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Conjectura: Filosofia e Educação

Print version ISSN 0103-1457On-line version ISSN 2178-4612

Conjectura: filos. e Educ. vol.26  Caxias do Sul  2021  Epub June 10, 2024

https://doi.org/10.18226/21784612.v26.e021019 

ARTIGOS

Extensão rural: método para as tipologias de ação extensionista

Rural extension: method for typologies of extensionist action

Leonel Piovezana* 
http://orcid.org/0000-0001-8577-319X

Juliano Vitória Domingues** 
http://orcid.org/0000-0002-0001-1442

*Graduado em História e Estudos Sociais pela Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Palmas. Especialista em História e Geografia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Doutor em Desenvolvimento Regional pela Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc). Mestre em Desenvolvimento Regional pela Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc). Professor Titular na Universidade Comunitária da Região de Chapecó (Unochapecó), no Programa de Mestrado em Educação E-mail: leonel@unochapeco.edu.br

**Engenheiro Agrônomo. Especialista em Levantamentos Geodésicos e em Georreferenciamento de Imóveis Rurais e Urbanos. Mestre em Educação pela Universidade Comunitária da Região de Chapecó (Unochapecó). E-mail: juliano.tche@gmail.com


Resumo

O artigo apresenta o método documentário para extensão rural, identificando tipologias da ação extensionista. É um estudo de caso e dos pressupostos da ação dos extensionistas rurais e da Política Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural. O método documentário possibilitou produzir informações com entrevistas narrativas referenciado por um roteiro. A análise de informações se desenvolveu a partir de cinco etapas: organização temática; interpretação formulada; interpretação refletida; análise comparativa; e construção de tipologias. O estudo aponta para três tipologias: extensionistas de tipo especialista com atuação individual; generalista com atuação individual; e generalista com atuação grupal. O resultado revelou uma estrutura básica de atuação profissional e, ademais, responde à questão: Por que os extensionistas fazem o que fazem, isto é, porque são mais ou menos dedicados à política nacional?

Palavras-chave Extensão rural; Tipologias; Extensionista; Método documentário

Abstract

The article presents the documentary method for rural extension identifying typologies of extensionist action. It is a case study and the assumptions of the action of rural extensionists and the National Policy of Technical Assistance and Rural Extension. The documentary method made it possible to produce information with narrative interviews referenced by a script. The analysis of information was developed from the five stages: thematic organization, formulated interpretation, reflected interpretation, comparative analysis and construction of typologies. The study points to three typologies: extensionists of specialist type with individual performance, generalist with individual performance and generalist with group performance. The result revealed a basic structure of professional activity, and morever answers the question of why extensionists do what they do, that is, because they are more or less dedicated to national politics.

Keywords Rural extension; Typologies; Extensionist; Documentary method

Introdução

A extensão rural é uma área de amplo conhecimento científico e tem contribuído, significativamente, de forma institucional, no desenvolvimento agrícola brasileiro. Sua função básica é a de educar, de modo não formal, os agricultores familiares, ou não, na construção do desenvolvimento rural sustentável. A questão é que tem sido exitoso o desenvolvimento do setor agrícola, no sentido de ampliação da produção e da produtividade de cultivos e criações, e, relativamente, poucas experiências têm sido efetivas para o desenvolvimento do espaço rural.

Um dos caminhos, para entender a dificuldade da extensão rural, efetivada por extensionistas em ação, é entender como a educação dos profissionais está formada e como eles educam; de outro modo, como eles pressupõem agir para realizar sua função.

Nesse sentido, o entendimento dos pressupostos da ação é fundamental. Podemos entendê-la pela seguinte enunciação: ao passo da vivência, há uma estrutura de orientação de cada profissional que habilita sua atuação racional. Nas suas trajetórias individuais, aprendem em conteúdo e em jeitos de ser, que precisam pôr em prática. Por essa estrutura, os extensionistas educam, capacitam, explicam, difundem informações, tecnologias, visões de mundo, e observam, experimentam, reinterpretam, aprendem.

Na estrutura de orientação dos extensionistas, construída pela experiência com o mundo e com as pessoas, é que percebemos um desencadeamento dos pressupostos que cada agente possui. Para entendê-la, precisamos captar a estrutura pela enunciação desses falantes. Isto é, através de um ato de fala sobre uma narrativa cotidiana expressa pelo extensionistas, é possível identificar o que aquele ator pressupõe de sua atuação profissional.

