Breve contextualização
Mais uma edição concluída! Mais uma conquista obtida pela Revista Internacional de Educação Superior [RIESUP] em cumprir com a modalidade de publicação contínua. Somos a única publicação no Portal de Periódicos Eletrônicos Científicos a estar adiantada em dois anos com suas edições. Isso é um privilégio no meio acadêmico, de poder estar agilizando a publicação dos artigos na medida em que são aprovados.
Queremos, aqui justificar, que a RIESUP tentou ao máximo realizar com rapidez as avaliações, mas isso nem sempre foi possível. Com a pandemia, muitos dos nossos pareceristas tiveram acúmulos em seus trabalhos de forma remota, e a avaliação foi mais uma das atribuições em suas rotinas. Com a avalanche de trabalhos que recebemos, muitos artigos ficaram com seu período de avaliação longo demais, mas nada que pudéssemos, nesse momento, estar colocando todos os artigos que foram submetidos no ar. Graças ao trabalho coletivo da equipe, conseguimos efetuar a publicação de mais uma edição, e colocar outra em andamento. Como dizia o bom e velho Marx, as circunstâncias históricas são sempre determinantes! Este caso não fugiu a essa análise de conjuntura.
Em se tratando de inovações, a RIESUP a partir da edição de 2023, passou a adotar recursos multimídias para tornar a revista mais acessível, e propagar o marketing digital fomentando a visibilidade da publicação.
Sobre Recursos Multimídia de Acessibilidade
Os Recursos Multimídia de Acessibilidade (RMA) adotam o áudio feito pelos dados do resumo, por meio de um software de inteligência artificial. O vídeo é elaborado a partir da leitura de um dos autores do seu próprio artigo.
Essas inovações estão dando resultados desde o primeiro instante até agora com a criação do Canal RIESUP no YouTube. Seguem abaixo os dados estatísticos de acesso e visualizações do canal:
Concluindo sobre esse assunto do RMA, verificamos que o nosso canal é acessado mais pelos usuários do gênero feminino do que o masculino. Em relação as gravações dos resumos tivemos um percentual quase igual entre ambos os gêneros.
Sobre Dados Estatísticos no Portal de Periódicos da UNICAMP
Dos 34 (trinta e quatro) periódicos credenciados do Portal de Periódicos Eletrônicos Científicos da UNICAMP, a RIESUP ocupa o 22º lugar dos mais acessados, com quase 2% (1,975%) dos periódicos visualizados e 291.940 acessos até o momento. Isso mostra um distanciamento visto antes, pois a RIESUP ocupava o 27º no ranking. Isso aponta que a revista está cada vez mais alcançando seguidores e tendo visibilidade no espaço virtual, conforme ilustrado no gráfico a seguir:
Sobre métricas [Índice h]
Em relação às métricas da revista relacionadas ao Google Acadêmico, vislumbrado pelo Índice H. A revista obteve desde sua criação até o presente momento o Índice H: 13, e sua mediana: 17, conforme ilustração extraída do site do Google Scholar Metrics abaixo:
O índice h5 é o indexador h dos artigos publicados nos últimos cinco anos. Trata- se do maior número h de uma publicação, em que há artigos publicados de 2017 a 2021 tenham sido citados no mínimo h vezes cada.
Sobre regulamentação e institucionalização da RIESUP na UNICAMP
Desde 2017, a RIESUP vem tentando obter por meio da Faculdade de Educação da UNICAMP, a qual esteve sempre ligada por meio do Grupo de Pesquisa GIEPES, a sua institucionalização através do regimento interno.
Dado o início [2017] do pedido de institucionalização, foram várias tratativas, mudanças de gestão, e somente em setembro de 2022, a revista conseguiu a aprovação do Regimento por meio da Deliberação nº 318/2022, na 366ª Reunião Ordinária da Congregação da Faculdade de Educação, garantindo sua institucionalização como um periódico gerido na Universidade.
A partir desse documento é garantido a revista, o direito de que possa participar de editais internos e ter seu reconhecimento institucionalizado, entre outras coisas relacionadas às questões editoriais. Valeu a pena ter insistido em obter tal documento, pois também ele garante que a revista permaneça hospedada e gerenciada pelo Portal de Periódicos Eletrônicos Científicos da UNICAMP, onde estão mais de 30 periódicos científicos hospedados. O documento na íntegra, está disponível no site da RIESUP e pode ser baixado por qualquer interessado.
Sobre a Produção deste número
Dando sequência aos trabalhos, nesta edição do volume 9 (2023), estaremos publicando 51 trabalhos, sendo 35 Artigos; 09 Pesquisas; 05 Relatos de experiência e 1 Resenha.
Abrindo a seção de Artigos temos o texto “Desafios ao engajamento acadêmico no ensino superior: uma análise a partir de posicionamentos sobre satisfação de estudantes” de Leandro da Costa Santos, Leonardo Rolim Severo e Lindinalva de Alcântara Correia, todos da Universidade Federal da Paraíba. O objetivo deste debate, segundo os autores, consiste em discutir, a partir de uma pesquisa com estudantes da Educação Superior, a satisfação acadêmica como fator para a promoção do engajamento acadêmico. Além disso, examinou fatores sociodemográficos capazes de afetar a satisfação acadêmica dos alunos. O instrumento de coleta de dados foi um questionário virtual que contou com 320 respostas válidas de estudantes de instituições públicas e privadas. Na análise dos dados obtidos, os autores utilizaram três tipos de exames estatísticos: estatística descritiva, análise de variância multivariada (MANOVA - Multivariate Analysis of Variance) e análise de variância (ANOVA). Os resultados evidenciaram que a maioria dos estudantes se sentem satisfeitos academicamente com as oportunidades formativas no Ensino Superior e que as variáveis sociodemográficas conclusão do ensino médio, exercício de atividade laboral e exercício de atividade de pesquisa na Instituição de Ensino afetam, de maneira significativa, a satisfação acadêmica. Excelente reflexão para quem é da área!
O texto “A percepção dos estudantes cotistas sobre os currículos dos cursos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul com maior densidade entre vagas e inscritos” de Thalles Ricardo de Melo Silva da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e Lizandro Lui da Fundação Getúlio Vargas se inscreve nas discussões sobre as ações afirmativas nas Instituições de Ensino Superior (IES), tem por objetivo analisar de que modo o estudante cotista percebe o currículo dos cursos com maior densidade entre vagas e inscritos. Os autores realizaram entrevistas com 5 estudantes dos cursos com maior densidade da UFRGS. Três razões nortearam a análise sobre a percepção curricular: a densidade do currículo, a composição deste e a avaliação. Os sujeitos entrevistados percebem o currículo como denso compreendendo que a composição curricular é resultado de uma seleção, que exclui algumas vivências do público cotista, segundo os autores. Se quiserem saber mais, acessem o texto e façam uma profícua análise desta discussão tão importante e tão polêmica neste tempo de incertezas que estamos vivendo no Brasil nessa terceira década de 3º milênio.
Temos também o debate sobre “Contribuições dos indígenas para a construção de um currículo cosmopolita subalterno” de José Licínio Backes e Ruth Pavan, ambos da Universidade Católica Dom Bosco, entrevistando estudantes indígenas de cursos de licenciaturas pela análise qualitativa, trazendo como resultados que os indígenas contribuem para a construção de currículos cosmopolitas subalternos de diferentes formas, tais como luta contra os estereótipos; valorização das línguas maternas; reconhecimento de que a subalternização não se rompe com uma educação que subalternizar; necessária articulação entre conhecimento e contexto cultural; construção de laços de solidariedade com outros grupos subalternizados; e insistência em construir pontes e diálogo, mesmo com quem historicamente não o deseja. Debate polêmico e de extrema relevância para este Estado de perfil Neoliberal, Conservador e de Extrema Direita contrário às minorias excluídas do modo de produção capitalista desde janeiro de 2019. Vale a pena a leitura e um debate científico sobre esta investigação de extrema importância para a Educação Superior hodierna!
