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Revista Internacional de Educação Superior

On-line version ISSN 2446-9424

Rev. Int. Educ. Super. vol.10  Campinas  2024  Epub Apr 29, 2025

https://doi.org/10.20396/riesup.v10i00.8665302 

Pesquisas

Desempenho de Alunos Bolsistas e Não-bolsistas do Curso de Ciências Sociais entre 2012 e 2015: Formados e Evadidos

Desempeño de Estudiantes Becados y No Becados en la Carrera de Ciencias Sociales entre 2012 y 2015: Graduados y Desertores

André Pires, Conceituação, Curadoria de Dados, Análise Formal, Aquisição de Financiamento, Investigação, Metodologia, Administração de Projetos, Recursos, Software, Supervisão, Validação, Visualização, Redação - rascunho original1 
http://orcid.org/0000-0002-8344-7662; lattes: 2489697740513029

1Pontifícia Universidade Católica de Campinas


RESUMO

Introdução/Objetivo:

Este artigo analisa o desempenho dos estudantes da Faculdade de Ciências Sociais da PUC-Campinas ingressantes no período de 2012 a 2015.

Metodologia:

O corpus da investigação compreende 115 alunos que cursaram 5.867 disciplinas no período. São apresentadas informações socioeconômicas dos alunos que ingressaram pelo Vestibular Geral (VG), pelo ProUni e pelo sistema próprio de bolsas da Universidade (Vestibular Social). O desempenho é analisado considerando os alunos formados e os que evadiram do curso.

Resultados:

Como resultados, evidencia-se que a presença de bolsistas no curso não implica em menores notas ou queda no rendimento do curso. A trajetória dos alunos ao longo do curso variou de forma significativa ao longo dos semestres.

Conclusão:

Ações relacionadas à permanência podem ser pensadas e executadas considerando oscilações observadas ao longo dos semestres, em que questões como idade, forma de ingresso, tipo de instituição, de curso e currículo devem ser levados em consideração.

PALAVRAS-CHAVE Educação Superior; Bolsas de estudo; Ciências Sociais; Evasão escolar.

RESUMEN

Introducción/Objetivo:

Este artículo analiza el desempeño de los estudiantes de la Facultad de Ciencias Sociales de la PUC-Campinas que ingresaron al período 2012 a 2015.

Metodología:

El corpus de investigación está compuesto por 115 estudiantes que cursaron 5.867 asignaturas en el período. Se presenta información socioeconómica de los estudiantes que ingresaron a través del Vestibular General (VG), ProUni y el sistema de becas propio de la Universidad (Vestibular Social). El desempeño se analiza considerando los egresados y los que abandonaron la asignatura.

Resultados:

Como resultado, es evidente que la presencia de becarios en el curso no implica calificaciones más bajas o una caída en el rendimiento del curso. La trayectoria de los estudiantes a lo largo del curso varió significativamente a lo largo de los semestres.

Conclusión:

Las acciones relacionadas con la permanencia pueden ser pensadas y ejecutadas considerando las fluctuaciones observadas durante los semestres, en las que se deben tener en cuenta aspectos como la edad, forma de ingreso, tipo de institución, curso y currículo.

PALABRAS CLAVE Enseñanza superior; Beca de estudios; Ciencias Sociales; Alumno desertor.

ABSTRACT

Introduction/Objective:

This article analyzes the performance of students of the Faculty of Social Sciences of PUC-Campinas entering the period from 2012 to 2015.

Methodology:

The corpus of the research comprises 115 students who took 5,867 subjects in the period. Socioeconomic information is presented for students who entered through the General Vestibular (GV), through ProUni and through the University's own scholarship system (Social Vestibular). The performance is analyzed considering the students who graduated and those who suspended the course.

Results:

The results show that the presence of scholarship recipients in the course does not imply lower grades or a drop in the course performance. The students' trajectory throughout the course varied significantly over the semesters.

Conclusion:

Actions related to permanence can be considered and executed considering oscillations observed throughout the semesters, in which issues such as age, form of entry, type of institution, course and curriculum should be taken into consideration.

KEYWORDS Higher Education; Education grants; Social Sciences; Dropouts.

Introdução

Este artigo visa analisar o desempenho dos estudantes da Faculdade de Ciências Sociais da PUC-Campinas que ingressaram no período de 2012 a 2015. O corpus desta investigação compreende 115 alunos que cursaram 5.867 disciplinas no período em questão. São apresentadas informações socioeconômicas dos alunos e análise do desempenho deles nas disciplinas cursadas, considerando os alunos formados e os que trancaram ou desligaram-se do curso. O texto coteja o desempenho dos alunos considerando a forma de ingresso (pagantes e bolsistas). As informações utilizadas foram extraídas em julho de 2020 de uma das bases dos sistemas acadêmicos da PUC-Campinas, conhecido como sistema P.A. (protocolo de atendimento). O cadastro dos alunos desta base oferece informações sobre forma e período de ingresso, sexo e idade dos estudantes. Em relação às disciplinas cursadas, o cadastro dispõe de informações sobre as disciplinas em que os alunos foram aprovados e reprovados por semestre, ano e nota obtida.

Durante os anos considerados, o curso de Ciências Sociais da PUC-Campinas ofereceu três formas de ingresso, a saber: o Vestibular Geral (VG), realizado no final do ano e que seleciona alunos pagantes, o ProUni, programa federal de concessão de bolsas estudantis em instituições de ensino superior privado e, por fim, o Vestibular Social (VS), o qual se configura como o programa próprio de bolsas da Universidade, reservado a candidatos com perfil socioeconômico semelhante aos dos candidatos do ProUni.

Este trabalho divide-se em 4 partes, além desta introdução. Na primeira, é apresentada uma breve discussão sobre pesquisas que tratam de rendimentos de alunos. A intenção é salientar as diferenças desta investigação que é analisar o rendimento ao longo do período em que o aluno esteve matriculado, considerando tanto os que se formaram, como os que evadiram. Na segunda parte, são apresentadas informações referentes às disciplinas cursadas pelos alunos que se formaram e pelos alunos que trancaram ou desligaram-se do curso. O artigo se encerra nos comentários finais

Rendimento de alunos bolsistas e não bolsistas

Pesquisas que se debruçaram a analisar o rendimento de alunos, comparando aqueles que ingressam por algum sistema de inclusão (bolsa, cotas etc.) com aqueles que o fizeram pelo vestibular universal, têm se caracterizado em duas vertentes gerais não excludentes.

