☰ Menu
Educ@

Busca por Índice

Filtro por título, resumo, autor, periódico e ano

Total: 41435 | Página 461 de 2072
0 resultados selecionados

Qualificação em Medicina de Família e Comunidade e orientação comunitária da Estratégia Saúde da Família

PID: S1981-52712022000100216 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2022
Autores: Corrêa Leite
Resumo: Introdução: A orientação comunitária apresenta, em estudos de avaliação dos atributos da atenção primária à saúde, baixa performance entre os usuários. Questiona-se, em especial, se a qualificação profissional em Medicina de Família e Comunidade (MFC) contribui para a otimização desse desempenho. Objetivo: Este estudo teve como objetivo verificar a associação entre qualificação profissional em MFC e o grau de orientação comunitária na perspectiva dos profissionais médicos atuantes na Estratégia Saúde da Família de Belo Horizonte. Método: Trata-se de estudo censitário que reuniu médicos de todas as regionais de Belo Horizonte. Variáveis sociodemográficas relativas à formação acadêmica e à situação ocupacional foram obtidas por meio de questionário. Utilizou-se o instrumento PCATool-Brasil para medir o desempenho do atributo. Resultado: A comparação entre desempenho do escore orientação comunitária e variáveis independentes foi feita pelo teste qui-quadrado, com correção de Fischer. O escore médio foi de 7,9 (DP ±1,2). Nenhuma variável independente foi associada com a orientação comunitária satisfatória. Houve correlação entre tempo de conclusão da residência médica em MFC e alto escore para orientação comunitária. Conclusão: A qualificação em MFC não determina, por si só, um alto grau de orientação comunitária. O maior tempo de formação em MFC na modalidade residência médica correlacionou-se com maior desempenho desse atributo derivado.

Racionalidades Médicas: avaliação de componente optativo na formação médica

PID: S1981-52712022000300217 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2022
Autores: Almeida Barbato Nascimento
Resumo: Introdução: A superação da crise mundial do paradigma biomédico tem promovido a inserção de medicinas tradicionais nos sistemas públicos de saúde de muitos países. O Brasil é vanguarda desse movimento e, a partir do lançamento da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares em 2006, insere oficialmente práticas na atenção à saúde ofertada pelo SUS. Entretanto, a baixa qualificação nessa área dos profissionais que atendem ao SUS tem dificultado a resolubilidade dos serviços. Um dos grandes desafios é a formação de profissionais sensíveis a práticas de saúde provenientes de outras culturas e com paradigma vitalista. A hipótese do estudo é que a inserção de conteúdo sócio-histórico-epistemológico de Racionalidades Médicas no período formativo pode introduzir uma efetiva articulação entre diferentes medicinas, saberes e práticas, promovendo integração do saber convencional com outras culturas em saúde. Objetivo: Este estudo teve como objetivo avaliar o interesse dos acadêmicos pelo tema, pouco reconhecido nos cursos de Medicina do Brasil, mas crescentemente valorizado e incorporado na educação médica de muitos países. Método: Trata-se de um estudo de abordagem mista. A análise qualitativa de delineamento exploratório-descritivo foi organizada mediante exploração dos dados coletados com perguntas abertas aplicadas aos acadêmicos no primeiro dia de aula e ao final do curso, com respostas manuscritas. A análise quantitativa de delineamento transversal foi feita por meio de informações coletadas em questionário fechado, aplicado no último dia de aula. Resultado: Considerando as questões apresentadas aos estudantes no início e ao final da oferta do componente, as expectativas foram superadas, sendo muito bem avaliado ao término. Os participantes do estudo demonstraram interesse em novos conhecimentos no período formativo. As análises permitem afirmar que inserir esse tema aguça a reflexão crítica sobre os paradigmas, mesmo sendo apresentado de forma vertical, pontual e de caráter informativo no contexto do curso estudado. Ficou demonstrado que, na percepção dos estudantes, há grande interesse na inclusão de disciplinas que abordem esse campo científico. Conclusão: Este estudo demonstra que, na realidade do curso pesquisado, há boas perspectivas de integração e complementaridade de novos saberes e práticas de saúde na formação médica.

Revisão integrativa de ferramentas inovadoras para ensino-aprendizagem em anatomia em curso de Medicina

PID: S1981-52712022000400304 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2022
Autores: Campos Pelizon Santos Carrocini
Resumo: Introdução: A educação médica está se adaptando às metodologias e técnicas de aprendizagem com o objetivo de facilitar e melhorar a compreensão dos discentes. Os modelos de metodologia ativa, que podem ser aplicados na forma de Problematização e Aprendizagem Baseada em Problemas, incentivam o pensamento crítico dos alunos, e o professor assume a função de mediador. Considerando os avanços tecnológicos e científicos, são necessárias atualizações nos recursos de ensino de anatomia, visando desenvolver uma aprendizagem mais flexível, criativa e interativa. Objetivo: Este estudo teve como objetivo apresentar ferramentas inovadoras no ensino-aprendizagem em anatomia no curso de Medicina. Método: Trata-se de revisão integrativa realizada por meio de levantamento bibliográfico, em que se adotaram as etapas metodológicas adequadas e se utilizaram as bases de dados PubMed, SciELO e Cochrane. Resultado: Dos 23 artigos selecionados, seis abordaram o uso de modelos tridimensionais; sete trataram de imagens radiológicas; cinco referiram-se à dissecação; seis versaram sobre simuladores, jogos e ambientes computadorizados; e dois ocuparam-se de outras metodologias, sendo que alguns artigos abordam mais de uma metodologia. Os modelos tridimensionais destacam-se por não demandarem investimentos em conservação e procedimentos legais para sua obtenção, como ocorre com os cadáveres. Métodos de diagnóstico por imagem utilizados nas aulas ajudam a compreender a sua importância no diagnóstico e tratamento dos pacientes. Outras duas metodologias encontradas foram o Audience Response System (ARS) e Competency Based Medical Education (CBME). Por fim, a dissecação possui como desvantagem o estado de conservação e escassez das peças, mas é considerada o modo ativo de aprendizagem que contribui para os melhores resultados. Conclusão: As metodologias ativas - das quais as mais prevalentes são os modelos tridimensionais, as imagens radiológicas, a dissecação e os ambientes computadorizados - podem ser vistas como uma alternativa para utilização no ensino da anatomia para o curso de Medicina e permitem que o aluno escolha a melhor técnica de aprendizagem.

