PID: S0102-77352022000100207 |
Periódico: Revista Educação em Questão (0102-7735) |
Ano: 2022
Autores: Ghiggi Coutinho
Resumo O presente artigo tem como objetivo analisar as produções acadêmicas sobre migração e refúgio na Educação Infantil brasileira, publicadas entre 1988 e 2021. Como referencial teórico, nos valemos dos estudos sobre a atual migração brasileira e os estudos da Sociologia da Infância. Como percurso metodológico, realizamos a Revisão Sistemática de Literatura (RSL), na qual foram localizadas 32 produções que evidenciaram cinco temáticas recorrentes: as famílias e as crianças; a língua materna e de acolhida; os(as) profissionais de educação; instituições educacionais; e o direito à educação e as políticas educacionais. Como resultados, apontamos que nos últimos quatro anos (2018-2021) houve um crescimento de pesquisas envolvendo a Educação Infantil e o tema da migração e do refúgio, que evidenciaram situações de racismo e falta de políticas públicas que considerem a criança migrante e refugiada. O conjunto de achados indica a necessidade de mais pesquisas que pautem a Educação Infantil e as crianças de 0 a 5 anos, migrantes e refugiadas.
PID: S0102-77352022000300201 |
Periódico: Revista Educação em Questão (0102-7735) |
Ano: 2022
Autores: Barreto Silva
Resumo Este trabalho tem por objetivo discutir os fundamentos e a forma como foi institucionalizado, na escola brasileira, o costume da divisão dos gêneros baseada no sexo biológico e na divisão de papeis. Metodologicamente baseado na pesquisa bibliográfica e documental, evidencia-se distintos registros a partir de leis e decretos esparsos nos últimos 200 anos que explicam as tradições inventadas dentro da escola que impõem à mulher elementos de pertença a um gênero. Teoricamente parte-se do binômio costume-tradição de Hobsbawm (2018) para desvendar as temporalidades dessa tradição. Em termos conclusivos, aponta-se os elementos que se constituíram forças preponderantes para as tradições inventadas pela e dentro da escola e que desembocaram numa educação em que as mulheres devem ser moldadas e preparadas sob a égide da superioridade masculina.
Resumo: O modo como Platão articula seu discurso sobre as mulheres no Livro V da República gera uma espécie de contradição. Por um lado, elas recebem direitos e são libertadas do domínio masculino em 453a-457b, mas novamente são colocadas como propriedade masculina em 457d-466c. Essa ambiguidade deu origem a um debate profuso sobre se Platão realmente subscreveu a igualdade das mulheres ou se as considera propriedade dos homens. No presente artigo, tentarei mostrar essa ambiguidade do texto como um efeito retórico que revela o caráter patriarcal da linguagem que circunda a própria instituição do oîkos, além da pergunta sobre as intenções do autor.
Resumo: Este artigo tem como objetivo central apresentar uma análise da protagonista do romance Margarida La Rocque: a ilha dos demônios (1949), de Dinah Silveira de Queiroz (1991). Na obra, a personagem se mostra uma mulher que busca novos caminhos para si. A partir disso, é proposta uma leitura pela perspectiva da teoria e da crítica feminista e, visando mostrar como se dá a construção da identidade dessa personagem em desacordo com os estereótipos da mulher na literatura, foi utilizado igualmente o conceito de identidade narrativa, de Paul Ricoeur.
Resumo: No ensaio Racismo e sexismo na cultura brasileira, Lélia Gonzalez trabalha a tese de que o racismo é a sintomática da neurose cultural brasileira, ideia que remete à teoria psicanalítica, trazendo a necessidade de explicitar suas concepções de sintoma e de neurose. Neste artigo, contextualizo o argumento do ensaio de Gonzalez com relação à psicanálise e a outros aspectos de seu pensamento (especialmente o conceito de amefricanidade) e enfatizo o tema da mãe preta que, por ser inserido no ambiente teórico da psicanálise lacaniana, é aí tratado à luz do modo como esta trabalhou o complexo de Édipo, situando o Nome-do-pai como seu operador central.
