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Memórias ancestrais e filosofias africanas forjando caminhos para uma educação afrorreferenciada

PID: S1809-43092022000100409 | Periódico: Práxis Educativa (1809-4309) | Ano: 2022
Autores: Machado Oliveira
Resumo: Este ensaio é mais que tudo um convite, uma mensagem que parte de nossos chãos de pertencimentos, de nossas experiências na busca de aprendermos a ler o mundo para além do que as peles de papel (livros) nos dizem. Forjando outros modos de aprender / ensinar, de construir uma educação afrorreferenciada mediada pelas filosofias africanas que são tecidas por tradições, valores e culturas preservadas e transmitidas por memórias ancestrais bordadas em nossos corpos, em práticas cotidianas de solidariedade, de cuidado, de respeito à natureza, as nossas sensibilidades, à ancestralidade. É convite à escuta sensível, ao aprender ouvindo as pessoas anciãs que nos apresentam ferramentas outras para construção de uma educação para as relações étnico-raciais harmônica, plural e integradora.

Mito, ideologia e utopia na Política Educacional Escolar Indigenista Brasileira

PID: S1809-43092022000100418 | Periódico: Práxis Educativa (1809-4309) | Ano: 2022
Autores: Sousa Amaral Filho
Resumo: Neste artigo, fez-se uma revisão teórica dos conceitos de ideologia, utopia e mito. O objetivo foi identificar esses fenômenos culturais nos discursos que têm orientado a Política Educacional Escolar Indigenista Brasileira (PEEIB) ao longo da história e o papel desempenhado. O problema proposto foi: O que é ideologia e o que é utopia nos discursos científicos que orientam a PEEIB? Qual o lugar que o mito ocupa hoje e pode vir a ocupar nesse cenário? Com base em pesquisa bibliográfica e documental, identificaram-se dois discursos que assumiram o protagonismo na orientação da PEEIB ao longo da sua história. Concluiu-se que um é ideológico e outro é utópico, enquanto o mito precisa ser divulgado à sociedade não-indígena para que a PEEIB fomente intercâmbios culturais.

Movimento Negro no Brasil: aprovação da Lei Nº 10.639/2003 e educação para as relações étnico-raciais

PID: S1809-43092022000100432 | Periódico: Práxis Educativa (1809-4309) | Ano: 2022
Autores: Cunha Amorim Júnior Duvernoy
Resumo: Neste artigo, recorre-se à pesquisa bibliográfica para investigar o fortalecimento do Movimento Negro brasileiro a partir da construção e da implementação da Lei Nº 10.639/2003. Analisa-se quais ações impulsionaram historicamente a luta por uma educação para as relações étnico-raciais no Brasil e até que ponto essa Lei, como política pública, dialoga com o Movimento na construção de uma educação antirracista. Trata-se de uma pesquisa de cunho qualitativo, de abordagem exploratória e analítica, sendo necessário considerar, neste estudo, as características sociais, políticas, históricas e culturais como elementos essenciais na formulação dos documentos que são analisados. A fundamentação teórica do artigo baseia-se em Brutsher e Scocuglia (2017), Domingues (2007), Freire (1987), Gohn (1997), Gonçalves e Silva (2000), Lins (2016), Pereira (2017) e Rocha (2006) e em documentos oficiais que normatizaram a Lei Nº 10.639/2003 (BRASIL, 2003, 2004b, 2013, 2019). Os resultados apontam que a história do Movimento Negro brasileiro é marcada por avanços e rupturas que culminaram na implementação da Lei Nº 10.639/2003.

Mulheres negras em movimento: criações individuais e coletivas por vidas com dignidade e direitos

PID: S1809-43092022000100401 | Periódico: Práxis Educativa (1809-4309) | Ano: 2022
Autores: Ribeiro
Resumo: Este artigo contém três eixos: a determinação pela vida digna; 33 anos de organização nacional e internacional; e a criatividade a serviço da construção acadêmica do conhecimento. A organização é histórica, e, na busca de ampliação da plataforma feminista, antirracista e anti-homofóbica, as mulheres negras teceram inúmeras críticas quanto à invisibilidade de sua ação política nos movimentos sociais (em especial o negro e o feminista) e na sociedade. A contestação mais direta refere-se à maneira secundarizada no tratamento de sua opressão e organização. Desse modo, seja por meio dos discursos políticos, dos comportamentos e/ou da produção teórica, as mulheres negras apareceram historicamente como sujeitos implícitos. No período contemporâneo, motivadas pela busca de superação do racismo, sexismo, LGBTfobia e desigualdades sociais, econômicas e sociais, as mulheres negras têm tido êxito em seu processo organizativo com o ativismo político, social e acadêmico.