Rodas de conversa remotas: ensino-aprendizagem e vivência da promoção da saúde na pandemia da Covid-19

PID: S1981-52712022000100406 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2022
Autores: Marquez Hernandes Rodrigues Raimondi Paulino
Resumo: Introdução: Com a pandemia da Covid-19, foi necessário adaptar o ensino da promoção da saúde para o ambiente on-line. Dessa forma, parte do componente curricular de Saúde Coletiva de uma universidade federal foi realizada em formato de rodas de conversa remotas. O objetivo deste artigo é relatar essa experiência de adaptação ao ambiente on-line, mantendo a coerência entre o aprendizado e a vivência da promoção da saúde durante a pandemia. Relato de experiência: A primeira unidade do componente curricular de Saúde Coletiva consistiu em quatro rodas de conversa sobre promoção da saúde, que foram realizadas em grupos de aproximadamente 15 estudantes. As sessões eram separadas em dois momentos: um assíncrono, de preparação individual, e um síncrono, de discussão em grupos. Assim, os alunos discutiram tópicos sobre a saúde mental e o estresse relacionado à pandemia, além de estratégias de autocuidado e de promoção da própria saúde. Ao final do encontro, cada grupo elaborava suas necessidades de aprendizagem para a próxima sessão. Discussão: As rodas de conversa são pautadas essencialmente no diálogo entre os participantes e permitem a criação de um espaço aberto de troca de narrativas. No caso da experiência relatada, as rodas de conversa foram organizadas de forma a ensinar não somente a promoção da saúde, mas também a promoção do autocuidado no contexto de pandemia. Observa-se, portanto, a coerência no processo de ensino e vivência da promoção da saúde, bem como a preocupação com o bem-estar dos alunos. As principais limitações da experiência foram as dificuldades de acesso às plataformas de ensino remoto e o controle da participação dos estudantes nas atividades, uma vez que foi dada aos alunos a liberdade de ligar ou não a câmera. Conclusão: A realização de rodas de conversa foi uma excelente alternativa para possibilitar a adaptação do componente curricular ao ambiente remoto. Por meio das sessões, os estudantes puderam compartilhar seus sentimentos em relação ao momento atípico vivenciado, além de aprenderem na prática acerca do funcionamento de grupos operativos.

Satisfação e autoconfiança de estudantes na simulação realística e a experiência de perpetuação do saber

PID: S1981-52712022000400211 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2022
Autores: Butafava Oliveira Quilici
Resumo: Introdução: O formato dos métodos educacionais renova-se frequentemente, lançando mão de diferentes ferramentas disponíveis, conforme as Diretrizes Curriculares Nacionais. Uma dessas ferramentas, a simulação realística (SR), é utilizada para criar proximidade entre o estudante e o dia a dia real em um ambiente monitorado, que propicia margem para erros, mas não com um paciente legítimo. Como mensurar o aprendizado significativo é um processo complexo, podem-se utilizar escalas de apoio. A partir desse desafio, perpetuar o saber entre estudantes de diferentes semestres utilizando a ferramenta da SR pode agregar conhecimento? Objetivo: Este estudo teve como objetivos explanar o uso da SR entre estudantes de Medicina; comparar os índices de satisfação e autoconfiança em relação à SR por meio de escala, especificamente em ressuscitação cardiopulmonar (RCP), antes e depois da intervenção de aprendizagem entre estudantes de diferentes semestres; e conhecer o processo da aprendizagem dos estudantes por meio do questionário pós-execução do ensino presencial. Método: Trata-se de estudo do tipo quase experimental com 86 estudantes de Medicina de instituição particular. A coleta de dados foi feita em três etapas, a saber: orientações do estudo, prática de cenário e perpetuação do saber a outros estudantes. Utilizaram-se como instrumentos dois questionários e uma escala de avaliação, e, para comparação, as frequências relativas e absolutas, o alfa de Cronbach e o teste não paramétrico de Mann-Whitney. Resultado: O alfa de Cronbach foi considerado alto, e o teste não paramétrico resultou em valores entre 3,81 e 4,91, indicando concordância na satisfação e autoconfiança na aprendizagem, com diferença significativa nas respostas: “Eu gostei do modo como meu professor ensinou através da simulação”, “Estou confiante de que domino o conteúdo da atividade de simulação que meu professor me apresentou” e “Eu sei como usar atividades de simulação para aprender habilidades”. Referente à perpetuação e fixação do aprendizado e à relevância disso na formação, todos os estudantes concordaram ainda que 6% ainda não se consideraram aptos para um atendimento de RCP. Conclusão: A proposta do estudo demonstrou-se eficaz no aprimoramento do aprendizado e perpetuação de saberes entre estudantes.

