1 Introdução
O surgimento de novas Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) tem contribuído para o desenvolvimento da sociedade em vários aspectos, dentre eles, a atualização e formação profissional. Por meio de computadores e dispositivos móveis tais como smartfones, tablets e smartwatches, além de Smart TV e consoles de jogos, o acesso às informações encurta distâncias antes não permitidas sem a tecnologia.
Com essa evolução, as pessoas têm buscado se adaptar aos mais diversos modelos oferecidos, gerando um aumento no acesso a esses dispositivos, como podemos verificar em pesquisa desenvolvida pelo Centro de Estudos sobre as Tecnologias de Informação e de Comunicação (CETIC) por meio da pesquisa TIC Domicílios 2019, que três em cada quatro brasileiros são usuários de internet no Brasil, o que corresponde a (74%) da população. A pesquisa também evidenciou a utilização do celular como dispositivo mais utilizado, alcançando (99%) e sendo considerado como fonte única para acesso à internet, chegando a atingir (58%).
Para tanto, podemos perceber o alcance da tecnologia e as possibilidades que oferecem enquanto ferramenta de contribuição para o desenvolvimento social, profissional e pessoal dos indivíduos no exercício de suas atividades.
De acordo com esse contexto, faz-se necessário desenvolver novas propostas que permitam a busca desse desenvolvimento de forma prática e inovadora, em favor do ensino, desafiando a necessidade de formação dos profissionais da educação, mediando conhecimento por meio de recursos tecnológicos. Nesse contexto, destacamos, então, o professor como figura indispensável no processo de mediação do estudante com o saber, justificando a formação continuada como ferramenta de auxílio para a aquisição de competências para conduzir os estudantes à aprendizagem.
Nesta perspectiva, destacamos que a formação dos professores, antes dos artefatos tecnológicos, era impactada negativamente pela necessidade de o docente ter que se deslocar e incluir na sua rotina de trabalho horário engessado por outros para a sua capacitação continuada. Com o advento da tecnologia, a formação como processo, dentre outras coisas, também sofre alteração e favorece a liberdade de escolha quanto ao tema, local, tecnologia e horário que se adequem ao seu estudo.
Ainda sobre a formação de professores, Paulo Freire (2001 p. 80) deu uma importante contribuição ao dizer:
[...] um dos programas prioritários em que estou profundamente empenhado é o de formação permanente dos educadores, por entender que os educadores necessitam de uma prática político-pedagógica séria e competente que responda à nova fisionomia da escola que se busca construir.
Diante da afirmação de Freire (2001), quanto à prática político-pedagógica, ressaltamos a necessidade latente de formação pedagógica dos professores, para atuar com os mais diversos perfis de estudantes e a promoção de uma educação inclusiva que a sociedade tanto almeja.
Tal contexto ficou evidente após o ano de 1994, com o conjunto de propostas e recomendações abordados na Declaração de Salamanca (1994) quanto à educação especial e que visam à inclusão social de crianças, jovens e adultos com necessidades educacionais nos sistemas regulares de ensino.
No Brasil ocorreu a criação de diversas políticas inclusivas, dentre as quais podemos destacar a Lei Brasileira de Inclusão (LBI) - Lei nº 13.146/2015, criada em 2015 e que norteou o Estatuto da Pessoa com Deficiência, que trata da inclusão e da acessibilidade sob diferentes aspectos da sociedade, inclusive no âmbito educacional (BRASIL, 2015).
O conjunto dessas políticas nos leva a reflexão sobre o papel do docente como profissional que necessita de contínua atualização para melhoria da qualidade de sua prática, entendendo o impacto da inclusão para a sociedade e o papel desempenhado pelas universidades nesse contexto.
Ao abordar a inclusão, destacamos os jovens estudantes com Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) no ensino superior e o papel da formação pedagógica dos docentes na promoção da inclusão desses jovens.
O perfil de estudantes com TDAH no ensino superior é o que apresenta necessidades educacionais inclusivas, caracterizadas por dificuldades de aprendizagem, tais como inabilidade de leitura escrita e em matemática somado, por vezes, a algum tipo de transtorno específico (ROTTA et. al., 2006). Muitos apresentam resultados abaixo do esperado, constantemente confundido com fatores comportamentais.