Entender os pressupostos da ação foi o caminho que desenvolvi em minha dissertação, e este artigo reorganiza o método documentário, para que seja possível pesquisar e identificar tipologias da ação extensionista. Assim, alguns resultados das entrevistas apresentados têm o intuito de exemplificar e refletir sobre o uso desse método para a extensão rural. O artigo disserta sobre a natureza do estudo e sua formatação, as dimensões de produção de informações, a partir das narrativas, e a análise interpretativa pelo método documentário.

Categorias iniciais de análise

Definida a natureza da pesquisa por um estudo de caso, avançou-se a uma leitura sobre uma unidade analisada no âmbito de uma abrangência, de uma complexidade e de uma diversidade do objeto. Os pressupostos de orientação da ação dos extensionistas rurais, orientados pela Política Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural foram o caso. Sua abrangência foi relacionada à microrregião de Chapecó, no oeste do Estado de Santa Catarina. Atentando para esse caso, a pesquisa se torna qualitativa (TRIVIÑOS, 2001), já que o objeto é um produto cultural (WELLER, 2010).

Uma categoria fundamental de análise do caso é o termo de extensionistas rurais. Esses extensionistas diferem do processo de extensão pesqueira ou universitária, por exemplo. Definiu-se por extensionistas rurais aqueles que atuam em instituições de extensão rural. Não obstante, as instituições congregam extensionistas, que já serve de critério para análise comparativa entre os profissionais. Esses elementos dão razão ao texto por ter uma análise individual e coletiva, unidade e diversidade (FREIRE, 1992).

As instituições de extensão rural em que os extensionistas atuam podem ser divididas de algumas formas. Peixoto (2014) divide os tipos de serviço de extensão, como segue: nacional geral; dirigido; de produtores; comercializado; e de mídia de massa. O recorte da pesquisa ocorreu pelo tipo extensão nacional geral. Dentro do tipo, há uma subdivisão, e nele, os serviços de extensão rural geral e de extensão pública contratada. A característica desses tipos de serviço é de uma abordagem padrão prestada pelo setor público.

As organizações privadas, os movimentos sociais, as organizações não governamentais (ONGs), as empresas privadas e cooperativas são orientadas pelas políticas públicas que estão ligadas à agricultura familiar. Nessa gama de instituições, há diferentes formas de financiamento para cada tipo de serviço. A pesquisa está apoiada no financiamento estatal e, aqui, se enquadram as chamadas públicas. As chamadas possuem planejamento, princípios e objetivos fundamentados em lei por um processo terceirizado (SILVA, 2013). Portanto, foram objeto: os serviços públicos municipal, estadual e os chamamentos públicos executados por cooperativas de trabalho.

Produção de informações

Para a seção de produção de informações, a técnica de entrevista semiestruturada só se fundamenta como método quando associada a um referencial teórico (WELLER, 2010). Diante disso, a semiestruturação da entrevista, a partir de um roteiro, serve como lembrete ao entrevistador. Permite, por um lado, o direcionamento das questões de pesquisa na dimensão das visões de mundo do entrevistado sobre os temas e, por outro, uma flexibilidade da conversa, podendo partir para caminhos emergentes da realidade empírica. Assim, a entrevista semiestruturada se constitui como uma conversa com finalidade (MINAYO, 2010).

De acordo com a mesma autora, a entrevista semiestruturada deve induzir a conversa sobre a experiência do entrevistado, numa narrativa que permita a interpretação das visões de mundo. Ou seja, deve-se questionar o como e não o quê, criando uma entrevista narrativa. Como estrutura, deve conter apenas alguns itens indispensáveis, visando a tópicos essenciais à resolubilidade do problema de pesquisa.

No caso, não foi aplicado um pré-teste da entrevista, no entanto, Minayo (2010) alerta que o roteiro deve ser gradualmente modificado no processo interativo com os entrevistados, para que possa delimitar melhor o objeto de estudo, permitindo, também, o processo reflexivo permanente do pesquisador. Não houve modificação porque o questionário permitiu a produção de informações do modo como se buscava de início, a saber: narrativas sobre o que pressupõem as questões cotidianas de atuação na extensão rural. Para produção e armazenamento das informações, utilizamos um aplicativo móvel de gravação digital, ligado ao microfone de um telefone.

Para análise das informações produzidas nas entrevistas semiestruturadas, ou entrevistas narrativas, o método documentário descrito por Weller e Otte (2014), Bohnsack e Weller (2010) e Manzini (2004) serviu de referência. Esse método busca analisar três níveis de sentido: o imanente, o expressivo e o documentário. Segundo os autores, é somente chegando ao nível documentário da análise que será possível entender o que revela a ação, no sentido da teoria escrita que se torna um documento. A análise é feita em cinco etapas: a organização temática; a interpretação formulada; a interpretação refletida; a análise comparativa; e a construção de uma tipologia.