O texto “Internacionalização da e na educação superior: conceitos e abordagens” escrito por Giselly Cristini Mondardo Brandalise e Marcia Regina Selpa Heinzle, ambas da Universidade Regional de Blumenau nos brinda com uma discussão sobre a diferenciação dos conceitos de internacionalização da e na educação superior, a partir dos estudos desenvolvidos nos últimos anos sobre a temática. Trata-se de um ensaio teórico que dialoga com diversos pesquisadores que vem revelando potenciais da internacionalização como uma via de acesso para se pensar na melhoria da qualidade da educação e da pesquisa para a sociedade. Estão em evidência propostas para operacionalizá-la, nomeadas abordagens de internacionalização, apresentadas neste estudo a Internacionalização do Currículo - IoC e a Internacionalização em Casa - IAH. Apontam-se caminhos para a avançar à compreensão do conceito, revelando outras possibilidades para além da focalização da internacionalização como um destino para a mercantilização da educação superior. São evidenciadas as trocas interculturais e solidárias com pares estrangeiros que podem corroborar para com o desenvolvimento desse cenário.
“Ensino jurídico e questões de gênero: uma análise a partir de projetos pedagógicos de cursos de direito da cidade de Arcoverde, Pernambuco” de Fernando da Silva Cardoso, Paula Tenório Britto Galindo, ambos da Universidade de Pernambuco, e Antônio Lopes de Almeida Neto da Universidade Federal de Minas Gerais. O estudo tem como objetivo analisar o papel político, pedagógico e científico do ensino superior jurídico diante da abordagem e formação comprometidas com o enfrentamento das violências e abordagem de questões de gênero. Para tanto, os autores problematizam o ensino jurídico tradicional, o necessário olhar interdisciplinar e multidimensional da formação superior de bacharéis em Direito e sobre a aproximação entre ensino, pesquisa e extensão neste universo. Foi realizada uma análise documental dos Projetos Pedagógicos dos Cursos (PPC’s) de Bacharelados em Direito em funcionamento na cidade Arcoverde, localizada no Sertão do Moxotó, Pernambuco, como forma de compreender de que forma as instituições de ensino superior (IES) situam, na formação jurídica, questões de gênero. Os resultados, segundo os autores, apontam que as IES disponibilizam ementários que privilegiam a técnica e a dogmática em detrimento de discussões que suscitam o diálogo mais aprofundado sobre questões sociais, como as de gênero, além de manter a fragmentação de saberes como marca curricular.
Na sequência, temos o debate sobre "Avaliação formativa e autorregulação da aprendizagem no ensino superior” de Iron Pedreira Alves, Ivan Faria e Juliana Laranjeira Pereira, ambos da Universidade Estadual de Feira de Santana. Segundos os autores, dada a possibilidade dessas tecnologias serem definitivamente incorporadas ao ensino universitário, esse novo cenário pós COVID-19 demandaria, mais que nunca, a adoção de princípios e práticas que estimulem a autonomia discente em relação à sua própria aprendizagem e práticas pedagógicas promotoras da autorregulação. O objetivo desta discussão científica foi apresentar um panorama das pesquisas e reflexões sobre as relações entre avaliação formativa e autorregulação da aprendizagem nas duas últimas décadas (2003 a 2021), com ênfase na literatura internacional e com foco no Ensino Superior. Os resultados, segundo os autores, apontaram que houve uma crescente integração entre os campos teóricos da avaliação formativa e autorregulação da aprendizagem, bem como para a necessidade de se melhorar as práticas de feedback, tanto nas atividades avaliativas conduzidas pelos docentes quanto nas autoavaliações e avaliações por pares.
“Perfil dos estudantes de odontologia no uso do instagram como ferramenta de aprendizagem móvel e ubíqua: estudo transversal” de Maria Teresa Borges Araújo da Universidade Estadual Júlio Mesquita Filho, Veridiana Resende Novais da Universidade Federal de Uberlândia e Thiago de Amorim Carvalho do Centro Universitário de Patos de Minas. O objetivo deste debate segundo os autores foi o de caracterizar o perfil de uso do Instagram como ferramenta de aprendizagem ubíqua por parte dos estudantes de Odontologia de instituições de ensino públicas e privadas. A pesquisa foi quali- quantitativo, pois se trata de uma investigação exploratória, com a aplicação de um questionário estruturado, sobre o uso do Instagram como ferramenta de aprendizagem por estudantes de uma Instituição de Ensino Superior Pública (Universidade Federal de Uberlândia) e uma Instituição de Ensino Superior Privada (Centro Universitário de Patos de Minas) com estudantes do primeiro ao último ano do curso de Odontologia. Como resultado, segundo os autores, constatou-se que o Instagram pode ser uma ferramenta útil para o processo ensino-aprendizagem, já que estudantes relatam seu uso para atividades acadêmicas e que professores devem estimular o uso dessa mídia social, mesmo após o retorno do regime presencial. Vale a pena conferir!
“Comissão Nacional de Avaliação da Educação Superior (CONAES) entre legitimidade e (in) definição da qualidade: registros em atas de 2016 a 2020” de Celia Maria Haas da Universidade Virtual do Estado de São Paulo e Fernando Mendes Tiago da Universidade Cidade de São Paulo é um artigo fruto de uma pesquisa que analisou a Conaes, no debate da qualidade da educação superior. Foram reunidas 28 atas das reuniões realizadas entre novembro/2016 e julho/2020, disponíveis no repositório da comissão, no site do Ministério da Educação (MEC). A análise das atas, apoiou-se no software de análise qualitativa MaxQDA, considerado ferramenta de base para codificação e categorização das ocorrências nos textos reunidos. Os resultados foram extremamente interessantes, divididos em dois grandes blocos de análise: os positivos e os obstáculos. Segundo os autores, não se identificaram, no conjunto de atas analisadas, discussões aprofundadas sobre o que é qualidade e seu significado na e para a Educação Superior, com implicações relacionadas aos procedimentos avaliativos. Para a Conaes, qualidade e indicadores são sinônimos, sem indicações do que se pode considerar instituição ou curso de qualidade, restando como critério a pontuação alcançada nas avaliações. Vale a pena uma reflexão!
O debate sobre “Metodologias ativas nas concepções de docentes do ensino superior: um nome novo que não diz nada?” de Giselle Martins dos Santos Ferreira, Gabriela Gonçalves Ozório ambas da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e Laélia Carmelita Portela Moreira da Universidade Estácio de Sá, consistiu em caracterizar confluências e disjunções entre as concepções e práticas pedagógicas de docentes do Ensino Superior (ES) e ideias associadas às Metodologias Ativas (MA). A discussão está organizada em torno da trajetória na profissão docente; planejamento e dinâmica na sala de aula; concepções sobre inovação; e concepções de MA. Segundo as autoras apesar de os professores declararem ter pouca familiaridade com as MA, que é, de fato, uma expressão relativamente recente, muitas das estratégias de ensino relatadas por eles são consistentes com as práticas e fundamentos teóricos dessas metodologias, conforme explicitado na literatura pertinente. Diante deste quadro as autoras sugerem vários procedimentos em relação ao tema tão polêmico e tão contemporâneo no chão da Educação Superior. Vale a pena conferir!
“Resiliência docente e alternância pedagógica na aprendizagem dos professores iniciantes: os movimentos em meio aos contextos emergentes é um debate trazido por Jordana Rex Braun (Universidade Federal de Santa Maria) e Doris Pires Vargas Bolzan (Universidade Federal de Santa Maria) resultante da pesquisa “Professor iniciante nas licenciaturas e os contextos emergentes: aprendizagem para/a docência”. Como aporte teórico-metodológico, as autoras utilizaram Bolzan (2009, 2012, 2016), Isaia e Bolzan (2009), Isaia (2006), Morosini (2014), Tardif (2014), Imbernón (2009), dentre outros autores. A pesquisa é qualitativa narrativa sociocultural. Segundo as autoras foram realizadas entrevistas, a partir de tópicos guia, com professores iniciantes que atuam nos cursos de licenciatura de uma universidade pública do interior do Rio Grande do Sul. Para Braun e Balzan ficou evidente na análise dos dados que a docência se complexifica na medida em que as transformações da sociedade emergem na aprendizagem docente, na qual os movimentos de alternância pedagógica e resiliência docente implicam no processo de aprender a docência do professor iniciante que atua como formador de formadores.
