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Reflexão e Ação

On-line version ISSN 1982-9949

Rev. Reflex vol.28 no.3 Santa Cruz do Sul Sept./Dec 2020  Epub May 27, 2025

https://doi.org/10.17058/rea.v28i3.12788 

Artigos do Fluxo

O Enem e as práticas de disciplinamento na formação do estudante nota “1000”

The Enem and disciplinary practices in the constitution of the student with “1000” as a grade

El Enem y las prácticas de disciplinamiento en la constituicion del estudiante con nota "1000"

1 Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS - Brasil.

2 Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS - Brasil.


RESUMO

O artigo apresenta resultados de uma pesquisa desenvolvida com o propósito de examinar a constituição do estudante nota “ 1000” no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). A empiria é composta por postagens de Facebook endereçadas a candidatos que se preparam para o Exame. A fundamentação teórica ancora-se no pensamento de Michel Foucault. A análise mostrou uma forte relação entre o bom desempenho no Enem e as funções disciplinares, como controle do tempo e da atividade. Assim, pode-se concluir que, mesmo nas redes sociais, um bom estudante é posicionado como aquele que segue os mecanismos que fundamentam a escola moderna, marcada pelos processos de disciplinamento dos corpos e saberes.

Palavras-chave: Enem; Facebook; Michel Foucault; Disciplinamento dos corpos; Disciplinamento dos saberes.

ABSTRACT

The article presents research results developed with the purpose of examining the student constitution with grade "1000" in the High School National Exam (ENEM). The empirical material consists of Facebook’s posts addressed to candidates preparing for the Exam. The theoretical foundation is anchored in Foucault's thinking. The analysis showed a strong relationship between good performance on the Exam and disciplinary functions, as time and activity management. Thus, it can be concluded that, even in social networks, a good student is positioned as the one who follows the mechanisms that underline the modern school, marked by the disciplinary processes of bodies and knowledge.

Keywords: Enem; Facebook; Michel Foucault; Disciplining of bodies; Discipline of knowledge

RESUMEN

El artículo presenta resultados de una investigación desarrollada con el propósito de examinar la constitución del estudiante nota "1000" del Examen Nacional de la Enseñanza Media (ENEM). El material empírico está compuesto por mensajes de Facebook. La fundamentación teórica se ancla en el pensamiento de Foucault. El análisis mostró una fuerte relación entre el buen desempeño en el Enem y las funciones disciplinarias, como control del tiempo y de la actividad. Así, se puede concluir que, incluso en las redes sociales, un buen estudiante es posicionado como aquel que sigue los mecanismos que fundamentan a la escuela moderna, marcada por los procesos de disciplinamiento de los cuerpos y saberes.

Palabras clave: ENEM; Facebook; Michel Foucault; Disciplina; Disciplinamiento de los cuerpos; Disciplinamiento de los saberes.

INTRODUÇÃO

O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) é uma política de avaliação em larga escala3, criada em 1998, pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) com o objetivo de diagnosticar a aprendizagem dos estudantes que finalizam o Ensino Médio. Insere- se no conjunto de avaliações externas presentes no Brasil, desde 1990, que busca analisar o sistema de educação do país, enfocando o desempenho do estudante e, consequentemente, das instituições de ensino. As avaliações em larga escala, na concepção do Governo Federal, “possibilitam a produção de dados em nível nacional/regional/local, subsidiando as políticas públicas para o desenvolvimento de estratégias de intervenção em possíveis dificuldades [...]”. (BRASIL, 2013, p. 13).

Ao longo dos anos de atuação do Enem no cenário educacional brasileiro, estudos e pesquisas com foco nessa política passaram a ser produzidas, com diversas matrizes teórico-metodológicas. Examinando essa literatura, percebe-se que alguns trabalhos analisam o Exame enquanto política de avaliação (DIAS, 2013; MACHADO, 2012; SARAIVA, 2015) e outros abordam as suas relações com o currículo escolar e as áreas do conhecimento (SERRA, 2015; LUFT, 2014; MIRAGEM, 2013; LERINA, 2013). Nossa pesquisa diferencia-se dessas investigações, pois não tivemos o interesse de problematizar aspectos referentes à elaboração das provas ou discutir a validade dessa avaliação em larga escala.

Seguindo as discussões foucaultianas sobre a governamentalidade, consideramos o Enem um mecanismo de condução de condutas que captura os sujeitos escolares e produz efeitos sobre o currículo escolar, a formação inicial e continuada de professores e também sobre os candidatos que se preparam para sua realização. Nessa direção, o estudo aproxima-se de trabalhos que usaram como referencial teórico a matriz foucaultiana para analisar, especificamente, ações de programas do Governo Federal sobre a população, como evidenciado nas pesquisas de Anadon (2012), Pinheiro (2014) e Lockmann (2013).

