1 Introdução
Compreendida como uma forma sociológica da psicologia social, a Teoria das Representações Sociais (a partir daqui TRS), desenvolvida por Serge Moscovici (2015), tem bases teóricas na psicologia, na sociologia e na antropologia, e diz respeito aos conhecimentos socialmente construídos que circulam por meio da comunicação. Segundo Duveen (2015), a TRS se caracteriza como uma Psicologia Social do conhecimento, uma vez que tem interesse pelo processo de elaboração do conhecimento que é transformado e projetado no mundo social.
Na obra A psicanálise, sua imagem e seu público, Moscovici (2012, p. 39) apresenta o termo “representações sociais” e explica que são “[…] entidades quase tangíveis, circulam, se cruzam e se cristalizam continuamente através da fala, do gesto, do encontro do universo cotidiano”, e inaugura uma diferente perspectiva na compreensão dos fenômenos individuais/sociais. Seu objetivo é determinar a ligação entre a psicologia humana e as tendências sociais e culturais modernas (Moscovici, 1988). As representações sociais (a partir daqui RS), sustentadas pela comunicação, são mediadoras no sentido de serem constituidoras da realidade e o principal meio para estabelecer as associações nas interações.
Por se tratar de uma teoria com característica transdisciplinar, atravessada por áreas diversas com diferentes tradições de pesquisa, o estudo das RS não se apoia em uma forma metodológica única. No entanto, por sua natureza de interface entre o social e o individual, a questão central dos estudos sobre RS repousa na forma “[…] como o social interfere na elaboração psicológica que constitui a representação e como essa elaboração psicológica interfere no social” (Alves-Mazzotti, 2008, p. 34). Do ponto de vista metodológico, tanto técnicas quantitativas quanto qualitativas são empregadas nas pesquisas em RS, mas, com frequência, por se ocupar primordialmente dos significados de um objeto social para um grupo, há uma tendência geral nos estudos para uma abordagem qualitativa.
A partir da discussão sobre as abordagens, as técnicas e a concepção utilizadas em pesquisas com aporte teórico da TRS, este artigo tem por objetivo promover a reflexão sobre aspectos relevantes na condução de estudos em RS e apresentar um estudo sobre esse tema na área da Educação. Desta forma o artigo discorre sobre os aspectos teóricos da TRS: abordagens e aspectos metodológicos e, posteriormente, apresenta um estudo na área de Educação, sendo o objeto o Ensino Médio e os participantes estudantes de escolas públicas.
2 Teoria das representações sociais: uma teoria, diferentes abordagens
A TRS tem interesse no conhecimento de senso comum, na comunicação de crenças, valores, cultura e identidade, e envolve um determinado objeto social comum a um grupo. Trata-se de buscar compreender como os saberes sociais, produzidos na e pela vida cotidiana, sobre objetos sociais (relevantes aos grupos) são produzidos coletivamente (Jovchelovitch, 1998). Compreende-se, dessa forma, que estudos em RS visam investigar o que os sujeitos pensam sobre o objeto; porque pensam e como pensam (Almeida, 2005).
Ao longo do desenvolvimento da TRS surgiram diferentes abordagens que privilegiam diferentes perspectivas dentro da mesma grande linha teórica. Trata-se das abordagens sociogenética (ou processual), estrutural, sociodinâmica e dialógica.
Na abordagem sociogenética, promovida originalmente por Moscovici (2012), o interesse está na gênese e no desenvolvimento das RS. De acordo com esse autor, as RS surgem quando, diante de uma situação/um objeto/um fenômeno desconhecido, relevante para a vida cotidiana, o sujeito (o grupo) precisa se posicionar. São descritas como condições para o surgimento de uma RS: dispersão da informação, focalização e pressão à inferência. No que tange à dispersão da informação, as informações que os sujeitos têm sobre o objeto não são suficientes “[…] para atingir um ponto de vista objetivo. Essa insuficiência gera incerteza e ambiguidade e favorece o aparecimento de um processo de reconstrução social” (Chamon, E.; Chamon, M., 2007, p. 125). Diante dessas informações há a focalização, que revela a posição específica de um grupo em relação ao objeto. Além disso, é necessário que o grupo se focalize num aspecto em particular do objeto, em função de interesses e valores que permeiam sua posição social. E a pressão à inferência diz respeito ao posicionamento do grupo frente ao objeto. A partir dessas condições, o saber comum sobre o objeto social é elaborado e compartilhado (Chamon, E.; Chamon, M., 2007; Dechamps; Moliner, 2014; Rateau et al., 2012).
