1 Introdução
De acordo com o Art. 1º da Lei Nº 11.788, de 25 de setembro de 2008, “o estágio é ato educativo escolar supervisionado, desenvolvido no ambiente de trabalho, que visa à preparação para o trabalho produtivo de educandos que estejam frequentando o ensino regular em instituições de educação superior [...]” (BRASIL, 2008). Para esse processo formativo, as Diretrizes Curriculares Nacionais dos cursos de graduação em Farmácia, Resolução CNE/CES N° 6/2017, estabeleceram que os estudantes tenham, no mínimo, 20% da carga horária total destinada às atividades de estágio curricular supervisionado (BRASIL, 2017).
No curso de graduação em Farmácia da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) os estágios são ofertados desde o segundo até o último semestre letivo. Os estágios são distribuídos da seguinte maneira: estágio observacional (estágio vivência I), estágio em programas acadêmicos (estágio vivência II e III), estágio em serviços farmacêuticos (estágio vivência IV a VIII), estágio supervisionado (I, II ou III) e estágio regional interprofissional (UFPB, 2007).
Atualmente, apenas parte dos estudantes da disciplina de estágio vivência V - farmácia hospitalar1 e do estágio supervisionado III - análises clínicas2 realizam estágio no Hospital Universitário Lauro Wanderley (HULW), o que pode ser reflexo do baixo nível de integração do ensino do curso de Farmácia com a assistência à saúde no hospital-escola. Dentre estes, optamos por investigar o estágio na área da Farmácia Hospitalar.
Especificamente, o estágio vivência V em Farmácia Hospitalar, tem o Setor de Farmácia Hospitalar (SFH) do HULW como referência para a vivência da formação teórico-prática nessa área. É um componente curricular obrigatório com três créditos, que objetiva capacitar o estudante para atuar em farmácia hospitalar, com uma visão crítica do seu papel na equipe de saúde, na otimização dos recursos materiais e humanos e na atenção farmacêutica.
Neste estágio, os estudantes são apresentados à Farmácia Hospitalar como um órgão de abrangência assistencial técnica-científica e administrativa, onde se desenvolvem atividades ligadas à produção, ao armazenamento, ao controle, a dispensação e a distribuição de medicamentos e correlatos às unidades hospitalares, bem como a orientação de pacientes internos e ambulatoriais visando sempre a eficácia da terapêutica, além da redução dos custos, voltando-se, também, para o desenvolvimento da Inter-relação dos diversos profissionais da saúde, o ensino e a pesquisa, propiciando um vasto campo de aprimoramento profissional (UFPB, 2007).
A observação da integração entre as atividades planejadas pelos docentes do Departamento de Ciências Farmacêuticas (DCF) da UFPB e as unidades do HULW, que constituem um importante campo de estágio para o curso de graduação em Farmácia, motivou a construção desta pesquisa.
Nossa atuação profissional enquanto farmacêutico-preceptor3 de estágio nesta unidade hospitalar, suscitou inquietações quanto à necessidade de uma vivência com maior duração, com uma maior integração ensino-assistência e com uma melhor comunicação entre os profissionais das unidades e os docentes. Esses fatores podem influenciar o processo ensino-aprendizagem decorrentes da formação advinda do estágio.
Nessa perspectiva, este artigo, que constitui um recorte dos resultados da dissertação desenvolvida entre 2018 e 2019 no Mestrado em Políticas Públicas, Gestão e Avaliação da Educação Superior (MPPGAV), vinculado ao Centro de Educação da UFPB, tem como objetivo analisar o desenvolvimento e as contribuições do estágio em farmácia hospitalar para a formação dos estudantes de Farmácia.
2 Metodologia
Nossa pesquisa, de cunho qualitativo (MINAYO, 2009), segue uma abordagem fenomenológica, partindo das experiências individuais subjetivas dos sujeitos envolvidos (Professores do DCF; Servidores do SFH e Estudantes), reconhecendo suas percepções e o significado que atribuem ao fenômeno ou à experiência (SAMPIERI; COLLADO; LUCIO, 2010).