Portanto, este artigo apresenta resultados parciais da validação do conteúdo pedagógico de um produto educacional desenvolvido a partir de pesquisa realizada durante um curso de Mestrado Profissional da área de Ensino em uma instituição de ensino superior do interior do Estado o Rio de Janeiro.
No âmbito da área de ensino considera-se o produto educacional como um instrumento didático-pedagógico nas práticas docentes cotidianas, buscando aperfeiçoar o trabalho docente e o processo de ensino e aprendizagem (RIZZATTI et. al., 2020, p. 4).
Diante disso, se faz necessário ressaltar a importância de produzir produtos educacionais com maior potencial de transformação, quando entendemos que:
A perspectiva de formação stricto sensu na modalidade Profissional tem sido valorizada ao mesmo tempo em que se consolida esta modalidade de cursos. Na área do Ensino, devemos cuidar para que a produção intelectual, na forma de PE, e na reflexão sobre essa produção, possa efetivamente oportunizar momentos de debates e transformações na Educação Básica. Desta forma, entendemos que uma discussão cada vez mais detalhada sobre os PE pode nos conduzir a uma qualificação maior destes. (RIZZATTI et. al., 2020)
Para tanto, o objetivo deste artigo é apresentar as etapas de validação do manual do produto educacional a ser utilizado por docentes do ensino superior de cursos da área da saúde, preparando-os para atuar com estudantes com TDAH. Desse modo, ao utilizar como recurso o Instrumento de Validação de Conteúdo Educativo (IVCE), buscar-se-á compreender se o Podcast pode ser utilizado como ferramenta de orientação e aprendizagem para a prática docente.
2 Método
O desenvolvimento do estudo atendeu as normas de ética em pesquisa envolvendo seres humanos. A pesquisa obteve aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos do Centro Universitário de Volta Redonda (UNIFOA), sob número CAAE: 25993219.9.0000.5237 e com parecer de aprovação número 3.748.900 Os especialistas que concordaram em participar deste estudo assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) e foram orientados quanto ao objetivo da investigação e à natureza da coleta de dados. O formulário para a coleta dos dados iniciais teve como base os resultados parciais da dissertação de mestrado realizada pelas autoras, onde foi elaborado um manual de produto educacional para auxiliar no processo de validação.
Trata-se de um estudo metodológico cujas etapas obedecem a sequência de estrutura conceitual: revisão narrativa; construção das perguntas e escala de respostas; estruturação do instrumento e validação de conteúdo por especialistas.
A primeira etapa constituiu o embasamento teórico do instrumento e foi realizada por meio de revisão narrativa na base de dados Scientific Electronic Library Online (Scielo), que segundo Rother (2007, p. 14): “os artigos de revisão narrativa são publicações amplas apropriadas para descrever e discutir o desenvolvimento ou o ‘estado da arte’ de um determinado assunto, sob ponto de vista teórico ou conceitual”.
A questão norteadora que embasou essa etapa foi entender quais os instrumentos de avaliação que poderiam ser utilizados para validar conteúdos educacionais tecnológicos?
Para responder a pergunta, foram utilizados os descritores “Estudo de Validação” and “Tecnologia Educacional” and “Multimídia Educacional”.
Os critérios de inclusão estabelecidos foram: pesquisas disponibilizadas na íntegra no idioma português, que abordassem validação de conteúdo educativo e publicadas a partir de 2016 até 2020 objetivando delimitar o que a literatura apresentava de conteúdos mais recentes de forma a contemplar as principais informações, e por estar em consonância com o mesmo espaço temporal da dissertação de mestrado que originou o artigo. Foram excluídas produções que não fossem artigos e as publicações duplicadas. Dessa forma, foram encontrados 54 artigos, sendo incluídos quarenta e um. Entretanto, após leitura dos textos completos foram excluídos 33, totalizando oito artigos analisados.
As produções analisadas evidenciaram que os instrumentos utilizados para validação de produtos tecnológicos baseiam-se em fatores relacionados à estrutura e apresentação, bem como à relevância e concordância, onde os fatores relacionados à concordância se referem à estrutura e organização do produto, quanto à apresentação. Os fatores ligados à relevância se referem ao impacto e relevância do produto para o público-alvo, e sua significância e interesse para a sociedade.
Na segunda etapa, foi realizada a construção das perguntas do questionário de instrumento, escala de respostas e estruturação do instrumento. Tiveram como base a proposta de Ficha de avaliação de Produto/Processo Educacional para a segunda instância de validação sugerida por um dos grupos de trabalho sobre produto educacional da área de ensino, de modo a elevar os critérios de qualidade do produto.