Normalistas Negras: formação de professoras em ambiente silenciador

PID: S1809-43092022000100441 | Periódico: Práxis Educativa (1809-4309) | Ano: 2022
Autores: Pamplona Silva
Resumo: Este artigo é resultado de uma pesquisa que se propôs compreender quais são as possibilidades da construção da identidade étnico-racial no curso de Magistério. Para tal, dialoga-se com três mulheres, negras e normalistas egressas de uma instituição secular localizada na cidade de Muzambinho, Sul de Minas Gerais. Por meio de suas narrativas, buscou-se entender rupturas, possibilidades e conquistas de direitos a partir da formação adquirida. História oral foi a principal abordagem de pesquisa. Os seguintes procedimentos também foram utilizados: análise de fotografias, consulta de documentação escolar no acervo da instituição, revisão de literatura. Os resultados alcançados apontam que as normalistas negras constroem a sua identidade étnico-racial em um ambiente formativo silenciador que é orientado ideologicamente por valores pautados na branquitude.

O Alfabetismo da Diáspora e a Educação das Relações Étnico-Raciais: aproximações teórico-metodológicas

PID: S1809-43092022000100431 | Periódico: Práxis Educativa (1809-4309) | Ano: 2022
Autores: Araujo Araujo
Resumo: Com a aproximação do aniversário de 20 anos da Lei Nº 10.639/2003, torna-se de extrema relevância refletir sobre desafios que marcaram e ainda marcam sua trajetória. Pensando nisso, este artigo, de natureza ensaística, tem como objetivo evidenciar aproximações entre o que preconizam as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana (DCNERER) e o “Alfabetismo da Diáspora”, perspectiva epistemológica que propõe o enfrentamento à “deseducação”, promovida por um currículo e um sistema formal de educação etnocêntrico e racista, o qual atua para o apagamento da história da população negra. Os princípios e os fundamentos do Alfabetismo da Diáspora e das DCNERER são explorados ao longo do texto, revelando as aproximações entre duas perspectivas diaspóricas que comungam em interesses de promover mudanças na educação formal, com vistas à transformação social.

O desafio da individualidade na Teoria da Atividade Histórico-Cultural: dialética “coletividual” a partir de um posicionamento ativista transformador

PID: S1809-43092022000100302 | Periódico: Práxis Educativa (1809-4309) | Ano: 2022
Autores: Stetsenko
Resumo: Ao abordar o desafio persistente de integrar totalmente as dimensões individuais e a subjetividade humana dentro da Teoria da Atividade Histórico-Cultural, este artigo sugere várias etapas para revisar seu núcleo ontoepistemológico em uma abordagem expansiva denominada posicionamento ativista transformador. Essa abordagem delineia a dialética sutil dos planos individuais e coletivos da práxis humana, em que cada indivíduo é moldado pela história coletiva e por práticas colaborativas enquanto, ao mesmo tempo, os molda e os percebe por meio da contribuição para sua materialidade coletiva e dinâmica, indo além do status quo. Ao capitalizar as pessoas sempre transcendendo o que existe no “aqui e agora”, de forma não adaptativa, com base em um compromisso e visão de como o mundo “deveria ser”, a subjetividade individual é reivindicada, em si própria, como um processo material-discursivo totalmente social e corporificado. A subjetividade individual e a agência ganham status ao contribuir para mudanças nas práticas “coletividual” como a ontoepistemologia primária de um domínio unitário que é ao mesmo tempo individual e social/coletivo.

O estado da arte das pesquisas sobre antirracismo na Educação Infantil (2013-2021)

PID: S1809-43092022000100437 | Periódico: Práxis Educativa (1809-4309) | Ano: 2022
Autores: Barros Souza Euclides
Resumo: O presente trabalho objetivou evidenciar o estado da arte de pesquisas sobre a formação de professores em uma perspectiva antirracista na Educação Infantil, a fim de traçar um panorama dos estudos nessa área e verificar suas principais tendências. Para isso, foi realizada uma pesquisa bibliográfica com artigos, teses, dissertações e trabalhos de conclusão de curso publicados entre 2013 e julho de 2021 que atendiam à proposta desta investigação. Após uma análise geral dos trabalhos, foram elaboradas quatro categorias consideradas relevantes para serem discutidas e problematizadas: (1) Práticas pedagógicas antirracistas: possibilidades e limitações no cotidiano escolar; (2) Legislações brasileiras e suas abordagens sobre educação antirracista; (3) Construção da identidade da criança negra; e (4) Mito da democracia racial. Os resultados encontrados apontam desafios que necessitam ser superados para que haja uma educação antirracista desde a primeira infância, sendo fundamental também mais pesquisas que abranjam esse âmbito.

