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“Eu era tudo aquilo que não desejavam para uma professora”: docência negra e lésbica na Educação Básica

PID: S1809-43092022000100429 | Periódico: Práxis Educativa (1809-4309) | Ano: 2022
Autores: Nascimento Silva
Resumo: O presente artigo visa analisar a trajetória de uma professora negra lésbica do Sul do Brasil, atuante no ensino público, no intuito de refletir a respeito da (in)visibilidade no espaço educacional e dos cotidianos escolares historicamente marcados por produções monoidentitárias. Pretende-se problematizar as estratégias e os recursos de sobrevivência construídos no decorrer de sua trajetória, de modo a evidenciar a produção de práticas pedagógicas como metodologias essenciais das rachaduras de um sistema que invisibiliza e anula existências negras e lésbicas. A discussão apresenta a trajetória familiar e escolar de uma professora negra e lésbica até chegar em sua atuação no ensino público, com base na sua narrativa compartilhada, a qual é reconstruída, do ponto de vista metodológico, a partir da realização de entrevista compreensiva. Conclui-se que tais experiências, ainda que singularizadas pela existência individual, são questões sociais que coordenam saberes e fazeres no campo da Educação.

“Eu não sei se posso dizer que não sou racista”: narrativas discentes sobre história da cultura afro-brasileira e indígena na Educação Superior

PID: S1809-43092022000100421 | Periódico: Práxis Educativa (1809-4309) | Ano: 2022
Autores: Rodrigues Fabrício
Resumo: O objetivo deste estudo é analisar narrativas elaboradas por acadêmicos de diversos cursos da Universidade Regional de Blumenau sobre o tema da diversidade étnico-racial, a partir da disciplina “História da cultura afro-brasileira e indígena” e de como esta se insere na conjuntura e nas singularidades experimentadas pela sociedade em questão, a do Vale do Itajaí, em Santa Catarina. Este trabalho ancora-se nos debates acerca da construção de narrativas, a partir de Paul Ricoeur, com o círculo hermenêutico, e de Jörn Rüsen, sobre a noção de aprendizagem histórica. As fontes advêm de um questionário distribuído aos estudantes no primeiro e segundo semestre acadêmico de 2020. Em relação aos resultados, este estudo constatou uma importante reelaboração discursiva sobre a história indígena e afro-brasileira e um reconhecimento das singularidades identitárias, dos contextos de negação de direitos e dos processos históricos de exclusão.

“O sonho acabou”: educação e relações étnico-raciais, e os retrocessos político-institucionais

PID: S1809-43092022000100440 | Periódico: Práxis Educativa (1809-4309) | Ano: 2022
Autores: Pereira
Resumo: Este trabalho aborda a questão racial e as demandas antirracistas na educação e contextualiza a criação das Leis Nº 10.639/2003 e Nº 11.645/2008 e da disciplina Educação e Relações Étnico-Raciais, em licenciaturas no Ensino Superior. A intenção é discutir as dificuldades na implementação dessa disciplina e das leis em tela, como indicativas de problemas educacionais-culturais-raciais-sociais que podem ter favorecido retrocessos político-institucionais na atual conjuntura nacional e prejudicado a recomposição e a retomada de iniciativas dos setores progressistas. Tais percepções se baseiam em longa práxis como educador em redes públicas de ensino básico e em cursos de formação de professores no Ensino Superior e em uma pesquisa sobre a implementação das leis em escolas de ensino básico.

A COLABORAÇÃO CRÍTICA EM UM CURSO DE LEITURA EM INGLÊS E EM PORTUGUÊS PARA ALUNOS COM NECESSIDADES EDUCACIONAIS INTELECTUAIS ESPECÍFICAS

