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Revista Teias

Print version ISSN 1518-5370On-line version ISSN 1982-0305

Revista Teias vol.26 no.80 Rio de Janeiro Jan./Mar. 2025  Epub May 08, 2025

https://doi.org/10.12957/teias.2025.80825 

Artigos de Demanda Contínua

ABORDAGEM SOCIOEMOCIONAL NO FILME ENCANTO: contribuições para a educação básica

SOCIO-EMOTIONAL APPROACH IN THE FILM ENCANTO: contributions to basic education

ENFOQUE SOCIOEMOCIONAL EN LA PELÍCULA ENCANTO: contribuiciones para la educación básica

Luiz Alberto de Souza Filho1 
http://orcid.org/0000-0001-6664-8967; lattes: 6718314653773537

Andréa Espinola de Siqueira2 
http://orcid.org/0000-0002-7905-898X; lattes: 5431863504554421

1Universidade Federal do Rio de Janeiro

2Universidade do Estado do Rio de Janeiro


Resumo

Os filmes podem ser utilizados em aulas com a finalidade educativa, possibilitando a criação de espaços para múltiplas reflexões em sala de aula. Procuramos inserir a temática da formação socioemocional na educação básica através de discussões a partir de um filme comercial. Nesse sentido, o presente estudo busca relacionar o filme Encanto (Disney) com a influência das relações interpessoais na dimensão socioemocional dos sujeitos. A metodologia consiste na análise fílmica francesa. É proposto o reendereçamento do filme e, para isso, são destacados pontos que potencialmente articulam discussões e reflexões a respeito dos sofrimentos que podem compor a formação socioemocional dos estudantes. Encanto pode ser utilizado no ensino fundamental, visando discussões a respeito das relações familiares, traumas, luto, expectativas e frustrações, sobrecarga e estafa mental, ansiedade, supressão dos próprios desejos e falta de percepção de si. Sendo assim, o reendereçamento do filme Encanto pode ser integrado em propostas educativas que procurem abordar aspectos socioemocionais que atravessam a sala de aula no ensino fundamental.

Palavras-chave: cinema e educação; relações interpessoais; saúde mental

Abstract

Films can be used in classes for educational purposes. It can enabe the creation of spaces for multiple reflections in the classroom. We seek to insert the theme of socio-emotional training in basic education through discussions based on a commercial film. In this sense, the present study seeks to relate the film Encanto (Disney) with the influence of interpersonal relationships on the socio-emotional dimension of the subjects. The methodology consists of analyzing French films. A readdressing of the film is proposed and to this end points are highlighted that potentially articulate discussions and reflections regarding the suffering that can compose the socio-emotional formation of students. Encanto can be used in elementary school, aiming for discussions about family relationships, traumas, grief, expectations and frustrations, mental overload and exhaustion, anxiety, suppression of one's own desires and lack of self-perception. Therefore, the readdressing of the film Encanto can be integrated into educational proposals that seek to address socio-emotional aspects that permeate the elementary school classroom.

Keywords: cinema and education; interpersonal relationships; mental health

Resumen

Las películas pueden utilizarse en las clases con fines educativos, permitiendo la creación de espacios para múltiples reflexiones en el aula. Buscamos insertar el tema de la formación socioemocional en la educación básica a través de debates basados en una película comercial. En este sentido, el presente estudio busca relacionar la película Encanto (Disney) con la influencia de las relaciones interpersonales en la dimensión socioemocional de los sujetos. La metodología consiste en el análisis francesas de películas. Se propone redireccionar la película y, para ello, se destacan puntos que potencialmente articulan discusiones y reflexiones sobre el sufrimiento que puede componer la formación socioemocional de los estudiantes. El encanto se puede utilizar en la escuela primaria, con el objetivo de discutir sobre relaciones familiares, traumas, duelo, expectativas y frustraciones, sobrecarga y agotamiento mental, ansiedad, supresión de los propios deseos y falta de autopercepción. Por lo tanto, el redireccionamiento de la película Encanto puede integrarse a propuestas educativas que busquen abordar aspectos socioemocionales en aula en la escuela primaria.

Palabras clave: cine y educación; relaciones interpersonales; salud mental

INTRODUÇÃO

Ao conversar com diversos níveis de escolaridade, o cinema pode influenciar a formação de valores e comportamentos na sociedade. Inserir filmes na escola pode favorecer a abordagem de temas de interesse educacional e social, contribuindo para a criação de um espaço em que os estudantes possam refletir. Além disso, incluir o cinema no espaço escolar pode contribuir para a interação entre estudantes e o texto fílmico, entendendo o aluno como espectador intelectualmente ativo (Rezende Filho et al., 2015), que possui experiências, escolhas e motivações, e aciona elementos da memória que irão influenciar os processos de aprendizagem (Duarte, 2002).

