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Formação docente no curso de Medicina: como podemos melhorar?

PID: S1981-52712022000400207 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2022
Autores: Bivanco-Lima Klautau Knopfholz
Resumo: Introdução: As instituições de ensino superior (IES) têm valorizado progressivamente a educação permanente do corpo docente. Mudanças no perfil de aprendizado, o amplo acesso digital ao conhecimento e novas competências exigidas aos médicos pela sociedade induzem necessidades de atualizações nas práticas docentes, especialmente durante a pandemia de Covid-19. Objetivo: Este estudo teve como objetivo avaliar as necessidades de desenvolvimento, as práticas educacionais utilizadas e a visão sobre o ensino na perspectiva de docentes de graduação em Medicina. Método: Trata-se de estudo transversal, com amostra de conveniência formada por coordenadores de disciplinas de graduação de uma IES paulistana, com dados coletados entre agosto e setembro de 2020 por meio de questionário eletrônico. Os dados foram analisados por meio de proporções e teste do qui-quadrado e teste exato de Fischer. O nível de significância foi de 5%. Resultado: Do total de 68 coordenadores de disciplina da IES, participaram 47 (69,1%). Destes, 26 (55,3%) se declararam do gênero feminino e 21 (44,7%) do gênero masculino, 17 (36,2%) eram de disciplinas do primeiro biênio, 20 (42,6%) do segundo biênio e dez (21,1%) do terceiro biênio (internato). A maioria dos coordenadores (93,6%) relatou motivação para participar de ações de formação docente, especialmente para inclusão de inovações em suas disciplinas (85,1%). Relataram maior necessidade para atualização em métodos de ensino e de avaliação. As mulheres citaram, com maior frequência, a necessidade de formação em avaliação (p = 0,04). Nas práticas educacionais relatadas, as mulheres incorporaram mais atitudes (p = 0,02) e habilidades no planejamento educacional (p = 0,007), assim como relataram utilizar mais avaliação formativa (p = 0,03) e maior formação prévia para uso de metodologias ativas (p = 0,02). Apesar de a valorização do diálogo com os estudantes ser apontada pela maioria dos docentes, práticas centradas no estudante foram descritas em menor percentual das respostas Conclusão: Há motivação de os coordenadores de disciplinas se engajarem em ações de formação docente, tendo sido identificadas diversas necessidades quanto às práticas educacionais, contudo observaram-se algumas diferenças entre os gêneros. Embora a maioria apresente uma visão dialógica do processo ensino-aprendizagem, essa concepção ainda não está implementada na prática relatada em suas disciplinas.

Formação interprofissional na graduação em saúde: revisão sistemática de estratégias educativas

PID: S1981-52712022000300301 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2022
Autores: Isidoro Côrtes Ferreira D’Assunção Gontijo
Resumo: Introdução: A educação interprofissional (EIP) procura desenvolver habilidades colaborativas dos profissionais de saúde para a melhoria do cuidado ao paciente. Objetivo: Essa revisão explora as estratégias educacionais não pontuais utilizadas na formação interprofissional, na graduação em saúde, identificando seus potenciais e suas fragilidades. Método: A busca incluiu artigos publicados nas bases de dados BVS (LILACS), Cochrane, CINAHL, Embase e MEDLINE. Definiu-se a questão de pesquisa pelo anagrama PICO: selecionaram-se estudos que incluíssem, pelo menos, dois cursos de graduação em saúde, sendo um deles de Medicina, e que relatassem estratégia educacional mínima de 15 horas e sua avaliação. Resumos publicados em congressos, opiniões, editoriais e revisões sistemáticas foram excluídos. Resultado: Avaliaram-se 28 estudos publicados entre 2005 e 2019, sendo 31% no último biênio. Prevaleceram a simulação (36%) ou o uso de métodos combinados (29%) na avaliação de atitudes dos alunos, a compreensão dos papéis dos profissionais de saúde, o trabalho em equipe, a comunicação e o conhecimento em resposta à intervenções de EIP. Predominaram estudos nos domínios: papéis e responsabilidades (75%) e trabalho em equipe (64%). A abordagem de valores e ética (32%) e de comunicação (28%) foi menos frequente. Dos artigos, 18 (64%) apresentavam dois ou mais objetivos e seis (18%) buscavam estudar, em conjunto, os quatro domínios da EIP. Entre as intervenções utilizadas como estratégias de ensino, 36% (dez estudos) eram de simulação; 29% (oito), métodos combinados; 18% (cinco), prática clínica (trabalho colaborativo em unidades ambulatoriais ou enfermarias); 14% (quatro), observação direta (shadowing); 11%, aprendizagem baseada em problemas; e dois, aprendizado on-line (e-learning) e workshop. A qualidade geral dos estudos incluídos foi baixa, atendendo de dois a cinco dos seis critérios de qualidade. O cegamento do avaliador não foi citado em 25 publicações. O trabalho colaborativo em cenários reais é descrito como o mais eficiente. Conclusão: A EIP vem sendo incorporada ao processo de formação na saúde, e múltiplas estratégias focadas em resultados e baseadas em competências otimizam a construção de relações efetivas e o desenvolvimento de habilidades para a prática colaborativa. A fragilidade dos artigos aponta que a EIP de estudantes ainda constitui grande desafio para as instituições formadoras.

