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Revista Brasileira de Educação Médica

Print version ISSN 0100-5502On-line version ISSN 1981-5271

Rev. Bras. Educ. Med. vol.49 no.2 Rio de Janeiro  2025  Epub May 15, 2025

https://doi.org/10.1590/1981-5271v49.2-2024-0240 

RELATO DE EXPERIÊNCIA

World Café: estratégia didática que oportuniza a comunicação e a construção coletiva do conhecimento

Sandra Helena Cerrato Tibiriçá1  4  , contribuiu em todas as etapas do trabalho, busca na literatura, leitura, elaboração, participação e descrição da experiência, autoria do quadro-síntese: princípios da estratégia World Café, escrita e submissão do documento
http://orcid.org/0000-0001-7366-7330

Alessandra Carla de Almeida Ribeiro2  , trabalho de leitura, descrição da experiência
http://orcid.org/0000-0001-7799-8268

Douglas Vinícius Reis Pereira3  , trabalho de leitura, descrição da experiência, escrita e revisão do documento
http://orcid.org/0000-0001-7685-7164

Mônica Couto Guedes Sejanes da Rocha4  , trabalho de leitura, descrição da experiência, escrita e revisão do documento
http://orcid.org/0009-0003-2882-4626

Oscarina da Silva Ezequiel¹  , contribuiu em todas as etapas do trabalho, leitura, análise dos dados, escrita do documento, avaliação do manuscrito
http://orcid.org/0000-0002-6836-8042

1 Universidade Federal de Juiz de Fora, Juiz de Fora, Minas Gerais, Brasil.

2 Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, Minas Gerais, Brasil.

3 Pontifícia Universidade Católica de Contagem, Contagem, Minas Gerais, Brasil.

4 Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde de Juiz de Fora, Juiz de Fora, Minas Gerais, Brasil.


RESUMO

Introdução:

Formar profissionais competentes que reflitam sobre as próprias ações e interfiram no contexto em que atuam implica preparar docentes que entendam seu papel como facilitadores e propiciem ao estudante protagonizar o processo ensino-aprendizagem.

Relato de experiência:

Considerando a relevância dos programas de desenvolvimento docente, a Associação Brasileira de Educação Médica - Regional Minas Gerais - criou em 2020 o projeto “De Minas para Minas: um dedo de prosa sobre educação médica”, com o propósito de valorizar todos os discentes e docentes das 47 escolas médicas mineiras, públicas e privadas, por meio de levantamento de temas de interesse comum em todos os espaços de formação. Realizou-se em 2023 um evento com foco central na avaliação do estudante, em que se utilizou uma estratégia pedagógica que propiciasse de forma coletiva e colaborativa o compartilhamento de conhecimentos por meio do diálogo: o World Café (ou Café Mundial). A proposta das rodas no World Café visa desencadear uma conversa em que os partícipes se sintam à vontade para partilhar e escutar, de modo a possibilitar a espontânea polinização de ideias e significados. Este relato teve como objetivos descrever a estratégia World Café e refletir sobre ela, na qual estiveram presentes 30 docentes, três estudantes e um residente, provenientes de seis escolas médicas da Regional Minas.

Discussão:

Foram utilizados os sete passos da estratégia: esclarecimento do contexto, criação de um espaço acolhedor, colocação em pauta das questões importantes, contribuição e engajamento de todos os participantes, conexão das diversas perspectivas, escuta ativa e qualificada, e partilhamento das descobertas coletivas. Ao final, 100% dos participantes sentiram-se engajados no diálogo interpares, e 95% afirmaram que a oficina foi agradável porque lhes permitiu levantar conhecimentos prévios e novas perspectivas sobre a avaliação do estudante.

Conclusão:

O Word Café teve grande aceitação por ser uma metodologia ativa, centrada no aprendiz, que proporciona o uso criativo de tecnologias sociais e comunicacionais, eficaz para se pensar e atuar em conjunto na educação e na saúde. Desenhada para grandes grupos, a estratégia pode ser aplicada na graduação, na pós-graduação, nos programas de desenvolvimento docente, na educação permanente e na educação continuada, e permite lidar de maneira propositiva com assuntos e perguntas críticos que envolvem, simultaneamente, diversas partes interessadas, como docentes, gestores, estudantes, trabalhadores do serviço e as comunidades.

Palavras-chave: Relações Interpessoais; Colaboração Intersetorial; Comunicação; Capacitação de Professores

ABSTRACT

Introduction:

Training competent professionals who reflect on their actions and engage with their context also implies training teachers who understand their role as facilitators and enable students to take the lead in the teaching-learning process.