O grupo destaca ainda que:
A adoção de critérios de elaboração e validação de Produtos/Processos Educacionais (PE) que valorizam métodos de pesquisa como: a escolha e apreensão de referencial teórico-metodológico que fundamentem as metodologias de ensino; formas de avaliação e seleção de conteúdos que sustentarão a elaboração da dissertação/tese e do PE; bem como a fase de revisão do Produto, ancorada em análise crítica das etapas científicas, retira de cena a visão instrumental que a academia ainda possa ter sobre os Programas Profissionais, evidenciando o papel formativo dos mesmos (RIZZATTI et al., 2020, p. 14).
Diante disso, considerando os exemplos apresentados por Capes (2013, p. 2) como produtos educacionais e tecnológicos com podemos citar:
Mídias educacionais (vídeos, simulações, animações, vídeo-aulas, experimentos virtuais, áudios, objetos de aprendizagem, aplicativos de modelagem, aplicativos de aquisição e análise de dados, ambientes de aprendizagem, páginas de internet e blogs, jogos educacionais, etc.); * Protótipos educacionais e materiais para atividades experimentais; * Propostas de ensino (sugestões de experimentos e outras atividades práticas,, sequências didáticas, propostas de intervenção, roteiros de oficinas, etc.); Material textual (manuais, guias, textos de apoio, artigos em revistas técnicas ou de divulgação, livros didáticos e paradidáticos, histórias em quadrinhos e similares); * Materiais interativos (jogos, kits e similares); * Atividades de extensão (exposições científicas, cursos, oficinas, ciclos de palestras, exposições, atividades de divulgação científica e outras).
Tais características desses produtos, evidenciam a necessidade de se proporcionar interatividade, inovação, linguagem adequada e de qualidade ao público-alvo, o instrumento foi construído com ênfase aos fatores: complexidade, impacto, aplicabilidade, acesso, aderência e inovação.
O fator complexidade se refere à concepção do produto ser resultado de observação ou prática profissional oriunda de pesquisa de dissertação ou tese e se apresenta metodologia clara, referenciais teóricos também empregados na pesquisa e apontamentos quanto aos limites de utilização. Considera-se quanto ao fator impacto a utilização do produto no sistema educacional da pesquisa e ao público alvo. O fator aplicabilidade refere-se ao potencial e à facilidade de aplicação do produto. O fator acesso refere-se à forma e disponibilização do produto, gratuidade de acesso, bem como a abrangência territorial.
O fator aderência está relacionado à origem do produto que deve estar atrelado às linhas de pesquisa de programas stricto sensu. E por fim, o fator inovação, considera se a criação do produto apresenta forma original e inovadora, ou modifica e melhora modelos já existentes.
Em seguida, foi realizada a organização desses itens, e elaborado o formulário, que foi dividido em três partes, sendo: parte 1. Autorização do Termo de Consentimento Livre Esclarecido (TCLE); parte 2: Perfil do Especialista composto de 12 perguntas; parte 3: Perguntas Específicas referentes à validação do produto educacional com 18 perguntas.
Logo, realizou-se a estruturação do Instrumento de Validação de Conteúdo Educativo (IVCE), que de acordo com Teixeira e Mota (2011), o índice de validade de conteúdo é utilizado para medir a proporção de concordância entre os especialistas sobre determinado aspecto do instrumento. Segundo ele, recomenda-se um IVC de no mínimo 70% (0,70) ou 80% (0,80) que é calculado por meio do somatório de concordância dos itens marcados como “4” e “5” pelos especialistas, dividido pelo total de respostas.
De modo a consolidar as etapas anteriores, as opções de respostas seguiram a escala de Likert, sendo 1 = insuficiente; 2 = razoável; 3 = bom; 4 = muito bom e 5 = excelente.
De acordo com Costa (2011), a escala de Likert tem como principal vantagem, a facilidade de manuseio, por apresentar ao pesquisador, uma escala que permite emitir um grau de concordância sobre uma determinada afirmação, sendo assim indicada sua aplicação nos mais diversos modelos de pesquisas.