Na sequência vamos ter o artigo intitulado “A implementação do modelo de Gestão por Competências nas universidades federais brasileiras: caminhos percorridos e desafios enfrentados” escrito por Marcos B. L. Dalmau, Carolina Suelen da Silva e José Pereira do Canto. Este texto é fruto de uma pesquisa que tem como objetivo analisar o estágio da implementação do modelo de gestão por competências em universidades federais brasileiras no que tange os subsistemas de gestão de pessoas. Para isso, segundo os autores, procurou-se identificar a existência de objetivos, metas, ações ou iniciativas para gestão de competências no PDI dessas instituições, verificando o estágio de implementação do modelo em cada subsistema, e evidenciar os desafios enfrentados na implementação do modelo. Foram estudadas doze universidades com datas de fundação antes de 2006. Nos resultados as limitações apontadas dizem respeito ao aprofundamento restrito aos elementos constitutivos da gestão por competências, sem análise aprofundada dos decretos; e a exclusão das universidades cujas criação se deu após de 2006, o que caracteriza, segundo os autores, lacunas para estudos futuros.
Joviles Vitório Trevisol, Geomara Balsanello e Sherlon Cristina de Bastiani nos brindam com o texto “As políticas e as dinâmicas da interiorização da pós-graduação em Santa Catarina um estudo sobre a região oeste”. Segundo os autores, a expansão da pós-graduação não tem ocorrido de forma uniforme em todas as regiões do país, haja vista que as desigualdades e as assimetrias regionais e intrarregionais persistem e a redução das assimetrias tem ocorrido de forma lenta. Esta pesquisa teve como objetivo investigar o processo de interiorização da PG no Brasil a partir de uma unidade específica da federação: Santa Catarina (SC), mais especificamente a região Oeste. O estudo foi desenvolvido por meio da pesquisa documental na qual obteve-se a sistematização e análise dos principais indicadores da PG disponíveis na Plataforma Sucupira e nas bases do GeoCapes. Os dados apontam que a expansão da PG na região Oeste foi capitaneada pelas instituições de ensino superior (IES) sem fins lucrativos. Em 2019, as IES sem fins lucrativos ofertavam 72,4% dos cursos de PG, contra 27,6% das IES públicas e 0% do setor privado com fins lucrativos. O primeiro curso de PG na região Oeste foi recomendado pela CAPES em 2005. Em 2019, a região ofertava 29 cursos (24 mestrados e 05 doutorados), correspondendo a 9,9% do total dos cursos em SC. A UFFS, UNOESC e UNOCHAPECÓ respondem por 82,7% da oferta de cursos. A cidade de Chapecó concentra 71,4% dos cursos de PG da região. Vale a pena uma reflexão!
“Internacionalização da e na educação superior: conceitos e abordagens” é a discussão trazida por Giselly Cristini Mondardo Brandalise e Marcia Regina Selpa Heinzle com o objetivo de ampliar a discussão sobre a diferenciação dos conceitos de internacionalização da e na educação superior, a partir dos estudos desenvolvidos nos últimos anos sobre a temática. Segundo as autoras, trata-se de um ensaio teórico que dialoga com diversos pesquisadores que vem revelando potenciais da internacionalização como uma via de acesso para se pensar na qualidade da educação e da pesquisa para a sociedade. Estão em evidência propostas para operacionalizá-la, nomeadas abordagens de internacionalização, apresentadas neste estudo a Internacionalização do Currículo - IoC e a Internacionalização em Casa - IAH. Segundo Brandalise e Heinzle os resultados apontam caminhos para a avançar à compreensão do conceito, revelando outras possibilidades para além da focalização da internacionalização como um destino para a mercantilização da educação superior evidenciadas nas trocas interculturais e solidárias com pesquisadores internacionais que podem corroborar para com o desenvolvimento deste cenário.
“Desempenho acadêmico: percepções de discentes do curso de Física de uma Universidade Mineira” de Tarcísia Carolina Roberto Silva Duarte e Lucíola Licínio de Castro Paixão Santos é fruto de uma pesquisa empírica acerca do baixo desempenho acadêmico em cinco disciplinas do primeiro ano, consideradas difíceis segundo critérios da instituição e nos quais as taxas de reprovação têm sido superiores a 50% há mais de uma década. Os dados são oriundos de documentos gerados a partir da aplicação de questionários e da realização de entrevistas com os alunos e disponibilizados pela pró- reitoria de graduação da universidade. Os resultados evidenciaram diferentes compreensões a respeito da retenção no primeiro ano do curso e indicaram a necessidade de maior diálogo entre discentes, docentes e a instituição, visando à elaboração de estratégias de integração e afiliação estudantil e, consequentemente, a melhoria do desempenho acadêmico.
“A docência universitária: formação do professorado da área de Ciência da Computação” de Pauleany Simões de Morais, Marlo Vieira dos Santos e Souza e Jean Clemisson Santos Rosa estudo realizado no Departamento de Ciência da Computação na Universidade Federal da Bahia (UFBA), em Salvador - Brasil. Como metodologia, utilizou-se a pesquisa qualitativa e pesquisa-ação com procedimentos direcionados à revisão de literatura, observação em sala de aula e formação dos docentes do departamento referido. Segundo os autores observa-se que as formações oferecidas na Pós-Graduação aos professores universitários poderiam ser instituídas de maneira interdisciplinar com encaminhamentos didático-pedagógicos e específicos, enfatizando a constituição dos saberes necessários ao exercício da docência no Ensino Superior, com ênfase dada à pesquisa em detrimento à formação do docente universitário em nível de Mestrado e Doutorado. Excelente reflexão para os docentes que atuam no Stricto Sensu! Ceyça Lia Palerosi Borges, Leticia da Costa e Silva e Irene Carniatto discutem “A ambientalização curricular nos cursos de Agronomia em duas universidades paranaenses: uma análise a partir das categorias propostas pela Rede Aces”, fruto de uma pesquisa qualitativa caracterizada como um estudo de caso explicativo. As técnicas de coleta de dados foram: pesquisa documental e entrevista semiestruturada com 21 docentes das 48 disciplinas selecionadas, com 4 coordenadores de curso (primeiro e atual) de ambos os cursos investigados. Ao analisar as 10 características que devem estar presentes em um currículo ambientalizado, proposto pela Rede Ambientalização Curricular dos Estudos Superiores, reforça-se a importância do papel do docente no sucesso da ambientalização curricular no ensino superior. Dessa forma, segundo as autoras, mesmo em cursos com viés sustentável, como é o caso do curso de Agronomia da Universidade Federal da Fronteira Sul - UFFS, são as práticas dos docentes durante o processo de ensino e aprendizado o diferencial para o êxito da ambientalização curricular no processo formativo do discente. Por isso, torna-se compreensível a semelhança na presença das categorias da Rede ACES nos currículos dos cursos de agronomia com ênfase em agroecologia da UFFS e de agronomia convencional da Unioeste, mesmo que a Unioeste tenha menor número de disciplinas que discutam a temática ambiental do que o da UFFS. Vale a pena conferir!
“Engajamento acadêmico e saúde mental positiva entre estudantes universitários” é a reflexão de Enzo Lopes Amaral e Loriane Trombini que tem por objetivo descrever a autopercepção de satisfação quanto ao desempenho acadêmico, o grau de integração dos estudantes em seus cursos e também identificar a associação entre a percepção de engajamento acadêmico e saúde mental positiva. Os sujeitos da pesquisa foram 3484 estudantes de 37 cursos de graduação de uma universidade pública do sul do país, com idade média de 22,8 (dp = 6,92). Os resultados, segundo os autores, indicaram que quase metade dos estudantes (47,4%, n=1644) não se sentiam satisfeitos com seu desempenho acadêmico. Os itens relacionados à experiência acadêmica mostraram que os estudantes entrevistados se percebiam moderadamente encaixados ao seu curso. A correlação de Pearson demonstrou associação significativa positiva entre as dimensões de engajamento acadêmico e saúde mental positiva. A correlação mais forte entre estes construtos foi entre a dimensão de engajamento emocional e saúde mental positiva (r = 0,403, p<0,01). Evidenciou-se que quanto mais os estudantes se sentem bem consigo e no ambiente universitário, mais se engajam emocionalmente nos estudos, o que estimula o desenvolvimento cognitivo.