Experience report:

Considering the importance of faculty development programs, the Brazilian Association of Medical Education, through its Minas Gerais Regional Branch, created in 2020 the project “From Minas to Minas: a chat about medical education,” aiming to value all students and faculty members of the 47 medical schools in Minas Gerais, both public and private, by raising common areas of interest across all training spaces. In 2023, an event was held with a central focus on student assessment, utilizing a pedagogical strategy that facilitated knowledge sharing through collective and collaborative dialogue, known as the ‘World Café’. The goal of the World Café discussions is to spark conversations where participants feel comfortable sharing and listening, allowing the spontaneous pollination of ideas and meanings. This report aims to describe and reflect on the World Café strategy, which included 30 (thirty) faculty members, 3 (three) students, and 1 (one) resident from six medical schools in the Minas Regional Branch.

Discussion:

The seven steps of the strategy were used: clarifying the context, creating a welcoming space, addressing important issues, encouraging contributions and engagement from all participants, connecting diverse perspectives, active and qualified listening, and sharing collective discoveries. In the end, 100% of the participants felt engaged in the activity and peer dialogue, and 95% stated that the workshop was enjoyable, allowing them to bring up prior knowledge and new perspectives on student assessment.

Conclusion:

The World Café was widely accepted as an active, learner-centered methodology that fosters the creative use of social and communication technologies, for effectively thinking and acting together in education and health. Designed for large groups, the strategy can be applied in undergraduate and graduate programs, faculty development programs, continuing and permanent education, and allows the proactive handling of critical issues and questions, simultaneously involving various participants, including faculty, managers, students, service workers, and communities.

Keywords: Interpersonal Relations; Intersectoral Collaboration; Communication; Teacher Training

INTRODUÇÃO

As mudanças sociais nos séculos XX e XXI e a ampla disponibilização e globalização dos conhecimentos por meio das tecnologias da informação e comunicação (TIC) e das mídias sociais influenciam na formação de profissionais da saúde com um perfil que se ocupe das necessidades de saúde da sociedade e do sistema de saúde universal brasileiro, e, portanto, despertam, atualmente, novos olhares sobre a educação médica1)-(3.

A exigência de formar profissionais competentes que reflitam as próprias ações e interfiram no contexto em que atuam, transformando-o quando necessário, implica também preparar docentes que entendam seu papel como facilitadores, coloquem o estudante como protagonista do processo ensino-aprendizagem e para tal desenvolvam competências pedagógicas para essa formação em constante evolução4.

Considerando assim a relevância dos programas de desenvolvimento docente, a Associação Brasileira de Educação Médica, em sua Regional Minas Gerais (Regional Abem Minas Gerais), criou em 2020 o projeto denominado “De Minas para Minas: um dedo de prosa sobre educação médica”, com o propósito de valorizar todos os discentes e docentes das 47 escolas médicas mineiras, públicas e privadas, por meio de levantamento de temas de interesse comum em todos os espaços de formação do grande e diverso estado de Minas Gerais. Em 2023, dentro dessa perspectiva, realizou-se um evento com foco central na avaliação do estudante, em que se utilizou uma estratégia pedagógica que propiciasse o compartilhamento de conhecimentos por meio do diálogo, de modo a construir de forma coletiva e colaborativa novos saberes: o World Café (ou Café Mundial)5.

A escolha dessa estratégia leva em consideração a possibilidade de maior reflexão em ambientes seguros que propiciem a aproximação dos participantes6. Segundo Maturana7, “criamos nossos mundos” por meio das redes de conversa de que participamos, e, sob essa perspectiva, uma conversa é ação - o pulsar e o cerne dos sistemas relacionais e culturais, especialmente no ambiente de aprendizagem educacional8. Além disso, a liderança conversacional cria suas raízes quando compreendemos que também as reuniões presenciais são redes dinâmicas de conversação e aproximação9. Uma conversa intencional e bem estruturada é a base do processo para efetuarmos mudanças sistêmicas necessárias. O enfoque estratégico e elaborado para esse processo nuclear proporciona a expansão do capital intelectual e social e a colaboração efetiva em nosso mundo cada vez mais interconectado em rede10.

O World Café é uma estratégia comunicacional, criada em 1995 por Juanita Brown e David Isaacs, na Califórnia, nos Estados Unidos, que vem sendo utilizada em vários países, cujo propósito é porporcionar uma experiência coletiva que aprofunde questões de interesses comuns para alcançar o engajamento e a colaboração entre os pares5),(11),(12. A estratégia se sustenta no princípio da espontânea polinização de ideias e significados que ocorre quando as pessoas se movem de uma conversa para outra, permitindo aprender e explorar possibilidades5),(13. E isso faz muito sentido na cultura brasileira que, histórica e culturalmente, foi construída com vivências de roda de conversa desde sua colonização. Quando pensamos em roda de conversa, a imagem inicial que nos vem é das conversas informais com amigos e familiares ao redor da mesa da cozinha ou do fogão acompanhadas de um cafezinho quente e quitutes feitos na hora para a partilha de nossas emoções e nossos pensamentos. Assim também se dá a proposta das rodas no World Café que propõe desencadear uma conversa com foco intencional, em um ambiente propício para o diálogo, em que os partícipes se sintam à vontade para partilhar e escutar14),(15. Sendo assim, a chegada à roda se dá repleta de experiências e práticas de conversação e partilhas ligadas a costumes comunitários, a conhecimentos prévios e às relações sociais em que estamos ontologicamente inseridos16.