Neste estudo, além do levantamento bibliográfico e documental sobre estágios dos estudantes de Farmácia, também envolvemos todos os sujeitos envolvidos no estágio vivência V no SFH/HULW: professores, com os quais realizarmos entrevistas semiestruturadas, e supervisores de estágio e estudantes, que foram convidados a responder questionários com perguntas subjetivas e objetivas. Ao contrário dos supervisores, que preencheram o questionário impresso, os estudantes receberam o referido instrumento via e-mail, por intermédio do formulário Google.
A coleta de dados foi realizada no HULW, localizado no Campus I da UFPB, na cidade de João Pessoa, Paraíba, no 2º semestre de 2019. O hospital é um órgão suplementar desta Universidade que está sob a gestão da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH), empresa pública de direito privado vinculada ao Ministério da Educação (MEC). Tem caráter público, não possui fins lucrativos e atende, apenas, aos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS).
Para validação do instrumento de pesquisa na entrevista, foi realizado teste-piloto previamente, procedendo-se as alterações que se mostraram pertinentes. Posteriormente, foi realizada a análise das respostas dos sujeitos pesquisados. Os dados qualitativos foram tratados por meio da metodologia de análise do conteúdo, conforme Bardin (2009) e Oliveira et al. (2008).
A pesquisa foi desenvolvida, após aprovação - em 1º de setembro de 2019, por meio do processo Nº 17203719.4.000.5183, parecer Nº 3.546.869 - pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos do HULW, em cumprimento às normas das resoluções para pesquisa em seres humanos do Conselho Nacional de Saúde.
3 Resultados e Discussão
As entrevistas foram realizadas com todos os três (03) professores-orientadores4 envolvidos nesse estágio. Em relação aos supervisores de estágio do SFH/HULW, aplicamos questionários com todos os seis (06) Farmacêuticos-preceptores desse setor que supervisionam os estudantes em estágio vivência V no hospital.
No caso dos estudantes, o questionário foi enviado para todos os que realizaram o estágio vivência V no SFH/HULW nos períodos letivos 2018.1 e 2018.2, num total de 32 (trinta e dois) estudantes, e 25 (vinte e cinco) responderam à pesquisa. Em termos percentuais, a quantidade de estudantes que participaram da pesquisa correspondeu a 78,12% do total de estagiários, o que nos leva a considerar como um número de respondentes bastante expressivo, conforme indicado na tabela a seguir.
TABELA 1: Estagiários de Vivência V convidados a participar da pesquisa
| Período | Nº Estagiário | Não Responderam5 | % | Responderam | % |
|---|---|---|---|---|---|
| 2018.1 | 21 | 6 | 28,57% | 15 | 71,43 |
| 2018.2 | 11 | 1 | 9,09% | 10 | 90,91 |
| Total | 32 | 7 | 21,88 | 25 | 78,12 |
Fonte: Dados da pesquisa - elaborada pelo autor, 2019.
A discussão dos dados da pesquisa leva em conta a compreensão dos sujeitos envolvidos em relação ao estágio a partir das respostas às perguntas do roteiro das entrevistas concedidas pelos professores-orientadores e aos questionários respondidos pelos farmacêuticos-preceptores do estágio do SFH/HULW e pelos estagiários.
3.1 Desenvolvimento do estágio
Nesta categoria, analisaremos a forma como o estágio vem ocorrendo no SFH/HULW, a partir do ponto de vista dos envolvidos no seu desenvolvimento. Nesse sentido, os professores-orientadores informaram que acompanham os grupos de estudantes uma vez por semana, durante três (03) horas, no estágio com os (as) farmacêuticos do hospital.
