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O ensino de anatomia durante a pandemia de Covid-19

PID: S1981-52712022000300403 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2022
Autores: Brandão Silva Moura Zimmermann Favaro Appenzeller
Resumo: Introdução: A anatomia humana é uma disciplina indispensável para a formação médica. Além do conteúdo teórico, sabe-se que o aprendizado por meio da prática é insubstituível. Entretanto, a pandemia de Covid-19 impôs desafios ao ensino de anatomia. Por isso, novas estratégias de ensino foram desenvolvidas para adaptar o currículo médico. Relato de experiência: Na Unicamp, o conteúdo de anatomia foi oferecido virtualmente por meio de atividades síncronas e assíncronas. Para as práticas, professores e monitores gravaram aulas com peças anatômicas verdadeiras. Os alunos também tiveram monitorias com revisão de conteúdo e quizzes. As provas finais foram feitas em formulários do Google Forms. Ao fim de cada semestre letivo, aplicaram-se questionários para que os estudantes avaliassem as novas ferramentas de ensino. Discussão: O novo método teve pontos positivos e negativos, mas foi importante para garantir a manutenção do processo de ensino-aprendizagem. Todas as ferramentas foram aprovadas pelos alunos, e atingiram-se os objetivos do curso sem financiamento adicional. Conclusão: Essa experiência demonstrou que a união entre professores e monitores é de grande valia para o processo de ensino-aprendizagem. Além disso, revelou que ferramentas tecnológicas de baixo custo podem ser úteis nesse contexto. Entretanto, esse modelo não substitui o ensino presencial.

O ensino remoto na formação médica durante a pandemia da Covid-19

PID: S1981-52712022000400204 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2022
Autores: Garcia-Jr Pasquini Marx Silva Almeida Selau Ceccon
Resumo: Introdução: A educação médica no contexto da pandemia da Covid-19 enfrentou dificuldades e mudanças no processo de ensino-aprendizado. Objetivo: Este estudo teve como objetivo compreender os desafios do ensino remoto na formação médica durante a pandemia da Covid-19 em uma universidade federal do Sul do país. Método: Trata-se de um estudo com abordagem qualitativa, em que os participantes foram 46 estudantes de dois cursos de Medicina da Universidade Federal de Santa Catarina, dos campi de Florianópolis e Araranguá, durante o ano de 2021. A técnica utilizada para a coleta de dados foi o grupo focal on-line, totalizando sete encontros. Investigaram-se os dados coletados por meio da análise de conteúdo temática. Resultado: Observou-se prejuízo nas relações entre estudantes de Medicina e comunidade, principalmente em razão da restrita inserção de conhecimentos sobre a pandemia nos currículos formais dos cursos, da diminuição do convívio com pacientes, da dissolução do elemento teórico-prático no ensino remoto pela ausência de atividades práticas e do engessamento do currículo formal. Durante a formação acadêmica, houve sofrimento psicológico dos estudantes decorrente do distanciamento social e da exaustiva carga horária teórica. Conclusão: A construção do conhecimento médico e a oferta de cuidados coerentes às necessidades da população foram afetadas pela Covid-19. Tornam-se indispensáveis o reconhecimento de tal descompasso e a necessidade da constituição de estratégias para solucionar as problemáticas relacionadas às dificuldades encontradas pelos estudantes, com base em seus aprendizados, na resposta aos anseios da população e na necessidade de adaptações na educação médica diante da pandemia da Covid-19 para o processo de formação médica.

O ensino remoto no curso de Medicina de uma universidade brasileira em tempos de pandemia

PID: S1981-52712022000100212 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2022
Autores: Campos Filho Ribeiro Sobrinho Romão Silva Alves Rodrigues
Resumo: Introdução: O processo de ensino-aprendizagem passou por grandes mudanças tecnológicas ao longo das décadas, com importante impacto nos cursos de Medicina. Uma dessas mudanças foi o uso dos ambientes virtuais de aprendizagem (AVA). Objetivo: Este estudo teve como objetivo avaliar a qualidade do processo de ensino-aprendizagem remoto no curso de Medicina durante a pandemia da Covid-19. Método: É um estudo de caráter descritivo com abordagem quantitativa e qualitativa. Seu desenvolvimento foi dividido em quatro fases: revisão da literatura, desenvolvimento do protocolo de avaliação, coleta e análise dos dados. A coleta de dados foi realizada por meio de um formulário on-line, e a análise dos dados, por análise estatística em três eixos: a avaliação do perfil tecnológico, a avaliação da aceitação da tecnologia e a experiência do usuário. Resultado: Foi constatado que a maioria dos estudantes (65%) e docentes (88.2%) possuía infraestrutura para participar do semestre suplementar. A maior parte dos alunos relatou sentir segurança em utilizar as ferramentas tecnológicas e estava satisfeita com o ensino remoto, porém 53% dos alunos relataram não ter um rendimento tão grande quanto teriam em um período presencial comum, além de terem mencionado dificuldades na adaptação ao ensino remoto, e 40,2% citaram uma alta taxa de problemas psicológicos entre eles. Os docentes em sua maioria se sentiam seguros em lecionar on-line e também tiveram uma avaliação em geral bastante positiva do semestre remoto, tendo apenas algumas discordâncias em relação ao tempo para preparação das aulas e da criação de materiais didáticos para seus alunos. Conclusão: Os diversos fatores relacionados à tecnologia, organização e saúde mental dos estudantes e docentes devem ser levados em consideração no planejamento dos próximos semestres, pois, até que a situação de saúde volte ao normal, os próximos semestres letivos terão todos os componentes teóricos do curso de Medicina trabalhados remotamente, ao menos com a maioria na modalidade híbrida. É provável que alunos e professores desenvolvam uma curva de aprendizagem e consequente adaptação, o que pode atenuar algumas das dificuldades observadas. É preciso que o processo de adaptação seja catalisado por normas, orientações e também inovações da universidade.