Resumo: Ao indagar a complexa relação estética que se tece entre a poética do gótico e a poética do surrealismo, assegurada pelas experiências da crise do mito, do informe, e em consequência, do terror e do horror, neste artigo, proponho a leitura de alguns poemas que encenam essa difícil articulação. Paul Éluard, Julia Hartwig e Anne Sexton buscam, com efeito, os procedimentos aptos à encenação do doloroso desamparo subjetivo, que diz respeito, também, à questão dos limites do gênero. O regime da negatividade característico da poética gótica leva à recusa da busca por novos mitos e por novas imagens da criatividade feminina, típica do romantismo. Ao valorizar a representação do espaço, o gótico preparou o caminho da crítica, poética e feminista, dos discursos da psicanálise e da fenomenologia.
Resumo: O movimento feminista de estudantes de maio de 2018 invadiu as ruas e instituições de ensino do Chile. Un ano depois, surgiu o grande movimento social #ChileAcordou de 2019, que mobilizou milhões de pessoas nas ruas, exigindo uma nova constituição, e também o fim da sociedade patriarcal, denunciando a violência exercida pela polícia e pelos militares contra as mulheres. A partir disso, surge a questão sobre a subjetivação dessas jovens ativistas em relação ao feminismo, bem como sobre a politização do espaço íntimo. Esta pesquisa qualitativa foi realizada por meio de entrevistas com jovens ativistas. Os resultados mostram que a subjetivação política feminista de ativistas se desenvolve a partir de diferentes experiências, como participar de marchas, se apresentar em espaços públicos ou ações cotidianas, como questionar diferentes práticas pessoais, como a linguagem ou relações interpessoais.
Resumo: Este artigo investiga de que forma a colonialidade está presente em algumas narrativas desenvolvidas pelo cinema feminista latino-americano produzido entre os anos 1960 e 1970, a partir da análise de três filmes: Araya, de Margot Benacerraf (Venezuela, 1959), De cierta manera, de Sara Gómez (Cuba, 1974) e A propósito de la mujer, de Kitico Moreno (Costa Rica, 1975). Em diálogo com teóricas feministas e com a perspectiva decolonial latino-americana, nosso objetivo é compreender como os filmes, entendidos como atos de resistência, refletem sobre o colonialismo do passado e do presente, em especial através do pensamento de María Lugones (2008; 2019).
Resumo: Em janeiro de 2008, quando comecei o meu blog, “Escreva Lola Escreva”, não esperava que ele fosse um blog necessariamente feminista, mas pessoal. Afinal, tem até o meu nome no título. Porém, como eu me assumo feminista desde os oito anos de idade, praticamente tudo que escrevo carrega um viés feminista, inclusivo, em defesa dos direitos humanos. 14 anos depois, meu blog continua ativo, e é sempre gratificante ouvir uma leitora ou leitor dizer que passou a combater e superar seus próprios preconceitos por meio da leitura do meu blog. No entanto, nem tudo são flores. Há mais de 11 anos sou ameaçada e atacada por grupos organizados de misóginos e neonazistas, que apelidei de mascus (abreviação de masculinistas). Minha resistência e a dificuldade para fazer boletins de ocorrência inspiraram a criação da Lei Lola, que atribui à Polícia Federal a investigação de crimes misóginos na internet. Este é meu relato de experiência. Seguimos na resistência.
Resumo: O artigo investiga o conceito de violência e desigualdade de gênero em Canción de cuna para un anarquista (2003) de Jorge Díaz. A violência doméstica é percebida como um problema social, cuja dimensão se deve ao uso da violência cultural, legitimada pela sociedade repressiva. O estudo das categorias da personagem, da ação, do tempo e do espaço em Canción de cuna para un anarquista revela um alto grau de semantização, o que permite o surgimento dos temas como a dialética entre a vida e a morte, dentro/fora, antes/depois; a imagem da sociedade repressiva, a solidão individual ou compartilhada e o tema da reinvenção do passado. Todos eles guardam uma notável semelhança com a estética dramática de Luigi Pirandello.