De um lado, trabalhos que analisam o desempenho dos estudantes a partir de algumas das bases disponibilizadas pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). São os casos dos trabalhos que exploram um ano ou ciclos do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) (Ristoff, 2016). Waltenberg & Carvalho (2012), por exemplo, analisaram os resultados dos concluintes do Enade de 2008 e compararam com os concluintes que ingressaram por ação afirmativa. Wainer & Melguizo (2018) confrontaram as notas obtidas nos Enades de 2012 a 2014 por alunos que entraram no ensino superior via cotas, ProUni ou Fies, com a nota dos demais alunos. Moreira & Souza (2019) analisaram os microdados do questionário socioeducacional do Enade no período entre 2008 e 2013 considerando três cursos: Pedagogia, Medicina e Direito. Barbosa & Santos (2011) utilizaram informações do referido exame para comparar desempenho de bolsistas ProUni e Fies de oito cursos de graduação selecionados. Já Mello Neto (2015) comparou desempenho de bolsistas e não bolsistas do estado de Pernambuco tendo por base o Enade (2006-2011) e o Enem (20062011).

Tais investigações, que não se esgotam nestes exemplos elencados, têm a potência de propor comparações de grande abrangência, seja territorial (do Brasil, de um estado da Federação, por exemplo), seja pelo tipo de instituição ou categoria administrativa (pública, privada, Universidades, Faculdades etc.) seja pelo curso (maior ou menor prestígio) que, num sistema estratificado e hierarquizado como o brasileiro, influenciam de maneira significativa os processos de escolhas e de desempenho dos estudantes. No entanto, por ser uma espécie de fotografia de um momento do curso, não permitem analisar o desempenho dos alunos ao longo dos semestres, assim como daqueles que evadiram antes do momento “fotografado”.

Há outros trabalhos, dentre os quais esta pesquisa se inclui, que buscam analisar o desempenho dos estudantes em vários momentos do curso. São pesquisas com outras escalas, normalmente dedicadas a estudantes de uma instituição ou de um determinado curso. Velloso (2009), por exemplo, apresenta o rendimento de estudantes de três turmas de alunos que ingressaram na Universidade de Brasília em 2004, 2005 e 2006 e compara, para cada uma destas coortes, o desempenho de estudantes cotistas e não cotistas considerando o nível de prestígio social do curso e sua área do conhecimento do vestibular (Humanidades, Ciências e Saúde). O autor utilizou, para cada coorte, as médias das notas obtidas nas disciplinas da seguinte forma: para os ingressantes de 2004 as notas dos 5 primeiros semestres, para os de 2005 dos três primeiros semestres e para 2006 do primeiro semestre. Como sugerem Wainer & Melguizo (2018), pesquisas deste tipo normalmente utilizam uma média ponderada de notas (coeficiente de rendimento, por exemplo) dos alunos que, a despeito das diferenças observadas em relação às pesquisas mencionadas que utilizam bases do Inep, acabam retornando para a questão de privilegiar um determinado momento do aluno no curso.

O CR utilizado na análise não é o CR dos alunos ao final do curso, mas em algum momento durante curso. Dessa forma, a análise não reflete a diferença (ou não diferença) do rendimento dos alunos quando se formam, mas um ou dois anos após iniciarem o Ensino Superior (WAINER & MELGUIZO, 2018, p.5)

Aqui entramos no ponto de distinção da presente investigação em relação às mencionadas nos parágrafos anteriores. Nas páginas que se seguem, além das médias das disciplinas cursadas, serão apresentadas informações sobre rendimento dos estudantes do Curso de Ciências Sociais da PUC-Campinas ao longo do período em que frequentaram o curso, sendo oito semestres para os concluintes e cinco semestres para os que evadiram. Aliás, esta é também outra característica distintiva da presente investigação, apresentar rendimento daqueles que não concluiriam o curso.

Caracterização dos Alunos

Como já mencionado, 115 estudantes ingressaram na faculdade de Ciências Sociais, no período considerado nesta pesquisa, distribuídos da seguinte maneira: 24 estudantes em 2012, 20 em 2013, 42 em 2014 e 29 em 2015. Veremos que o ano de 2014 destoa em relação aos demais pela quantidade de ingressantes provenientes do ProUni.

O corpo discente da faculdade era majoritariamente feminino, totalizando 62,6% dos estudantes. A presença majoritária de mulheres parece ser uma característica do curso de Ciências Sociais, uma vez que se observa em outras instituições padrão semelhante. Picanço (2018), por exemplo, identificou que dos 111 ingressantes do curso de Ciências Sociais da UFRJ em 2013, 58,6% eram mulheres.

Até o ano de 2013, a instituição não separava o curso de Ciências Sociais nas modalidades Licenciatura e Bacharelado, ou seja, os estudantes eram matriculados nas duas habilitações. Entretanto, esta situação mudou a partir de 2013 e o curso passou a ser majoritariamente constituído por estudantes matriculados na categoria de Licenciatura, totalizando 69,6% do alunado. Embora a opção pela docência de ensino fundamental e médio seja algo importante para os formandos do curso de Ciências Sociais (PICANÇO, 2018), a corroborar a escolha pela Licenciatura, é preciso considerar que os Projetos Pedagógicos da Licenciatura e do Bacharelado em Ciências Sociais da PUC-Campinas à época compartilhavam a maioria das disciplinas.O curso de Licenciatura era composto por sete semestres e o de bacharelado por oito. Nos quatro primeiros semestres, os alunos de ambas as modalidades cursavam as mesmas disciplinas. A partir do quinto semestre, continuavam a compartilhar metade das disciplinas, mas os alunos do bacharelado passavam a cursar disciplinas específicas (trabalho de conclusão de curso, por exemplo), assim como os da licenciatura (estágios etc.). Os horários das disciplinas específicas do bacharelado e da licenciatura não coincidiam, de maneira a oportunizar ao aluno a possibilidade de se formar em ambas as modalidades, sem a necessidade de cursar mais do que oito semestres. Portanto, mesmo que haja prevalência na escolha da licenciatura, há um número considerável de alunos que se formam em ambas as modalidades. Assim, optamos por não separar neste artigo os alunos da Licenciatura e do Bacharelado, analisando-os em conjunto.