“Modelagem computacional na perspectiva da ciência, tecnologia e sociedade: cenário dos currículos dos cursos de engenharia mecânica em instituições federais” é o debate trazido por Rodrigo Costa Batista, Mateus das Neves Gomes e Lucas Barbosa Pelissari que tem como objetivo analisar a presença da modelagem computacional (MC) como metodologia de aprendizagem nos currículos das graduações em engenharia mecânica em Instituições de Ensino Superior públicas federais, buscando verificar a existência de conexões e articulações com a área da Ciência, Tecnologia e Sociedade (CTS). Este artigo é fruto de um estudo descritivo, por meio de uma abordagem qualitativa a partir de uma pesquisa documental. Os resultados, segundo os autores, permitiram identificar que os conceitos relacionados à MC e à abordagem CTS nos currículos dos cursos de engenharia mecânica não trabalham de maneira integralizada e contínua ao longo do curso. Constatou-se que não houve relação direta entre os conceitos analisados com os desempenhos das instituições em exames de avaliação de curso. Concluiu-se que juntamente com a necessidade de reformulação e adequação dos currículos dos cursos de engenharia mecânica, existe a necessidade de implementação de novas metodologias de avaliações.
Sayonara Ribeiro Marcelino Cruz e Eucidio Pimenta Arruda nos brindam com o artigo sobre “Formação na pós-graduação Stricto Sensu e o uso de tecnologias digitais: um campo literalmente restrito?” que tem por objetivo identificar as produções relacionadas a temática: “formação docente para o uso de tecnologias digitais na pós- graduação”, com vistas a compreender de que forma a relação aprendizagem e tecnologias tem sido tratada no ensino superior. Foi realizada uma revisão bibliográfica na base de dados do Portal de Periódicos da Coordenação Nacional de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) no período de 2015 a 2018. Segundo os autores houve um grande salto quantitativo e qualitativo a considerar o aumento crescente não só do número de trabalhos, mas de possibilidades temáticas que envolvem pensar as relações entre tecnologia e educação. Foram encontrados 42 trabalhos que tratam especificamente da discussão sobre TDIC nos cursos de mestrado e doutorado na área da Educação. Destes, apenas 10 possuem aproximação direta com os objetivos da pesquisa e confirmam a preponderante (e necessária) preocupação com a dimensão técnica (métodos, técnicas, estratégias, habilidades e competências). Para Cruz e Arruda, este conjunto de trabalhos selecionados apresentam poucas evidências de articulação com a dimensão conceitual e pedagógica, sem a qual torna-se impossível avançar na apropriação e difusão das potencialidades das TDIC e suas repercussões na aprendizagem.
“Contribuições da literatura sobre o início da docência em nível superior” é o artigo escrito por Marina Cristina Zotess, Sandra Leal Calai e Sandra Regina Gimeniz- Paschoal que teve por objetivo averiguar a partir de um levantamento bibliográfico não sistemático, publicações científicas que abordassem as variáveis envoltas no processo de ensino do docente universitário iniciante, bem como as que acarretam adoecimento e dificuldades de lecionar. Para tal utilizou-se a base de dados Scielo, e busca de artigos entre 2015 a 2019 com seis descritores específicos. Como resultados obteve-se três tabelas dos quatro artigos selecionados na busca, as quais ampliaram os conceitos de 1) Docência, 2) Dificuldades no lecionar e 3) Formas de adoecimento enquanto professor universitário. Os dados obtidos, segundo as autoras trazem a ideia de que em tal âmbito ocupacional há consequências que se estendem do local de trabalho, ampliando-se para a vida pessoal, como níveis de estresse, ansiedade, depressão, em função de pressões, cobranças e excesso de trabalho exigidos em especial para o docente iniciante. Para Zotes, Calai e Paschoal há necessidade de maiores estudos na área, em especial de cunho empírico, podendo contribuir não somente para a comunidade científica, como para ampliação de qualidade de vida aos professores novatos.
“A formação continuada em uma universidade comunitária na perspectiva de seus docentes” é a discussão trazida por Ricardo Luiz de Bittencourt e Caroline Fenali Fernandes. Os principais autores que embasaram essa pesquisa foram: Nóvoa (1992; 2012), Nóvoa e Amante (2015), Pérez Gómez (1998), Garcia (1999), Tardif (2000), Masetto (2003), Cunha (2008; 2009) e Contreras (2012). A pesquisa foi de abordagem qualitativa e, por instrumento de coleta, utilizou-se da entrevista semiestruturada. Os sujeitos da pesquisa foram oito professores universitários que tiveram mais participação no Programa de Formação Continuada proposto pela universidade no ano de 2018. Destes oito, foram selecionados dois professores por área de atuação, sendo: Humanidades Ciências e Educação (HCE), Ciências, Engenharias e Tecnologias (CET), Ciências da Saúde (SAU) e Ciências Sociais Aplicadas (CSA). Segundo os autores, os resultados apontam que os docentes percebem que a Formação Continuada oportuniza o acesso aos conhecimentos pedagógicos para os profissionais liberais, uma vez que, na maioria das vezes, não possuem formação específica na área da educação. Com a pesquisa foi possível perceber que os professores compreendem a Formação Continuada como um espaço importante de reflexão crítica acerca da profissão docente.
Paulo Fioravante Giareta, Arlete Cristina Motovani Ziliani e Ligiane Aparecida da Silva nos presenteiam com o artigo “A BNC-formação e a formação docente em cursos de licenciatura na Universidade Brasileira: a formação do professor intelectual em disputa” Segundo os autores a discussão objetiva apresentar uma análise do possível impacto das novas diretrizes curriculares para a formação de professores nos cursos de Licenciatura na universidade brasileira. Metodologicamente, o trabalho se apresenta como exercício analítico-crítico, estruturado a partir do materialismo histórico-dialético e com aporte teórico nas concepções de Gramsci (1968, 2002). Esta pesquisa indica, segundo os autores, o desenho de uma lógica homogeneizante para a política de formação de professores da BNC-Formação, produzida a partir da intelectualidade orgânica do capital e focada em uma pedagogia de resultados. Assim sendo, explícita intencionalidade de reduzir os espaços para pensar a formação para a docência em uma perspectiva de promoção cultural, da expressão e da organização da práxis social da atividade humana das classes subalternas e de uma pedagogia capaz de promover uma articulação indissociável entre as dimensões técnica, científico-pedagógica e sociopolítica da formação de professores.
“Formação em pedagogia na América Latina: apontamentos sobre Argentina, Brasil, Colômbia e México” é o debate trazido por José Leonardo Rolim de Lima Severo e Selma Garrido Pimenta cujo objetivo analisar a condição disciplinar e a formação em Pedagogia na Argentina, no Brasil, na Colômbia e no México, a partir do exame do processo de institucionalização de estudos pedagógicos em nível superior e das configurações formativas de cursos de Pedagogia (Colômbia, Brasil e México) e Ciências da Educação (Argentina). Tratam-se de cursos com finalidades curriculares equiparáveis por objetivarem a formação de profissionais da educação no marco mais amplo de trabalho pedagógico, sem centrarem-se exclusivamente no magistério. Segundo os autores, os dados referentes às configurações formativas consistiram nos planos de estudos de sete cursos de 2 universidades mexicanas, 2 universidades colombianas e 3 universidades argentinas. Em se tratando do contexto brasileiro, problematizou-se o curso de Pedagogia diante das contradições das suas atuais diretrizes curriculares nacionais, homologadas em 2006. Com base nesse panorama de dados, foi possível estabelecer a crítica comparativa-reflexiva de que há um esforço acadêmico mais evidente para situar a Pedagogia como campo disciplinar na Argentina, na Colômbia e no México, especialmente como base para justificar a existência de cursos dirigidos à formação de profissionais da educação para além do magistério, inclusive com componentes curriculares específicos que englobam as bases identitárias da Pedagogia. O contexto brasileiro, por sua vez, segundo Severo e Pimenta é marcado pelo obscurecimento da discussão epistemológica que situa a Pedagogia na esfera da ciência.