Formação na Residência Médica: visão dos preceptores

PID: S1981-52712022000200202 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2022
Autores: Carvalho Filho Santos Wyszomirska Gauw Gaia Houly
Resumo: Introdução: A residência médica é uma especialização estabelecida como padrão-ouro para formar especialistas. Trata-se de uma fase profissional transformadora para o jovem médico, cuja finalidade é aprimorar a qualidade da formação médica. Ao atuar na formação do residente ao mesmo tempo que presta assistência aos usuários, o preceptor se torna uma espécie de interlocutor entre o ensino e a assistência. Cabe a esse profissional estimular os residentes a desenvolver senso clínico e ético, e há relatos de que, em geral, o preceptor não possui preparação para as funções docentes. Objetivo: Este estudo teve como objetivo analisar as vivências e os entendimentos dos preceptores em relação à atividade de ensino nas residências médicas. Método: Trata-se de um estudo descritivo e quantitativo, composto por 300 preceptores, de todas as faixas etárias e sexos, realizado em Maceió, em Alagoas. Foi aplicado um questionário elaborado e validado por Girotto, contendo 35 afirmações, divididas em cinco fatores, com ênfase nas opiniões dos preceptores sobre vários temas envolvendo suas atividades. Analisaram-se os percentuais de percepção positiva e de percepção negativa sobre cada afirmação. Resultado: Houve predomínio de percepção positiva sobre aptidão para atividades educacionais (88,67%), desenvolvimento de correlações teórico-práticas na preceptoria (96%), percepção de necessidade de aprendizagem (98,33%) e atualização (87%). Também houve percepção positiva sobre a presença de recursos essenciais para as atividades docentes (71%); além disso, 91% dos preceptores relataram que a preceptoria integra o residente na sua equipe. Porém, é interessante o fato de a preceptoria ser uma tarefa não remunerada (75,34%). Além disso, não há capacitações pedagógicas (72%). Conclusão: Os preceptores estão inseridos em um ambiente adequado para suas atividades docentes, com estrutura física apropriada, além de contarem com suporte da chefia e da instituição. Sentem-se aptos para ensinar, porém, em geral, não receberam capacitação docente. Os residentes estão adequadamente inseridos no ambiente da residência, o que resulta na melhora do serviço. Contudo, os preceptores, em geral, não são remunerados para essa tarefa.

Genética em Medicina e Enfermagem: percepções de profissionais de saúde envolvidos com o processo ensino-aprendizagem

PID: S1981-52712022000300212 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2022
Autores: Moreira Karam Yamamura Avó Germano Melo
Resumo: Introdução: A evolução na área da genética motivou entidades de medicina e enfermagem a recomendarem competências específicas aos seus profissionais na área. Assim, professores e preceptores envolvidos no processo ensino-aprendizagem devem apresentar e discutir a genética de forma adequada, assegurando formação qualificada aos estudantes. Objetivo: Este estudo teve como objetivo explorar a percepção de professores e preceptores dos cursos de Medicina e Enfermagem de uma universidade pública brasileira sobre o processo ensino-aprendizagem de genética na graduação. Método: Trata-se de um estudo exploratório, descritivo e transversal, desenvolvido com amostra de conveniência, cuja coleta de dados foi feita por meio de questionário eletrônico autoaplicável. Foram convidados 317 profissionais, dos quais 40 (12,6%) participaram. Fez-se estatística descritiva dos dados, que foram classificados em cinco categorias: 1. descrição, formação acadêmica e atuação profissional da amostra, 2. genética no processo ensino-aprendizagem, 3. educação continuada em genética médica/clínica, 4. genética na prática clínica e 5. testes genéticos. Resultado: Participaram da amostra 28 (70%) médicos, sete (17,5%) enfermeiros e cinco (12,5%) profissionais de outras áreas da saúde, sendo 87,5% mestres ou doutores. Sobre o processo ensino-aprendizagem, 31 (77,5%) participantes relataram que sua atuação se relacionava indiretamente com a genética, embora 29 (72,5%) nunca tenham realizado atividade de educação continuada na área. Na prática clínica, dois (5%) participantes mencionaram que faziam história familiar até a terceira geração, dez (25%) relataram que orientavam as gestantes sobre teratógenos durante a gestação e lactação, e 17 (42,5%) afirmaram que encaminhavam ocasionalmente pacientes ao especialista em genética. Os participantes foram, em geral, capazes de identificar as principais características clínicas que levam à suspeição de doenças genéticas, embora algumas situações tenham sido subestimadas, como a importância do aconselhamento genético nos casos de consanguinidade e idade materna ou paterna avançada. Sobre testes genéticos, apenas cinco (12%) participantes relataram que se sentiam seguros para solicitar, interpretar e comunicar seus resultados. Conclusão: Espera-se que docentes e preceptores de áreas da saúde estimulem seus estudantes a articular teoria e prática, incorporando habilidades e competências relacionadas à genética no cuidado integral dos indivíduos. A partir dos resultados, podem ser identificadas oportunidades para aprimorar o ensino de genética nessa e em outras instituições de ensino superior.