Onze anos de Teste de Progresso na Unicamp: um estudo sobre a validade do teste

PID: S1981-52712022000500202 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2022
Autores: Souza Bicudo
Resumo: Introdução: O curso de Medicina da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) vem pondo à prova o aquisição cumulativa cognitiva de seus alunos por meio do Teste de Progresso (TP) há mais de uma década, de modo a possibilitar a análise da utilidade do exame como estratégia de apoio a decisões pedagógicas e apontar principais ameaças à validade dele. Objetivo: Este estudo teve como objetivos oferecer a análise de validade do TP e explicitar as oportunidades de utilização do teste especialmente para a determinação de padrões de suficiência cognitiva para a progressão no curso e ao final deste, e a identificação de estudantes em risco. Método: Trata-se de estudo observacional retrospectivo de uma série histórica de sucessivos testes escritos realizados para analisar o acúmulo cognitivo no período de 2006 a 2016, totalizando 11 anos e seis turmas consecutivas. Em cada momento de medida (aplicação do teste), o estudo utilizou um modelo misto, em que a exposição (realização do teste) e o desfecho (escore do teste) foram avaliados no mesmo ponto de tempo, o que caracteriza um estudo transversal (cross-sectional) cujos resultados sucessivos originarão as curvas de crescimento cognitivo Resultado: Observou-se um acúmulo cognitivo em torno de 6 pontos percentuais a cada nova testagem. Os estudantes ao completarem o sexto ano obtiveram um acerto de cerca de 65,7% (± 9,1). A cada testagem, determinou-se um “efeito piso” para identificar alunos com rendimento abaixo da média, que em geral se situou em cerca de 1,5 DP abaixo da média da respectiva turma. Conclusão: O TP-Unicamp oferece dados confiáveis para apoiar importantes decisões pedagógicas, tais como identificação de alunos em risco acadêmico por baixa performance, critérios para progressão e desempenho cognitivo ao final do curso. Como confiabilidade sofre influência da amostragem, e o aumento do número de itens de cada teste e o aumento da frequência de testagem podem ser estratégias a serem tomadas para superar essas limitações.

Os desafios para o ensino de emergências de psiquiatria em desastres e conflitos armados

PID: S1981-52712022000200212 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2022
Autores: Pedro Palha Ferreira
Resumo: Introdução: A população moçambicana tem sido recorrentemente afectada por situações traumáticas devido a catástrofes naturais (ciclones, secas, inundações) ou provocadas pelo homem (conflitos armados), que podem levar ao desenvolvimento de perturbações mentais que, se não forem identificadas e tratadas, deixarão sequelas graves e causarão cronicidade. Objetivo: Este estudo teve como objetivo promover uma reflexão sobre a inclusão de temas psiquiátricos de emergência em desastres naturais e conflitos armados nas disciplinas ou módulos de psiquiatria, nos cursos de formação de graduação nas escolas médicas de Moçambique. Método: Trata-se de revisão narrativa da bibliografia, realizada entre abril e junho de 2021, com foco na pesquisa de artigos e documentos publicados nas plataformas virtuais Research4Life, PubMed, Hifa-pt e Google Scholar que abordam o tema desastres naturais e conflitos armados e seu ensino para estudantes de Medicina na disciplina de psiquiatria. Resultado: A inclusão das emergências psiquiátricas em desastres e conflitos armados no curso de Medicina pode proporcionar aos clínicos gerais que atuam na atenção primária à saúde conhecimentos e habilidades para que possam reconhecer emergências psiquiátricas causadas por desastres naturais e conflitos armados e trabalhar nelas, levando em consideração que o país atualmente tem poucos médicos especializados em psiquiatria. Conclusão: A adequada organização e assistência em emergências psiquiátricas à população exposta a desastres naturais e conflitos armados contribui para a resiliência e salvaguarda da saúde mental das comunidades. Neste ensaio, refletimos sobre o desafio de incorporar os temas das emergências psiquiátricas causadas pela exposição a desastres naturais e conflitos bélicos como contribuição para melhorar as habilidades dos médicos generalistas na resposta às demandas prementes de saúde mental dessa população vulnerável.