O legado da branquitude: reflexões a partir de relatos orais de professoras brancas

PID: S1809-43092022000100405 | Periódico: Práxis Educativa (1809-4309) | Ano: 2022
Autores: Souza Castro Santiago
Resumo: O presente artigo tem por objetivo contribuir, a partir dos diálogos com os estudos sobre a branquitude e com os aportes teóricos do feminismo negro, com o campo da Educação. Para tanto, partese de uma análise de cunho qualitativo, inspirados pela história oral, e traz-se para a cena relatos orais de professoras que atuaram na Educação Básica. Os dados apontam para a manutenção das hierarquias impostas pela branquitude e explicitam as marcas raciais transpostas mesmo sobre o processo de flexibilização das desigualdades de gênero.

O nome da flor: diálogos entre Paulo Freire, Francisco Brennand e as decolonialidades

PID: S1809-43092022000100123 | Periódico: Práxis Educativa (1809-4309) | Ano: 2022
Autores: Peloso Scortegagna Mota Neto
Resumo Este artigo resulta de uma investigação no âmbito de Pós-doutorado que objetivou compreender como as artes visuais e as estéticas delas decorrentes contribuem para processos de colonização e/ou decolonização. Trata-se de um ensaio teórico que explora alguns conceitos e categorias presentes nos estudos decoloniais e freirianos como suporte para pensar as artes visuais e as estéticas delas decorrentes a partir de um diálogo com o artista Francisco Brennand e sua obra. Afirma-se a necessidade de compreender a arte e os processos criativos de imagens e de diferentes linguagens como caminhos dialógicos e de reexistência, como possibilidade de enfrentamento e como superação aos ditames coloniais.

O pensamento étnico-racial: o saber científico, as normas legais e a educação

PID: S1809-43092022000100420 | Periódico: Práxis Educativa (1809-4309) | Ano: 2022
Autores: Aguiar Oliveira Nascimento
Resumo: Esta pesquisa tem foco na análise das narrativas sobre a formulação do pensamento étnico-racial a partir das produções acadêmicas de Raimundo Nina Rodrigues realizadas no final do século XIX. O propósito consiste em destacar como as narrativas foram construídas para incluírem ou não indígenas e negros nas textualidades discursivas, a considerar o seu poder de nomeação, de classificação e de hierarquização. A esse estudo, foram incorporados os dispositivos legais, correspondentes às Constituições dos séculos XIX e XX, a fim de demonstrar as tensões e os descolamentos no pensamento étnico-racial brasileiro. As análises foram realizadas tendo como aporte teórico a filosofia da diferença, com acento nas ponderações foucaultianas e do professor camaronês Achille Mbembe. Nos resultados, destaca-se o poder simbólico da linguagem institucional utilizado nos textos científicos e nos dispositivos jurídicos para segregar e inferiorizar os indígenas e os negros, sendo denominados como povos selvagens, bárbaros, indolentes, preguiçosos e perigosos, em detrimento do ser civilizado e branco.

O processo de orientação como estratégia de superação do racismo institucional: relatos de um encontro ancestral em um contexto de Pós-Graduação de um Instituto Federal

PID: S1809-43092022000100412 | Periódico: Práxis Educativa (1809-4309) | Ano: 2022
Autores: Nascimento Santos
Resumo: Neste trabalho, apresentamos uma discussão sobre a questão da relação entre orientanda/o e orientador/a nos processos de orientação no contexto de um curso de Mestrado. A encruzilhada deste texto é, por um lado, tratar sobre as tensões e as violências que ocorrem nessas relações, caracterizando-se, muitas vezes, como manifestações de racismos. Por outro lado, tratamos também sobre a possibilidade de essa relação reconfigurar espaços de cura e de parcerias científico-afetivas. Mobilizamos caminhos metodológicos que aquilombam resultados de estudos, de reflexões e de escrevivências, que apontam para a importância de tensionar epistemologias e comportamentos colonialistas pautados na perspectiva cientificista ocidental, de pensar o contexto acadêmico para que as relações de orientação possam caminhar para referências mais humanizadas e (re)encontros ancestrais.

O que nos ensinam as professoras ganhadoras do Prêmio Educar para a Igualdade Racial?