Em efeito, à medida que as avaliações em larga escala passam a se difundir no Brasil, percebemos manifestações do que Foucault (1995) expressa como sendo modos de conduzir condutas ou como uma prática de governamento, discussão realizada pelo filósofo ao final da década de 1970. Na obra Segurança, Território e População, Foucault (2008a) problematiza questões acerca do problema do governo no século XVI, não limitadas à concepção de governo do Estado. Em especial, na aula de primeiro de fevereiro de 1978, define o conceito de governamentalidade, que seria:

1. O conjunto constituído pelas instituições, procedimentos, análises e reflexões, cálculos e táticas que permite exercer esta forma bastante específica e complexa de poder, que tem por alvo a população, por forma principal de saber a economia política e por instrumentos técnicos essenciais: os dispositivos de segurança. 2. A tendência que em todo o Ocidente conduziu incessantemente, durante muito tempo, à preeminência deste tipo de poder, que se pode chamar de governo, sobre todos os outros - soberania, disciplina etc. - e levou ao desenvolvimento de uma série de aparelhos específicos de governo e de um conjunto de saberes. 3. O resultado do processo através do qual o Estado de justiça da Idade Média, que se tornou nos séculos XV e XVI Estado administrativo, foi pouco a pouco governamentalizado. (FOUCAULT, 2008a, p. 143-144).

Em sua argumentação, o autor explica que o conceito de governar é diferente do conceito de reinar ou comandar, sendo este ato de governo específico devido a uma forma peculiar de poder. Assim, Foucault (2008a) passa a analisar as relações de poder, focando no problema do Estado e da população, a partir da perspectiva da governamentalidade. Por meio de uma descrição sobre o funcionamento do hospital psiquiátrico e da prisão, ele fundamenta a questão da ordem existente na organização estratégica dessas instituições, que seria externa a elas. Faz, então, um resgate histórico dos conceitos de governo concebidos ao longo da história, desde sua concepção material e moral até no sentido de seguir um caminho ou conduzir alguém. Foucault (2008a) descreve a metáfora do pastor (remetendo-se a um poder da Igreja Cristã), a partir da qual é analisada a ideia de conduzir os homens como se conduz um rebanho.

Para nossa pesquisa, interessa-nos citar uma das definições do poder pastoral que mostra o poder individualizante:

É verdade que o pastor dirige todo o rebanho, mas ele só pode dirigi-lo bem na medida em que não haja uma só ovelha que lhe possa escapar. O pastor conta as ovelhas, conta-as de manhã, na hora de levá-las a campina, conta-as à noite, para saber se estão todas ali, e cuida delas uma a uma. Ele faz tudo pela totalidade do rebanho, mas faz tudo também para cada uma das ovelhas do rebanho. (FOUCAULT, 2008a, p. 172).

Ou seja, esse poder pastoral, como um poder individualizante (de estar preocupado com a totalidade do rebanho, mas também com a individualidade de cada sujeito), é um dos grandes paradoxos do pastor e pode ser vinculado, na investigação que realizamos, à necessidade de governo e condução de condutas de uma parcela da população brasileira por meio do Enem, mas que exige também um cuidado com cada indivíduo que será avaliado (pessoas com necessidades especiais, lactantes, sabatistas, entre outros). Em suma, o filósofo esclarece que o pastor pastoral é o poder sobre uma multiplicidade e que guia a população a um objetivo, sendo assim, um poder que visa a todos e, ao mesmo tempo, a cada um.

Fimyar (009) destaca que Foucault, “ao fundir o governar (gouverner) e a mentalidade (mentalité) no neologismo governamentalidade”, enfatizou a relação direta entre as práticas - que seria o exercício de governamento - e as “mentalidades que sustentam tais práticas.” (FIMYAR, 2009, p. 38). A governamentalidade seria o “esforço de criar sujeitos governáveis através de várias técnicas desenvolvidas de controle, normalização e moldagem das condutas das pessoas.” (FIMYAR, 2009, p. 38).

Autores como Veiga-Neto e Lopes (2007), ao discutirem sobre a governamentalidade, destacam que para evitar possíveis equívocos entre os diferentes tipos de governo, utilizam a palavra “governamento” para designar um conjunto de ações de conduta sobre si ou sobre os outros e “governo” para referirem-se às instâncias do Estado. Para eles, “[...] pode-se dizer então que, de certa maneira, o governamento é a manifestação ‘visível’, ‘material’, do poder”. (VEIGA-NETO; LOPES, 2007, p. 953). Baseadas nessas afirmações, no presente artigo, usaremos a expressão “governamento” para referir-nos aos mecanismos de regulação de condutas traduzidos pelos programas de avaliação externa, como o Enem.