Durante os anos considerados (2012 a 2015), os alunos do curso de Ciências Sociais ingressaram no ensino superior com média de idade de 22,5 anos, ou seja, um pouco mais elevada em relação àquela esperada para um sistema seriado como o brasileiro. De acordo com o Plano Nacional de Educação - PNE de 2014, a idade considerada adequada para cursar o ensino superior é dos 18 aos 24 anos. O aluno mais novo ingressou com 17 anos, e o mais velho, com 63 anos, a demonstrar a heterogeneidade etária dos alunos do curso.

Elaboramos 5 classes de idade para analisar esta variável considerando a idade dos estudantes no momento de ingresso. Duas mais jovens, uma intermediária, e duas mais velhas. O resultado pode ser visto no gráfico abaixo

Fonte: Sistema PA PUC-Campinas

Gráfico 1 Distribuição dos alunos conforme idade de ingresso no Curso (em%) 

Nota-se que metade dos alunos (53%) ingressou com uma idade considerada esperada ou sem grandes interrupções na trajetória escolar (até 20 anos). O restante ingressou após os 21 anos de idade, o que indica a presença de variações importantes de idade no ingresso do curso e a presença de significativos contingentes de alunos mais novos, como já mencionado, e mais velhos (cerca de 20%, por exemplo, ingressou com 25 anos ou mais). Este padrão heterogêneo em relação à idade parece ter sido também identificado na pesquisa de Crizostomo (2010) junto a 66 alunos matriculados em quatro cursos de Ciências Sociais do estado do Rio de Janeiro. Embora trabalhe com outras faixas etárias, o autor chegou aos seguintes resultados:

A variação etária da população pesquisada está compreendida entre 18 e 55 anos e foi distribuída em quatro faixas para fins de análise. Na data da entrevista, 61% dos entrevistados estavam situados na faixa etária entre os 18 e 28 anos, 15% entre os 29 e 38 anos, 12% entre os 39 e 50 anos e 12% entre os que possuíam mais de 50 anos. (CRIZOSTOMO, 2010, pp. 15-16)

Fonte: Sistema PA PUC-Campinas

Gráfico 2 Distribuição dos alunos por idade e forma de ingresso no Curso 

Quando se considera o tipo de ingresso pela idade, verifica-se que os alunos que ingressaram pelo ProUni tendem a ser mais jovens a sugerir, para muitos destes estudantes, grande adaptação ao sistema de ensino (Pires, Romão & Varollo, 2019). Dentre o conjunto de alunos que ingressou até 19 anos (n=62), quase metade (48%) o fez via ProUni, ante 34% via Vestibular Geral, e 17%, Vestibular Social.

A situação praticamente se inverte considerando os alunos que ingressaram tardiamente (25 anos ou mais). O ProUni, embora ainda relevante, pois compreende 1/3 destes alunos, perde força para o Vestibular Geral que representa metade dos alunos (n=24) desta faixa etária no ingresso. O desempenho do Vestibular Social variou pouco nestes dois polos (mais jovens e mais velhos), representando cerca de 18% dos ingressantes destas duas faixas etárias. No período considerado (2012 a 2015), o ingresso de pessoas mais velhas tem sido feito em sua maioria pelo vestibular pago. Para os mais jovens, o ingresso se deu majoritariamente por sistemas de bolsa (ProUni ou Vestibular Social).

Fonte: Sistema PA PUC-Campinas

Gráfico 3 Distribuição dos alunos conforme situação no curso 

Do total de 115 alunos que compõem o universo desta pesquisa, aproximadamente metade (48%) estava formada até julho de 2020, a outra metade (49%) evadiu, seja porque trancou ou se desligou do curso (43%), seja porque solicitou transferência para outra instituição (6%). 3% ainda cursavam a graduação no momento em que foram extraídas as informações na base de dados. Embora os números relativos à evasão dos estudantes do curso de Ciências Sociais da PUC-Campinas possam parecer elevados, resultados de pesquisas realizadas em outras instituições sugerem ser este um problema relacionado ao ensino superior brasileiro, ao tipo de instituição (pública/privada) além de questões específicas do curso de Ciências Sociais.1 Bielschowsky (2019), por exemplo, utilizando várias bases de dados do Inep (Fluxo da Educação Superior , Censo da educação superior e Enade) mostrou que tendo por base o ano de 2017, as “as universidades federais diplomaram, em média, 45,4% dos alunos ingressantes em 2010; as universidades privadas 37,4%” (BIELSCHOWSKY, 2019, p. 8). Estes números variam bastante de curso para curso. Neste trabalho, não foi considerado o curso de Ciências Sociais. À título de ilustração, nos cursos de Pedagogia e História, as IES privadas diplomaram 49% e 42% respectivamente dos alunos que ingressaram em 2010.

A já mencionada pesquisa de Picanço (2018), junto a estudantes de Ciências Sociais da UFRJ matriculados entre 2000 a 2011, indicou porcentagem superior a 50% de trancados/evadidos do curso. Dos 25 semestres considerados pela autora, somente em 4 observou-se maioria de alunos cursando. Há momentos (2 semestre de 2008) em que a porcentagem de evadidos/trancados chegou próxima de 70% (Picanço, 2018). A notável pesquisa de Villas Bôas (2003), que analisou 2.936 alunos matriculados entre 1939 a 1988 no curso de Ciências Sociais da UFRJ (que até 1968 se chamava Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil) parece não deixar dúvidas. Apenas 45,29% destes alunos se graduaram. Considerando o viês de gênero já assinalado, a autora conclui:

O percentual de mulheres que terminaram o curso é bem superior ao de homens: apenas 32,35% (479) dos homens obtiveram o título de bacharel/ licenciado, enquanto 54,71% (851) mulheres se formaram. As ciências sociais parecem ser um locus privilegiado da realização de ideais de profissionalização das mulheres no mundo intelectual. (VILLAS BÔAS, 2003, p. 47)

Mick, Diamico, & Luz (2012, p. 355) constataram que 60% do total (n=473) de egressos do curso de Ciências Sociais da UFSC entre 2000 a 2009 eram do sexo feminino. Número muito parecido foi observado na pesquisa com egressos realizada por Braga (2011) junto a quatro cursos de Ciências Sociais do estado de São Paulo (USP, Unicamp. PUC-SP e PUCCampinas). Dos 230 respondentes desta pesquisa, 58,6% eram mulheres. Vejamos como esta proporção de formados por gênero aparece na PUC-Campinas.

