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Artigo • Ensino em Re-Vista 31 • 2024 • DOI: https://doi.org/10.14393/er-v31e2024-29

Uma experiência formativa em uma Escola Freinet em tempos de Pandemia

Ensino em Re-Vista

versión On-line ISSN 1983-1730

Ensino em Re-Vista vol.31  Uberlândia  2024  Epub 28-Ene-2026

https://doi.org/10.14393/er-v31e2024-29 

Demanda Contínua

Uma experiência formativa em uma Escola Freinet em tempos de Pandemia

Prácticas supervisadas en tiempos de pandemia en un aula de Freinet

Suelen Aparecida de Carvalho Rela1 
http://orcid.org/0000-0001-7808-2630

Daniela Dias dos Anjos2 
http://orcid.org/0000-0002-7695-835X

1Mestre em Educação. Universidade São Francisco, Itatiba, SP, Brasil. E-mail: sucarvalhorela@gmail.com.

2Doutora em Educação, Universidade são Francisco, Itatiba, SP, Brasil. E-mail: daniela.anjos@usf.edu.br.


RESUMO

Este trabalho integrou uma pesquisa de mestrado que buscou investigar a inserção dos alunos de pedagogia de uma instituição de ensino superior do estado de São Paulo nas escolas-campo para a realização do estágio curricular supervisionado em tempos de pandemia. Envolveu como metodologia entrevistas narrativas, diário de campo e registros produzidos pelas alunas da disciplina de Estágio Curricular Supervisionado no Ensino Fundamental. Apresenta-se aqui a situação de estágio vivenciada por Rubi, uma das estudantes participantes da pesquisa, com o objetivo de analisar, por meio de suas narrativas, sua experiência formativa em uma escola Freinet, a possibilidade da parceria entre estagiária e professora da sala de aula, e as tensões experienciadas para a realização de estágio no contexto da pandemia da Covid-19.

Palavras-chave: Estágio Supervisionado; Pandemia; Pedagogia Freinet

RESUMEN

Este trabajo integra una investigación de máster que tuvo como objetivo general analizar la inserción de los alumnos de pedagogía en las escuelas de campo y la realización de las prácticas curriculares supervisadas en tiempos de pandemia. De enfoque, esta investigación involucró como metodología entrevistas narrativas, diario de campo y registros producidos por las alumnas de la disciplina de Prácticas Curriculares Supervisadas en Educación Primaria. En esta, presentaremos la situación de prácticas experimentada por uno de los estudiantes, participantes de la investigación, con el objetivo de analizar la asociación entre pasante y profesora del aula y las tensiones experimentadas para la realización de prácticas en el contexto de la pandemia de Covid-19.

Palabras clave: Pasantía supervisada; Pandemia; Pedagogía Freinet

ABSTRACT

This work intrigue one search about master’s degree that it was aimed at analyze the insertion of the pedagogy students in the schools campus and the realization of the curricular internship supervised em pandemic’s time. Of approach, this search involved as narrative interviews methodology, campus diary and records marked by the students of the discipline Estágio Curricular Supervisionado on the Elementary School. In this, we will present the situation of the internship experienced by one of the students, we participate in the research, with the objective to analyze the partnership between intern and classroom professor and the tensions experienced for the realization the internship on the COVID-19 pandemic context.

Keywords: Supervised Internship; Pandemic; Freinet Pedagogy

Introdução

O texto aqui apresentado se insere em uma pesquisa de mestrado que buscou investigar a inserção dos alunos de pedagogia de uma instituição de ensino superior do estado de São Paulo nas escolas-campo para a realização do estágio curricular supervisionado em tempos de pandemia da Covid-19 - uma infecção respiratória aguda causada pelo coronavírus SARS-CoV-2, potencialmente grave, de elevada transmissibilidade e de distribuição global -, analisando as relações entre universidade e escola, do ponto de vista de um grupo de alunos que cursam a disciplina de Projetos e Estágio Supervisionado no ensino fundamental I. A entrevista narrativa e o memorial de formação produzido na disciplina serviram de base para o levantamento dos indícios referentes às relações existentes entre universidade e escola e todos os protagonistas envolvidos neste processo, buscando compreender o papel do estágio na formação inicial de professores, o papel do professor supervisor de estágio e a relação entre ambos.

