OS PRIMEIROS ENCONTROS COM A PERSONAGEM
A historiografia da educação tem nos últimos anos demonstrado interesse pela trajetória individual de mulheres que de algum modo contribuíram para a educação, buscando uma maior aproximação com a história das mulheres que, desde a década de 1970 (Perrot, 2017), vem denunciando o silenciamento das mulheres na e pela historiografia e desvelando o seu protagonismo. Esse encontro tem auxiliado as pesquisas no campo da história da educação a ampliar seu olhar sobre a identidade do magistério, que privilegia majoritariamente os estudos sobre as Escolas Normais, as quais se constituíram como espaços de construção e legitimação de discursos e práticas que levaram à feminização do magistério (Campos, Silva, 2002; Faria Filho et al, 2005; Lima, 2020; Louro, 2000).
Os estudos de Costa (2005) sobre a presença feminina no ensino superior, secundário e profissional no corpo discente indicaram a participação mais ampliada das mulheres no espaço público, o que suscitou a necessidade de problematizar as hierarquias existentes nestas instituições de ensino, bem como a identidade do magistério enquanto uma categoria coletiva, uma vez que denunciavam a predominância de um corpo discente e docente masculino nas etapas superiores de ensino. Nessa direção, intensificam-se os trabalhos que visam dar visibilidade às mulheres, cujas trajetórias no campo educacional são ainda hoje pouco conhecidas ou mesmo exploradas.
O grande desafio para a historiografia da educação tem sido localizar fontes sobre as mulheres ou identificá-las nas fontes existentes. Situação que se agrava quando se trata das mulheres pertencentes a classes sociais menos abastadas e negras. Contudo, ainda que Abigail Botelho Reis, cuja atuação como professora, escritora, colaboradora em jornais e membro de associações em Leopoldina, município situado na região da Zona da Mata mineira, e no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, para onde se mudou em 1913, sua atuação ainda é pouco conhecida e o estudo de sua trajetória individual ajuda tanto a relacioná-la com trajetórias coletivas quanto a problematizar quais mulheres tiveram acesso aos espaços públicos àquela época.
O primeiro contato com Abigail Botelho Reis foi em uma pesquisa sobre o Ginásio Leopoldinense, situado em Leopoldina (MG), cidade onde ela nasceu e atuou como professora e colaboradora do jornal Gazeta de Leopoldina1 (Oliveira, 2016). E o segundo foi durante pesquisas sobre a trajetória de professoras mineiras, quando seu nome foi localizado em um verbete do Dicionário Mulheres do Brasil de Schumaher e Brazil (2000), que, por sua vez, apresentava como fonte o Dicionário bio-bibliográfico de mulheres ilustres, notáveis e intelectuais do Brasil, de Adalgiza Bittencourt (1972), que teve o primeiro volume publicado em 1969, destacando sua relevância para o contexto social brasileiro.
Embora os dicionários destacassem sua relevância para a educação e a imprensa, como veremos a seguir, foi necessário buscar vestígios, especialmente na imprensa, sobre sua atuação, haja vista à primeira vista parecer tratar-se de uma mulher de uma classe social abastada, que se tornou ilustre por esta condição.
Abigail era irmã de José Botelho Reis, diretor técnico do Ginásio Leopoldinense e editor do jornal Gazeta de Leopoldina, ambos situados no município de Leopoldina - MG. Neste jornal, foi divulgada notícia de 1911 de que ela teria organizado coleções e publicações de alguns princípios pedagógicos baseados na moderna orientação norte-americana e que, no ano anterior, ela teria viajado em cargo comissionado para a Bélgica, junto com Custódio Junqueira, irmão do senador José Ribeiro Junqueira2. No mesmo ano da viagem, ocorria em Bruxelas a Exposição Universal, que, como constatado no estudo de Costa Junior (2017), ocorreu entre 23 de abril a 01 de novembro de 1910 e tinha caráter mundial. Estas feiras foram iniciadas a partir de 1851 e ocorrem até a atualidade3. Como representações populares da elite industrial eram consideradas demonstrativas das transformações das relações comerciais do mercado mundial e tidas como sinônimo de progresso, destacando-se à época a Europa e os Estados Unidos, que se encontravam no auge econômico do desenvolvimento industrial.
Soma-se a isso a afirmação de Alcântara (2016) de que os catálogos das indústrias de mobiliário escolar expostos nas exposições universais indicavam que as fábricas norte-americanas e francesas disputavam a liderança do mercado neste setor, em um contexto em que a escola emergia como um importante mercado consumidor e a propagação da modernidade pedagógica se expressava nos objetos e materiais escolares.