Alguns estudos sistematizaram, a partir dos autores de referência citados e de outros mais, os métodos e a metodologia que fundamentam a questão da ação, seus elementos constitutivos de significados, o sentido e suas consequências. A revisão dos conceitos básicos sobre a pesquisa qualitativa crítica (CARSPECKEN, 2011), o método de coleta de dados da entrevista semiestruturada (MANZINI, 2004) e o método de análise documentária (BOHNSACK; WELLER, 2010; WELLER; OTTE, 2014), aliados à fundamentação teórica (FREIRE, 2015; HABERMAS, 2012a, 2012b), constituíram a metodologia da pesquisa.

Essa metodologia permitiu a junção das teorias da educação libertadora e da ação comunicativa, num processo coletivo e individual, dialógico e racional, crítico e reconstrutivo (FREIRE, 2015; HABERMAS, 2012a, 2012b).

A seguir, os itens detalham a discussão metodológica sobre o método de produção de informações da entrevista semiestruturada, o método documentário como estratégia analítica das entrevistas narrativas e as tipologias surgidas.

O método de produção de informações da entrevista narativa

Apesar de muito utilizado pela ciência social, é tarefa complexa e depende de uma análise pormenorizada do roteiro que guiará a entrevista. Entendendo isso, o artigo de Manzini (2004) e o de Weller e Otte (2014) auxiliam no roteiro e na entrevista.

Manzini (2004) afirma que a entrevista semiestruturada é uma conversa orientada para um objetivo estabelecido pelo pesquisador. Destaca que as principais questões da entrevista podem ser divididas em três partes: a) do planejamento da produção de informações; b) das variáveis que afetam as informações e a futura análise; e c) do tratamento e análise de informações advindas da pesquisa. Esse item contém a primeira e a segunda partes, ficando a terceira para um item posterior.

A entrevista narrativa é uma forma de realização da entrevista semiestruturada. A peculiaridade desse tipo de produção de informações é que o objetivo da ferramenta é reproduzir os pressupostos por meio de narrativas das experiências pessoal e profissional (WELLER; OTTE, 2014). Em outras palavras, a entrevista narrativa “não foi criada com o intuito de reconstruir a história de vida do informante em sua especificidade, mas de compreender os contextos em que essas biografias foram construídas e os fatores que produzem mudanças e motivam as ações” (WELLER, 2009, p. 5).

Para o planejamento da produção de informações, alerta Manzini (2004), é necessária a adequação da sequência de perguntas, a elaboração do roteiro, a apreciação do roteiro por meio de juízes externos, e a realização de uma entrevista piloto, com contínua qualificação. O roteiro tem a função de auxiliar o pesquisador a conduzir a entrevista para o objetivo pretendido pela pesquisa. A edição de perguntas, num roteiro, deve ser redigida de forma simples e direta, contemplando o contexto da entrevista.

Para isso, o seguinte parágrafo padrão escrito serviu para iniciar a conversa com todos os entrevistados: estamos realizando esta pesquisa, na microrregião de Chapecó (SC), sobre os pressupostos da ação educativa dos extensionistas rurais. A pesquisa está sendo elaborada no Programa de Pós-Graduação stricto sensu – Mestrado em Educação da Unochapecó. Acreditamos que, pela sua experiência e vivência com a Ater, poderia nos auxiliar com algumas questões. E, depois, havia uma explicação sobre a estrutura da conversa: a entrevista é aberta e está dividida em três assuntos: o primeiro é sobre a instituição em que atua.

Para a construção da questão por meio de narrativas, as perguntas devem iniciar pelos termos como ou de que forma. A primeira questão é fundamental para iniciar a conversa, com a certeza de que o entrevistado possa responder com um grau de facilidade. A pergunta utilizada para os entrevistados foi: Quando e como você iniciou o trabalho com Ater na instituição? Assim, de perguntas mais fáceis a mais difíceis é que o roteiro deve ser construído.

Esse material precisa também ser dividido em blocos temáticos de acordo com as questões de pesquisa. O bloco inicial contou com o tema atuar na instituição com seis questões para além da iniciação, para a organização da equipe e a semana de trabalho, sobre os recursos e sobre o planejamento profissional e institucional no reflexo da atuação. Na mudança de um tema ao outro, o roteiro pode indicar com uma afirmação padronizada ao entrevistado, por exemplo, “gostaria de falar, agora, sobre outro assunto?” O segundo assunto, ou tema, utilizado foi sobre a formação, e as questões trataram da graduação e de suas referências utilizadas no trabalho, bem como o uso de outros momentos formativos sobre a capacitação profissional e sua contribuição no trabalho e da avaliação pessoal da formação.