Pandemia Covid-19 para residentes Medicina de Emergência: estudo observacional em saúde mental e prática médica

PID: S1981-52712022000200204 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2022
Autores: Steil Mendonça Gois
Resumo: Introdução: Medicina de emergência é uma especialidade relativamente nova no Brasil, aprovada apenas em 2016, e programas de treinamento em residência têm sido instituídos desde então. O ambiente da emergência é conhecido por representar uma tensão entre vida e morte nos profissionais, o que culmina em altos índices de adoecimento mental nessa população. A pandemia da Covid-19 aparenta estar influenciando nas taxas de depressão, ansiedade e burnout de profissionais de saúde. Objetivo: Este estudo teve como objetivos avaliar os sintomas de burnout, depressão e ansiedade em residentes de medicina de emergência brasileiros durante a pandemia da Covid-19 e comparar as crenças deles sobre a prática clínica relacionada aos pacientes com a doença. Método: Um estudo quantitativo foi realizado com uma amostra conveniente de médicos residentes voluntários, por meio de uma pesquisa on-line anônima disponível durante o mês de abril de 2020. Esta investigação coletou informações sociodemográficas e utilizou as seguintes escalas: Oldenburg Burnout Inventory (OLBI) para mensurar burnout, Patient Health Questionnaire (PHQ-9) para mensurar depressão e General Anxiety Disorders (GAD-7) para mensurar transtorno de ansiedade generalizada. Neste estudo, também foi desenvolvido um Questionário sobre o Impacto da Covid-19 (CIQ-19) para acessar as crenças e práticas clínicas relacionadas aos pacientes com Covid-19. Resultado: A pesquisa foi composta de 63 voluntários, aproximadamente 26,35% dos residentes em medicina de emergência no Brasil. Apenas 39,6% dos residentes se sentiram seguros enquanto trabalhavam com pacientes com Covid-19. Encontraram-se sintomas leves de depressão em 68,2%, seguidos de sintomas de ansiedade em 50,7% e burnout em 54,0%. Aproximadamente 12% dos residentes não fazem nada relação à própria saúde mental, alguns preferem conversar com familiares e amigos (36,1%), e outros discutem com a equipe de suporte (24,3%) quando precisam de atendimento. Conclusão: Os residentes de medicina de emergência possuem altos índices de adoecimento mental, e isso pode piorar quando submetidos a situações estressantes e desconhecidas, como a pandemia da Covid-19. Iniciativas devem ser tomadas para melhorar a saúde mental desses médicos. Propõe-se que as instituições de saúde ofereçam aos supervisores médicos uma visão mais próxima e exclusiva sobre os médicos em treinamento. A proposta de um programa de mentoria é uma oportunidade de refletir sobre melhorias técnicas e pessoais para médicos residentes.

Percepção de preceptores do internato sobre a influência de modelos na formação médica

PID: S1981-52712022000200206 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2022
Autores: Vilagra Vilagra Vilagra Vilagra Souza Tempski
Resumo: Introdução: O profissionalismo é a base do contrato social que legitima a medicina como profissão e pode ser desenvolvido a partir da interação com bons modelos profissionais. No papel do preceptor, um profissional da saúde tem, entre seus atributos, o de acompanhar o estudante enquanto desenvolve sua função assistencial, tornando-se, consequentemente, um modelo na formação do futuro profissional. Objetivo: Este estudo teve como objetivo verificar a percepção dos preceptores do internato do Hospital Universitário de Vassouras (HUV) sobre a influência de modelos na formação médica. Método: Trata-se de uma pesquisa qualitativa exploratória, cuja metodologia foi constituída por duas etapas. A primeira compreendeu a aplicação de um questionário estruturado com dados sociodemográficos, enquanto a segunda contemplou a realização de grupo focal on-line. Resultado: Dos 42 preceptores, 28 participaram efetivamente (75,6%). A análise dos dados evidenciou a importância atribuída pelos preceptores ao seu papel de educador não só para a formação de futuros médicos tecnicamente capacitados ao exercício de uma medicina humanizada, mas também para profissionais dotados de princípios éticos, valores e compromissos. Conclusão: Os preceptores exercem a sua função com muito prazer e compromisso, autopercebendo que são modelos de profissionalismo e que podem representar exemplos positivos ou negativos para os estudantes. Ressalta-se que o tema profissionalismo necessita ser explicitado na construção dos currículos, em vez de ficar restrito ao currículo oculto na formação médica.

Percepção do ambiente educacional por alunos de uma universidade pública do Nordeste brasileiro

PID: S1981-52712022000200217 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2022
Autores: Medeiros Santos Wanderley Carvalho Filho Santos Santos
Resumo: Introdução: A qualidade do ambiente de ensino é fundamental para um aprendizado efetivo na formação profissional. Objetivo: Esta pesquisa buscou identificar e comparar a percepção dos estudantes de cinco cursos diferentes de ciências da saúde acerca do ambiente educacional. Método: Trata-se de um estudo transversal, analítico, com abordagem quantitativa, realizado com 277 alunos dos cursos de Fisioterapia, Enfermagem, Medicina, Terapia Ocupacional e Fonoaudiologia, matriculados no ano de 2019, em uma universidade pública. Foi utilizado o instrumento Dundee Ready Education Environment Measure (DREEM) que possui 50 questões fechadas, pontuadas numa escala Likert, que, ao final, avaliarão cinco domínios do ambiente educacional (aprendizado, professores, acadêmico, atmosfera e social). Para a comparação das médias da pontuação geral, dos itens individuais e dos domínios entre os cursos, utilizou-se o teste de Kruskal-Wallis (intervalo de confiança de 95%). O método de Dunn foi usado como análise pós-teste das comparações múltiplas. Resultado: A percepção geral dos estudantes sobre seu ambiente educacional demonstrou ser “mais positiva que negativa”. As médias dos domínios aprendizado, professores, atmosfera e social apresentaram diferenças entre os cursos (p < 0,05). O suporte aos estudantes estressados foi o item com média mais baixa da pesquisa em todos os cursos (p < 0,05). A graduação em Medicina mostrou ter aspectos preocupantes quanto à percepção do aprendizado. Enfermagem foi o curso mais bem avaliado em relação à percepção geral do ambiente educacional. Os cursos de Fisioterapia e Fonoaudiologia mostraram áreas que merecem atenção no tocante à percepção das relações sociais acadêmicas. Por fim, o curso de Terapia Ocupacional evidenciou áreas preocupantes quanto à percepção dos estudantes sobre o ensino, os professores, o desempenho acadêmico e a atmosfera do curso. Conclusão: Demonstrou-se que há diferenças na percepção do ambiente de ensino pelos alunos entre os cursos avaliados. Entretanto, o ambiente educacional de todos os cursos foi avaliado de maneira mais positiva que negativa. A falta de suporte aos estudantes estressados é a área mais preocupante neste estudo. Assim, o conhecimento da percepção dos acadêmicos sobre o ambiente educacional pode oferecer maior direcionamento na busca pela qualidade da educação superior em saúde.