PID: S2175-35202022000100079 | Periódico: Psicologia da Educação (2175-3520) | Ano: 2022
Autores: Carvalho
RESUMO Este artigo tem por objetivo discutir como a colaboração crítica impacta as ações de pesquisa de duas professoras-orientadoras e de um aluno de Ensino Médio com deficiência intelectual em um curso de leitura em inglês e em português para alunos com necessidades educacionais intelectuais específicas. Os participantes de pesquisa usam a linguagem e colaboram criticamente para discutir sua participação. Nesse enquadre, trabalham juntos, desenvolvem suas funções psicológicas superiores, em outras palavras, sua memória, atenção, volição, pensamentos, emoções e linguagem. Como procedimentos metodológicos, a Pesquisa Crítica de Colaboração propicia aos participantes atuarem de maneira interdependente para se constituir e para transformar o contexto de aprendizagem que compartilham. Como resultados parciais, as análises e interpretações sugerem que os momentos de colaboração crítica organizados por meio da Pesquisa Crítica de Colaboração criam possibilidades para os participantes aprimorarem a memória e a própria volição, assim como contribui para que a Educação inclusiva floresça nos contextos escolares.

A VIVÊNCIA CRÍTICO-COLABORATIVA PARA A SUPERAÇÃO DAS OPRESSÕES

PID: S2175-35202022000100051 | Periódico: Psicologia da Educação (2175-3520) | Ano: 2022
Autores: Liberali Fuga Vendramini-Zanella Mazuchelli Klen-Alves Modesto-Sarra de Oliveira Rodrigues Pejão
RESUMO Neste artigo discutimos uma visão de pesquisa que pressupõe formas de agir com potencial de superar opressões. Nossa proposta envolve a reflexão sobre uma práxis para a compreensão transformativa de realidades, tendo a linguagem como foco. Apresenta a perspectiva crítico-colaborativa, pautada na argumentação multimodal, como uma possibilidade de ação-investigação-transformação em espaços educacionais por uma sociedade mais justa e equânime. Com esse objetivo, apresentamos um exemplo de um processo crítico-colaborativo entre pesquisadores do Grupo de Pesquisa Linguagem em Atividade no Contexto Escolar em reunião de planejamento para um evento do Projeto Brincadas, cuja temática envolvia a contradição entre a fartura da festa junina e a fome vivida no Brasil. A análise do dado selecionado aponta para a importância na argumentação multimodal, materializada em aspectos como a exemplificação, as expressões faciais, os movimentos de cabeça e de corpo e, em especial, a concessão que permitem a expansão da colaboração crítica em oposição a uma argumentação para destruição do outro. Como resultado, foi possível perceber a busca por superação dos movimentos de opressão vividos no contexto acadêmico.

BEM-ESTAR NA ESCOLA E PERCEPÇÃO DA DISCRIMINAÇÃO DE GÊNERO POR MENINAS

PID: S2175-35202022000200080 | Periódico: Psicologia da Educação (2175-3520) | Ano: 2022
Autores: Santos Freitas Tuboiti
Resumo Este artigo analisa, a partir da pesquisa “Ser Menina no Brasil”, o bem-estar na escola e a (pouca) percepção da discriminação de gênero por meninas de 6 a 14 anos. Foram utilizados os dados quantitativos da Amostra-Escola, que envolve 1.609 meninas, de 21 municípios brasileiros, referente à dimensão “Escola e Escolarização” e que aponta a percepção das meninas sobre a frequência às aulas, os motivos de faltar à escola, os níveis de aprovação e reprovação, a interrupção dos estudos, os motivos de expulsão, as tarefas escolares, as relações de gênero no contexto escolar e a satisfação e bem-estar na escola. A análise indicou uma percepção favorável ao bem-estar na escola e relações de gênero benéficas para as meninas. Estudos assim devem focar o contexto educativo, o qual possibilita a inserção e a construção de um lugar de pertencimento e a ruptura com uma cultura de desigualdade social que ainda mascara a exclusão.