Autores como Andrade, Teixeira (2019) e Tinoco, Araújo (2017) mencionam a pertinência em utilizar o cinema no contexto escolar, pois favorece a abordagem de temas de interesse social e educacional, permitindo que os alunos reflitam criticamente sobre o mundo. Os filmes podem ser articulados com o currículo escolar, visando discutir conteúdos e conceitos nos processos de ensino (Napolitano, 2003). Existem espaços para relacionar cinema e educação em abordagens que compreendem o cinema como produtor de sentidos e que considere a sua dimensão criativa e sensível (Almeida, 2017).

Empregar um filme dentro de uma proposta pedagógica na sala de aula não é uma tarefa trivial, pelo contrário, é um trabalho complexo e influenciado por questões contextuais e curriculares da disciplina, do curso e do cotidiano dos estudantes espectadores (Pastor Júnior, 2016).

Os professores possuem papel importante nesta mediação, pois quando um professor decide usar um filme, ele esbarra com o “modo de endereçamento” (Ellsworth, 2001) constitutivo daquele filme e uma sala de aula com estudantes espectadores em distintas experiências socioculturais. Nessa articulação, o professor tende a se comportar como um mediador no processo comunicativo - entre o texto audiovisual e a sua turma -, exercendo um papel de controle sobre as leituras feitas pelos estudantes espectadores (Cabral et al., 2019). Esse exercício de mediação conduzido pelo professor constitui um novo modo de endereçamento: um reendereçamento (Santos, Rezende Filho, 2022). O conceito de reendereçamento diz respeito “[...] às mediações produzidas sobre uma obra audiovisual para adaptá-la ao ensino” (Rezende Filho et al., 2024, p. 1).

Existem filmes comerciais de animação que vão além de entretenimento e apresentam discussões profundas e necessárias às crianças e adolescentes (Souza Filho, Valladão, Lage, 2022), incluindo discussões atuais no campo da educação emocional (Schorn, Santos, 2016; Quintanilha, 2021; Cabral et al., 2022). Esses filmes podem ser úteis à promoção do desenvolvimento emocional ao estimular que os estudantes identifiquem e compreendam as emoções (Quintanilha, 2021). Reflexões sobre a saúde mental vêm sendo mediadas por recursos audiovisuais (Ferreira, Rezende Filho, 2021). A autora Omelzuck (2023), por exemplo, propôs a construção de uma formação inventiva na formação de professores utilizando filmes, no campo psicologia e educação.

Pensando no papel da escola como uma possibilidade para o desenvolvimento integral dos sujeitos, como destacado por Silva, Ferreira (2014), é primordial considerar a dimensão humana, afetiva, psicológica e emocional. Uma corrente que busca incorporar as discussões sobre os aspectos emocionais e a saúde mental na formação dos estudantes é a educação socioemocional (Pfeilsticker, 2020).

Educação Socioemocional (ES) vem do termo Social and Emotional Learning (SEL), conceito que abrange o desenvolvimento social, emocional e acadêmico de crianças e jovens em interlocução com escola, família e comunidade (Pfeilsticker, 2020). As emoções são como instrumento de sociabilidade, modo primitivo de identidade que medeia e introduz o sujeito no mundo humano e o vincula ao mundo físico (Wallon, 1975). Daniel Goleman (2020) destaca as emoções (raiva, tristeza, medo, felicidade, amor, surpresa, nojo e vergonha) como partes constitutivas dos sujeitos, sendo reconhecidas em todo o planeta por diferentes culturas.

No entanto, as emoções podem afetar o aprendizado e a sociabilidade, por isso, destaca-se a relevância de que as singularidades de cada estudante possam ser consideradas, valorizando suas contribuições no espaço escolar, sejam elas sociais ou culturais, assim como é sabido que a busca pela identificação de áreas de interesse das crianças e adolescentes pode produzir uma troca saudável entre docentes e discentes (Mordente, Gonçalves, 2016).

O desenvolvimento dos estudantes em idade escolar não envolve apenas a dimensão intelectual, mas também as dimensões afetivas e sociais (Almeida, 2018). Fomentar o diálogo sobre a formação socioemocional dos sujeitos é pertinente visando incluir a saúde mental como um tema que precisa ser discutido na escola. Afinal, para além dos conteúdos disciplinares, a sala de aula prepara os estudantes para a vida. Em vista disso, os documentos oficiais da educação do Brasil destacam a responsabilidade da escola em trabalhar a saúde mental e inteligência emocional dos estudantes (Quintanilha, 2021).