Os professores-orientadores relatam que muitas atividades são orientadas de modo conjunto com os farmacêuticos-preceptores, dependendo do local onde elas são desenvolvidas.
Os alunos acompanham as atividades em forma de vivência, com relação à função do farmacêutico no ciclo de assistência farmacêutica, na farmácia hospitalar, durante três horas, uma vez por semana (Professor 2).
[...] os alunos vivenciam a experiência na Farmácia Hospitalar com o professor, durante todo tempo, no local junto ao servidor preceptor para tirar qualquer dúvida e dar assistência aos alunos. (Professor 3).
No entanto, o professor 3 afirma que até agora não conseguiu realizar atividades conjuntas, de forma planejada, com os farmacêuticos locais do SFH, embora sempre tenha pensado nessa possibilidade e até proposto algo nesse sentido para a coordenadora do Estágio.
Na compreensão dos Farmacêuticos-preceptores do SFH/HULW, os professores apresentam o Hospital e o Setor de Farmácia Hospitalar aos estudantes no primeiro dia de estágio, no início do período letivo e na sequência do estágio eles são encaminhados aos Farmacêuticos, preceptores que acompanharão as atividades em forma de rodízio em todas as áreas do SFH, com os professores presentes nos dias do estágio. Entretanto para o Farmacêutico 5, esse encaminhamento dos estagiários ocorre sem o devido agendamento, o que confirma a falha do planejamento já referido nesta categoria de análise, dificultando o trabalho do preceptor no acompanhamento dos estagiários.
Fica evidente, conforme os dados da pesquisa, que a participação dos professores nas atividades conjuntas com os preceptores locais precisa ser avaliada e redimensionada, pois, como afirma o Farmacêutico 4: “na Unidade de Farmácia Clínica não existe atividade conjunta ou em parceria os professores”. Deve ser considerada, igualmente, a afirmação do Farmacêutico 1: “acredito que não acontece atividade conjunta, professores e supervisores de forma programada, porque ainda não há uma interação efetiva entre o SFH e a academia”.
Os dados da pesquisa confirmam a presença dos professores no acompanhamento aos estagiários, até porque, nesse componente curricular (estágio vivência V), é necessária a orientação e a supervisão direta do docente. No entanto, na compreensão dos preceptores, fica evidente a necessidade de ajustes nesse acompanhamento, em relação às atribuições do professor e dos farmacêuticos que exercem a função de preceptor de estágio, como também de um planejamento de ações conjuntas.
É importante ressaltar que, como ato educativo escolar supervisionado, o estágio deve ter acompanhamento efetivo pelo professor orientador da instituição de ensino e pelo supervisor da parte concedente (BRASIL, 2008). A concretização dos seus objetivos acontece pela ação integradora entre gestores, docentes, estudantes e trabalhadores das unidades, que serão os facilitadores, os supervisores do processo de trabalho no ambiente do estágio. Dessa maneira, a integração entre esses atores é a base para o fortalecimento das parcerias e para o desempenho do ensino teórico-prático, conforme destacam Brehmer e Ramos (2014).
No que se refere ao desenvolvimento do estágio, considerando as respostas dos estudantes em relação à oportunidade de atuação junto à equipe multiprofissional, com vistas à resolução de problemas em diferentes situações, identificamos que 40% dos estagiários consideram razoável, 32%, adequado, 16%, insuficiente, e 8%, inexistente. No que diz respeito aos aspectos éticos e profissionais entre os sujeitos envolvidos no estágio, 84% dos estudantes consideram adequado, e 16%, razoável.