CONCEPÇÕES DE PROFESSORES SOBRE AS VIVÊNCIAS ACADÊMICAS DE UNIVERSITÁRIOS DE MATEMÁTICA

PID: S2175-35202022000200049 | Periódico: Psicologia da Educação (2175-3520) | Ano: 2022
Autores: Sousa Soares
Resumo O ingresso à universidade dos estudantes de Matemática é marcado por muitas dificuldades. O conhecimento das concepções dos professores pode nos levar à reflexão de como esses alunos possam ter melhores experiências acadêmicas visto que, os docentes são os principais responsáveis pelo processo de aprendizagem dos estudantes. Este estudo tem como objetivo identificar as concepções de professores sobre a adaptação à universidade e a satisfação com o curso dos alunos de Matemática. Participaram 23 professores, sendo 11 de universidades públicas e 12 de privadas, do estado do Rio de Janeiro. Foi realizada entrevista individual com 12 perguntas abertas. Para a análise dos dados foi utilizado o software Iramuteq. Foram analisados 303 segmentos de texto, obtendo-se cinco Classes (Dificuldades do Estudante, Gestão do Tempo, Razões para a Escolha do Curso, Oportunidades de Emprego e Ambiente Acadêmico). Conclui-se que os professores atribuem as dificuldades de aprendizagem dos alunos aos déficits de conteúdo, falta de gerenciamento do tempo e que trabalham durante o dia.

ESQUECIDOS APÓS A EXCLUSÃO ESCOLAR:

PID: S2175-35202022000100033 | Periódico: Psicologia da Educação (2175-3520) | Ano: 2022
Autores: Almeida Ronca
RESUMO Este artigo tem como objetivo analisar os desafios e possibilidades encontradas no estudo da deriva educacional, condição em que os sujeitos já estiveram na escola, mas foram dela excluídos antes de concluir a educação básica, sendo responsabilizados pelo retorno aos estudos. Trata-se de um ensaio teórico-metodológico que foca no pensamento categorial, sobretudo a categoria da dimensão subjetiva como recurso para apreensão da concreticidade do fenômeno social estudado. A deriva educacional é um fenômeno social pouco estudado no campo da Psicologia da Educação e a possibilidade de explicá-lo é desafiadora, tendo em vista as armadilhas presentes nos discursos carregados da intenção de ocultar o modo como se trata de uma condição social e historicamente determinada no modo de produção capitalista. Diante dessa dificuldade, ter como base teórico-metodológica o Materialismo Histórico-dialético (MHD) e a Psicologia Sócio-histórica (PSH) foi fundamental. O pensamento categorial possibilitou, partindo das significações dos participantes da pesquisa, superar as múltiplas camadas de aparência para compreender a deriva educacional em sua complexidade. A categoria da dimensão subjetiva e o processo de análise por meio dos núcleos de significação possibilitaram chegar a uma síntese das múltiplas determinações da deriva educacional que permitiu explicá-la de forma contra-hegemônica, apontando para os movimentos já existentes ou ainda necessários para a transformação, sem recorrer à justificativas individualizantes, psicologizantes ou sociologizantes.

HABILIDADES SOCIAIS E QUALIDADE DE VIDA DE PROFESSORES DO ENSINO FUNDAMENTAL

PID: S2175-35202022000200040 | Periódico: Psicologia da Educação (2175-3520) | Ano: 2022
Autores: Esteves Del Prette
Resumo As habilidades sociais são reconhecidas como fatores de proteção para saúde e qualidade de vida, o que teoricamente se aplica a professores, cujas condições de trabalho são reconhecidamente precárias. Este estudo analisou indicadores de qualidade de vida (QV) e de habilidades sociais (HS) de professores, levando em conta variáveis sociodemográficas que poderiam moderar essa relação. Participaram 85 professoras do 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental, de escolas públicas do interior paulista, que completaram o Inventário de Habilidades Sociais (IHS-Del-Prette-2016), o Questionário de Qualidade de Vida (WHOQOL-abreviado) e dois questionários sociodemográficos. Verificou-se uma correlação positiva entre HS e QV, com as variáveis idade, formação, experiência docente e classe socioeconômica mostraram-se moderadoras dessa relação. São discutidas limitações, bem como implicações dos resultados para pesquisas futuras.