Assim, esta pesquisa busca saber a partir do uso do filme Encanto (Bush, Howard, 2021), como o seu reendereçamento em sala de aula pode possibilitar a abordagem da dimensão socioemocional no âmbito das relações interpessoais e dos sofrimentos que podem surgir a partir dessas relações, visando à promoção de discussões sobre saúde mental e bem-estar na educação básica.

METODOLOGIA

Esta pesquisa é de caráter qualitativo e decorre da análise fílmica do longa-metragem Encanto (Bush, Howard, 2021). A pesquisa qualitativa ajuda a compreender a realidade subjetiva.

Buscou-se analisar a dimensão socioemocional das personagens, por meio do método de análise fílmica francesa proposto por Vanoye, Goliot-Lété (2012), no qual é possível identificar quais são os significados preferenciais estabelecidos pelo autor da obra, o endereçamento preponderante e as suas camadas, com vistas a estruturar a investigação analítica do filme.

A obra fílmica foi assistida diversas vezes para ser estudada e assim tornar possível o entrelaçar e o destaque das cenas nas quais são veiculados aspectos socioemocionais das personagens, para possibilitar a reflexão com os estudantes, abrindo caminho para discussões nas quais a saúde mental seja ressaltada como parte constitutiva dos sujeitos. Tais abordagens compõem a proposta de reendereçamento desta pesquisa.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Encanto, lançado em 2021, é uma animação produzida pelo estúdio Disney, pelos diretores Byron Howard e Jared Bush. Sua narrativa apresenta a trama da família Madrigal como uma família mágica. A história ocorre geográfica e simbolicamente na Colômbia.

A família se estabelece nesse local ao fugir de uma guerra civil. Nessa ocasião, o abuelo Pedro se sacrifica para salvar sua família: a abuela Alma e os seus três filhos. A partir desse instante, uma magia protege os refugiados e, assim, cada um de seus filhos recebe um dom, a partir dos cinco anos de idade. A magia é passada de geração em geração, exceto por Mirabel (protagonista).

Cada integrante da família Madrigal possui um poder/dom diferente que contribui com a manutenção do vilarejo. Por exemplo, a abuela (avó) Alma é a guardiã da vela do milagre; Bruno é capaz de ver o futuro; Julieta tem o dom de curar através dos seus quitutes culinários; Pepa varia as condições climáticas de acordo com a sua variação de humor; Isabela produz plantas; Luisa é superforte; Dolores tem uma superaudição; Camilo consegue se transformar em quem ele quiser e Antônio pode falar com os animais.

A árvore genealógica da família Madrigal está esquematizada na (Figura 1).

Nota: A imagem apresenta a relação de parentesco da família Madrigal. Fonte: Elaborada pelos autores, 2024.

Figura 1 Árvore genealógica da família Madrigal 

Após a cerimônia frustrada em que Mirabel receberia seu dom, é a vez do seu primo mais novo, Antônio. A cerimônia do dom de Antônio é muito esperada, dada a cerimônia anterior fracassada. Na noite em que Antônio recebe seu dom, Mirabel vê surgirem rachaduras nas paredes e chão da casa da família e percebe que a casa está em perigo, tentando contar para todos, mas a sua família não acredita nela.

Mirabel busca sozinha por respostas. Um personagem que pode ajudar a encontrar as respostas é seu tio Bruno, que prevê o futuro, mas está desaparecido. Com isso, Mirabel parte em uma aventura para descobrir o que está acontecendo com a casa e salvar sua família.

Podemos dizer que existem algumas camadas de endereçamento para diferentes públicos no mesmo filme. Ellsworth (2001) coloca que os filmes estabelecem um direcionamento para um determinado grupo de pessoas, e isso ocorre em um espaço psíquico, social ou em ambos, entre o texto e os usos que o espectador faz dele.

Encanto é classificado na categoria de animação, fantasia, comédia, família e musical, de indicação livre. O conjunto dessas categorias destina-se para um setor da população infantil. Isso se confirma na medida em que a linguagem da produção é majoritariamente informal e estabelece um grau de facilidade de entendimento.