No terceiro e último assunto do roteiro, padronizamos questões sobre a base teórico- metodológica, iniciando com a seguinte pergunta: Poderia dizer como você realiza o trabalho com os agricultores nas atividades individuais? Após o entrevistado responder a essa primeira questão, a questão era complementada: e Como faz nas atividades coletivas? Além dessa pergunta inicial, era questionado sobre a aproximação desses métodos com as referências formativas, bem como os resultados do trabalho e, por fim, se questionava a variação da forma de pergunta: O que você está achando do seu trabalho desta forma?

Depois das perguntas, cabe fazer uma frase final como fechamento padrão para todos os entrevistados na forma de agradecimento à entrevista e o pedido do contato do entrevistado para retorno dos resultados da pesquisa.

Feito isto, Manzini (2004) orienta também a apreciação por juízes externos e a realização de entrevista piloto para a qualificação do roteiro da entrevista. Os juízes devem ser pessoas que possuam experiência na arte de entrevistar, na elaboração de roteiros e que tenham afinidade com o tema de estudo. Além do roteiro, deve ser entregue ao juiz uma descrição breve da pesquisa, o problema, os objetivos e a população que será entrevistada.

A pesquisa realizou a apreciação de juízes externos em dois momentos: no primeiro, a construção das questões do roteiro com dois profissionais, um com experiência em pesquisa e no outro com trabalho de extensão, e, depois, com os mesmos juízes, pelo texto dissertativo das interpretações refletidas. Essas trocas permitiram o diálogo e o aferimento das questões do roteiro, bem como da revisão estilística do texto dissertativo.

Para a entrevista piloto, o plano era fazer duas entrevistas com uma amostra da população. Da entrevista piloto, uma seria a apreciação da linguagem, da compreensão das perguntas feitas pelo entrevistador, da verificação da necessidade de alteração de perguntas, da verificação da necessidade de incorporação de perguntas ao roteiro original.

Manzini construiu um guia que auxilia na qualificação do roteiro:

Forma das perguntas: ao fazer as perguntas usou jargão? Usou expressões coloquiais? Usou palavras técnicas que não são familiares à população da pesquisa? Usou palavras e frases vagas? Fez perguntas com múltipla finalidade? Fez perguntas manipulativas? Usou ênfase adequada ou inadequada no tom de voz? Fez uso de palavras e frases emocionais? A extensão das perguntas permitiu compreensão por parte do entrevistado? Sequência das perguntas: seguiu estritamente a sequência das perguntas que estava no roteiro? A sequência das perguntas obedeceu a uma ordem por agrupamentos e temas? Indicou ao entrevistado as mudanças de temas? Seguiu uma sequência de perguntas por ordem de dificuldade de elaboração mental por parte do entrevistado? Abrangência do fenômeno estudado: todas as perguntas do roteiro foram feitas durante a coleta? Fez perguntas complementares? Essas perguntas deveriam fazer parte do roteiro original? As perguntas permitiram abranger o conceito estudado?

(2004, p. 21, grifo nosso).

Averiguando todas as questões do guia sobre cada pergunta do roteiro e compartilhando e dialogando com os juízes, já é possível avançar na aplicação das entrevistas narrativas.

O método documentário como estratégia de análise

O método de análise de informações denominado de documentário foi reconstruído numa perspectiva de fundamentação metodológico-científica para a pesquisa social empírica. O método era oriundo de um conjunto de escolas que estudavam sociologia e antropologia, principalmente, das tradições norte-americanas e alemãs, garantindo o caráter epistêmico e lógico desse tipo de conhecimento categorizado como qualitativo. Karl Mannheim é um húngaro que atuou pela sociologia do conhecimento e que fundamentou o método de análise documentário e, depois dele, Ralf Bohnsack reconstruiu o instrumento para uma atualização à pesquisa social empírica (BOHNSACK; WELLER, 2010).

Segundo os autores, numa primeira sistematização, o método documentário buscava uma indicialidade dos espaços sociais e das visões de mundo de grupos sociais. Ou seja, tentava entender um indício do que movia os grupos em certas configurações de atitudes, pensamentos, opiniões, sentimentos que permaneciam num aspecto comum, formando um espaço social comunitário, diferente de outras comunidades ou grupos sociais que se reconhecem e criam coletividades. Ultrapassava a fronteira de descrição dos fatos, de uma interpretação imanente ao objeto ou aos sujeitos. Numa perspectiva científica, não interpretava mais as coisas numa condição questionadora da expressão o que aprofundava uma postura de interpretação genética questionando como o fenômeno social se configura. Assim é que se fundamentou a postura sociogenética do pesquisador que não questiona mais a correção ou a verdade dos fatos, mas o que orienta os sujeitos a agirem, com base nos seus modelos de orientação e nas visões de mundo de seus respectivos grupos sociais.