No mesmo ano da feira, ocorreria a criação de um jardim de infância anexo à Escola Normal do Ginásio Leopoldinense, uma instituição particular que abrangia todas as etapas de ensino até os cursos superiores. Logo, as publicações no jornal Gazeta de Leopoldina dos novos preceitos pedagógicos trazidos da viagem, contribuíram para pensar o jardim de infância como um lugar de consolidação dos saberes e práticas profissionais das normalistas, a partir das quais decorreram várias mudanças na infraestrutura da instituição de ensino.
A proposta defendida na imprensa dava maior ênfase ao método intuitivo, que segundo Valdemarin (2004, p.176) fez parte das propostas de reformulação da instrução pública, difundindo-se no Brasil até a década de 1920, integrando reformas no ensino público. Este método propunha que a escola deveria “[...] ensinar coisas vinculadas à vida, aos objetos e fatos presentes no cotidiano dos estudantes, introduzindo assim os objetos didáticos como elementos imprescindíveis à formação das ideias [...].”4
Nesse sentido, a Escola Normal do Ginásio Leopoldinense criou uma classe de desenho e uma oficina de trabalhos manuais com exposições anuais, adquiriu quadros negros e mapas murais, construiu gabinetes de química e física, que eram compartilhados com o Curso Secundário, bem como realizou a organização de coleções, das quais Abigail participou. Tal iniciativa refletia a implementação dessas reformas no município, constituindo-se como parte de um projeto mais amplo do regime republicano que, segundo Souza (1998), pretendia inovar as práticas de ensino, baseando-se em experiências de países europeus e Estados Unidos.
Entre os anos de 1910 e 1912, Abigail também atuou como professora de francês na Escola Normal e do Grupo escolar do município de Leopoldina. Contudo, sua atuação como educadora teria curta duração. Em 1913, mudou-se para o Rio de Janeiro com seu marido, Belisário Augusto Soares de Sousa Filho5, com quem se casou no ano anterior. Além de jornalista, ele foi presidente da Associação de Imprensa do Rio de Janeiro (AIB) no mesmo ano e, entre 1915 e 1917, foi eleito deputado estadual. À época do casamento, ele era editor-chefe do jornal O Paiz6, um jornal carioca fundado em 1º de outubro de 1884, por João José dos Reis Júnior, o qual teve sua circulação interrompida entre 24 de outubro de 1930 e 22 de novembro de 1933, tendo definitivamente encerrando suas atividades em 18 de novembro de 1934. Desde então, Belisário passou a trabalhar no Jornal do Brasil6. Este impresso também foi impedido de circular por um período de quatro meses durante o Governo Provisório, por tecer críticas e engajar-se em apoiar mais abertamente as lutas políticas durante a Assembleia Nacional Constituinte, em 1933. O jornal defendia a legalidade da Constituição de 1934, contudo, não defendia a continuidade de Getúlio Vargas.
A trajetória de Abigail como colaboradora nesses dois jornais foi indicada pelo Dicionário biobibliográfico de mulheres ilustres, notáveis e intelectuais do Brasil, de Adalgiza Bittencourt (1972), cabendo então buscar outras fontes que pudessem confirmar esta atuação. A autora cita o pseudônimo Edelweiss, que nos possibilitou por meio de pesquisa na Hemeroteca Digital Brasileira da Biblioteca Nacional, localizar alguns indícios desta colaboração entre os anos de 1920 e 1938, bem como de que este mesmo pseudônimo era usado por ela enquanto dama de caridade (Concurso do dote, O Paiz, 07 de agosto de 1920).
Foram localizadas ainda menções sobre sua participação junto à presidência da Pró-matre7, entre 1928 e 1930 (O Paiz, 18 mar. 1928; 04 jul. 1930), o que evidencia que sua atuação na vida pública no Rio de Janeiro se configurou em decorrência dos cargos assumidos pelo irmão, em Leopoldina, e pelo marido, no Rio de Janeiro, e da convivência com outras mulheres da elite carioca. Desse modo, não foi possível pensar a construção de sua identidade desvinculada de uma identidade coletiva, esforço que tomaremos como prerrogativa nas seções seguintes, bem como evidenciar que tais espaços não eram acessíveis ainda às mulheres de classes sociais menos abastadas, as quais eram vistas como objeto da caridade.
A CONSTRUÇÃO DE UMA IDENTIDADE
A abordagem francesa, de cunho sociológico, inspirada por Dubar, acerca da socialização e da identidade profissional vem orientando estudos sobre as negociações em torno da construção de identidades profissionais, chamando atenção para os processos de construção - individual e coletiva - das identidades docentes, revelando “[...] aspectos ainda pouco explorados a respeito dos constrangimentos políticos, das interações sociais e das dimensões simbólicas que permeiam as dinâmicas identitárias desse grupo profissional” (Xavier, 2014, p.832).
