort and difficulty in dealing with the processes of death and dying. To improve their preparedness in this respect, there is a consensus among them about the need to include the theoretical/practical disciplines of Thanatology, Palliative Care and medical psychology in the medical curriculum and to reformulate the content in order to approach the subject of death in a more practical context.

Keywords: Medical Students; Death; Brazil; Patients; Palliative Care

INTRODUÇÃO

A morte é um fenômeno universal inerente à condição humana, permeada de simbolismos, significados e valores, variando no decorrer da história e entre as diversas culturas1. Ao fazer uma análise histórica da relação do homem ocidental com a morte, Philippe Ariès2 relatou que, no passado, a morte fazia parte da cena cotidiana da vida, era natural e familiar. Ao longo dos séculos, a intimidade do homem com a morte deu lugar a uma atitude de medo e negação, transformando-a em um tabu social3.

Na cultura ocidental dos dias atuais, a morte saiu das casas, afastou-se do seu ciclo familiar e instalou-se nos hospitais¹. Porém, de forma ambivalente, o ambiente médico nem sempre está preparado para alicerçar tal temática. Prepondera, muitas vezes, a conspiração do silêncio: não se fala em morte, e, quando se deparam com tal situação, os profissionais não estão preparados para o assunto, gerando um certo distanciamento em relação aos pacientes que têm doenças terminais4. O despreparo médico para lidar com o processo de morrer é evidente desde a formação na graduação, visto que a maioria dos cursos de Ciências da Saúde, especialmente o de Medicina, ainda é falha em discutir e ensinar sobre a morte e o morrer5.

O que se percebe é que o ensino médico é muito focado no tratamento curativo, e isso se tornou ainda mais evidente a partir do século XVIII, com o desenvolvimento científico e tecnológico, e com a institucionalização do doente terminal, pois o médico deixou de ser um mero espectador no processo do morrer e passou a ter um papel ativo, visando principalmente à cura3.

Dessa forma, o estudante de Medicina foi estimulado a focar sua atenção nas doenças, dando menos importância aos aspectos humano e psicológico envolvidos no enfrentamento da morte. Pode-se perceber que isso ainda é valorizado no ensino médico. A grade curricular e os fatores envolvidos na aprendizagem e formação do médico são bastante responsáveis por essa maneira de empregar esforço laboral em busca da cura como se fosse a única alternativa possível6.

A terminalidade da vida, o sofrimento, o medo e as ansiedades por ela despertadas são uma realidade constante no cotidiano dos trabalhadores de saúde, o que justifica a necessidade de implementar orientações sobre o tema durante a aprendizagem nas faculdades de Medicina4. As diretrizes nacionais vêm impulsionando mudanças nos currículos médicos, visando à formação reflexiva de um profissional com características humanitárias. Muitas escolas buscam implementar metodologias ativas, baseadas na andragogia, e também inserem em seus currículos o ensino da bioética. Porém, de acordo com um estudo realizado pela Academia Nacional de Cuidados Paliativos (ANCP), tal iniciativa ainda é muito incipiente, visto que no Brasil menos de 5% das faculdades de Medicina apresentam em seus currículos acadêmicos a disciplina de Cuidados Paliativos7.

Com base nessas premissas e com o intuito de subsidiar a institucionalização de estratégias para a melhoria do ensino e da assistência sobre o processo do morrer e da morte, foi proposto o presente estudo. Seus objetivos são descrever os sentimentos dos estudantes de Medicina e dos médicos residentes do Brasil ante o morrer e a morte, e buscar compreender como são as vivências e experiências durante a sua formação na graduação e especialização para o enfrentamento desse processo.

MÉTODOS

Trata-se de revisão sistemática da literatura, conduzida pelas pesquisadoras A. L. C., S. L. O. e S. T. I. M., e a redação do trabalho final foi realizada conforme a recomendação dos Principais Itens para Relatar Revisões Sistemáticas e Metanálises (Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses - PRISMA)8. Realizou-se busca on-line no Portal Regional da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) que é um espaço de integração de fontes de informação em saúde que abrange diversas bases de dados, incluindo Literatura Latino-Americana em Ciências da Saúde (Lilacs), Biblioteca Regional de Medicina (Bireme) e Medical Literature Analysis and Retrieval System Online (Medline). Foram usados os descritores: “estudantes de medicina”, “medical students”, “morte” e “death” com filtro Brasil em país/região de tema. A consulta ao portal foi realizada de agosto a dezembro de 2019.