Resumo: O Chile registrou grandes mudanças sociais no final do século XIX e começo do século XX. Neste contexto, as mulheres começaram a organizar-se no espaço público para melhorar sua condição de vida em diversas esferas. Este artigo faz uma análise da contribuição de Amanda Labarca à organização das primeiras instituições feministas chilenas (1910-1922), abordando, a partir da história cultural, para compreender as implicações que teve a organização das mulheres no progresso do país, o que se realizou a partir de fontes primárias e secundárias. O estudo evidencia o protagonismo de Labarca nos recentes movimentos feministas chilenos, que ganhou forma com a sua liderança na criação do Círculo de Lectura, em 1915. Posteriormente, teve uma participação ativa em diversos grupos de mulheres responsáveis pelo crescimento de organizações acadêmicas, culturais e políticas que se consolidaram entre 1930 e 1950.
Autores: Santaella Rodríguez de Pinedo Extremera Martínez-Heredia
Resumo: O objetivo deste estudo é analisar, em uma perspectiva crítica, a presença de mulheres idosas em séries televisivas espanholas veiculadas em 2019. A metodologia qualitativa e a análise documental são utilizadas como técnica de coleta e análise de dados. Os resultados mostram que a maioria das personagens analisadas são secundárias, voltadas para o desempenho de tarefas de cuidado, fundamentalmente vinculadas ao trabalho doméstico, que reproduz os papéis tradicionais de vítima, dona de casa, mulher objeto. Não foi encontrada representação significativa de mulheres idosas em séries de televisão, o que coincide com outros estudos que confirmam um papel escasso de mulheres idosas na ficção televisiva. Em conclusão, destaca-se a importância de promover a educação para a mídia para promover um relacionamento correto e ideal com a mídia.
Resumo: Solaris, de Tarkovsky, converte a ficção científica de Stanislaw Lem em um drama trágico: um problema da consciência, mas um dilema também da ação. Se há um anti-herói dramático, Kris Kelvin, há também uma heroína trágica, Hary, e ambos são formas antagônicas e complementares de uma mesma consciência. Alguns efeitos se desdobram de tal hipótese, na ordem sucessiva da experiência do estranho: o pavor, a sedução e a familiaridade na relação com o duplo. Mas há um grau superior no caráter fantástico dessa história: a autonomia da mulher duplicada, seu discurso e sua decisão no desfecho, atitudes a partir das quais é possível fazer uma interpretação feminista do filme. O discurso de Hary representa uma crítica da condição histórica e existencial da mulher, e Hary, em contrapartida, encarna o drama de uma subjetividade inautêntica, conforme o pensamento de Simone de Beauvoir.
Resumo: Explorar os padrões de comportamento socialmente construídos e baseados no gênero associados ao autossacrifício de mulheres jovens durante o câncer de mama. Estudo qualitativo descritivo realizado na cidade de Neiva, Departamento de Huíla (Colômbia), durante 2018. Participaram 15 mulheres diagnosticadas com câncer, de 45 anos de idade ou menos. As informações foram coletadas a partir de um grupo de discussão e dez entrevistas semiestruturadas. Os dados foram tratados por meio de análise temática. Surgiram três temas: “antes de tudo, cuidar dos filhos e da família”, “ocultar a dor física e emocional” e “não se converter em sobrecarga para a família”. Apesar da doença, a mulher deve continuar exercendo os papéis socialmente estabelecidos para o gênero feminino, priorizando as necessidades dos outros e fazendo-se cargo das suas.
Resumo: As mulheres permanecem historicamente sub-representadas em carreiras predominantemente masculinas (Ciências, Tecnologia, Engenharias e Matemática), desde a formação até a inserção no mercado de trabalho. Nestas carreiras, elas são submetidas a mecanismos de exclusão que dificultam o enfrentamento das barreiras encontradas. O presente artigo teve como objetivo analisar, por meio de um estudo qualitativo com 15 mulheres, as barreiras e as estratégias de enfrentamento utilizadas por estudantes e profissionais femininas em carreiras predominantemente masculinas. Os resultados demonstram que as barreiras são mais percebidas do que as estratégias, em especial as relativas a assédio, discriminação de gênero e cobranças excessivas. Conclui-se serem necessárias ações de intervenção que ofereçam estratégias de permanência para mulheres em carreiras nas quais permanecem minoria.