Identidade médica: o impacto do primeiro contato com pacientes na empatia do estudante de Medicina

PID: S1981-52712022000300204 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2022
Autores: Guimarães Costa Sales Frauches Pacheco
Resumo: Introdução: Empatia é definida como a capacidade de ouvir e compreender o outro, e, portanto, é um componente essencial na relação médico-paciente. Estudos apontam que proporcionar aos alunos a oportunidade de contato com o paciente logo no início do curso desperta a consciência da importância da empatia nas relações. Dessa forma, tal contato, nos primeiros semestres da Faculdade de Medicina, permite que os estudantes potencializem suas habilidades empáticas, oportunizando a construção de uma identidade profissional mais ampla e completa. Objetivo: O estudo tem como objetivo avaliar a influência do contato com o paciente na disciplina de Semiologia I, durante o segundo ano da graduação, sobre a empatia de estudantes de Medicina. Método: Trata-se de um estudo observacional e prospectivo, realizado com estudantes de Medicina de uma faculdade privada em Vitória, no Espírito Santo, matriculados na disciplina teórico-prática Semiologia I em 2019/2 e 2020/1, por meio de aplicação de questionários antes da primeira atividade prática em enfermaria e após a última. Analisaram-se as variáveis sociodemográficas e o escore de empatia. Diferenças entre os semestres foram avaliadas pelos testes qui-quadrado, exato de Fisher e de Mann-Whitney. Com os testes de Mann-Whitney e Kruskal-Wallis, investigou-se a relação entre as variáveis sociodemográficas e a empatia. A influência do contato com o paciente na empatia foi averiguada pelo teste de Wilcoxon, todos com 95% de significância. Resultado: Participaram do estudo 38 alunos em 2019/2 e 60 em 2020/1. Foram significativas somente as associações entre o contato com o paciente nas enfermarias e o escore de empatia (p = 0,008), e entre o sexo e o escore de empatia (p = 0,000), sendo esta maior para mulheres e ao final da experiência da disciplina. Conclusão: A disciplina Semiologia I se mostrou capaz de afetar positivamente a empatia, que se apresentou maior no sexo feminino, corroborando a literatura. Os resultados obtidos refletem somente um semestre específico do curso, não o perfil global de empatia dos estudantes, os níveis de empatia em momentos distintos da graduação ou o comportamento dos discentes.

Implantação de mentoria em uma faculdade de medicina - perspectiva de mentores e estudantes

PID: S1981-52712022000100217 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2022
Autores: Silva Miyasaki
Resumo: Introdução: Mentoria, em escolas médicas, tem a importante função de apoiar e complementar a formação do aluno por meio da sua relação com um professor, que fomenta o desenvolvimento global do estudante. Objetivo: Este estudo teve como objetivos avaliar pontos fortes e fragilidades da mentoria de um curso de Medicina de uma instituição privada sob a perspectiva de mentores e mentorados, e identificar, entre os discentes que não fizeram parte do programa, o motivo da ausência, o conhecimento sobre o conceito de mentoria e o desejo de participar no futuro. Método: Trata-se de estudo transversal, descritivo, com abordagem qualitativa. Participaram do estudo mentores, mentorados e alunos que não participavam do programa. Todos os participantes responderam a um questionário semiestruturado, cujas repostas foram analisadas na abordagem qualitativa. Resultados: As respostas foram divididas em duas amplas categorias: pontos fortes – vínculo, exposição de sentimentos/autorrevelação, mentoria como via de mão dupla e espaço de integração – e fragilidades – dificuldades de organização, de horários, de conduzir a dinâmica de grupos e os temas abordados, e de integração entre membros do grupo. Os estudantes que não fizeram parte da mentoria atribuíram a ausência à falta de tempo e relataram que desejam participar no futuro. Conclusão: Os relatos revelaram pontos fortes e fragilidades da mentoria para mentores e mentorados, bem como aspectos a serem aprimorados. Estudos prospectivos de programas de mentoria são necessários para identificar os aspectos que promovem o desenvolvimento dos participantes e reduzem seu sofrimento, bem como o seu impacto sobre a formação médica.

Influenciadores da desinformação nas pandemias de gripe espanhola e Covid-19: um estudo documental

PID: S1981-52712022000200214 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2022
Autores: Figueiredo Rodrigues Pontes Oliveira Oliveira Souza
Resumo: Introdução: Tão rápidas e destrutivas quanto a doença pandêmica,a propagação de inverdades em cenários de pandemias tem levado a muitas mortes. Para tanto, intervenções contrainfodêmicas são hoje um dos maiores desafios para o setor de saúde Objetivo: Este estudo teve como objetivo compreender as confluências da desinformação na gripe espanhola e na Covid-19 e como atuam os influenciadores de notícias falsas no campo da saúde brasileira. Método: Trata-se de estudo documental com abordagem qualitativa feita por meio da triangulação de dados em diferentes fontes e nos períodos da gripe espanhola (de 1918 a 1920) e da Covid-19 (de 2020 a 2021). Resultado: Observou-se que as pandemias foram e continuam cenários férteis para a produção e propagação dos influenciadores da desinformação e que se faz necessário problematizar os desafios da formação do trabalhador em tempos de modernidade líquida e em contextos de infodemias, já que os discursos profissionais têm sido fragilizados diante da desinformação. Conclusão: O estudo possibilitou compreender as confluências da desinformação entre a gripe espanhola e a Covid-19, e o papel da formação em saúde no enfrentamento da disseminação em massa de notícias falsas na saúde brasileira.