As etapas de construção e validação do instrumento foram realizadas no período de outubro a dezembro de 2020, A coleta de dados foi viabilizada por meio de correio eletrônico, contendo carta-convite e solicitação de avaliação do instrumento, bem como o manual descritivo que evidencia todas as etapas de construção e apresentação do produto educacional. A seleção desses profissionais obedeceu aos seguintes critérios de inclusão: possuir graduação em pedagogia e/ou psicopedagogia, ser especialista (lato sensu e/ou stricto sensu) no tema; e atuação acima de três anos na sua área profissional.
Do processo de validação participaram cinco especialistas, sendo quatro psicopedagogos e um pedagogo, com idade acima de 31 anos, ambos do sexo feminino. Quanto à qualificação profissional, todos eram especialistas sendo que três eram mestre, dois em Ciências da Saúde e do Meio Ambiente e, um, em Educação. Para a atuação dos especialistas nos sistemas de ensino, foi apurado que os cinco atuam na rede pública, sendo que dois deles também atuam na rede privada e quanto ao tempo de exercício na profissão, todos tinham acima de cinco anos.
3 Descrição do Manual do Produto Pedagógico
O conteúdo apresentado constitui-se um manual descritivo do produto educacional de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) em formato de Podcast, voltado para a auto capacitação docente, com conteúdo sobre o TDAH, o Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade. Tal produto se destaca por ser uma nova ferramenta e recurso pedagógico com potencial de contribuir para a melhoria da qualidade do ensino ofertado e, principalmente, da aprendizagem discente. Essa ferramenta, busca por meio de seus conteúdos, disseminar conhecimento, acolher, apoiar e incentivar a formação dos docentes de ensino superior, com a proposta de proporcionar uma educação mais inclusiva e apoiadora no percurso realizado pelos estudantes para a conclusão da graduação.
A base teórica utilizada e apresentada no manual do Podcast está articulada ao pensamento político-pedagógico de Paulo Freire (2000), que compreende a educação como ação política que fomenta e incentiva o desenvolvimento da consciência crítica, e também o processo de emancipação humana que não pode ser restrita a um determinado grupo social, mas que deve possibilitar a inclusão de todos para proporcionar a transformação social.
O manual apresenta também a Teoria do Estudo Independente, que traz reflexões sobre o ensino em Educação à distância (EaD) de Charles Wedemeyer e Michael Moore (1981), que defendem que sobre a necessidade de propagação da aprendizagem, com o intuito de satisfazer ao público que necessita ter ações independentes que não estão formatadas por espaço geotemporal, dando continuidade à sua formação. A perspectiva do estudo independente está vinculada à capacidade do sujeito de estar preparado para decidir sobre a aprendizagem autodirigida, bem como sobre o que estudar, qual método melhor se adapta e, sobretudo, qual tecnologia vai utilizar para realizar esse estudo.
Nesse sentido, a proposta está ancorada na Teoria de Aprendizagem Significativa de David Ausubel (1982), que ocorre a partir de conhecimentos prévios dos atores, e se torna significativa quando novos conhecimentos surgem, sejam eles fórmulas, ideias, conceitos que trazem significado a esse sujeito, contribuindo para a transformação desse conhecimento em aplicação e ou resolução de problemas. Por fim, aborda a aprendizagem significativa crítica de Marco Antônio Moreira (2006), onde além do conhecimento prévio, e a inserção de novos conhecimentos, o sujeito necessita se posicionar de forma questionadora frente ao que aprendeu e, sobretudo descentralizar a forma de aprender, buscando por diferentes modelos de materiais educativos com grande potencial significativo.
Quanto a metodologia de criação do Podcast, o manual descreve a abordagem de Design Thinking, um método prático-criativo presentado por Tim Brown (2010) que busca solucionar questões e problemas com visão de resultados futuros, por meio aplicação de quatro etapas desenvolvidas sequencialmente na concepção do produto. As etapas forma descritas pelo autor como imersão, ideação, prototipação e desenvolvimento. Outro ponto relevante do manual, se refere a descrição detalhada da ideia de criação do podcast como produto educacional até a concepção do nome. Essas etapas foram importantes no processo de consolidação das informações para a criação da marca e conclusão do design do produto.
Para tanto, além do design gráfico, todo o processo metodológico para a definição dos conteúdos, e o processo de podcasting, que é o termo definido pelo processo de planejamento e construção do podcast, nesse caso, utilizado como norteador nas etapas de desenvolvimento.
Essa etapa inclui plataformas de hospedagem, duração, formato, frequência de postagem e roteiros dos episódios e gravação, e pôr fim a apresentação visual dos episódios nas plataformas digitais.