Na perspectiva de interpretação sociogenética, há mais do que um sentido objetivo, natural e físico de um estado de coisas e, também, mais do que um sentido expressivo de enunciação de um falante, transmitido por meio de palavras ou ações, há um sentido documentário, que revela uma ação prática (BOHNSACK; WELLER, 2010).

Para entender o sentido documentário, os autores descrevem uma distinção de um objeto natural de um produto cultural. O objeto natural pertence ao meio nas suas características intrínsecas e imanentes. Já o produto cultural, por ser parte de uma ação humana, não pode ser entendido apenas nos seus sentidos objetivo, fisiológico ou físico. É necessário transcender aos sentidos expressivos e documentários para esgotar inteiramente seu significado. A arte e a religião são bons exemplos de ações humanas que não é possível entender delas apenas o sentido objetivo; no entanto, os autores alertam que esse tipo de interpretação pode surgir de grandes formulações teóricas para o cotidiano, pertencente a todo produto cultural derivado do agir humano.

Cada nível de sentido não pode ser confundido com o outro. Permitir que cada sentido seja teorizado de forma distinta, habilita a compreensão do produto cultural na sua totalidade. Assim, o método permite acesso não só à evidência ou intenção de ação, e, efetivamente, à estrutura da ação, que excede a perspectiva dos atores em si (BOHNSACK; WELLER, 2010).

O sentido documentário é apreendido a partir do contexto histórico e social onde o pesquisador se insere, pois “a postura genética é fundamental para a compreensão e explicação do sentido documentário das visões de mundo ou das orientações coletivas dos membros de um grupo, bem como o modus operandi de suas ações” (BOHNSACK; WELLER, 2010, p. 71).

O instrumento de análise auxilia o pesquisador na inserção de contextos sociais alheios, bem como na compreensão das visões de mundo, ações e formas de representação dos grupos. Fica evidente que o objetivo da análise documentária é “[…] a descoberta ou indicialidade dos espaços sociais de experiências conjuntivas do grupo pesquisado, a reconstrução de suas visões de mundo, do habitus ou do modus operandi de suas ações práticas” (BOHNSACK; WELLER, 2010, p. 72).

Explicando os conceitos implícitos na ação dos atores e identificando seu sentido, a pesquisa deve reconstruir a estrutura central presente nas visões de mundo do grupo, conforme mostrará a Figura 1 posterior. Não obstante, há, nas visões de mundo e pelos modelos de orientação, certas esferas internas e externas de relacionamento que reorganizam a ação e a comunicação. Por exemplo: um agricultor tem a liberdade de se comportar e falar como organiza suas atividades com o vizinho em que confia, mas não “abre”, sem confiança, ao extensionista que, teoricamente, seria a pessoa com maior possibilidade de colaborar. A separação das esferas impede o discurso aberto e afeta diferentes áreas da vida cotidiana (BOHNSACK; WELLER, 2010).

Fonte: Elaborada pelos autores com base em Bohnsack e Weller (2010).

Figura 1 Categorias operacionais de análise do método documentário 

Para tentar entender os componentes básicos da interpretação documentária do modelo de orientação coletiva, Bohnsack e Weller (2010) sistematizaram quatro pontos centrais que o pesquisador deve considerar para a análise desse método: saber diferenciar os sentidos de imanente, verbal e documentário; só ocorre se o processo discursivo for levado em conta; pressupõe a reconstrução detalhada das referências verbalizadas e como estão relacionadas entre si; e a dramaturgia do discurso, como elementos não linguísticos, e a identificação das metáforas de foco. Vale ressaltar que a dramaturgia surge como elemento de uma análise por meio do método do grupo de discussão, não se sobressaindo na análise das entrevistas narrativas.

O primeiro passo do método é a organização temática dos assuntos discutidos na entrevista. Antes de escutar o áudio digital e identificar os temas e subtemas, um relatório, logo após a entrevista, é feito com informações relativas ao contexto, como o local e a discussão como um todo. Para cada entrevista fez-se uma descrição, em nota digital, com auxílio de um aplicativo móvel, identificando as primeiras impressões.

