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Eccos Revista Científica

Print version ISSN 1517-1949On-line version ISSN 1983-9278

Eccos Rev. Cient.  no.69 São Paulo Apr./June 2024  Epub Oct 03, 2025

https://doi.org/10.5585/eccos.n69.24640 

ARTIGO

FORMAÇÃO CONTINUADA DE PROFESSORES, EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA E PANDEMIA: COMPREENSÕES DE PROFISSIONAIS DA EDUCAÇÃO DE UMA REDE MUNICIPAL DO NORTE DE SANTA CATARINA

CONTINUING TEACHER EDUCATION, DISTANCE EDUCATION, AND THE PANDEMIC: UNDERSTANDINGS OF EDUCATION PROFESSIONALS FROM A MUNICIPAL SCHOOL NETWORK IN THE NORTH OF SANTA CATARINA

EDUCACIÓN CONTINUA DE DOCENTES, EDUCACIÓN A DISTANCIA Y LA PANDEMIA: COMPRENSIÓN DE PROFESIONALES DE LA EDUCACIÓN DE UNA RED ESCOLAR MUNICIPAL EN EL NORTE DE SANTA CATARINA

Lucilene Simone Felippe Oliveira1 
http://orcid.org/0000-0001-8531-732X

Aline Coêlho dos Santos2 
http://orcid.org/0000-0002-0931-2372

Rita Buzzi Rausch3 
http://orcid.org/0000-0002-9413-4848

1Mestra em Educação, Universidade da Região de Joinville - UNIVILLE, Joinville, SC - Brasil

2Mestra em Tecnologias da Informação e Comunicação, Fundação Universidade Regional de Blumenau - FURB, Blumenau, SC - Brasil

3Pós-doutora em Educação, Universidade da Região de Joinville - UNIVILLE, Joinville, SC - Brasil


Resumo

Este estudo tem por objetivo analisar as compreensões de profissionais da Educação Básica da rede pública de um município do norte catarinense em relação à Educação a Distância (EaD). Trata-se de investigação com abordagem quali-quantitativa, desenvolvida por meio da aplicação de um questionário online, respondido por 62 profissionais atuantes na rede de ensino pesquisada. Os dados gerados foram analisados e discutidos com base em Maissiat (2017), Imbernón (2010) e Nóvoa (2019), entre outros. Evidenciou-se que, mesmo a EaD apresentando vantagens, como a flexibilização do tempo e do espaço, redução de investimento e ampla procura, principalmente nos tempos da pandemia de Covid-19, o ensino presencial ainda é o mais defendido pelos profissionais investigados, que alegam ofertar maior interação e troca de ideias entre professores e alunos. Dos resultados obtidos, destaca-se que as instituições de EaD devem estar mais atentas aos recursos de interação ofertados, motivando o aluno a participar ativamente na troca de ideias e opiniões com os colegas de curso e professor/tutor, pois, embora tenham apresentado ampla aderência, por si só não garantem uma formação integral. Ademais, enfatiza-se a necessidade de haver formações centradas no espaço educativo que atenda às realidades locais e reverbere na prática docente.

Palavras-chave: educação a distância; formação continuada de professores; pandemia.

Abstract

This study aims to analyze the understanding of basic education professionals from the municipal public education network in the north of Santa Catarina about Distance Education (DE). The present investigation uses a quali-quantitative approach applying an online questionnaire, from which we obtained feedback from 62 professionals who work in the analyzed education network. The generated data were analyzed and discussed based on Maissiat (2017), Imbernón (2010a; 2010b), and Nóvoa (2019), among others. It was evident that, although Distance Education (DE) has its advantages, such as the flexibility of time and space, the reduction of investment, and the wide demand, especially in times of the Covid-19 pandemic, face-to-face teaching is still the most defended by the investigated professionals, under the justification that this modality offers more interaction and exchange of ideas between professors and students. From the results obtained, it is emphasized that distance education institutions should be more attentive to the interaction resources offered to motivate the student to actively participate in the exchange of ideas and opinions with classmates and professors/tutors because even if they have shown extensive adherence, this tool alone does not guarantee comprehensive training. Furthermore, it emphasizes the need for training centered on the educational space that responds to the local realities and reverberates in teaching practice.

Keywords: distance education; continuing training of teachers; pandemic.

Resumen

Este estudio tiene como objetivo analizar la comprensión de los profesionales de la educación básica de la red de educación pública municipal en el norte de Santa Catarina sobre la Educación a Distancia (ED). La presente investigación utiliza un enfoque cuali-cuantitativo aplicando un cuestionario en línea, del cual obtuvimos respuestas de 62 profesionales que trabajan en la red educativa analizada. Los datos generados fueron analizados y discutidos basándonos en Maissiat (2017), Imbernón (2010a; 2010b) y Nóvoa (2019), entre otros. Quedó evidente que, aunque la Educación a Distancia (ED) tiene sus ventajas, como la flexibilidad de tiempo y espacio, la reducción de la inversión y la amplia demanda, especialmente en tiempos de la pandemia de Covid-19, la enseñanza presencial sigue siendo la más defendida por los profesionales investigados, bajo la justificación de que esta modalidad ofrece una mayor interacción e intercambio de ideas entre profesores y estudiantes. A partir de los resultados obtenidos, se enfatiza que las instituciones de educación a distancia deben prestar más atención a los recursos de interacción ofrecidos para motivar al estudiante a participar activamente en el intercambio de ideas y opiniones con compañeros y profesores/tutores, porque aunque han mostrado una amplia adhesión, esta herramienta por sí sola no garantiza una formación integral. Además, se enfatiza la necesidad de una formación centrada en el espacio educativo que responda a las realidades locales y repercuta en la práctica docente.