Na área da Educação, discussões envolvendo a governamentalidade tornaram-se potentes nos últimos anos, como evidenciam Veiga-Neto e Lopes (2007) e Traversini e Bello (2009). Seguindo essas teorizações, é possível dizer que, de um modo geral, o conceito de governamentalidade pode ser entendido como um conjunto de práticas de condução de conduta, ou então: “o encontro entre as técnicas de dominação exercidas sobre os outros e as técnicas de si”. (FOUCAULT apud VEIGA- NETO; LOPES, 2007, p. 954). Na esteira dessas produções, entendemos o Enem como um mecanismo de captura dos sujeitos escolares por meio de determinadas técnicas de dominação. Instituições investem em estratégias curriculares e de formação de professores, por exemplo, para garantirem os resultados dos estudantes e uma posição de destaque nos rankings que são divulgados. Além disso, os candidatos também conduzem seus estudos tendo como base os conteúdos exigidos no Exame.

Outra dimensão da governamentalidade que se faz presente nas teias do Enem refere-se ao uso de números e medidas, como bem discutido por Traversini e Bello (2009). Para os autores, conduzir e normalizar uma população não exige apenas o conhecimento sobre suas características, mas sim a criação de registros sobre as intervenções e ações realizadas, a fim de que elas possam ser acompanhadas e avaliadas. Uma das técnicas que permitem que esses programas tenham continuidade são os processos de auditoria. Este “formato auditável” (TRAVERSINI; BELLO, 2009, p. 147) pode ser visto nas avaliações em larga escala, pois os resultados são analisados de acordo com os objetivos e, no caso do Enem, por meio da Teoria de Resposta ao Item4, podem ser comparados ao longo dos anos. “Esta maquinaria avaliativa opera utilizando o saber estatístico que gera comparabilidade entre o investimento público e os resultados apresentados [...]” (TRAVERSINI; BELLO, 2009, p. 147). A partir dos índices obtidos, são valorizadas determinadas práticas pedagógicas e modelos de educação, como é o caso de sistemas de ensino que utilizam o desempenho das escolas parceiras no Enem como marketing de venda para prospecção de novas parcerias.

Entendemos o Enem como uma das técnicas que, por intermédio da sua condição de auditoria e das possibilidades de comparação atreladas a ele, acabam por contribuir com os processos de governamento. A comparação entre diferentes grupos de candidatos que realizaram a prova em anos distintos permite que se tenha um acompanhamento dos desempenhos dos estudantes, ou seja, possibilita que os gestores das escolas, dos municípios e estados “auditem” seus processos pedagógicos, fazendo mudanças e avaliando se estas foram adequadas ou não, conforme o desempenho de sua escola ou rede.

Do exposto até aqui, pode-se dizer que o Exame tem funcionado como um mecanismo de captura das populações, pois é considerado etapa praticamente “obrigatória” para quem deseja ingressar no Ensino Superior. Além disso, seus efeitos são vistos à medida que escolas, sistemas de ensino e empresas do ramo educacional vêm criando estratégias para auxiliar os estudantes a obterem desempenhos cada vez mais altos. Cresce um mercado educacional de simulados, aplicativos de correção de redações e de plataformas de estudos personalizados voltados para os discentes que, muitas vezes, estudam sozinhos e por meio de recursos da Internet.

Muitas ações e medidas são realizadas para que os candidatos possam obter a tão esperada “nota 1000”. Nosso estudo insere-se nesse cenário. Apresenta resultados de uma investigação que buscou examinar a constituição do estudante nota “1000” no Enem, usando como empiria páginas do Facebook. Na próxima seção, apresentamos o material empírico selecionado e a estratégia analítica utilizada.

AS POSTAGENS DO FACEBOOK COMO CENÁRIO DA PESQUISA

Os materiais examinados nesta pesquisa foram obtidos em páginas (fan pages) do Facebook, rede social criada em 2004, que atua como ferramenta de compartilhamento de informações, saberes e modos de ser. Entre os usuários, de acordo com a própria empresa5, 93 milhões realizam acessos por meio de dispositivos móveis (smartphones, tablets e outros), utilizados em qualquer lugar. Esse número representa uma nova forma de comunicação em sociedade e de disseminação do conhecimento.

Autores como Castells (2007) e Couto (2014) evidenciam que antes da sociedade em rede, os sujeitos participavam de modo passivo do consumo dos saberes e da cultura em um modelo “um para todos”. Isso significa que, antes de redes sociais semelhantes ao Facebook, a informação era difundida para uma grande massa que não podia produzir conteúdo em cima do que era divulgado e que não compartilhava esse conteúdo, modificando-o e apropriando-se dele, como é o caso da televisão. Para Couto (2014, p. 50), “[...] com a internet, a sociedade em rede de certo modo implodiu esse modelo transmissivo, hierarquizado, de cima para baixo, feito e controlado por alguns”, ou seja, esse novo formato de compartilhamento de saberes permitiu o que percebemos no material empírico da pesquisa: jovens apropriando-se de conteúdos e relacionando-se com eles de maneira muito mais flexível e não verticalizada.

Neste estudo, concebemos que a utilização do Facebook como espaço para difundir enunciados sobre o Enem é uma estratégia pensada para um público que está acostumado e que deseja um conteúdo rápido, de fácil entendimento, bem-humorado e com outros atrativos tais como memes, charges, desenhos, gifs, etc. Podemos perceber, ainda, que este conteúdo não precisa ser consumido somente em casa ou na escola, por exemplo, pois ele é usado em dispositivos móveis que acompanham o usuário em qualquer espaço, seja ele formal ou informal.