Um filme endereçado ao público infantil utiliza, predominantemente, cores fortes e primárias (Bernardes, Rezende Filho, 2020), coloca animais em posição de destaque, usa a humanização de objetos, além da produção de histórias de superação e alegria (Cabral et al., 2019). Contam ainda com o caráter lúdico e o protagonismo infantil (Barbosa, Rezende Filho, 2021). A reunião dessas características pode levar a criança a entender que aquele vídeo foi produzido para ela.

Deve-se considerar também que o filme não é superficial, pois é extremamente simbólico, com aspectos verbais e não verbais que se estruturam, o que amplia as camadas de construção de sentido e potencialmente permite a abrangência de um público de maior idade. A construção de um endereçamento amplo suscita um direcionamento para diferentes grupos ou identidades, assim a mesma produção possui marcas de endereçamento destinadas às diversas parcelas da audiência (Cabral et al., 2022).

Carismática e divertida, Mirabel também é sensível e depreciada. Sua avó é responsável pela família e por manter a magia viva. Ao passo que Mirabel não recebe seu dom, a avó muda seu comportamento com a neta, antes carismática e amorosa. A avó é, portanto, a antagonista da narrativa. Aqui há um conflito apresentado: a quebra de expectativa da avó, a sua frustração e a perda de interesse pela neta.

Do outro lado, Mirabel vê essa “quebra de investimento/desejo do outro” de sua avó e se coloca constantemente em situações para contribuir nas tarefas da família, buscando sempre ser melhor, na tentativa de suprir o fato de não ter um dom. Portanto, neste filme, o antagonista do enredo não é um vilão ou alguém perverso. Não existe uma batalha entre o bem e o mal, narrativa clássica dos filmes. Existe, em Encanto, uma batalha interna em cada personagem: cada um deles cria suas próprias expectativas sobre o que seria melhor para a família. Aí reside o tensionamento do filme, pautado nas relações interpessoais.

A cobrança da avó para fazer da família um modelo de “perfeição” (de acordo com suas expectativas) acarreta muita pressão para todos os familiares e acaba, por consequência, gerando frustração, sobretudo quando as expectativas criadas não são correspondidas.

O filme ressalta a dimensão socioemocional que compõe os sujeitos, visto que inúmeras cenas destacam tais expectativas de um familiar sobre o outro e os sofrimentos causados por essas projeções. Algumas características das personagens principais e seus aspectos psíquicos podem servir de ponto de partida para discussões sobre saúde mental e bem-estar em sala de aula, e estão sintetizados na Tabela 1.

Tabela 1 Características das personagens de Encanto e seus aspectos psíquicos 

Personagem Características Aspectos psíquicos destacados
Abuela Alma Exigente e líder Sofrimento do luto e controle exacerbado dos membros da família
Mirabel Confiante, carismática, cooperativa, rebelde, persistente e sensível Não pertencimento e o desejo de ser
Luisa Altruísta e independente Sobrecarga, estafa mental e física e ansiedade
Isabela Modelo de sucesso, organizada e política Supressão dos próprios desejos
Pepa Comunicativa e espontânea Equilíbrio emocional
Bruno Antissocial e autodepreciativo Falta de percepção de si

Fonte: Elaborado pelos autores, 2023.

A abuela manda aqui

A abuela Alma é matriarca da família. Ela governa não só a sua família como todo o vilarejo. Na barra de seu vestido, há desenhos que simbolizam montanhas, há uma relação simbólica entre as montanhas e a proteção. De fato, a abuelita é superprotetora, rígida e controladora, como líder quer que tudo saia do seu jeito e, com isso, acaba exigindo muito de sua família.

Contudo, é preciso também colocar em vista o seu passado traumático, pois Alma é colocada nesse posto de comando em um processo abrupto de perda, a partir da morte do seu marido Pedro. O luto possui variados efeitos sobre as pessoas, pois é um processo subjetivo e social, que gera impactos em diferentes aspectos da vida (Dahdah et al., 2019). Freud (1917) tratou do luto enquanto tema relevante para a compreensão dele como um processo psíquico. Na sua famosa obra “Luto e Melancolia”, o autor descreve o luto como um processo psíquico não patológico. Então, aqui, reside um ponto de discussão com os alunos sobre o luto, pois ele não está referido apenas à morte, mas sim a qualquer processo de perda, seja de um objeto, emprego, relacionamento, condição socioeconômica, entre outros. A própria formatura dos estudantes pode representar um momento de luto, pois muitas vezes ocorre a troca de escola entre um segmento e outro da educação básica. Possibilitar que esse sofrimento seja narrado pode aliviar os sintomas da perda em questão.