De forma sistematizada, Brown et al.5 estruturaram os sete princípios que sustentam a estratégia do World Café e que estão sintetizados no Quadro 1.

Quadro 1 Princípios da estratégia World Café. 

Princípio Objetivo Aonde se quer chegar
1) Esclarecimento do contexto Compartilhar o propósito e metas da reunião. Deixar claro que produtos serão construídos ao final da reunião.
2) Criação de um espaço acolhedor Propocionar um ambiente seguro e confortável isento de julgamentos. Permitir que as pessoas se expressem com naturalidade e de forma criativa.
3) Colocação em pauta das questões importantes* Disponibilizar perguntas que sejam relevantes para as preocupações da vida real do grupo. Discutir questões complexas, mas que tragam aplicabilidade para o grupo.
4) Contribuição e engajamento de todos os participantes Incentivar a participação de todos, seja com ideias e perspectivas ou com a escuta ativa. Garantir que todos se sintam representados no produto final.
5) Conexão das diversas perspectivas Circular entre mesas, conhecer novas pessoas, contribuir ativamente para o pensamento delas e vincular a essência das suas descobertas a círculos de pensamento cada vez mais amplos é uma das características distintivas da estratégia. À medida que os participantes levam ideias ou temas-chave para novas mesas, eles trocam perspectivas, de modo a enriquecer enormemente a possibilidade de novos insights surpreendentes.
6) Escuta ativa e qualificada Ouvir juntos padrões e insights. Dar a voz e vez para o outro, sem exercíco do poder. Ao praticarmos a escuta partilhada e prestarmos atenção a temas, padrões e insights, começamos a sentir uma ligação com o todo maior.
7) Partilhamento das descobertas coletivas Após alguns minutos de reflexão silenciosa sobre os padrões, os temas e as questões mais profundos vivenciados nas conversas em pequenos grupos, todos devem compartilhar o que o grupo menor discutiu com o grupo maior. A última fase do World Café, muitas vezes chamada de “colheita”, envolve tornar esse padrão de totalidade visível para todos numa conversa em grande grupo.

* Pode-se explorar uma única questão ou utilizar uma linha de investigação progressivamente mais profunda por meio de várias rodadas de conversa.

Fonte: Compilação-síntese realizada pela autora Tibiriçá,SHC a partir da descrição de Brown et al.5.

A estratégia World Café tem sua utilização descrita em vários cenários e contextos, tais como na pesquisa na área da saúde6, na abordagem de temas envolvendo grandes comunidades12, na área do serviço social17 e como mecanismo de planejamento estratégico interprofissional15, no entanto a produção científica em educação médica ainda é escassa com a utilização do Word Café como oportunidade de aprendizado interpares, o que justifica e motiva a realização deste relato de experiência.

RELATO DE EXPERIÊNCIA

Em conformidade com o projeto de desevolvimento docente “De Minas para Minas: um dedo de prosa sobre educação médica”, da Regional Abem Minas Gerais, em dezembro de 2023, foi realizada uma oficina com tema central “Avaliação do estudante”. O tema, previamente escolhido pelos participantes, tinha como objetivo discutir a avaliação discente em seus aspectos multidimensionais, a importância da valorização de todos os atributos da competência (cognitivo, habilidade psicomotora e atitude) para o processo avaliativo e como oferecer feedback ao estudante. A atividade teve 34 inscritos, e participaram, presencialmente, 30 docentes, três estudantes e um residente, provenientes de seis escolas médicas. Na primeira parte da oficina, optou-se pela utilização da estratégia didática World Café, na qual seguimos os princípios descritos no Quadro 1, de acodo com o modelo básico de Brown et al.5.

Para a estratégia World Café, criamos um ambiente acolhedor com cinco mesas, cada uma coberta com uma folha para flip chart (que poderia ser cartolina, papel madeira, papel Kraft ou pardo) e pincel anatômico da marca Pilot® de várias cores. Cada mesa estava rodeada por cinco ou seis cadeiras, além de um aparador contendo café, água e pequeno lanche. Iniciamos com as boas-vindas e definimos o contexto, deixando os participantes à vontade. As rodadas dos pequenos grupos se deram com intervalo de 20 minutos cada.