Moscovici (2015) postula que a elaboração de uma RS se baseia em dois processos cognitivos que ocorrem de forma dinâmica e complementar: a objetivação e a ancoragem. A objetivação se refere à maneira como o novo objeto será simplificado, tornando-se concreto, através da comunicação. Objetivar é transformar algo abstrato em algo concreto, transferindo o que está na mente para algo que existe no mundo físico (Moscovici, 2015). Por intermédio da ancoragem o sujeito transforma o que lhe é estranho e perturbador em algo familiar, utilizando o quadro de referências do repertório individual e/ou grupal. Como explica Moscovici (2015), ancorar é classificar e dar nome ao estranho, é reduzi-lo a categorias e a imagens comuns, colocá-lo em um contexto familiar. Nesse processo tem-se a generalização que reduz a distância com o objeto, buscando particularizar por meio da identificação de uma característica que o torna distinto. A classificação dá nome a esse objeto a partir da comparação com um protótipo. A abordagem sociogenética tem interesse na representação em formação. Além de estudar e descrever as RS, busca os processos de sua elaboração e a característica não familiar que a motivou.
A abordagem estrutural, e chamada de Teoria do Núcleo Central, proposta por Abric (1998), considera que o conjunto de elementos que compõem uma representação (informações, crenças, opiniões, atitudes) estrutura-se e constitui-se num sistema sociocognitivo específico. Essa abordagem é organizada em torno de um núcleo central e de elementos periféricos (Abric, 1998). O núcleo central é determinado pela natureza do objeto representado e pelo tipo de relações que o grupo mantém com ele; trata-se do núcleo estruturante da representação. Os elementos periféricos, que se organizam em torno do núcleo central, contêm os componentes representacionais mais acessíveis e mais concretos. Permite a formulação das representações em termos concretos, além de ter papel essencial na adaptação da representação às evoluções do contexto, e de operar como defesa do núcleo central, absorvendo as mudanças e contradições (Abric, 1998).
O modelo sociodinâmico, proposto por Willem Doise (2002) baseia-se no processo de ancoragem definido por Moscovici e se concentra nas relações com as inserções sociais dos sujeitos. De acordo com essa abordagem, a estrutura das relações sociais define um conjunto de normas, regras, valores (metassistema) que operam regulações no sistema cognitivo dos sujeitos (Almeida, 2005; Dechamps; Moliner, 2014; Rateau et al., 2012).
Os conteúdos e a organização de uma RS são determinados pelas posições que os sujeitos ocupam na sociedade. Assim, “[…] uma representação é estruturada segundo princípios organizadores que dependem do metassistema” (Dechamps; Moliner, 2014, p. 140). No entanto, há um movimento das RS em direção às inserções sociais que modula as relações entre os sujeitos por meio da comunicação. Esse modelo enfatiza as relações intergrupais, buscando mostrar como diferentes pertenças sociais podem determinar a importância dada a princípios diferentes, para tanto a ênfase das pesquisas deve ser no processo de ancoragem.
Autores como Jovchelovitch (2011), Vala e Castro (2017) e Jodelet (2023) consideram também como uma abordagem em TRS o enfoque dialógico de Marková (2006), que propõe uma teoria de conhecimento social baseada na dialogicidade e na TRS. Compreende a tríade dialógica, Ego-Alter-Objeto, tanto como uma unidade dinâmica da teoria do conhecimento social como uma unidade epistemológica, que tem seus componentes intimamente relacionados funcionando de forma interrelacionada (Marková, 2006). Os participantes dialógicos trazem para o diálogo seu repertório presente e passado, bem como suas expectativas sobre o futuro. Nessa relação, mesmo que interdependente, a independência individual se mantém em função da tensão criada e manifestada nos dois componentes, o que impede a fusão de ambos. É um movimento relacional, e a dialogicidade se dá exatamente nessa dinâmica como um ato dialógico – de trocas, tensões, conflitos e negociações, mantendo a individualidade do Ego e do Outro e gerando saberes compartilhados (Bussoletti; Guareschi, 2011; Marková, 2006). Trata-se de uma abordagem que reúne estudos que enfatizam as relações triádicas, do estudo para o diálogo e os formatos discursivos, das quais surgem as RS no centro da pesquisa.
Compreende-se, assim, as diferentes abordagens da TRS como modelos que coexistem e enfatizam diferentes perspectivas de análise: do processo, da estrutura, do posicionamento do sujeito/grupo no contexto, da relação dialógica, demandando percursos metodológicos específicos.
3 Aspectos metodológicos em representações sociais
No que tange à construção do conhecimento científico, ele ocorre por meio de procedimentos que o legitimam, que o tornam possível de ser verificado. Para isso, utilizam-se métodos que possibilitam essa verificação. Os processos metodológicos de pesquisa podem ser compreendidos como “[…] caminho do pensamento e a prática exercida na abordagem da realidade” (Minayo, 2009, p. 14).
Arruda (2014) considera que a metodologia é indissociável da teoria, objetivando o projeto epistemológico da teoria. Assim, o método não existe de forma autônoma; ele está vinculado ao objeto e à forma de conhecê-lo. Em estudos com aporte teórico da TRS e a utilização de metodologias variadas, numa integração entre método e teoria, busca-se apreender os saberes elaborados socialmente em processos de interação. Em sua obra inaugural, Moscovici (2012) fez uso de diversos instrumentos: questionário, entrevista e análise documental.