Palabras clave: educación a distancia; formación continua de docents; pandemia.

1 Introdução

A formação continuada dos profissionais da educação é tema para inesgotáveis discussões. A sociedade em que vivemos é dinâmica e passa por constantes mudanças no âmbito econômico, político, religioso, científico e tecnológico. É no interior da escola que essas transformações acabam reverberando, tornando necessária a contínua formação de professores. Nessa dinâmica social, damos destaque ao surgimento e crescimento da Educação a Distância - EaD, cada vez mais presente no ensino superior e nas ofertas de formação para aperfeiçoamento profissional em diferentes áreas do conhecimento, apresentando-se, inclusive, como possibilidade na Educação Básica (Cruz; Lima, 2019).

Nos últimos anos, a procura por cursos na modalidade a distância cresceu consideravelmente. De 2017 a 2018, as matrículas em EaD passaram de 1.320.025 para 2.358.934. Nesse mesmo período, foram realizadas 117.177 matrículas como complementação de estudos em nível superior, conforme dados do Censo EaD (CENSO EAD.BR, 2019). Outro dado relevante é o do Censo da Educação Superior de 2019, realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira - INEP (Brasil, 2020), em colaboração com o Ministério da Educação (MEC). O referido censo mostra que 63% dos docentes da Educação Básica matriculados na Educação Superior procuram pela modalidade a distância, enquanto 37% optam pela modalidade presencial.

Diante desse cenário, esta investigação se desenvolve mediante o seguinte problema de pesquisa: quais são as compreensões dos profissionais da Educação Básica, especialmente da educação infantil e do ensino fundamental I da rede pública de um município do norte catarinense, em relação à EaD, no que se refere ao uso dessa modalidade na formação continuada de professores? Partindo desta questão problema, este estudo tem como objetivo analisar as compreensões de profissionais da Educação Básica da rede pública de um município do norte catarinense quanto à formação continuada de professores na modalidade EaD.

No decorrer deste artigo, são apresentados os resultados obtidos a partir de um questionário elaborado via Google Forms e respondido por 62 profissionais da Educação Básica da rede de ensino investigada. Sua natureza é de caráter básico e caracteriza-se como uma pesquisa quali-quantitativa. O suporte teórico pautou-se, principalmente, em autores como Maissiat (2017) - que aborda sobre a formação continuada na EaD, Imbernón (2010) e Nóvoa (2019) - que discorrem sobre a formação continuada de professores.

A seguir, a pesquisa traz ponderações referentes à formação continuada e à EaD. Posteriormente, traz a metodologia proposta, a apresentação e a análise dos dados obtidos e relacionados à adesão dos profissionais da Educação Básica de um município no norte catarinense em relação à educação a distância para aperfeiçoamento profissional; e, por último, as considerações finais e as referências.

2 Formação Continuada e EAD

A formação inicial e continuada dos profissionais da educação é fundamental para a garantia da qualidade na educação a que todos têm direito. Compreende-se que as mudanças ocorridas na sociedade contemporânea instigam novos direcionamentos para a formação continuada de professores, considerando que a atualização profissional propicia, à escola e aos alunos, contribuições para o processo de ensino e aprendizagem.

Além disso, entende-se que a formação continuada estimule “[...] a metacognição, pois nela o educador se aperfeiçoa, revê suas teorias e concepções” (Maissiat, 2017, p. 73). Para Imbernón (2010, p. 115), formação continuada de professores é “[…] toda intervenção que provoca mudanças no comportamento, na informação, nos conhecimentos, na compreensão e nas atitudes dos professores em exercício”.

Os cursos de formação continuada desafiam os professores na compreensão de transformações que ocorrem no conhecimento e nas mudanças ocasionadas pela cultura digital, preparando-os para o enfrentamento e as adaptações que essas mudanças exigem. Uma delas está, por exemplo, na oferta de formações que promovam o desenvolvimento do letramento digital, que, de acordo com Sampaio e Leite (2004 apudMAISSIAT, 2017), dialoga com o conceito de alfabetização tecnológica, ou seja, trata-se de

[...] um conceito que envolve o domínio contínuo e crescente das tecnologias que estão na escola e na sociedade, mediante o relacionamento crítico com elas. Este domínio se traduz em uma percepção global do papel das tecnologias na organização do mundo atual e na capacidade do professor em lidar com diversas tecnologias, interpretando sua linguagem e criando novas formas de expressão, além de distinguir como, quando e por que são importantes e devem ser utilizadas no processo educativo (Sampaio; Leite, 2004 apudMaissiat, 2017, p. 52).

Considerando-se a emergência e a necessária inclusão das tecnologias digitais na educação, devido ao distanciamento social obrigatório para contingência da pandemia de Covid-19 em 2020, e que a grande maioria dos profissionais da Educação Básica demonstrou dificuldades em lidar com tais ferramentas, foi preciso ofertar aos professores formações emergentes para o uso de Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação (TDICs).

Nota-se, nesse processo, a integração da alfabetização tecnológica e sua efetivação como prática fundamental nos processos formativos. Desse modo, o que antes era visto como um adicional nas formações, passou, naquele momento, a ser encarado como indispensável.

Cabe lembrar que a ausência de formações continuadas voltadas ao uso das tecnologias digitais no processo de ensino e aprendizagem poderia ter agravado ainda mais os resultados - com números já alarmantes - em relação à descontinuidade da educação e os déficits no desenvolvimento de muitas crianças e adolescentes brasileiros (Siqueira, 2022), em razão do isolamento social vivenciado em 2020.