Nas primeiras impressões, foi descrito o local, a hora, a condição de recepção e o momento da entrevista, fazendo, no final, uma análise provisória do que se percebeu da narrativa. A aplicação de um questionário, após a entrevista, auxiliou na identificação do perfil dos participantes. Feito isso, foi possível avançar para a identificação dos principais temas e subtemas com o tempo de duração de cada um, denominado também de “passagens”. Com isso, foi possível verificar a densidade de cada tema. Com a organização da temática, procedeu-se à transcrição das falas (BOHNSACK; WELLER, 2010, grifo nosso). O Quadro 1, a seguir, exemplifica a organização temática de uma entrevista.

Quadro 1 Exemplo de organização temática 

Atuação na instituição (27min45s)
1.Tema Principal (TP): Início na instituição e mudança de trabalho. 2min55s – 8min40s
Passagem: trajetória pessoal.
2.TP: Organização da equipe de trabalho. 8min55s – 15min45s
3.TP: Semana de trabalho e planejamento.15min55s – 18min
4.TP: Planejamento participativo anual. 18min – 20min58s
5.TP: Plano de trabalho cooperativa. 21min10s – 23min25s
6.TP: Recursos internos. 26min50s – 30min40s
Formação (22min11s)
1.TP: Formação de técnico agrícola e agronomia. 31min26s – 38min55s
2.TP: Capacitação. 43min – 45min20s
3.TP: Capacitação da Cooperativa. 46min – 48min
4.TP: Avaliação da formação no trabalho. 48min30s – 53min37s. Passagem: Continuação da formação.
Bases teóricas e metodológicas (28min)
1.TP: Atividades com famílias. 54min – 65min10s. Passagem: abordagem inicial com a família.
2.TP: Atividades coletivas. 65min 20s – 71min42s
3.TP: Aproximação dos métodos às referências. 72min – 75min23s
4.TP: Resultados da extensão. 76min – 78min30s
5.TP: Avaliação do trabalho. 79min50s – 82min. Passagem: Parcerias de Ater.

Fonte: Elaborado pelos autores com base em Bohnsack e Weller (2010).

Diante da organização da temática, o próximo passo é a interpretação formulada, que remete ao sentido imanente do discurso, distinto ainda do documentário. A descrição dessa interpretação deve trazer o conteúdo das falas numa linguagem compreensiva a quem não teve contato com a entrevista e não pertence ao contexto social pesquisado. A descrição das expressões não linguísticas entram em cena na perspectiva de visualizar o quadro de entendimento (BOHNSACK; WELLER, 2010, grifo nosso). Para cada entrevista, são registrados os temas principais da organização temática que interessam ao desenvolvimento do objetivo da pesquisa e se transcreve, de um lado, e se interpretava de outro, conforme o Quadro 2.

Quadro 2 Transcrição e interpretação formulada das entrevistas 

Transcrição Interpretação Formulada
JD: Olhando para todo esse histórico e esse processo que aconteceu no teu trabalho, o que tu estás achando do teu trabalho assim?

OC: É, para mim é bom porque, por exemplo, a gente se depara com uma realidade diferente da outra. No início, eram 72 famílias quando eu entrei. Hoje é 60 e… porque em [município da região], foram para cidade algumas famílias. Então, de 66 ou 67, tem que olhar bem certinho lá. Mas assim, cada propriedade é uma realidade diferente, é um, digamos assim, o método de trabalho é parecido, mas os detalhes não repetem uma na outra, é tudo uma diferente da outra. Mas daí então a gente vai assimilando um pouco de cada uma e, então, eu vejo, e faço uma análise coletivamente, aquela que eu vejo que realmente funciona, que tem viabilidade, que está funcionando, que dá resultado, a gente procura utilizar pra gente, implantar para a gente, entende e também para demais do grupo. Ah! O rapaz fez assim e deu certo, digo assim, para ele, uma pastagem, digamos, por exemplo. Ele fez desse jeito, deste assim, está certo.
Olhando para o trabalho, o extensionista avalia como bom, pois das 72 propriedades em que trabalhou, mesmo utilizando um método parecido, as propriedades não repetem uma da outra.

A partir de uma análise coletiva, assimila a especificidade de cada propriedade, e identifica qual tem viabilidade financeira. Identificando as especificidades e os resultados, utiliza para a própria propriedade, como agricultor, e para os demais do grupo, no ato de extensão.

Fonte: Elaborado pelos autores.