Vitória Emanuela Santos Machado e Iêda Maria Barbosa Aleluia debatem “O conhecimento do estudante de medicina sobre medicina narrativa: onde estamos e para onde vamos?” cujo objetivo foi o de identificar o conhecimento do estudante de medicina sobre medicina narrativa, em uma faculdade privada de Salvador, através de um estudo transversal, analítico, com abordagem qualitativa através da análise de conteúdo. Incluídos estudantes de medicina do terceiro ao sexto semestre, em duas etapas: primeira com um formulário online constando uma pergunta: “você sabe o que é Medicina Narrativa?”, com opção binária de “sim” e “não”. A segunda, segundo os autores, foi um grupo focal com parte desses estudantes. Houve 134 participantes na 1ª etapa, onde 123 responderam “não” e 11 responderam “sim”. No grupo focal, surgiram 03 categorias. 1.“Linguagem” como a impossibilidade de desvinculá-la da narrativa do paciente. 2. “Empatia” com a necessidade de estabelecer um vínculo com o paciente que possibilitasse a anamnese de uma forma natural. 3. “Receita de Bolo /Narrativa” é a expressão do enrijecimento proposto pelas faculdades de medicina em uma entrevista médica e das tentativas dos estudantes de remodelá-la para encontrar maior naturalidade na relação médico-paciente, fomentando a importância da Medicina Narrativa. Os resultados desse estudo para Machado e Aleluia mostram que os estudantes de medicina desta faculdade privada têm conhecimento intuitivo sobre medicina narrativa, pois está entremeado aos princípios do programa de ensino institucional.
“O processo de mercantilização da Educação superior no Brasil e a negação da formação humana: uma análise crítica a partir de István Mészáros” de Renato Oliveira e Pedro Pereira dos Santos é fruto de uma pesquisa desenvolvida à luz do materialismo histórico dialético, tem caráter bibliográfico e documental, com enfoque na abordagem qualitativa dos dados, a partir de livros, artigos e documentos oficiais. Os resultados mostram segundo os autores que o processo de mercantilização da Educação Superior no Brasil está historicamente vinculado à expansão desse nível de ensino, a partir das reformas do Estado brasileiro no campo educacional, mostrando sua posição subalterna em relação às demandas impostas pelo capital; e que o papel dos grupos empresariais do setor educacional e as políticas educacionais de financiamento e concessão de bolsas de estudo, com o objetivo de ampliar o acesso a esse nível de ensino, são dois importantes fatores que atestam a forma como vem ocorrendo hoje a mercantilização da Educação Superior. Diante disso, é urgente construir estratégias que visem a superação desse modelo de educação, de forma que o combate à educação mercantilizada pressuponha a superação do capital e de todas as demais instâncias a que ele subordina, em especial as determinações legais, as convenções políticas e o estado burguês.
“O perfil sociocultural dos estudantes da licenciatura em educação do campo da Universidade Federal Rural do Semi-árido: de quais sujeitos do semi-árido falamos?” de Emerson Augusto de Medeiros e Giovana Carla Cardoso Amorim é um artigo que teve por base um levantamento documental, tomando para análise informações de 257 discentes da referida graduação. A análise se encontra sistematizada em cinco “eixos temáticos”, a saber: a) número de discentes homens e mulheres; b) faixa etária dos formandos; c) pertença étnico-racial; d) faixa de renda familiar; e) naturalidade dos estudantes. Como conclusão, Medeiros e Amorim afirmam que a maior parte do alunado é constituída por mulheres, possui faixa etária entre 17 e 25 anos, se autodeclara parda ou preta, tem como renda familiar até dois salários mínimos e possui naturalidade referente a cidades circunscritas na Mesorregião do Oeste Potiguar do Estado do Rio Grande do Norte. Esses aspectos, entre outros,segundo os autores apontam para a feminização na formação de professores da Educação do Campo e para a inclusão de grupos sociais do semiárido potiguar na Educação Superior, os quais foram marginalizados na formação da sociedade brasileira.
“O campo universitário na UFMG (Brasil) e na UBA (Argentina) o embate entre capital científico e capital pedagógico” de Juliana Santos da Conceição e Júlio Emílio Diniz-Pereira é um artigo síntese de uma pesquisa realizada a partir de um estudo comparado de ações de desenvolvimento profissional docente realizadas em uma universidade pública em cada um desses países. A base teórica foi baseada nos estudos de Bourdieu para discutir o conceito de campo e, a partir dele, o capital científico e o capital pedagógico no campo universitário. O percurso metodológico adota uma abordagem qualitativa atrelada aos princípios da pesquisa comparada. No conjunto, a análise comparada apresentada nesta pesquisa, segundo os autores, revela campos universitários com acentuadas distinções no que se refere ao valor dado aos capitais envolvidos em cada campo e essas diferenças têm relação direta com o lugar em que as ações de desenvolvimento profissional ocuparão na universidade. Nesse sentido, os autores defendem a existência de um outro capital dentro desse campo, que não o capital científico, já amplamente discutido por Bourdieu, e acreditamos que, com uma outra configuração do campo universitário, o capital pedagógico pode vir a ocupar um lugar de prestígio dentro dele.
“Indicadores de qualidade no ensino da pediatria em tempos de Pandemia uma revisão narrativa” de Rachel Myrrha Ferreira e Clésio Gontijo do Amaral” é um artigo que teve uma base uma pesquisa cuja metodologia foi uma busca de artigos no Pubmed, no Google Scholar, na Revista Brasileira de Educação Médica, no Portal de Revistas da USP e na Revista da Avaliação da Educação Superior (Campinas), e, por meio de 7 critérios de inclusão e de exclusão, selecionados 16 trabalhos. A partir dos artigos selecionados, foram destacados e discutidos 8 indicadores de qualidade no ensino:
‘’Interação’’, ‘’Avaliação Distribuída ao Longo da Disciplina’’, ‘’Aquisição de Habilidades Motoras’’, ‘’Combinação entre Teoria e Prática’’, ‘’Internacionalização’’, ‘’Territorialidade’’, ‘’Aquisição de Habilidades de Comunicação’’ e ‘’Acessibilidade’’. Segundo Ferreira e Amaral, devido ao caráter prático das disciplinas médicas, principalmente aquelas do ciclo clínico, como pediatria, poucos são os artigos que abordam, de forma mais específica, o tema em questão. Dessa forma, segundo os autores, muitos trabalhos não se adaptam perfeitamente ao ensino de pediatria no contexto remoto emergencial, e, assim, fazem-se necessárias maiores investigações acerca dessa questão.
Na sequência, temos o texto “Vozes da experiência docente e gestão na vida acadêmica” de Franciane Ester de Souza e Inajara de Salles Viana Neves que discute o trabalho docente tendo como o pano de fundo compreender criticamente as tensões que atravessam o processo de trabalho do docente do magistério superior considerando, centralmente, o exercício das atividades de gestão relacionadas a cargos de chefia, coordenação ou direção e representação em órgãos colegiados na Universidade. O problema da pesquisa que permeia toda a discussão está articulado à prática profissional da pesquisadora diante do silêncio percebido em relação ao trabalho do docente do ensino superior nessas atividades. Em uma abordagem qualitativa, o estudo se desenvolveu a partir da análise dos Memoriais de Promoção à Professor Titular de cinco professores de uma Unidade Acadêmica da Universidade Federal de Minas Gerais. A investigação teve como escolha metodológica a Pesquisa Narrativa e como objeto de análise as narrativas dos docentes do magistério superior para compreender a experiência na perspectiva da gestão. Utilizou-se a Análise de Conteúdo de Bardin (2008) como método para operacionalizar a exploração do objeto da pesquisa, bem como o tratamento dos resultados. Os resultados da pesquisa, segundo os autores, reconhecem que o docente do magistério superior enfrenta cotidianamente o desafio de ser professor-pesquisador- gestor na lógica da sociedade capitalista, permeada de contradições que se expressam na educação e no trabalho deste profissional.