Tabela1 Distribuição dos alunos de acordo com sexo e situação no curso 

Masculino Feminino
n % n %
Formado 22 51,20% 33 45,80%
Trancado/Desligado 16 37,20% 34 47,20%
Transferido 3 7,00% 4 5,60%
Matriculado 2 4,70% 1 1,40%
Total 43 100% 72 100%

Fonte: Sistema PA PUC-Campinas

Quando analisamos os números da tabela 1, temos situação semelhante em relação à proporção de mulheres que se formam considerando os trabalhos de (Mick, Diamico, & Luz, 2012) e (Braga, 2011). Dos 55 formados, 33 ou 60% eram mulheres. Todavia, quando consideramos a taxa de formados por sexo, vemos que na PUC-Campinas os homens tendem a ter um desempenho um pouco superior, divergindo da pesquisa de Villas Bôas (2003). Do total de mulheres matriculadas no curso, 45,8% se formaram, ante 51,2% dos homens. Como será visto a seguir, a forma de ingresso no curso tem relação com taxas de formatura e evasão. No caso das mulheres, 66% eram bolsistas e para os homens este número decai para 58%. A diferença, na proporção de bolsistas e pagantes considerando o sexo, pode ajudar a compreender este melhor desempenho dos homens em relação às pesquisas correlatas. Atentemos para a distribuição dos alunos quando se considera a forma de ingresso.

Fonte: Sistema PA PUC-Campinas

Gráfico 4 Distribuição dos alunos conforme forma de ingresso e situação no curso 

Depreende-se, pelas informações do gráfico acima, que os alunos ingressantes pelo Vestibular Geral tendem a apresentar taxas de formatura mais elevadas até 2020, quando comparadas com as dos alunos ingressantes via ProUni e Vestibular Social. Em termos percentuais, cerca de 60% dos alunos ingressantes não-bolsistas se formaram, ante cerca de metade do VS e aproximadamente 40% do ProUni.

A forma de ingresso também tem efeito no percentual de trancamentos e desligamentos do curso. Metade dos alunos do ProUni e pouco mais da metade do VS trancou o ou desligouse do curso, ante 30% do VG. O fato destes últimos serem não-bolsistas pode contribuir para incentivar a conclusão do curso no menor tempo possível, já que a permanência, além do tempo esperado, implica em gastos superiores àqueles previstos. As configurações do ProUni e do VS oferecem aos alunos o dobro do prazo de integralização regular do curso, isto é, 14 ou 16 semestres, a depender da modalidade (Licenciatura ou Bacharelado). Os alunos bolsistas podem também trancar suas matrículas e depois retomarem o curso sem que haja implicações no aumento do custo da mensalidade. A existência de um contingente (4%) de alunos prounistas que ainda estão na graduação em Ciências Sociais, em 2020, corrobora esta hipótese.

Tabela 2 Distribuição de alunos de acordo com idade no ingresso e situação no curso em % 

Formado Trancado/Desligado Transferido Matriculado Total
17 a 18 anos 28,60% 57,10% 7,10% 7,10% 100
19 a 20 anos 58,80% 32,40% 8,80% 0,00% 100
21 a 24 anos 41,40% 48,30% 6,90% 3,40% 100
25 a 30 anos 80,00% 20,00% 0,00% 0,00% 100
31 anos ou mais 33,30% 66,70% 0,00% 0,00% 100

Fonte: Sistema PA PUC-Campinas

A análise dos números da tabela acima indica que ingressar no ensino superior muito jovem (até 18 anos) ou muito mais velho (acima dos 31 anos) implica em maiores possibilidades de não se formar e, por conseguinte, de se desligar do ou trancar o curso. As menores porcentagens de formatura e as maiores de desligamento ocorrem nestas faixas etárias. Parece haver duas faixas de idade de ingressantes mais propícias para a conclusão do curso: de 19 a 20 anos (com 60% de formados) e, sobretudo, entre 25 a 30 anos (com 80% de formados). Em relação a este último grupo, a alta porcentagem de formados (67%) que ingressaram via Vestibular Geral talvez nos ajude a compreender a elevada taxa de formatura deste conjunto, pois vimos que a forma de ingresso interfere na possibilidade de interromper ou concluir o curso.

Tabela 3 Distribuição de alunos de acordo com ano de ingresso e situação no curso 

Formado Trancado/Desligado Transferido Matriculado
n % n % n % n %
2012 11 45,80% 13 54,20% 0 0,00% 0 0,00%
2013 15 75,00% 5 25,00% 0 0,00% 0 0,00%
2014 14 33,30% 21 50,00% 5 11,90% 2 4,80%
2015 15 51,70% 11 37,90% 2 6,90% 1 3,40%

Fonte: Sistema PA PUC-Campinas

Não foi possível identificar padrão nos anos considerados em relação às porcentagens de formados e de trancamentos, pois os números variaram bastante. Todavia, pode-se afirmar que o ano de 2013 foi atípico. Neste ano, 3 de cada 4 ingressantes se formaram, número bem superior em relação aos demais anos.

Tabela 4 Distribuição de alunos de acordo com ano e forma de ingresso 

Vestibular Geral ProUni Vestibular Social
n % n % n %
2012 12 50,00% 6 25,00% 6 25,00%
2013 12 60,00% 1 5,00% 7 35,00%
2014 5 11,90% 36 85,70% 1 2,40%
2015 13 44,80% 9 31,00% 7 24,10%

Fonte: Sistema PA PUC-Campinas

De igual maneira, os números da tabela acima indicam que não há padrão em relação à forma de ingresso nos anos considerados. Os anos de 2012 e 2015 apresentam proporções mais ou menos semelhantes em relação à forma de ingresso, mas em 2013 e 2014 há muitas variações. Em 2013, alunos do Vestibular Geral compunham a maioria (60%) dos ingressantes e havia apenas 1 aluno do ProUni. Este mesmo ano é o que apresentou a maior porcentagem de ingressantes do Vestibular Social (35%). No próximo ano, 2014, houve uma inversão radical. Os alunos prounistas compunham 85% da turma, ante 12% do Vestibular Geral e apenas 1 aluno do Vestibular Social. Pode-se afirmar que estas oscilações no curso acompanharam o movimento do total de Bolsas do Prouni concedidas à PUC-Campinas nos anos considerados. De acordo com informações do dicionário de dados referente às bolsas concedidas e ao perfil dos beneficiários do Prouni, disponibilizados pela Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação (Fonte: http://dadosabertos.mec.gov.br/prouni?start=0 acesso em 15 de setembro de 2020), em 2012 foram concedidas 632 bolsas para a Universidade, em 2013 este número decai para 381, em 2014 elevou-se para 1.164 para cair novamente em 2015 para 837 bolsas concedidas. Assim, a presença tão baixa (em 2013) e tão alta (em 2014) de alunos prounistas no curso relacionam-se com as oscilações nas concessões totais de bolsas do Prouni à Universidade.