Percepção dos estudantes de Medicina sobre as habilidades de autogestão adquiridas durante a vigência do ensino remoto

PID: S1981-52712022000400202 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2022
Autores: Pereira Aarão Furlaneto
Resumo: Introdução: A pandemia da Covid-19 trouxe diversos desafios para as instituições de ensino superior (IES) de todos os países. Nesse contexto, destacou-se a necessidade de reestruturação do processo de ensino-aprendizagem de forma a garantir a aquisição real de conhecimentos, bem como o desenvolvimento de métodos de estudo para que os discentes conseguissem conviver com o ensino remoto emergencial (ERE) e seus contratempos. Objetivo: Este estudo teve como objetivo investigar como ocorreu o estudo dirigido e a percepção dos discentes quanto aos ganhos de habilidades de autogestão durante o ERE. Método: Trata-se de um estudo transversal quantitativo e qualitativo, realizado com 93 estudantes de Medicina de diferentes IES brasileiras. Utilizou-se questionário semiestruturado para a coleta dos dados. Os dados foram processados no software Iramuteq, e utilizaram-se análise de similitude e nuvem de palavras, além de estatística descritiva. Resultado: Em relação ao tempo dedicado ao estudo dirigido, 59,1% dos estudantes relataram que o estabeleceram, e 57,0% afirmaram que traçaram estratégias para melhor geri-lo; 68,8% mencionaram que perceberam diferenças ao compararem os métodos de fixação de conteúdo utilizados antes e durante no ERE, e, desses, 70,3% consideraram que essas novas técnicas foram eficientes. Na análise qualitativa, analisaram-se seis corpora monotemáticos, relacionados à opinião sobre o que auxiliou e o que prejudicou a gestão das emoções e do tempo, quais estratégias de fixação de conteúdo foram utilizadas e quais habilidades de autogestão foram desenvolvidas no período do ERE. Conclusão: Evidenciou-se que, apesar das dificuldades encontradas, elas foram superadas com a adoção de estratégias centradas no desenvolvimento de habilidades de autogestão de tempo, emoções e fixação de conteúdo por parte dos estudantes, e, dessa forma, pode-se inferir que eles perceberam o desenvolvimento de algumas das habilidades essenciais para superar os novos e recentes desafios impostos pelas mudanças no planeta, como organização pessoal, dos estudos e do tempo, além das relacionadas às emoções e ao gerenciamento de recursos tecnológicos.

Percepções discentes sobre as abordagens tradicional e baseada em problema na anatomia patológica

PID: S1981-52712022000200215 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2022
Autores: Marques Xavier
Resumo: Introdução: O ensino da patologia, ciência que estuda as doenças e um dos ramos fundamentais da medicina, atravessa um período reflexivo sobre quais estratégias metodológicas se adaptam melhor à nova matriz curricular médica. Objetivo: Para o aprofundamento dessas reflexões à luz dos estudantes, o presente estudo analisou o comportamento e a preferência discentes em aulas práticas tradicionais e baseadas em problema na disciplina Anatomia Patológica II do curso de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais. Método: As análises qualitativas do comportamento e da preferência foram realizadas por meio da observação das aulas e da aplicação de questionário semiaberto, on-line e baseado na escala Likert. Resultado: Os resultados demostraram a clara preferência dos alunos pela metodologia ativa, tanto no que tange ao desenvolvimento das habilidades e competências estabelecidas para um eficiente ensino da patologia quanto no que concerne à participação em sala de aula. Conclusão: Assim, o estudo fortalece a importância da escuta acadêmica no planejamento do ensino da patologia.

Preceptoria médica: concepções e vivências de participantes de curso de formação em preceptoria