Para a composição da empiria da pesquisa foram selecionadas páginas que divulgam conteúdos sobre o Exame e sobre como se preparar para a sua realização. A primeira delas é a página do Ministério da Educação (MEC)6. Esta página tem por objetivo difundir informações, campanhas, projetos e experiências que envolvem o Ministério da Educação. Foi escolhida por estar vinculada a uma instituição governamental que oferece conteúdos totalmente gratuitos, incluindo plataformas digitais de aprendizagem (como é o caso da fornecida pelo projeto Hora do Enem). A segunda página é a do Guia do Estudante7 destinada a publicações relacionadas aos temas abordados na Revista Guia do Estudante. Divulga notícias e dicas de estudos para os estudantes de todo o Brasil. Foi escolhida por oferecer conteúdo online em sua maioria gratuito.

A terceira página é a do Descomplica8 que disponibiliza videoaulas para os candidatos ao Enem e vestibulares, além de oferecer a correção de redações, monitorias e divulgar dicas e orientações de estudo. É privada e a maioria dos seus serviços é pago. As duas últimas páginas, chamadas Enem 20169 e Enem 201710, foram criadas por usuários individuais do Facebook e se configuram como independentes, sem nenhum vínculo com as páginas oficiais do MEC, mas que também veiculam informações e orientações sobre o Exame. Foram selecionadas por serem extraoficiais, criadas por voluntários e que oferecem conteúdo gratuito aos seus seguidores.

A estratégia analítica usada para examinar as postagens do Facebook embasou-se nas discussões empreendidas por Foucault no que se refere à análise do discurso. Ao explorar o caráter arbitrário da linguagem, de acordo com Veiga-Neto (2014), o filósofo lançou a ideia que, ao estarmos inseridos em um mundo regido pela linguagem, somos sujeitos derivados dos discursos que nela se estabelecem. De acordo com Pereira (2011), a linguagem permite que o homem ordene o pensamento. “É impossível falar do homem sem falar antes da linguagem, pois não é o homem que pensa a linguagem, é a linguagem que pensa o homem” (PEREIRA, 2011, p. 97).

Nesta perspectiva, entendemos que a linguagem nos coloca em contato com o mundo, sendo ela a ferramenta que constitui a chamada realidade. Seguindo esses entendimentos, podemos afirmar que os discursos são “[...] práticas que formam sistematicamente os objetos de que falam [...]” (FOUCAULT, 2008b, p. 55), ou seja, constituem objetos e sujeitos, interligando-os nas produções que a linguagem estabelece. “Trata-se de perguntar, no âmbito escolhido para nosso estudo, como algumas práticas acabam por objetivar e nomear, de uma determinada forma, os sujeitos, os grupos, suas ações, gestos, vidas”. (FISCHER, 2003, p. 376).

Nesta pesquisa, buscamos mostrar algumas destas práticas presentes nas postagens analisadas, seguindo o que Bujes (2001) chamou de “escrutínio” do material examinado, na tentativa de identificar formas de permanência como nos mostra Foucault (2008b). Para o filósofo, encontramos nos documentos que analisamos uma série de elementos a serem confrontados, relacionados e organizados, em diferentes formas de conjunto. No caso desta investigação, realizamos esse movimento de leitura das empirias buscando entender como os estudantes bem-sucedidos são posicionados, quais comportamentos e modos de ser são estimulados em detrimento a outros.

COSTURAS ANALÍTICAS: DISCIPLINA-CORPO E DISCIPLINA-SABER

Em grande parte das postagens coletadas, foi possível perceber que as páginas do Facebook fornecem dicas e apresentam técnicas de controle e autorregulação para os estudantes, visando a um melhor aproveitamento dos momentos de estudo. Isso nos remete à discussão foucaultiana sobre a disciplina e a normalização disciplinar. Em Vigiar e Punir, Foucault (2014) destaca que as disciplinas são modos que “permitem o controle minucioso das operações do corpo, que realizam a sujeição constante de suas forças e lhes impõem uma relação de docilidade-utilidade” (FOUCAULT, 2014, p. 135).

Enquanto que as estratégias de governamento se referem às ações de conduta sobre si ou sobre os outros de um modo geral, as estratégias de disciplinamento são aquelas preocupadas com o controle do corpo e da mente, de forma que também contribuem para o exercício das práticas de governamento. Podemos dizer que, individualmente, a disciplina promove o controle das operações do corpo - indissociada ao controle dos saberes - e que esse controle está atrelado ao processo mais amplo de condução de condutas. Nessa perspectiva, as disciplinas também ajudam na produção de determinados modos de ser sujeito (e, no caso deste estudo, na produção de sujeitos estudantes que se preparam para o Exame). Esses estudantes acabam por constituírem-se em um universo de ditos sobre o Exame, sobre o que se espera deles em termos de desempenho e sobre como devem se preparar.