Participaram deste projeto seis alunas da disciplina de Projetos e Estágio Supervisionado, que compõe a grade curricular do curso de Pedagogia, em que realizei estágio docente no primeiro semestre de 2020. Antes de iniciar como estagiária docente, tive a oportunidade de participar de uma roda de conversa - composta pelos graduandos de pedagogia, por professores em exercício na rede pública municipal e por alguns diretores de unidades escolares da rede pública -, organizada pelos professores responsáveis pela disciplina de Estágio Supervisionado do Curso de Pedagogia. Cada um dos professores e gestores presentes relatou um pouco de sua história profissional e fez um convite aos professores em formação inicial para que realizassem estágio nas salas de aulas e ou nas instituições escolares dos profissionais presentes. Nessa experiência de estagiária docente no ensino superior, passei a auxiliar na busca por escolas para a realização de estágios, sugestões de leituras para o trabalho de conclusão de curso, auxílio para documentação de comitê de ética. Não me sentia apenas uma estagiária, mas também uma colaboradora da professora, situação que também foi me deixando mais próxima do tema em questão. Após quatro encontros presenciais, o mundo estava tomado por um momento de pandemia que causava medo, insegurança e desespero. As aulas na universidade passaram a acontecer de maneira remota, e a rede educacional organizou-se com atividades domiciliares e videoaulas.

Aos poucos as escolas foram se reorganizando para atender a demanda, não de forma presencial. Algumas se organizaram com aulas remotas, outras com atividades domiciliares produzidas pela Secretaria de Educação, com grupos de pais e alunos no WhatsApp. A dificuldade para a realização do estágio permaneceu. Juntamente com os professores da universidade, participei da busca ativa por escolas que aceitassem receber esses alunos também de forma remota, em que cada uma das alunas participantes apresentaria sua experiência de estágio.

O acompanhamento do estágio por entre narrativas

Durante o primeiro semestre de 2020, acompanhei um grupo de alunos da disciplina de Projetos e Estágio Supervisionado, no seu trabalho com o ensino fundamental do curso de Pedagogia de uma universidade privada no interior de São Paulo. Os encontros de supervisão foram audiogravados, e a pesquisadora produziu um diário de campo, registrando as principais discussões e impressões sobre cada aula. Foram também analisadas as produções escritas dos alunos durante o semestre e realizadas pesquisas autobiográficas, tendo como objetivo refletir com os alunos sobre suas vivências enquanto estagiários, visto que já tiveram a possibilidade de realizá-lo em outras ocasiões. Para Jovchelovitch e Bauer (2015), a entrevista narrativa é compreendida como uma contação de história, presente nas experiências humanas de variada forma, que possibilita relatar e compartilhar experiências, preservando particularidades, o que a torna algo familiar.

Alguns autores vêm defendendo o uso de narrativas no processo de formação inicial. Entre eles podemos citar Moura (1998), Passeggi (2010), Prado e Soligo (s/d), entre outros.

As alunas foram convidadas a registrar suas experiências na disciplina de Estágio Supervisionado a partir de textos narrativos, registrando e refletindo sobre o vivido em sala de aula. Foi ainda solicitado que retomassem o memorial de formação, já iniciado em outras disciplinas, para que nele incluíssem a experiência do estágio.

Desenvolver um memorial de formação possibilita aos professores em formação compartilhar vivências, apresentando ao leitor paixões, emoções e sentimentos guardados na memória. Aquele que narra a sua história sempre o faz para alguém e, portanto, é relevante observar o memorial não como um relato de acontecimentos, mas como uma oportunidade de reflexão sobre a vida individual e social dos sujeitos, e também como uma possibilidade de revisitar e ressignificar sua trajetória de formação.

Para Prado e Soligo (s/d) em um memorial não há o compromisso de historiar toda a vida. Pode ser uma obra literária ou científica, na qual o autor, ou um dos personagens, evoca fatos a que tenha assistido ou de que tenha tomado parte. É um texto que relata fatos importantes para aquele que os produz, tendo em conta suas memórias. É uma marca, um sinal, um registro do que o autor considera essencial para si mesmo e que supõe ser essencial também para os seus ouvintes ou leitores.