Com a transcrição da interpretação formulada, inicia-se o processo de interpretação refletida, reconstruindo o modelo de orientação do indivíduo que é representante social do grupo. A reconstrução ocorre na interpretação do sentido documentário pela organização do discurso, decorrendo da interpretação formulada. A interpretação formulada dá conta da estrutura e da reflexão sobre o conteúdo do discurso, de um quadro de referência, das ações do indivíduo e das motivações das ações (BOHNSACK; WELLER, 2010, grifo nosso). Em palavras mais simples, a primeira interpretação questiona o quê?, e a segunda, como? acontecem as experiências dos extensionistas. Essa diferença de questionamento se reflete em dois momentos de análise distintos: o de primeira ordem, perguntando o quê?, e o de segunda ordem, perguntando como? (WELLER, 2005).

No exemplo de uma interpretação refletida a partir do Quadro 2, foi criado o seguinte texto: “É notável que a atuação do profissional disponibiliza elementos empíricos para análise, a partir dos quais julga, pelo seu quadro de entendimento, as atividades que realmente funcionam. Constrói da análise a necessidade de um ponto de equilíbrio entre viabilidade financeira e vida útil dos empreendimentos”. A interpretação de vida útil, por exemplo, ocorre de outra passagem. Essa interpretação de toda a narrativa da entrevista permite a reconstrução do quadro de entendimento do extensionista, ainda de maneira individual.

Para construir a interpretação refletida de cada entrevistado, se organizou a reconstrução semântica do pressuposto da ação em uma nota separada. Para cada entrevista, cinco questões eram respondidas, quais sejam: Como foi a organização do discurso da entrevista? Esta primeira questão tinha o intuito de entender a construção lógica da narrativa; as três próximas foram relativas às questões de pesquisa, a saber: Como as instituições de extensão rural delimitam a atuação profissional? Como a trajetória da formação do profissional referencia a própria atuação? E, ao fim, Como a base teórico-metodológica do profissional fundamenta sua atuação profissional? Tendo essas questões respondidas para cada entrevistado, foi elaborada uma questão-síntese: Como os pressupostos da ação referenciam a atuação do profissional? Com tudo isso, obteve-se um total de 51 páginas de interpretação refletida, com uma média de 5,5 páginas por entrevistado.

Com a interpretação refletida, foi possível ter um sentido documentário ao indivíduo, o extensionista, mas ainda não possibilitava a confirmação do modelo de orientação da extensão. Ela acontece no momento da comparação, em contraste mínimo ou máximo. Essa etapa é denominada de “análise comparativa”, cujos modelos de orientação dos representantes sociais são passíveis de confirmação. Isso ocorreu no processo de análise interna das passagens literais, dos temas comuns e da forma do discurso por diferentes indivíduos a mesmos temas. É somente nessa etapa que há uma possibilidade de comprovação e de validação do discurso que segue pelos distintos modelos de orientação dos grupos e, por conseguinte, pode ser identificado um modelo de orientação aos grupos sociais pertencentes a um contexto (BOHNSACK; WELLER, 2010; BOHNSACK, 2011, grifo nosso).

Vale o destaque: foi a partir das respostas da última questão de cada entrevistado que fizemos a comparação, a aproximação e o distanciamento dos discursos dos extensionistas, para, depois, fazer uma leitura mais próxima dos temas, das passagens e da forma do discurso. Ou seja, era mais importante a questão relativa às bases teórico-metodológicas da ação para entender os pressupostos, objeto da pesquisa, e a formação e a condição dentro da instituição serviam de explicação contextual para os atos.

Com a identificação e a confirmação de um modelo de orientação que se repete no discurso de distintos grupos ou de diferentes modelos que agem para uma mesma situação, foi possível a construção de tipos pelos modelos de orientação, organizado a partir de uma tipologia que se diferencia e se identifica (grifo nosso). Segundo Bohnsack e Weller (2010), “a validade e a generalização de um tipo ou modelo de orientação, construído empiricamente, depende da multiplicidade e multidimensionalidade que um caso pode adquirir no âmbito de uma tipologia maior” (p. 86). Com base nessa multidimensionalidade, foram construídas as tipologias da ação extensionista.

Emergiram da análise três tipologias da ação extensionistas: o especialista-individual, o especialista-grupal; e o generalista-grupal. E foi possível identificar, ainda, a categorização em pressupostos epistemológicos, teóricos, metodológicos e práticos.

Assim, o tipo especialista-individual pressupõe sua autoridade referenciada em um saber técnico-científico (pressuposto epistemológico). Esse saber é vinculado ao sistema de criação de leite, criando uma teoria singular de especialista, à medida que autonomiza uma fonte própria de saber, sua consciência (pressuposto teórico). Para experimentar sua teoria técnico-científica, utiliza os sistemas de produção de leite nas unidades camponesas pelo método de difusão, disseminação e repasse de informações e tecnologias agrícolas e agroecológicas viáveis (pressuposto metodológico). Com isso, age enunciando atos de fala propositivos, objetivando a operacionalização das atividades técnicas, no sistema de produção realizadas pelo camponês (pressuposto prático).