Entretanto, com base nas respostas abertas do questionário sobre atividades e conteúdo do estágio, percebe-se certa dificuldade na compreensão, por parte dos estudantes, de entender o porquê apenas observar as atividades, sem assumir, efetivamente, a execução do que está sendo realizado no setor. Isso se deve ao fato de que se trata de um estágio vivência, que tem como objetivo conhecer o funcionamento da farmácia hospitalar e suas unidades nas atividades diárias. “Não existe prática, na maioria das vezes, só aula” (Estudante 13); “Ser mais prático em alguns setores, dentro do possível” (Estudante 29). Nesse sentido, é importante ressaltar que, nos relatórios de estágio analisados, os estudantes não mencionam qualquer tipo de execução em relação às atividades desenvolvidas no SFH. Neles, também, não é encontrada qualquer análise comparativa entre o que foi planejado e as atividades desenvolvidas ou vivenciadas, como se o planejamento cumprisse apenas uma mera formalidade ou assumisse apenas uma função burocrática.
Outro aspecto que chamou atenção na pesquisa, em relação ao desenvolvimento do estágio, foi a avaliação dos estudantes em relação ao apoio e ao acompanhamento dos estudantes no estágio. Embora a maioria tenha considerado como adequado ou razoável, alguns avaliaram como insuficiente, sendo pertinente analisar a percepção de um deles:
Às vezes, a sensação que temos é como se os profissionais que fiscalizam ou supervisionam os estudantes se sentissem atrapalhados pelos estagiários, como uma obrigação que eles não quisessem ter em auxiliar, mostrar e interagir com as novas pessoas que estão circulando, atrapalhando seus trabalhos (Estudante 1).
Esse comentário do discente, deve ser considerado na avaliação do estágio, pois, como afirmam Pasqualeto e Fonseca (2016), a supervisão, nessa atividade acadêmica, deve desempenhar um papel importante na aproximação crítica entre a capacidade do estudante e o suporte oferecido pela instituição concedente do estágio. Por meio da supervisão, é possível haver uma transferência significativa de conhecimentos capaz de proporcionar aprendizagens ao estagiário.
Nesse sentido, apesar de o estágio ser avaliado como satisfatório pelos participantes da pesquisa, infere-se que tal acompanhamento merece atenção em estudos posteriores tendo em vista compreender se essa experiência acadêmica está favorecendo o suporte teórico-prático em meio à dinâmica própria do processo de trabalho desenvolvido pelos professores-preceptores no setor de estágio, o que nos remete aos achados de Pontes (2007), quando assim problematiza a questão a partir de uma pesquisa sobre estágio na área técnica:
As referências feitas ao acompanhamento desenvolvido [...], nos faz considerar que esta atividade ocorre em meio à dinâmica própria da empresa, não havendo um processo formal e sistemático de acompanhamento de estagiário. Assim, ele se dá dentro do cotidiano do trabalho do setor no qual o estagiário está lotado, em meio ao seu ritmo e dificuldades próprias de um setor voltado para a produção. (PONTES, 2007, p.168-169).
Em relação ao tempo para o desenvolvimento das atividades do estágio, 52% dos estudantes que responderam ao questionário da pesquisa consideram como razoável, 32%, adequado, e 16%, insuficiente. Evidencia-se, assim, a necessidade de ajustes na carga horária do estágio, o que deve ser considerado pela coordenação, no sentido de adotar providências nesse sentido.
3.2 Contribuições do estágio
No que se refere à contribuição do estágio na formação dos estudantes de Farmácia, para os professores-orientadores, o estágio vivência V, realizado no SFH/HULW, é de grande relevância para a formação dos estudantes de Farmácia, atingindo, portanto, o seu objetivo:
É completamente satisfatório, cumpre o objetivo da disciplina: vivenciar a rotina da Farmácia Hospitalar; inclusive fica evidente nas avaliações dos alunos (Professor 1);
Extremamente importante, pois é um campo de estágio da própria Universidade que auxilia a maturação do aluno no contexto em que ele se encontra no curso e como ele se insere na realidade do hospital (Professor 2);
Os estagiários têm feito excelentes comentários e realmente esse é o primeiro estágio que eles botam a mão na massa, que eles vivenciam coisas práticas. Eles falam muito bem do estágio no HU e, na hora que avaliam a disciplina, eles têm a possibilidade de me avaliar no SIGAA. Eu recebo nota também ao final de cada semestre, e os alunos geralmente dão retorno de forma positiva, as notas têm sido boas, mas isso é um reflexo do estágio. Se eles gostaram ou não, então o professor recebe uma nota boa (Professor 3).