Sentidos e significados de profissionalismo médico para residentes de ginecologia e obstetrícia

PID: S1981-52712022000100221 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2022
Autores: Feitosa Catrib Brilhante Carneiro Brasil Peixoto
Resumo: Introdução: Profissionalismo é condição essencial para a atuação do médico. A especialidade de ginecologia e obstetrícia (GO) tem sido marcada por uma demanda crescente de processos disciplinares. Diante dessa realidade, o Colégio Americano de Ginecologia e Obstetrícia (ACOG) recomendou registrar comportamentos destrutivos ou hostis que afetem a segurança do paciente e a qualidade do cuidado, remediá-los e educar o corpo clínico de instituições sobre isso. Apesar da importância do profissionalismo para a formação dos futuros profissionais, a ausência de consenso sobre a definição e os modos de mensuração desse aspecto dificulta a implementação de ações direcionadas voltadas a esse fim. Objetivo: Este estudo teve como objetivo conhecer os sentidos e significados atribuídos pelos residentes de GO ao profissionalismo médico. Método: Realizou-se estudo exploratório, qualitativo, por meio de grupos focais, com 21 residentes de GO de Fortaleza, no Ceará, no Brasil. A análise de conteúdo na modalidade temática respaldou a análise dos dados, e a interpretação amparou-se no interacionismo simbólico. Resultado: Os sentidos e significados atribuídos pelos residentes ao profissionalismo expressaram-se em quatro temáticas: conjunto de condutas em benefício do paciente; relação médico-paciente e com a equipe de trabalho; conjunto de atributos profissionais; e exercício moral e ético da profissão. Conclusão: O profissionalismo é entendido como um conjunto de características que incluem a formação integral do médico, a partir de competências, conhecimentos científicos, valores, habilidades técnicas e raciocínio clínico, possibilitando o exercício da medicina com respeito, moral e ética.

Significados atribuídos pelos docentes às vivências envolvendo direitos humanos no ambiente acadêmico

PID: S1981-52712022000100222 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2022
Autores: Oliveira Fernandes Lima Falbo Caminha
Resumo: Introdução: Os direitos humanos (DH) são inerentes à condição humana, considerando todos os aspectos da vida: o direito à vida, à educação, à liberdade, à religião, à segurança e ao trabalho. Dessa forma, é importante incentivar a cultura dos DH nas instituições de ensino, na intenção de qualificar as dinâmicas interpessoais e o ambiente educacional. O desenvolvimento docente nesse aspecto torna-se fundamental. Objetivo: Este estudo teve como objetivo compreender os significados atribuídos pelos tutores às vivências envolvendo DH no ambiente acadêmico como primeiro passo para instituir o desenvolvimento docente nessa área. Método: Trata-se de um estudo qualitativo, realizado entre dezembro de 2019 e setembro de 2020, que envolveu tutores de uma faculdade do Nordeste do Brasil cuja metodologia de ensino é a Aprendizagem Baseada em Problemas. A coleta se deu por meio de grupos focais com seleção intencional. O roteiro para a discussão foi baseado no Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos, no Caderno de Educação em Direitos Humanos, na Declaração de Direitos Humanos e em artigos referentes ao tema. Utilizou-se a análise de conteúdo de Bardin. O projeto recebeu parecer favorável do Comitê de Ética em Pesquisa: CAAE nº 22696919.3.0000.5569. Resultado: As categorias analíticas estudadas foram: gênero e sexualidade, comunicação e liberdade de expressão, minorias sociais e estigmatização e autoestima do estudante. Durante o processo de reinterpretação das falas, identificaram-se as seguintes subcategorias empíricas: capacitismo, gordofobia, saúde mental, psicofobia e conflitos interpessoais. Os docentes revelaram conflitos envolvendo DH, a exemplo das seguintes situações: opressão de gênero; homofobia por parte de docentes e estudantes; falta de representatividade racial na faculdade; gordofobia no ambiente acadêmico; queda de rendimento de estudantes por problemas de saúde mental. Expressaram insegurança em intervir e dar feedback em tais situações, bem como certo desconhecimento relacionado aos DH. Conclusão: Os docentes relataram episódios que demonstram práticas de violação aos DH no ambiente acadêmico e se mostraram inseguros para intervir nessas situações, sobretudo quando geravam conflito entre os estudantes.

Simulações virtuais para educação em saúde: como são avaliadas as habilidades do usuário?

PID: S1981-52712022000400303 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2022
Autores: Andrade Machado Lopes Moraes
Resumo: Introdução: Um simulador virtual, ou baseado em realidade virtual, pode recriar computacionalmente contextos reais. Objetivo: Este estudo teve como objetivo analisar trabalhos sobre simulações virtuais para treinamento de procedimentos clínicos, com foco na avaliação de habilidades do usuário. Método: Trata-se de uma revisão integrativa da literatura realizada entre 2010 e 2020. Foram selecionados 56 estudos. Resultado: Observamos nos estudos selecionados que as variáveis e os parâmetros dos simuladores virtuais são geralmente obtidos por consulta a especialistas ou pela literatura médica. Esses simuladores se concentram principalmente no desenvolvimento de habilidades psicomotoras e na avaliação do desempenho do aluno por meio de alertas em tempo real, indicadores de progresso e relatórios de desempenho após o final de cada treinamento. Conclusão: Considerar o conhecimento do especialista para definir exclusivamente os requisitos dos simuladores virtuais pode limitar a confiabilidade e precisão destes. A participação de especialistas nesses projetos não obedece a padrões de seleção e periodicidade com que colaboram. Poucos simuladores fornecem feedback perspicaz e pertinente sobre o desempenho do usuário.