A metodologia em RS, conforme indica Arruda (2014), adquire contornos artesanais, incluindo a definição dos instrumentos para a coleta de dados; as propostas para análise e interpretação desses dados; o uso eventual de softwares, que pode agilizar a sistematização do material, com uma forte tendência à triangulação de dados, de métodos e de instrumentos. Almeida (2005), a partir do entendimento da própria TRS, argumenta que esta é compatível com uso variado de métodos de pesquisa, para poder apreender todos os elementos que envolvem o objeto de representação, sendo que cada abordagem demanda metodologias particulares. Assim, pesquisas em RS tem caráter plurimetodológico, o que permite compreender o objeto a partir de diferentes perspectivas. Sá (1998) destaca ainda que se pode utilizar instrumentos para coleta de dados verbais ou imagens (qualitativas) e de dados numéricos (quantitativas), tendo em vista que permitem várias possibilidades de captura do conteúdo de representações sociais (Sá, 1998).
Na área de Ciências Humanas e Sociais (CHS) ainda há uma discussão sobre a plausibilidade enquanto conhecimento científico, considerando os alicerces das ciências naturais. Minayo (2009, p. 11) pondera que a “[…] cientificidade deveria ser pensada como uma ideia reguladora de alta abstração e não como sinônimo de modelos e normas”. A pesquisa social apresenta suas especificidades, sendo uma delas o caráter essencialmente qualitativo do objeto em Ciências Sociais. Essa questão perpassa a discussão entre abordagens qualitativas e quantitativas.
A pesquisa qualitativa tem por objetivo abordar a interpretação das realidades sociais (Bauer; Gaskell, 2015) e, segundo Dany (2016), visa identificar a singularidade, a complexidade e a pluralidade dos fenômenos e mundos sociais para situar-se em sua dinâmica psicológica e social, sem avaliar a partir de um padrão de raciocínio externo às suas condições de produção. O interesse do pesquisador em pesquisa qualitativa está em um determinado fenômeno, buscando seu significado para o sujeito que o vivencia (Minayo, 2009; Turato, 2005).
Em uma análise bastante simplista, a pesquisa quantitativa lidaria com números e utilizaria modelos estatísticos para explicar os dados coletados sobre determinado fenômeno. Em contrapartida, a pesquisa qualitativa abordaria a interpretação das realidades sociais, evitando os números. É necessário transcender essa contraposição, entendendo as duas abordagens como potencialmente complementares. Bauer e Gaskell (2015) listam pressupostos que apoiam essa perspectiva. Um deles é que ao mensurar dados sociais é necessário categorizar o mundo social, pois não é possível quantificar sem qualificar. Outro ponto levantado é que toda pesquisa estatística demanda uma interpretação à luz de uma teoria. O terceiro ponto destacado pelos autores diz respeito à utilização, em pesquisas sociais, de diferentes metodologias, sendo necessário justificar essas escolhas.
Em estudos fundamentados na TRS, compreende-se que a RS é sempre a representação de alguém (sujeito) sobre algo (objeto) em um determinado contexto. Portanto, trata-se de um fenômeno complexo e dinâmico que exige, para sua apreensão, um delineamento plurimetodológico que possibilite explorar as diferentes esferas nas quais transita.
3.1 Técnicas de coleta de dados em representações sociais
O arsenal de técnicas e instrumentos de coleta de dados do pesquisador em RS é bastante rico e variado, incluindo questionário, entrevista, observação, análise documental entre outros. Isso não significa, entretanto, que se possa, de forma indiscriminada, utilizar várias técnicas apenas buscando tirar o melhor proveito do que oferece cada uma. Métodos não são totalmente neutros relativamente ao quadro teórico que sustenta a pesquisa e técnicas de triangulação ou combinatórias, que conjugam diferentes instrumentos de coleta e tratamento de dados, ainda que comuns nas CHS, exigem reflexão e justificativa por parte do pesquisador. Sem pretensão à exaustividade, algumas dessas muitas técnicas são discutidas a seguir.
3.1.1 Entrevista
A utilização da entrevista em estudos na área de CHS é um importante recurso para a compreensão das realidades sociais, sendo a possibilidade de coletar informações pela perspectiva do participante da pesquisa, enquanto um representante de determinado grupo, o principal argumento metodológico a favor dessa técnica (Bauer; Gaskell, 2015). Sautu et al. (2005) explicam que a entrevista é uma conversa sistematizada que tem por objetivo obter, recuperar e registrar experiências de vida guardadas na memória. Por meio da linguagem, o entrevistado fala sobre a temática proposta pelo entrevistador.
Minayo (2007) considera que a entrevista pode apresentar diferentes formas de organização e as classifica como: entrevista semiestruturada, entrevista aberta e em profundidade, entrevista focalizada e entrevista projetiva. Para a autora, a entrevista fechada é tratada como o questionário.