Inserção do Teste de Progresso num curso de Medicina paulista: relato de uma experiência bem-sucedida

PID: S1981-52712022000500403 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2022
Autores: Cristóvão Massonetto Pereira Lima Rodrigues André
Resumo: Introdução: O Teste de Progresso no curso de Medicina (TPMed) tem sido utilizado pelas escolas médicas que implantaram mudanças curriculares, com currículos baseados/orientados na comunidade, aprendizagem baseada em problemas e currículos orientados por competências, entre outros, além de alguns programas de pós-graduação ou disciplinas isoladas. Baseado nessa premissa, o presente relato se propõe a descrever a experiência no processo de implantação do TPMed em nossa instituição e a participação estudantil nele. Relato de experiência: Dada a importância do TPMed, o curso de Medicina da Universidade Santo Amaro (Unisa) se filiou ao Consórcio São Paulo I (SP1), composto pelas seguintes escolas de Medicina: ABC, Jundiaí, Catanduva, PUC Sorocaba, PUC Goiás e Unoeste, iniciando nossa experiência em 2018. A inserção da Unisa no TPMed foi estimulada a partir da participação no Congresso Brasileiro de Educação Médica (Cobem), com a subsequente associação ao Consórcio SP1. Inúmeras iniciativas de sensibilização do corpo docente e do corpo discente da instituição, com a colaboração da diretoria da Regional São Paulo da Associação Brasileira de Educação Médica (Abem), resultaram em 96,74% de participação discente no TPMed em 2018, 97,12% em 2019, 98,85%, em 2020 e 86,10% em 2021. Em relação ao desempenho dos estudantes, encontramos um aumento progressivo de acertos ao longo dos seis anos de graduação: 32,63% como média de acerto no primeiro semestre, e 62,87%, no 12º semestre. Discussão: A influência positiva do TPMed na aprendizagem do aluno foi a motivação da Unisa para vencer os desafios e mobilizar os estudantes no primeiro ano em que aplicamos a prova, corroborando a grande participação deles. Houve uma queda da adesão ao Teste de Progresso Nacional da Abem - 2021 dos alunos da Unisa, tendo como possível causa os problemas técnicos ocorridos na aplicação dele, que foi on-line. Conclusão: O efeito positivo do TPMed foi observado de forma clara na Unisa. O trabalho direcionado, enfatizando a relevância do TPMed, faz-se mister no seu reconhecimento, resultando em uma forte adesão dos nossos acadêmicos a essa avaliação.

Instrumentos de avaliação no ensino de tomada de decisão compartilhada em cursos de Medicina: uma revisão integrativa

PID: S1981-52712022000400302 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2022
Autores: Pedreira Batista Ferreira
Resumo: Introdução: A tomada de decisão compartilhada (TDC) é uma abordagem em que médicos e pacientes compartilham as melhores evidências disponíveis quando confrontados com a tarefa de tomar decisões. Na TDC, os pacientes são estimulados a considerar opções para que possam obter preferências informadas. Todavia, até onde se pode determinar, os princípios da TDC não são rotineiramente ensinados e avaliados nos currículos das faculdades de Medicina. Objetivo: Este estudo teve como objetivo identificar na literatura instrumentos de avaliação aplicados em escolas médicas para o ensino de TDC. Método: Trata-se de uma revisão integrativa, via Portal de Periódicos Capes, que contempla as bases de dados MEDLINE, SciELO e Lilacs. Para as bases de vocabulário controlado, utilizamos o descritor shared decision making, combinado isoladamente com medical education. Para a base de palavras-chave, utilizamos medical school, medical student, medical educational models, educational medical assessment measures e medical curriculum. Resultado: A busca revelou 1.524 artigos, dos quais 13 foram selecionados como corpus de revisão. Instrumentos de avaliação em atenção centrada no paciente (ACP) são ferramentas importantes para avaliar a TDC em currículos de escolas médicas, principalmente a Patient-Practioner Orientai-o Scale (PPOS). Escalas e questionários on-line se apresentam como alternativas para essa avaliação. A escala Observing Patient Involvement (OPTION) se mostrou como uma ferramenta contributiva para avaliar a TDC em escolas médicas. Conclusão: Todos os 13 estudos de TDC aplicados em escolas médicas se mostraram de alguma forma eficazes na avaliação de habilidades, confiança ou atitudes dos alunos de graduação em Medicina. Contudo, nenhum desses estudos realizou avaliações de acompanhamento por longos períodos. Entendemos que, especialmente no Brasil, novas pesquisas devem ser feitas, tanto relacionadas com a validação de escalas que se mostram potentes internacionalmente como na construção de instrumentos mais contextualizados à nossa realidade.

Instrução entre pares como método de ensino superior na área da saúde: uma revisão integrativa

PID: S1981-52712022000300304 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2022
Autores: Azevedo Azevedo Filho Araújo
Resumo: Introdução: A instrução entre pares baseia-se na aquisição de conhecimento e habilidade por meio de cooperação entre estudantes com status e habilidades semelhantes. Assim, faz-se necessário buscar na literatura evidências científicas sobre a utilização, a eficácia, as potencialidades e as fragilidades desse tipo de instrução no processo ensino-aprendizagem referente ao ensino superior na área da saúde. Objetivo: Este estudo teve como objetivo investigar na literatura as evidências científicas sobre a metodologia ativa instrução entre pares aplicadas no ensino superior na área da saúde. Método: Trata-se de uma pesquisa descritiva, do tipo revisão integrativa, que teve como pergunta norteadora: ¨Quais evidências científicas existem na literatura sobre a metodologia ativa instrução entre pares aplicadas no ensino superior na área da saúde?¨. Realizou-se a pesquisa no período de junho e julho de 2020 nas bases de dados LILACS, MEDLINE (PubMed) e SciELO. Resultado: Foram analisados 12 artigos. Os resultados apontam que a aprendizagem em pares é uma ferramenta de ensino eficaz que contribui para o processo ensino-aprendizagem, pois proporciona aos alunos (tutores e tutoreanos) a oportunidade de revisar os conhecimentos e as habilidades adquiridos e refletir sobre eles. A maioria dos estudos foi realizada com alunos da graduação em Medicina de diversos países. Conclusão: A instrução entre pares se apresenta como potencial significativo em desenvolver o processo de autorreflexão e autoconhecimento, em diferentes estágios da formação superior. Professores, estudantes e instituições podem se beneficiar da implementação sistematizada dessa metodologia para aprimorar a aquisição de conhecimento e intensificar as relações interpessoais e práticas colaborativas de ensino-aprendizagem.