Os critérios de inclusão foram: 1. artigos que abordavam os sentimentos e/ou a formação dos estudantes de medicina e dos médicos residentes em lidar com o processo de morrer e da morte no decorrer do curso de graduação e residência e/ou a percepção a respeito do tema; 2. estudos em português e inglês. Não se delimitou o ano de publicação. Excluíram-se os artigos que analisavam escolas médicas estrangeiras, estudos de revisão da literatura, relatos de caso e estudos que analisavam estudantes de outras graduações da área da saúde.

O rastreamento dos estudos foi feito de forma independente pelos pesquisadores a partir da avaliação dos títulos e resumos. Em caso de discordância entre os pesquisadores, nessa etapa os estudos eram incluídos. Em seguida, realizou-se a seleção dos estudos a partir da leitura completa dos textos, obedecendo rigorosamente aos critérios de inclusão e exclusão definidos no protocolo de pesquisa. Essa etapa também foi realizada de forma independente. Em caso de discordância, os pesquisadores com o apoio da orientadora arbitravam sobre a seleção do artigo em reunião de consenso.

Os dados foram extraídos de maneira padronizada pelos revisores, que trabalharam novamente de forma independente. Coletaram-se as variáveis relativas às características dos estudos (autor, nome do artigo, local de realização, desenho do estudo, forma de coleta dos dados e tipo de instituição), dados relativos à amostra de cada estudo (número de participantes e período do curso ou especialização), bem como os resultados dos estudos quanto às reações e aos sentimentos diante do morrer e da morte.

RESULTADOS

A seleção dos artigos para a revisão sistemática foi feita de acordo com o fluxograma apresentado na Figura 1. Na busca automática, identificaram-se 372 artigos, dos quais se rastrearam 43 após leitura de títulos e resumos. Depois da leitura integral do texto, incluíram-se 18 artigos.

Fonte: Elaborada pelos autores.

Figura 1 Fluxograma das etapas de seleção dos estudos 

Os 18 estudos identificados nesta revisão foram publicados entre 1998 e 2019, em sua maioria a partir de 2008. A maioria dos artigos abordou as reações e os sentimentos dos estudantes ou residentes de Medicina perante as situações de morte durante a formação médica. Outros artigos apontaram discussões sobre os aspectos psicossociais relacionados ao processo de morrer e da morte e o papel da educação médica na formação dos alunos para que possam lidar com essas questões.

Para a análise dos resultados, os artigos foram organizados no Quadro 1, de acordo com autor, título, local, tipo de estudo, população estudada e reações e sentimentos mais predominantes perante a morte.