A entrevista semiestruturada combina perguntas abertas e fechadas, permitindo ao participante discorrer sobre o tema em questão sem ficar restrito ao que foi indagado. Para Bauer e Gaskell (2015), a entrevista semiestruturada permite a investigação, a respeito do objeto pesquisado, na perspectiva do entrevistado e fornece dados básicos para se compreender as relações entre os atores sociais e o fenômeno que se quer estudar. Na entrevista aberta e em profundidade, o entrevistado é convidado a falar livremente sobre o tema, sendo que eventuais perguntas do pesquisador tem o intuito de aprofundar as reflexões. A entrevista focalizada tem como característica o esclarecimento de determinado aspecto ou problema. E a entrevista projetiva utiliza dispositivos visuais (imagens, filmes, textos) e a partir deles o entrevistado é convidado a falar sobre o que vê ou lê.
Sá (1998) destaca que o mais comum, em estudos de RS, é o uso de entrevistas individuais, sendo a análise de conteúdo (a ser abordada mais adiante) a técnica normalmente utilizada para a análise dos dados. De forma mais ampla, o material discursivo pelo qual se deseja identificar as representações sociais deve ser obtido por meio de técnicas que permitam ao sujeito espontaneidade e expressão de suas crenças, afeto e valores. Nas pesquisas em RS, Almeida (2005) afirma que a utilização de entrevistas é indispensável, fazendo-se necessária atenção aos cuidados que antecedem a aplicação dessa técnica, como o domínio do pesquisador em relação ao procedimento, tanto na aplicação quanto na análise dos dados coletados.
3.1.2 Narrativas
Para Creswell (2007), as narrativas se referem tanto ao fenômeno – a ser estudado – quanto a um método a ser usado no estudo. As narrativas, enquanto abordagem teórica-metodológica, possibilitam a partilha e a compreensão de sentido de vida e da história nas práticas sociais. Focalizam a história individual, pois o sujeito está inserido em um contexto social, numa coletividade.
Jovchelovitch e Bauer (2015) destacam que as narrativas são infinitas em sua variedade, sendo a principal fonte as entrevistas, e devem ser conduzidas de forma tal que o participante seja estimulado a contar a sua história. Histórias narrativas podem ser obtidas também por meio de observação, documentos, imagens e outras fontes de dados qualitativos (Creswell, 2007).
Assim, a “[…] narrativa é sempre plural e precisa buscar a intensidade das mediações sociais e contextuais que dão sentido à trajetória estudada” (Bragança; Lima, 2016, p. 294). Para Lima e Bragança (2018), a narrativa de vida tem forma oral e se dá no diálogo entre pesquisador e sujeito, abordando o conteúdo narrado, priorizando episódios da vida que se associam ao objeto de estudo. Nesse sentido, tem-se o caráter colaborativo como uma das características dessa forma de coleta de dados (Creswell, 2007).
Na condução de uma pesquisa narrativa, Creswell (2007) destaca que se trata de um procedimento desafiador, uma vez que, ao coletar as informações, o pesquisador precisa considerar e compreender o contexto de vida dos participantes. No que tange à entrevista narrativa, Jovchelovitch e Bauer (2015) descrevem as principais fases: a iniciação – formulação do tópico inicial para narração, podendo utilizar auxílios visuais; a narração central – nessa fase não é recomendável interromper o respondente, dessa forma o pesquisador pode se utilizar de sinais não verbais no encorajamento para continuar a narração, ficando atento aos sinais de finalização; a fase de perguntas – busca aprofundar a narrativa; a fala conclusiva – comentários informais que podem ocorrer após a finalização da entrevista.
Como destacam Chamon, Miragaia e Monteiro (2020), metodologicamente as narrativas possibilitam a apreensão das representações sociais uma vez que no relato da experiência vivida estão contidas as significações atribuídas pelo sujeito. Assim, a análise das narrativas se dá no contexto dos simbolismos e das representações elaboradas coletivamente. Compreender uma narrativa é, além de compreender a sequência cronológica dos acontecimentos da perspectiva do sujeito, reconhecer a dimensão não cronológica, expressa pelas funções e sentidos do que é relatado (Jovchelovitch; Bauer, 2015).
3.1.3 Questionário
Em estudos de RS, como explica Almeida (2005), o questionário é um instrumento importante, visto que a análise quantitativa permite identificar a organização das respostas, além de análises intragrupo e intergrupos de aspectos explicativos ou discriminantes. O autor destaca, ainda, que a padronização do instrumento reduz riscos de vieses interpretativos.
Sá (1998) considera que esse instrumento permite a apreensão da dimensão cognitivo-estrutural dos conteúdos e explica que todas as perguntas relevantes, no sentido de apreender conteúdos representacionais, precisam ser previstas e formuladas. A construção do questionário pode ser realizada por meio de elementos de informação coletados em entrevista com amostra da população estudada. Outra opção é elaborar o questionário a partir da literatura existente sobre o objeto, testando sua adequação com aplicação piloto em amostra da população (Almeida, 2005). Em relação às limitações do questionário, pode-se apontar a restrição de expressão do sujeito, visto que a escolha dos temas e, muitas vezes, das alternativas de respostas é definida pelo pesquisador.