PID: S1981-52712022000400206 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2022
Autores: Ferreira Cazella Costa
Resumo: Introdução: O ensino por meio da vivência prática, denominado preceptoria, permite aos aprendizes buscar informações e esclarecer dúvidas com os preceptores, de maneira a desenvolver competências e habilidades em um ambiente de apoio e segurança, elementos essenciais ao bom aprendizado. Objetivo: Esse estudo objetivou compreender as concepções e vivências de alunos e egressos do curso de especialização em Preceptoria em Medicina de Família e Comunidade (UNA-SUS/UFCSPA) acerca da preceptoria na formação médica. Método: A pesquisa adotou abordagem qualitativa e observacional, sendo conduzida por meio de entrevistas individuais em plataforma de videoconferência, com 12 participantes do curso advindos das cinco regiões geográficas brasileiras, sob orientação de roteiro de questões abertas. As transcrições das entrevistas foram analisadas a partir dos conceitos da obra Análise de conteúdo, de Laurence Bardin. Resultado: Sob a ótica dos entrevistados, o papel do preceptor relaciona-se, sobretudo, à função de referencial para seus aprendizes, devendo assim apresentar atitudes éticas e profissionais, consonantes com atributos humanísticos e competências técnicas. Conclusão: A partir das perspectivas observadas no estudo, evidencia-se a relevância do preceptor no processo de formação médica, bem como a necessidade de debates entre instituições de ensino, entidades médicas, gestores e serviços de saúde sobre a valorização e qualificação de preceptores, e, consequentemente, dos futuros profissionais.

Preceptoria na atenção primária durante as primeiras séries de um curso de Medicina

PID: S1981-52712022000300202 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2022
Autores: Gaion Kishi Nordi
Resumo: Introdução: A preceptoria médica é uma atividade presente em todos os cursos de Medicina do Brasil e em grande parte dos cursos do mundo. As mudanças do ensino médico brasileiro levaram à inserção dos estudantes das primeiras séries ao mundo do trabalho, especialmente na atenção primária, evidenciando a importância da preceptoria. No curso de Medicina da UFSCar, os estudantes são inseridos em unidades de saúde da família desde a primeira série, sob acompanhamento dos docentes e médicos atuantes nas unidades. Objetivo: Compreender as percepções dos médicos sobre o exercício da preceptoria no primeiro ciclo do curso de graduação em Medicina. Método: Trata-se de estudo exploratório de cunho fenomenológico com abordagem qualitativa. Os sujeitos do estudo foram os preceptores da primeira e segunda série do curso de Medicina da UFSCar, atuantes nos últimos cinco anos. Utilizaram-se entrevistas individuais com questões semiestruturadas para a coleta de dados, que foram analisados a partir da abordagem da análise de conteúdo, do tipo categorial temática. Resultado: Os preceptores supervisionam atividades de atendimento médico, visitas domiciliares, ações com a comunidade, ações colaborativas interprofissionais e discussões de casos; participam de espaços de reflexão da prática, análise e discussão dos produtos dos estudantes, e de avaliação, possibilitando a construção de estratégias de ensino individualizadas. Os impactos da preceptoria foram percebidos positivamente, sobretudo no cuidado de indivíduos vulneráveis, com aproximação dos sujeitos com a equipe e criação de planos de cuidado ampliados. A preceptoria é vista como estímulo à atualização, capacitação e reflexão quanto à própria prática. Entre os desafios, os médicos relataram dificuldades com a equipe de saúde, acúmulo de trabalho, indisponibilidade de tempo e fragilidade da relação universidade-rede de saúde. Conclusão: Os preceptores são essenciais para a realização da prática profissional e percebem positivamente sua relação com os estudantes no exercício da preceptoria, bem como seu impacto no cuidado. Ante os desafios apontados, faz-se necessário que os preceptores estejam inseridos em programa de qualificação para a preceptoria e educação permanente em serviço. A parceria ensino-serviço deve ser fortalecida, a fim de possibilitar o exercício da preceptoria com impactos positivos para a equipe, o estudante, as pessoas, as famílias e as comunidades.

Precisamos falar sobre uso de Metilfenidato por estudantes de medicina - revisão da literatura

PID: S1981-52712022000200301 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2022
Autores: Amaral Tamashiro Celeri Santos Junior Dalgalarrondo Azevedo
Resumo: Introdução: Estudos mostram que o metilfenidato (MPH) tem sido utilizado por estudantes de medicina para aumentar sua atividade mental e melhorar o desempenho exigido durante a graduação, gerando preocupações quanto aos riscos à sua saúde física e mental. Esse cenário indica a necessidade de medidas especificamente direcionadas nas escolas médicas. Objetivo: Revisar a literatura sobre o uso de MPH sem indicação médica entre estudantes de medicina. Método: Revisão minuciosa da literatura publicada em inglês, espanhol e português, entre 2013 e 2019, com base em dados disponibilizados pelo PUBMED e SCIELO, utilizando palavras-chave nos três idiomas acima, ao longo das quatro etapas do processo de seleção. Resultados e Discussão: Ao todo, foram encontrados 224 artigos, dos quais 25 foram selecionados após leitura, tratando do uso de MPH ou ‘potencializador da cognição’ por graduandos de medicina sem prescrição médica. A pesquisa indicou variabilidade significativa na frequência de consumo, relacionada ao padrão de uso investigado, uso com ou sem indicação, antes ou após a entrada na Universidade e país onde o estudo foi realizado. A justificativa mais frequente para o uso sem indicação médica foi a de obter melhora no desempenho acadêmico. Notou-se a carência de pesquisas com uma avaliação adequada dos riscos cognitivos, comportamentais e psíquicos envolvidos, entre eles o risco de adição e a abordagem do tópico nas escolas médicas. Conclusão: As altas taxas de uso do MPH por estudantes de medicina visando o aprimoramento cognitivo reforça a importância de ações preventivas nas escolas médicas. As estratégias devem considerar informações sobre os riscos do uso (do MPH) sem indicação médica; intervenções não farmacológicas para melhoria do desempenho cognitivo; medidas de higiene do sono; organização para atividades de estudo adequadas; amplas discussões sobre aspectos éticos e estrutura curricular.