Ainda, cabe pontuar que, se a alfabetização tecnológica acontecesse já na formação inicial de professores e se tornasse uma constante na vida profissional, não teria se apresentado como um problema de formação com caráter emergencial, decorrente do fechamento de escolas e universidades brasileiras. Conforme entendem Silva et al. (2020, p. 17):

Negligenciar o uso pedagógico das tecnologias e mídias sociais nas Instituições de Ensino Superior (IES) ou considerar que somos imigrantes digitais implica em deixarmos um gap interacional importante nas mãos de estruturas que não estão necessariamente preocupadas com a formação cidadã. […] Sem refletirmos sobre as tecnologias e sua relação dialógica que transforma a cultura, acabamos por construir uma percepção quase ingênua sobre as mídias como se estas fossem neutras.

Integrar as TDICs na e para a educação não significa apenas usá-las em sala de aula para complementar uma aula expositiva e não dialogada, na qual o professor detém o saber e os alunos são meros receptores de informações desconexas. Para além disso, as tecnologias servem como auxiliares ao professor na mediação de aprendizagens significativas no cotidiano dos alunos, ultrapassando os muros da escola, por meio das ferramentas que as TDICs proporcionam.

Nesse sentido, a formação continuada de professores da Educação Básica precisa incluir a alfabetização tecnológica como parte constituinte de todo processo formativo, pois a sociedade atual exige mudanças de paradigmas que estão relacionados à cultura digital, que contempla a educação híbrida como meio que facilita o acesso ao estudo das mais variadas situações e inovações. No entender de Rodrigues e Capellini (2012, p. 618),

No cenário atual da educação, está claro que a educação por meio de novas mídias conectadas é uma realidade cada vez mais presente e que evolui de forma irreversível; além disso, […] é fundamental a formação continuada do professor, visto que muitos, que hoje exercem a docência, não tiveram esses conteúdos e práticas durante sua formação.

As mudanças de paradigmas relacionadas às tecnologias e à educação a distância, segundo Oliveira (2012, p. 15), constituem “[...] o fio condutor da ruptura com o modo conservador/dominante de pensar e realizar a EaD e/ou qualquer modalidade de educação”. Sendo assim, sem ruptura não há tecnologia que resulte em efeitos significativos na educação escolar (Oliveira, 2012).

Em vista disso, deve-se entender como a EaD é conceituada. Para Moran (2002, p. 1), a educação a distância “[...] é um processo de ensino e aprendizagem, mediado por tecnologias, onde professores e alunos estão separados espacial e/ou temporalmente”. Cabe ressaltar que o fato de os indivíduos estarem separados por um tempo ou um espaço não significa que não haja proximidade na relação entre eles.

O Decreto 9.057, de 2017, que regulamenta o Art. 80 da Lei nº 9.394 de 1996 - Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional - LDB, considera a educação a distância, em seu Art. 1º, como uma “[...] modalidade educacional na qual a mediação didático-pedagógica nos processos de ensino e aprendizagem ocorra com a utilização de meios e tecnologias de informação e comunicação […]” (Brasil, 2017). O mesmo documento complementa que a educação a distância poderá ocorrer em tempos e lugares diversos (Brasil, 2017). A LDB afirma, ainda, em seu Art. 80 (Brasil, 1996), que é responsabilidade do Poder Público incentivar “[...] o desenvolvimento e a veiculação de programas de ensino a distância, em todos os níveis e modalidades de ensino, e de educação continuada”.

Compreende-se, assim, que a expansão da EaD esteja vinculada ao fato de ser uma modalidade de ensino e ao incentivo do seu uso para a oferta de formação continuada. Para Bof e Rios (2013, p. 1973), “[...] a EaD constitui, assim, mais uma forma de compreender o mundo, a partir da necessidade de cada ser humano em continuar aprendendo”.

Vale lembrar que a educação a distância tem marcado presença na sociedade contemporânea. Para além de um modismo, essa modalidade pode ter surgido para dar mais visibilidade e oportunidade de acesso aos profissionais que buscam a qualificação, tanto por seu caráter flexível com relação ao tempo e ao lugar quanto pelo baixo investimento e maior autonomia que oportuniza. No entanto, ressalta-se que a EaD deve ser encarada como mais uma possibilidade de buscar a formação continuada, e não a única a ser ofertada aos docentes.

Dessa forma, durante o período mais crítico da pandemia de Covid-19, muitos professores buscaram novas formas de aprender e ensinar. A procura por cursos na modalidade a distância cresceu consideravelmente. Os profissionais da educação que não eram adeptos a essa modalidade acabaram por aceitá-la como alternativa para continuar estudando e ampliando conhecimentos. Palange (2021 apudKikut, 2021), conselheira da Associação Brasileira de Educação a Distância - ABED, afirma que:

Cursos de edição de vídeo e programação tiveram um boom na pandemia. Diferentemente dos professores do Ensino Superior, que geralmente têm uma equipe de suporte, os profissionais da Educação Básica tiveram que se virar para produzir conteúdo de ensino, gravando aula e editando. Eles foram atrás destes cursos para melhorar no uso destas ferramentas (Palange, 2021 apudKikut, 2021).

Entretanto, faz-se necessário considerar uma certa descontinuidade da formação continuada centrada no espaço educativo. Durante a pandemia, a formação em serviço foi inviabilizada, contudo, não é porque a educação a distância se intensificou que a formação na instituição educativa deva ser descartada. Muito pelo contrário. Quando um grupo de pessoas se reúne para tratar de assuntos de interesse comum, as chances de obter um resultado que reverbere na prática docente e na qualidade da educação, estão muito mais próximas.