3 Resultados
Construiu-se instrumento composto de 14 itens com respostas formuladas com nível de concordância, com a participação de cinco especialistas no processo de validação de conteúdo seguindo como critérios a aderência, o acesso, a aplicabilidade, o impacto, a abrangência, a inovação e a complexidade. E os itens que apontaram percentual de concordância inferior a 80 % (0,8), serão reformulados e adequados para nova avaliação e melhoria do manual e do produto.
O quadro 1 apresenta o percentual de concordância dos especialistas, e o quadro 2 apresenta os fatores que necessitam de reavaliação e ou reformulação no manual para melhor entendimento da proposta do produto.
Quadro 1 Percentual de concordância do Instrumento de Validação de Conteúdo Educacional - IVCE
| Itens do IVCE | E 1 |
E 2 |
E 3 |
E 4 |
E 5 |
IVCE |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Aderência | ||||||
| Como você avalia o quesito aderência? | 5 | 5 | 3 | 3 | 3 | 0,4 |
| Acesso | ||||||
| Como você avalia o quesito acesso? | 5 | 5 | 3 | 4 | 3 | 0,6 |
| Aplicabilidade | ||||||
| Como você avalia o quesito aplicabilidade? | 5 | 5 | 3 | 4 | 2 | 0,6 |
| Como você avalia o quesito replicabilidade? | 5 | 5 | 3 | 4 | 2 | 0,6 |
| Como você avalia o quesito contextualização? | 5 | 5 | 4 | 4 | 2 | 0,8 |
| Como você avalia o quesito representação do tema? | 5 | 4 | 4 | 3 | 2 | 0,6 |
| Impacto | ||||||
| Como você avalia o quesito impacto potencial no ensino? | 5 | 5 | 4 | 4 | 4 | 1 |
| Como você avalia o quesito impacto potencial no ensino? | 5 | 5 | 4 | 4 | 4 | 1 |
| Abrangência | ||||||
| Como você avalia o quesito abrangência territorial? | 4 | 4 | 4 | 4 | 2 | 0,8 |
| Inovação | ||||||
| Como você avalia o quesito inovação? | 5 | 4 | 3 | 4 | 4 | 0,8 |
| Complexibilidade | ||||||
| Como você avalia o quesito atrelado à questão da pesquisa da dissertação? | 5 | 5 | 4 | 4 | 3 | 0,8 |
| Como você avalia o quesito metodologia? | 5 | 5 | 4 | 4 | 3 | 0,8 |
| Como você avalia o quesito referenciais teóricos e teóricometodológicos empregados? | 5 | 5 | 4 | 4 | 3 | 0,8 |
| Como você avalia o quesito limites de utilização do PE? | 5 | 5 | 4 | 4 | 3 | 0,8 |
Fonte: Autoras (2020)
Quadro 2 Fatores a serem reavaliados, reformulados e mantidos no Instrumento de Validação de Conteúdo Educacional - IVCE.
| Itens do IVCE | Avaliação |
|---|---|
| Aderência | |
| Como você avalia o quesito aderência? | Reavaliar |
| Acesso | |
| Como você avalia o quesito acesso? | Reavaliar |
| Aplicabilidade | |
| Como você avalia o quesito aplicabilidade? | Reavaliar |
| Como você avalia o quesito replicabilidade? | Reavaliar |
| Como você avalia o quesito contextualização? | Mantido |
| Como você avalia o quesito representação do tema? | Reavaliar |
| Impacto | |
| Como você avalia o quesito impacto potencial no ensino? | Mantido |
| Como você avalia o quesito impacto potencial no ensino? | Mantido |
| Abrangência | |
| Como você avalia o quesito abrangência territorial? | Mantido |
| Inovação | |
| Como você avalia o quesito inovação? | Mantido |
| Complexibilidade | |
| Como você avalia o quesito atrelado à questão da pesquisa da dissertação? | Mantido |
| Como você avalia o quesito metodologia? | Mantido |
| Como você avalia o quesito referenciais teóricos e teórico-metodológicos empregados? | Mantido |
| Como você avalia o quesito limites de utilização do PE? | Mantido |
Fonte: Autoras (2020)
Nesse sentido, a afirmativa da utilização de tecnologias de informação apresentadas no Gráfico 1 em 100% gerou a necessidade de avaliar, dentre os modelos apresentados no instrumento, quais os mais utilizados pelos avaliadores, afim de entender quais o alcance do Podcast e a relevância do formado atrelado a suas práticas. Os mais relevantes foram o uso de computador, smartfones e internet, conforme apresentado no Gráfico 2.