Intercâmbios entre Educação e Teoria das Representações Sociais no Brasil

PID: S2175-35202022000200119 | Periódico: Psicologia da Educação (2175-3520) | Ano: 2022
Autores: Sousa Novaes
Resumo Neste artigo propomos oferecer uma perspectiva alternativa àquelas que orientam a análise da relação entre a Educação e a Teoria das Representações Sociais. Em oposição à tradição que considera a Educação como um campo de aplicação da psicologia, argumentamos que existem contribuições mútuas entre as duas esferas do conhecimento. A reciprocidade é entendida como o processo de interação recíproca, interdependência e cooperação, solidariedade e ajuda mútua. A mutualidade entre a Educação e a Teoria das Representações Sociais consiste no movimento que estimula os estudos no contexto brasileiro, especialmente os que foram desenvolvidos no Centro Internacional de Estudos em Representações Sociais e Subjetividade - Educação (CIERS-ed). As análises realizadas sobre as contribuições da Teoria das Representações Sociais à Educação destacam o aumento das pesquisas que consideram a produção de conhecimento a partir de realidades sociais contextualizadas, bem como a importância da subjetividade dos educadores e aprendizes. Ao mesmo tempo, a Educação vem oferecendo às pesquisas sobre representações sociais um progresso que vai do diagnóstico à práxis, guiado principalmente por abordagens críticas e políticas do pensamento educacional.

Metodologia de pesquisa histórico-cultural para o estudo do desenvolvimento infantil:

PID: S2175-35202022000100096 | Periódico: Psicologia da Educação (2175-3520) | Ano: 2022
Autores: Veresov
RESUMO Este artigo resume uma série de estudos sobre a metodologia de investigação histórico-cultural para o estudo do desenvolvimento infantil, que foi criada pelo autor ao desenvolver o método genético experimental de Vygotsky. Este artigo apresenta as principais características do método experimental-genético de Vygotsky e os principais princípios da metodologia de investigação genética histórico-cultural. O artigo apresenta vários exemplos de estudos experimentais do processo de desenvolvimento infantil na investigação contemporânea que mostram a metodologia de investigação histórico-cultural em ação. O artigo argumenta que esta metodologia é uma metodologia genética, uma vez que se concentra no processo de desenvolvimento, é uma metodologia de investigação, uma vez que permite formular novos tipos de questões de investigação e, finalmente, é uma metodologia histórico-cultural, uma vez que inclui o sistema de conceitos (ferramentas analíticas teóricas) e princípios de método de investigação (método experimental) que criam uma unidade coerente.

O DESENVOLVIMENTO DA ATENÇÃO VOLUNTÁRIA:

PID: S2175-35202022000200010 | Periódico: Psicologia da Educação (2175-3520) | Ano: 2022
Autores: Coelho Lima Silva
Resumo Este artigo propõe-se a apresentar aspectos essenciais das análises construídas a partir de uma pesquisa teórica que teve o objetivo de analisar as contribuições que a Pedagogia Histórico-crítica e a Psicologia Histórico-cultural apresentam em relação às potencialidades e possibilidades de que o ensino escolar e a atividade de ensino do professor promovam o desenvolvimento da atenção voluntária dos estudantes. Dessa forma, assumiu-se como objeto de estudo o desenvolvimento dessa função psicológica em sua dimensão cultural. As análises buscaram mostrar, nas produções da Psicologia Histórico-cultural e da Pedagogia Histórico-crítica, elementos acerca do desenvolvimento da atenção que possam auxiliar na concretização do objetivo apresentado por esta investigação, destacando a necessidade de considerar o materialismo histórico-dialético como perspectiva teórico-metodológica orientadora das teorias analisadas e também das análises propostas por este trabalho. O material empírico da investigação consistiu em artigos, teses e livros que discorrem sobre o desenvolvimento da atenção e o papel do ensino para tal desenvolvimento. Como síntese das dimensões essenciais identificadas por meio da análise das obras destaca-se a necessidade de compreender que o desenvolvimento das funções psicológicas humanas não se esgota em um processo de maturação biológica, mas articula e submete esta dimensão aos aspectos culturais, históricos e sociais do desenvolvimento humano, sendo que a adoção da Psicologia Histórico-cultural, como perspectiva teórico-metodológica para a organização do ensino e da atividade docente, mostra ser uma importante ferramenta para o enfrentamento da lógica medicalizante.