PrevTev: construção e validação de aplicativo móvel para orientações sobre tromboembolismo venoso

PID: S1981-52712022000100220 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2022
Autores: Toledo Peres Barros Russo Carvalho
Resumo: Introdução: Como o tromboembolismo venoso (TEV) é uma das principais causas de mortes evitáveis em pacientes hospitalizados, é importante a criação de medidas para sua prevenção e seu tratamento. Porém, para a profilaxia de qualidade, a educação e o envolvimento dos pacientes são necessários, e uma das ferramentas para facilitar as atividades educativas em saúde são as tecnologias educacionais. Objetivo: Este estudo teve como objetivos construir e validar um aplicativo móvel sobre orientações para prevenção de TEV em pacientes hospitalizados durante a internação e após a alta hospitalar. Método: Trata-se de um estudo metodológico composto por duas fases (construção e validação), divididas em nove etapas. A fase de validação foi realizada com 11 juízes especialistas e 30 representantes do público-alvo. Utilizaram-se quatro instrumentos de coletas de dados: Suitability Assessment of Materials (SAM), Instrumento de Validação de Conteúdo Educativo em Saúde (IVCES), Instrumento de Avaliação para o Público-alvo e System Usability Scale (SUS), todos interpretados mediante avaliação específica. Resultado: Entre os juízes especialistas, a média da pontuação do SAM foi 89,4%, e a do IVCES, 93,8%. Em relação à opinião do público-alvo, a média de concordância no primeiro instrumento de coleta de dados foi 95%, e a do SUS, 79,5 pontos. Conclusão: O aplicativo móvel foi considerado válido mediante a metodologia aplicada por juízes especialistas e público-alvo.

Prevalência de binge drinking entre estudantes de medicina no Brasil: revisão sistemática e metanálise

PID: S1981-52712022000100303 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2022
Autores: Nascimento Costa Andrade
Resumo: Introdução: Binge Drinking é um padrão de consumo de álcool perigoso para quem bebe e para a sociedade. Estudantes de medicina são expostos a situações estressantes aumentando a propensão para o uso de drogas psicoativas incluindo o uso excessivo de álcool. Objetivo: desenvolver uma revisão sistemática e meta-análise para estimar uma medida sumária de prevalência de binge drinking entre estudantes de medicina no Brasil. Métodos: as buscas foram realizadas de modo padronizado, envolvendo dois pesquisadores, e consultando as bases MEDLINE/PubMed, SciELO e LILACS. A meta-análise foi realizada para estimar a prevalência sumária de binge drinking e os intervalos de confiança (IC) de 95%. Resultados: Nós identificamos 206 registros e incluímos 14 estudos na revisão. A prevalência combinada foi estimada por efeito randômico. Apesar da substancial heterogeneidade entre os estudos, a prevalência combinada indicou que binge drinking é praticado por 47% (IC 95%: 38%; 57%) dos estudantes de medicina como um todo, no Brasil, e por 65% (IC 95%: 50%; 78%) e 47% (IC 95%: 34% a 59%), considerando homens e mulheres, respectivamente. A heterogeneidade foi alta e não explicada na análise de subgrupos. Conclusão: binge drinking é praticada por quase metade do contingente de nossos futuros médicos. Esses resultados fornecem indícios sobre as escolhas e decisões que estes estudantes estão fazendo com respeito ao consumo de substâncias potencialmente perigosas para a saúde humana. A despeito da alta heterogeneidade, a magnitude estimada de beber em binge demanda por um efetivo envolvimento das escolas médicas, no Brasil.

Prevalência de transtornos mentais comuns entre estudantes de Medicina durante a pandemia de Covid-19

PID: S1981-52712022000100206 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2022
Autores: Cardoso Barbosa Quintanilha Avena
Resumo: Introdução: Transtornos mentais comuns (TMC) têm sido frequentemente identificados entre universitários na área de saúde, especialmente em Medicina. Acredita-se que características inerentes ao curso exerçam potencial influência na saúde mental do estudante. Quando se adiciona o contexto de pandemia com as restrições sociais inerentes, os determinantes psicológicos relacionados à desconhecida patologia e o temor do rápido alastramento do novo coronavírus, existe a possibilidade de potencialização dos fatores de riscos para o sofrimento psíquico nessa população. Objetivo: Este estudo teve como objetivo estimar a prevalência de TMC entre estudantes de Medicina durante a pandemia da Covid-19, analisando seus principais determinantes nos âmbitos acadêmico, social e econômico. Método: Trata-se de estudo transversal, realizado com 388 estudantes de Medicina em Salvador, na Bahia. Por meio da plataforma Google Forms, coletaram-se dados sociodemográficos e acadêmicos, sobre hábitos de vida, comorbidades e sintomas de transtornos não psicóticos mensurados pelo Self-Reporting Questionnaire (SRQ-20). Resultado: A prevalência de TMC foi de 39,7% entre os estudantes de Medicina, sendo de 47,4% no ciclo básico, 40,3% no ciclo clínico e 12,3% no internato. Entre os fatores associados ao surgimento de TMC, estão sedentarismo, tabagismo, uso de substâncias que favoreçam o desempenho acadêmico, insatisfação com o próprio rendimento acadêmico, má qualidade de sono, falta de apetite, cefaleia frequente, má digestão, ideação suicida e tristeza. Observou-se maior índice de transtornos mentais não psicóticos entre as mulheres, não havendo diferença quanto ao ciclo acadêmico e à natureza administrativa da instituição de ensino. Conclusão: Durante a pandemia de Covid-19, demonstrou-se uma expressiva prevalência de TMC entre estudantes de Medicina do sexo feminino, brancos, solteiros, que residem com familiares e não possuem renda própria. Apesar de estudos sugerirem aumento da prevalência nos universitários no momento atual, os dados deste estudo permaneceram concordantes com a literatura anterior à pandemia, configurando o próprio curso de Medicina como principal fator de risco para taxas superiores de TMC nessa população. Entretanto, novos estudos acerca do impacto em longo prazo da pandemia na saúde mental dos universitários ainda são necessários.