Nesse sentido, a formação centrada nos espaços internos da instituição contribui para o processo de “inovação a partir de dentro”, conforme destaca Imbernón (2010, p. 23). A formação continuada ou aperfeiçoamento profissional requer que o docente repense sua prática de maneira crítica e reflexiva. Para tanto,

[…] o processo de formação deve dotar os professores de conhecimentos, habilidades e atitudes para desenvolver profissionais reflexivos ou investigadores. Nesta linha, o eixo fundamental do currículo de formação o professor é o desenvolvimento da capacidade de refletir sobre a própria prática docente, com o objetivo de aprender a interpretar, compreender e refletir sobre a realidade social e a docência (Imbernón, 2010, p. 41-42).

Além disso, refletir sobre a prática para além da escola, ou seja, estendendo-a à realidade social, conduz para que a ação docente também reflita positivamente na sociedade. Dito isso, o autor cita cinco grandes linhas ou eixos de atuação docente:

1. A reflexão prático-teórica sobre a própria prática mediante a análise, a compreensão, a interpretação e a intervenção sobre a realidade. A capacidade do professor gerar conhecimento pedagógico por meio da prática educativa.

2. A troca de experiências entre iguais para tornar possível a atualização em todos os campos de intervenção educativa e aumentar a comunicação entre os professores.

3. A união da formação a um projeto de trabalho.

4. A formação como estímulo crítico ante práticas profissionais como a hierarquia, o sexismo, a proletarização, o individualismo, o pouco prestígio etc., a práticas sociais como a exclusão, a intolerância etc.

5. O desenvolvimento profissional da instituição educativa mediante o trabalho conjunto para transformar essa prática. Possibilitar a passagem da experiência de inovação (isolada e individual) à inovação institucional (Imbernón, 2010, p. 20-21).

Conforme se observa no exposto por Imbernón (2010), a formação realizada no espaço educativo contribui com o desenvolvimento de todos os envolvidos: professores, gestores, coordenadores e alunos. E, além disso, há mais chances de ressignificação da prática docente quando a reflexão ocorre em colaboração com seus pares.

Diante dessa explanação, e apesar de a expansão da EaD ser uma realidade, ela não pode ser a única modalidade de formação continuada de professores. Por isso, é importante ouvir as necessidades formativas dos profissionais que trabalham diretamente com a educação de crianças e adolescentes. A formação que prioriza momentos de troca entre pares e em serviço contribui para uma reflexão coletiva, além de fazer com que o profissional se sinta parte integrante e responsável por aquele momento formativo e pelas futuras práticas pedagógicas.

3 Metodologia proposta

A pesquisa caracteriza-se como quali-quantitativa, tendo como instrumento de produção de dados um questionário, elaborado com a ferramenta Google Forms, o qual foi encaminhado a grupos de WhatsApp de profissionais da educação que lecionam na educação infantil e no ensino fundamental I da rede municipal de ensino de um município do norte catarinense.

Houve o retorno de 62 questionários respondidos. As questões que compuseram o questionário foram mistas, ou seja, utilizaram-se questões fechadas, em que o participante precisou selecionar uma ou mais respostas, e questões abertas-relacionadas, permitindo ao respondente fazer suas colocações sobre o tema proposto.

Vergara (2012, p. 39) define questionário como “[...] um método de coletar dados no campo, de interagir com o campo composto por uma série ordenada de questões a respeito de variáveis e situações que o pesquisador deseja investigar”. Além disso, para a autora, o questionário é muito utilizado em pesquisas que envolvem um número significativo de participantes.

Com relação à pesquisa quali-quantitativa, alguns estudiosos ainda investigam a articulação entre a pesquisa qualitativa e a pesquisa quantitativa. Na educação, o mais comum são pesquisas de abordagem qualitativa, porém, quando o objetivo é apresentar evidências também numéricas, pode-se associar as duas abordagens.

Nesse sentido, as pesquisas quantitativas demonstram as mudanças ocasionadas sobre determinado objeto de investigação, bem como objetivam encontrar fatos e descrever estatisticamente os dados, enquanto as pesquisas qualitativas têm por meta apresentar uma teoria fundamentada, desenvolvendo a compreensão sobre o tema investigado (Bogdan; Biklen, 2010).

As respostas obtidas por meio do questionário geraram dados qualitativos e estatísticos - quantitativos. Dessa forma, primeiramente, os participantes foram identificados por um número atribuído de acordo com a devolução dos questionários, mantendo, assim, o anonimato. Em seguida, as respostas das questões abertas-relacionadas foram dispostas em uma planilha, nas quais buscaram-se as aproximações entre as colocações dos participantes sobre o tema investigado.

4 Apresentação e análise de dados

Esta pesquisa, voltada à rede pública de ensino de um município do norte catarinense, contou com a participação de 62 profissionais da Educação Básica, não cabendo generalizar os resultados obtidos para todo o contexto do município investigado. Dentre esses profissionais, 51,6% são professores, 30,6% são auxiliares de sala, 6,5% são recreadores, 6,5% são coordenadores, 3,2% são atendentes de berçário e 1,6% não definiram a sua função. A maioria atua na educação há mais de 20 anos, com 24,6%, seguido de 23% que atuam entre 12 e 15 anos, 18% entre 8 e 11 anos, 13,1% entre 16 e 19 anos, 13,1% entre 4 e 7 anos, e 8,2% atuam entre 1 e 3 anos.