“A experiência dos estudantes do Programa Universidade para Todos (PROUNI) na produção científica em teses e dissertações. 2007-2017” de Polyana Raquel Pedroso e Maria Lourdes Gisi analisa dissertações de mestrado e teses de doutorado, na base de dados da Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD). Foi utilizado o protocolo para a revisão sistemática proposto por Schiavon (2015, p. 54-72), nas suas seguintes fases: 1- Validação sobre a existência da revisão sobre o tema; 2- Elaboração do protocolo de revisão; 3- Aplicação do protocolo de revisão; 4- Análise dos estudos coletados. Foram encontradas 31 publicações neste estudo e, destas, 9 eram teses de doutorado e 22 dissertações de mestrado. Segundo Pedroso e Gisi, o estudo evidenciou diversas percepções sobre o Prouni, mas o que se sobressai é que ele é visto pela maioria como um programa que não democratiza a educação superior brasileira, pois embora essa política possibilite o acesso à educação superior, não se preocupa com a permanência desses estudantes e nem garante a universalidade do direito à educação superior a todos os jovens brasileiros. Pode-se concluir, segundo as autoras, ainda, que esses estudantes pertencem a uma classe social trabalhadora e que enfrentam diversas dificuldades para permanecer no ambiente universitário, dificuldades essas que vão muito além do âmbito econômico e têm implicações nas subjetividades dos estudantes.
Nosso próximo artigo é sobre “Práticas inovadoras no ensino superior” de Janaína Rodrigues Reis Nascimento, Barbarah Silva e Mariana Batista do Nascimento Silva que estudou no âmbito das licenciaturas, nos últimos 10 anos, de acordo com publicações de artigos; a fim de identificar quais práticas docentes, realizadas no Ensino Superior, foram consideradas inovadoras. A pesquisa foi qualitativa, de caráter exploratório. A base de dados analisada foi a Scielo (Scientific Electronic Library Online). Distinguiu-se nos artigos, a inovação presente em duas categorias: inovação em recursos pedagógicos e inovação em práticas e metodologias. A inovação em recursos pedagógicos foi observada em dois artigos analisados. A inovação em práticas e metodologias de ensino foi observada nos demais artigos analisados, sendo oito a sua quantidade. Em tais artigos, segundo as autoras, foram considerados inovadoras as seguintes práticas: encontros formativos, propostas de assessoramento pedagógico, metodologia de estágio aliado à pesquisa, programa de formação interdisciplinar, aplicação prática de conceitos apreendidos em disciplina, desenvolvimento de curso online, blended learning e sala de aula invertida.
Na sequência teremos uma discussão sobre “Aprendizagem significativa: estudo sobre a visão dos professores no Ensino Superior” de Cecilia Rosa Lacerda e Marlene Gomes Guerreiro resultado de uma pesquisa qualitativa, tendo, como procedimentos metodológicos, estudo bibliográfico e realização de entrevistas semiestruturadas com professores da educação superior. O contexto do estudo foi um Centro Universitário situado no Sertão Central do Ceará, com professores do curso de psicologia. A análise se desenvolveu por meio da percepção docente acerca do uso das metodologias ativas na educação superior, bem como apontando as dificuldades e desafios ao trabalhar estratégias que valorizam e estimulam a relação entre teoria e prática. Os resultados da investigação indicaram que a visão dos docentes sobre a aprendizagem significativa, refere-se ao conceito atribuída por Ausubel (1982) em relação à compreensão sobre a aprendizagem significativa, em que reconhecem a importância da interação dos conhecimentos prévios com os conhecimentos reelaborados no cotidiano da sala de aula.
O aprendizado é considerado significativo quando expressa uma prática refletida, capaz de modificar a percepção do estudante em relação aos saberes sistematizados e reconstruídos.
Francisco Regis Vieira Alves nos brinda com um artigo intitulado “Sobre o (Ph.D.) (Philosophiae Doctor) o ‘Viva Você' e variantes do doutorado acadêmico em um cenário nacional e internacional” que discute uma noção ou tradição secular incorporada pelas universidades medievais denominado “Viva Você" (soutenance de these) que, de forma prosaica, envolvia um exame oral de avaliação dos candidatos (ou professores universitários) no momento de apresentação de uma “dissertation” ou “thesis”. Dessa forma, ao decurso de uma apreciação do seu processo evolutivo da noção de “Ph.D.” (Philosophiae Doctor), se observa uma passagem de ênfase no ensino e que, durante os séculos XIX e XX, ocorreu uma maior ênfase para a pesquisa, de acordo com um paradigma moderno de universidade. Ademais, é possível identificar, mais recentemente, uma discussão em torno da noção de doutorado profissional, que se constitui como uma nova variante do doutorado acadêmico. Por fim, diante de um cenário recente da experiência de doutorados profissionais na área de ENSINO - 46 no Brasil, o trabalho assinala uma discussão atual e necessária sobre o papel do “Viva Você" que não pode figurar como um ritual indefectível tanto para doutorados acadêmicos, bem como para o caso dos doutorados profissionais em recente evolução.
"(in)Existência de estudantes do gênero masculino no curso de pedagogia: por que eles desistem?” de Josiane Peres Gonçalves e Maria Cristina de Sousa Benitez é fruto de uma pesquisa que trata da evasão acadêmica de homens no curso de graduação em Pedagogia do Campus de Naviraí da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (CPNV/UFMS) e visa identificar as principais razões que motivaram estudantes do gênero masculino a ingressar e desistir do referido curso. Após fazer o levantamento do número de homens ingressantes, desistentes e concluintes do curso pesquisado, foram identificados três dos esistentes e gravadas entrevistas individualizadas. Compreende-se que a dificuldade de conciliar o curso superior com o trabalho, o desconhecimento sobre a formação do pedagogo e a baixa remuneração da profissão docente, segundo as autoras, são fatores que interferem na desistência de discentes do sexo masculino do curso de Pedagogia do CPNV/UFMS.
Pricila Kohls-Santos e Patricia Estrada Mejía discutem os “Mecanismos de apoio mediados por tecnologia: uma proposta a partir do que dizem os estudantes” que têm por base uma pesquisa de cunho quali-quantitativo com estudantes de educação superior do Brasil e da Colômbia, os estudantes participaram da pesquisa por meio de questionário eletrônico, sendo que, para este estudo, foi considerada a variável “Tecnologias Digitais” para análise dos resultados e propostas de mecanismos de apoio, sendo a análise realizada por meio da estatística descritiva e análise de conteúdo. Como resultados, segundo as autoras, mesmo antes da pandemia, os estudantes já citavam os recursos das tecnologias digitais como aliada dos processos de ensinar e aprender, recursos para vivenciar e conhecer realidades de estudantes e profissionais de outros países, aumentar a interação entre docentes e estudantes, bem como facilitar processos administrativos. Nesse sentido, as possibilidades oferecidas pelas tecnologias digitais, principalmente por meio da internet, segundo Santos e Mejía podem auxiliar a docentes, gestores e instituições educativas a acompanhar os estudantes em seus processos acadêmicos neste momento e também no futuro, quando do retorno das atividades presenciais.
“Ensino por investigação em aulas de didática para a formação inicial de professores de química” de Ana Paula Guttmann, Zenaide de Fátima Dante Correia Rocha e João Paulo Camargo de Lima teve como objetivo analisar os efeitos de uma aula investigativa em uma turma de Licenciatura em Química, durante a disciplina de Didática Geral. Foram desenvolvidas duas aulas investigativas, uma na metodologia experimental e outra na metodologia de projetos por design thinking. E, ao final das duas aulas, os estudantes responderam a duas perguntas norteadoras: “O que essa aula permite de aprendizagem para vocês comporem os planos de aula e suas próprias práticas como futuros docentes?” e “Em que esses conhecimentos colaboram para a formação de vocês?”. Os resultados demonstram, segundo os autores, que as atividades propostas contribuíram de maneira promissora para o processo de compreensão dos licenciandos sobre como elaborar um plano de aula docente, além de possibilitar a utilização de uma metodologia de ensino por investigação para o desenvolvimento de suas futuras práticas docentes.