Rendimento nas Disciplinas Cursadas

Entre os anos de 2012 e 2015, os 115 alunos considerados nessa pesquisa cursaram 5.867 disciplinas, sendo 54,5% oferecidas nos primeiros semestres de cada um dos anos analisados, e 45,5% nos segundos semestres.

Fonte: Sistema PA PUC-Campinas

Gráfico 5 Distribuição do total de disciplinas cursadas por semestre 

Tabela 5 Distribuição das disciplinas cursadas por ano e desempenho do alunado na disciplina 

Aprovado Reprovado
n % n %
2012 1090 83,10% 221 16,90%
2013 1055 89,40% 125 10,60%
2014 1454 73,80% 516 26,20%
2015 1225 87,10% 181 12,90%
Total/Média 4824 83,40 1043 16,60

Fonte: Sistema PA PUC-Campinas

Pode-se observar pela tabela acima que a porcentagem de aprovações nas disciplinas é sempre muito superior em relação às reprovações, com média de 83% de aprovações e 17% de reprovações. O ano de 2014 destoa um pouco desta proporção, mas sem desafiá-la por completo. Vejamos como se deu o desempenho dos alunos nas disciplinas de acordo com a situação no curso, considerando apenas os alunos formados e os que trancaram o/desligaramse do curso.2

Tabela 6 Distribuição das disciplinas cursadas por situação no curso segundo situação na disciplina, média aritmética da nota e frequência 

Aprovado Reprovado
n % n %
Formado 3562 92,70% 282 7,30%
Trancado/Desligado 869 56,80% 662 43,20%
Formado (média notas) 8,3 1,1
Trancado/Desligado (média notas) 7,1 0,9
Formado (média frequência)3 93,70% 35,20%
Trancado/Desligado (média frequência) 85,60% 34,60%

Fonte: Sistema PA PUC-Campinas

Como seria lícito imaginar, os alunos que se formaram apresentaram taxas muito superiores de aprovação nas disciplinas em relação aos que trancaram/desligaram. Os primeiros obtiveram reprovação em apenas 7% das disciplinas cursadas, ante 43% dos que trancaram ou desligaram-se do curso. Em muitos casos, a motivação para o trancamento/desligamento do curso relaciona-se com reprovações em disciplinas. Já na média aritmética das notas nas disciplinas a diferença não é tão marcante considerando a situação no curso. Os alunos aprovados, sejam os formados, sejam os que trancaram o/desligaram-se do curso, foram aprovados com média superior à mínima necessária para aprovação: 8,3 e 7,1 respectivamente. 4 No tocante aos reprovados, as notas de ambos os grupos são bem inferiores: 1,0. Em relação às reprovações, é importante considerar que em 87% dos casos, as reprovações ocorreram por razões de nota e frequência. Somente em 17% (n=171) as reprovações ocorreram por questões exclusivamente de nota. Tais números indicam que as reprovações nas disciplinas do Curso de Ciências Sociais da PUC-Campinas ocorreram pela conjugação falta e frequência do que por dificuldades de aprendizado de conteúdos/habilidades ao longo do semestre (exclusivamente nota).

Tabela 7 Distribuição das disciplinas cursadas por situação no curso, segundo situação na disciplina, sexo, idade e forma de ingresso 

Formado Trancado/Desligado
Situação Disciplina Situação Disciplina
Aprovado Reprovado Aprovado Reprovado
Média Desvio padrão Média Desvio padrão Média Desvio padrão Média Desvio padrão
Masculino 8,2 1,6 0,8 1,7 7 1,7 0,9 1,7
Feminino 8,3 1,5 1,4 2,4 7,1 1,7 1 1,9
17 a 18 anos 8,5 1,4 0,9 1,6 7,3 1,7 1,1 1,8
18 a 20 anos 8,4 1,5 1,4 2,3 7,2 1,6 0,8 1,7
21 a 24 anos 8,2 1,6 1,4 2,4 7 1,7 1,1 1,8
25 a 30 anos 8,1 1,7 0,6 1,4 6,9 1,8 1,2 2,3
31 anos ou mais 8,3 1,4 1,3 2,3 7,1 1,8 0,3 1,1
Vestibular Geral 8,4 1,5 1 2 7,1 1,7 1,2 2,2
ProUni 8,2 1,6 1,4 2,2 7,1 1,7 0,7 1,5
Vestibular Social 8,4 1,6 0,7 2 7,1 1,7 1,6 2,4
Média Geral 8,3 1,5 1,1 2 7,1 1,7 1 1,8

Fonte: Sistema PA PUC-Campinas

Os números da tabela acima sugerem que são muito discretas as variações da média aritmética nas disciplinas cursadas de acordo com as variáveis selecionadas. Marcações de sexo, idade e forma de ingresso parecem ter pouco efeito na variação da média da nota. Dito de outro modo, o aluno formado, quando aprovado numa disciplina, obtém uma nota que, na média, varia muito pouco em função de ser homem ou mulher, ter ingressado na idade considerada adequada ou mais velha, ou ter entrado pelo sistema de bolsas (ProUni ou VS) ou pelo vestibular geral (média de 8,3). Da mesma maneira, quando reprovado, a média da nota variou muito pouco em função das marcações selecionadas. Pode-se afirmar o mesmo para o aluno que trancou/desligou-se do curso, com média de 7,1 quando aprovado e 1,0 quando reprovado.

O grau de dispersão desta população também é relativamente homogêneo e baixo, como atestam os números do desvio padrão, sobretudo, quando se considera as médias das notas dos estudantes aprovados nestas disciplinas. Neste caso o desvio padrão ficou em torno de 1,5 e 1,7 para as disciplinas dos formados e estudantes que trancaram o/desligaram-se do curso, respectivamente, sem muitas variações em torno das marcações consideradas. Dispersão maior foi observada nas médias das notas dos estudantes reprovados, as quais apresentaram maiores variações em termos de gênero, idade e forma de ingresso.