Quadro 1 Características dos estudos incluídos na revisão 

Autor/título Ano de publicação Tipo de estudo População estudada Reações e sentimentos predominantes perante a morte
Storarri, Castro et al.9 Confidence in palliative care issues by medical students and internal medicine residents (São Paulo) 2019 Estudo transversal de cunho descritivo com 336 pessoas, sendo estudantes de Medicina do primeiro ao sexto ano e residentes do primeiro ou segundo ano. Falta de preparo para dar más notícias a pacientes e suas famílias.
Marques, Oliveira et al.10 Percepção, atitudes e ensino sobre a morte e terminalidade da vida no curso de Medicina da Universidade Federal do Acre (Acre) 2019 Estudo qualitativo e quantitativo com 66 estudantes de Medicina, do oitavo e 11º períodos. Por um lado, a morte parece provocar angústia e medo, e, por outro, de maneira aparentemente contraditória, o perfil de atitude predominante era caracterizado pela visão da morte como algo natural, a morte como parte da própria vida (aceitação neutra).
Santos e Pintarelli.11 Educação para o processo do morrer e da morte pelos estudantes de Medicina e médicos residentes (Paraná) 2019 Estudo transversal quantitativo e observacional com 898 pessoas, sendo estudantes de Medicina e médicos residentes. O contato com pacientes em processo de morte gerou efeitos variados, sendo os mais relatados: aumento da sensibilidade, aumento da religiosidade, aumento do gosto pela medicina, tristeza e angústia.
Meireles, Feitosa et al.12 Percepção da morte para médicos e alunos de medicina (Minas Gerais) 2019 Estudo transversal, descritivo e de abordagem quantitativa com 92 pessoas, sendo estudantes de Medicina do segundo, terceiro e quarto períodos, médicos do Sistema Único de Saúde (SUS) e médicos de um hospital particular. A maioria dos entrevistados sente-se despreparada para enfrentar a esfera familiar da morte dos doentes.
Pereira, Rangel et al.7 Identificação do nível de conhecimento em cuidados paliativos na formação médica em uma escola de Medicina de Goiás (Goiás) 2019 Estudo quanti-qualitativo com 81 estudantes de Medicina do sexto ano. A maioria não se sente preparada para lidar com a morte. Há dificuldade de lidar com os aspectos gerais da terminalidade, como a própria finitude da vida, aceitação da não cura e falhas na comunicação, especialmente quando envolve más notícias.
Santos, Lins et al.13 “As intermitências da morte” no ensino da Ética e Bioética (Bahia) 2018 Estudo descritivo com análise qualitativa com 47 estudantes de Medicina do primeiro ano. Angústia, ansiedade, medo, solidão e fracasso.
Malta, Rodrigues et al.14 Paradigma na formação médica: atitudes e conhecimentos de acadêmicos sobre morte e cuidados paliativos (São Paulo) 2018 Estudo de coorte quantitativo com 240 estudantes de Medicina. Medo de lidar com a morte.
Correia et al.15 Cuidados paliativos: importância do tema para discentes de graduação em Medicina (Alagoas) 2018 Estudo quantitativo, descritivo e transversal com 134 estudantes de Medicina do quinto e sexto anos. Ansiedade ou desconforto ao pensar na morte de seus pacientes.
Alves, Alves et al.16 Evaluation of medical interns’ attitudes towards relevant aspects of medical practice (Brasília) 2017 Estudo transversal quantitativo com 120 estudantes de Medicina do primeiro ao sexto ano. O enfrentamento da morte representa um grande desafio para a educação médica.
Duarte, Almeida et al.4 A morte no cotidiano da graduação: um olhar do aluno de Medicina (São Paulo) 2015 Estudo qualitativo com 26 estudantes de Medicina do quarto e sexto anos. A morte aparece como um tabu, por ser pouco abordada e discutida. Os alunos do quarto ano referem sentimentos e sensações desagradáveis, já os do sexto relatam que as experiências oportunizaram o aprendizado por meio da observação.
Santos, Menezes et al.17 Conhecimento, envolvimento e sentimentos de concluintes dos cursos de Medicina, Enfermagem e Psicologia sobre ortotanásia (São Paulo) 2013 Estudo qualitativo com 22 alunos: seis do curso de Medicina, dez de Enfermagem e seis de Psicologia. Dificuldades com a experiência.
Andrade, Deus et al.18 Avaliação do desenvolvimento de atitudes humanísticas na graduação médica (Brasília) 2011 Estudo transversal, qualitativo-quantitativo com 120 estudantes de Medicina do primeiro ao sexto ano. Despreparo para confortar e transmitir as más notícias às famílias.
Azeredo, Rocha et al.19 O enfrentamento da morte e do morrer na formação de acadêmicos de Medicina (Rio Grande do Sul) 2011 Estudo qualitativo com cinco estudantes de Medicina do internato. Sensação de frustração e um sentimento de incapacidade, pois existe um despreparo, para lidar “dignamente” com a morte.
Silva e Ayres.5 O encontro com a morte: à procura do mestre Quíron na formação médica (Rio Grande do Norte) 2010 Estudo qualitativo com 19 pessoas, sendo estudantes de Medicina do primeiro ao sexto ano e residentes do primeiro e segundo anos. Tema evitado, pouco abordado e presenciado de forma acidental.
Mascia et al.20 Atitudes frente a aspectos relevantes da prática médica: estudo transversal randomizado com alunos de segundo e sexto anos (São Paulo) 2009 Estudo transversal randomizado com abordagem quali-quantitatiiva com 82 estudantes de Medicina do segundo e sexto anos. Pouco contato com a morte de pacientes durante o curso. Alunos do sexto ano referiram aprendizado e aceitação da morte, enquanto alunos do segundo ano ressaltaram: “culpa”, “raiva”, “sentimento ruim”.
Marta, Marta et al.21 O estudante de Medicina e o médico recém-formado frente à morte e ao morrer (São Paulo) 2009 Estudo transversal de cunho descritivo com 220 pessoas, sendo estudantes de Medicina do terceiro ano e médicos residentes. A maioria dos estudantes contraria a aceitação da morte como um continuum da vida, porém a maioria dos residentes afirma aceitação da morte como um processo natural e como o fim de um ciclo.
Sadala e Silva.22 Cuidar de pacientes em fase terminal: a experiência de alunos de Medicina (São Paulo) 2008 Estudo qualitativo com 24 estudantes de Medicina do quinto e sextos anos. A morte é um processo natural para alguns; para outros, um processo de sofrimento.
Vianna e Piccelli.23 O estudante, o médico e o professor de Medicina perante a morte e o paciente terminal (Brasília) 1998 Inquérito com 326 pessoas, sendo estudantes de Medicina, médicos residentes e professores de Medicina. Sensação de repulsa e desespero, porém interesse no assunto.