Em relação ao formato, Almeida (2005) descreve três possibilidades: perguntas abertas, que possibilita maior liberdade ao sujeito para estruturar e desenvolver as respostas; perguntas fechadas, em que o sujeito se posiciona diante das alternativas apresentadas; perguntas com várias opções de respostas, nessa, diante de um conjunto de alternativas, o sujeito poderá selecionar várias delas.
Estudos na abordagem do Núcleo Central têm interesse na compreensão da estrutura ou organização interna dos conteúdos representacionais. O uso da técnica de associação livre de palavras – TALP, considerada como a mais adaptada para coletar os elementos constitutivos do conteúdo de uma representação, estrutura-se sobre a evocação de respostas a partir de um estímulo indutor (palavra, imagem, som, vídeo) (Sá, 2002). Em seguida, é solicitado aos sujeitos que eles mesmos realizem um trabalho cognitivo de análise, comparação e hierarquização sobre sua produção. Dessa forma, como explica Sá (1998, p. 92), o trabalho de organização desses elementos pelos sujeitos “[…] constitui a marca distinta dessa estratégia de articulação entre a coleta e a análise dos dados sob orientação da teoria”.
3.1.4 Iconografia
De acordo com De Rosa e Farr (2001), utilizar imagens em estudos de RS pode possibilitar a análise sob três aspectos: a imagem como fonte, capaz de ativar representações ou favorecer o desenvolvimento de novas representações; como produto das representações sociais, uma expressão direta do processo de objetivação; e como meio, uma forma específica de transmissão (e por diferentes mídias) pela qual as RS são compartilhadas. Aim (2018), citando La Rocca, coloca que a imagem deve ser pensada como um texto, na medida em que se é capaz de formar conjuntos de significados. Assim, podemos considerar a imagem uma palavra. No aspecto representacional, pode ser considerada integrante do processo de objetivação que possibilita associar uma imagem concreta a um significado abstrato.
Soares (2005) afirma que o estudo da imagem diz respeito ao interesse pelo processo de ancoragem (assimilação de novas informações a um conjunto cognitivo-emocional pré-existente) e pela objetivação (transformar o conceito abstrato em algo concreto).
Como técnica de coleta de dados, é possível coletar imagens por meio de fotografias, vídeos e desenhos. Loizos (2015) justifica o uso de imagens como método de pesquisa pelo fato de o contexto atual estar rodeado por diversos meios de comunicação que dependem, em sua maioria, de elementos visuais. De qualquer forma, a escolha deve se pautar nos objetivos, no objeto de representação, nos perfis dos participantes, construindo processos metodológicos coerentes e éticos.
3.1.5 Grupo focal
Gatti (2005), citando Powell e Single (1996), conceitua grupo focal (a partir daqui GF) como um conjunto de pessoas selecionadas e reunidas pelo pesquisador com objetivo de discutir, a partir de suas experiências pessoais, o objeto de pesquisa (tema proposto) – discussão focada em tópicos específicos e diretivos. Dessa forma, os dados são coletados a partir da interação entre os participantes e o pesquisador. Tem por objetivo revelar as percepções, as RS dos participantes sobre os tópicos ou objeto em discussão.
Cada GF (pode haver mais de um GF em uma pesquisa) é organizado com um pequeno número de pessoas (entre 6 e 12) para incentivar a interação. Cada sessão pode durar de uma a duas horas. A conversação se concentra em poucos tópicos sobre determinado fenômeno ou objeto de estudo. O moderador (pesquisador) segue um roteiro, no qual estão delineados os principais tópicos a serem abordados. É possível utilizar elementos geradores para a discussão grupal (p. ex.: um vídeo, música, imagens…). E é admissível a presença de um observador externo (que não se manifesta) para captar reações dos participantes. O uso de gravação também auxilia na análise desses elementos.
Como na aplicação de outros instrumentos de coleta de dados, há de se cuidar do ambiente no qual ocorrerá o encontro. Em geral, é necessário organizar o ambiente de forma a proporcionar a interação entre os participantes – por exemplo, organizando cadeiras em círculo. Quanto à análise dos dados obtidos, pode-se seguir os procedimentos utilizados em pesquisas qualitativas, como análise de conteúdo.
3.1.6 Etnografia: uma concepção metodológica
De acordo com Angrosino (2009), o termo etnografia tem interesse no coletivo, em descrever um povo – suas instituições, seus comportamentos, suas crenças, suas produções. Para tanto, demanda do pesquisador a imersão na vida cotidiana do grupo estudado, configurando a observação participante.
