Introdução
Os processos de internacionalização das universidades brasileiras são parte dos elementos que estão no cerne acadêmico, vinculados ao ensino (graduação) e a pesquisa (pós-graduação). Os interesses das comunidades globais, locais e dos próprios membros das instituições de Educação Superior no Brasil e no exterior fazem com que se abra um debate sobre suas especificidades. Isso porque, essas atividades permeiam o tripé constitucional brasileiro (ensino, pesquisa e extensão) e estão contempladas nos contextos emergentes sociais e geopolíticos mundiais (MOROSINI, 2014).
O conceito de internacionalização pode ter diversos “sentidos”, por isso, gera algumas ideias equivocadas devido ao fato que as conotações nas diversas áreas geográficas mundiais podem repercutir nas formas de entende-lo e aplicá-lo. O fenômeno pode ser diferenciado, já que cada país vive em situações próprias que se articulam nas ações locais e globais: “es posible que, internacionalización, en cuanto tal, en cuanto expresión lingüística que remite a una determinada actividad, fruto de un proceso observable, que bien puede integrar un concepto, pueda tener varios sentidos” (ZERTUCHE e TORRES, 2009, p. 28).
Assim sendo, a conceituação vem sendo trabalhada e discutida em diálogo com aqueles que estão interessados pelo processo. As universidades têm, ao longo dos anos, demonstrado cada vez mais, estar em comunicação para estabelecer o que a internacionalização significa, passando por missões de pesquisa, mobilidade docente e discente, convênios de dupla formação, redes de estudos e pesquisas e os currículos. Portanto, ganha cada vez mais força, sendo um tema de extrema pertinência para ser socializado e debatido nos âmbitos educativos e políticos. Isto significa dizer que, dialogar sobre internacionalização é um pensamento inevitável no vínculo entre universidade e globalização.
Este artigo está vinculado ao projeto “Internacionalização da Educação Superior em contextos emergentes: descobertas e reflexões”, desenvolvido pelo Grupo de Estudos sobre Universidade (GEU/Unemat/UFMT), coordenado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Este é um grupo de pesquisa interinstitucional que tem como objetivo analisar os sistemas de Educação Superior e suas transformações na perspectiva de seu desenvolvimento institucional e suas interrelações com a Educação Básica (PROJETO, 2021).
O projeto citado congrega sete instituições brasileiras5 e uma universidade do México6. Tem como objetivo mapear estratégias de práticas para estudantes, professores, cursos e Instituições de Educação Superior relativo aos contextos emergentes, no que tange especificamente as atividades de internacionalização.
Sua relevância científica encontra fôlego na possibilidade de reconhecimento das ações de internacionalização e consolidação dos grupos e redes de pesquisa nacionais e internacionais por meio da socialização do conhecimento produzido. Politicamente, a relevância possibilita a construção de novos cenários institucionais dialógicos superadores dos limites de isolamento de pesquisadores e instituições sejam geográficos ou institucionais; assim como, indicadores das práticas de internacionalização nos países elencados no estudo (Brasil, Argentina, México, Paraguai, Uruguai e Chile).
Este artigo, em específico, traz a análise produções acadêmicas que exploram o tema Internacionalização da Educação Superior, com base em dissertações e teses brasileiras, além de artigos de periódicos latino-americanos (2012/2022). A metodologia adotada foi o estado do conhecimento (MOROSINI, 2006) sobre a Internacionalização da Educação Superior e, para análise de conteúdo utilizou-se Bardin (1977).
O texto está dividido em cinco partes contando com essa introdução, onde se aponta a problemática de estudo. Na segunda, abordam-se os procedimentos metodológicos utilizados nesta investigação; na terceira e na quarta parte apresentam-se os dados coletados nos estados de conhecimentos composto por artigos latinoamericados da base Scielo, teses e dissertações rastreados na Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD) do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict). E por fim, as conclusões pontuais dos estados de conhecimento realizados.
Metodologia
O estado de conhecimento é fundamental para qualquer pesquisa que se pretenda realizar, por meio dele se conhece o que já foi produzido e sistematizado a respeito do assunto e do que ainda pode ser investigado no campo. A delimitação do tema e do objetivo são passos importantes para a realização deste tipo de pesquisa, deve-se, neste caso, delimitar o que se quer descobrir (MOROSINI, 2006). Desse modo, o pesquisador mantém o foco quando faz a busca, tendo clareza do que pretende conhecer e compreender.