Sobre a morte e o morrer: percepções de acadêmicos de Medicina do Norte do Brasil

PID: S1981-52712022000200203 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2022
Autores: Meireles Amaral Souza Silva
Resumo: Introdução: A morte é um fenômeno universal que permanece fruto de intenso debate, e, embora ainda exista uma tendência de evitação sobre o tema, ela perdura como elemento importante no processo saúde-doença. Dessa forma, o luto e as percepções sobre a morte tornam-se mais complexas, sobretudo para os indivíduos despreparados para enfrentar o falecimento, recorrente nos âmbitos social e profissional da prática médica. Objetivo: Este estudo teve como objetivo avaliar a percepção de estudantes de Medicina da Universidade Federal do Amapá (Unifap) acerca da morte, do processo de morrer e do luto. Método: Trata-se de um estudo transversal, exploratório e descritivo com uso de método misto, qualitativo e quantitativo. A amostra foi composta por alunos da disciplina “Emoções no Processo Saúde/Doença/Morte” do curso de Medicina da Unifap, que responderam a um questionário sociodemográfico, de experiência com a morte e de percepções acerca do processo de morte e morrer. Para dados quantitativos, realizou-se estatística descritiva, e, para os qualitativos, adotou-se o método de análise de conteúdo de Bardin, de modo a formar agrupamentos semânticos e utilizá-los para comparar grupos. Utilizaram-se tagclouds para sumarizar respostas segundo importância e frequência. Resultado: Observou-se um entendimento da morte como processo natural em 55,6% da amostra, e, no que tange às estratégias de enfrentamento do luto, 7,4% afirmaram não apresentar estratégias, predominando a solução de problemas em 24,1%, seguida pela autoconfiança em 22,2% e pela acomodação em 20,4%, como estratégia usual. Ademais, 35,2% revelaram apresentar preparo acadêmico-profissional emocional para lidar com a situação de morte de um paciente, enquanto 51,9 e 50% revelaram diretamente despreparo acadêmico-profissional e emocional, respectivamente. Nesse sentido, as emoções tristeza, angústia e saudade foram as mais relacionadas à morte, ao processo de morrer e ao luto, considerando frequência de citação na percepção evocada pelos estudantes. Conclusão: Observou-se globalmente maior percepção de despreparo diante da morte. A análise do inconsciente evocado demonstrou emoções como tristeza e angústia associados à morte, ao morrer e ao luto. Dessa forma, faz-se elementar abordagens contínuas e frequentes, com associação prática, sobre o processo da morte longitudinalmente na graduação.

Spirituality and quality of life of physicians who work with the finitude of life

PID: S1981-52712022000100219 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2022
Autores: Plauto Cavalcanti Jordán Barbosa
Resumo: Introdução: Na área médica, ainda existem lacunas no que tange à concepção de morte e à finitude da vida, muitas vezes entendida como falha da medicina e não como parte integrante da existência. Nesse contexto, a visão da morte como um erro, um insucesso de um tratamento, gera ansiedade e cobrança por parte dos próprios médicos, podendo afetar sua saúde física, mental e espiritual. Objetivo: Este estudo teve como objetivo analisar a relação entre espiritualidade, práticas religiosas e qualidade de vida de profissionais médicos da área de oncologia e cuidados paliativos que convivem diariamente com a finitude da vida em hospital de referência do Nordeste brasileiro. Método: Trata-se de um estudo transversal, analítico e quantitativo com amostra intencional e por conveniência. A coleta de dados foi realizada por meio de um questionário sociodemográfico, e adotaram-se os seguintes instrumentos: World Health Organization Quality of Life-bref (WHOQOL-bref), Escala de Coping (Enfrentamento) Religioso-Espiritual Abreviada (CRE-Breve) e Spirituality Self Rating Scale (SSRS). A análise dos dados utilizou o Statistical Package for the Social Sciences (SPSS) 13.0 para Windows. O estudo foi aprovado pelo CEP do IMIP sob o Parecer nº 2.890.118. Resultado: Participaram do estudo 20 médicos oncologistas e paliativistas: a maioria sendo mulheres (55%), brancos (60%), católicos (80%) e casados (70%). A SSRS identificou um escore médio de 21,75. Na Escala CRE-Breve, o aspecto positivo ficou com pontuação de 2,64, o aspecto negativo em 1,47 e o aspecto total com 2,04. Houve associação positiva significativa entre os resultados da SSRS e CRE (p = 0,0). Quando se associou a WHOQOL-bref com a CRE-Breve, foi obtida relação direta com significância estatística do domínio psicológico com CRE total (p-valor: 0,01) e com o CRE negativo (p-valor: 0,03). Conclusão: O estudo apontou uma relação entre a espiritualidade e a qualidade de vida, assim como aspectos positivos da fé para o enfrentamento do estresse cotidiano, corroborando com a discussão da importância de incluir a espiritualidade como fator protetor na saúde.

