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MOÇAMBIQUE E SUAS COMPLEXIDADES EDUCACIONAIS: TENSÕES E RESISTÊNCIAS NOS PROCESSOS DE EDUCAÇÃO

PID: S2178-26792022000100301 | Periódico: Revista Práxis Educacional (2178-2679) | Ano: 2022
Autores: Juliasse
Resumo: Este artigo problematiza as discussões sobre tensões e resistências nos processos de educação moçambicana, buscando compreender como tais processos se fazem presentes nos múltiplos espaços e tempos históricos, tendo em conta as complexidades que caracterizam o país. A expressão espaçotempo é usada neste trabalho para compreender que não podemos separar essas dimensões ao tentar entender o cotidiano, tratando espaço tempo de forma não dicotomizada. Em termos metodológicos, adotou-se o materialismo histórico, de origem marxista. Para tal, elencou-se como categorias do método e de análise: contradição, hegemonia e ideologia. Nos procedimentos metodológicos, recorreu-se em primeiro lugar, a pesquisa bibliográfica, investigando as ideias de diversos autores e pesquisadores que abordam o assunto, e em segundo lugar, a pesquisa de campo, em que se realizou a coleta de dados através de entrevista-semiestruturada. Por último, fez-se uma síntese das ideias dos autores e dos sujeitos da pesquisa, acrescentando outras ideias, articuladas com os objetivos e as questões da pesquisa. Trata-se de uma pesquisa qualitativa da história oral, pautada nas possibilidades de produzir conhecimento sobre como os sujeitos em múltiplos espaçostempos se tornam/aram leitores e escritores. Constituiu-se como fontes orais, as memórias de 15 narradores, mediados por vestígios do passado e por desejos do futuro, que ressignificam a história da educação em Moçambique. Os resultados da pesquisa despontam a re-existência de diferentes contextos em que ocorrem as práticas pedagógico-educativas e a forma como os sujeitos os percebem e estabelecem suas relações.

MUDANÇAS, CONTINUIDADES E AS VICISSITUDES DO ENSINO DE HISTÓRIA EM PORTUGAL NO SÉCULO XXI

PID: S2178-26792022000100305 | Periódico: Revista Práxis Educacional (2178-2679) | Ano: 2022
Autores: Lagarto Pinto
RESUMO: A Lei de Bases do Sistema Educativo - Lei n.º 46/86 de 14 de outubro [Diário da República n.º 237/1986, Série I de 1986-10-14] foi um marco fundamental no desenvolvimento do sistema educativo em Portugal. No entanto, só viria a conhecer resultados concretos com a elaboração dos currículos dos ensinos básico e secundários e a produção de um documento orientador para uma reorganização curricular viabilizada a partir de 2001, com a promulgação dos Decretos-Lei n.º 6/2001 e n.º 7/2001, de 18 de janeiro. Uma década depois, em 2012, alterações da política educativa provocadas pela mudança de governo introduziram mudanças curriculares no ensino básico e no ensino secundário, através da promulgação das Metas Curriculares, reforçando o peso dos conteúdos e da sua avaliação. Mais recentemente, as mudanças políticas levaram a uma nova reorientação da política educativa, surgindo o Perfil dos Alunos à saída da escolaridade obrigatória (2017), as Aprendizagens Essenciais (2018) e, inclusive, a introdução de uma nova disciplina - embora de carácter opcional - no último ano do ensino secundário: História, Culturas e Democracia (2019). Essas mudanças também afetaram, como seria de esperar, o ensino de História, que conheceu um processo com oscilações, mas também algumas mudanças interessantes relacionadas com o desenvolvimento da linha de investigação em Educação Histórica que, desde a sua implementação em Portugal, na viragem do século XX, procurou uma articulação sustentada entre a teoria e a prática no processo de ensino e aprendizagem dos alunos portugueses de vários níveis de ensino.