O ENSINO DA LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS (LIBRAS) SOB A ÓTICA DE UM PROFESSOR SURDO E DE UMA PROFESSORA OUVINTE:

PID: S2175-35202022000100090 | Periódico: Psicologia da Educação (2175-3520) | Ano: 2022
Autores: Hollosi Vieira
RESUMO A Libras é reconhecida como língua da Comunidade Surda brasileira desde abril do ano de 2002, esse reconhecimento se deu graças a uma intensa mobilização da Comunidade Surda. Embora algumas pessoas afirmem que ela é a segunda língua oficial do Brasil, na verdade é uma língua reconhecida como “língua das comunidades surdas brasileiras (Brasil, 2002)” e esse reconhecimento se deu a partir da Lei 10436/02. Após o reconhecimento da língua o Decreto 5626/05 trouxe a obrigatoriedade do seu ensino para os cursos de licenciaturas. Podemos dizer que esse primeiro contato dos licenciandos com a realidade da trajetória dos surdos por educação e da complexidade da Libras é extremamente importante para que os processos de desenvolvimento da Comunidade sejam garantidos e principalmente para que a Língua de Sinais não seja banalizada, simplificada ou fique subordinada à Língua Portuguesa. Neste trabalho, trazemos um pouco da experiência como professores da disciplina em universidades federais, um surdo e uma ouvinte. Além disso, trazemos alguns dados produzidos em um projeto de formação com professores surdos de uma instituição escolar bilíngue para surdos. A partir dos discursos trazidos por esses atores, analisamos os dados com base nos princípios da PCCol - Pesquisa Crítica de Colaboração, Magalhães (2006), que destaca como uma perspectiva teórico-metodológica que favorece a co(construção) dos participantes da pesquisa, assim como a uma construção coletiva de escola e Universidade. Trata-se de um quadro que revela nosso compromisso como professor/a-pesquisador/a, que perseguem a ideia de que ensinar e aprender compõem um caminho de mão dupla.

O REFORÇO ESCOLAR:

PID: S2175-35202022000200030 | Periódico: Psicologia da Educação (2175-3520) | Ano: 2022
Autores: Rodrigues Davis
Resumo A pesquisa apresentada neste artigo identificou significações atribuídas por estudantes do ensino fundamental ao processo de reforço escolar. A partir da perspectiva teórica da Psicologia Sócio-histórica, conceitos fundamentais da constituição psicológica da criança no período escolar foram elencados. Com o referencial teórico foi criado um roteiro de entrevista, aplicado a estudantes de escolas particulares de São Paulo, sendo que este artigo traz uma das análises realizadas, com foco em um estudante. As respostas dos estudantes geraram uma análise qualitativa, utilizando o referencial teórico dos Núcleos de Significação, procedimento de análise elaborado por Aguiar e Ozella. A análise da entrevista de Caio trouxe significações a respeito do aluno que precisa de reforço escolar como sinônimo de “mau aluno”, contribuindo para a adoção de mecanismos de defesa por Caio, alimentados por sentimentos de exclusão, monotonia e cansaço com o ambiente escolar. A partir das informações encontradas, os adultos envolvidos com a criança podem reestruturar e orientar de forma diferente o processo de reforço escolar, visando à diminuição ou eliminação dos sentimentos de exclusão e desvalorização que o processo pode gerar.