Programas de pesquisa para graduandos em Medicina no Brasil: uma revisão sistemática

PID: S1981-52712022000300302 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2022
Autores: Souza Zuniga
Resumo: Introdução: A iniciação científica (IC) é o processo de treinamento e estudo sobre a metodologia científica ou a execução de pesquisa com orientação. Tal prática é prevista pelas Diretrizes Curriculares Nacionais de 2014, verificada pelo Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior e apoiada pelo Sistema de Acreditação de Escolas Médicas. A IC tem o potencial de produzir e permitir o avanço do conhecimento, bem como favorecer uma prática de Medicina Baseada em Evidências. Objetivo: Este estudo teve como objetivo delimitar o panorama acerca dos programas de pesquisa para graduandos de Medicina no Brasil, buscando os requisitos mínimos para caracterizar uma IC e as potencialidades e os desafios na realidade brasileira. Método: Trata-se de um estudo de revisão sistemática, conforme critérios PRISMA, realizado no período de maio a junho de 2021 nas bases de dados SciELO, PubMed, BVS, Google Acadêmico e BDTD. Efetuou-se análise qualitativa dos artigos selecionados por meio de avaliação de possíveis vieses e organização em seis categorias temáticas: 1. políticas institucionais, 2. engajamento e interesse de discente, 3. desafios à prática de pesquisa, 4. orientadores, 5. efeitos e produtos da IC, e 6. formação científica. Resultado: Foram incluídos 12 estudos na análise final. As escolas investigadas, em sua maioria, não tinham programas de IC estruturados e possuíam a maior parte de seus estudantes interessados por pesquisa científica ou em realizar trabalhos científicos. Os principais desafios à prática da pesquisa por estudantes foram a falta de estímulo institucional, de financiamento e de infraestrutura adequada. E, como efeitos da IC, grande parte dos estudantes apresentou um trabalho em congressos, mas dificilmente publicaram em periódicos. Conclusão: A IC é um programa com atividades que envolvem a aplicação do método científico com grande relevância para estimular a condução de um projeto de pesquisa com carácter ético, técnico e científico. A potencialidade político-social mais interessante da participação na IC é a desmistificação da pós-graduação e da carreira acadêmica, e o desafio mais presente na realidade brasileira é a falta de estímulo institucional.

Projeto Terapêutico Singular no manejo de casos complexos: relato de experiência no PET-Saúde Interprofissionalidade

PID: S1981-52712022000100403 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2022
Autores: Ferreira Ferreira Souza Ortiz Almeida Silva
Resumo: Introdução: O Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde (PET-Saúde) surgiu em 2008, numa parceria entre o Ministério da Saúde e o Ministério da Educação, com o propósito de fomentar a integração ensino-serviço-gestão-comunidade e oportunizar vivências para profissionais, estudantes, professores e usuários dos serviços, em consonância com as necessidades do SUS. A nona edição (2019-2021) do programa teve como tema a interprofissionalidade. Este relato objetiva compartilhar a aprendizagem interprofissional a partir da experiência de um Projeto Terapêutico Singular (PTS) para um caso complexo dentro das atividades do PET-Saúde de uma universidade da Região Centro-Oeste, realizado em uma unidade de saúde da família (USF), em Campo Grande, em Mato Grosso do Sul (MS). Relato de experiência: Participaram desta experiência acadêmicas de um grupo tutorial do PET-Saúde Interprofissionalidade, preceptoras, profissionais do Núcleo Ampliado de Saúde da Família e Atenção Primária (Nasf-AP), e tutora, docente de uma Faculdade de Medicina. O PTS foi desenvolvido com paciente idosa, com polifarmácia, com as seguintes condições crônicas: diabetes mellitus (DM), depressão (DEP) e hipertensão arterial sistêmica (HAS). A paciente foi acompanhada durante o período de agosto de 2019 a fevereiro de 2020, anterior à pandemia da Covid-19, em uma USF, em Campo Grande-MS, selecionada pela equipe em virtude da complexidade do caso. Discussão: Por meio do PTS, o grupo teve a oportunidade de avaliar, auxiliar e executar práticas para fortalecer o “projeto de felicidade” da paciente. O PTS permite a intersubjetividade entre equipe e paciente, centrando-se não apenas nas doenças, mas também no indivíduo. As visitas domiciliares realizadas proporcionaram momentos de escuta para a condução do cuidado em conformidade às necessidades sentidas e não sentidas pela usuária. Na prática do PTS, presta-se cuidado integral, focado no indivíduo, de modo a apresentar as potencialidades na educação permanente e no trabalho em equipe interprofissional, compartilhar saberes, aprimorar a sustentabilidade do cuidado e, consequentemente, qualificar a assistência em saúde, corroborando os resultados obtidos nesta experiência. Conclusão: A participação no programa permitiu vivências antes ausentes na graduação, como o contato com os diferentes cursos da saúde, a prática nos cenários reais do SUS e a aplicação dos conceitos vistos apenas na teoria, como o atendimento humanizado e olhar integral, além da comunicação com a equipe e paciente.