Integração curricular na avaliação formativa em educação médica continuada a distância: uso de atividades integradoras

PID: S1981-52712022000100408 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2022
Autores: Wander Fernandes Daudt Gomes Pinto
Resumo: Introdução: O artigo descreve o desenvolvimento e a implementação de atividades integradoras como avaliação formativa de um curso a distância de especialização de preceptoria em medicina de família e comunidade (MFC) e discute como a utilização dessa atividade é capaz de integrar e avaliar diferentes conhecimentos, práticas e o desempenho dos alunos nessa modalidade de ensino. O currículo do curso envolve unidades com módulos em três áreas: MFC, preceptoria e clínica, permitindo que se abordem os temas essenciais para a prática do preceptor da especialidade, que vão além do estudo dos aspectos pedagógicos. Relato da experiência: O aluno era instigado a realizar uma produção textual baseada em problemas contextualizados na preceptoria na atenção primária à saúde, orientada pelo tutor, de forma a refletir criticamente sobre os conteúdos de cada unidade de ensino. Foram utilizadas situações ilustradas no enunciado da atividade, na forma de história em quadrinhos, o que qualificava a interpretação do contexto abordado na atividade e promovia maior aproximação com a realidade vivenciada pelo aluno. A contextualização da atividade e o exercício de se colocar no lugar do preceptor foram considerados pontos positivos pelos tutores. Discussão: A interação aluno-tutor é parte fundamental da atividade, pois permite a construção do conhecimento a partir de uma perspectiva interacionista da educação, que é a base da proposta pedagógica do curso. A atividade permitiu a identificação de lacunas e potencialidades na aprendizagem dos alunos e a realização de intervenções pedagógicas singulares. Conclusão: Esse tipo de atividade garante dimensões importantes do trabalho avaliativo em cursos de longa duração: o caráter processual e interdisciplinar. O modelo de atividade integradora pode ser utilizado em cursos a distância com diferentes disciplinas, com o objetivo de integrá-las, proporcionando uma abordagem mais aprofundada e aproximando os conteúdos educacionais da realidade do aluno.

Itinerários terapêuticos na formação médica: dispositivo para o ensino da Saúde Coletiva

PID: S1981-52712022000100407 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2022
Autores: Possa Meneguelli Costa Righi Heinzelmann
Resumo: Introdução: A implementação de estratégias pedagógicas inovadoras na formação médica é o tema deste relato de experiência. O objetivo deste relato é apresentar a sistematização de itinerários terapêuticos (IT) e a produção de projetos terapêuticos singulares (PTS) de usuários do Sistema Único de Saúde como dispositivo de aprendizagem para o ensino da saúde coletiva. Relato de experiência: Este relato foi produzido com base na vivência dos docentes e monitores implicados com essa formação na graduação em Medicina da Universidade Federal de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, no Brasil, entre os anos de 2017 e 2019. Os IT foram considerados inicialmente numa perspectiva restrita à descrição e análise da organização da rede de atenção à saúde (RAS), do acesso e dos fluxos nos serviços. A partir dos debates, dos conteúdos e da produção dos PTS, os IT foram revisitados com o intuito de contribuir para a compreensão dos estudantes sobre a relação entre a estrutura social mais ampla e a singularidade das pessoas, de suas necessidades e dos processos de cuidado voltado à saúde. Discussão: A experiência, como proposto na sua formulação, viabilizou a articulação dos campos teóricos e práticos, e foi uma ferramenta que articulou os diferentes conteúdos programáticos propostos na disciplina de Saúde Coletiva II. Tornou-se, também, uma estratégia pedagógica viável nas condições reais da oferta da disciplina, num contexto em que a saúde coletiva pode estar mais presente na formação profissional. Conclusão: O processo de ação-reflexão-ação possibilitou, num primeiro momento, o reconhecimento da RAS, componente estrutural do sistema. A partir da construção do PTS e do debate sobre as linhas de cuidado integral, foi possível qualificar a análise. A sistematização de IT é uma abordagem teórico-metodológica consolidada na pesquisa em saúde e foi um dispositivo que se mostrou potente para ensino da saúde coletiva e para o aprendizado sobre as práticas e a reconfiguração do trabalho dos docentes e monitores da disciplina; portanto, trata-se de uma estratégia de educação permanente tanto para os estudantes quanto para os responsáveis pela formação.

