Avaliação 360 graus na Residência Médica de Família e Comunidade: percepção de cidadãos-usuários e preceptores

Serviços Personalizados
Journal
Artigo
Indicadores
Citado por SciELO
Acessos
Links relacionados
Similares em
SciELO
Compartilhar
Revista Brasileira de Educação Médica
versão impressa ISSN 0100-5502versão On-line ISSN 1981-5271
Resumo
SOUZA, Mauro Sérgio Furtado de e TOASSI, Ramona Fernanda Ceriotti. Avaliação 360 graus na Residência Médica de Família e Comunidade: percepção de cidadãos-usuários e preceptores. Rev. Bras. Educ. Med. [online]. 2025, vol.49, n.4, e159. Epub 22-Out-2025. ISSN 1981-5271. https://doi.org/10.1590/1981-5271v49.4-2025-0101.
Introdução:
No contexto da Residência de Medicina de Família e Comunidade (RMFC), ferramentas de avaliação que busquem a qualificação da formação do médico residente devem ser (re)construídas no cotidiano dos serviços de saúde. Avaliação 360 graus ou multifonte destaca-se por envolver a participação de profissionais da equipe, de pacientes e do próprio residente, guiada pelo preceptor.
Objetivo:
Analisar a avaliação 360 graus na RMFC, na percepção de cidadãos usuários e preceptores.
Método:
Estudo de abordagem qualitativa (estudo de caso), aprovado por Comitê de Ética em Pesquisa. Foi realizado em Unidades de Atenção Primária à Saúde (APS) de dois municípios do Rio Grande do Sul, onde os residentes atuavam. A amostra foi intencional. Realizaram-se entrevistas individuais semiestruturadas com os cidadãos usuários atendidos pelos residentes e com os dois médicos preceptores. Essas entrevistas foram posteriormente gravadas e transcritas. Definiu-se o tamanho da amostra para os cidadãos usuários pelo critério da saturação teórica aliado à análise da densidade do material textual produzido. Analisaram-se os dados de contexto dos participantes pela estatística descritiva. Os dados qualitativos foram analisados pela análise de conteúdo.
Resultado:
Participaram do estudo 17 cidadãos usuários e dois preceptores. A avaliação 360 graus foi reconhecida como ferramenta avaliativa que fomenta e valoriza o protagonismo popular. Os cidadãos usuários perceberam que, ao fazerem parte da avaliação do residente, mudanças na conduta do médico residente podem acontecer. Nesse processo participativo, sentem-se privilegiados ao contribuírem para o trabalho do médico residente. Os preceptores reconheceram que a participação dos usuários e da equipe no processo avaliativo do residente contribui para a avaliação e fortalece a relação entre equipe-residente-usuários e o trabalho interprofissional na APS. Desafios foram percebidos na realização da avaliação do residente pelos profissionais da equipe, pela rotina de trabalho na APS e na condução do momento do feedback pelos preceptores. Ambiente adequado e relações de vínculo entre preceptor-residente foram considerados facilitadores do feedback.
Conclusão:
A avaliação 360 graus apresentou-se como estratégia efetiva de avaliação educacional na formação da força de trabalho em saúde. Traz a oportunidade para o médico residente evoluir, perceber seus erros e se aproximar dos usuários e da equipe. Novas pesquisas são recomendadas, incluindo a percepção dos residentes, da equipe e dos gestores.
Palavras-chave : Avaliação Educacional; Avaliação de Resultados da Assistência ao Paciente; Internato e Residência; Medicina de Família e Comunidade; Atenção Primária à Saúde.