PESQUISA-TRANS-FORMAÇÃO E A CRÍTICA MARXISTA NA PRODUÇÃO DE INFORMAÇÃO E CONHECIMENTO

PID: S2175-35202022000100024 | Periódico: Psicologia da Educação (2175-3520) | Ano: 2022
Autores: Magalhães Aguiar
RESUMO Este artigo, de caráter metodológico, pretende expor a perspectiva que deu base à pesquisa desenvolvida na tese “Dimensão subjetiva dos processos de inclusão escolar no movimento da Pesquisa-Trans-Formação”, que compõe o rol de pesquisas críticas que têm sido realizadas pelo GADS (Grupo Atividade Docente e Subjetividade) da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e busca enfatizar a crítica marxista como princípio necessário à pesquisa que se propõe transformadora e crítica. Descreve-se o caminho da Pesquisa-Trans-Formação, que se fundamenta no método materialista histórico-dialético e na abordagem categorial, considerando que a presença da crítica, em especial a crítica de base marxista, é imprescindível à criação de estratégias de produção de informação e de conhecimento da pesquisa. Destacou-se, neste artigo, a categoria Dimensão Subjetiva da Realidade e a perspectiva da Incompletude Crítica no movimento da Pesquisa-Trans-Formação, assim como as estratégias criadas no processo da pesquisa que mais tiveram impacto para o movimento crítico de pesquisar-formar-transformar.

PESQUISACAMINHANTE:

PID: S2175-35202022000200098 | Periódico: Psicologia da Educação (2175-3520) | Ano: 2022
Autores: Busarello Sawaia
Resumo Este artigo relata uma pesquisa ação-participante longitudinal realizada desde 2016 até 2021 com mulheres indígenas Xokleng/Laklãnõ que vivem no contexto urbano de Blumenau, SC. Analisa a trama afetiva que compôs esta caminhada de seis anos e traça a configuração do método que denominamos de pesquisacaminhante para demarcar a temporalidade e o lugar das pesquisadoras, das pesquisadoras-participantes e sua intencionalidade, de fortalecer a luta e a resistência dessas que vivem na cidade de Blumenau, uma cidade de origem germânica e marcadamente “branca”. Como instrumento, foram utilizados entrevistas, fotografias, diversos encontros pela cidade e participação em eventos oficiais e, principalmente, encontros constantes entre as pesquisadoras, nos quais elas puderam se expressar como mulheres indígenas. O referencial teórico é a psicologia sócio-histórica, com base nas reflexões de Vigotski e Spinoza, utilizando o afeto como bússola das ações. O método revelou potência para contribuir com a práxis da psicologia social, destacando aquelas voltadas às comunidades tracionais.

POR UM EXERCÍCIO COLETIVO DE APRENDIZAGEM CRÍTICA E COLABORATIVA NA PÓS-GRADUAÇÃO:

PID: S2175-35202022000100043 | Periódico: Psicologia da Educação (2175-3520) | Ano: 2022
Autores: Nascimento de Sá
RESUMO No contexto da pós-graduação, as inúmeras demandas e pressões que recaem sobre professores e alunos em termos de produtividade e o direcionamento metodológico das pesquisas incitam cada vez mais à criação de redes de colaboração que permitam não somente a troca de conhecimentos como também integram o percurso formativo dos pesquisadores no âmbito do mestrado e doutorado. Neste contexto, apresentamos aqui um relato que parte da experiência vivenciada no curso "Critical Research Methodologies: (Some) Cultural-Historical Perspectives”. O curso, base para esta edição especial, resulta da confluência de três Metodologias de Pesquisa Crítica , com vistas a contribuir para a formação de pesquisadores, pautando-se em uma perspectiva dialógica e colaborativa de aprendizagem que possibilite a transformação social. O ferramental teórico abordado, bem como as atividades propostas no percurso formativo mostram-se essenciais e urgentes para um pensar metodológico mais abrangente e crítico ao promover a interação entre alunos e docentes de diferentes países e articular experiências sobre o fazer pesquisa.

