Letramentos dos corpos: direitos linguísticos e existenciais das pessoas negras surdas

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Educação UFSM
Print version ISSN 0101-9031On-line version ISSN 1984-6444
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SANTOS, Ícaro Augusto and REZENDE, Tânia Ferreira. Letramentos dos corpos: direitos linguísticos e existenciais das pessoas negras surdas. Educação. Santa Maria [online]. 2021, vol.46, e64791. Epub Apr 15, 2024. ISSN 1984-6444. https://doi.org/10.5902/1984644464791.
O capitalismo, colocado em operação a partir dos processos da colonialidade, utiliza se da dominação da natureza e de tudo o que dela faz parte para a manutenção desse sistema econômico mundial. A colonialidade implementa a tecnologia da dominação e da exploração dos corpos. O objetivo central desta discussão é suscitar a reflexão sobre como os corpos de pessoas negras surdas, situados no sistema-mundo, estruturado pela colonialidade e pelo capitalismo neoliberal, enunciam sentidos, tensionando, assim, as relações de poder nas quais se envolvem. Para tanto, foi realizada uma pesquisa bibliográfica, por meio de uma seleção de títulos da área que abordam, especificamente, as questões de raça, surdez e direitos linguísticos. Elencamos os principais resultados e hipóteses, a partir dos quais iniciamos nossa reflexão, na perspectiva da interseccionalidade. Nosso pressuposto é que o sistema mundo é opressor e subalterniza as pessoas negras surdas, impondo-lhes visões branco-ouvintistas para a manutenção da supremacia da colonialidade. A subalternização e a dominação dos corpos negros surdos estão ligadas à negação dos direitos linguísticos e existenciais da população negra e das pessoas surdas brasileiras, como um todo. Esse pressuposto se sustenta na revisão da literatura que aborda a intersecção entre corpo (raça, surdez) e direitos linguísticos. A partir das referências selecionadas, foram sintetizadas reflexões teóricas que possibilitam evidenciar a colisão das estruturas de cultura/linguagem/epistemologia, raça/cor, gênero/sexualidade, classe e outras categorias de classificação e de identificação sociais. No final, foi possível constatar que a opressão e marginalização dos corpos das pessoas negras surdas são resultantes das colisões criadas pelo racismo estrutural, mantido pela colonialidade e sustentado pelo capitalismo globalizado, reverberando, assim, a negação dos direitos linguísticos e existenciais de pessoas negras surdas.
Keywords : Interseccionalidade; Pessoas Negras Surdas; Direitos linguísticos e existenciais.