Mirabel (quer ser) Madrigal

Mirabel é a protagonista de Encanto, ela carrega o fardo de ser a única de sua família a não ter recebido um dom. Na vez de Mirabel, foram feitos preparativos com grandes expectativas sobre a revelação do dom, mas ela não ganha nenhum poder e há uma quebra de expectativas sobre ela. Em determinados momentos a personagem é vista se sentindo como membro não importante da família.

Quando Antônio ganha seu dom, a abuela diz saber que o menino receberia um dom tão especial quanto ele, e indiretamente reforça o sofrimento de Mirabel em seu sentimento de não pertencimento. Isso é verbalizado, mas também é grafado. Logo em seguida, a cena é composta pelo enquadramento da câmera ao registrar uma foto da família, sem incluir Mirabel. Essa cena é impactante para a narrativa, pois a imagem passa em câmera lenta na visão de Mirabel, que começa a cantar dizendo que “[...] está legal e que não vai chorar”. Ela insiste ainda em fazer parte da família Madrigal, porém diz que “[...] se sente deixada para trás”. Esses versos são da música “Só um milagre pode me ajudar”, cantada por Mirabel. No filme, as canções ajudam a entender o sentimento das personagens e o sentimento de Mirabel, que pode ser compreendido através de diversos versos da música, como em “Já cansei de sofrer/ Esperando pra ver a porta brilhar/ Pra um dia entrar”. Há um simbolismo entre entrar pela porta e integrar a família. Mirabel quer ser enxergada pela avó como membro que pertence à família, e não ser ignorada. Há um diálogo com a expressão “abra o olhar” na música e “¡abra los ojos!” dito pela avó no começo e ao final do filme.

Após cantar solitária, Mirabel vê uma telha da casa cair, em seguida o piso treme e causa rachaduras que vão se espalhando pelas paredes até a janela mais alta, onde a está a vela, e sua chama oscila. Ao correr para informar a família que a casa estava em perigo, sem conseguir apresentar provas, Mirabel fica mais desacreditada e a festividade segue.

Como mencionado anteriormente, a abuela Alma deixa de ver Mirabel com olhar entusiasmado/investido e passa a desconsiderar a neta, como se ela tivesse morrido. Em psicanálise, há dois tipos de morte, a morte concreta e a simbólica. A concreta demarca, de fato, a morte ou o desaparecimento de alguém para sempre, e a morte simbólica seria como rupturas que acontecem no decorrer da vida, as quais causam o mesmo processo de luto que se passaria diante da morte concreta (Alves, 2012). Em Encanto há a morte da neta idealizada, ao não receber seu dom e, por isso, a rejeição, ainda que a neta esteja lá, a morte simbólica gera angústia e tristeza. Desse modo, é possível inferir que a família de Mirabel vivenciou o luto da “criança perfeita” (Nunes, Estrela, 2022). Essa discussão sobre os diferentes tipos de luto - o concreto e o simbólico - é possível de ser feita com os alunos a partir da exibição do filme. Introduzir que o luto acontece não só diante do rompimento de uma vida, mas também diante de um rompimento relacionado à quebra de planos e expectativas (Alves, 2012). De forma análoga ao filme, muitas famílias vivenciam esse luto diante de diagnósticos e questões atípicas no desenvolvimento de crianças (Nunes, Estrela, 2022).

Mirabel, em contrapartida, se sensibiliza por escutar as pessoas ao redor. Ela compreende as angústias das suas duas irmãs, Luisa e Isabela. O drama delas é contado a seguir.

Luisa está nervosa

Luisa é a irmã mais velha de Mirabel, e seu poder é a superforça. Ela se apresenta sempre solícita para as tarefas que demandam seu dom em prol de toda comunidade. No entanto, ao acompanharmos a trajetória da Luisa, conseguimos enxergar uma personagem suscetível à fraqueza, que nunca diz não, mesmo que isso passe por cima de seus desejos, trazendo consigo a sensação de sobrecarga. No filme Encanto, entendemos um pouco do interior dos personagens com a ajuda da trilha sonora. A música de Luisa é intitulada “Estou nervosa”, e por meio da letra é possível compreender que Luisa está nervosa, ansiosa, mas tenta performar coragem e vigor. Ela está em uma situação de conformidade com seu estado de servidão aos demais, colocando-se sempre por último na lista de prioridades.