PSICANÁLISE E EDUCAÇÃO:

PID: S2175-35202022000200021 | Periódico: Psicologia da Educação (2175-3520) | Ano: 2022
Autores: Sousa Pedroza Maciel
Resumo Este artigo tem como objetivo compreender as experiências do brincar a partir de um grupo de crianças e seus educadores, em uma Comunidade de Aprendizagem, situada no Distrito Federal (DF). Como fundamentação teórica e metodológica, recorre-se, principalmente, aos estudos psicanalíticos de Freud e de Winnicott. A pesquisa de campo consistiu em dois dias de observação participante; quatro oficinas de rabiscos com uma turma de crianças - com idades entre oito e 12 anos - e sua educadora; e uma roda de conversa com educadores. A ênfase é dada, neste texto, nas vivências da segunda oficina e em trechos da roda de conversa, explorando a capacidade de criar e de brincar com as palavras. Com isso, foi possível ressaltar a importância de um brincar criativo e espontâneo nas relações humanas. A conclusão é que este brincar não se restringe à infância, por se tratar de uma experiência própria ao humano, sendo necessário que os espaços escolares e comunitários estejam abertos à sua manifestação e ampliação.

PSICOLOGIA EDUCACIONAL E ESCOLAR NO “JORNAL DO PSICÓLOGO” DO CRP-MG

PID: S2175-35202022000200106 | Periódico: Psicologia da Educação (2175-3520) | Ano: 2022
Autores: Moniz Barbosa Silva Tondin Magalhães Souza
Resumo O Jornal do Psicólogo (JP) do Conselho Regional de Psicologia de Minas Gerais (CRP-MG) é uma fonte histórica sobre a interface Psicologia e Educação. Este estudo objetivou analisar as referências à Psicologia Educacional e Escolar (PEE) nesse periódico, elencando as citações sobre o profissional dessa área e a Educação brasileira, se essas referências são fundamentadas em pressupostos críticos, e quais são as contribuições veiculadas. Trata-se de uma pesquisa qualitativa e documental, cujo corpus foi constituído por 89 edições do jornal, das quais 35 traziam dados sobre a temática, que foram tratados através da análise de conteúdo. Os artigos selecionados para amostra denotam atuação do psicólogo numa perspectiva institucional e crítica, destacando-se a promoção de eventos, notícias sobre a criação da Associação Brasileira de Psicologia Escolar e Educacional e referência a profissionais mineiros. Os anos de 1999 a 2004 foram os mais produtivos com relação às publicações, corroborando a produção acadêmica crítica em PEE à época. Acredita-se que o decréscimo nos anos seguintes está relacionado à defesa do psicólogo como profissional da saúde. As gestões do CRP-MG influenciam os conteúdos do JP, mas, geralmente, a PEE é menos citada dentre as temáticas, como saúde mental e luta antimanicomial. As referências à Educação são pautadas nos Direitos Humanos e na concepção de escola democrática. O JP cumpre o papel de tratar as práticas do psicólogo na Educação numa perspectiva contrária à atuação individualizante e médico-clínica; porém, carece de uma maior divulgação da PEE a fim de fortalecer a imagem desse profissional como agente de transformação do contexto escolar.

Pesquisa Crítica de Colaboração:

PID: S2175-35202022000100107 | Periódico: Psicologia da Educação (2175-3520) | Ano: 2022
Autores: Fidalgo Magalhães
RESUMO Este texto discute a Pesquisa Crítica de Colaboração (PCCol), uma abordagem prático-teórica utilizada no desenvolvimento de trabalhos voltados à compreensão de conhecimentos e modos de agir, assim como ao questionamento destes, de modos a promover a formação de uma escola decolonial-e-inclusiva. De base marxiana, freiriana e vygotskiana, o texto foi escrito a partir de duas aulas ministradas no Curso “Critical Research Methodologies”, com a presença de professores convidados como a segunda autora deste texto, Maria Cecília C. Magalhães. O presente artigo foi organizado a partir das falas e perguntas dos participantes das duas aulas ministradas por Fidalgo e Magalhães sobre a PCCol, que foram gravadas e transcritas. Em outras palavras, o artigo trará dados produzidos das exposições teórico-metodológicas das apresentadoras e das perguntas e intervenções dos demais participantes, intercaladas de discussão epistemo-metodológica dos conceitos que embasam a PCCol, tais como desenvolvimento da agência relacional e transformadora, a emergência de uma prática profissional pessoal e coletiva responsiva, mas mais fortemente sobre o papel da linguagem na colaboração e como esta se organiza.
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