Síndrome de Burnout: uma análise da saúde mental dos residentes médicos de um Hospital Escola

PID: S1981-52712022000100208 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2022
Autores: Costa Fasanella Schmitz Siqueira
Resumo: Introdução: A residência médica pode causar a síndrome de burnout, um estado físico, emocional e mental de exaustão extrema. Objetivo: Buscou-se com esta pesquisa descrever e analisar a prevalência de burnout em médicos residentes vinculados a um hospital-escola e verificar se há correlação com dados sociodemográficos e socioeconômicos. Método: Este é um estudo analítico, transversal e quantitativo realizado por meio do Maslach Burnout Inventory (MBI) versão Human Services Survey (HSS), do Critério de Classificação Econômica Brasil (CCEB) da Abep e de perguntas sociodemográficas. Resultado: Dos 221 residentes matriculados, 102 participaram da pesquisa. Destes, 76,47% apresentaram alto nível em pelo menos um dos três domínios do índice de burnout e 21,57% dos residentes exibiram alto nível de burnout. Houve relação significativa entre maior número de filhos e presença de exaustão emocional (p = 0,047), maior frequência de despersonalização para residentes da área cirúrgica (p = 0,013) e reduzida realização profissional com a renda média de R$ 2.965,69 e R$ 10.386,52 (p = 0,006). Não foi encontrada relação significativa entre burnout e as variáveis sociodemográficas e socioeconômicas. Conclusão: Os resultados evidenciam que os médicos residentes estão expostos a situações que contribuem para os altos níveis de estresse e angústia. Ainda são necessários mais estudos sobre o tema.

Síndrome do impostor e sua associação com depressão e burnout entre estudantes de medicina

PID: S1981-52712022000200208 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2022
Autores: Campos Camara Carneiro Kubrusly Peixoto Peixoto Junior
Resumo: Introdução: A síndrome do impostor (SI) é caracterizada como a incapacidade de internalizar o sucesso e a tendência de atribuir o sucesso a causas externas, como sorte, erro ou ignorância de outras pessoas. Apesar do recente aumento no número de publicações sobre SI, estudos sobre essa condição em estudantes de graduação em Medicina e o impacto sobre a saúde mental são escassos. Objetivo: Este estudo teve como objetivo avaliar a prevalência de SI e sua associação com a síndrome de burnout (SB) e depressão. Método: Foi realizado um estudo transversal, descritivo e quantitativo com alunos de graduação em Medicina de um centro universitário do Nordeste do Brasil. Utilizaram-se um questionário sociodemográfico, a Clance Impostor Phenomenon Scale (CIPS), a Maslach Burnout Inventory - Student Survey (MBI-SS) e o Patient Health Questionnaire-9 (PHQ-9). Resultado: Entre os 425 alunos avaliados, 47 (11,06%) apresentaram sintomas leves; 151 (35,53%), moderados; 163 (38,35%) graves; e 64 (15,06%), muito graves. Fatores como não ser casado, ter baixo nível de atividade física e não contribuir para a renda familiar foram associados a sintomas graves ou muito graves de SI (p < 0,001, p = 0,032 e p = 0,025, respectivamente). O diagnóstico médico prévio de depressão e ansiedade e o uso de antidepressivos também foram associados a sintomas graves ou muito graves de SI (p = 0,019, p = 0,006 e p = 0,011, respectivamente). Além disso, houve uma correlação positiva entre os escores da CIPS e do PHQ-9 (p = 0,459, p < 0,001), e uma associação entre SB (dimensões de exaustão emocional e descrença) e SI (p < 0,001). Conclusão: Este estudo identificou associação entre SI e SB e depressão em estudantes de graduação em Medicina. Outros estudos com intervenção na SI podem demonstrar um impacto positivo na saúde mental.

Tecnologias assistivas para deficiência visual e auditiva ofertadas aos estudantes de medicina no Brasil

PID: S1981-52712022000100223 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2022
Autores: Nascimento Torres Ribeiro
Resumo: Introdução: As tecnologias assistivas (TA) são produtos, equipamentos, dispositivos, recursos, metodologias e estratégias que podem ser usados na educação para promover o aprendizado com autonomia e o sucesso acadêmico de estudantes que têm algum tipo de deficiência. Objetivo: O objetivo foi analisar as TA disponibilizadas nos cursos de medicina no Brasil para apoiar os estudantes com diminuição de audição e/ou visão. Métodos: Este é um estudo descritivo que usou dados de cursos de graduação em medicina que participaram do Censo do Ensino Superior coordenado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), em 2018. As TA para estudantes com deficiência auditiva e/ou visual que eram disponibilizadas nos cursos de medicina foram avaliadas considerando as características da instituição, como a categoria administrativa (pública versus privada), a localização (capital versus interior) e o ano de abertura do curso (a partir do ano 2000 versus antes do ano 2000). Resultados: Em 2018, havia 323 cursos de medicina funcionando no Brasil. A maioria deles (90%) confirmou a oferta de pelo menos um tipo de TA. A disciplina de Língua Brasileira de Sinais foi a TA mais frequentemente ofertada (80%), e o material tátil foi a TA menos ofertada (32%). Houve maior completude de oferta de TA para estudantes de medicina nos cursos de administração privada quando se compararam aos públicos. A localização e o ano de abertura do curso não influenciaram a oferta de TA no Brasil. Os cursos apresentaram melhor completude de TA para apoiar estudantes com deficiência auditiva do que com deficiência visual. Conclusão: A maioria dos cursos de medicina oferta TA para os estudantes com deficiência visual e/ou auditiva, mas de modo incompleto. Apesar de a localização do curso e o tempo em que ele está em funcionamento não terem influenciado a oferta, o estudo revelou desigualdades. Estudantes de medicina com deficiência visual e/ou auditiva encontram TA sobretudo nos cursos de administração privada, adicionando mais barreiras às suas possibilidades financeiras, que já são suficientemente comprometidas pelo fato de terem que suprir as necessidades essenciais comuns às pessoas vivendo com deficiência.