Nessa perspectiva, a identidade profissional se constrói dentro de um contexto organizacional e de um posicionamento, no interior do qual é necessário um coletivo que lhe dê sentido e densidade. Não se trata, portanto, de definir uma identidade fixa, mas de compreender as múltiplas identidades que podem se constituir em determinada profissão, pensando, sobretudo, a construção identitária como um processo, como pretende-se mostrar nas páginas seguintes.
Nascida em 18 de março de 1890, filha do casal Helena Constança Botelho Reis e Olympio de Souza Reis (major do exército), Abigail Botelho Reis realizou seus estudos no Colégio Sion, em Petrópolis8. Após seu casamento com Belisário Augusto Soares de Souza Filho, em 1912, incorporou o sobrenome do marido, passando a se chamar Abigail Botelho Reis Soares de Souza. No ano seguinte ao casamento, nasceu o seu único filho, Rubens Augusto Soares de Sousa, que se casou com Gertrud Amalie Theresie Buhler, em 1945 (D.O.U., 1945, p.23).
Embora tenha nascido em um município da Zona da Mata mineira, marcado por relações patriarcais baseadas em diferentes instituições nas quais a solidariedade instaurada pelos homens estava restrita a uma determinada classe social e gênero, Abigail atuou em diferentes espaços, sendo inclusive responsável por mediar ideias pedagógicas de âmbito internacional.
O acesso que ela teve a esses diferentes espaços foi favorecido pela influência local de seu irmão em Leopoldina e de seu marido na imprensa e na política do Rio de Janeiro. Com isso, olhar a categoria gênero sob a perspectiva interseccional se fez necessário, uma vez que as relações de poder estabelecidas em uma estrutura patriarcal denunciam relações de poder entre homens e mulheres e entre as próprias mulheres.
Neste sentido, Ângela Davis (2016) argumenta que a categoria mulher pode ser uma armadilha, quando se encontra desassociada do seu contexto racial e de classe, pois os mitos sobre feminilidade são construções políticas, sendo necessário racializar este debate. Ainda assim, fazemos a ponderação de que esta categoria de análise não inviabiliza os estudos das hierarquias existentes entre as próprias mulheres que, na visão de Scott (2011), são analisadas sob a perspectiva relacional. Abigail era uma mulher branca, de classe social abastada, o que em certa medida no remete a um espaço privilegiado em relação às condições das demais mulheres da época.
Este aspecto embora não seja determinante, indica que pertencer a determinada classe social viabilizava o alcance das mulheres enquanto intelectuais, no sentido tradicional, como à frente do seu tempo ou pioneira, o que não era visto como possibilidade para todas as mulheres. Tal postura se afasta da análise que considera a mulher como mediadora cultural (Gomes, Hansen, 2016), haja vista considerarmos que seu percurso não se deu de forma isolada, estando Abigail situada em seu tempo e em determinado espaço social.
Embora tenha sido mencionada no dicionário de Schumaher e Brazil (2000)9 uma referência confirmando a participação de Abigail na imprensa, em um concurso com a temática sobre o folclore brasileiro, em uma premiação pela revista La Mode Ilustrée (Paris), e na publicação do livro Dias de sol e de sombra, não foram localizadas estas publicações de sua autoria, no tempo da escrita deste artigo.
Enquanto jornalista e professora, Abigail produziu conhecimentos e comunicou ideias, podendo ser considerada um sujeito estratégico que ocupava posição de reconhecimento na vida social. Com base na perspectiva de intelectual como mediador cultural de Gomes e Hansen (2016), as mulheres que atuaram como escritoras, professoras, autoras, dentre outros, passam a integrar esta categoria, sendo necessário, então, conhecer suas experiências de vida.
Em uma análise mais aprofundada sobre sua atuação profissional, intentamos conhecer um pouco mais as ideias produzidas e comunicadas por ela e os modos como se vincularam à intervenção político-social. Nesse sentido, a identidade profissional não é adquirida, não é uma propriedade, nem um produto, tendo como característica ser um espaço de conflito em que maneiras de ser e estar na profissão são construídas, processo que Nóvoa (2017) denominou como identitário.
A ATUAÇÃO DE ABIGAIL NAS INSTITUIÇÕES DE ENSINO DE LEOPOLDINA (1910-1912)
Abigail iniciou a carreira docente sendo nomeada pelo governador Venceslau Brás para atuar no Grupo Escolar Ribeiro Junqueira, criado em Leopoldina, em 14 de janeiro de 1907, pelo decreto nº 2.112 de João Pinheiro da Silva10. Esta inciativa precedeu a lei nº 463, de 12 de setembro de 1907, que dispunha sobre a instrução no estado de Minas Gerais e previa a supressão das escolas isoladas11 nos lugares onde fossem instalados os grupos escolares. Segundo Gonçalves (2006), a iniciativa de expansão destas escolas no estado de Minas Gerais se deu durante o governo de João Pinheiro, que autorizou a nova organização da instrução primária e das Escolas Normais do estado ao longo dos anos de 1906 e 1907.