Projeto “Conte Comigo”: enfretamento da violência contra as mulheres nos jogos universitários

PID: S1981-52712022000100402 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2022
Autores: Pereira Sottomaior Batista Batista Rubim
Resumo: Introdução: A universidade é instrumento de mudança social capaz de levar à comunidade novos pensamentos e análises críticas. Com a expansão do movimento feminista no Brasil, a discussão a respeito das relações de gênero se expandiu, com reivindicações por relações simétricas, justapondo os espaços universitários a tais demandas. Nesse contexto, nos jogos universitários entre Faculdades de Medicina (Intermed), evidenciou-se a violência contra as mulheres, havendo necessidade de um núcleo capaz de prover proteção às estudantes e promover mudanças na condução de tais eventos. A partir dessa realidade, surgiu a ideia do projeto “Conte Comigo”. Relato de experiência: Na organização do “Intermed” de 2017, um grupo de mulheres se propôs a estruturar um ambiente em que as participantes conseguissem salvaguarda em um contexto opressor. Foi criada uma tenda de apoio na qual seriam acolhidas queixas de transgressões que ocorressem durante o evento. Para otimizar a abordagem de queixas específicas, promoveu-se capacitação na Delegacia Especial de Atendimento à Mulher para as voluntárias do projeto, além da elaboração de uma rede para atuar durante o evento com: escala de pronto atendimento na tenda; livro-ata para registro das queixas e dos adornos para identificação das voluntárias. Em 2018, as participantes do “Conte Comigo” ajudaram na redação do estatuto que rege a organização do “Intermed”, atribuindo punições a alguns tipos de violência. Além disso, nesse documento, foi formalizada a obrigatoriedade de um espaço físico para o projeto em todas as edições. Discussão: Em poucos anos, o “Conte Comigo” se estabeleceu como aparelho para a segurança e o bem-estar das participantes. Como a violência contra a mulher é um problema de saúde pública, essa medida inovadora se contrapôs a comportamentos machistas. Conclusão: Mesmo com a implementação do “Conte Comigo” podendo ser considerada um sucesso, múltiplas ações ainda são necessárias para tornar o ambiente universitário justo para todos os estudantes, o que depende de engajamento das voluntárias com capacitações frequentes, educação dos estudantes homens quanto à causa e coordenação das escolas médicas que têm o dever de prover o melhor ambiente possível a todos os estudantes.

Prática deliberada no ensino de histologia na graduação em Medicina: estudo prospectivo randomizado e controlado

PID: S1981-52712022000200211 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2022
Autores: Sant’Anna Albuquerque Baraúna Oliveira Filho
Resumo: Introdução: A histologia é relevante para o curso de Medicina porque muitas doenças estão relacionadas com defeitos em nível celular. No entanto, o aprendizado de histologia é considerado difícil devido às escalas molecular e microscópica. Na educação médica, algumas metodologias de ensino têm sido testadas, como a prática deliberada (PD). A PD é um tipo de treinamento que visa aumentar o desempenho por meio de repetição e sucessivos refinamentos. Objetivo: Este estudo teve como objetivo avaliar a influência da PD como intervenção de ensino de histologia. Método: Os estudantes de Medicina foram alocados aleatoriamente em dois grupos: PD e intervenção de atenção (jogos). As sessões de treinamento ocorreram semanalmente, em um período de 12 semanas. A habilidade treinada foi a localização de estruturas em lâminas histológicas por meio da técnica de microscopia óptica. Selecionaram-se estruturas consideradas de difícil aprendizado: célula de Sertoli, disco intercalar e mácula densa. A cada sessão, utilizaram-se dez lâminas do mesmo corte histológico (repetição), e o tempo disponível para localizar a estrutura foi decrescente até chegar ao valor da meta (aumento da dificuldade). Os estudantes receberam feedback imediato. As avaliações de desempenho foram realizadas por professores que desconheciam o grupo a que os estudantes haviam sido alocados. O tempo utilizado para a identificação da estrutura e os critérios referentes à técnica de microscopia foram avaliados na ocasião da medida. As percepções dos estudantes sobre a experiência educacional foram avaliadas em um questionário desenvolvido pelos investigadores. Resultado: Dos 71 estudantes, dois desistiram, resultando em 35 participantes do grupo PD e 34 do grupo jogos. Na tarefa de localização das estruturas em lâminas histológicas, o grupo PD obteve melhor desempenho (escore) (66,67) do que o grupo jogos (16,67) e, a respeito da técnica de microscopia, também apresentou um melhor desempenho (10,83) do que o grupo jogos (10,5) (p < 0,05). Dentre os participantes da PD, 94% afirmaram que gostaram de participar e 91% perceberam melhora no aprendizado. Conclusão: A PD pode ser considerada relevante para o ensino de histologia, pois teve efeito sobre o aprendizado tanto nas avaliações de desempenho quanto na percepção dos estudantes.
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