Fonte: Autoras (2020)
Gráfico 1 Gráfico de utilização de TIC na prática pedagógica pelos especialistas

Fonte: Autoras (2020)
Gráfico 2 Gráfico de recursos de TIC utilizados pelos especialistas na prática pedagógica

Fonte: Autoras (2020)
Gráfico 3 Média de Concordância dos especialistas Instrumento de Validação de Conteúdo Educacional - IVCE
Nesse sentido, considerou-se como fator importante identificar como os especialistas julgavam a questão do uso de recursos de Tecnologia da Informação e da Comunicação (TIC) para apurar se de fato serviam como apoio à intervenção pedagógica. Essa pergunta, além de demonstrar se está inserido na rotina docente dispositivos e equipamentos tecnológicos, também evidencia maior familiarização e entendimento da proposta do produto educacional. Nessa questão, todos apontaram utilizar recursos tecnológicos, com uma média de 3,6 recursos diferentes utilizados por cada um.
A relevância do instrumento, para a elaboração do produto educacional tecnológico, pode ser melhor mensurada após a apuração da média das respostas dos especialistas em relação à validação do produto educacional. O Gráfico 3, apontando um resultado acima de 3,6 de concordância dos especialistas para o produto em sua análise geral.
Os fatores quando analisados pelo gráfico de média, apresentaram bom índice em comparação aos demais avaliados no instrumento. Diante dos resultados, destacamos que somente 02 deles apresentaram média de 3,6 pontos, sendo eles aos que se referiam a representação do tema e abrangência territorial. Mesmo com essa média, esses fatores permaneceram entre o bom e muito bom na escala, e que a análise e tabulação dos dados, contribuiu para a reformulação dos fatores.
4 Discussão
Após a apuração dos resultados observou-se que a prática de aplicação do IVCE, se apresenta como ferramenta inovadora na validação de conteúdos educativos, principalmente em produtos tecnológicos, por analisar e promover por meio de especialistas uma avaliação por consenso de grupo para a prática de reavaliação, reformulação e manutenção dos fatores de modo a adequar e estabelecer um modelo de instrumento mais confiável e, por conseguinte maior qualidade no produto.
Silva et al. (2020 p. 1050) corrobora ao afirmar que:
o processo de validação da tecnologia é imprescindível, tendo em vista a responsabilidade que cada pesquisador tem de disseminar informação de forma correta e com a maior cobertura possível. Esse processo é, na maioria das vezes, realizado por especialistas da área, que auxiliam dando sugestões para a adequação do material.
Ele aponta ainda que
Não há a obrigatoriedade de que a ferramenta seja avaliada pelo público que a usa, mas é aconselhável que essa medida seja realizada com o intuito de verificar se a TE tem o alcance almejado. Esse processo é, na maioria das vezes, realizado por especialistas da área, que auxiliam dando sugestões para a adequação do material. Não há a obrigatoriedade de que a ferramenta seja avaliada pelo público que a usa, mas é aconselhável que essa medida seja realizada com o intuito de verificar se a TE tem o alcance almejado. (SILVA, et. al., 2020 p. 1050).
Nesse contexto, vale ressaltar a importância dos especialistas da validação do conteúdo e na contribuição para melhoria do produto.
Para o processo de validação do IVCE, os especialistas avaliaram sete fatores, onde a aderência, acesso e aplicabilidade apresentaram fragilidade ao apontar percentual de concordância abaixo de 80 % (0,8) e serão reformulados para melhor clareza, entendimento e confiabilidade do instrumento.
A proposta das autoras, em utilizar também o processo de validação pela escala de Likert, corrobora com Medeiros et. al., (2015 p. 134) quando aponta que
Embora, o processo de validação de conteúdo envolve aspectos relacionados ao desenvolvimento do instrumento e análise e julgamento dos especialistas, é importante a associação com outros processos de validação para que o instrumento produza o efeito esperado, quando este é capaz de mensurar o que se propõe (MEDEIROS et al., 2015), o que corrobora com a proposta das autoras, ao associar.