Abrindo a seção Artigos de Pesquisa temos o texto “Docência universitária: percursos de formação de professores bacharéis no curso de medicina veterinária” de Mayara Alves Loiola Pacheco, Antonio Germano Magalhães Junior e Rachel Rachelley Matos Monteiro. Este texto é fruto de uma pesquisa qualitativa com estudo de caso tendo como sujeitos os professores bacharéis e coordenador do curso. A fundamentação teórica teve como base os estudos de García, Tardif e Lessard, e Schön. A partir dos resultados identificou-se uma necessidade emergente de discussão sobre a formação pedagógica, a ressignificação das práticas dos docentes bacharéis, como também a necessidade de um investimento institucional que dialogue com a docência universitária.
Na sequência temos uma discussão sobre “Adentrando uma moradia estudantil feminina opressão e desumanização no contexto de estudantes pobres” de Ermita de Souza Santos Rodrigues e Bruna Sola da Silva Ramos. O presente artigo se constitui como fruto de uma investigação que objetivou construir uma compreensão acerca dos modos de vida de estudantes femininas em uma moradia estudantil de uma universidade do interior de Minas Gerais. A metodologia utilizada foi a pesquisa participante tendo como sujeitos quatro estudantes-moradoras tendo como foco o referencial teórico freireano. Foram desveladas no processo de observação participante e de entrevistas realizadas com as moradoras: o racismo, o machismo e a fome. Em meio à busca pela resistência no espaço universitário, as estudantes denunciam a a desumanização a que são submetidas em seu cotidiano e expõem a exigência ético-política radical de nossas universidades na garantia de proteção a discentes vulneráveis que buscam, no ensino superior, oportunidades de mudança em suas realidades opressivas.
Fernanda dos Santos Paulo nos brinda com “Cartas pedagógicas como instrumento metodológico de pesquisas participativas”. Este artigo pretende apresentar contribuições teórico-práticas para reflexões metodológicas acerca de pesquisas participativas em educação, alicerçadas no uso de Cartas Pedagógicas como instrumento metodológico. Para tanto, apresenta experiências de pesquisas acadêmicas que utilizam esse instrumento metodológico acompanhado de Sistematização de Experiências com base no referencial da Educação Popular emancipadora e revisão de literatura. Situa-se no âmbito de pesquisas participativas e na ciência social crítica, abordando os seguintes tópicos metodológicos: i) princípios da Educação Popular; ii) tipos de metodologias participativas; e, iii) o uso de Cartas Pedagógicas em pesquisas qualitativas em educação. Os resultados expõem subsídios para o trabalho a partir de Cartas Pedagógicas como instrumento metodológico, concluindo que essa proposta metodológica é nova no contexto de pesquisas acadêmicas. Segundo a autora, este debate expressa o compromisso ético-político do pesquisador no movimento educativo de pesquisas participativas como ruptura dos processos de colonização do saber, subordinado ao sistema capitalista, educação elitista e sociedade colonial.
“Interiorização da Pós-Graduação na Região Sul: dispersão Stricto Sensu e concentração da excelência” de Wellington Tischer e Valério Alecio Turnes. O objetivo do presente artigo foi analisar a distribuição dos Programas de Pós-graduação (PPGs) stricto sensu na Região Sul no século XXI. Os PPGs representam parte significativa da pesquisa aplicada e básica dentro das Instituições de Ensino Superior (IES) realizada no Brasil e que vem se interiorizando a partir de políticas públicas de educação superior.
Foram utilizados dados secundários a partir da base disponível no Sistema de Informações Georreferenciadas da Capes (Geocapes) para os anos de 1998 e 2018. A expansão de PPGs expõe diferenças entre os três estados em termos de capital e interior, público e privado, áreas do conhecimento e conceitos dos cursos. Segundo os autores, a reestruturação recente de institutos e universidades federais têm produzido efeitos na pós- graduação como uma dispersão de PPGs no interior e a concentração de excelência em pesquisa em IES consolidadas. PPGs nas áreas multidisciplinares e mestrados profissionais constituem as áreas do conhecimento e graus acadêmicos que mais cresceram no período sendo ainda restrita sua condição de excelência. Há também uma tendência de crescimento de PPGs em ciências da vida, exatas e tecnológicas em novos campi, novas universidades e institutos federais criados a partir de 2000 em municípios do interior.
“Engenharia biomédica: escolhas profissionais nas trajetórias docentes” de Maria Angela Boccara de Paula, Alessandra de Cássia Grilo e Maria Auxiliadora Ávila tem por objetivo conhecer o perfil e processo de escolha profissional docente na EB. Do estudo, qualitativo e com abordagem biográfico-narrativa, participaram 11 docentes de um curso de EB, três mulheres e oito homens atuantes em uma universidade do vale do Paraíba paulista. Dados sociodemográficos e sobre a formação foram obtidos na plataforma Lattes e confirmados durante as entrevistas do tipo reflexivas (SZYMANSKI, 2011). Os docentes entrevistados tinham formação acadêmica diversificada, eram doutores, majoritariamente do sexo masculino, média etária de 43 anos e tempo de carreira docente 9,3 anos. Diversos caminhos levaram os docentes à EB, como a escolha da carreira e possibilidades de atuação profissional. Apesar de não ter sido a primeira escolha de carreira, se mostrou como opção de formação e oportunidade de atuação profissional. Os resultados, segundo os autores, indicaram a importância de ampliar reflexão sobre escolha profissional e formação em EB, de forma a promover, estimular e compartilhar alternativas que contribuam para promoção dos saberes e favoreçam a formação de novos profissionais.
“Desenvolvimento e contribuições do estágio em Farmácia no Hospital Universitário Lauro Wanderley” de José Rômulo Batista, Ana Paula Furtado Soares Pontes e Alan Leite Moreira. Esta pesquisa teve por objetivo analisar o desenvolvimento e as contribuições do estágio realizado no Hospital Universitário Lauro Wanderley para a formação de estudantes de Farmácia da Universidade Federal da Paraíba. Além do levantamento bibliográfico e documental sobre estágio no referido curso, realizaram-se entrevistas semiestruturadas com os professores-orientadores do estágio e aplicaram-se questionários junto aos farmacêuticos-preceptores do estágio e aos estudantes-estagiários.
Os dados gerados foram analisados por meio da técnica da análise de conteúdo. Segundo os autores, a partir da compreensão dos sujeitos referenciados, considerou-se que, apesar das lacunas assinaladas, este estágio vem atingindo o seu objetivo, contribuindo, de modo satisfatório, para a formação dos estudantes do curso de graduação em Farmácia.
“Aula universitária: a interação e as práticas na relação educativa” de Claudson Cerqueira Santana, e Marinalva Lopes Ribeiro teve como objetivo: analisar, a partir das representações de professores e estudantes universitários, os processos interacionais e as práticas envolvidas na relação educativa. A pesquisa realizada, de delineamento qualitativo, produziu os dados mediante entrevista narrativa com 6 professores e 6 estudantes de 3 cursos de licenciatura de uma universidade pública do interior da Bahia. As narrativas desses sujeitos foram analisadas com aproximações do método Análise de Conteúdo. Os relatos apresentados pelos sujeitos foram organizados e analisados, a partir de três dimensões: as práticas na sala de aula, relação educativa e dialogicidade, e as interações na sala de aula. As representações dos sujeitos da pesquisa evidenciaram, segundo os autores, um processo de transição paradigmática na relação educativa, a partir das práticas docentes adotadas na sala de aula. Além disso, elucidaram a importância do diálogo e das interações na criação das condições necessárias para que o processo de aprendizagem aconteça de forma assertiva.