A Escola Normal do Ginásio Leopoldinense, por sua vez, desde sua criação, em 1907, buscava por meio de um discurso de feminização promover a formação de mulheres para atuarem no magistério primário, em decorrência do aumento do número de estudantes do sexo feminino nas escolas, o que se fez presente também em outros municípios (Oliveira, Costa, 2020). Ao analisar a Escola Normal da Corte, por exemplo, Costa (2002) constatou que ainda no Império, o decreto nº 6.379, de 30 de novembro de 1876, instituiu a separação entre os sexos para a formação de professores e professoras primárias, sendo o regime de internato para as meninas e de externato para os meninos, bem como propôs um programa de ensino diferenciado para cada sexo. O decreto sofreu alterações na sua forma original, sendo instituída apenas uma Escola Normal pelo decreto nº 7.684, de 6 de março de 1880, mantendo-se, porém, o ensino misto.
Inicialmente, o Grupo Escolar Ribeiro Junqueira manteve turmas separadas por turno: das 7h às 11h, para as estudantes do sexo feminino, e das 12h às 16h, para os estudantes do sexo masculino. Somente em 1918, a instituição de ensino passou a contar com turmas mistas nos dois turnos e reduziu a carga horária diária para 3h40 (Gazeta de Leopoldina, 1916; 1918).
A abertura do curso primário do Ginásio Leopoldinense, em 1910, por sua vez, foi acompanhada também pelo aumento do número de mulheres no corpo docente da Escola Normal, que no início de seu funcionamento, em 1907, era constituído exclusivamente por homens. Conforme Oliveira (2016), entre os sete professores que atuaram no primeiro ano de funcionamento do Curso Normal, havia apenas uma mulher que ensinava costura e trabalhos de agulha. Entre os anos de 1909 e 1926, foram admitidas também algumas normalistas, entre elas Abigail, como demonstrado na listagem de professoras admitidas para atuar no corpo docente do Curso Normal.
Tabela 1 Professoras admitidas no quadro docente da Escola Normal do Ginásio Leopoldinense (1909-1926)
| Data de entrada | Professor/a | Situação | Data de saída |
|---|---|---|---|
| 1909 | Bemvinda Ribeiro | 1926 | |
| 1910 | Adail Brandão (*) |
Egressa | 1911 (exonerada a pedido) |
| Não localizada | Dulce Junqueira |
Egressa | Não localizada |
| 1910 | Abigail Botelho Reis | 1912 | |
| 1911 | Hilda Samuel (*) |
Egressa | Não localizada |
| 1916 | Emerenciana Botelho Reis Junqueira | Não localizada | |
| Esther Fialho | 1926 | ||
| Acyr de Figueiredo | Não localizada | ||
| 1919 | Maria de Lourdes Lacerda (*) |
Egressa | Não localizada |
| 1926 | Carmen Spinola |
normalista contratada como substituta |
Não localizada |
| Não localizada | Maria Madeira |
1926 (pediu demissão) |
|
| Não localizada | Maria Auxiliadora Bitencourt |
Nomeada | Não localizada |
Fonte: Elaborada pelas autoras com base na pesquisa de Oliveira (2016)
No quadro 1, foram destacadas dentre as doze mulheres contratadas para atuar como docente entre os anos de 1909 e 1926, cinco egressas. Destas, três também atuaram como professoras do Curso primário, sendo indicadas no quadro pelo (*)12.
Abigail começou a lecionar em 1910 e, em 1912, engravidou de seu único filho, Rubens, e, em seguida, mudou-se para o Rio de Janeiro. Neste intervalo pouco menor que 3 anos, ela ainda viajou para a Bélgica, trazendo inspirações pedagógicas da feira mundial, o que indicou uma curta experiência com o magistério, porém, um papel relevante como mediadora cultural de um modelo pedagógico estrangeiro. A relação com o modelo estrangeiro, segundo Warde (1984, p. 3), apontava “[...] um esforço de produção de conhecimento próprio e moderno, através do qual as instituições e seus intelectuais poderiam travar um diálogo com os padrões internacionais de excelência, aceitos e compartilhados por uma comunidade científica”.
Embora suas contribuições tenham servido para estruturar o jardim de infância do Ginásio Leopoldinense, a Escola Normal já indicava que sua organização se dava nos moldes do Pedagogium, que, segundo o decreto nº 981, de 8 de novembro de 1890, tratava-se de um estabelecimento de ensino criado na capital federal, destinado a oferecer instrução profissional aos professores, por meio de exposição de métodos e material de ensino mais aperfeiçoado. De acordo com o art. 24, §1, seus fins seriam atingidos mediante a organização de um museu pedagógico, de conferências e cursos científicos, de gabinetes e laboratórios de ciências físicas e história natural (Brasil, 1891). Além disso, fazia parte desta organização a classe de desenho e a oficina de trabalhos manuais, com exposições anuais dos trabalhos das alunas.