Atualmente, as demandas de trabalho exigem muito de nossos corpos e mentes. A sobrecarga é ainda maior para uma parcela da população que enfrenta diferentes frentes de trabalho. A exemplo disso, Nunes, Estrela (2022) entrelaçam o sofrimento de sobrecarga que Luisa viveu com as cobranças sobre as mães. Apesar de Luisa não ser mãe na narrativa do filme, em termos gerais, o sofrimento pelo qual a personagem atravessa - um membro familiar que assume o papel de eficiência e força - é muito comumente atribuído à figura materna (Nunes, Estrela, 2022). Isso também produz endereçamentos às camadas do público que se identificam com essa posição, ou seja, pessoas que estão sobrecarregadas.

Aqui residem dois pontos interessantes para discussão com os estudantes: o sofrimento psíquico pela sobrecarga, atrelado ao estado nervoso e de ansiedade, mas também uma extrapolação para falarmos da sobrecarga materna. É fundamental que a parentalidade possa ser abordada em sala de aula, eximindo as mulheres como únicas responsáveis pelo cuidado com as novas gerações. A maternidade entendida como uma prática normativa, em que instâncias de poder atuam como forma de controle das ações maternas associadas a uma ideia de eficiência, gerando uma prática materna intensiva e exaustiva, assim como é encarnado pela personagem dentro da narrativa do filme (Nunes, Estrela, 2022).

Isabela, perfeição imperfeita

Com Isabela, existe uma discussão sobre a perfeição. A Isabela é a irmã “perfeita” de Mirabel. Ela faz plantas, geralmente flores bonitas e delicadas, e a beleza dessas flores está associada à beleza e delicadeza com que essa personagem se apresenta, que pode ser interpretada como uma atribuição do aspecto feminino. Essa construção historicamente colocada na mulher enquanto delicadeza e passividade é questionada atualmente, assim, a mulher pós-moderna luta para superar as ideologias da maternidade, domesticidade, castidade, passividade e beleza, incutidas pela sociedade. Nesse ponto reside um aspecto de endereçamento às mulheres, o filme joga ou articula com essa guinada (mudança de comportamento) ao demonstrar a virada da personagem Isabela quando ela assume seus “desejos”.

A mudança da postura de Isabela, que representa a vida ideal, é evidenciada no filme quando Mirabel conversa com ela após ter encontrado seu tio Bruno. A partir dessa conversa é evidenciado que a Isabela performa perfeição, aceita o casamento arranjado em nome da família, e que não é de sua vontade. Nessa circunstância, Isabela verbaliza seus desejos, desvela seu sofrimento psíquico e, imediatamente, produz cactos (plantas que são associadas simbolicamente como imperfeitas, pela presença dos espinhos).

Isabela, que sempre acompanhava as expectativas familiares, sobretudo de sua avó, era vítima dessa performance para agradar os desejos alheios. O sofrimento de Isabela é derivado das ações totalitárias de sua avó, assim, a neta se coloca na posição de agir dentro das imposições colocadas por ela. A trajetória de Isabela dentro da narrativa aguça um ponto importante de discussão dentro da dimensão socioemocional, a relação entre a expectativa dos pais e a personalidade e subjetividade dos estudantes. Embora a criança cresça dentro de um discurso sobre si (seu nome, seu time etc.) construído pelos seus pais, no qual os pais estabelecem uma série de desejos sobre o que querem que o filho seja, as crianças (os indivíduos) possuem sua própria agência, isto é, certa resistência e autonomia para construir seus valores e personalidade própria (Nunes, Estrela, 2022).

Diante do desafio da criação de filhos com base no respeito e na afetividade, é preciso que educadores promovam reflexões em que possam ser apontados aspectos que invadem os limites da subjetivação dos sujeitos, como as projeções da geração parental que recaem sobre os filhos. E quanto mais cedo, na escolarização, essa reflexão for feita, melhor para os estudantes, pois assim poderão entender que as expectativas dos pais são dos pais e eles (estudantes) não precisarão dar conta de tal demanda.

Lima, Silva (2022) apontam que cada vez mais os pais desconhecem os pensamentos, os sonhos, os desejos, os gostos e os medos dos seus próprios filhos. As autoras destacam ainda que a recíproca também é válida, os filhos também desconhecem o mundo emocional de seus pais. Desse modo, a sociedade atual constitui-se de famílias desconectadas, que enfrentam uma dificuldade de se organizar de forma saudável, o que coloca como norma o adoecimento mental, emocional e até físico de membros da família (Lima, Silva, 2022).