Vejamos se o mês de ingresso no curso ocasiona alguma interferência em relação às possibilidades do aluno se formar ou não. É preciso considerar que o ingresso por bolsa, seja via ProUni ou Vestibular Social, é feito a partir de editais e processos seletivos que exigem documentações e comprovações. No caso do ProUni e do Vestibular Social, o processo de seleção de alunos feito pela instituição ocorre no final de janeiro, com a possibilidade de se estender por várias chamadas. Este procedimento faz com que alguns alunos bolsistas ingressem com o curso já em andamento, dificultando ainda mais o processo de adaptação ao curso e à instituição durante o primeiro semestre que, como veremos a seguir, é bastante importante. Vale ressaltar que as aulas iniciaram no mês de fevereiro em todos os anos considerados.

Tabela 8 Distribuição dos alunos conforme mês/período de ingresso 

n %
Anterior a fevereiro 52 45,2
Fevereiro 36 31,3
Após
fevereiro
27 23,5
Total 115 100

Fonte: Sistema PA PUC-Campinas

Separamos o período de ingresso em 3 momentos: antes do início das aulas (anterior a fevereiro), em fevereiro e após fevereiro. Como não há informações sobre o dia do ingresso, é possível que em fevereiro existam alunos que ingressaram no início do mês e no final do mês. Assim, nossa comparação se pautará pelos extremos, ou seja, aqueles que já estavam matriculados antes do início das aulas e aqueles que entraram tardiamente (após fevereiro).

Tabela 9 Distribuição dos alunos por período de matrícula, segundo forma de ingresso e situação no curso 

Anterior a fevereiro Após
fevereiro
% %
Ingresso Vestibular Geral
ProUni
71,20%
28,80%
3,70%
66,70%
Vestibular Social 0,00% 29,60%
Total 100,00% 100,00%
Situação Curso Formado
Trancado/Desligado
Transferido
55,80%
38,50%
3,80%
59,30%
37,00%
0,00%
Matriculado 1,90% 3,70%
Total 100,00% 100,00%

Fonte: Sistema PA PUC-Campinas

Como já sugerido, a maioria dos alunos que se matriculou antes do início das aulas faz parte dos alunos não-bolsistas (71%). Já os bolsistas compõem a maioria dos que ingressaram com o curso já em andamento (96%). O ingresso tardio, embora vivenciado de maneira muito difícil para os estudantes - uma vez que implica em esforços extras para adaptação ao ambiente universitário e ao curso - não parece interferir nas porcentagens de formados e trancados/desligados no curso de Ciências Sociais da PUC-Campinas nos anos considerados. Para os que ingressaram antes de fevereiro, 56% se formaram, ante 59% para aqueles que ingressaram após fevereiro. Para os que trancaram/desligaram, a porcentagem é praticamente idêntica: 37%.

Ao conjugar as variáveis ingresso e situação no curso, podemos observar algo parecido.

Tabela 10 Distribuição dos alunos por período de matrícula e forma de ingresso, de acordo com a situação no curso 

Anterior a fevereiro Após fevereiro
n % n %
Formado 23 62,20% 1 100,00%
Vestibular Trancado/Desligado 12 32,40% 0 0,00%
Geral Transferido 1 2,70% 0 0,00%
Matriculado 1 2,70% 0 0,00%
Formado 6 40,00% 15 57,70%
Bolsistas Trancado/Desligado 8 53,30% 10 38,50%
Transferido 1 6,70% 0 0,00%
Matriculado 0 0,00% 1 3,80%

Fonte: Sistema PA PUC-Campinas

Quando verificamos os números referentes aos que ingressaram após fevereiro, nota-se que entre os bolsistas (ProUni e Vestibular Social), que compõem a maioria deste grupo, o ingresso tardio não implicou em menores taxas de conclusão do curso ou em maior porcentagem de trancamento/desligamento. Todavia, estes números devem ser lidos com cautela em função da especificidade do Curso de Ciências Sociais da PUC-Campinas, e do número reduzido de casos (n=26) de ingressantes tardios.

Desempenho nas Disciplinas Cursadas

Passemos para o desempenho dos formados e dos que trancaram o ou desligaram-se do curso. Para analisar o desempenho destes alunos, torna-se necessário explicitar alguns procedimentos utilizados para viabilizar a comparação entre estes estudantes. Em primeiro lugar, optou-se por analisar o desempenho dos alunos de acordo com ano de ingresso e, a partir deste, seu desempenho ao longo dos 8 semestres que compõem o curso. Entendemos que as turmas de cada ano são submetidas a experiências mais ou menos semelhantes que se diferenciam em relação às demais. Evidentemente há casos de estudantes que não acompanham suas turmas por opção ou por serem obrigados a fazer disciplinas com ingressantes de outros anos. No entanto, alunos que acompanham a sua turma tiveram aulas com os mesmos professores, com as mesmas disciplinas e constroem, de maneira específica, sentimentos de afeto ou repulsa aos docentes e/ou disciplinas, além de estabelecerem comportamentos em aula, em termos de participação e engajamento nas atividades propostas, de maneiras diferenciadas.

Embora nem todos concluam o curso em 8 semestres, a análise indicou que o número de disciplinas cursadas cai drasticamente após o 8º semestre.5 Outro viés a ser considerado refere-se à composição heterogênea dos anos de ingresso em relação aos formados e evadidos do curso, tal como pode ser visto nas próximas duas tabelas.

Nas turmas de formados de 2012 e 2013, há apenas 1 aluno do ProUni. O mesmo ocorre na turma de formados de 2015 em relação ao Vestibular Social. Para evitarmos o acompanhamento de notas nas disciplinas de apenas 1 aluno, optamos em agregar nesta parte da análise os alunos do ProUni com os do Vestibular Social e chamá-los de Bolsistas.

Formados

Comecemos pela análise das disciplinas cursadas pelos alunos que se formaram no curso de Ciências Sociais. Os dois próximos gráficos apresentam informações sobre o aproveitamento nas disciplinas nos 8 semestres regulares (% de disciplinas em que os estudantes foram aprovados), de acordo com o ano da turma de ingresso.