Em termos de procedimentos, a etnografia é baseada na pesquisa de campo – como já citado, sendo personalizada uma vez que os pesquisadores estão face a face com os sujeitos pesquisados e tornam-se, dessa forma, tanto observadores quanto participantes da vida do grupo. Utiliza diferentes técnicas de coleta de dados (tanto quantitativa, quanto qualitativa, p. ex.: análise documental, entrevistas, questionários). De acordo com Geertz (2008, p. 4), essa abordagem possibilita “[…] estabelecer relação, selecionar informantes, transcrever textos, levantar genealogias, mapear compôs, manter um diário, e assim por diante”. O autor considera que a pesquisa etnográfica é a descrição densa e microscópica do objeto em estudo, visando compreender sua essência.
Demanda do pesquisador um compromisso de longo prazo. É dialógica, na medida em que as interpretações e conclusões do pesquisador podem ser discutidas pelos sujeitos. É indutiva, visto que é conduzida de forma a construir teorias explicativas a partir dos dados coletados. É holística, buscando revelar da forma mais completa possível o retrato do grupo estudado (Angrosino, 2009).
Durante quatro anos, Jodelet (2015) realizou estudo sobre as RS em relação à doença mental e às pessoas com doença mental na comunidade francesa Ainay-le-Château, na qual as famílias recebiam pacientes com doenças mentais de um hospital psiquiátrico próximo. Ao longo do estudo, buscou “[…] distinguir, em todos os patamares da vida social, as formas que toma a relação com a loucura, as condições de sua aceitação, as representações que a isso estão ligadas” (Jodelet, 2015, p. 52). Em relação aos procedimentos, realizou observação participante, análise documental, entrevistas e questionários.
Lahlou, Le Bellu e Boesen-Mariani (2015) descrevem a Etnografia Baseada em Evidência Subjetiva (SEBE) como uma técnica para coletar experiência subjetiva e capturar o comportamento manifesto por meio de gravação de vídeo em perspectiva de pessoa. Para tanto, são utilizadas câmeras do tipo webcam, posicionadas ao nível dos olhos dos participantes, e os vídeos são posteriormente assistidos por eles, que explicam os acontecimentos gravados. De acordo com os autores, é possível capturar o contexto das situações e seu impacto no comportamento individual dos sujeitos.
3.2 Tratamento dos dados: ferramentas e análises
No que tange ao tratamento dos dados, destacamos a análise de conteúdo (Bardin, 2016) e o uso de programas informatizados: Interface de R pour les Analyses Multidimensionnelles de Textes et de Questionnaires (IRaMuTeQ) e EVOC®.
De acordo com Bardin (2016, p. 48), a análise de conteúdo é um
[…] conjunto de técnicas de análise de comunicação visando obter, por procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição de conteúdo das mensagens, indicadores que permitem a inferência de conhecimentos relativos às condições de produção e recepção dessas mensagens.
Envolve as etapas: a) pré-análise, com objetivo de sistematizar as ideias iniciais, a escolha dos documentos, a formulação das hipóteses e dos objetivos, e a elaboração de indicadores; b) exploração do material, na qual se dá a codificação e decomposição, fase que pode ser otimizada com uso de programas específicos (p. ex.: IRaMuTeQ que abordaremos adiante); c) tratamento dos resultados obtidos e interpretação, sendo que o tratamento, como na fase de exploração, pode ser otimizado por software, e a interpretação se dá com base no aporte teórico no qual se baseia o estudo.
A análise de conteúdo pode ser utilizada para dados obtidos por meio de análise documental, entrevistas individuais, grupo focal, iconografia, narrativas de vida, entre outros.
Na operação de análise segue-se as etapas, de acordo com Bardin (2016): a pré-análise, envolvendo a preparação do material, a formulação de hipótese e a definição dos indicadores. Esses itens estão vinculados aos objetivos do próprio estudo. É nessa etapa que se dá a “leitura flutuante”, que permite relacionar os conteúdos apreendidos com o objeto de estudo. Vale ressaltar que na preparação do corpus para o tratamento do software já ocorre a leitura flutuante, e o pesquisador vai se familiarizando com o discurso e identificando elementos relacionados a crenças, informações, valores e atitudes sobre o objeto de estudo. As etapas subsequentes, quais sejam, a exploração/tratamento do material, as discussões e interpretações e, por fim, a apresentação dos resultados, como indicado por Dany (2016), não ocorrem de forma linear, pois há idas e vindas no sentido de permitir a construção de uma interpretação baseada em evidências verificáveis.
Em relação à análise de conteúdos iconográficos, Dany (2016) descreve como procedimento de análise de dados, a análise categórica de conteúdo do tipo temático, conforme proposto por Bardin (2016), que possibilita identificar significados de natureza psicológica, social, entre outras. Na prática, segue-se as mesmas etapas de leitura flutuante que, no caso de desenhos, pode ocorrer ao estudar cada um deles, seguida da etapa de categorização, podendo ser elaborada uma grade de análise, e, por fim, a interpretação com aporte teórico, que fundamenta a pesquisa, nesse caso, a TRS.
O IRaMuTeQ, como explicam Camargo e Justo (2013), desenvolvido por Pierre Ratinaud, é um programa informático gratuito que, ancorado no software R, viabiliza diferentes tipos de análises de dados textuais, organizando a distribuição do vocabulário de forma visualmente clara.