Ligas acadêmicas e formação médica: validação de um instrumento para avaliação e percepção discente

PID: S1981-52712022000100207 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2022
Autores: Misael Santos Júnior Wanderley
Resumo: Introdução: As Diretrizes Curriculares Nacionais de Medicina de 2014 incentivam a utilização de metodologias que privilegiem a participação ativa do aluno na construção do conhecimento e na integração entre os conteúdos, assegurando a indissociabilidade do ensino, da pesquisa e da extensão, sendo as ligas acadêmicas (LA) uma dessas estratégias. Objetivo: Este estudo teve como objetivo validar um instrumento de avaliação da contribuição de LA no processo de formação médica por meio da percepção discente. Método: Trata-se de um estudo metodológico com a adoção das etapas de validação de conteúdo, a partir da construção de um questionário e submissão a um comitê de juízes, que propiciaram a retificação e inclusão de itens, além de avaliarem o grau de concordância entre os especialistas. Por conseguinte, a consistência interna foi analisada por meio das aplicações do instrumento num grupo-piloto, sob o método teste-reteste, analisando a clareza linguística, a fidedignidade e a reprodutibilidade temporal. Resultado: Inicialmente foi proposto um instrumento de 14 itens, agrupados em quatro dimensões. Diante da submissão ao comitê de experts, houve a restruturação e inserção de assertivas. Por meio do Índice de Validade de Conteúdo, duas sentenças foram excluídas, resultando em 19 asserções. Na primeira aplicação no grupo-piloto, preponderou a compreensão de todos os itens pelos estudantes, alçando o coeficiente de α de Cronbach de 0,829. Para a análise da estabilidade temporal, os coeficientes de correlação intraclasse intra e interavaliadores certificaram a excelente reprodutibilidade do instrumento. Por fim, foi possível qualificar a contribuição das LA por meio da estratificação dos escores médios do instrumento. Conclusão: O questionário de avaliação da contribuição de LA no processo de formação médica é um instrumento válido e confiável.

Lições da pandemia de Covid-19: um estudo quali-quantitativo com estudantes de Medicina e médicos recém-formados

PID: S1981-52712022000300209 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2022
Autores: Ferreira Amorim Campos Cipolotti
Resumo: Introdução: A pandemia de Covid-19 impactou negativamente a saúde mental de médicos e estudantes de Medicina. Muito tem sido discutido sobre as lições aprendidas, no que se refere a aspectos clínicos, de diagnóstico, tratamento e prevenção. Entretanto, os médicos são treinados para o cuidado dos pacientes, o que envolve técnica e humanidade. Objetivo: Este estudo apresenta e discute as lições e reflexões aprendidas por internos de Medicina e médicos recém-formados durante a pandemia de Covid-19. Método: Trata-se de um estudo quali-quantitativo realizado durante a segunda quinzena de setembro de 2020 (seis meses após o início da pandemia) por meio de formulário em plataforma digital. Todos os alunos do internato e todos os médicos formados desde 2018 nas três faculdades de Medicina de Sergipe foram convidados a participar da pesquisa. Resultado: Obtiveram-se 148 questionários respondidos, dos quais quatro não continham respostas nos campos abertos. Quanto ao estágio de formação universitária, 36,5% eram recém-formados (n = 54), dos quais 90,7% trabalharam na linha de frente do atendimento aos pacientes com Covid-19. Ao serem questionados sobre os principais aprendizados que a pandemia havia trazido, 41 respostas estiveram voltadas para a paciência, a imprevisibilidade do futuro e a resiliência no enfrentamento das adversidades. Aproximadamente 42% (n = 62) dos participantes conheciam ao menos uma pessoa que faleceu por Covid-19, e isso se associou à necessidade de aproveitar o tempo, a vida e as pessoas (p = 0,009). Um total de 34 respostas (23%) demonstrou uma atitude positiva de reaprendizado e esperança quando os participantes foram perguntados sobre como imaginavam o trabalho e o ensino médico após pandemia. A necessidade de um retorno cauteloso foi citada em 34 (23%) respostas. Conclusão: Os estudantes de Medicina e os médicos recém-formados relataram aprendizados relacionados à paciência e resiliência. A perda de familiares e amigos por Covid-19 esteve relacionada à necessidade de aproveitar o momento presente.

Metodologias ativas de ensino-aprendizagem: uso, dificuldades e capacitação entre docentes de curso de Medicina

PID: S1981-52712022000100210 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2022
Autores: Wagner Martins Filho
Resumo: Introdução: No Brasil, as Diretrizes Curriculares Nacionais para o curso de Medicina apontam que a formação médica deverá usar metodologias que privilegiem a participação ativa do aluno na construção do conhecimento, além de preverem a existência de programas de desenvolvimento e aperfeiçoamento docente no interior dos cursos de Medicina. Objetivo: Este estudo teve como objetivo avaliar o uso, a dificuldade e a capacitação referentes às metodologias ativas de ensino-aprendizagem (MAP) em docentes do curso de Medicina em dois campi da Universidade Federal de Santa Catarina. Método: Trata-se de estudo transversal com coleta de dados por meio de questionário em formato on-line, em que se pesquisaram variáveis demográficas, de formação acadêmica, de atuação docente e de MAP, incluindo seu uso na prática pedagógica, dificuldades e realização de capacitação no tema. Foram feitas análises estatísticas com o intuito de verificar diferenças entre as variáveis analisadas. Resultado: Participaram 63 docentes, com média de idade de 48,2 anos, maioria do gênero feminino (57,1%), com regime de trabalho de dedicação exclusiva (61,9%) e metade da amostra composta por médicos. Apenas um a cada dez professores referiu que não utiliza e/ou nunca utilizou MAP na sua atuação como docente, e metade mencionou ter dificuldade na sua utilização. Quanto à capacitação pedagógica, 54% referiram ter realizado, dos quais 67,7% mencionaram que ela não foi suficiente para dar densidade teórica ao processo de ensino-aprendizagem com MAP. Estudo de caso e aprendizagem baseada em problemas foram as MAP mais conhecidas e utilizadas dentro da universidade. Conclusão: O uso das MAP foi alto, e pouco mais da metade dos docentes tem alguma capacitação no tema. Considerando que a maioria dos docentes apontou dificuldades no seu uso com os discentes, faz-se necessário planejar a metodologia, a carga horária ou os temas das capacitações que são oferecidas.