O DESABROCHAR DA FLOR DA CARIDADE E A FORMAÇÃO DE MULHERES NO ORFANATO ANTÔNIO LEMOS

PID: S2178-26792022000100307 | Periódico: Revista Práxis Educacional (2178-2679) | Ano: 2022
Autores: França Pimenta
RESUMO: O presente artigo analisa as práticas educativas que fizeram parte da formação de mulheres no Orfanato Antônio Lemos, no período de 1893 a 1940. Trata-se de uma pesquisa documental, na qual utilizamos a perspectiva da análise histórica, cujas fontes elencadas foram relatórios da Intendência Municipal de Belém, mensagens de governo do Pará e matérias dos jornais A Província do Pará e Folha do Norte. O Orfanato Antônio Lemos teve suas origens no Orphelinato Paraense, criado em Belém, capital do Pará, no ano de 1893, com o objetivo de amparar e educar meninas órfãs. Ao longo dos anos, a instituição passou por várias transformações e tornou-se modelo na educação e amparo de meninas órfãs. Em 1903, por iniciativa do intendente de Belém, Antônio José de Lemos, deu-se início a construção de um novo prédio para a instituição na Vila de Santa Isabel, denominado Orfanato Antônio Lemos. As práticas educativas desenvolvidas nessa instituição sustentavam-se no ideário de civilidade e de princípios religiosos da Igreja Católica, as quais buscavam formar mulheres imaculadas, não apenas capazes de governar o lar, cuidar dos filhos e do marido, como também de terem um ofício e formarem-se professoras normalistas rurais.

O ENSINO DE HISTÓRIA NO CONTEXTO DA DITADURA CIVIL-MILITAR: NARRATIVAS DOS PROFESSORES EM VITÓRIA DA CONQUISTA-BAHIA (1964-1985)

PID: S2178-26792022000100308 | Periódico: Revista Práxis Educacional (2178-2679) | Ano: 2022
Autores: Silva Pina
RESUMO: O presente artigo resulta de uma pesquisa de mestrado que buscou investigar o ensino de História na rede pública de Vitória da Conquista, Bahia, no período da Ditadura Civil-militar no Brasil, e teve como principal fonte as memórias de professores. O objetivo é compreender como se deu o ensino de História na educação básica, na rede pública de Vitória da Conquista - BA, durante o período ditatorial no Brasil, com base nas memórias de professores. A referida pesquisa se insere no âmbito da História da Educação e do ensino de História, e nas reflexões sobre currículo. As narrativas dos professores foram analisadas visando compreender as relações estabelecidas entre a disciplina ensinada e o contexto de repressão, além de considerar o modo como a memória desse período foi reconstruída pelos professores entrevistados e os significados que atribuíram a essas lembranças. No percurso metodológico lançamos mão da História Oral, como ferramenta de coleta de dados, além da análise documental, como possibilidades para a discussão em torno do currículo da época, da formação docente e da história do ensino de História. A análise das narrativas demonstrou a presença de contradições nas posturas de alguns professores. Ao mesmo tempo que teciam críticas ao livro didático, ao Regime imposto, aos conteúdos doutrinários da história oficial,” por outro lado, reforçavam a necessidade de valores cultivados naquele período, como condutas comportamentais e cívicas.

O PROCESSO DE ESCOLARIZAÇÃO PRIMÁRIA NO MUNICÍPIO DE MANDAGUARI-PR (1940 - 1980)

PID: S2178-26792022000100310 | Periódico: Revista Práxis Educacional (2178-2679) | Ano: 2022
Autores: Machado Huss
RESUMO: A escolarização primária é tema deste artigo que tem como objetivo a reconstituição histórica dos processos de institucionalização e expansão das escolas de ensino primário nas áreas urbana e rural do município de Mandaguari-PR, tomando como recorte temporal as décadas de 1940 e 1980. O artigo está inserido na linha de pesquisa História e Historiografia da Educação sendo organizado a partir de fontes documentais e iconográficas caracterizadas pelas leis e decretos que autorizaram o funcionamento das instituições escolares. O artigo indaga como ocorreu o processo de institucionalização e expansão das escolas de ensino primário no município de Mandaguari-PR. A educação urbana pode ser dimensionada em dois períodos: da escola Isolada Lovat (1937) ao Grupo Escolar Mandaguari (1946), da criação do Ginásio Estadual de Mandaguari ao Complexo Escolar Professora Hilda de Oliveira (1973 a 1988). A educação rural (1950 a 1980) compreendia cerca de 38 escolas isoladas, localizadas na zona rural do município e que eram, normalmente, construídas em madeira, contavam com estruturas precárias, poucos recursos e apenas um professor responsável pela escola. A reconstituição da escolarização primária, nas áreas urbana e rural, permitiu a compreensão do processo de colonização norte-paranaense e sua relação com a história do município de Mandaguari, revelando o movimento da história dos homens e da educação naquele período histórico.