Pepa, clima instável

O dom de Pepa, tia de Mirabel, parece fugir de seu controle. O dom dela está relacionado com o controle do tempo. Entretanto, ela não controla o tempo de acordo com a sua vontade. A variação do tempo está condicionada ao seu estado emocional. Assim, se ela fica irritada, nervosa e/ou angustiada o tempo fecha, começa a chover, podendo provocar até furacões. Quando ela se acalma, o tempo abre e volta a fazer sol.

Pepa possui, portanto, um dom que indica seu estado emocional. Na vida real, entretanto, não há um indicador sobre o estado emocional de cada pessoa, é preciso se conhecer e conhecer os demais para identificar esse estado. Aqui há um ponto de discussão que permite propostas pedagógicas que visem à valorização e à identificação de sentimentos, principalmente propostas que busquem promover o reconhecimento das suas próprias emoções. O reconhecimento e controle dos próprios sentimentos entram no campo da inteligência emocional, e eles ajudam a lidar com diversas situações (Costa, Neto, 2017). Não se trata, aqui nesta proposta, de abordar o autocontrole com fins de obediência e adequação ao que quer que seja, mas sim de abrir a possibilidade de cada sujeito ser capaz de cuidar de si da melhor forma, gerindo a sua economia psíquica. A percepção de relações interpessoais nas quais há sofrimentos intensos pode ser um caminho para deslocamentos e reposicionamentos do sujeito dentro das diversas relações em seu cotidiano.

Nós falamos do Bruno

Bruno é um personagem misterioso, porque a trama o apresenta dessa forma. Inicialmente, não é possível visualizá-lo, os demais não falam sobre ele. Então, tudo que se sabe é criado pelo discurso de que não se deve falar sobre ele, como na música do filme “Não falamos do Bruno”, em que há a repetição da expressão “Não falamos do Bruno”, reforçando a negação de sua existência. Seu isolamento é um reflexo dessa negação.

Quando conhecemos, de fato, o Bruno, trata-se de uma personagem com um comportamento arisco, que foge das interações com as outras pessoas. Entende-se, assim, que ele é traumatizado pela reação negativa das pessoas quanto ao seu dom. O dom de prever o futuro e de saber o que vai acontecer é muito procurado pelas pessoas. No entanto, as pessoas criam expectativas sobre essas previsões, que quando quebradas acabam gerando frustração. Dessa forma, seu dom é lido pelos demais como uma maldição. Todos começam a detestar as suas visões e ele internaliza isso: ele se lê e se entende de acordo com essa maneira odiosa como o veem, a ponto de deixar sua família e se esconder de todos.

Bruno, ao se entender perante o discurso depositado sobre si (como a alguém ruim e sem valor), perde noção de si mesmo, noção do eu real, e passa a se entender de acordo com a maneira difamada, ou ainda, a partir da forma negativa como os outros o enxergam e verbalizam. A própria percepção que Bruno tinha sobre si passou a ser distorcida por essas opiniões (Nunes, Estrela, 2022).

Aqui reside um outro ponto importante de discussão em sala de aula: a construção da autoimagem, de como os estudantes se veem. A família possui um papel importante na formação da identidade da criança e na formação de sua autoimagem. Nessa linha de pensamento, Felzenszwalb (2003) adiciona que a família é o lugar da construção da identidade pessoal e um dos principais agentes de socialização da criança.

Outra discussão reside no paralelo entre o Bruno e a Mirabel. Ambos são colocados de lado pela família Madrigal, mas enquanto Bruno aceita esse lugar de forma passiva, Mirabel busca transgredir essa posição imposta pela família. Assim, embora os dois possuam histórias paralelas, eles lidam de maneiras diferentes com a situação, abrindo a possibilidade de discussão, em sala de aula, sobre as singularidades de cada pessoa.

Nosso lar ficou surpreendente - não é perfeito, nem a gente!

No filme, enquanto há atrito entre os Madrigal, também há rachaduras pela casa. Na cena clímax da discussão entre Mirabel e sua abuela Alma, as rachaduras aumentam e toda a casa começa a ruir. Mirabel é a única personagem que consegue ver as rachaduras, assim como é a pessoa que conversa com as demais integrantes da família e consegue enxergar os sofrimentos que elas atravessam, com um dom de escuta. Não exatamente um dom encantado, mas um dom sensível. Mirabel é responsável de identificar as fendas e apontá-las através de conversas e diálogos. Quando a casa desmorona, ela tem uma conversa importante com a sua abuela. Após a conversa de reconciliação, ao final do longa-metragem, no diálogo com a abuela, a neta compartilha o sentimento de que a avó a pressionava para ser alguém que ela não era. Por outro lado, ao reviver as causas do seu luto, a abuela desabafa, confessando que achava que seria uma mulher diferente, que teria uma vida diferente e, nesse momento, reconhece sua parcela de responsabilidade na forma como conduziu a família.