PID: S1809-43092022000100449 | Periódico: Práxis Educativa (1809-4309) | Ano: 2022
Autores: Calado Felix
Resumo Este artigo foi baseado em uma pesquisa de Doutorado, centrada na avaliação das práticas pedagógicas laureadas pelo 4º Prêmio Educar para a Igualdade Racial, idealizado pelo Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades. O objetivo é analisar as práticas pedagógicas realizadas pelas professoras ganhadoras da 4ª edição desse Prêmio, a fim de demonstrar elementos presentes para a elaboração das ações pedagógicas face à complexidade do racismo vigente na sociedade brasileira. Para tanto, demonstra-se a trajetória do Movimento Negro Educador na criação da Lei No 10.639/2003, bem como tematizam-se seus desdobramentos e seus desafios na perspectiva da educação emancipatória. Por fim, apontam-se elementos relevantes para a luta antirracista no contexto escolar.

O que é agenciamento de políticas?

PID: S1809-43092022000100303 | Periódico: Práxis Educativa (1809-4309) | Ano: 2022
Autores: Savage
Resumo: A teoria sobre agenciamento explodiu na pesquisa sobre políticas, especialmente entre os pesquisadores que trabalham na área de mobilidade e buscam aproveitar o potencial dessa abordagem para entender como as políticas se movem, mudam e se manifestam em contextos cada vez mais transnacionais. A ubiquidade do agenciamento, no entanto, nem sempre o torna preciso, sendo o conceito definido de forma variada e, às vezes, carente de força conceitual e poder explicativo. Este artigo busca conceituar e defender uma abordagem sobre o agenciamento para análise de políticas. Ao sintetizar os eixos centrais da literatura existente, identifica três fundamentos teóricos e conceituais centrais para uma abordagem sobre o “agenciamento de políticas”: (1) relações de exterioridade e emergência; (2) heterogeneidade, relacionalidade e fluxo; e (3) atenção ao poder, política e agência. Juntos, esses fundamentos sinalizam uma coerência para a teoria do agenciamento e sugerem uma abordagem com um poderoso potencial, permitindo que os pesquisadores vejam e expliquem as coisas de maneiras que muitas tradições estabelecidas na pesquisa de políticas não conseguem. Ao identificar os fundamentos e oferecer exemplos de como cada um pode ser mobilizado, o artigo fornece o início de um arcabouço teórico ainda não articulado de forma sistemática para a pesquisa sobre agenciamento de políticas, convidando, assim, a uma discussão mais aprofundada sobre o que significa realizar este tipo de trabalho.

O racismo como condição para pensar a ética das relações étnico-raciais na Educação Básica

PID: S1809-43092022000100430 | Periódico: Práxis Educativa (1809-4309) | Ano: 2022
Autores: Correa Siquelli
Resumo: Este artigo tem como objeto o racismo gerado pela exclusão e objetiva desenvolver uma reflexão sobre a formação ética acerca da educação das relações étnico-raciais na educação escolar, sob o argumento do que dizem as investigações científicas quanto ao nível de conscientização acerca do preconceito, da violência e da discriminação na Educação Básica. Metodologicamente, foi realizado um estudo dos conceitos de crise, de pluralidade e de autoridade, de Hannah Arendt, e de raça, de racismo, de identidade e de etnia, de Kabengele Munanga, por meio de um levantamento em fontes de pesquisa de Mestrado e de Doutorado. A análise do material mostrou a possibilidade de forjar práticas pedagógicas éticas que contribuam para desenvolver a convivência social, para combater o racismo e para instaurar a democracia, eliminando os preconceitos e a discriminação racial.

O uso de tecnologias digitais em educação: caminhos de futuro para uma educação digital

PID: S1809-43092022000100113 | Periódico: Práxis Educativa (1809-4309) | Ano: 2022
Autores: Coppi Fialho Cid Leite Monteiro
Resumo: Este estudo pretendeu: identificar plataformas e tecnologias digitais (PTD) mais utilizadas em atividades escolares; verificar efeitos da pandemia, devida à COVID-19, no seu uso; sistematizar vantagens ou contributos e problemas/dificuldades encontrados. Dados de questionários respondidos por 1753 professores e 2041 alunos de escolas públicas portuguesas revelaram o aumento da frequência de uso das PTD, para fins e objetivos idênticos à pré-pandemia. Ambos os grupos consideraram que as PTD promovem práticas educativas inovadoras, sendo o acesso à internet e a falta de conhecimentos nesta área um obstáculo. Durante a quarentena, os professores referiram sobretudo a falta de comunicação com alunos e a desigualdade social e os alunos a dificuldade de compreensão das matérias e a falta de contacto com colegas e professores. Conclui-se ser necessário investir no acesso generalizado à internet e às PTD e no desenvolvimento de competências digitais de professores e alunos, por forma a diminuir as desigualdades sociais.