Tempo utilizando computador como discriminador de obesidade, sedentarismo e fatores de risco cardiovascular em universitários

PID: S1981-52712022000100202 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2022
Autores: Guerra Brugnoli Melo Moriguchi Pattussi Costa
Resumo: Introdução: Os universitários apresentam maior risco de adotar o comportamento sedentário em virtude da própria rotina, a qual requer muito tempo dedicado às aulas e a utilização frequente do computador para os estudos. Essa situação tem se tornado preocupante porque o comportamento sedentário tem sido associado a desfechos adversos em saúde, como mortalidade e doenças crônicas não transmissíveis. Objetivo: Este estudo teve como objetivo analisar o tempo despendido com o uso do computador como discriminador da obesidade, do sedentarismo e de fatores de risco cardiovascular em universitários. Método: Trata-se de estudo transversal realizado com 2.275 acadêmicos de cursos da área da saúde de uma fundação pública do estado de Goiás. Os dados foram obtidos por meio da aplicação de um questionário composto por variáveis sociodemográficas, relativas ao curso e a aspectos comportamentais e de saúde. A variável de desfecho foi o tempo utilizando o computador (TC). Identificaram-se o poder discriminatório e os pontos de corte do TC para os desfechos de interesse por meio das curvas Receiver Operating Characteristic (ROC) com IC95%. Resultado: O tempo médio usando o computador para estudos, trabalho ou lazer foi de 3,90 horas/dia para mulheres e 3,82 horas/dia para homens. A área sob a curva ROC entre o TC e o sedentarismo foi de 0,54 (IC95% 0,51-0,58) para mulheres e 0,56 (IC95% 0,50-0,63) para homens. Já para a hipertensão arterial sistêmica (HAS), foi de 0,57 (IC95% 0,50-0,64) para mulheres. Os melhores pontos de corte relacionados a essas condições foram 3,5 e 4,5 horas, respectivamente. Conclusão: O TC apresentou boa capacidade preditiva para discriminar o sedentarismo e a HAS entre universitários. Sugere-se que a diminuição do TC e sua substituição por atividades ativas possam contribuir para a melhoria do perfil de saúde e a qualidade de vida dos acadêmicos.

Teste de Progresso e mudança curricular: trilhas do curso de Medicina da Universidade de Brasília

PID: S1981-52712022000500201 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2022
Autores: Torres Kessler Ferreira Moura Santos Baroneza
Resumo: Introdução: O Teste de Progresso (TP) é um instrumento de avaliação aplicado anualmente e coordenado pela Associação Brasileira de Educação Médica (Abem). A Faculdade de Medicina da Universidade de Brasília (UnB) participa do Teste de Progresso da Região Centro-Oeste (TP-CO) desde o ano de 2013 e utiliza os dados oriundos da avaliação para diagnóstico interno e discussões sobre a formação médica. Objetivo: Este estudo descreve os resultados obtidos pelos discentes no TP e analisa possíveis relações entre mudança do PPC e desempenho dos estudantes. Método: Trata-se de um estudo transversal analítico, realizado a partir dos resultados obtidos pelos discentes do curso em comparação ao universo das instituições do consórcio TP-CO entre 2013 e 2021. Nesse período, participaram do teste estudantes inseridos em duas matrizes curriculares: currículo antigo (CA) e currículo novo (CN). A fim de verificar a evolução da nota média da UnB em cada período em comparação à nota média do consórcio, foi aplicado o teste de proporção para as diferenças em cada par de notas da UnB e do consórcio, em cada ano da série histórica e período dos estudantes avaliados. Resultado: Entre 2013 e 2015, vigência do CA, não se observaram diferenças estatisticamente significativas nas médias entre os estudantes da UnB de todos os anos do curso comparados ao consórcio TP-CO. O mesmo comportamento foi verificado entre 2016 e 2018, período de transição composto por estudantes das matrizes CA e CN. Contudo, entre 2019 e 2021, vigência da nova matriz curricular, observaram-se diferenças estatisticamente significativas entre os estudantes da UnB e do consórcio. Conclusão: O TP possibilita um olhar sobre o desempenho da escola e a identificação de lacunas que geram reflexões na busca por uma educação médica de excelência. Com a experiência apresentada, foi possível identificar as trilhas percorridas pelo curso da UnB ao longo de sua participação no consórcio, considerando as mudanças curriculares.