A pesquisa ampara-se em Bardin (1977) em que a análise de conteúdo não deve ser utilizada apenas para proceder a uma descrição do conteúdo das informações, sua principal finalidade é a inferência de conhecimentos relativos às condições da produção com a ajuda de indicadores. Além disso, a abordagem analítica dos dados coletados foi quantitativa (SANTOS FILHO e GAMBOA, 2009) que considera o objetivo exploratório descritivo desta pesquisa. Esses pressupostos metodológicos garantem uma reflexão teórica sobre a realidade em função da ação para transformação (FRIGOTTO apudFAZENDA, 1989).
O procedimento metodológico adotado foi o estado de conhecimento (MOROSINI, 2006) sobre Internacionalização da Educação Superior com a finalidade de mapear artigos de revistas indexadas na Biblioteca Eletrônica Científica Online (Scielo). A escolha dessa plataforma se justifica por ser uma biblioteca digital de livre acesso que publica artigos em português, inglês e espanhol (SCIELO, 2023) aportando o escopo da América Latina. Já o levantamento bibliográfico acerca das teses e dissertações defendidas em programas de pós-graduação de Instituições de Educação Superior brasileiras, foi o BDTD do Ibict. O descritor para os dois casos foi “Internacionalização da Educação Superior”.
A partir do descritor citado, considerado o recorte temporal (2012/2022), encontramos 166 teses e dissertações. A abordagem analítica é quantitativa levando em consideração o objetivo exploratório descritivo do projeto de pesquisa. Os trabalhos foram rastreados na BDTD do Ibict. Desses, foram analisados os títulos, palavras-chave, resumo e objetivos para verificar quais se enquadraram no escopo da investigação. Foram excluídas 14 pesquisas, e do total foram analisadas 51 teses e 101 dissertações.
Quanto ao número de artigos levantados no banco de periódicos da CAPES, utilizando o mesmo descritor, foram identificados 205 trabalhos, o planificá-los para análise dos títulos, palavra-se chave, resumo e objetivos identificamos muitos títulos repetidos, que, foram eliminados já nessa etapa da coleta.
O mapeamento dos artigos, tem como resultado um panorama quanto aos países com maior e menor número de publicações da temática, além dos autores mais citados e suas respectivas nacionalidades, incluindo o quantitativo de palavras-chave que mais aparecem nos artigos selecionados. Já das teses e dissertações apresentam um quantitativo das publicações, total de publicações por região, bem como o quantitativo de palavras-chave. Esses dados contribuem na identificação do quanto a temática tem ganhado relevância na última década, e quais países há maior destaque para a pesquisas sobre a Internacionalização no Ensino Superior.
O que dizem os artigos latino-americanos
A metodologia deste estudo adotou os princípios do estado de conhecimento (MOROSINI, 2006) tendo como corpus analítico os artigos dos periódicos indexados na Plataforma gratuita Scielo nas três línguas: português, inglês e espanhol. A atividade desenvolvida apresenta com clareza o que Fazenda (1989) assevera: ao proceder uma revisão bibliográfica sistematizada do tema escolhido, defronta-se com um grande número de obras, aqui no caso de artigos. Inúmeras vezes, um tema bastante pesquisado, como é o caso da Internacionalização da Educação Superior, pode garantir a abertura a novas formas de investigação que revela aspectos ainda não desvelados, mas também relevantes para sua compreensão.
Nesta direção, optou-se por buscar os descritores nos três idiomas que os artigos são publicados: “Internacionalização da Educação Superior; Internacionalización de la Educación Superior e Internationalization of Higher Education”, com recorte temporal de 2011 a 2022. No total, foram identificados 205 trabalhos. É válido salientar que o quantitativo número era maior, porém, alguns deles encontravam-se repetidos, e por isso, foram eliminados já nessa etapa da coleta. A disposição temporal dos artigos pode ser visualizada na figura 1.
Alguns destaques podem ser feitos a partir de um mapeamento pontual ano a ano dos artigos, há um número significativo (143) de textos publicados a partir de 2017 que tratam acerca da Internacionalização da Educação Superior. É oportuno relembrar que em 2015, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) publica materiais com os seguintes títulos: “Educação para a cidadania global: preparando alunos para os desafios do século XXI” e “Educação 2030: rumo a uma educação de qualidade, inclusiva e equitativa, e à educação ao longo da vida” que são pertinentes à temática da Internacionalização. Muitos outros organismos multilaterais incentivaram e oportunizam a globalização da Educação Superior, isso é perceptível a partir de 2017 até o ápice de 32 artigos na Plataforma em 2021.