Ao final do longa, Mirabel recebe a função de abrir a porta e, ao colocar a maçaneta na porta, devolve toda a magia de Encanto. Em seguida, Mirabel passa a integrar a família Madrigal na foto tirada ao final da cena. Desse ponto de vista, Mirabel assume um posto que esperava desde a noite em que não recebeu o seu dom mágico: ser percebida como parte legítima da família Madrigal (Souto, 2022).

O filme não apresenta uma figura de vilão, ainda que a abuela ocupe um lugar antagonista da trama. No começo da estrutura da narrativa fílmica, descolamos da personagem abuela e colamos na trajetória da personagem carismática Mirabel - como em uma função catártica. No entanto, a narrativa não nos permite odiar a abuelita Alma. A animação apresenta seus sofrimentos, seu luto, sua história e a formação da sua rigidez. A estrutura “casca grossa” é formada pelo sofrimento psíquico de perda, de liderança, de cuidado com a família. Essas nuances ilustradas pelo filme representam as dinâmicas que podem ocorrer no seio de uma família, ou seja, esse sistema que não é perfeito, mas que liga uns aos outros. O discurso do filme Encanto direciona os espectadores para a necessidade do cuidado.

O bem-estar de crianças e adolescentes está relacionado a um vínculo familiar seguro. Maus-tratos e outros problemas na infância, como episódios de estresse, separações, doença e violência, podem provocar um aumento de distúrbios psíquicos posteriores, como dificuldades escolares e ajustamento social e emocional (Lima, Silva, 2022). Do mesmo modo, as violências invisíveis também podem influenciar negativamente o futuro das crianças, influenciando no senso de amor-próprio, autoestima, segurança, confiança (Lima, Silva, 2022).

A promoção da saúde e o desenvolvimento saudável da formação socioemocional podem se dar em uma articulação escola-família. Ademais, devemos considerar as relações interpessoais da criança, os laços afetivos estabelecidos dentro da sua família e todo seu contexto. Afinal, as relações familiares, além de influenciarem o desenvolvimento infantil, produzem as subjetividades dos sujeitos.

A literatura aponta o papel substancial da família, sobretudo dos pais, enquanto agentes de socialização das emoções. A família tem um papel fundamental na formação da personalidade de uma criança (Martins et al., 2022). A formação socioemocional também é engendrada pelas relações familiares. Macana (2014) menciona que um lar composto por relações harmoniosas e afetuosas promove o desenvolvimento de uma criança, pois proporciona sentimento de segurança, confiança e conforto para ela.

O filme Encanto aborda traumas transgeracionais e tocar nesse assunto de forma aberta pode contribuir para nomear os sentimentos, reconhecer o impacto dos padrões construídos por traumas, além de reconhecer as emoções que os integrantes da família carregam. Sendo assim, Encanto soma a outros filmes da Disney, que atualmente vem incorporando tópicos psicológicos e culturais de forma divertida e, por isso, podem ampliar a visão dos estudantes sobre si mesmos, enquanto sujeitos que se afetam não somente por fatores biológicos, mas também por afetos diversos, oriundos das relações interpessoais.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O filme Encanto pode ser integrado em propostas educativas que procurem abordar a formação socioemocional dos estudantes na educação básica, pois através delas é possível discutir relações interpessoais, conflitos familiares, criação e quebra de expectativas e estimular que as nossas formas de sofrimento possam ser narradas. Com essas contribuições, podemos ainda direcionar as discussões com cada personagem apresentada: com a abuela Alma, pode-se discutir sobre o luto e o excesso de controle; com Mirabel, a exclusão ou o não pertencimento a família; com Luisa, pode-se discutir sobre a estafa mental e física, a sobrecarga e ansiedade; Isabela, a supressão dos próprios desejos e sentimentos; com Pepa, a regulação emocional; e com o Bruno, pode-se discutir sobre a falta de percepção de si.

Como professores, podemos notar a importância dada às competências cognitivas na formação dos estudantes. Mas, como os estudantes não são destituídos de emoções e sentimentos, devemos considerar isso no trabalho docente. Por isso, é fundamental repensarmos nossa atuação e incentivarmos propostas que considerem os alunos em sua complexidade e singularidade, criando caminhos que abordem o bem-estar e a saúde mental em sala de aula.

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Recebido: 16 de Dezembro de 2023; Aceito: 05 de Novembro de 2024

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