Fonte: Elaborado pelos autores.

Os estados brasileiros que contribuíram com estudos foram: São Paulo (n = 7), Brasília (n = 3), Bahia (n = 1), Minas Gerais (n = 1), Rio Grande do Sul (n = 1), Rio Grande do Norte (n = 1), Acre (n = 1), Alagoas (n = 1), Paraná (n = 1) e Goiás (n = 1), conforme demonstrado na Tabela 1. Dos 18 artigos selecionados, cinco (27,7%) foram estudos qualitativos; dois (11,1%), quantitativos e qualitativos; dois (11,1%), quantitativos; oito (44,4%), transversais; e um (5,5%), estudo de coorte. A maior parte dos estudos utilizou questionários para avaliar os sentimentos e as reações da população estudada diante da morte (n = 11). Seis artigos utilizaram entrevistas para a coleta de informações, e um artigo adotou a avaliação curricular do componente Ética e Bioética da instituição para coletar as informações.

Tabela 1 Informações dos artigos analisados 

Variáveis n %
Estados    
São Paulo 7 38,89
Brasília 3 16,67
Bahia 1 5,56
Minas Gerais 1 5,56
Rio Grande do Sul 1 5,56
Rio Grande do Norte 1 5,56
Acre 1 5,56
Alagoas 1 5,56
Paraná 1 5,56
Goiás 1 5,56
Tipo de estudo    
Qualitativos 8 44,44
Quali-quantitativos 4 22,22
Quantitativo 6 33,33
Usou questionário para avaliar sentimentos    
Sim 11 61,11
Não 7 38,89
Gestão da universidade    
Pública 9 50,00
Privada 3 16,67
Sem informação 6 33,33
Total 18 100,00

Fonte: Elaborada pelos autores.

Com relação às instituições de ensino que participaram dos estudos, a maior parte corresponde a universidades públicas (n = 9), três estudos foram feitos em instituições privadas e seis não informaram tal dado.

Quanto à população estudada, somam-se 1.828 estudantes dos 18 artigos, sendo 1.507 alunos realizando a graduação em Medicina e 321 médicos residentes, recém-formados. Dos estudos avaliados, 249 alunos haviam sido preparados para lidar com a morte por meio de disciplinas presentes em suas grades curriculares.

Quanto à análise dos artigos em relação aos sentimentos dos estudantes, a maioria dos alunos, tanto os do segundo como os do sexto ano, quando questionados sobre seus sentimentos perante situações de morte, referiu experiências associadas com a morte de algum parente ou pessoa próxima, mas poucos alunos mencionaram experiências relacionadas com a morte de pacientes durante o curso de graduação. Os alunos do sexto ano falaram sobre aprendizado e aceitação da morte, enquanto os alunos do segundo ano ressaltaram o lado negativo da experiência, utilizando palavras como: “culpa”, “raiva”, “sentimento ruim”20. Silva e Ayres5 identificam que a experiência com o processo de morte e morrer ocorre mais ao final da graduação com a maioria dos estudantes.