Diante disso, a avaliação geral de concordância dos fatores pela escala de Likert, alcançou índice satisfatório em todas as perguntas, ao apontar média de concordância acima de 3,6 com variação entre bom e excelente, evidenciando a aprovação do conteúdo pelos especialistas, e oportunizando uma avaliação mais detalhada das fragilidades pelos pontos da escala.
As percepções e contribuições foram destacadas pelos especialistas em questões abertas, cujo resultado dos comentários, atrelado aos resultados estatísticos apurados, nortearão as melhorias no processo final do produto.
Vale ressaltar que os especialistas, ao avaliarem se utilizariam o produto em sua prática pedagógica, 4 afirmaram que utilizariam, com as seguintes justificativas: “devido à relevância do tema abordado e a potência do produto” “é um produto prático e flexível para se adaptar às necessidades de formação dos docentes” “o mundo é tecnológico, adequar a educação ao aluno que temos hoje, não é uma hipótese, sim, uma necessidade, senão estaremos decretando a falência do sistema educacional que já está capengando é uma inovação trazida pela ti que atende a dinâmica cíclica das atividades educacionais”. Somente 1 apontou que não utilizaria apontando a justificativa: “porque ainda não domino”, o que reforça a necessidade de ampliar a busca pela inovação e divulgação de novas ferramentas tecnológicas.
Desse modo, é importante repensar que mesmo utilizando as ferramentas TIC, não dominar ou utilizar o podcast pode influenciar na avaliação do produto nos pontos fracos dos fatores apresentados. Porém foram unânimes ao afirmar que indicariam o produto para outros docentes, apontando as seguintes justificativas: “a qualidade do produto, a relevância do tema e a utilização de um recurso didático ainda pouco explorado pelos professores de Educação Básica” “o conteúdo é relevante”. Ter diferentes instrumentos traz qualidade à aprendizagem"
“facilitar e proporcionar uma prática mais criativa” toda forma de informação é amplamente divulgada pelos pares na educação”.
Um ponto importante foi apontado por um dos especialistas nas sugestões de melhoria do produto, destacando: “apresentá-lo a professores da rede pública que atuam na educação básica, por meio de parcerias com Secretarias de Educação”, o que sugere uma ampliação do produto.
O produto educativo avaliado por meio do instrumento de conteúdo tem o objetivo de contribuir para a formação continuada dos docentes de ensino superior e como facilitador em suas práticas, com possibilidade de ampliação para outros níveis de ensino na orientação de familiares e sujeitos com transtorno de déficit de atenção com hiperatividade, e na promoção da inclusão social.
Foi identificado como limitação do instrumento a exclusão de imagens do produto, por não ser o objetivo desse artigo, bem como por se tratar de evidências utilizadas na etapa de validação da aparência e aplicação do produto.
5 Considerações Finais
Este estudo elaborou e validou o Podcast por meio do IVCE e da escala de Likert que foi formulada com variação de 1 a 5 pontos e conceito entre insuficiente e excelente, apresentou em todas as perguntas do instrumento, um nível de concordância acima de 3,6, com variação entre bom e excelente, o que considera o produto com bom índice de qualidade e aceitação pelos profissionais da área.
A participação de especialistas no processo de validação do instrumento, contribuiu com o apontamento dos pontos fortes e fracos do manual, favorecendo o aperfeiçoamento do produto e a conversão das fragilidades em oportunidade de melhoria da qualidade do produto e aumentando sua objetividade.
Os resultados do IVCE, entre os 7 fatores analisados, a aderência, acesso e aplicabilidade apontaram percentual de concordância abaixo de 80%, e deverão ser repensados e reformulados, considerando também o impacto que o perfil dos avaliadores especialistas quanto a utilização das TICs, e a necessidade de expansão da amostragem, para uma nova aplicação do instrumento, objetivando aumentar as possibilidades de contribuições no processo de reformulação do produto.
O IVCE mostrou-se um método adequado para avaliar o Podcast como ferramenta inovadora, por se adequar aos mais diversos modelos de conteúdos educativos demonstrando sua flexibilidade na divisão dos fatores a serem avaliados. Com os resultados serão realizadas as reformulações e adequações pertinentes ao produto. Espera-se, em estudos posteriores, realizar a validação por meio da aplicação do produto, de modo a medir a efetividade nas mudanças originadas deste estudo na elaboração final do produto e na contribuição da prática docente e da sociedade.










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