A viagem de Abigail para a Feira undial da Bélgica indica que as práticas instituídas pelo Ginásio Leopoldinense, após o seu retorno, foram influenciadas pelas ideias norte-americanas que por lá circulavam e que direcionaram a criação da escola primária modelo, anexa à Escola Normal. Criada em 1910, os materiais escolares ganharam centralidade na construção do conhecimento dos estudantes, buscando sua validação em práticas ativas. A única referência encontrada a este respeito foi a fala do editor do Jornal Leopoldinense, José Botelho Reis, que afirmava ter Abigail participado da elaboração de manuais pedagógicos, os quais não foram localizados até o presente momento da pesquisa.
No primeiro ano do funcionamento do curso primário, foram ofertados cursos práticos para o estudo de economia e contabilidade rural, noções de ciências naturais, oficinas tipográficas e de encadernação e aulas de preparação comercial. A proposta de aulas ao ar livre associada a esses cursos inaugurou novas formas de ensino na instituição, mas também a necessidade de as adaptar aos novos alunos. No jornal Gazeta de Leopoldina (1911), Gama Rosa apresentou o cinematógrafo como um método inovador, pois, por meio dele, seria instituído um processo de demonstração concreta, substituindo o ensino por meio do uso de gravuras e fotografias que, segundo o articulista, não transmitiam a integral noção de realidade.
A influência deste pensamento também foi observada na configuração da Escola Normal transferida para um novo local afastado do Curso Secundário, que passaria a funcionar sob a administração da congregação religiosa espanhola Filhas de Jesus, a partir de 1918, e que funcionaria sob o regime de internato, exclusivamente feminino. Desse modo, percebe-se que o jornal Gazeta de Leopoldina era um importante instrumento veiculador das ideias pedagógicas inovadoras influenciadas pelas experiências estrangeiras, indicando diferentes maneiras de apropriação dos modelos apresentados e de assimilação de critérios que acabavam por definir o próprio perfil das instituições.
Cabe destacar, que embora dos anos de 1906 a 1926, nenhuma mulher tenha assinado as publicações, Schumaher e Brazil (2000) afirmam que Abigail exerceu a função de colaboradora desde os seus 15 anos neste impresso, fundado em 1895 pelos membros da família Junqueira, sendo Abigail cunhada de Custódio Junqueira, irmão de José Monteiro Ribeiro Junqueira, seu diretorchefe13. O jornal Gazeta de Leopoldina foi o jornal mais antigo do município, mas foi o de maior duração, sendo publicados mais de três mil exemplares desde a sua fundação até o ano de 2004.
Este impresso era o principal meio de produção intelectual dos docentes. Também era usado para desencadear campanhas de transformação social e política do município e seus distritos e ainda abordava os debates políticos em disputa no contexto mais amplo. Dessa forma, foi possível identificar a presença de intelectuais e mediadores de diversas matizes, ligados aos detentores do poder local, que atuavam como redatores.
A ênfase dada pelas notícias à rotina das instituições escolares do período, em especial ao Ginásio Leopoldinense, por se tratar de uma instituição dirigida pelo mesmo diretor do jornal, trouxe-nos elementos sobre a estrutura organizacional dos diversos cursos oferecidos e seus programas de ensino, como enfatizam Oliveira e Costa (2020, p. 29):
[...] Tanto a imprensa quanto as instituições de formação docente contribuíam com seu papel de produzir novos hábitos, novas subjetividades e novos ritmos, precisamente sobre as crianças, professores e famílias. Isso porque o manual didático em si não seria capaz de realizar essas mudanças, sendo necessário considerar suas práticas de utilização pelos professores e alunos.
Ainda que não tenham sido encontradas as indicadas publicações de autoria de Abigail neste periódico, será dada continuidade à sua atuação profissional na imprensa. Após a maternidade, ela se mudou para a capital do país, afastando-se do magistério, porém, contribuindo agora com os jornais do Rio de Janeiro, de alcance mais amplo.
A ATUAÇÃO DE ABIGAIL NA IMPRENSA CARIOCA
No Rio de Janeiro, há indícios de que Abigail continuou sua atuação como colaboradora na imprensa no jornal O Paiz, onde seu marido Belisário era editor-chefe. Ao mesmo tempo, ele enveredou pelo campo político, sendo eleito deputado federal e estadual e ficou à frente da presidência da Associação de Imprensa do estado do Rio de Janeiro, entre 1913 e 1916, quando propôs a mudança do nome da entidade para Associação Brasileira de Imprensa (ABI)14, idealizada e criada em 7 de abril de 1908.