Quanto à habilidade para lidar com a morte, Vianna e Piccelli23 constataram que a dificuldade ante as situações de morte entre os residentes é menor se comparada aos estudantes, principalmente os da fase pré-clínica do curso de Medicina, sugerindo que as experiências clínicas durante a residência contribuíram para que eles aprendessem a lidar melhor com a morte. Porém, ao mesmo tempo, a maioria dos residentes e dos professores do estudo relatou muita dificuldade para tratar do tema e até mesmo tentava evitá-lo.

Silva e Ayres5 e Vianna e Piccelli23 identificam em seus estudos que as experiências de ensino-aprendizagem são bastante escassas durante a graduação, sendo o tema pouco abordado e com frequência evitado. Esse fato foi reforçado na pesquisa de Azeredo, Rocha et al.19, que constataram que, ainda hoje, os alunos são estimulados a ver o paciente de forma mais objetiva e impessoal, negligenciando fatos triviais que ocorrem durante a prática médica, como a dor e o sofrimento. Os estudantes sentem-se pouco encorajados a desenvolver habilidades para lidar com a morte, e, na maior parte dos cursos, esse tema é negligenciado como competência na formação médica.

Apenas um estudo trouxe informações de acadêmicos que se sentiam mais preparados para lidar com a morte por terem recebido alguma preparação durante o curso. A instituição onde foi feita a pesquisa possuía um Programa Educacional de Habilidades e Atitudes Profissionais voltado ao treinamento do estudante em semiologia e comunicação médica, numa visão biopsicossocial, desenvolvido nos primeiros períodos do curso. Embora houvesse grande negatividade e insegurança para confortar e transmitir as más notícias, a maioria se sentia preparada para comunicar a morte em um serviço de urgência18.

Sobre a institucionalização da formação para lidar com a morte, dos 18 artigos selecionados, um menciona essa preparação curricular no ambiente pesquisado, um trabalho não especifica tal informação, cinco informam que, entre a população estudada, uma parte obteve preparação acadêmica e outra não (sendo comum a maior parte da amostra sem preparação), porém a maioria dos estudos (n = 11) aponta a deficiência de formação teórico-prática relacionada à morte.

De acordo com Duarte, Almeida et al.4, faltam experiências voltadas para o ensino de habilidades comunicacionais e competências na esfera da sensibilidade humana, e tais saberes também são necessários para a formação do médico, contribuindo para seu próprio bem-estar e para o sistema de saúde de modo geral.

No estudo de Pereira, Rangel et al.7, a maioria dos entrevistados relatou ter sentido falta de mais contato com a disciplina Cuidados Paliativos e com a sua vivência na prática médica diante de pacientes que necessitam dessa técnica para ter uma melhora da qualidade de vida.

Em um estudo com médicos e alunos de Medicina sobre a percepção da morte, a maior parte dos médicos se sente preparada para lidar com a morte por conta dos anos de experiência profissional, o que não ocorre com a maioria dos discentes pesquisados. Porém, ambos os grupos enfatizam a necessidade da implantação de disciplina de Tanatologia no currículo ao longo do curso de Medicina12.

O estudo de Santos e Pintarelli11 realizado com estudantes de Medicina e médicos residentes também apresenta concordância com os outros estudos, apontando que 58,9% dos estudantes de Medicina e 48,9% dos médicos residentes negaram ter recebido preparação sobre o morrer e a morte durante a formação médica.

Já os alunos de Medicina participantes do estudo de Azeredo, Rocha et al.19 afirmam que há a necessidade de incluir o ensino sobre a morte de pacientes nas práticas de estágios, não só de forma teórica.

DISCUSSÃO

Até meados do século XX, o homem vivenciava a morte no cenário domiciliar. Estavam com ele a família e os amigos. Seus desejos e suas vontades eram respeitados, pois lhe era permitido expressá-los. Era raro o doente ser encaminhado ao hospital para morrer2. Com a aceleração do processo de interdição da morte, ela saiu das casas e instalou-se nos hospitais. Com isso, os profissionais de saúde começaram a conviver com a terminalidade da vida de uma forma constante, e nem sempre estavam preparados para lidar com tal temática, visto que a morte é considerada um tabu social e, portanto, é pouco discutida2. Aparentemente, a conspiração do silêncio começou a ser questionada recentemente, visto que a maior parte dos estudos encontrados foi publicada nos últimos anos, com representatividade de todos os estados brasileiros.