Os resultados encontrados no estado de conhecimento das revistas latinoamericanas foram sistematizados em países da publicação, sendo que 97 artigos (47%) foram socializados em revistas brasileiras. O México ocupa a segunda colocação; seguidos da Colômbia e de Cuba. Argentina, Chile, Costa Rica, África do Sul, Equador e Portugal são os outros países mais citados, retirando-se alguns que tem um quantitativo de apenas um estudo, conforme observado na figura 2.
O Brasil é um expoente em publicações sobre a temática neste recorte temporal analítico. Seguido pelo México como Gacel-Avila (2000, p. 48) sugere: “Las Instituciones de Educación Superior mexicanas deben tomar la iniciativa en la internacionalización, en lugar de reaccionar ante fuerzas externas de la globalización, como la del mercado o los ofrecimientos de cooperación internacional hechos por extranjeros”. A maior parte dos artigos está publicada em língua portuguesa e das três revistas com maior quantidade, duas são brasileiras.
Os 205 artigos estão distribuídos em 105 revistas no Scielo. Tais resultados expressam a veiculação de um índice significativo de 34 artigos desta amostra em revistas indexadas do Brasil. A primeira é a Revista da Avaliação da Educação Superior é um expoente com 24 artigos sobre a temática, é uma publicação da Rede de Avaliação Institucional da Educação Superior (RAIES), da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e da Universidade de Sorocaba (UNISO). Tem como missão contribuir para o desenvolvimento dos estudos e pesquisas sobre educação superior, em especial sobre avaliação institucional da educação superior e temas relacionados com as tendências e as políticas da educação superior e ciência e tecnologia7 .
A segunda colocação é ocupada pela Educação em Revista é uma publicação do Programa de Pós-Graduação em Educação, Faculdade de Educação (FAE) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) conta com 10 artigos do montante geral. Possui como objetivo contribuir para a divulgação de conhecimento científico no campo da educação, produzido por pesquisadores/as de universidades e instituições de pesquisa do Brasil e do exterior8.
Logo em seguida, nove artigos são da Revista de la Educación Superior (RESU) que é um meio que visa publicar textos acadêmicos originais sobre a Educação Superior mexicana, aberto à dimensão internacional. Os seus destinatários são tanto investigadores que trabalham com questões do ensino superior como gestores, especialistas e interessados no planeamento, avaliação e gestão de instituições e sistemas de ensino superior9.
Analiticamente para aprofundar a investigação, optou-se por trabalhar com duas categorias: os autores mais citados nas referências dos artigos e as palavras-chave que identificam de modo sintético o que o artigo objetivou. A figura 3 ilustra os autores mais citados com as respectivas nacionalidades.

Fonte: Elaborada pelas autoras (2023).
Figura 3 Autores mais citados no referencial teórico dos artigos analisados, assim como as nacionalidades
Para Mayer e Catalano (2018) a internacionalização da Educação Superior acontece em projetos de política pública nas quais coexistem vantagens e desvantagens para os países. Subsistem nesse processo, jogos de poder nas instituições em situação de desconhecimento dos contextos periféricos e das sociedades marginalizadas, permitindo que somente alguns setores da população sejam beneficiados por essas ações.
Deste modo, “refiere a diversos esquemas de relaciones de poder, así como a la acumulación de ventajas y vicisitudes vinculadas a las movilidades en la modernidad y fundamentalmente los efectos de la globalización en las sociedades contemporáneas” (MAYER E CATALANO, 2018, p. 19). Isso implica pensar sobre a importância de refletir em torno do tema, quais são os esforços e fatores que ponderam e promovem as universidades para alcançar uma melhor qualidade educativa.
A figura 4 apresenta o número de palavras-chave de destaque nos manuscritos rastreados na base de dados Scielo, destaca-se que foram identificadas 863 palavras-chaves nos 205 estudos. Destes, apresenta-se as palavras com maior incidência, observando que Internacionalização e Educação Superior obtiveram destaques dentre as demais palavras.

Fonte: Elaborada pelas autoras (2023).