Desenvolvido originalmente na língua francesa, desde 2013 é utilizado no Brasil, e executa tratamentos mais básicos, como cálculo de frequência, além de análises multivariadas, como a classificação hierárquica descendente (CHD) proposta por Reinert (1990), análise de similitude, análise fatorial, entre outras (Camargo; Justo, 2013). O programa apresenta rigor estatístico e permite a utilização dos diferentes recursos técnicos de análise lexical. Oferece relatórios que organizam os discursos pelas categorias geradas, tornando possível retomar a análise desses conteúdos.
As análises léxicas feitas com o auxílio de softwares podem ser de importante contribuição nos estudos em RS. Uma vez que possibilitam trabalhar com grandes quantidades de dados, aporte social e grande número de participantes, esses softwares otimizam o trabalho em relação à organização dos conteúdos em classes (termo utilizado pelo programa) e suas correlações, sendo que as análises e interpretações são conduzidas pelo pesquisador a partir de um referencial teórico.
Em referência à dicotomia entre abordagens qualitativas e quantitativas (ainda existente e já abordada neste texto), Camargo e Justo (2013) observam que a análise de dados textuais, ou análise lexical, transcende essa separação, uma vez que há aspectos referentes à quantificação pautados em cálculos estatísticos sobre conteúdos qualitativos (textos, imagens, vídeos).
Associado à Teoria do Núcleo Central, o software EVOC® possibilita a análise do léxico formado pelo conjunto das evocações obtidas em uma pergunta estruturada por meio de um termo indutor referente ao objeto do estudo – TALP. Permite a identificação de hipóteses estruturais, ou seja, possibilita levantar hipóteses sobre quais elementos são centrais e quais são periféricos (Sá, 2002). Realiza a distribuição da frequência de cada termo evocado, bem como a ordem média em que eles aparecem (OME), gerando o quadro de quatro casas, conforme proposto por Vergès (1992 apudSá, 2002). Trata-se do resultado do cruzamento entre os dois critérios – frequência e hierarquização das evocações, que expressa o conteúdo e a estrutura das representações sociais para dado objeto de estudo, conforme explicam Oliveira e Costa (2007). O programa trabalha ainda com extensões que dão recortes dinâmicos ao banco de dados: identificar sujeitos, atributos, contribuições para a formação do quadro de frequências e lista de termos.
Importante salientar que a utilização de programas informatizados permite o tratamento estatístico dos dados, otimizando o tempo do pesquisador de forma que possa se debruçar nos resultados gerados, e analisá-los à luz do aporte teórico que sustenta o estudo. Assim, a análise será sempre do pesquisador sobre os dados tratados pelos programas.
4 Aplicação: um estudo em representações sociais na área da Educação
Retomando a premissa de que os estudos em RS envolvem sempre um objeto, um sujeito e um grupo, numa relação triádica, inserido em um contexto, o estudo de um fenômeno de RS busca explicar como os saberes sociais são produzidos e transformados na vida cotidiana por meio da comunicação e de interações sociais, e como pessoas/grupos produzem esses saberes sobre objetos sociais que lhes são relevantes (Jovchelovitch, 2011). Na área da Educação, como destaca Sá (1998), os temas abordados estão imbricados na vida cotidiana, mobilizando de forma ampla os conhecimentos produzidos socialmente.
O estudo que propomos apresentar, aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CAAE 19317319.6.0000.5501, Parecer nº 5.343.561), se inscreve na área da Educação, tem o Ensino Médio como objeto, e compreende-se que se trata de uma temática que abarca aspectos sociais, psicológicos, culturais e econômicos, mostrando-se uma problemática contemporânea, com reflexões sobre seu histórico e com repercussões futuras. Dessa maneira, é transdisciplinar e transversal.
Trata-se de um estudo sobre as RS de estudantes do Ensino Médio/curso profissionalizante em um momento de mudanças: a finalização da Educação Básica, que já demanda pensar sobre as perspectivas futuras – projeto de vida –, e a mudança da estrutura do Ensino Médio a partir da Base Nacional Comum Curricular – BNCC, com a possibilidade de formação profissional em paralelo com o ensino regular. Buscou-se compreender a construção dessas representações e seu papel na relação dos estudantes com o objeto, qual seja, o Ensino Médio (regular e concomitante com o curso profissional), na perspectiva das abordagens sociogenética (Moscovici, 2012) e dialógica (Marková, 2006, 2017).
Retomando as questões metodológicas, a pesquisa realizada se caracteriza com abordagem qualitativa e quantitativa e utilizou como instrumentos de coleta de dados: questionários (um de perguntas fechadas e outro com perguntas abertas) e entrevista semiestruturada. Importante destacar que, ao responder o questionário com perguntas abertas, os participantes poderiam expressar de forma textual e/ou iconográfica.