Aqui podemos estabelecer fortes vínculos com os processos de normalização disciplinar. Para Foucault (2008a), essa normalização passa a se exercer quando os sujeitos, juntamente com suas ações, são conformados a um modelo, uma norma. Assim, seria considerado normal o sujeito capaz de resignar suas ações, gostos, desejos e objetivos a um modelo esperado para o conjunto de indivíduos a que faz parte. Diríamos que, no caso desta pesquisa, obter uma boa pontuação no Enem passa a ser uma das características de um modelo de bom aluno, fazendo com que ocorra uma sujeição dos candidatos a esse padrão que é instituído, também, pelas redes sociais.

A maioria das reportagens analisadas “ensinam” aos estudantes como se organizarem em suas rotinas e concentrarem seus esforços visando a um objetivo comum: alcançar a tão esperada “nota 1000”:

Fonte: Página do Facebook do Ministério da Educação

Figura 1 Preparação para o Enem 

Fonte: Página do Facebook do Enem 2016

Figura 2 Preparação para o Enem 

A Figura 1 destaca que A dedicação sempre traz bons resultados, pois lança a ideia de que é importante programar o final de semana tendo como base o equilíbrio entre as obrigações e a dedicação aos estudos. A Figura 2 é uma postagem de uma página formada por conteúdos exclusivos sobre o Enem 2016 e traz uma reportagem com dicas sobre Como se preparar para o Enem 2016. De acordo com a postagem: Um bom planejamento para as provas do Enem 2016 pode garantir ao estudante um bom desempenho e aproveitamento de seu tempo de estudos. Percebe-se, nessas duas situações, o que Veiga-Neto (2016) mostrou ao explicitar que uma sociedade sustentada por meio das disciplinas é mais organizada e, consequentemente, mais produtiva. No caso dessas empirias, a disciplina é produzida por técnicas como o treinamento, o controle do tempo e das ações dos sujeitos para elevarem sua produtividade.

Examinando mais atentamente essas formas de organização, nos remetemos às discussões de Foucault (2014) sobre as grandes funções disciplinares. Nas empirias selecionadas, vemos operar alguns elementos dessas funções, como é o caso do controle do horário, que compõe a função denominada por Foucault de controle da atividade. Fonseca (2003) destaca que essa função é produzida por dois eixos principais: a manipulação do tempo - que está vinculado ao controle do horário - e a relação entre os gestos executados pelos indivíduos e os objetos manipulados, tendo em vista que todas as atividades realizadas devem ter uma função e um momento para execução.

Esses dois eixos são percebidos nas postagens apresentadas nessa seção, as quais divulgam dicas de planejamento e organização dos estudos para a obtenção de melhores rendimentos dos candidatos. Iniciamos com o primeiro eixo destacado por Fonseca (2003): a manipulação do tempo. Na Figura 3, a postagem do Guia do Estudante ressalta 5 passos para ser bem-sucedido no Enem.

Fonte: Página do Facebook do Guia do Estudante

Figura 3 Cinco passos para ser bem sucedido no Enem 

De acordo com a reportagem, é importante que o candidato domine o estilo da prova, pois o Exame (assim como vestibulares) possui um modelo que exige habilidades pré-estabelecidas. A primeira dica é: Treine com provas antigas (e aprenda com os erros), pois treinar com provas anteriores do exame é uma das melhores táticas para mandar bem. A segunda sugere: Leia muito, pois são 180 questões divididas em 10 horas de prova (contando os dois dias de exame). Nessas 180 questões, há uma infinidade de textos para ler. E segue: Adivinha quem vai se dar melhor? Com certeza, o candidato que já está acostumado a ler, e, por isso, consegue assimilar mais rapidamente os enunciados. Nesse trecho da matéria, percebemos a questão do treino do tempo como fundamental para o processo de preparação para o Exame, o que nos remete novamente à função foucaultiana do controle da atividade.

Como já destacado, para Foucault (2014), a relevância do bom uso do tempo e a sua utilização exaustiva são duas das formas que contribuem para o exercício do controle da atividade. Nesse sentido, o controle do tempo seria uma forma de disciplinar os corpos, pois o tempo deve ser: “de boa qualidade, e durante todo o seu transcurso o corpo deve ficar aplicado a seu exercício. A exatidão e a aplicação são, com a regularidade, as virtudes fundamentais do tempo disciplinar”. (FOUCAULT, 2014, p. 148).

Outros materiais também destacam o domínio do tempo como uma estratégia de estudo importante, como é o caso dos calendários, cronogramas e aplicativos de agendas que representam a tarefa do sujeito de controlar suas atividades dentro dos limites do tempo estipulado. A imagem abaixo (Figura 4) mostra como o tempo precisa ser organizado com atividades ordenadas usando o máximo de detalhes possíveis, a fim de que a rapidez encontre o máximo de eficiência.