Além do memorial, as alunas foram solicitadas a registrar o vivido por meio de narrativas pedagógicas. Para Prado (2015), experiências pedagógicas, tão comuns no cotidiano docente e compartilhadas de maneira oral, são oportunidades para o manifesto de professores acerca de sua vida escolar, divulgando seus saberes e conhecimentos. Quando se tornam narrativas escritas, são também chamadas narrativas pedagógicas. São as experiências do cotidiano escolar narradas pelos profissionais da educação.

Além dos materiais desenvolvidos por cada uma delas, a pesquisa contou também com entrevistas individuais a respeito do tema trabalhado e reflexões sobre as experiências de cada uma. Apresentaremos a situação de estágio de Rubi, estudante de pedagogia de uma universidade localizada em uma cidade do interior, assim como a escola da rede pública municipal em que realiza o estágio de forma remunerada.

Para Pimenta e Lima (2017, p. 26),

[...] o estágio sempre foi identificado como a parte prática dos cursos de formação de profissionais, em contraposição à teoria. [...] no caso da formação de professores, [...] o curso nem fundamenta teoricamente a atuação do futuro profissional nem toma a prática como referência para a fundamentação teórica. Ou seja, carece de teoria e prática.

Compreendendo o estágio como o primeiro contato desse profissional em formação com o contexto escolar, observa-se necessário que ele venha a ser realizado de maneira efetiva, a fim de possibilitar ao estagiário perceber os desafios da profissão docente, bem como o campo de conhecimento do futuro profissional.

Na entrevista narrativa concedida à pesquisadora, Rubi diz acreditar que a aprendizagem acontece por intermédio da relação olho no olho. Entretanto, ela faz parte do grupo de alunos que, em virtude da Pandemia da Covid 19, não tiveram a possibilidade de desenvolver o estágio no período em que cursava a disciplina de Projetos e Estágio Docente no Ensino Fundamental da grade curricular do Curso de Pedagogia no ano de 2020.

Caracterizada como uma pandemia em março de 2020, a principal recomendação Organização Mundial da Saúde (OMS) para conter o avanço da doença foi o chamado “distanciamento” ou “isolamento social”, com objetivo de inibir a propagação da doença e a transmissão local por pessoas infectadas. Tal medida foi tida como eficaz porque a principal forma de contágio do coronavírus acontece pelo contato com pessoas que estão infectadas. Cumprimentar, beijar, compartilhar copos e talheres são algumas das atitudes que devem ser evitadas, já que a transmissão pode ocorrer por gotículas de saliva, espirro, tosse ou catarro, que podem ser repassados por toque ou aperto de mão, por objetos ou superfícies contaminadas.

Na cidade em que se localizava a universidade, o período de quarentena se deu pelo Decreto n.º 7.356, de 18 de março de 2020 (Itatiba, 2020), que, dentre suas considerações, incluía o fechamento das escolas:

Art. 7º - Ficam suspensas a partir de 23 de março de 2020, e, por tempo indeterminado as aulas nas escolas públicas municipais, sendo que os dias 23 a 27 de março substituirão a primeira semana do recesso escolar.

As Instituições de Ensino Superior, através da Portaria nº 544, de 16 de junho de 2020, receberam autonomia para a organização do calendário letivo, ampliando a oferta do ensino remoto até 31 de julho de 2020, porém não foi possível programar o estágio da disciplina dentro desse período. Rubi, como muitos outros estudantes, não conseguiu realizar seu estágio. Ela assim relata:

[...] o diretor da escola ainda não autorizou o meu estágio dentro destas condições, porém assim que as atividades escolares se restabelecerem voltarei para cumprir minhas horas e poderei vivenciar as práticas pedagógicas do ensino fundamental. Entretanto, como proposto pela universidade, continuamos acompanhando as supervisões de estágio, onde tivemos a participação de docentes que através de videochamadas trouxeram suas experiências com relação ao atual momento, e produzimos um portfólio de aprendizagem abordando esta questão. [...]