Fonte: Sistema PA PUC-Campinas

Gráfico 6 Distribuição das disciplinas em que os estudantes foram aprovados (em %) por semestre, segundo ano de ingresso - Vestibular Geral 

De fato, as informações dos gráficos indicam como as turmas são heterogêneas em termos do percurso que traçam ao longo do curso. Entre os pagantes, por exemplo, há turmas, como a de 2015, que mantiveram um desempenho alto e estável ao longo dos oito semestres, com taxas de aprovação nas disciplinas cursadas próximas a 100%. Pode se verificar o mesmo com a turma de bolsistas de 2013. Por outro lado, há turmas (bolsistas e não-bolsistas de 2012 e 2014, respectivamente) que experimentaram oscilações grandes ao longo dos semestres. Por exemplo, entre os bolsistas de 2012, o 4º semestre parece ter sido difícil, uma vez que a taxa de aprovação nas disciplinas ficou abaixo do patamar dos 80% (73,7%). De igual maneira, os nãobolsistas de 2014 parecem ter encontrado dificuldades maiores no 3º, 5º e 8º semestres.

Numa perspectiva ampliada, os dados apontam que ambos os grupos (bolsistas e nãobolsistas) começam o curso e ampliam a porcentagem de aprovações no 2º semestre. A partir do 3º semestre, verifica-se uma queda nas taxas de aproveitamento nas disciplinas; uma retomada entre os 5º e 7º semestres, e novamente uma queda no último semestre. O gráfico abaixo sintetiza este movimento.

A análise das informações do gráfico 7 indica que não há diferenças significativas entre o desempenho dos alunos não-bolsistas e bolsistas no que tange ao aproveitamento nas disciplinas cursadas. Como se pode observar, o movimento de bolsistas e não-bolsistas ao longo do curso é muito semelhante. Vejamos agora o desempenho dos estudantes a partir das notas nas disciplinas cursadas ao longo dos semestres.

Fonte: Sistema PA PUC-Campinas

Gráfico 7 Distribuição das disciplinas em que os estudantes foram aprovados (em %) por semestre, segundo ano de ingresso - Bolsistas 

Fonte: Sistema PA PUC-Campinas

Gráfico 8 Distribuição da média das aprovações em disciplinas (em %) por semestre, segundo forma de ingresso 

Fonte: Sistema PA PUC-Campinas

Gráfico 9 Distribuição das médias das notas nas disciplinas cursadas por semestre, segundo ano de ingresso - Vestibular Geral 

No tocante às notas, verifica-se novamente heterogeneidade no desempenho das turmas e variação das médias das notas ao longo do curso. Importante considerar que o cálculo das médias das notas dos estudantes incluiu as notas nas disciplinas em que foram aprovados e reprovados. Mais uma vez, as turmas de não-bolsistas de 2015 e de bolsistas de 2013 se destacaram, indicando uma relação positiva entre taxas de aprovação e notas para estas turmas. E, inversamente, as turmas de bolsistas de 2012 e 2014 e não-bolsistas de 2014 apresentaram variações nos semestres considerados. Para ilustrar as diferenças entre as notas das turmas nos semestres, atentemos para as médias do 8º semestre dos bolsistas das turmas de 2012 e 2013. Neste semestre, as notas destas duas turmas variaram de 6,4 (turma 2012) para 9,7 (turma de 2013), diferença de 3,3 pontos. Entre os não-bolsistas, a maior diferença ocorreu nas notas do 3º semestre para as turmas de 2013 (8,3) e 2014 (6,3): 2 pontos em favor da turma de 2013.

O gráfico 10 apresenta as médias das notas das turmas por forma de ingresso e indica tendência semelhante àquela das médias das porcentagens de aprovação nas disciplinas cursadas. O desempenho nas notas dos bolsistas e não-bolsistas apresentou movimento muito similar ao longo dos semestres, de maneira a não permitir afirmar que existem diferenças significativas. Mesmo quando se observou a maior diferença (8º semestre), esta foi de apenas 0,6 ponto em favor dos não-bolsistas.

Fonte: Sistema PA PUC-Campinas

Gráfico 10 Distribuição das médias das notas nas disciplinas cursadas por semestre, segundo ano de ingresso - Bolsistas 

Fonte: Sistema PA PUC-Campinas

Gráfico 11 Distribuição das médias das notas nas disciplinas cursadas por semestre, segundo forma de ingresso 

Pode-se notar, com maior nitidez, a dinâmica das notas dos alunos formados e algumas variações importantes. Os bolsistas e não-bolsistas começam o curso com patamares de nota em torno de 7,4, melhoram um pouco, permanecem num platô de 7,6 no segundo e terceiro semestres, decaem para os patamares de nota do 1º semestre no 4º semestre, para depois, a partir do 5º semestre, iniciarem crescimento até o 7º semestre, quando se estabilizam ou decaem um pouco, mas em patamares elevados.

Os momentos mais sensíveis (para bolsistas e não-bolsistas) parecem ser no início (1º semestre) e no meio (4º semestre) do curso. Uma hipótese para explicar estas diferenças pode estar relacionada a certos fatores, dentre eles, o fato de que, no início do curso, os estudantes (às vezes, os primeiros em suas famílias a cursarem o Ensino Superior) enfrentam dificuldades de adaptação ao ambiente universitário das mais variadas ordens (moradia, transporte, alimentação, material didático, relação com colegas, com a família, com os habitus institucionais etc). Estas dificuldades iniciais de adaptação interferem no desempenho dos estudantes como atestam trabalhos que indicam a importância do primeiro ano da graduação como um momento crucial para a permanência e sucesso no ensino superior (Teixeira et ali., 2008) (Guerreiro-Casanova & Polydoro, 2010) (Soria, 2015).

Vimos que no Projeto Pedagógico do curso de Ciências Sociais da PUC-Campinas, em vigência nestes anos, os alunos do Bacharelado e da Licenciatura compartilham as mesmas disciplinas nos primeiros quatro semestres, as quais são eminentemente teóricas. A partir do quinto semestre, iniciam-se disciplinas específicas para alunos de cada uma destas modalidades. Embora ainda continuem a compartilhar disciplinas teóricas, é provável que a partir do 5º semestre, ao realizarem disciplinas mais ligadas à atuação profissional (estágios nas escolas para a Licenciatura e Trabalho de Conclusão de Curso para o Bacharelado, por exemplo) os alunos sintam-se mais motivados e isto cause um impacto em seu desempenho. A concentração de disciplinas mais teóricas nos quatro primeiros semestres do curso, deixando as optativas ou disciplinas práticas a partir do 5º semestre, parece ser uma característica compartilhada com outras instituições, tal como indicam as grades curriculares dos quatro cursos de Ciências Sociais do Rio de Janeiro analisados por Crizostomo (2010).

De qualquer maneira, a presente pesquisa sugere que as intervenções para favorecer a permanência de alunos, bolsistas ou não-bolsistas, deve levar em conta as diferenças de desempenho e/ou motivação que apresentam ao longo do curso, tais como as evidenciadas nas curvas de aprovação e rendimento.