Fonte: Página do Facebook do Descomplica

Figura 4 Cronogramas de estudo 

A postagem sugere possibilidades de cronograma de acordo com as necessidades e o objetivo do candidato. No caso, as três possibilidades são destinadas a estudantes que possuem o turno da manhã ou da noite disponíveis para estudar e aqueles que desejam ingressar em cursos de Medicina (e, no caso, necessitam de dedicação integral). A reportagem destaca que é com o cronograma que você monta toda uma rotina de estudos com base em suas necessidades e horários disponíveis. Ou seja, essa ferramenta de controle do tempo corrobora a discussão de Foucault (2014) de que a disciplina opera no princípio de utilização sempre crescente do uso do tempo.

Nesta perspectiva, Foucault (2014) ressalta, ainda, que as disciplinas precisam ser compreendidas como aparelhos para adicionar e capitalizar o tempo. Seguindo esse princípio, pode-se dizer que importa ao candidato uma utilização detalhada e eficaz do tempo, sendo que muitas postagens publicadas, principalmente no Guia do Estudante, trazem dicas contra a chamada procrastinação. A postagem abaixo (Figura 5) destaca a enunciação: Chega de desperdiçar tempo e mostra uma jovem estudando em um espaço considerado mais adequado: uma sala com livros, sem estímulos audiovisuais e sem computadores.

Fonte: Página do Facebook do Guia do Estudante

Figura 5 Orientações sobre o local de estudo  

Além da questão do controle do tempo, temos também expresso no material empírico outras manifestações das práticas de disciplinamento, como o princípio da clausura. Para Foucault (2014, p. 140), é importante que cada indivíduo ocupe seu lugar, pois o “[...] espaço disciplinar tende a se dividir em tantas parcelas quanto corpos ou elementos há a repartir [...]”. Talvez aqui possamos entender por que todas as postagens que reunimos referenciam um estudante ou candidato que está se preparando sozinho e não na escola. Inclusive, na postagem abaixo (Figura 6), destaca que se você decidiu estudar sozinho, você tem grandes chances de sucesso, mas que é importante evitar as “armadilhas” que poderiam prejudicar esse processo.

Fonte: Página do Facebook do Guia do Estudante

Figura 6 Dicas de estudo do Guia 

Nos próximos materiais, percebemos a manifestação de elementos presentes no segundo eixo identificado por Fonseca (2003) do controle da atividade: a relação entre a atividade e o objeto, ou seja, a necessidade de cada gesto ser executado com um propósito, de maneira ordenada e no momento certo. Essa relação pode ser vista na forma como as empirias expressam a necessidade de treinamento para determinadas atividades. É importante treinar: a concentração, a realização do Exame em provas antigas, a escrita das redações, a leitura dos enunciados das questões com textos muito longos, entre outros.

Esse treinamento pode ser entendido como uma estratégia disciplinar, porquanto, ao vivenciarem essas práticas, os candidatos que as realizam acabam se constituindo em sujeitos capazes de apresentar um desempenho esperado, tanto pelo Estado quanto pelos grupos aos quais pertence, como a escola e a família. Foucault (2014), nesse viés, destaca que os indivíduos, por meio das técnicas que envolvem a disciplina, são constituídos ao mesmo tempo objetos e instrumentos do seu exercício. Ou seja, a disciplina acaba por fabricar determinados tipos de indivíduos.

Esta técnica de fabricação não se limita, como podemos observar, ao controle do corpo físico, mas também ao seu disciplinamento no âmbito dos saberes. Veiga-Neto (2016) argumenta que as disciplinas se articulam em dois mecanismos inseparáveis: o do corpo e o dos saberes. Nesta perspectiva, é preciso educar o corpo e também a mente para maximizar a força do trabalho, útil para o Estado e, no caso, para o sujeito que alcança seus objetivos nas provas do Enem. Nas empirias abaixo, percebemos que esse treinamento também é estimulado com o objetivo de gerar um efetivo controle da mente, muitas vezes, a partir do exercício do corpo:

Fonte: Página do Facebook do Guia do Estudante

Figura 7 Dicas de estudo do Guia  

Figura 8 Dicas de saúde do Enem 2017 

Na Figura 7, destaca-se que comer brócolis aumenta a capacidade mental, já que esse vegetal é rico em vitamina k. A postagem convida ainda o seguidor a ler o Guia no Instagram para acompanhar mais dicas. A Figura 8 também diz da importância de exercitar o cérebro, a partir de uma prática desportiva. De acordo com a postagem, pesquisadores descobriram que corredores de longa distância mostram conexões cerebrais diferentes das apresentadas por pessoas saudáveis, mais sedentárias. O excerto abaixo origina-se de uma reportagem divulgada em uma postagem, do Guia do Estudante, que indica o quanto certas práticas ajudam a lembrar do conteúdo estudado e ter um ótimo raciocínio:

Pratique exercícios Além dos vários benefícios de se exercitar, tanto para o corpo quanto para o bem-estar, a atividade física aumenta a capacidade cerebral. (...) Procure usar as duas mãos e os dois pés Sim, nós sabemos que é muito difícil para pessoas que são canhotas ou destras de escrever com a outra mão. (...) Tenha uma alimentação saudável Comer bem e com qualidade também é essencial para a saúde do organismo e do cérebro. (...) Memorize informações Você já percebeu que desde que os telefones fixos pararam de ser tão utilizados nós começamos a deixar de lado a ideia de gravar os números que mais discamos? Fonte: Guia do Estudante .(2017, online, grifo nosso).