O REFORMISMO CAPITALISTA E OS CONTRASSENSOS ENTRE O MOVIMENTO ESCOLA NOVA E A EDUCAÇÃO SOCIALISTA

PID: S2178-26792022000100118 | Periódico: Revista Práxis Educacional (2178-2679) | Ano: 2022
Autores: Silva Gomes
RESUMO: A educação em face da vida em sociedade modificada pela industrialização do século XX e as implicações decorrentes da ordem social capitalista, nos ideais de trabalho e formação humana, induziram reformas no sistema educacional que perduram, ainda, no século XXI, assentadas, por um lado, na tradição do Movimento Escola Nova e, por outro, na tradição socialista. E, nesse campo de força, as reformas continuam situadas, impondo obstáculos à emancipação humana, à transformação social e à soberania popular. Nessa perspectiva, este artigo examina essa problemática tomando como base duas obras fundamentais: Introdução ao Estudo da Escola Nova, de Lourenço Filho, do século XX e Educação para Além do Capital, de István Mészáros, do século XXI. A primeira referência postula uma revisão crítica do sistema de ensino, por meio de influência de determinações do industrialismo da época; e a segunda, se caracteriza por postular uma ruptura com o tipo de educação forjada dentro da ordem social capitalista e suas determinações reprodutivas. Questiona-se a lógica da dependência, da hierarquização e da verticalização das relações de trabalho do mundo industrial transposta ao campo da educação por meio de arranjos centrados nos acordos da V Conferência Mundial da Escola Nova de 1929. Essa lógica resultou na negação dos modos elementares da vida cotidiana brasileira e, além disso, numa educação adaptada aos ditames do mercantilismo, de uma ética utilitarista e ao estado de coisificação do homem, fragilizado pela subordinação estatal frente ao sistema de produção capitalista e a tirania do autoritarismo político.

O TRABALHO DE PROJETO NA PRÁTICA DE ENSINO DE FUTUROS PROFESSORES DO ENSINO BÁSICO EM PORTUGAL

PID: S2178-26792022000100107 | Periódico: Revista Práxis Educacional (2178-2679) | Ano: 2022
Autores: Correia Tempera da Fonseca Tinoca
RESUMO: A prática de ensino supervisionada do futuro professor é um período determinante para o desenvolvimento das suas práticas educativas e competências profissionais. Apesar de valorizarem a sua natureza ativa e interdisciplinar, muitos professores têm demonstrado dificuldades em implementar o Trabalho de Projeto nas suas práticas. Este estudo visa conhecer a forma como os futuros professores do 1.º Ciclo do Ensino Básico, em Portugal, integram o Trabalho de Projeto nos seus estágios de prática pedagógica. Os dados foram recolhidos através de entrevistas em grupo focal a dois grupos de estudantes de instituições diferentes, mas com modelos de formação semelhantes. Os resultados demonstram que os futuros professores valorizam e procuram contemplar o Trabalho de Projeto nas suas práticas educativas, atravessando algumas dificuldades na implementação desta metodologia, que poderiam ser atenuadas através de uma maior concertação entre a instituição formadora e as escolas de estágio, de modo a minimizar o hiato existente entre os modelos pedagógicos abordados na formação e as realidades educativas encontradas.

OS SABERES PROFISSIONAIS DOS PEDAGOGOS E AS TECNOLOGIAS DIGITAIS NA UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE

PID: S2178-26792022000100112 | Periódico: Revista Práxis Educacional (2178-2679) | Ano: 2022
Autores: Vasconcelos Ferrete Santos
RESUMO: Este artigo tem por objetivo problematizar a construção dos saberes profissionais sobre as Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação (TDIC) no curso de Pedagogia da Universidade Federal de Sergipe. A partir de Tardif (2019) e compreendendo que o digital está inserido em todos os espaços da sociedade e, consequentemente na educação, investigar o itinerário formativo sobre TDIC dos docentes, discentes e dos egressos do curso torna-se essencial. Com isso, por meio de uma pesquisa qualitativa com viés exploratório, chega-se à consideração de que a apropriação das TDIC, intrínsecas à formação profissional do Pedagogo (universitária), não podem desprezar os saberes vivenciais ou experienciais, tendo em vista que a construção e mobilização dos saberes ocorrem no diálogo entre o Conhecimento Universitário, os Saberes Profissionais e os Saberes Docentes. Também foi possível perceber a emergente necessidade de políticas públicas para a integração das TDIC nos espaços formativos, para que os docentes e discentes possam diversificar as estratégias de ensino e aprendizagem.