Quando questionados sobre a formação profissional, as respostas dos participantes mostram que 74,2% fizeram pós-graduação em nível de especialização, 19,4% são licenciados e 6,4% têm formação em nível médio - magistério, conforme o Gráfico 1. Ainda, um número significativo de participantes respondeu que cursou graduação presencialmente, 61,4%, seguido de 29% que cursaram na modalidade semipresencial, 4,8% a distância e, ainda, 4,8% que não cursaram nível superior.

Fonte: Elaborado pelas autoras na ferramenta Google Forms.

Gráfico 1 Formação profissional 

Nota-se que a maioria dos profissionais que participou da pesquisa cursou licenciatura na modalidade presencial e, destes, a maior parte fez especialização, ou seja, procuraram aperfeiçoamento profissional, o que pode refletir na qualidade do ensino ofertado e no desenvolvimento profissional.

Quanto à especialização, conforme mostra o Gráfico 2, dentre os participantes da pesquisa, 53,2% cursaram na modalidade presencial, enquanto 19,4% cursaram na modalidade semipresencial, 16,1% não fizeram curso de pós-graduação e 11,3% cursaram especialização na modalidade a distância.

Fonte: Elaborado pelas autoras com a ferramenta Google Forms.

Gráfico 2 Modalidade da especialização 

Quanto à formação continuada desses profissionais, os participantes podiam selecionar mais de uma opção. Assim, conforme o Gráfico 3, 77,4% dos respondentes preferem processos formativos na modalidade a distância, o que não significa que seja a única modalidade escolhida, pois 56,5% manifestaram preferência por cursos presenciais e 50% assinalaram o ensino semipresencial.

Fonte: Elaborado pelas autoras com a ferramenta Google Forms.

Gráfico 3 Modalidade do aperfeiçoamento profissional 

Enfatiza-se que os profissionais que participaram da pesquisa demonstraram adesão por diferentes modalidades de formação continuada e que a EaD entra como opção de flexibilidade de horários e menor investimento. Além disso, a escolha pela modalidade EaD, tanto por professores quanto pelas redes de ensino, se deve, muitas vezes, ao fato de favorecer “[…] o desenvolvimento da autonomia, a flexibilidade e a cooperação. Alia-se a essas especificidades o fato de se poder atingir uma quantidade maior de professores de vários lugares do país […]” (MAISSIAT, 2017 p. 76), ou mesmo de uma única rede de ensino.

Embora um dos pontos fortes da EaD seja a conexão entre pessoas de diferentes lugares, Nóvoa (2019) chama a atenção para uma formação continuada centrada na escola, com mudanças que permeiem os espaços de formação e sejam pensados para o trabalho em colaboração. Segundo o mesmo autor, é necessário que as metodologias propostas nesses processos formativos valorizem o protagonismo do professor participante. Isso implica desconstruir a formação presente em espaços que não sejam a escola e trazer a formação para a discussão, a reflexão e para a resolução de problemas que emergem do/no espaço escolar.

Nóvoa (2019) também compreende que a reflexão conjunta contribui no processo de mudança para novas formas de ensinar. Longe de dispensar as formações externas ao espaço educativo, esse pesquisador reforça que a metamorfose da escola acontece sempre que o coletivo de professores se reúne para buscar soluções e compartilhar experiências e inquietações.

Quanto ao nível de satisfação sobre a EaD, conforme mostra o Gráfico 4, os respondentes a classificaram como: boa (50%); ótima (24,2%); regular (21%), e ruim (4,8%). Dentre os motivos que levaram aos dados apresentados, a modalidade a distância, segundo os profissionais que participaram da pesquisa, permite maior flexibilização de horários e pode ser muito eficiente, desde que o aluno esteja comprometido e realize todas as atividades propostas pelo curso. Em contrapartida, alegam que a modalidade presencial possibilita a troca de experiências, maior interação e o debate imediato.

Fonte: Elaborado pelas autoras com a ferramenta Google Forms.

Gráfico 4 Classificação da EaD 

Portanto, pode-se concluir, nesta primeira parte quanto aos dados quantitativos, que a maioria dos profissionais participantes da pesquisa tem especialização na modalidade presencial. Contudo, quando questionados sobre a modalidade preferida para novos aperfeiçoamentos, a modalidade a distância foi a mais selecionada, pois é considerada boa diante das opções apresentadas.

Para a análise das questões abertas-relacionadas, preservando-se a identidade dos participantes, conforme já mencionado, todos foram identificados por numerais arábicos, cada um organizado conforme a devolução dos questionários. Contudo, alguns profissionais optaram por não responder essas questões. Ao serem questionados quanto à justificativa pela escolha da classificação atribuída à EaD na formação continuada (ótima, boa, regular ou ruim), obtiveram-se as respostas apresentadas nos Quadros 1 e 2:

Quadro 1 Classificação da modalidade EAD atribuída pelos respondentes 

Ótima Boa
9. Cursei graduação presencial e graduação a distância. Achei maravilhoso, pelo nível de professores, por estar em casa, voltar às aulas quando necessário. Claro que o aluno tem que ser disciplinado e ter habilidade com informática.
22. Tenho liberdade para fazer meus horários de estudo.
37. Acho que a EAD está muito boa, com cursos cada vez mais atuais. Eu recomendo, pela comodidade que temos para fazer, com dias e horários que temos à disposição. Veio para ficar.
45. Temos que nos informar mais sobre o assunto e pesquisar mais.
46. O estudante tem que se empenhar mais para aprender e estar atento às datas estipuladas para não atrasar a leitura de textos, participação dos fóruns e atividades dos módulos, além de ter muito cuidado no vocabulário das postagens e comentários.
49. Facilidade em me organizar, assimilar os conhecimentos etc.
51. Facilidade na adaptação dos horários e rotina.
53. Você aprende muito.
55. Para quem realmente estuda e realiza o que é solicitado, é muito boa a graduação a distância, pois aprendemos muito com os materiais disponibilizados no Moodle e pelas pesquisas realizadas exteriormente do sistema de ensino.
1. Considero uma boa modalidade, desde que a pessoa seja organizada e crie uma rotina de estudos.
2. Já fiz muitos cursos bons.
3. Os estudos dependem muito da sua busca, pesquisa.
6. Os cursos 100% online com aulas gravadas deixam a desejar pela falta da troca de experiências e por não tirarem as dúvidas na hora.
13. O sucesso também depende do nosso interesse, comprometimento e grandes objetivos.
19. Penso que o ensino é bom, mas depende muito do aluno.
23. Nos oferece a possibilidade de se dedicar ao curso nos horários disponíveis para aperfeiçoamento.
28. Depende de cada participante do curso.
30. Os conteúdos são bem selecionados.
32. A opção de cursos a distância possibilita maior flexibilidade de tempo para as pessoas. Buscar o conhecimento depende do interesse de cada um, independentemente de ser oferecido de forma presencial ou não.
36. Faz com que busquemos mais informações.
40. Depende muito do material que a instituição envia.
42. Boa como formação continuada.
43. Meu desempenho presencial é mais efetivo.
44. Quando se quer aprender, não importa como, presencial ou a distância.
47. Não possibilita o debate. Portanto, perde-se na diversidade de opiniões.
48. É boa porque você faz seu horário de estudo. Só não é ótimo porque faz falta o contato presencial.
52. Sinto falta de orientação presencial.
59. Abre campo para pesquisas mais recentes; nos permite interagir com o mundo, dependendo do nosso esforço e condição para isso.
62. Mesmo com toda a tecnologia existente, acredito que momentos no presencial sejam muito importantes.

Fonte: Elaborado pelas autoras.

Quadro 2 Classificação da modalidade EaD atribuída pelos respondentes 

Regular Ruim
14. Presencial aprendo melhor e tiro dúvidas na hora.
17. Acredito que vai depender muito do aluno. De seu esforço em ir atrás.
31. Acredito que a modalidade a distância depende única e exclusivamente da dedicação de cada indivíduo. Porém, acho válida, pois a leitura agrega conhecimento e aprendizado.
41. Acredito que as trocas e interações fazem diferença nas aprendizagens.
50. Pode ser um facilitador o meio digital, contudo, dependendo o objetivo, pode fazer falta a troca presencial.
58. Acredito que a modalidade a distância depende da dedicação de cada um.
61. Presencialmente, tem trocas de experiências que enriquecem o profissional. A distância, pode nos deixar como expectadores. Mas tudo depende do curso e da maneira que é organizado.
8. A socialização e a própria construção da aprendizagem se obtêm maior rendimento.
10. Talvez, por eu necessitar interagir, não sou muito dedicada, disciplinada quando se trata em assistir. Sinto sono, me desconcentro. Mas penso não ser o mesmo aprendizado de quando se está presente todos os dias com um professor te orientando.

Fonte: Elaborado pelas autoras.

Referente à frequência com que esses profissionais realizam cursos a distância, os dados são consideráveis, pois 50% afirmaram que, às vezes, optam por cursos nessa modalidade, seguindo-se 30,6% que responderam sempre cursar à distância, 17,7% raramente fazem essa opção e 1,7% responderam que nunca fazem cursos a distância.

Os resultados evidenciaram, nesta questão, que a parcela de profissionais que responderam à pesquisa e preferem estudar presencialmente é de 67,7%, seguida de 32,3% que preferem estudar a distância, conforme o Gráfico 5:

Fonte: Elaborado pelas autoras com a ferramenta Google Forms.

Gráfico 5 Preferência de modalidade 

No que se refere à justificativa quanto à preferência por estudar a distância ou presencialmente, os participantes que preferem estudos na primeira modalidade afirmaram o seguinte, de acordo com o Quadro 3:

Quadro 3 Preferência pela modalidade a distância 

1. Estudando a distância, tenho a possibilidade de organizar o meu horário de estudos, conforme minha rotina pessoal.
2. Mais praticidade.
3. Mais prático.
9. Hoje, prefiro pela disponibilidade de tempo.
19. Hoje, prefiro a EAD, mas para se ter uma base, eu penso no semipresencial.
22. Liberdade de fazer meus horários de estudo.
37. Gosto das aulas em vídeos e os recursos disponibilizados.
45. Hoje, acho mais fácil e mais prático.
49. Facilidade de organização da rotina. Flexibilização de horário.
51. Adequação de horários.
55. Porque posso realizar de acordo com minha disponibilidade de horário, tenho filhos pequenos, e cursos presenciais se tornaram um luxo; deste modo, posso atender às necessidades das crianças e, ainda, estudar com silêncio no ambiente e, deste modo, compreender e aprender melhor.
59. Nesse momento, sim.

Fonte: Elaborado pelas autoras com dados da pesquisa.