Teste de Progresso para estudantes de Medicina: experiência de um consórcio na Região Nordeste do Brasil

PID: S1981-52712022000500404 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2022
Autores: Duque Chiesa Peixoto Araújo
Resumo: Introdução: A colaboração entre escolas médicas para a realização do Teste de Progresso (TP) vem sendo ampliada com o propósito de tornar-se um modelo de prática educacional. Relato de experiência: O núcleo de escolas médicas CIN1 foi instituído no ano de 2013, tendo na sua organização um coordenador-geral e coordenadores de cada escola participante. Realiza dois testes ao ano, variando o número de escolas participantes. O teste possui 120 questões distribuídas nas seis áreas (ciências básicas aplicada, saúde coletiva, pediatria, clínica médica, cirurgia/urgência e emergência, e ginecologia e obstetrícia) e tem seu blueprint baseado em matriz previamente validada. O teste é aplicado a todos os estudantes das escolas participantes, no mesmo dia e com duração de quatro horas. Aconteceu on-line em 2020 e 2021, por causa da pandemia da Covid-19. A pontuação total do estudante é calculada pelo número de questões corretas, sem a opção “não sei”, nem penalidades para incorretas. A análise é realizada por meio da teoria clássica do item. Os estudantes recebem a análise do desempenho comparativamente com a média obtida pelos discentes no mesmo ano e a progressão em relação ao teste anterior. As escolas recebem o desempenho dos respectivos estudantes, a análise da dificuldade e discriminação geral dos itens, e uma avaliação global do teste. Discussão: A implantação do CIN1 representou um grande avanço para as escolas envolvidas. A colaboração não se deu apenas sobre o teste, mas também para o desenvolvimento docente de forma conjunta. Impedimentos de regimento interno e custos podem justificar a variação na participação das escolas. Conclusão: A organização de um núcleo de escolas para o TP traz benefícios e muitos desafios. O aperfeiçoamento dos critérios de análises e feedback e a inclusão de estudantes na avaliação de questões são etapas a serem discutidas e implantadas. A utilização do ambiente virtual, de mais baixo custo, pode ser um facilitador para ampliar a participação das escolas.

Teste de Progresso: a percepção do discente de Medicina

PID: S1981-52712022000500206 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2022
Autores: Chinelato Martinez Azevedo
Resumo: Introdução: O Teste de Progresso (TP) como instrumento de avaliação na educação médica constitui-se em relevante subsídio para avaliar a eficiência do programa. Contudo, a percepção do aluno quanto ao seu desempenho e o impacto do TP na aprendizagem podem variar de acordo com contextos pessoais, educacionais, sociais e culturais. Objetivo: Esta pesquisa descritiva de abordagem qualitativa objetivou analisar a percepção dos estudantes do curso de graduação em Medicina de um centro universitário do noroeste paulista sobre o seu desempenho no TP, bem como o impacto dessa percepção em curto prazo sobre suas estratégias de estudo. Método: A amostra de conveniência foi constituída por 20 participantes após aprovação da pesquisa no Comitê de Ética em Pesquisa. Utilizou-se a técnica de grupos focais em dois momentos distintos para a coleta de dados: um grupo foi constituído por dez estudantes do quinto período, e o outro, por dez estudantes do oitavo período. A análise de dados fundamentou-se na análise de conteúdo temática descrita por Bardin et al. Resultado: Identificou-se que os estudantes entrevistados consideram: 1. as condições de realização do TP inadequadas; 2. o TP uma ferramenta pedagógica relevante que permite a autoavaliação e a correção das lacunas de aprendizagem, mas sugerem que seja aprimorado; 3. a participação no TP determinou sentimentos contraditórios para os estudantes, conforme o período que estão cursando. Conclusão: O TP é considerado pelos estudantes uma “ferramenta pedagógica” relevante. Entretanto, o impacto dos resultados de desempenho obtidos e o feedback recebidos não promoveram em curto prazo mudanças no plano de estudo dos estudantes entrevistados. A prática da autoavaliação ainda não se constitui cultura na vida acadêmica. É preciso considerar novas estratégias para a entrega do feedback formativo que permita a discussão das questões e dos resultados do curso/das turmas de forma reflexiva, de modo a potencializar o processo ensino-aprendizagem.

Teste de Progresso: ausência de alunos de Medicina é sugestiva de mau desempenho acadêmico

PID: S1981-52712022000400209 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2022
Autores: Pinheiro Kupek Oliveira Filho Reberti Souza
Resumo: Introdução: Não se sabe se a ausência de estudantes de Medicina ao Teste de Progresso (TP) se dá de forma aleatória ou por alguma característica sistemática deles, o que poderia influenciar a representatividade dos resultados obtidos pelos participantes. Objetivo: Este estudo teve como objetivos comparar os índices de desempenho acadêmico, no curso de Medicina da UFSC, dos alunos presentes e ausentes ao TP em 2019; propor uma maneira de estimar, a partir desses índices, quais seriam as notas dos faltantes se tivessem participado do TP; e identificar fatores associados à ausência ao TP. Método: Foram comparadas as médias dos índices de desempenho acadêmico, globais e nas diferentes fases (semestres) dos grupos de alunos presentes e ausentes ao TP, utilizando teste t de Student para amostras independentes. Por meio de uma técnica de regressão linear, foram imputadas as prováveis notas no TP ao grupo de alunos ausentes. Resultado: As médias globais dos três indicadores acadêmicos foram significativamente menores nos alunos ausentes ao TP (p variando de < 0,03 a < 0,0001); em dez das 11 fases (semestres) analisadas do curso, os indicadores acadêmicos dos faltosos foram piores do que dos presentes. A imputação de notas no TP aos ausentes permitiu verificar que existe correlação (R = 0,62) entre a porcentagem destes e a diferença de notas entre os grupos que realizaram e os que faltaram ao TP. Entre os alunos do gênero masculino, 25,8% não fizeram o TP, enquanto no gênero feminino foram 16,6% (diferença com p < 0,01). Conclusão: A ausência de alunos ao TP não se dá de forma aleatória. Entre os faltosos, há uma tendência sistemática de existirem alunos com piores índices de desempenho acadêmico. O uso de imputação múltipla de dados evidencia uma correlação entre a porcentagem de faltosos e a diferença na média da nota no TP, desse grupo, comparada à média da nota dos participantes. A proporção de homens que faltaram ao TP foi significativamente maior do que a de mulheres.