Resumo: Para Freud, a mulher é fortemente influenciada pelo complexo de Édipo negativo, sendo destinada a viver a condição passiva da sexualidade, assim, ele não só não encoraja a autonomia feminina, como descreve a feminilidade tendo por base o modelo masculino. Destarte, a crítica de Beauvoir à psicanálise parte da ideia de que a possibilidade de algo como um destino feminino não existe. A filósofa afirma que a condição de imanência à qual as mulheres se encontram em nossa sociedade, está pautada na socialização à qual são submetidas, privando-as da transcendência. Partindo da leitura da obra de Beauvoir, buscamos compreender melhor a situação das mulheres considerando seus contextos históricos, a fim de reivindicar suas possibilidades ontológicas da liberdade, problematizando o lugar que lhes é imposto pela cultura e reforçado pela supervalorização masculina da psicanálise freudiana.
Resumo: Alcançar uma sociedade mais justa e equilitária depende, em grande parte, da educação que meninas e meninos recebem. É por esse motivo que este trabalho analisa, a partir de uma metodologia crítica-comparativa, as biografias ficcionalizadas de mulheres publicadas nos últimos anos no Brasil e na Galiza (Espanha), voltadas preferencialmente a crianças e jovens. Defende-se que esses títulos são instrumentos adequados para promover uma visão mais igualitária da relevância que mulheres e homens tiveram ao longo da história, sendo obras de qualidade literária e estética que devem ser conhecidas e utilizadas por professores e mediadores entre o livro e a leitura, para que meninas e meninos possam acessar referências femininas que foram silenciadas pelo patriarcado.
Resumo: Em A coisa à volta do teu Pescoço, a escritora nigeriana Chimamanda Adichie dá vida e voz a personagens femininas várias que, numa amostra por conveniência, cingiremos às presentes nas histórias “Cela Um” e “A Historiadora Obstinada”. As questões de género, noutro canto de África, são tratadas por Mia Couto, um feminista convicto. É na senda de um novo rumo para a garantia dos direitos das mulheres, que analisaremos a representatividade feminina em contos selecionados de Estórias Abensonhadas, como na “Esteira do Parto”, “O Perfume”, “Os infelizes cálculos da felicidade”, “Joãotónio, no enquanto” e “Os olhos fechados do diabo do advogado”. Tendo como pano de fundo estes autores, procuraremos analisar 1. as formas como a mulher é representada nas narrativas em estudo e 2. quão mais (in)felizes as personagens femininas se tornam quando não sentem o peso das expectativas de género.
Resumo: O presente estudo se baseia nas experiências de seis cientistas feministas como forma de questionar os sistemas de poder na ciência. O estudo começa evidenciando o posicionamento social e histórico dos sistemas científicos e de gênero, do mesmo modo que demonstra a construção mútua de ambos processos. Seguidamente descreve e situa algumas experiências e discursos coletados por meio de entrevistas com as cientistas feministas. O poder é tido como uma força construtiva, o que incentiva o enfoque de discursos e práticas que confrontem e alterem as normas regulatórias atuais de sistemas científicos. Por esta razão, seis cientistas feministas são ouvidas como testemunhas expertas na intervenção feminista na ciência.
Resumo: A partir dos anos 1960, mulheres latino-americanas começaram, individualmente ou dentro de coletivos, a dirigir filmes que podem ser considerados feministas. Até então, a maior parte da bibliografia sobre cinema feminista pioneiro na América Latina tendeu a se concentrar em países e/ou em realizadoras. No entanto, é igualmente importante olharmos para tal filmografia a partir de uma perspectiva subcontinental e que também dê destaque aos coletivos. Por isso, apresentamos, neste texto, um panorama (parcial) do cinema feminista latino-americano entre as décadas de 1960 e 1980, composto por obras dos coletivos Cine Mujer do México, Cine Mujer da Colômbia e Grupo Feminista Miércoles, e das cineastas Helena Solberg, Kitico Moreno, María Luisa Bemberg e Sara Gómez.