Entre os farmacêuticos-preceptores de estágio do SFH/HULW, apenas um (1) considera a contribuição do estágio na formação dos estudantes como muito significativa, três (3), como significativa, e dois (2), medianamente significativa. Seguem as justificativas apresentadas:
Significativa, porque no serviço o aluno pode compreender as atividades, fazer uma conexão entre teoria e prática, observar as deficiências do setor e contribuir com ideias para o aperfeiçoamento do SFH (Farmacêutico 1);
Significativa, pois o estágio vivência apresenta ao estudante as atividades práticas que o profissional farmacêutico irá desenvolver após a sua formação, sendo de grande importância para o aluno se inserir na realidade de sua profissão e vivenciar o que é tratado em sala de aula (Farmacêutico 2);
Significativa, mas seria necessário um tempo maior para que os alunos pudessem acompanhar as rotinas de forma mais integrada com confiança e conhecimento teórico-prático, contribuindo na realização das rotinas de trabalho das Unidades do SFH (Farmacêutico 3);
Medianamente significativa, devido à falta de uma linha de raciocínio lógica para o aluno onde professores e preceptores estejam envolvidos no cuidado ao paciente (Farmacêutico 4);
Medianamente significativa, pois os alunos não são adequadamente orientados quanto a rotina da assistência farmacêutica (Farmacêutico 5);
Muito significativa, pois dá ao aluno uma visão geral das práticas no âmbito da Assistência e Atenção Farmacêutica, capacitando para o seu desenvolvimento profissional, necessitando apenas de ajustes (Farmacêutico 6).
Nas respostas à pregunta se o estágio vivência V atendeu às expectativas, 52% dos estagiários que participaram da pesquisa consideram que atendeu totalmente, e 48%, que atendeu parcialmente. Essa compreensão está evidente, também, nos relatórios de estágio analisados, nos quais os discentes de Farmácia, no total de quinze (15), consideraram positiva a experiência formativa vivenciada.
Podemos constatar que, na compreensão dos participantes da pesquisa, apesar dos problemas mencionados, principalmente pelos farmacêuticos-preceptores e estudantes - em relação ao planejamento, ao desenvolvimento, à avaliação, à integração ensino-assistência e dificuldades encontradas na realização do estágio - todos os sujeitos envolvidos nesta pesquisa consideram que essa experiência formativa vem cumprindo, satisfatoriamente, seus objetivos enquanto estágio vivência em serviço de saúde, neste caso, nas unidades do SFH, mas que ela precisa ser melhorada, como ficou constatado nas categorias analisadas.
Nesse sentido, os participantes da pesquisa indicaram algumas sugestões em relação ao desenvolvimento do estágio, tais como: ajustar a carga horária da disciplina e o cronograma das atividades; valorizar mais a figura do preceptor local; melhorar a articulação entre o professor, o preceptor e o estudante; dinamizar mais o estágio, associando conhecimento teórico-prático com mais autonomia e inclusão dos alunos nas atividades; organizar melhor o acompanhamento dos alunos em estágio; repetir algumas vivências nas áreas de maior identificação do aluno com mais prática; e preparar melhor didaticamente os preceptores para acompanhar os estagiários.
Todas as sugestões apresentadas podem, em alguma medida, contribuir para melhorar o desenvolvimento do estágio. Portanto, precisam ser alvo de atenção, discussão, aprofundamento e análise a partir do empenho e do envolvimento direto dos gestores do SFH e das suas unidades, professores, incluindo a coordenação do estágio, considerando os farmacêuticos e os supervisores locais. Assim, terão a oportunidade de coletivamente definirem a pertinência de incorporação e/ou ajustes de sugestões apresentadas, bem como a definição de outras propostas que julguem necessárias.