PERFIL DOS ESTUDANTES PÚBLICO-ALVO DA EDUCAÇÃO ESPECIAL NA EDUCAÇÃO SUPERIOR BRASILEIRA ANTES DA LEI DE RESERVA DE VAGAS

PID: S2178-26792022000100101 | Periódico: Revista Práxis Educacional (2178-2679) | Ano: 2022
Autores: Rocha Lacerda Lizzi
RESUMO O objetivo principal da presente pesquisa é mapear e analisar aspectos relativos aos estudantes público-alvo da Educação Especial (PAEE), sobretudo traçando um perfil destes no ano de 2015. Os estudantes PAEE na Educação Superior brasileira representavam, em 2015, 0,47% em comparação as matrículas no geral nos cursos de graduação (INEP, 2015). A pesquisa foi quantitativa, com método descritivo e exploratório. A lei de reserva de vagas alterada em 2016 (Lei nº 13.409) para contemplar as pessoas com deficiência passa a ter um papel fundamental na democratização do ingresso desses estudantes na Educação Superior. Por meio da análise dos dados, foi possível descrever o PAEE na Educação Superior brasileira, entender quantos e quem são, sobretudo no tocante a raça/cor e idade. Com os dados obtidos na análise realizada, foi possível identificar gargalos e propor a construção de políticas públicas mais efetivas e direcionadas a esse público, por vezes alijado da educação.

PRESCRIÇÕES COLONIZADORAS E SOBREVOOS POSSÍVEIS SOBRE O CURRÍCULO DE HISTÓRIA

PID: S2178-26792022000100110 | Periódico: Revista Práxis Educacional (2178-2679) | Ano: 2022
Autores: Silva Lucini
RESUMO: O presente artigo objetiva apresentar reflexões no âmbito do Ensino de História em diálogo com cenários vivenciados no exercício da docência, na disciplina de História, em uma escola pública do estado de São Paulo, no contexto da pandemia provocada pelo SARS-CoV-2, na modalidade do ensino remoto. Para tanto, nos ancoramos em relatos coletados durante as aulas ministradas e estudos bibliográficos, no campo dos estudos de currículo e do ensino de História. Esta prática docente possibilitou problematizações entre o conteúdo ofertado em consonância com as diretrizes oficiais e seus desdobramentos entre os estudantes. Diante da relação entre o currículo oficial e os estudantes surgiu a questão central deste trabalho: discutir o lugar do Outro e da Diferença no currículo paulista durante a pandemia. Ao final, tais implicações nos direcionam a pensar que uma educação problematizadora produz alterações tanto na práxis docente, quanto no perfil dos estudantes, refletindo em uma sociedade democrática.

SISTEMA DE AVALIAÇÃO DE PERIÓDICOS NO BRASIL: IMPACTOS DA EVOLUÇÃO DOS CRITÉRIOS DO QUALIS-PERIÓDICOS DA ÁREA DE EDUCAÇÃO

PID: S2178-26792022000100100 | Periódico: Revista Práxis Educacional (2178-2679) | Ano: 2022
Autores: Sene Bizelli
RESUMO: O artigo analisa a produção do Qualis-Periódicos da área de Educação, no período de 2010 a 2018 - triênio 2010 a 2012; quadriênio 2013 a 2016 e avaliação de meio termo sobre os anos 2017 e 2018. O instrumento serve para avaliar a produção de docentes do Sistema de Pós-graduação no Brasil, embora seja frequentemente utilizado para outros fins. É possível determinar dois tipos de mudança nos critérios de avaliação: uma incremental, entre o triênio e o quadriênio; outra de ruptura, quando em 2019, na avaliação de meio termo, introduz-se um novo fator para medir impacto ou citação. As análises da pesquisa estão fixadas sobre fontes documentais: os próprios Qualis e os documentos orientadores e avaliativos da Área da Educação. Os dados demonstram um aumento considerável na estratificação dos periódicos ocasionada pela objetivação dos critérios, nos primeiros períodos, e uma ruptura no último; uma diminuição drástica do universo de avaliação com a introdução do princípio de área mãe; e uma incerteza quanto à avaliação que virá em 2021.

SISTEMA DE AVALIAÇÃO EDUCACIONAL DE ALAGOAS - SAVEAL: PARA OU CONTRA A DEMOCRATIZAÇÃO DA/NA EDUCAÇÃO BÁSICA?