Tradução, adaptação transcultural para a língua portuguesa e validação do instrumento Undergraduate Clinical Education Environment Measure (Uceem)

PID: S1981-52712022000100201 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2022
Autores: Costa Boller Zagonel
Resumo: Introdução: O ambiente/clima educacional para o ensino clínico destinado a estudantes de Medicina e Enfermagem influencia a percepção deles sobre os aspectos significativos de satisfação no ambiente clínico de aprendizagem. Objetivo: Este estudo teve como objetivos adaptar transculturalmente com validade de face, conteúdo e constructo o instrumento Undergraduate Clinical Education Environment Measure (UCEEM) para o português do Brasil e validar a versão traduzida e adaptada com estudantes de Enfermagem e Medicina que vivenciam o ensino clínico durante a formação. Método: Trata-se de um estudo metodológico para tradução, adaptação e validação transcultural, processo dividido em seis fases propostas por Beaton. As etapas consistiram em tradução, síntese das traduções, retrotradução, revisão pelo comitê de experts, pré-teste e envio da versão final do instrumento adaptado à autora do instrumento. Participaram do processo cinco tradutores bilíngues (três para tradução e dois para retrotradução) e oito profissionais experts que atuam como docentes e possuem título de mestre e/ou doutor. A validação foi realizada em dois momentos. No primeiro, realizaram-se as equivalências semântica, idiomática, cultural e conceitual (pré-teste) com 30 estudantes de Enfermagem e Medicina vivenciando o ensino clínico. No segundo, efetuou-se a validação com avaliação das propriedades psicométricas de 161 estudantes desses mesmos cursos. Resultado: A adaptação transcultural foi realizada por oito profissionais experts da área, além contar com a análise e as considerações da pesquisadora e autora do instrumento original. O resultado dessa etapa conduziu à versão final do instrumento em português, que apresenta 26 itens divididos em duas dimensões e quatro subescalas, as quais foram mantidas conforme original. Após o preenchimento do instrumento por estudantes de Medicina e Enfermagem, a análise de Teoria de Resposta ao Item revelou confiabilidade, determinada pelo alfa de Cronbach, de 0,917. No teste de correlação de Spearman, os resultados apontaram a existência de correlação positiva entre as questões. Conclusão: A versão em português do instrumento UCEEM mostrou-se adequada e útil para avaliar a satisfação com o ambiente educacional no ensino clínico pela percepção dos estudantes de Medicina e Enfermagem.

Transtornos mentais e estratégias de enfrentamento entre estudantes de medicina durante a pandemia da covid-19 no Brasil

PID: S1981-52712022000300215 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2022
Autores: Mendes Dias
Resumo: Introdução: Os estudantes de Medicina são comumente considerados um público vulnerável ao surgimento de transtornos mentais. No contexto da pandemia da covid-19, evidências recentes sugerem que a saúde mental dos estudantes de Medicina pode ter sido afetada. Objetivo: Este estudo teve como objetivo investigar a prevalência de sintomas de depressão, ansiedade e estresse entre estudantes de Medicina, os fatores associados e a relação entre estratégias de enfrentamento (coping) e sintomas psicológicos durante o período de pandemia da covid-19. Método: Trata-se de um estudo transversal realizado com 141 estudantes de Medicina de uma faculdade pública de Medicina do Brasil. Avaliou-se a saúde mental dos estudantes por meio da Escala de Depressão, Ansiedade e Estresse (DASS-21), e adotou-se o inventário Brief Coping Orientation to Problem Experienced (Brief COPE) para analisar as estratégias de enfrentamento. Os dados foram coletados de 1º de dezembro de 2020 a 28 de fevereiro de 2021, por meio da plataforma Google Form. Realizaram-se análises descritivas, teste qui-quadrado, regressão multivariada de Poisson e correlação de Spearman. Resultado: Em relação à saúde mental dos estudantes, 78 (55,3%; IC95%: 47,1-63,3) foram categorizados com sintomas de depressão, 71 (50,4%, IC95%: 42,2-58,5) com sintomas de ansiedade e 86 (61%; IC95%: 52,8-68,7) com sintomas de estresse. Sobre os fatores associados, cor/raça teve associação com depressão e estresse; ano do curso, apenas com estresse; histórico de tratamento psicológico/psiquiátrico, com ansiedade e estresse; e autoavaliação de saúde mental, com depressão, ansiedade e estresse. Em relação às estratégias de enfrentamento, as estratégias focadas no problema não apresentaram correlações significativas com depressão, ansiedade e estresse. As estratégias focadas na emoção tiveram uma correlação negativa fraca apenas com a depressão. As estratégias de evitação tiveram uma correlação positiva moderada com depressão, ansiedade e estresse. Conclusão: De modo geral, nossos resultados mostram altas taxas de prevalência de depressão, ansiedade e estresse em estudantes de Medicina e uma relação significativa entre estratégias de enfrentamento e a presença de comprometimento psicológico durante a pandemia da covid-19.
Reportar erro A