Para um ensino de Física afrocentrado no currículo do Ensino Médio Integrado de um Instituto Federal

PID: S1809-43092022000100417 | Periódico: Práxis Educativa (1809-4309) | Ano: 2022
Autores: Dantas Junior
Resumo: Neste trabalho, foi realizada uma análise documental com o objetivo de identificar como são tratados nos currículos de Física do Ensino Médio Integrado do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia, campus Eunápolis, os conteúdos de História e Cultura Afro-indígena. O referencial teórico está embasado nas teorias do currículo multicultural e decolonial e na afrocentricidade, além das bases curriculares nacionais para o ensino de Física no Ensino Médio profissional. As análises indicam que, diante da predominância de cálculos e da visão eurocêntrica de construção do conhecimento científico, não há, no currículo, nada sobre filosofia e história das ciências que contemple narrativas sobre grupos historicamente marginalizados. A construção de um currículo afrocentrado e decolonial atenderá as questões legais e históricas, além de uma problematização constante entre os professores de Física.

Pedagogia da masculinização nos vídeos pornôs: a produção do jovem homem barebacker

PID: S1809-43092022000100104 | Periódico: Práxis Educativa (1809-4309) | Ano: 2022
Autores: Oliveira Sales
Resumo: Considerando a dimensão educacional dos filmes pornôs, descrevemos e analisamos, neste texto, a pedagogia da masculinização na perspectiva pós-crítica curricular. Compreendemos que currículo não se restringe às disciplinas escolares, mas se constitui em diferentes espaços e artefatos culturais. A metodologia utilizada na investigação articulou elementos da netnografia e da análise do discurso, de inspiração foucaultiana, de quatro páginas do ciberespaço. Na produção de informações, nomeamos um conjunto heterogêneo de ditos, vídeos e imagens publicados em sites de currículo bareback. Neste artigo, nosso foco de análise é um conjunto de vídeos pornôs. O argumento desenvolvido é o de que há, nos vídeos pornôs, divulgados no currículo bareback, uma pedagogia da masculinização, a qual atua por meio de técnicas específicas, de modo a divulgar, ensinar e prescrever um certo modo de ser jovem homem barebacker, aquele que tem suas condutas prescritas pelas normas de gênero, as quais atuam em articulação com a sexualidade.

Pedagogias negras: experiências formativas para a educação das relações étnico-raciais

PID: S1809-43092022000100458 | Periódico: Práxis Educativa (1809-4309) | Ano: 2022
Autores: Damasceno Ribeiro Viana Santos
Resumo No contexto da emergente necessidade de produção de conhecimentos e de organização de referências de pesquisas em Educação para as Relações Étnico-Raciais, ressalta-se, neste artigo, a relevância da experiência formativa de graduandas negras, em ensino, pesquisa e extensão, como caminho que pode contribuir para a experimentação de pedagogias negras dentro e fora da universidade. Essas experiências de formação universitária engajada, com foco na educação das relações étnico-raciais, realizam uma transformação no modo de produzir conhecimento e criar metodologias de mediação de aprendizagem fundamentais para qualquer transformação curricular e didática. São mudanças que começam nos temas de pesquisa e se expandem para a construção do conhecimento e práticas de educação e ensino, impactando as estudantes de Graduação em seu processo de formação na Licenciatura e nas atividades escolares.

Percursos intermitentes no acesso a carreiras artísticas entre jovens descendentes de imigrantes

PID: S1809-43092022000100109 | Periódico: Práxis Educativa (1809-4309) | Ano: 2022
Autores: Gaspar Iorio
Resumo: Partindo de uma perspectiva interseccional, este artigo analisa como certas categorias sociais - origem étnico-racial, nacionalidade e contexto socioeconômico - determinam os percursos de jovens descendentes de imigrantes no acesso a carreiras profissionais artísticas. Os dados baseiam-se em entrevistas semiestruturadas realizadas a jovens de diferentes origens (África, Brasil e Europa de Leste) a residirem em Sintra, Portugal. Os resultados indicam diferenças entre o acesso a profissões relacionadas com as artes, derivadas do entrecruzamento destas categorias sociais. Se, nalguns casos, a intersecção das categorias reproduz a sua posição social desfavorecida e bloqueia o acesso a estas carreiras; noutros casos, a sua posição social é mitigada e o acesso a estas carreiras acaba por ser facilitado. Na conclusão, sugere-se a necessidade de adotar em estudos futuros um paradigma interseccional nos percursos profissionais artísticos de jovens descendentes de imigrantes.
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