Este impresso mantinha um caráter situacionista e moderado em relação à Aliança Nacional Libertadora (ANL)15, uma frente popular constituída pela união de diferentes correntes políticas, que tinham em comum a insatisfação com a aproximação de Getúlio Vargas com os grupos oligárquicos afastados do poder em 1930 e queriam deter o avanço da Ação Integralista Brasileira (AIB)16, criada em 1932, cujo pensamento era representado pela tríade: Deus, Pátria e Família (Coelho, 2005). Por este motivo, o jornal teve sua sede saqueada e foi impedido de abrir no ano de 1930.
Entre os anos de 1927 e 1930, tentou-se identificar algum tipo de participação de Abigail na coluna Feminismo, que estava sob a égide da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino (FBPF) no jornal O Paiz, durante o período em que Belisário foi editor-chefe. Constatou-se que o tema já vinha sendo abordado antes mesmo de Abigail se mudar para o Rio de Janeiro, sendo localizadas 201 ocorrências entre os anos de 1910 e 1920, sendo 31 somente no ano de 1910. Estas publicações, em geral, não eram assinadas ou vinham assinadas por homens ou pseudônimos. Como dito anteriormente, Abigail utilizava o pseudônimo Edelweiss, o que possibilitou encontrar algumas notícias que pudessem indicar sua colaboração no jornal, embora nenhuma delas como redatora da coluna mencionada. Sua atuação se deu, sobretudo, quando em um anúncio de uma vaga de governanta intitulada Governante, publicado em O Paiz, de 2 de abril de 1921, foi feita uma menção a Edelweiss, que seria responsável por receber as cartas dos interessados pela contratação da moça de origem suíça. Também em 1938, quando aberta uma vaga de emprego para corretores, ela foi designada para direcionar os interessados à vaga. Na Seção de grafologia, publicada em 18 de março de 1934, o pseudônimo aparece demonstrando que ela também atuou como redatora17, porém, de outra seção do jornal:
Belisário, por sua vez, passou a trabalhar no Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP) do governo Vargas. Foi neste governo que o direito das mulheres ao voto foi dado, em 1932, sendo garantido na Constituição de 1934, mesmo ano em que o jornal O Paiz foi definitivamente fechado. Vale salientar que o apoio a Getúlio não era um consenso geral, o que acabou gerando rupturas entre elas.
Com o fechamento do periódico, Belisário começou a trabalhar no Jornal do Brasil (JB). Consta no Dicionário: Mulheres do Brasil que Abigail colaborou com esse periódico, contudo, não situa a data em que isso ocorreu. Neste período, o impresso passava por uma crise financeira e divergências internas, voltando suas publicações para anúncios classificados sem, contudo, se omitir em relação aos fatos políticos. O JB mantinha uma perspectiva conservadora e católica, de crítica à Aliança Nacional Libertadora e suas ações, embora também não apoiasse o movimento integralista, que inicialmente apoiou Getúlio, mas, com o estabelecimento do Estado Novo, promoveu um levante na tentativa de derrubar o governo, em 1939. Em certa medida, também contribuiu para promover as ações filantrópicas das mulheres frente à Associação Damas da Cruz Verde, maternidade Pró-Matre e Sociedade dos Lázaros, que integrava a Ação Católica, confirmando uma forte influência da Igreja Católica e das mulheres no campo da filantropia. E é neste contexto que Abigail esteve inserida.
O PAPEL DE ABIGAIL NO CAMPO DA FILANTROPIA
Abigail estudou em uma instituição católica em Petrópolis e promoveu obras de filantropia na capital como integrante da diretoria da Pró-Matre e membro da Federação das Sociedades de Assistência aos Lázaros e Defesa Contra a Lepra (FSAL), entre os anos de 1926 e 1947. Estas associações estavam atreladas à Associação Damas da Cruz Verde, que era integrada por um grupo de mulheres da sociedade carioca, que apoiou a campanha feita pelo médico higienista Carlos Arthur Moncorvo Filho (1871-1944), médico fundador do Instituto de Assistência e Proteção à Infância no Brasil (Câmara, 2017).
Na primeira reunião da Associação, que ocorreu em abril de 1918, na residência da família Guerra Duval, estiveram entre os presentes, Laurinda Santos Lobo, Jeni Monteiro Amaral, Helena Figueiredo Araújo, Ernestina Passos Bulhões de Carvalho, Nair de Azevedo Teixeira, Maria Engrássia Celso Carneiro de Mendonça, LoLandbery e também o médico e professor Fernando Magalhães e o marido de Stela, Fernando Guerra Duval (Fonseca, 2011; Schumaher, Brazil, 2000).
A preocupação com os elevados índices de mortalidade infantil abriu espaço para a atuação desses médicos e puericultores, que com o apoio de setores femininos da elite, organizaram estas entidades de assistência materno-infantil, visando prestar assistência à maternidade (Barreto, 2011).