A semana seguinte iniciou-se e a situação permaneceu, se agravando dia após dia no mundo todo, no Brasil, especificamente no estado de São Paulo, causando reflexos na cidade, por isso com base nos decretos oficiais do estado as escolas permanecem fechadas. O que ocasionou a Secretaria de Educação a mobilizar-se na questão das aulas, e a situação de todos os envolvidos. Ficou estabelecido de maneira geral para toda rede municipal blocos de atividades que os alunos possam realizar em suas casas. Até o momento já são quatro blocos, que englobam atividades desde a educação infantil até o ensino fundamental. Para os alunos do 6º ao 9º ano, recentemente está sendo utilizado um aplicativo que também permite a realização destas atividades (Fragmentos do portfólio de Rubi).

Diante deste novo cenário, Rubi teve a oportunidade de realizar seu estágio de forma remota no primeiro semestre de 2021, acompanhando as aulas de um terceiro ano em uma cidade diferente de onde mora e estuda, que, por meio da Resolução SME/FUMEC n.º 002, de 26 de março de 2020 (Campinas, 2020), ofereceu aula on line aos alunos pela plataforma Google Sala de Aula.

Para acompanhar esse processo com a professora da disciplina, criamos um grupo de WhatsApp. Nas conversas e trocas compartilhadas eram perceptíveis o envolvimento e a interação de Rubi com a professora da sala, o que possibilitou que a estudante de pedagogia e a professora trabalhassem de maneira conjunta, articulassem conhecimentos e também percebessem as fragilidades da prática.

A escola trabalha com técnicas da Pedagogia de Freinet, as quais Rubi conheceu no início de sua graduação e foram responsáveis pela sua opção pelo curso de Pedagogia, o que também direcionou seu olhar em relação aos contatos com as crianças. Importa, agora, conhecer Freinet:

Célestin Baptistin Freinet nasceu em 15 de outubro de 1896, na cidade de Gars, sul da França. Seus pais eram camponeses, e desde muito pequeno Célestin iniciou seu trabalho na lavoura. As condições concretas vivenciadas por ele, de certa forma, influenciaram sua concepção sobre a infância e o trabalho infantil e também reverberaram em sua prática enquanto docente. Defendia que a escola possibilita aos educandos um trabalho realizador, considerando trabalho como produção humana (Buscariolo; Anjos, 2022, p.127).

A cooperação é um dos eixos fundantes da Pedagogia Freinet. Foi dialogando entre pares, a princípio através da correspondência, que nasceu um movimento que existe hoje em mais de 30 países, incluindo o Brasil. Kanamaru (2014, p.770) afirma: “aventamos como hipótese o cooperativismo e a autogestão como a contribuição original na obra de Freinet, caracterizando-a em um aspecto renovado: a de uma pedagogia solidária de caráter internacional”.

Os princípios de Freinet vão ao encontro de uma escola democrática e cooperativa, que apresente a importância da decisão coletiva (Barros; Ferreira, 2022). Dentre esses princípios, Freinet (1975, p. 21) sempre compreendeu a importância do diálogo entre os pares:

A classe dos professores contava apenas com alguns pioneiros... quando eu constituía já uma cooperativa com circulares, boletim, revista de textos infantis... Tínhamos já rompido o círculo do individualismo estéril. Havíamos lançado as bases do nosso movimento pedagógico cooperativo.

Retomemos o entusiasmo de Rubi com a Pedagogia Freinet em seu estágio. A aluna destaca em sua entrevista narrativa que os princípios da pedagogia Freinet - livre expressão, cooperação, educação para o trabalho, reflexão individual e coletiva, sociabilidade, autonomia, comunicação e experimentação - despertaram seu interesse no início da sua graduação em pedagogia e que vivenciar as técnicas Freinet, mesmo de modo remoto, possibilitou grande aprendizado.

A recepção a Rubi ao trabalho na disciplina foi realizada pela professora da sala, que também a convidou a participar das reuniões de professores que aconteciam semanalmente e propiciou o acesso ao planejamento desenvolvido pela escola.

Tive o privilégio da orientadora de estágio ter vários contatos e fui convidada a finalizar as horas na escola de Campinas de forma remota, numa sala de 3º ano com a maravilhosa professora que me acolheu com tanto carinho e foi muito solícita, atendendo todas as minhas necessidades, me auxiliando durante este processo. Toda segunda-feira participava das reuniões de HTPC com os professores, coordenadora e diretora da escola, sempre me incluía em tudo. Aproveitei bastante as formações com convidados que a instituição proporcionava para os docentes, sem dúvidas foi uma experiência muito rica (Excerto do memorial produzido por Rubi na disciplina de estágio supervisionado).