O tipo generalista-individual pressupõe sua vivência campesina profissionalizada pela agronomia com vínculo de conhecimento de uma lógica produtiva de trabalho rural-agrícola (pressuposto epistemológico). Esse conhecimento está ligado ao rigoroso esquema conceitual que articula uma gama de tecnologias agrícolas às diversas identidades rurais, tanto do extensionista como dos camponeses (pressuposto teórico). Por tal razão, utiliza, de igual modo, métodos dialógicos e difusores de tecnologia para ampliar a dinâmica das unidades camponesas de acordo com cada sistema produtivo (pressuposto metodológico). Com tudo isso, utiliza a observação e a escuta para o entendimento da situação da produção econômica camponesa e atos de fala propositivos, objetivando a melhoria do sistema produtivo, restrito pela proposta limitadora das instituições de extensão rural (pressuposto prático).

Por fim, o tipo generalista-grupal pressupõe uma visão de mundo universal e local, ao pensar a ação cotidiana da humanidade num entendimento de desenvolvimento rural sustentável na inter-relação dos conhecimentos (pressuposto epistemológico). Para isso, precisa articular teoria e prática para construir uma base teórica da técnica agrícola, em evidência a olericultura, num processo agroecológico/sustentável, na perspectiva da relação com a cultura camponesa para a educação e para a integração social (pressuposto teórico). Por tal razão, os momentos de fala e escuta se expressam numa relação de duplo interesse, em métodos de referência grupais e dialógicos (pressuposto metodológico). Efetivam suas ações pelo apoio das instituições de extensão vinculadas ao saber experiente que lhes permite definir o próprio trabalho, expressando sua autonomia (pressuposto prático).

Para a primeira tipologia, o especialista-individual, as condições de atuação nas instituições são limitantes tanto na organização e no planejamento da equipe como na proposta que extrapole os âmbitos de desenvolvimento agrícola para o rural. Essa tipologia marca o modelo de desenvolvimento realizado no Brasil. A utilização de metodologias de extensão rural, aliadas a um conhecimento teórico do campesinato, evidencia carências dessa ação educativa. Isso permitiria o desenvolvimento de uma epistemologia mais multidirecional, no sentido de promover outras fontes de saber, não somente aquela técnico-científica e, além disso, incluir os outros na ação comunicativa (HABERMAS, 2012b). O desafio da tipologia genérico-individual está em conseguir efetivar suas atividades no âmbito de seus pressupostos epistemológico-teóricos, pois a condição prática de atuar nas instituições de extensão limita enormemente a ação educativa fazendo-a recair na perspectiva produtivista. Por último, o desafio da tipologia genérico-grupal aparece na dificuldade de reprodução desses pressupostos de ação extensionista. Há poucos representantes sociais.

Considerações finais

A extensão rural tem avançado em estudos das ciências agrárias. Como ciência interdisciplinar, todavia, o método documentário possibilita um avanço metodológico oriundo das ciências sociais, para que a extensão rural possa ampliar seus horizontes de atuação, em particular, sobre a ação extensionista. O texto permitiu uma reorganização do método e explicitou exemplos de aplicação para os profissionais das ciências agrárias, possibilitando que outros pesquisadores utilizem esse material como apoio de pesquisa.

O resultado do método pode citar a emergência de três tipologias, até então distintas das análises feitas por teóricos que verificaram, em grande medida, metanálises sobre as formas de ação e tentavam encaixar, nelas, profissionais, concluindo, com univocidade, sobre contradições teórico-práticas. Com esse método, é possível, mais do que identificar essas contradições dos profissionais, compreender que seus modos de organização intelectual precisam ser arranjados de tal forma que possibilite uma atuação segura, e a complexidade disso é conquistada ou reformulada por meio de perspectivas educativas/formativas e por meio de condições de atuar, seja como elas forem.

Para tanto, o principal resultado alcançado com o método documentário foi a obtenção de tipologias desde as experiências dos extensionistas. O alcance disso pela conversa com finalidade, revelou uma estrutura básica de atuação profissional, e, ademais, responde à questão: Por que os extensionistas fazem o que fazem? Isto é, Por que são mais ou menos dedicados à política nacional. Consequentemente, serve para que os gestores das políticas e outros profissionais, como professores, possam redirecionar suas ações para fazer com que os extensionistas estejam mais afinados com o direcionamento nacional.

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Recebido: 23 de Abril de 2020; Aceito: 04 de Agosto de 2020

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