No que tange o uso de desenho, a imagem deve ser pensada como um texto e, como tal, passível de formar conjuntos de significados. No aspecto representacional, pode ser considerado o processo de objetivação, que permite associar uma imagem concreta a um significado abstrato. Assim, permitiu apreender conteúdos representacionais, somando aos apreendidos pelos demais instrumentos.
Dessa forma foi possível investigar os conteúdos representacionais por meio de diferentes estratégias: o questionário de questões fechadas permitiu, além de obter dados referentes ao perfil sociodemográfico dos participantes, apreender crenças, informações, conhecimentos e valores dos estudantes acerca do objeto – elementos também apreendidos por meio da entrevista e do questionário de questões abertas, como já citado.
Quanto aos participantes, a amostra foi composta por 1.380 estudantes dos três anos do Ensino Médio de escolas públicas de duas cidades (uma no estado de São Paulo e outra no de Minas Gerais).
Para o tratamento dos dados quantitativos foram utilizados o software Sphinx®, que permite a apresentação dos resultados por meio de tabelas e gráficos e o cruzamento das variáveis; e o software STATISTICA®, possibilitando a Análise Multivariada – Análise de Clusters. A análise de clusters, ou análise de agrupamento, ou, ainda, análise de conglomerados, é uma técnica estatística utilizada quando se pretende identificar características de similaridade entre unidades – pessoas, empresas, países – a partir de observações realizadas (Fávero; Belfiore, 2017).
Para o tratamento dos dados qualitativos, utilizou-se o software IRaMuTeQ, realizando a Análise de Reinert e a Análise Fatorial por Correspondência. Posteriormente, foi realizada análise de conteúdo (Bardin, 2016) à luz da TRS (Moscovici, 2012, 2015), articulando-a com a perspectiva da dialogicidade, conforme enfatizada por Marková (2006, 2017). Após a análise dos dados de cada um dos instrumentos, realizou-se a triangulação. Flick (2013) descreve que uma das formas de triangulação é combinar dados extraídos de diferentes fontes em momentos distintos. Assim, a triangulação metodológica envolve articular os dados obtidos por métodos variados, visando maximizar a validade dos resultados. O desenho metodológico é ilustrado na Figura 1.
Os resultados versam sobre RS elaboradas sobre o Ensino Médio relacionadas ao ensino tradicional, no qual são transmitidos conhecimentos pouco aplicáveis à vida cotidiana, mas necessários ao ingresso no Ensino Superior. Em contrapartida, tem-se RS do curso profissionalizante como possibilidade de acesso ao mercado de trabalho no presente, a crença de propiciar um futuro melhor e de auxiliar a decidir qual faculdade cursar.
A pesquisa revela que o estudo, para os participantes, é um aspecto da vida de grande relevância e acreditam que, por meio dele, poderão ter uma profissão valorizada, mobilidade social e um futuro melhor. O Ensino Médio realizado com o curso técnico mostra-se, na tríade dialógica, um objeto de desejo, na medida em que a conquista, tanto de um trabalho no presente quanto de uma profissão no futuro, diz respeito a alcançar posição social e econômica.
Na perspectiva temporal, o esforço e o estudo no passado e no presente (Ensino Médio) terão como consequência um futuro melhor. Em ambos os estudos, com participantes de regiões diferentes e experiências diversas de Ensino Médio, as RS mostram-se hegemônicas – são uniformes, indiscutíveis e refletem homogeneidade e estabilidade.
5 Considerações finais
As RS, como explica Jodelet (2001, p. 22), são “[…] uma forma de conhecimento, socialmente elaborada e partilhada, com um objetivo prático e contribui para a construção de uma realidade comum a um conjunto social.” A comunicação é a principal forma de transmissão e construção das RS. Compreendendo a especificidade das RS, justifica-se o caráter plurimetodológico nos estudos que buscam apreendê-las, lembrando a estreita relação entre teoria e metodologia.
O caminho metodológico em estudos com aporte teórico na TRS se inicia ao se estabelecer qual tríade, Ego-Objeto-Alter, se busca compreender. Qual objeto? Para qual grupo? Em qual contexto? Nas palavras de Jodelet (2001, p. 28): “Quem e de onde sabe? O que e como sabe? Sobre o que sabe e com que efeitos?”.
Diante dessas questões, há de se considerar também qual abordagem norteará o estudo: sociogenética, estrutural, sociodinâmica e dialógica. Lembrando que são abordagens que coexistem e enfatizam diferentes perspectivas de análise: do processo, da estrutura, do posicionamento do sujeito/grupo no contexto, da dialogicidade nas relações triádicas. Assim a escolha do modelo metodológico deverá ser coerente com o aspecto teórico, com o perfil dos participantes, com o contexto no qual se inserem.
Apresentar o estudo realizado, na área da Educação, visou exemplificar possibilidades metodológicas, sempre considerando o rigor científico, bem como a coerência entre os objetivos e a abordagem teórica, no caso em questão, a TRS na abordagem sociogenética.