A relação vivenciada por Rubi mostra a sensibilidade da professora em sentir-se responsável pela formação desta estudante de pedagogia que futuramente estaria atuando em sala de aula: possibilitou a ela o contato com os alunos, com o pedagógico e com o conteúdo a ser trabalhado, mesmo em uma situação adversa, de ensino remoto, propondo a experiência de uma formação humana e revendo sua prática pedagógica.

A narrativa apresentada por Rubi evidencia a importância da parceria entre professor e estagiário na construção de um coletivo de cooperação e diálogo entre os pares, vindo a contribuir cada vez mais com a formação dos profissionais da educação em formação inicial e continuada.

Considerações

Acompanhando o percurso de Rubi no trilhar da realização do estágio supervisionado, observamos a troca de experiências e de papéis, mostrando que o estágio pode beneficiar não só os próprios estagiários:

Todos sempre acolhedores, contavam com minha participação e sempre que possível questionavam as minhas ideias, fazendo com que me sentisse inclusa no preparo das aulas e pudesse me expressar ativamente. Confesso que parecia que também era a professora, e isso me deixava muito contente.

Sobre as aulas minha participação também foi muito significativa, as mesmas aconteciam quinzenalmente, e infelizmente poucos alunos entravam devido às dificuldades em ser online, a maioria precisava esperar um responsável para fazer o acesso, mas todas as vezes que participei foi muito especial. A professora havia compartilhado o google sala de aula comigo, então, assim como os alunos, eu também tinha acesso nas atividades programadas. Além disso tive a oportunidade de gravar alguns vídeos para contribuir com as aulas, os alunos se mostravam interessados e sempre tinham uma devolutiva.

Em meio ao caos que o estágio representou na minha formação, posso afirmar que o ditado que diz que “Deus escreve certo por linhas tortas” nunca fez tanto sentido, pois eu aprendi muito, de uma forma que talvez sendo presencial, não seria possível. Enfim, fiquei muito realizada com a conclusão de mais uma etapa da pedagogia e tenho certeza de que, quando puder, irei visitar a escola, a professora e todos os profissionais envolvidos que fizeram a diferença neste momento tão difícil que estamos enfrentando.

Portanto, o sentimento é de gratidão por professores que estão batalhando tanto para que esses alunos sejam amparados de todas as maneiras, tanto psicológicas como no pedagógico, sinto-me muito feliz por ter feito parte, mesmo que por pouco tempo, da vida de cada um (Entrevista narrativa realizada com Rubi).

A pandemia causada pelo vetor da Covid-19 certamente será daquelas histórias compartilhadas não apenas como possíveis indicadores de estudos de caso ou de simples relatos de acontecimentos. Todas as mudanças necessárias diante do novo cenário que ela nos apresentou serão parte de nossa história, compartilhadas como uma experiência de vida, uma oportunidade de reflexão entre vida individual, social e cultural dos sujeitos.

A partir do registro narrativo apresentado, podemos ler um pouco do movimento do estágio supervisionado. Os encontros e os desencantos ocorridos até mesmo antes da pandemia, as mudanças de escola, os anseios e medos relacionam-se e interagem com tantas outras situações de tantos outros estudantes de pedagogia em formação. Assim como as práticas pedagógicas das diferentes instituições, o estágio não se realiza sozinho. Teoria e prática estão presentes nas instituições escolares e nas universidades, e talvez o maior desafio seja a promoção do diálogo entre ambas durante a formação do pedagogo.

Visando a uma educação transformadora e considerando o profissional da educação como alguém que está em constante desenvolvimento, a reflexão na ação precisa ser compreendida como essencial. Um currículo que integre políticas educacionais que almejem a formação humana, para que o estágio venha a proporcionar ao professor em sua formação inicial, além do olhar para as questões referentes ao exercício da profissão, vivenciar experiências de ordem social.

Referências

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HISTÓRICO

Recebido: 01 de Outubro de 2023; Aceito: 01 de Abril de 2024

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