É possível observar, nos materiais acima, a importância dada a um corpo saudável, em que exercícios físicos, alimentação e estímulos cerebrais podem ajudar na aprendizagem e, consequentemente, na preparação para provas, tais como o Enem. De acordo com Mendes, “[...] o corpo deve cumprir seu papel. Para isso, está atrelado a formas de atuação, a mecanismos de controle, a formas ‘econômicas’ de usá-lo e pensá-lo.” (2006, p. 172). Nesse sentido, mostram-se maneiras de como desenvolver um corpo (incluindo suas capacidades neurológicas) que produza o máximo em pouco tempo, tendo em vista que a maioria dos candidatos ao Enem se preparam juntamente ao final do Ensino Médio e não podem dedicar tempo integral a essa preparação.

Isso se relaciona ao que Fonseca (2003) explicou como sendo a relação entre a atividade e o objeto, ou seja, a necessidade de cada gesto ser executado com um propósito, de maneira ordenada e no momento certo. Foucault reforça essa concepção destacando que “o corpo só se torna força útil se é ao mesmo tempo corpo produtivo e corpo submisso” (2014, p. 29). Essa força, como observamos nas empirias, não necessita ser violenta, pode ser sutil e, ainda assim, continuar a ser de ordem física, como é o caso da postagem que aconselha os estudantes a comerem brócolis ou a correrem longas distâncias.

Como esperamos ter apresentado nessa seção, a análise efetivada sobre as páginas do Facebook nos mostrou que a constituição do estudante nota “1000” no Enem é sustentada por um processo de normalização disciplinar que atua sobre os sujeitos que pretendem realizar suas provas. Esse processo toma por base um modelo de bom aluno: organizado, que sabe usar o tempo e o espaço de forma a obter o máximo desempenho, ou seja, a aprendizagem mais efetiva. Além disso, esse estudante consegue, por meio de concentração, realizar muitos treinos, tanto da escrita de redações quanto da leitura dos enunciados das questões que compõem as provas. Assim, os candidatos que buscam alcançar uma boa nota nesse Exame acabam por participar de um mecanismo de disciplinamento dos corpos e dos saberes, tão presente nas escolas da Modernidade.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Ao encerramos o artigo, consideramos pertinente destacar que a análise realizada sobre o Enem não teve o propósito de julgar sua validade para o cenário educacional nem avaliar sua eficiência enquanto avaliação de larga escala. Estamos cientes que o exposto aqui esteve inserido em um recorte de tempo e que as costuras analíticas foram elegidas entre diversas possibilidades.

Tomando o conceito de governamentalidade como solo teórico, assumimos que o Enem se configura em um mecanismo de condução de condutas dos sujeitos escolares envolvidos por essa política, produzindo determinados modos de ser um estudante “nota 1000”. A análise mostrou que para a realização e obtenção de bons resultados era necessária muita disciplina dos estudantes, que deveriam se privar de momentos de lazer e utilizar diferentes estratégias para manterem-se “estudiosos e dedicados”. Percebemos que a constituição dos modos de ser sujeito que se prepara para o Exame não é produzida somente no ambiente escolar, mas em diversos ambientes virtuais, tais como páginas de Facebook.

Assim, o universo da Internet e das redes sociais destinado à aprendizagem personalizada torna-se outro núcleo de compartilhamento de experiências e, consequentemente, de modos de ser estudante. No caso, um sujeito dedicado, estudioso, disciplinado, que alcança seus objetivos a partir de seu esforço. Na empiria, pudemos perceber que, por mais que o Enem - e as avaliações em larga escala em geral - procure dar fim à lógica disciplinar (no sentido da disciplina-saber, pois opera na lógica do conhecimento organizado em grandes áreas), a disciplina-corpo ainda aparece como importante estratégia de autorregulação na constituição do sujeito aluno. Veiga-Neto (2008) discute sobre como a sociedade da disciplina se transforma na sociedade do controle, em que a lógica disciplinar está sendo revestida por técnicas de controle, que são expressas, na empiria desta pesquisa, nas inúmeras dicas de organização dos estudos (de tempo, de espaço, de acompanhamento do próprio desempenho) que atuam com o mesmo propósito de fazer do corpo o mais produtivo possível. Essa regulação é vista como possibilidades para uma recompensa que “vale a pena” ser expressada em bons resultados no Exame. Para Veiga-Neto:

Frente a eles (estes sistemas de controle) podemos ter uma atitude dócil e resignada, atendendo disciplinadamente a tudo o que exigem de nós; mas podemos ser flexíveis e entrarmos estrategicamente no jogo. Nesse caso, vamos respondendo com novas táticas a cada investida dos mecanismos de controle, avaliando constantemente o balanço entre o que se perde e o que se ganha em nos curvarmos (ou não) a cada nova demanda. O quanto cada um será mais dócil, disciplinado, sólido ou mais flexível, (in)controlável e líquido será função das relações entre a sua própria subjetividade e as exigências do sistema. (2008, p. 53).