Figura 4 Palavras-chaves de destaque quantitativo nos artigos
A internacionalização está ligada ao conceito da interculturalidade, cooperação internacional e mobilidade acadêmica. Knight (2020, p. 45) aponta que a internacionalização da Educação Superior supõe a integração da dimensão “intercultural en la enseñanza, la investigación y el servicio de la institución”. A interculturalidade embarca reconhecer as diversas culturas e sociedades, respeitar as pluralidades, as origens e dar espaço nas instituições de ensino a qualquer candidato respeitando sua origem étnica. Gacel-Avila (2000, p. 122) afirma de igual forma ao dizer que a interculturalidade unida a internacionalização busca “incluir a los diferentes grupos culturales y étnicos representados al interior de un país”.
O que discutem as teses e dissertações
Em outro estado, o de conhecimento realizado pelos membros do GEU/Unemat/UFMT (ARALDI, PASINI e NEZ, 2022) que compõem o mesmo projeto de pesquisa coordenado pela UFRGS, foram identificados 166 trabalhos defendidos na última década no Brasil com o mesmo descritor. A abordagem analítica é quantitativa levando em consideração o objetivo exploratório descritivo do projeto de pesquisa. Os trabalhos foram rastreados na BDTD do Ibict. Desses, depreendida uma análise detalhada dos títulos e palavras-chave foram excluídos 14 estudos, pois não se enquadraram no escopo da investigação. Dos 152 estudos classificados, 51 são teses e 101 são dissertações.
Infere-se, a partir dos dados, que há uma incipiência de investigações até o ano de 2015 (37 estudos distribuídos entre 2011/2015), por outro lado, houve maior concentração quantitativa de teses/dissertações defendidas entre os anos de 2016 e 2018 (89 trabalhos), indicando o início de reflexões elaboradas e aprofundadas a partir deste período. Observa-se que em 2020 a produção de artigos sobre o tema está em declínio; altos e baixos podem estar ligados aa exploração e o cuidado com que os países abordaram o tema da exploração recente. Isso corrobora com a investigação realizada no Scielo.
Os resultados apontam a complexidade e ambiguidade do conceito de internacionalização e as ações que as instituições têm levado a cabo para fomentar um ambiente intercultural entre os seus alunos, que permita a sua incursão em várias línguas e em que a flexibilidade curricular, se destacam, já que concede que estudantes e professores transcendam os limites económicos para aceder aos domínios da experiência remota e presencial através do intercâmbio e da mobilidade académica. Chama a atenção o número expressivo de trabalhos defendidos nos Programas de Pós-Graduação em Educação (25 teses; 34 dissertações) e em Administração (5 teses; 19 dissertações). Com relação à distribuição dos estudos, verificar o quadro 1.

Fonte: Elaborada pelas autoras (2023). Legenda: *Sudoeste: região situada entre o sul e o oeste do contexto brasileiro.
Quadro 1 Distribuição de teses e dissertações a partir das regiões brasileiras indicadas nos trabalhos
Os estados brasileiros com maior concentração de pesquisas com a temática são: Rio Grande do Sul, Ceará, São Paulo e Rio de Janeiro. A Região Sul detém 54 trabalhos (23 teses; 31 dissertações), seguida da Região Sudeste com 52 estudos (18 teses; 34 dissertações). A região com menor número de pesquisas foi a Região Norte, com apenas 3 dissertações. Tais resultados expressam a necessidade de ampliação de discussões relacionadas a temática da internacionalização em todas as regiões do território nacional e não apenas focalizado em alguns espaços/universidades.
A Figura 6 expressa a quantidade de palavras-chave encontradas nas dissertações e teses sobre a temática da internacionalização, as quais se referem à: internacionalização (50), Ciência sem Fronteira (23), Educação Superior (21), Internacionalização da Educação Superior (17), Ensino superior (11), Política pública (10), Pós-Graduação (10), Internacionalização do Ensino Superior (9), Avaliação (8), Mobilidade acadêmica (8), Capes (6), Globalização (6), destacam-se que foram elencadas as com maior incidência de um total de 649 palavras-chave.

Fonte: Elaborada pelas autoras (2023).
Figura 6 Palavras-chaves de destaque quantitativo nas dissertações e teses.
Diante dos resultados apresentados, destaca-se que este estudo se insere num contexto em que a discussão sobre internacionalização das universidades está cada vez mais presente no cotidiano do fazer acadêmico, o que se identifica no aumento progressivo das investigações. A Internacionalização da Educação Superior é um processo necessário e não um fim em si mesmo, deve estar alinhada aos desafios de uma sociedade globalizada, intercultural e sustentável.