Metodologias ativas e tecnologias digitais na educação médica: novos desafios em tempos de pandemia

PID: S1981-52712022000200801 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2022
Autores: Silva Sé Lima Borim Oliveira Padilha
Resumo: Introdução: A educação médica no Brasil atravessa um momento de grande transformação que requer adaptações e novos modelos de ensino. Diante da velocidade com que novas informações na área da saúde são produzidas, a incorporação das tecnologias digitais na prática educacional torna-se imprescindível, possibilitando a interação virtual e o acesso às bases de dados remotas. A associação entre as tecnologias digitais e as metodologias ativas, que promovem a autonomia dos estudantes e o desenvolvimento do pensamento crítico-reflexivo, implica novos desafios no contexto da educação em tempos de pandemia. Este ensaio analisa o uso de tecnologias digitais na educação médica e de saúde, destacando sua associação com as principais formas de metodologias ativas e os desafios da educação por acesso remoto, no contexto da pandemia da Covid-19. Desenvolvimento: Devido às medidas de distanciamento físico e de interrupção de atividades educacionais presenciais, as instituições de ensino vivenciaram mudanças drásticas com a necessidade de rápida adaptação na tentativa de atenuar os impactos da pandemia no ensino. O uso de ferramentas digitais como plataformas virtuais e o acesso remoto (síncronos e assíncronos) foram algumas das estratégias amplamente utilizadas. O levantamento de potenciais desafios na associação entre metodologias ativas e ensino remoto foi tratado de modo a problematizar o processo educacional em tempos de pandemia. Conclusão: A pandemia da Covid-19 evidenciou a necessidade de inovação nos métodos de ensino-aprendizagem e acelerou a utilização das tecnologias digitais e a adaptação a elas. A associação dessas tecnologias com metodologias ativas tornou-se um novo desafio para docentes e estudantes, e requer estudos adicionais sobre eficácia e implicações do ensino remoto na formação de futuros profissionais da saúde.

Museus na educação médica: uma revisão narrativa

PID: S1981-52712022000400301 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2022
Autores: Souza Antonio D’Elia
Resumo: Introdução: A educação não formal é realizada fora do ambiente tradicional de ensino, com objetivos educacionais estruturados e a promoção da autonomia do educando para exploração do espaço, como em bibliotecas e museus. Assim, os museus possuem grande diversidade de temáticas e podem englobar diferentes determinantes do processo de saúde e doença. Objetivo: Este estudo teve como objetivo delimitar o panorama acerca dos museus como forma de curricularização da extensão nas escolas médicas brasileiras. Método: Trata-se de uma revisão narrativa realizada de fevereiro a julho de 2021. O estudo foi desenvolvido a partir da análise, além da literatura pertinente, de três principais documentos: Diretrizes Curriculares Nacionais do curso de Medicina de 2014, Política Nacional de Educação Museal (Pnem) de 2017 e Diretrizes para a Extensão na Educação Superior Brasileira de 2018. Os descritores “educação médica” e “museus” e seus equivalentes em inglês foram utilizados na busca de trabalhos publicados nas bases de dados. Resultado: Os museus proporcionam uma ressignificação do conhecimento especializado próprio do acervo, com potencial para o desenvolvimento de habilidades clínicas relacionados à percepção, à investigação e ao pensamento criativo, contribuem para o acadêmico de Medicina se perceber como agente de suas práticas e posturas, além de oferecerem um espaço para dar voz aos usuários do serviço de saúde. Segundo a Pnem, a educação museal deve promover uma interação direta entre museu e sociedade, de modo a buscar a transformação social e se alinhar com o conceito das atividades de extensão, as quais comporão no mínimo 10% da carga horária da graduação em Medicina. Portanto, o museu é um meio para que as atividades extensionistas sejam desenvolvidas por meio da articulação entre ensino e pesquisa, e inserção e envolvimento da comunidade acadêmica na comunidade externa. Foram encontrados cerca de 26 museus concentrados principalmente no eixo Sul-Sudeste, cujas temáticas principais são história da medicina, biografias e anatomia humana, além de saúde e vida. Conclusão: A educação museal na medicina, por meio da extensão, pode impactar a ressignificação progressista de conceitos sobre o processo de saúde e doença, com consequente transformação do exercício vocacional para o cuidado, seja em termos de promoção, prevenção, recuperação ou reabilitação.