Na esteira dessa ideia, os estudantes acabam por atender disciplinadamente ao que é deles exigido, pois percebem que, ao investir nas técnicas de controle e de autorregulação sugeridas pelas postagens analisadas, podem ser recompensados com a produtividade de seus corpos e mentes. Em relação a essa produtividade, ao analisar as práticas de disciplinamento difundidas nas postagens, percebemos que, embora os estudantes não estivessem sendo observados no ambiente escolar, essas práticas funcionavam de forma muito semelhante. Conforme destaca Veiga-Neto (2000, p. 01), “[...] em termos do espaço e do tempo, a escola moderna foi sendo concebida e montada como a grande máquina capaz de fazer, dos corpos, o objeto do poder disciplinar; e, assim, torná-los dóceis.” Porém, o autor argumenta que o próprio mundo, inclusive o externo à escola, acabou se tornando um grande panóptico e que não somente mais a escola cumpre seu papel disciplinador. Para ele:

De fato, o avanço de toda uma sofisticada tecnologia eletrônica de vigilância e documentação - de que são bons exemplos os circuitos fechados de televisão e os potentes e velozes sistemas de informação e bancos de dados - aponta para o progressivo barateamento e disseminação de todos os atributos do panóptico. O principal desses atributos - a visibilidade - não apenas se conserva, mas foi até mesmo melhorado. (VEIGA-NETO, 2000, p. 01).

Nesta perspectiva, entendemos que uma das considerações desta pesquisa é que, embora os estudantes analisados sob a via das postagens de Facebook não estejam vivendo processos disciplinatórios na escola, as práticas a que são submetidos são praticamente as mesmas, tendo o objetivo de gerar corpos dóceis e produtivos. Assim, o estudo nos mostra que, muito mais do que servir como uma forma de ingresso no Ensino Superior, o Enem produz e reforça efeitos na constituição dos estudantes, fortalecendo a ideia de que alunos estudiosos e dedicados obtêm bons resultados tanto na escola, quanto fora dela.

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33 Ao compreendermos o Enem como uma avaliação em larga escala, acompanhamos Werle (2010) ao apresentar a diferenciação entre avaliações externas e avaliações em larga escala. Para a autora, as avaliações externas são todas aquelas realizadas por uma empresa ou profissionais especializados, contratados para tal fim, que podem abranger toda ou parte da instituição. Já as avaliações em larga escala fazem parte de um procedimento mais amplo, realizado também por agências reconhecidas e especializadas, que abarcam todo um sistema de ensino. Baseadas em Werle (2010), optamos por utilizar, na presente pesquisa, o termo avaliação em larga escala para nos referir ao modelo de avaliação no qual o Enem se insere.

44 A Teoria de Resposta ao Item - conhecida como TRI - é uma modelagem estatística cujas provas elaboradas com base nessa teoria possuem o traço latente (proficiência) definido com maior precisão. De acordo com o site do Inep, a TRI permite que uma mesma pessoa se submeta a duas provas diferentes obtendo a mesma nota - desde que as provas sejam elaboradas com os padrões exigidos de qualidade. Ainda de acordo com o Instituto, uma das grandes vantagens da TRI é que ela permite a comparação entre populações, desde que submetidas a provas que tenham alguns itens comuns, ou ainda, a comparação entre indivíduos da mesma população que tenham sido submetidos a provas totalmente diferentes.

55 Disponível em: https://pt-br.facebook.com/business/news/102-milhes-de-brasileiros-compartilham-seus- momentos-no-facebook-todos-os-meses. Acesso em 24 set. 2018.

66 Disponível em: https://www.facebook.com/ministeriodaeducacao/ . Acesso em: 27 set. 2018.

77 Disponível em: https://www.facebook.com/GuiaDoEstudante/. Acesso em: 27 set. 2018.

88 Disponível em: https://www.facebook.com/descomplica.vestibulares/. Acesso em: 27 set. 2018.

99 Disponível em: https://www.facebook.com/BREnem 2016 Acesso em: 3 ago. 2018

1010 Disponível em: https://www.facebook.com/Enemnoticias/. Acesso em: 28 set. 2018

Recebido: 01 de Novembro de 2018; Aceito: 17 de Janeiro de 2020

Marilia Dal Moro Mestre em Educação (UFRGS) e Licenciada em Pedagogia (UFRGS).

Fernanda Wanderer Doutora em Educação (Unisinos). Professora do Programa de Pós-Graduação em Educação (UFRGS)

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