Estudantes que trancaram o ou desligaram-se do curso

Passemos agora para os alunos que não se formaram (trancados/transferidos) de maneira a verificar o desempenho destes ao longo do curso. Considerando a composição de nãobolsistas e bolsistas por ano de ingresso, verificada na tabela 11, e da constatação de que há anos em que se verifica somente um bolsista (2013) ou um não-bolsista (2014), optamos por apresentar os resultados das disciplinas em que estudantes foram aprovados considerando agregando o conjunto de alunos que trancaram o/desligaram-se do curso por semestre, sem discriminar as turmas.

Tabela 11 Distribuição dos alunos formados por forma de ingresso, segundo ano de ingresso 

Formados
Vestibular Geral

ProUni
Vestibular Social Total
2012 7 1 3 11
2013 8 1 6 15
2014 3 11 0 14
2015 8 6 1 15
Total 26 19 10 55

Fonte: Sistema PA PUC-Campinas

Tabela 12 Distribuição dos alunos que trancaram o/desligaram-se do curso, conforme ano e forma de ingresso 

Vestibular Geral Trancado/Desligado
ProUni

Vestibular Social
Total
2012 5 5 3 13
2013 4 0 1 5
2014 1 19 1 21
2015 3 2 6 11
Total 13 26 11 50

Fonte: Sistema PA PUC-Campinas

Fonte: Sistema PA PUC-Campinas

Gráfico 12 Distribuição das disciplinas em que os estudantes que trancaram ou/desligaram-se do curso foram aprovados, por forma de ingresso (2012-2015) - em porcentagem 

O gráfico acima apresenta a porcentagem de aprovações nas disciplinas de acordo com a forma de ingresso. Como são alunos que não completaram o curso, é lícito supor que a porcentagem de disciplinas aprovadas venha a decair ao longo dos semestres. Todavia, os três primeiros semestres parecem ser decisivos em relação ao decréscimo das aprovações nas disciplinas, sobretudo a passagem do 2º para o 3º semestre, como atestam os números acima. Após a queda nos 3 primeiros semestres, observa-se um platô entre o 3º e o 4º semestre, para, depois, uma queda 5º semestre (foram retirados os 6º, 7º e 8º semestres por apresentarem um número muito pequeno de disciplinas cursadas por alunos que se desligaram do curso).

Considerações Finais

As informações apresentadas neste artigo corroboram conclusões de trabalhos anteriores relacionados ao rendimento de bolsistas e não bolsistas. Portanto, este trabalho se soma àqueles que demostram que a presença de bolsistas no curso de graduação não implica em menores notas ou taxas de aprovação nas disciplinas cursadas, ou, em linhas gerais, uma queda no rendimento do curso. Vimos que o desempenho dos alunos bolsistas e não bolsistas foi muito parecido, seja em relação aos que se formaram, seja em relação aos evadidos.

A análise do desempenho dos estudantes do curso de Ciências Sociais da PUCCampinas evidencia que a trajetória destes estudantes ao longo do curso não é linear, variando de forma significativa ao longo dos semestres, tanto para os formandos como para os evadidos. Para os que concluem o curso, os quatro primeiros semestres parecem ser os mais difíceis (em termos de nota e aprovação). Já para os que evadiram, a importância de se considerar os primeiros três semestres. Tais resultados permitem afirmar que políticas estudantis relacionadas à permanência no curso, problema já fartamente documentado em relação aos alunos do Prouni, por exemplo, devem ser pensadas e executadas considerando as oscilações de desempenho dos alunos ao longo dos semestres. No caso em questão, seja por fatores de currículo, de adaptação ao ambiente universitário ou por expectativas em relação à profissão, os primeiros quatro semestres parecem ser os mais propícios para ações deste tipo.

Disponibilidade de dados e material: Não aplicável.

Aprovação ética: Não aplicável.

Financiamento: Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico - Bolsa Produtividade em Pesquisa

1Há uma questão relacionada ao próprio conceito de evasão que merece ser mencionada. Considera-se evasão “estudantes que abandonaram, trancaram, desligaram-se ou transferiram-se para outra instituição de ensino” (Rodriguez, 2011, p. 4). No entanto, boa parte destes estudantes que se desligam ou trancam, também podem ingressar em curso de graduação de outra instituição. Ou seja, evadem de um determinado curso ou IES, mas não do ensino superior. Numa perspectiva mais ampla, Ribeiro (2014) pontua que índices elevados de evasão podem indicar reação saudável dos alunos em relação às fronteiras do conhecimento presentes no modelo da Universidade. Em suas palavras: “A evasão pode constituir uma reação bastante saudável (...) perante o próprio modelo de uma universidade baseada em formações definidas uma vez por todas.(...) A evasão é reação inevitável - e desejável - às fronteiras, e não apenas a más fronteiras. É uma reação à fronteiras em geral, à própria ideia de fronteira,” (Ribeiro, 2014, p. 48)

2Retiramos as disciplinas dos alunos transferidos e ainda matriculados que representam 8,1% (n=492) do total de disciplinas cursadas.

3 Há 182 disciplinas cursadas por alunos que foram aprovados (3,8% do total), mas com frequência de 0%. Como é necessário, entre outros critérios, mínimo de 75% de aproveitamento na disciplina para aprovação, entendemos ser um problema na base de dados. Estas disciplinas foram retiradas do cálculo da média da frequência nas disciplinas em que estudantes foram aprovados.

4 Na PUC-Campinas a nota mínima para aprovação é 5,0 e, como visto na nota anterior, frequência de 75% ou mais.

5A título de ilustração, o grupo de alunos da turma de 2012, cursou 124 disciplinas no 8º semestre, ante apenas 51 no 9º semestre. Para a turma de 2013, foram 207 disciplinas cursadas no 8º semestre, versus 48 no 9º semestre; para a de 2014, 184 e 63, no 8º e 9° semestres, respectivamente. Finalmente, para a turma de 2015, 208 disciplinas no 8° semestre, versus 45 no 9º.

Reconhecimentos:

Não aplicável.

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Recebido: 12 de Maio de 2021; Aceito: 01 de Agosto de 2022; Publicado: 27 de Fevereiro de 2023

Conflitos de interesse: Não aplicável.

Editoras de seção: Charlene Bitencourt Soster Luz e Maria de Lourdes Pinto de Almeida

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