Necessidades pedagógicas sob a ótica da supervisão de estágio curricular em terapia ocupacional

PID: S1981-52712022000100214 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2022
Autores: Barros Wyszomirska Lucena
Resumo: Introdução: O estágio curricular é um momento de integração dos discentes com o mundo do trabalho, etapa indispensável no processo de desenvolvimento e aprendizado de competências específicas da atividade profissional, de acordo com os princípios e as diretrizes do Sistema Único de Saúde. Objetivo: Este estudo teve como objetivo compreender as necessidades pedagógicas dos supervisores do estágio supervisionado do curso de Terapia Ocupacional e as características desejáveis em um supervisor de estágio, a partir da visão dos discentes. Método: Trata-se de um estudo transversal e exploratório de natureza qualitativa, com uso de análise temática de conteúdo, compreendida em três etapas: pré-análise, exploração de material e tratamento dos resultados. Participaram do estudo 24 supervisores de estágio e 15 discentes do curso de Terapia Ocupacional que preencheram dois formulários semiestruturados on-line: um para os supervisores e outro para os alunos. Resultado: Para os supervisores, a presença do aluno no serviço contribui para as trocas no cotidiano do trabalho e instiga o preceptor a buscar mais conhecimento, porém esperam maior reconhecimento da atuação do supervisor e consideram importante um fluxo contínuo para a formação em docência dos profissionais do serviço, em especial sobre avaliação de desempenho e práticas inovadoras. Por sua vez, os discentes têm a expectativa de encontrar supervisores que apresentem, de forma segura, contribuições significativas para a aprendizagem por meio da experiência profissional. Conclusão: Este estudo possibilitou compreender as necessidades pedagógicas da supervisão de estágio, a relevância da formação para docência nos serviços e a importância do acolhimento e acompanhamento dos discentes com orientações ao longo do processo de aprendizado. A partir desses pressupostos, foi desenvolvido um desenho de curso para capacitação pedagógica na modalidade a distância para supervisores de estágio.

O Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde/Interprofissionalidade: experiências de uma acadêmica de Medicina

PID: S1981-52712022000200401 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2022
Autores: Sousa Chagas
Resumo: Introdução: Quando se pensa em estratégias que possibilitem a consolidação de um sistema de saúde que leve em consideração o caráter dinâmico, diverso e complexo que a comunidade apresenta, a educação interprofissional mostra-se como uma ferramenta de grande potência na formação de futuros profissionais capazes de exercer um trabalho colaborativo. Nesse contexto, o Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde ganha destaque ao possibilitar a troca de saberes entre acadêmicos de distintos cursos. Relato de experiência: Utilizou-se como ferramenta a narrativa de eventos vivenciados pela acadêmica de Medicina estagiária bolsista do Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde/Interprofissionalidade, integrada ao Consultório na Rua de uma cidade do Rio de Janeiro. Essa integração possibilitou o exercício da interprofissionalidade no campo prático, experiência que não se limitou à interação com o médico do serviço, embora fosse igualmente valiosa essa convivência, mas que levou também à troca com trabalhadores com distintas formações profissionais e discentes de outros cursos. Discussão: Para que o trabalho colaborativo ocorra, não bastam trabalhadores dividindo o mesmo espaço; nessa ótica, faz-se necessária a discussão acerca dos efeitos da educação interprofissional na formação acadêmica, despertando nesses alunos o desejo de trabalhar colaborativamente e preparando-os para o desafio de atender às necessidades e demandas dos usuários do Sistema Único de Saúde. Conclusão: Nas universidades brasileiras, são poucas ainda as atividades que têm como fio condutor a educação interprofissional, entretanto esse tipo de educação possui potência para aproximar o graduando das realidades a serem enfrentadas no cotidiano de sua futura prática profissional, pautado no processo ensino-aprendizagem com indivíduos de diferentes formações profissionais, de modo que o trabalho colaborativo se torne um facilitador na oferta à comunidade de um serviço de saúde de alta qualidade.

O Teste de Progresso na residência médica em ginecologia e obstetrícia: a experiência nacional

PID: S1981-52712022000500402 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2022
Autores: Romão Fernandes Silva Filho Sá
Resumo: Introdução: O Teste de Progresso (TP) é uma avaliação cognitiva abrangente e longitudinal com vantagens para o aprendiz, os programas educacionais e a sociedade. No Brasil, embora seja amplamente utilizado na graduação, existe pouca experiência do seu uso na residência médica. Este estudo visa retratar a experiência da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) nos quatro primeiros anos de implementação do TP Individual do Residente em Ginecologia e Obstetrícia (TPI-GO). Relato da experiência: O TPI-GO foi implementado em 2018, sendo oferecido anualmente aos residentes brasileiros. Nos dois últimos anos, o TPI-GO passou a ser oferecido no formato on-line. Para incentivar a participação, estabeleceram-se critérios que possibilitam dispensa ou bonificação na prova teórica para a obtenção do Título de Especialista em Ginecologia e Obstetrícia (Tego) para os candidatos com melhor desempenho. Os resultados são fornecidos de maneira sigilosa a cada candidato. Os resultados do desempenho dos residentes de um mesmo serviço são fornecidos ao supervisor do programa sem a identificação dos seus residentes, de modo a oferecer subsídios para autoavaliação da qualidade e indicar pontos de melhoria. Discussão: Desde a implementação do TP, verificou-se um número crescente de candidatos inscritos com elevada taxa de aderência à prova. As medianas de desempenho do grupo de residentes evidenciaram evolução cognitiva entre os iniciantes (R1) e os concluintes (R3) dos programas. Conclusão: A implementação do TP na residência é factível e aceitável, apresentando vantagens e benefícios. No entanto, requer preparo e envolvimento da equipe organizadora, além de apoio logístico e financeiro. O sigilo na divulgação dos resultados é recomendável e preserva o candidato. A possibilidade de bonificação e dispensa na prova teórica do Tego é um grande atrativo para a adesão e aderência dos médicos residentes ao TP. A aplicação da prova em ambiente on-line amplia o acesso, com níveis aceitáveis de segurança.
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