Os participantes que preferem estudar na modalidade presencial afirmaram, conforme o Quadro 4:

Quadro 4 Preferência pela modalidade presencial 

4. Estudar a distância não tem a mesma troca de aprendizagem que o presencial oferece.
5. Eu prefiro conversar com as pessoas no físico, ouvi-las e discutir os assuntos, e, assim, tirar todas as dúvidas.
6. Considero os cursos semipresenciais a melhor opção. Não ocupam todas as noites, mas também não são 100% online.
8. Porque é mais enriquecedor, de forma geral.
10. Como já falei, o aprendizado é muito melhor quando se tem um professor orientando.
13. Contato físico e interação.
14. Contato com as pessoas e professor é melhor.
17. Acredito que é muito mais rico em conhecimento, podemos na mesma hora trocar ideias e opiniões.
23. Acho que o aproveitamento é mais de 90% e tiramos um tempo para reflexão e estudo.
25. Eu acredito que a troca de experiências e aprendizagens com o grupo é enriquecedora.
28. Tempo.
30. Presencialmente, tem mais troca de informações e experiências.
31. Acredito que a forma presencial demanda mais tempo, porém, a troca de experiências e opinião nos cursos são válidos.
32. Estudar de forma presencial auxilia numa "organização", desta forma, você tem aquele compromisso de estar lá e para tal. Nem sempre conseguimos isso em casa. Em contrapartida, a questão de "prender" a pessoa naquele horário, o que fica muitas vezes dificultoso.
36. Prefiro trocar experiências.
38. Presencialmente, tem mais trocas de experiências, o que garante mais teoria aplicada na prática.
40. Trocar experiências e fazer reflexão em grupo agrega mais conhecimento.
41. Gosto das trocas, exemplos e interações que as aulas presenciais oportunizam.
42. A troca, a experiência do outro, a discussão, as intervenções do professor são essenciais.
43. Meu desempenho presencial é mais efetivo.
44. Por causa das trocas de informações.
46. Maior interação com colegas.
47. Mais enriquecedor.
48. Presencialmente, pois considero mais rico, mais vivo, mais humano.
50. Poucos cursos fiz a distância e sinto falta da interação e trocas.
52. Troca de ideias com o grupo.
53. Pois é passada muita experiência nova, você aprende com seus colegas.
58. Acredito que a forma presencial demanda mais tempo, porém, a troca de experiências e opinião nos cursos é válido.
60. Por causa das trocas de informações.
61. O envolvimento parece maior, pois a distância pode haver distrações.
62. Acredito que a troca presencialmente seja mais rica, tanto no âmbito humano quanto de aprendizagem.

Fonte: Elaborado pelas autoras com dados da pesquisa.

Percebe-se que a pandemia influenciou uma adesão maior aos cursos na modalidade a distância. Conforme os profissionais investigados neste estudo, na impossibilidade de formações de modo presencial e a fim de seguir os protocolos de segurança relacionados à contenção do novo coronavírus, as Secretarias de Educação optaram por formações de professores e demais servidores, por meio de plataformas virtuais. Essa condição foi também adotada para dar continuidade ao processo de ensino e de aprendizagem dos alunos e da busca pelo desenvolvimento profissional por parte dos profissionais da educação.

A última pergunta da pesquisa, em que o respondente poderia optar por mais de uma resposta, diz respeito à preferência dos materiais utilizados para estudar. O material impresso foi escolhido por 79% dos respondentes, ficando em segundo lugar os vídeos, com 72,6%, e, em terceiro lugar, o material em PDF, com 51,6%. É possível realizar um curso utilizando apenas material impresso, mas também se encontra, hoje, uma relevante variedade de recursos multimídias. Entre as ferramentas utilizadas nos Ambientes Virtuais de Aprendizagens (AVAs) para a promoção da aprendizagem, algumas recebem mais destaque. Dentre elas, segundo Maissiat (2017):

- Fórum: as postagens não ocorrem em tempo real, ou seja, são assíncronas, possibilitando aos alunos deixarem suas mensagens para serem lidas, posteriormente, pelos usuários. O professor responsável lança a pergunta com o objetivo de gerar uma discussão. A ideia é que todos coloquem suas contribuições e comentem também as postagens dos colegas;

- Chat: é uma ferramenta em tempo real, ou seja, síncrona. Aconselha-se a formação de um pequeno grupo para que comecem a interação. O professor deve mediar a conversa;

- Enquete: pesquisa feita aos alunos sobre determinado assunto. As respostas podem ou não ser divulgadas;

- Glossário: lista de conceitos que auxiliarão os alunos durante o processo de aprendizagem;

- Wiki: página na qual todos os autorizados pelo professor podem editar e colaborar com o desenvolvimento de um texto, expondo sua opinião sem ser identificado, contribuindo com o processo de ensino e aprendizagem.

Independentemente dos recursos escolhidos, a interação entre aluno-aluno e aluno-professor/tutor, professor-professor, o projeto pedagógico e a gestão são essenciais para enriquecer o aprendizado e ampliar o conhecimento (Moran, 2015). Já no pensamento de Maia e Mattar (2007, p. 54 grifos dos autores), “[...] não há receita pronta, não existe ‘a EaD’, nem ‘uma EaD’; o que existem são diferentes testes […] feitos em diversas instituições pelo mundo”.

Além disso, pode-se afirmar que a educação a distância oportuniza a inclusão social quando oferece uma variedade de cursos com baixo ou nenhum investimento financeiro, flexibilidade de horários, abrangência territorial ampla, que chega até mesmo aos profissionais/alunos residentes nos lugares mais longínquos e de difícil acesso no país, desde que tenham acesso à internet. Ainda, proporciona a inclusão de pessoas com deficiência física, com a locomoção dificultada. Essa modalidade também se torna mais atraente àqueles que têm objeção de se expressarem oralmente em encontros presenciais, por insegurança ou timidez.