DISCUSSÃO

Em cada mesa os participantes ou “viajantes”, como denominados na descrição da estratégia World Café, encontraram situações-problemas com questões orientadoras diferentes, relacionadas à avaliação do estudante, para as quais escreviam suas perspectivas e opiniões, a partir de suas experiências e conhecimentos prévios. Os “viajantes” rodaram em todas as mesas até retornarem à mesa de origem. Na nossa experiência, adaptamos a estratégia e optamos por não deixar uma pessoa como “anfitrião da mesa”, pois nossa intenção era que todos os participantes tivessem a oportunidade de contribuir em todos os tópicos de avaliação. Essa figura é opcional e funciona como relatora fixa na mesa, que sintetiza para a próxima rodada o que foi discutido até aquele momento.

É importante salientar que, apesar de termos utilizado situações-problemas e questões orientadoras diferentes, especialmente elaboradas para o contexto e o propósito desejado, elas podem ser usadas em mais de uma rodada ou se complementar para focar a conversa ou orientar sua direção.

As situações-problemas e questões orientadoras trataram dos seguintes tópicos de avaliação do estudante: avaliação formativa e somativa (mesa 1), avaliação normo e critério-referenciada (mesa 2), características psicométricas - validade (mesa 3) e confiabilidade (mesa 4) e, por fim, necessidade de múltiplos olhares, instrumentos e métodos alinhados com os desempenhos esperados do estudante (mesa 5).

Uma outra adaptação realizada em relação à descrição original da estratégia é que os grupos de participantes eram fixos e rodavam simultanemante em todas as mesas, enquanto, na descrição original, os viajantes podem definir sua trajetória entre as mesas. Nossa opção se deu pela intencionalidade de todos terem a oportunidade de discutir todos os tópicos.

Finalizado o circuito de rodadas, os participantes retornaram às suas mesas de origem e analisaram as contribuições de todos os participantes, definindo um relator.

Seguiu-se uma exposição dialogada com teorização sobre avaliação do estudante, dividida pelos tópicos centrais das mesas, sempre antecedida pelo relato de cada mesa, em que o relator e os membros dos pequenos grupos foram convidados a partilhar ideias ou outros resultados das suas conversas com o resto do grande grupo. Esses resultados são refletidos visualmente de diversas maneiras, geralmente usando flip charts, sendo essa etapa, geralmente, denominada colheita5. Conforme os diálogos foram se conectando, novas opotunidades e insights sobre o tema apareceram nas discussões.

Ao final da estratégia, os participantes responderam a um Google Forms para avaliação da oficina, cujos resultados principais foram os seguintes: 100% dos participantes sentiram-se engajados na atividade e no diálogo interpares, e afirmaram que a estratégia os auxiliou a levantar seus conhecimentos prévios sobre avaliação do estudante, bem como contribuiu para ampliar o aprendizado sobre o tema; 95% afirmaram que a oficina foi agradável e esteve em conformidade com as propostas do projeto “De Minas para Minas: um dedo de prosa sobre educação médica” da Abem Regional Minas.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Nos assuntos complexos que envolvem a área da saúde e os avanços desejados na educação médica, ações como descobrir propósitos compartilhados, despertar a inteligência coletiva e elaborar estratégias eficazes para uma ação colaborativa efetiva não acontecem por acaso. Para lidar de maneira propositiva com assuntos e as perguntas críticas envolvendo diversas partes interessadas, como docentes, gestores, estudantes, trabalhadores do serviço e as comunidades, devemos ser intencionais sobre a escolha de processos que garantam a participação comprometida e a contribuição de todos, e que promovam resultados coerentes, sem a dominância de nenhum dos grupos. Caso contrário, unir partes interessadas com perspectivas diferentes pode levar a debates polarizados e infrutíferos até com a proliferação de ideias, mas sem a possibilidade da concretude.

Para se fortalecer uma cultura de diálogo, o primeiro requisito é considerar todas as outras pessoas no mesmo patamar de importância e iguais em dignidade, liberdade e valor humano. O próximo passo é colocar o diálogo no centro da atividade.

O Word Café é sem dúvida uma metodologia ativa, centrada no aprendiz, que proporciona o uso criativo de tecnologias sociais e comunicacionais, altamente eficaz para se pensar e atuar em conjunto de forma intencional na educação e na saúde. Geralmente, é utilizada para grandes grupos e pode ser aplicada na graduação, na pós-graduação, nos programas de desenvolvimento docente, na educação permanente e na educação continuada.

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3Avaliado pelo processo de double blind review.

FINANCIAMENTO Declaramos não haver financiamento.

Recebido: 11 de Outubro de 2024; Aceito: 09 de Março de 2025

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Editora-chefe:

Rosiane Viana Zuza Diniz.

Editora associada:

Cristiane Barelli.

CONFLITO DE INTERESSES

Declaramos não haver conflito de interesses.

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