Abigail poderia estar entre as senhoras da elite carioca que teriam sido convidadas a serem signatárias e tornarem-se membros da Pró-Matre, implicando em pagamento de mensalidades. Mas o fato é que na relação de fundadoras trazida por Cinacchi (2017), tendo por referência o Estatuto de 1918, não se lê o nome dela compondo a diretoria para o primeiro biênio dessa Associação. A autora destacou que a primeira ação filantrópica do grupo foi a criação da maternidade da Pró-Matre, inaugurada em 1919, como resultado do trabalho de sua presidente, a feminista Stella de Carvalho Guerra Duval, juntamente com o filantropo, médico e professor da clínica obstétrica da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, Fernando Magalhães, e das Damas da Cruz Verde, que desempenharam importante papel tanto na busca de recursos para construção e aparelhamento da maternidade quanto na sua administração.
A instalação do hospital foi provida pelo presidente Venceslau Brás, no casarão na avenida Venezuela, número 159, onde funcionariam inicialmente duas enfermarias, uma de obstetrícia e outra de ginecologia, além de 40 leitos. Havia também um consultório para atender as mulheres grávidas. O prédio sofreu várias reformas entre 1918 e 1945, com ampliação para 155 leitos, sendo 15 enfermarias e 31 apartamentos particulares e ainda laboratórios médicos e ambulatórios. Outras ações da Associação foram a criação, em 1919, de uma creche para atendimento de 20 crianças e, posteriormente, de postos de saúde e farmácias (Melo e Marques, s.d).
Os estudos de Costa (2014) indicaram a participação de representantes da Pró-Matre e da Sociedade de Assistência aos Lázaros (FSAL) e Defesa Contra a Lepra (DCL) também nos congressos organizados no Rio de Janeiro pela FBPF, liderada por Bertha Lutz, em 1922. Stella de Carvalho Guerra Duval, a mais proeminente representante da Pró-Matre e uma das Damas da Cruz Verde, esteve presente como uma das vice-presidente do Congresso e como delegada da Federação no 1º Congresso Internacional Feminista (1ª Conferência pelo Progresso Feminino), no Rio de Janeiro, presidido por Bertha Lutz (Fundo Federação Brasileira pelo Progresso Feminino/Arquivo Nacional).
Entre as seções do Congresso (Conferência) de 1922, estava a de Assistência às Mães e à infância protegida, tendo como um dos palestrantes o médico higienista Artur Moncorvo Filho, que tratou sobre proteção à infância. Em seu discurso, o médico destacou o trabalho da “Dama protectora ou o de Enfermeiras ou Visitadora” e enfatizou que cursos para as moças como enfermeiras visitadoras eram oferecidos pelo Hospital da Pró-Matre (Costa, 2014, p. 99-125).
Em 1930, um suplemento do periódico carioca Correio da Manhã também foi dedicado à divulgação dos feitos e da agenda da FBPF. Nele, o seguinte artigo é veiculado: “A Pró-Matre e a Maternidade Suburbana, nobres empreendimentos em benefício da mulher desamparada são federadas à Federação Brasileira pelo Progresso Feminino (apudCinacchi, 2017, p. 9)”.
Conforme divulgado pelo jornal O Paiz, em 18 de março de 1928, Abigail constituiu também a diretoria da Pró-Matre, como segunda tesoureira. Ainda em notícia de 04 de julho de 1930, ela foi indicada como membro da diretoria, juntamente com Stella Guerra Durval, fundadora da Associação das Damas da Cruz Verde, Jeronyma Mesquita, Maria Eugênia Celso, Anna Amelia Carneiro de Mendonça, Laurinda Santos Lobo, Helena de Figueiredo Araujo, Nair de Azeredo Mentges, dentre outras mulheres cujos nomes não foram identificados na notícia (O Paiz, 1928, 1930).