No Ambiente Virtual de Aprendizagem - AVA, apesar de, muitas vezes, se esconderem atrás da câmera, os estudantes encontram diversos meios de participar, apresentar suas ideias e receber feedbacks positivos por parte dos colegas e professor/tutor.

Conforme já mencionado, quando o estudante - nesse caso, o profissional/aluno - administra bem seu tempo de dedicação aos estudos, cumpre com as exigências do curso, tornando-se autor da própria aprendizagem, e consegue relacionar a formação continuada com a prática docente, as chances de uma formação mais próxima da eficiência e significativa aumentam. A esse respeito, Rodrigues e Capellini (2012) afirmam que

[...] administrar o tempo, planejar, estabelecer prioridade, ter autonomia em suas ações, bem como recursos adequados para sua realização, são fatores que favorecem o sucesso na realização das tarefas, tornando o aluno mais produtivo, contribuindo, assim, para sua aquisição de novas experiências e novos conhecimentos. Essas novas metodologias que se apresentam atendem a um novo paradigma de construção do conhecimento, de ações e reflexões acerca de aprendizagem efetiva, em que o aluno tem papel fundamental nesse processo (Rodrigues; Capellini, 2012, p. 622).

Adicionalmente, na sociedade contemporânea, perdura a ideia de que um curso a distância não cumpre o seu papel de formação com qualidade, ou seja, na modalidade online, não se aprende efetivamente. Há, inclusive, verbalizações pejorativas, como “recebeu o diploma/certificado por correspondência”. É preciso desmistificar o conceito referente à EaD, mostrando que é possível encontrar boas instituições que ofereçam cursos variados, com profissionais comprometidos, que promovam a interação, o diálogo e utilizem ferramentas que ampliem os horizontes criticamente e com responsabilidade.

Isso tudo sem esquecer que a formação centrada na escola é primordial, especialmente quando atende aos interesses dos profissionais, da comunidade e dos alunos, pois ocorre imersa em um contexto que proporciona uma reflexão da prática, um olhar direcionado às necessidades locais, o que oportuniza mais chances de se promover uma educação de qualidade, em um espaço interativo e colaborativo, no qual há trocas de experiências e aprendizados.

5 Considerações finais

A formação continuada dos profissionais da educação deve ser considerada e entendida como primordial, pois oportuniza mais qualidade na educação, levando sempre às escolas inovações e informações contextualizadas com as mudanças inerentes à sociedade contemporânea. Sendo assim, a pesquisa mostrou que a EaD surge como possibilidade de flexibilização de horários, baixo investimento, autonomia e inclusão social ao oportunizar o acesso à formação continuada para a maioria dos educadores que buscam crescimento profissional e atualização constante.

Dos profissionais que responderam ao questionário elaborado para esta pesquisa, a maioria possui especialização, ou seja, busca aperfeiçoamento. Mesmo com a expansão da educação a distância, mais acelerada devido à pandemia, a modalidade presencial ainda é a mais procurada para cursos de graduação e de especialização pelos participantes da pesquisa. Dentre os motivos apresentados, destaca-se que o ensino presencial oportuniza maior interação e troca de ideias com professores e colegas. As instituições de EaD devem estar mais atentas aos recursos de interação ofertados, para que se possa motivar o aluno a participar ativamente na troca de ideias e opiniões com os colegas de curso e professor/tutor. A proposição de momentos síncronos é uma possibilidade viável para essa interação.

Na formação continuada, a EaD aparece como preferencial por metade dos respondentes, os quais entendem que a modalidade é flexível e permite ao aluno estudar a qualquer hora, e em qualquer lugar. Mais de 30% dos pesquisados procuram cursos a distância e, quanto aos recursos disponíveis, o material impresso ficou em primeiro lugar, seguido dos vídeos explicativos.

A educação a distância ainda precisa ultrapassar barreiras e desmistificar o conceito muitas vezes existente sobre a sua qualidade. Ela pode ser uma oportunidade de se ter uma boa formação, mesmo em lugares e tempos diversos, pois todos são responsáveis pelo fazer educativo. Quando o ensino ofertado é aliado a bons materiais, interação virtual, autonomia, disciplina, pesquisa e organização, ocorre que alunos, instituição e sociedade são beneficiados.

No entanto, enfatiza-se a retomada das formações centradas nos ambientes educativos que atendam às necessidades locais e reverberem no contexto em que a instituição está inserida, bem como oportunizem uma reflexão crítica da prática docente, por meio da troca de experiências entre pares.

Portanto, compreende-se que combinar as modalidades presencial e a distância na formação continuada pode ampliar as possibilidades de estudo quando há interação com os profissionais da mesma instituição ou rede de ensino, bem como quando há interação com profissionais de diferentes lugares e outros contextos. A justificativa é que ambas oportunizam percepções e aprendizados diferentes, que enriquecem o conhecimento e contribuem para a ressignificação da prática docente.

Para citar - (ABNT NBR 6023:2018)

OLIVEIRA, Lucilene Simone Felippe; SANTOS, Aline Coêlho dos; RAUSCH, Rita Buzzi. Formação continuada de professores, educação a distância e pandemia: compreensões de profissionais da educação de uma rede municipal do Norte de Santa Catarina. Eccos - Revista Científica, São Paulo, n. 69, p. 1-19 e24640 abr./jun. 2024. DOI: https://doi.org/10.5585/eccos.n69.24640

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Recebido: 05 de Junho de 2023; Aceito: 25 de Abril de 2024

Editoras: Profa. Dra. Ana Maria Haddad Baptista e Profa. Dra. Marcia Fusaro

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