“Formação pedagógica de professores universitários: contribuições e lacunas identificadas no processo de revisão da produção intelectual” de Janete Francisca Dias e Juliana Cordeiro Soares Branco é um recorte de uma pesquisa de mestrado intitulada: Processos Formativos de docentes atuantes em cursos de bacharelado e as implicações em sua prática pedagógica. A pesquisa busca investigar os processos formativos vivenciados por docentes de cursos de bacharelado na trajetória profissional e as implicações em sua prática pedagógica. Neste estudo, de natureza quanti-qualitativa, investigaremos as produções acadêmicas publicadas no decênio 2007-2017 sobre a temática: formação pedagógica de professores universitários, tendo como objetivo conhecer as contribuições dessas pesquisas na construção do conhecimento produzido na área. Foram utilizados como fonte de informação os trabalhos completos publicados nos Anais da Reunião Anual da Associação Nacional de Pós-graduação e Pesquisa em Educação - ANPED; No banco de teses e dissertações da Biblioteca da Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG e em sites que divulgam produções relacionadas à área de educação. Com base nas informações dos quadros 1 a 10, constatamos que as discussões acerca desta temática ainda são incipientes. Segundo os autores, os resultados revelaram que a formação pedagógica de professores ainda é pouco valorizada no ambiente universitário, sem a legitimação necessária por parte das instituições de educação superior.
“Eu só quero criar peixes! A construção de significados para conceitos químicos em um curso de aquacultura” de Ana Luiza de Quadros, Dalva Ester da Costa Ferreira e Roberta Guimarães Corrêa tem por objetivo construir significados na disciplina de Química Geral ofertada aos estudantes de um curso de Aquacultura. Foram utilizadas estratégias oriundas da aprendizagem baseada em problemas em uma turma de estudantes desse curso e analisamos o envolvimento deles com as atividades. Segundo as autoras, observou-se uma valorização do conteúdo desenvolvido e uma participação ativa dos estudantes em todas as etapas. A maior valorização da disciplina observada nessa turma, segundo Quadros, Ferreira e Guimarães, pode trazer implicações para os professores de Química Geral, além de um novo desafio a planejar novas experiências.
Iniciando a secção Relatos de Experiência temos um debate sobre “Internacionalização em casa como hub na educação superior: uma proposta de formação” elaborado por Valeska Virgínia Soares Souza e José Celso Freire Junior que tem por como objetivo socializar uma experiência de formação de docentes e de servidores técnicos administrativos de uma Instituição de Ensino Superior para a internacionalização em casa. O foco do curso foi a familiarização dos participantes com as concepções teóricas e práticas que circundam o tema de internacionalização em casa, incluindo questões administrativas e linguísticas, além de análise e de ideação de práticas de internacionalização. Seguindo uma perspectiva metodológica qualitativa, as percepções da professora formadora foram registradas em notas de campo ao longo do curso e as opiniões dos demais participantes foram coletadas por meio de questionários semiestruturados ao final do curso. Os resultados, segundo os autores, apontam para a pertinência dos objetivos do curso e para a qualidade dos módulos propostos. Enquanto motivos externos à ingerência dos participantes, como falta de tempo e período da oferta, conduziram à desistência, motivos relacionados à qualidade da proposta pedagógica e a questões de mediação e interação levaram à permanência. Para Souza e Freire Júnior conclui-se que atividades de formação dessa natureza são imprescindíveis para que instituições de Educação Superior no Brasil possam mobilizar aliados em suas próprias instituições para fomentar a internacionalização em casa.
“Concepções e reflexões de membros da comunidade acadêmica da Universidad Nacional de Córdoba sobre a soberania e segurança alimentar no currículo de nutrição: relato de uma visita acadêmica” de Gabriel Cunha Beato, Lidia Ana Del Valle Carrizo e Maria Rita Marques de Oliveira tem como objetivo relatar a experiência de uma visita acadêmica guiada por entrevistas realizada na Escola de Nutrição da Faculdade de Ciências Médicas da Universidad Nacional de Córdoba no ano 2019. Foram realizadas entrevistas estruturadas com 7 personagens chaves acerca da compreensão e da presença da soberania e segurança alimentar no atual currículo de graduação em Nutrição. Como principal resultado, segundo os autores, observou-se que os personagens-chaves possuíam conhecimento sobre estas temáticas, mas que estes conteúdos não eram presentes de maneira clara no currículo.
“Epistemologia e ciências da educação: conceitos epistemológicos clássicos na construção de dissertações” de Jorge Alejandro Santos e Tania Mara Zancanaro Pieczkowski tem como objetivo abordar uma experiência de formação na área da educação referente às concepções epistemológicas clássicas, ou seja, relacionadas à produção e legitimação do conhecimento científico. Faz referência ao curso de extensão “Lógica e Metodologia das Ciências Sociais” ministrado no Programa de Pós-Graduação em Educação da Unochapecó no início de 2020. A maioria dos participantes era de mestrandos do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Educação da Unochapecó, mas também havia participantes de outros cursos de pós-graduação stricto sensu da instituição, a exemplo de Ciências da Saúde, além de estudantes de outras universidades da região. O curso pretendeu ser original no sentido de que ao invés de focar nos aspectos teóricos e discussões típicas da epistemologia, direcionou a atenção para as aplicações práticas dessas ideias na construção de uma dissertação de mestrado. Este artigo descreve essa experiência, expõe a estratégia pedagógica utilizada para atingir o objetivo do curso e avalia seus resultados. Vale a pena conferir!
“A dinamização de vivências lúdicas nas aulas de pesquisa e estágio em educação infantil” de Sandra Alves de Oliveira, Jany Rodrigues Prado e Sônia Maria Alves de Oliveira Reis é um relato que tem por objetivo analisar, como já está exposto no título, os sentidos da dinamização de vivências lúdicas na formação e prática docente de futuras professoras que participaram das diferentes metodologias de ensino-aprendizagem utilizadas nas aulas de Pesquisa e Estágio em Educação Infantil pelas professoras formadoras desse componente curricular, pela bolsista de ensino e pelas estudantes do 6.° semestre do turno matutino do curso de Pedagogia do Departamento de Educação (DEDC) de Guanambi, Campus XII da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), no primeiro semestre de 2018. As vivências lúdicas durante as aulas constituíram-se em um importante momento de reflexão sobre como as acadêmicas poderiam pensar seu planejamento para as crianças da educação infantil, etapa na qual teriam que realizar as atividades de estágio. Segundo os autores, foi importante pensar a formação docente a partir da relação teoria e prática, do trânsito entre universidade e educação básica, da indissociabilidade dos saberes curriculares, acadêmicos e experienciais.
“Uso de simuladores empresariais no ensino de administração: relatando a experiência e avaliando os resultados” de Douglas Heinz, Maria José Carvalho de Souza Domingues e Iara Regina dos Santos Parisotto tem por objetivo desse estudo foi avaliar a percepção dos acadêmicos participantes de experiência de implantação e utilização de simuladores empresariais em um curso de graduação de Instituição de Ensino Superior (IES) Comunitária do Estado de Santa Catarina. Os resultados, segundo os autores, apontam que a adoção de um simulador empresarial deve ser acompanhada de critérios pedagógicos, como a definição de objetivos de aprendizagem claros, e operacionais, como a preparação das turmas e os procedimentos de aplicação do jogo. Além disso, são destacados os resultados de uma investigação realizada junto a acadêmicos de administração que participaram da aplicação do simulador. Para Heinz, Domingues e Parisotto a percepção dos estudantes foi positiva quanto às contribuições do jogo para a sua formação profissional, sobretudo por permitir a integração de conteúdos trabalhados de forma individual durante o curso.
Na seção Resenha temos Andreia Aparecida Simão, da Universidade do Oeste de Santa Catarina, resenhando o livro da nossa querida Profa. Dra. Olinda Evangelista - UFSC, no papel de organizadora principal da obra publicada, na modalidade coletânea, lançada pela Editora Mercado de Letras, intitulada “Desventuras dos professores na formação para o capital”.
Nada mais nos resta a não ser desejar uma profícua leitura a tod@s desejando- lhes um ano de 2023 repleto de saúde, prosperidade e esperança na construção de um Brasil melhor possível.
Campinas, janeiro de 2023.
Maria de Lourdes Pinto de Almeida
Gildenir Carolino Santos










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