A seguir, no Quadro 1, sintetizamos as principais sugestões para a melhoria do Estágio de Vivência V no SFH/HULW, com a identificação dos seus aspectos mais importantes.
Quadro 1: Apresentação sintética da análise do Estágio de Vivência V
| Pontos Positivos | Pontos Negativos | Sugestões de Melhoria |
|---|---|---|
| • Estágio vinculado à própria Instituição de ensino; • Diversidade de atendimento por se tratar de um hospital geral de média e alta complexidade; • Vivência da dinâmica na assistência farmacêutica integrada à equipe multiprofissional; • Melhoria na estrutura física e na contratação de pessoal na gestão do hospital pela EBSERH; • Estruturação da Unidade de Farmácia Clínica no SFH. |
• Falta planejamento adequado nas diversas fases do estágio; • Pouca informação sobre avaliação do estágio e do estagiário; • Falta clareza e empenho das partes (SFH e Academia) na efetivação da Integração Ensino Assistência (IEA) no estágio; • Carga horária do estágio insuficiente; • Pouca motivação e valorização dos supervisores preceptores locais; • Escassa discussão conjunta sobre avaliação do desenvolvimento do estágio no SFH. |
• Planejar o estágio em nível local, a partir do Plano de Atividades de Estágio (PAE) com a participação dos gestores e servidores do SFH; • Informar e discutir nas Unidades o cronograma do PAE, rever a carga horária do estágio, dinamizar as atividades conjuntas e valorizar os supervisores locais; • Diversificar as estratégias para participação direta dos supervisores na avaliação dos estagiários; • Realizar mais atividades intersetoriais, em todas as Unidades, a partir das iniciativas dos Farmacêuticos, das professoras e/ou dos estagiários; • Maior participação das professoras na IEA e incentivos aos supervisores locais; • Discutir e dar encaminhamento às sugestões para a melhoria do estágio apresentadas como contribuição desta pesquisa. |
Fonte: Dados da pesquisa - Elaborado pelo autor, 2019.
4 Considerações Finais
Os achados deste artigo reforçam o entendimento de que o estágio tem importância fundamental na formação do estudante, estando inserido no projeto político-pedagógico do curso, de modo que a sua prática seja articulada à teoria, em uma relação dialética desse processo formativo. É, portanto, um lugar no qual o estudante desenvolve seus conhecimentos a respeito de uma determinada função a partir da vivência e da experiência adquirida em contato com a instituição que oferece o estágio; nesse caso específico, o Hospital Universitário Lauro Wanderley.
Nesse espaço, o estagiário pode relacionar teoria e prática, e, ainda, se possível, contribuir para a melhoria das experiências vivenciadas na Instituição. A relação entre o professor-orientador da instituição de ensino, o estudante e o farmacêutico-preceptor do órgão concedente do estágio é importante para o processo de aprendizagem do estagiário e a adequação às necessidades técnicas da função exercida, além de sua vivência e experiência adquirida durante a realização do estágio. A integração dos professores com os preceptores precisa se concretizar com ações conjuntas, planejadas, envolvendo os estudantes, dinamizando o estágio, associando conhecimentos teórico-práticos, com mais autonomia e inclusão dos alunos nas atividades do estágio.
Portanto, a partir da compreensão dos sujeitos referenciados, considerou-se que, apesar das lacunas, o estágio vivência na área de Farmácia Hospitalar, desenvolvido no Hospital Universitário, vem atingindo o seu objetivo. Essa experiência tem contribuído, de modo satisfatório, para a formação dos estudantes do curso de graduação em Farmácia, em que pese tenha que ser aprimorado nos aspectos assinalados ao longo desta pesquisa.










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