O mapeamento dos estudos realizados na última década, explicita a possibilidade de conhecer e compreender a Internacionalização da Educação Superior nos vários espaços formativos, subsidiando, reflexões que resultem em indicativos de políticas institucionais para sua implementação. Ainda, os interesses das comunidades globais, locais e dos próprios membros das Instituições de Educação Superior no Brasil e no exterior fazem com que se abra um debate sobre sua especificidade. A investigação realizada reflete sobre o modelo, as ações, as práticas e a abordagem teórica existente nas instituições concernente a Internacionalização da Educação Superior.
Este trabalho abre a oportunidads de continuar a analisar as ações que as instituições regionais e estrangeiras têm iniciado para não deixar esta questão na abstração, mas sim em ações práticas que influenciam os alunos, os seus professores, os currículos e os planos de estudos. O diálogo e o apoio mútuo entre as universidades devem ser contínuos, bem como atualizações que permitam à comunidade universitária o acesso a oportunidades e experiências de crescimento e reconhecimento de outros espaços e formas de conhecer o mundo, e em geral, de enfrentar a globalização, as pandemias, os desafios económicos e tecnológicos que já vivemos hoje.
Conclusões
O campo de estudos da Educação Superior é o espaço formado por instituições universitárias e não-universitárias de vital importância para o projeto político dos países. Possui características específicas de acordo com processos históricos locais/regionais e globais e mantém relações com a dinâmica internacional da geopolítica do conhecimento (NEZ e MOROSINI, 2020).
A originalidade dessa pesquisa se insere num contexto em que a discussão sobre internacionalização das universidades está cada vez mais presente no fazer acadêmico, o que se identifica no aumento progressivo dos estudos e pesquisas identificados no estado do conhecimento latino-americano, como também em estudos que identificaram as teses e dissertações brasileiras.
Neste processo, as universidades devem desempenhar um papel fundamental, que se materializa na formação de quadros profissionais capazes de se adaptar e atuar com eficácia na nova realidade global internacionalizada, intercultural e sustentável.
O tema não deve ficar apenas em observação, importa continuar a debater e a gerir atividades que a promovam a ação. Esta revisão da literatura sobre os estudos é um parâmetro que permite visualizar como ano após ano este tema tem ganhado força e interesse por parte de autores e autoridades educacionais na América Latina. Enfrentam-se mudanças vertiginosas nos paradigmas, perfil das instituições, acesso ao conhecimento e ensino que conduzam à procura de novas abordagens metodológicas, enquadramentos e relações de diálogo interdisciplinar, apoio entre universidades e responsabilidades coerentes com as dinâmicas educativas atuais.
O retorno à origem dos conceitos ligados à Internacionalização da Educação Superior como universalidade e interculturalidade, torna visível a dinamização dessas categorias ao longo do tempo e como elas foram significadas em diferentes países. Além disso, permite analisar as intenções e intensidades com que os países enfrentam a tensão entre globalização e regionalização, pois mostra como atendem regionalmente suas próprias necessidades e problemas educacionais, sem perder de vista o que ocorre no contexto macro educativo.
A pesquisa neste artigo, que teve como finalidade a constituição de um estado de conhecimento sobre a internacionalização da Educação Superior, com recorte temporal de dez anos nas amostras elencadas, cumpriu seu objetivo quando subsidia reflexões que resultem em indicativos de políticas internacionalizadas. Dos países latino-americanos, tanto o México quanto o Brasil possuem produções significativas como os periódicos salientam.
Para além disso, é fundamental que as pesquisas futuras desta investigação, sejam o desdobramento analítico do estado de conhecimento, considerando outros elementos que possam agregar valor teórico-empírico. Finalmente, destaca-se que este trabalho tem sido revigorante ao mostrar a radiografia panorâmica do estado do conhecimento e abordagens sobre a internacionalização da Educação Superior na América Latina.
Há, desse modo, um horizonte de possibilidade para a continuidade destes estudos numa perspectiva qualitativa que possa ampliar este trabalho e investigar o impacto e a interferência que tiveram os discursos sobre a internacionalização da educação e as políticas que têm sido geridas para tangibilizar a internacionalização nas instituições

