Quando se analisam os sentimentos dos estudantes de Medicina em relação à morte, pode-se perceber que a terminalidade da vida remete a sentimentos e sensações de fundo predominantemente negativo, com significado principal de fracasso, impotência e imperícia. Os alunos também revelam sentimentos de medo e angústia perante as experiências com a morte4. Isso mostra que a morte continua sendo um tabu dentro das escolas de Medicina e que, muitas vezes, não há um ensino diferenciado para os alunos, restando-lhes apenas suas vivências e observações pessoais, como crenças, valores e experiências que o indivíduo adquiriu durante a vida.

Segundo os alunos, os profissionais de saúde parecem evitar o confronto com a morte, a qual é historicamente negada na sociedade ocidental24. Dessa forma, os profissionais de saúde parecem favorecer a conspiração do silêncio. Embora o ambiente hospitalar seja o palco principal em que os profissionais convivem diariamente com a terminalidade da vida, pouco ou quase nunca se fala sobre a morte ou sobre as situações que remetem a ela.

De acordo com os estudos, os profissionais de saúde têm dificuldade de lidar com a morte porque o ensino da Medicina, na sociedade contemporânea ocidental, é pautado quase exclusivamente no modelo técnico-científico de valorização absoluta da cura, no qual o cuidado médico, a medicina à beira do leito, o toque, a escuta e o olhar comprometido com o paciente são deslocados para um patamar secundário. Nesse contexto, a morte, parte integral do ciclo da vida, passa a ser considerada evento indesejável, prorrogável e que se pretende expulsar do cotidiano25. O foco é sempre nos órgãos e sistemas acometidos pelas doenças e tende-se a perder progressivamente a visão sobre o todo, sobre o organismo vivo e inter-relacionado que alberga o órgão doente. Dessa forma, valorizam-se apenas o diagnóstico e a cura da doença, colocando em segundo plano o cuidado com o ser humano que adoeceu26.

Uma diferença observada refere-se ao fato de que, apesar de os alunos, tanto dos primeiros ou últimos anos, reportarem sentimentos negativos em relação à morte, estes são amenizados no decorrer do curso, já que os alunos de períodos mais avançados vivenciam com mais frequência contextos de terminalidade4.

De forma contraditória, a maioria dos médicos, sejam eles com diferentes especializações e/ou com alta qualificação profissional, continua tendo dificuldades para lidar com a morte, relatando sentimentos de incômodo e angústia1. O que se percebe é que a maioria deles lida com a morte no cotidiano da profissão e com o passar do tempo, por meio de muito sofrimento, vai adquirindo maturidade profissional e emocional. Porém, mesmo após anos de experiência, ainda há relativa apreensão e sentimento de impotência quando vivenciam a perda de pacientes1.

Com isso, pode-se deduzir que os alunos de períodos avançados possuem um ilusório sentimento de maior preparo para lidar com a terminalidade da vida após poucas vivências e observações4. Porém, percebe-se que o médico recém-formado ou mesmo aqueles que possuem anos de profissão, quando confrontados com um cenário de morte inevitável, travam uma luta solitária, o que indica claros custos emocionais exigidos no exercício da clínica27.

A vulnerabilidade emocional pode prejudicar a vida pessoal e profissional do médico. Essa situação pode levar a uma sobrecarga, denominada síndrome de burnout, uma das consequências mais marcantes do estresse profissional, que se caracteriza por exaustão emocional e física, despersonalização e diminuição da capacidade de realização pessoal. Refere-se a um tipo de tensão emocional crônica de pessoas que cuidam de maneira muito intensa de outros indivíduos. Além disso, há uma elevada taxa de dependência química, depressão e suicídio entre os médicos21.

A falta de preparo médico pode influenciar negativamente também o cuidado com o paciente, visto que o médico, para defender-se dos seus temores relacionados à morte, muitas vezes se isola e se fragmenta. Há ruptura na comunicação entre médico e paciente verificada pela atitude de não falar da doença e da morte. Consequentemente isso gera um maior distanciamento médico-paciente e uma pior relação em um momento tão delicado21),(23.