Foi possível também localizá-la como atuante na Federação das Sociedades de Assistência aos Lázaros e Defesa Contra a Lepra (FSAL), entre os anos de 1926 e 1947. Segundo Curi (2002) esta instituição foi criada na década de 1930, para amparar as crianças filhas dos leprosos que eram isolados. Esta iniciativa foi colocada em prática durante o período de 1920 a 1941. A partir de 1935, foi elaborado um plano de construção de leprosários pelo governo federal, a fim de adotar uma política de isolamento como medida profilática da lepra. Abigail foi apontada como membro do Conselho Deliberativo da Federação, em 1935. Junto dela, atuaram no mesmo ano, no Distrito Federal, as seguintes mulheres, conforme apresentado no quadro 2:
Tabela 2 Mulheres que atuaram na Federação das Sociedades de Assistência aos Lázaros e Defesa Contra a Lepra (DF), entre 1935 e 1942:
| Nome | Período de atuação |
|---|---|
| Abigail Botelho Reis Soares de Souza | 1935 |
| Almira Linhares Mourão | 1935 - 1943 |
| América Xavier da Silveira | 1935 - 1942 |
| Celina Guinle de Paula Machado | 1935 |
| Eunice Gabbi Weaver | 1935 -1969 |
| Maria Luiza Barcellos | 1935 - 1947 |
| Maria Theresa de Souza Leite | 1935 |
| Olga Teixeira Leite | 1935 - 1942 |
Fonte: Elaborada pelas autoras elaborado com base em Santos e Leandro (2019, p. 65-67)
Com base nos vestígios apresentados pode-se fazer alguns apontamentos sobre a rede de sociabilidade de Abigail, sua experiência de vida, sua formação, as instituições e associações das quais fez parte, que contribuíram com alguns elementos indispensáveis para a configuração de sua identidade entendida aqui como um processo de construção coletiva. Tudo isso nos mostra que o percurso de um mediador cultural não se faz de modo isolado, mas nas relações sociais que ele estabelece com os outros e com seus pares, tratando-se, portanto, de um processo social.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A colaboração de Abigail na imprensa, na qual seu irmão e seu marido também trabalhavam, bem como professora primária no Grupo escolar Ribeiro Junqueira e professora de francês na Escola Normal do Ginásio Leopoldinense, apresentou indícios de que foi facilitada pela posição social que ocupou e pelas redes de sociabilidade que estabeleceu ao longo de seu percurso tanto em Leopoldina (MG) como no Rio de Janeiro, indicando seus limites de atuação no interior de uma sociedade balizada por uma estrutura patriarcal, em que as mulheres tinham papeis sociais definidos e nem todas tiveram a oportunidade de ocupar espaços públicos.
Sua atuação na área da filantropia na capital fluminense junto a outras mulheres da elite carioca, por sua vez, evidenciou a relação que as associações e a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino estabeleceram desde a sua criação, indicando a participação de membros da Pró-matre na 1ª Conferência organizada pela FBPF.
Desse modo, pode-se constatar que em uma realidade marcada pelo patriarcado, as mulheres das famílias abastadas encontravam estratégias para usufruir dos serviços que o estado oferecia, por meio daqueles que Franco (1997, p. 236) afirmou se tratar de “[...] agentes que detinham de fato os meios de administração, fundindo-se patrimônio estatal e propriedade privada e superpondo-se autoridade oficial e aparelho do estado [...]”. Ainda que suas ações pareçam estar em conformidade com a estrutura patriarcal e conservadora de sua época, como percebido em relação ao caráter situacional dos jornais em que Abigail atuou tanto em Minas quanto no Rio de Janeiro, não podemos desconsiderar sua contribuição para a configuração das instituições primárias e do Curso Normal do Ginásio Leopoldinense, em Leopoldina (MG).
Abgail teve relevante papel na divulgação e implementação de preceitos pedagógicos modernos no ensino local, aos quais teve acesso durante a sua viagem à feira mundial realizada na Bélgica, em 1910. Tal feito nos permitiu identificá-la com a categoria de mediador cultural, problematizada por Gomes (2020), para quem produção e divulgação são indissociáveis. A produção de conhecimentos e inovações só se dá com o objetivo que haja alcance e circulação entre os mais diversos públicos e de formas variadas.
Ao analisarmos as relações de poder estabelecidas entre os atores de sua época, sob uma perspectiva de gênero como uma categoria interseccional, ficaram expressas não somente as hierarquias existentes entre homens e mulheres, como entre as próprias integrantes das Associações e Sociedades das quais Abigail fez parte, demonstrando que uma categoria não se constitui de modo homogêneo. Seu percurso profissional nos mostrou a interdependência existente nas relações entre homens e mulheres, indo ao encontro da concepção que segundo Scott (2011), busca perceber as relações sociais entre os sujeitos e um modo de significar as relações de poder.
Ao mesmo tempo em que se buscou tomar o cuidado de não inserir a análise em uma visão pautada no determinismo estrutural, intentou-se conferir maior autonomia à construção da identidade profissional de Abigail, dando espaço às reflexões sobre o “processo identitário”, realizadas por Xavier (2014, p. 832) e Nóvoa (2017), para os quais a identidade individual não se dá descolada do social.
Este estudo evidenciou ainda o silenciamento da produção literária de Abigail, que é um problema apresentado por Perrot (2017) em relação à história das mulheres, que se configura também como outro ponto a se debater em estudos futuros, visto que não foi possível localizar sua publicação premiada e nem sua obra Dias de sol e de sombras, as quais merecem uma análise mais aprofundada, e que talvez possam desvelar elementos mais robustos sobre o percurso profissional e atuação desta personagem.