Há um consenso na literatura, percebido em todos artigos utilizados para a preparação deste trabalho, de que a maioria dos jovens médicos e dos estudantes de Medicina tem pouco ou nenhum apoio pedagógico durante a graduação. Dos 1.828 alunos analisados, apenas 249 receberam preparo para lidar com a morte por meio de disciplinas presente em suas grades curriculares, correspondendo apenas a 13% de todos os estudantes. Em Minas Gerais, apenas duas instituições oferecem, em caráter curricular, o estudo de Tanatologia e Cuidados Paliativos26. Logo, os estudos apontam para a necessidade de introduzir conteúdos que visem desenvolver competências interpessoais, capacidade de reflexão sobre questões de ética e deontologia médica, envolvendo a terminalidade da vida.

A maioria dos artigos relata a necessidade de um curso teórico que aborde a temática, para que o estudante seja inserido em diversas situações de conflito do binômio “vida e morte”, fazendo com que ele desenvolva suas ferramentas cognitivas e afetivas, para que, ao se deparar com a situação real, não tenha um impacto que o faça sofrer de maneira disfuncional. Em estágios acadêmicos mais avançados, o ideal seria que o aluno tivesse maior contato pessoal e profissional com os pacientes terminais, sempre monitorados por cuidadores mais experientes que possam transmitir segurança em suas atitudes14. Os alunos precisam de exemplos que os inspirem a lidar com esses pacientes, e cabe aos professores e preceptores agir para detectar os sentimentos e as dificuldades que os discentes enfrentam, além de compartilhar suas próprias experiências como estratégia de orientação19.

É necessário criar um cenário de discussões sobre morrer e morte de forma longitudinal ao longo do curso de Medicina, com uma visão mais humanística e holística do ser humano, desmistificando a ideia do médico que apenas trata e cura em favor do médico que se importa, independentemente de sua especialidade e do prognóstico do paciente10),(28.

Se bem utilizadas, as experiências acadêmicas com pacientes em fim de vida podem ser valiosas oportunidades de ensino e aprendizado. Lições como bons princípios na relação médico-paciente, discussões sobre questões bioéticas, estratégias para lidar com a morte, noções de autocuidado e profissionalismo, trabalho em equipe e autocrítica podem ser estimuladas desde o início da graduação até o final da carreira médica10.

CONCLUSÕES

Estudantes de Medicina e médicos residentes apresentam desconforto em lidar com os processos de morte e do morrer, e citam sentimentos predominantes de angústia, incômodo e despreparo. O tema ainda é pouco trabalhado de maneira formal nos cursos médicos e de residência, e os alunos vão aprendendo a lidar com situações de sofrimento e com a finalidade da vida na prática, durante os atendimentos. Portanto, os estudantes de Medicina e médicos residentes do Brasil apontam a necessidade de incluir disciplinas teórico-práticas de Tanatologia e Cuidados Paliativos no currículo das escolas médicas para modificar esse cenário de despreparo.

REFERÊNCIAS

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Recebido: 07 de Abril de 2020; Aceito: 16 de Outubro de 2020

ENDEREÇO PARA CORRESPONDÊNCIA Taísa Izabela Magalhães e Souza. Rua Manoel Aramuni, 75, ap. 301, Conjunto Califórnia, Belo Horizonte, MG, Brasil. CEP: 30850-610. E-mail: taisamagalhaes95@gmail.com

CONTRIBUIÇÃO DOS AUTORES

Taísa Izabela Magalhães e Souza, Larissa Cristina de Assis, Lorena Olimpio da Silva e Thales Henrique Oliveira Magalhães e Souza contribuíram na escrita do artigo, na seleção em duplicata, na extração de dados e na análise dos resultados. Hermem de Almeida Campos Tadeu contribuiu na escrita e formatação do artigo. Marcelo Esteves Chaves Campos contribuiu na orientação para o desenvolvimento e a formatação do artigo. Maria Aparecida Turci contribuiu na orientação para o desenvolvimento e a formatação do artigo, e na análise crítica final para publicação.

CONFLITO DE INTERESSES

Os autores declaram não haver conflito de interesses neste estudo.

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