PID: S2178-26792022000100109 | Periódico: Revista Práxis Educacional (2178-2679) | Ano: 2022
Autores: Lima Luce
RESUMO: A partir de pesquisa sobre o Sistema de Avaliação Educacional de Alagoas - Saveal, de 2001 até o ano de 2021, neste artigo focamos sua implementação no governo de José Renan Calheiros Filho (2015-2021). Tomamos como pressuposto que a avaliação externa e em larga escala é relevante quando fornece informações à gestão dos sistemas e instituições escolares, auxiliando dirigentes políticos e profissionais do magistério na tomada de decisões para o desenvolvimento educacional e a mitigação dos problemas identificados. A descrição e análise do Saveal, neste estudo, considera-o como movimento de política pública integrado à gestão educacional (BROOKE e CUNHA, 2011; SOUSA e OLIVEIRA, 2010) e suas implicações para a democratização da educação básica alagoana (MEDEIROS e LUCE, 2006; DIAS SOBRINHO, 2010). A análise do Saveal está situada na conjuntura histórica e sociopolítica e na sua materialização/implementação pela aplicação de testes de rendimento aos alunos. Contudo, neste estudo observamos, mormente, o modelo de gestão político-educacional utilizado no estado de Alagoas, mais particularmente no âmbito da Secretaria de Estado da Educação. Em metodologia qualitativa, de análise bibliográfica e documental, investigamos processos e resultados das avaliações externas em larga escala no estado de Alagoas. Notamos crescente meritocracia e privatização na gestão político-educacional, em detrimento da democratização da/na educação pública.

UMA ANÁLISE DOS CURRÍCULOS PORTUGUÊS E BRASILEIRO SOB O OLHAR DA EDUCAÇÃO HISTÓRICA

PID: S2178-26792022000100303 | Periódico: Revista Práxis Educacional (2178-2679) | Ano: 2022
Autores: Thomson Gago Cainelli
RESUMO: Este artigo tem como objetivo analisar dois documentos curriculares ligados ao ensino de História, as Aprendizagens Essenciais (AE) aprovadas em 2018 em Portugal e as Habilidades da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) aprovadas em 2017, no Brasil. Realizaremos uma análise qualitativa, utilizando a estratégia metodológica da análise documental. Em um primeiro momento, faremos uma breve contextualização de ambos documentos, verificando em quais contextos históricos eles foram aprovados e como são explicitadas as concepções de aprendizagem histórica em ambas propostas. Nossa análise insere-se no campo da Educação histórica, que em Portugal e no Brasil tem se constituído como uma proposta de ensino de história que articula teoria e prática na perspectiva da epistemologia da história e que tem se colocado como um campo de estudo para um ensino de história comprometido com o pluralismo democrático. Nesse sentido, a análise terá como foco a identificação de elementos-chave do campo da Educação histórica nesses documentos curriculares, como a abordagem de conceitos meta-históricos, de conceitos substantivos e a questão dos temas controversos. Também estabelecemos um recorte de análise nos currículos do 9º ano em ambos países sobre as abordagens dos pressupostos da aprendizagem histórica apresentada pelos documentos curriculares.

(DES)ENCANTOS DA DOCÊNCIA NA PANDEMIA E A ALEGRIA COMO POTÊNCIA DE VIDA

PID: S1982-03052022000400159 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2022
Autores: Rosa Moraes Souza
Resumo Essa escritura fala sobre os encontros realizados no projeto Acolhe PIBID, que promoveu grupos de atenção psicossocial em Educação e Saúde para professoras e demais trabalhadoras de uma escola estadual da Grande Florianópolis, durante a pandemia da Covid-19. Trata-se de uma experiência produzida com estudantes do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID), do Curso de Pedagogia da UFSC, e que buscou atender à demanda de escuta e diálogo sobre as aflições da/na docência durante a pandemia. Foram construídas cinco rodas de conversa pelo Google Meet, com um tempo médio de duração de duas horas, que ocorreram quinzenalmente, no período noturno. Os temas e as rodas privilegiaram a criação de um processo de olhar/sentir/pensar as veias abertas, de falar sobre os matizes da violência no ofício de ser professora, atravessada pelos desafios de uma pandemia, agravada pelo (in)gerenciamento da crise sanitária no Brasil. Com essas mediações e intervenções cumprimos uma função psicossocial de relevo no que diz respeito à necessidade de, simultaneamente, cuidarmos de nós e dos/as outros/as por meio de diferentes modalidades de encontros. Afinal, produzir redes de cuidado e proteção, afirmando a alegria como potência de vida, no sentido de aprender e ensinar formas coletivas de resistir às violências e produzir saúde, é uma das tarefas ético-estético-políticas e pedagógicas da educação.

(FO)FOCAR O EU COM OS OLHOS DO OUTRO: por um viés estético bakhtiniano na pesquisa narrativa

PID: S1982-03052022000300273 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2022
Autores: Fujisawa Serodio Prado
Resumo O foco deste artigo é a compreensão da professora-pesquisadora que a partir dos estudos bakhtinianos, se vê autora-narradora, personagem entre outras personagens na atividade estética da produção de sua dissertação de mestrado. A diferença entre a posição axiológica da pesquisadora e autora das narrativas pedagógicas, por meio de um artifício estético, proporciona a aquisição de um posicionamento forte fora de si mesma (BAKHTIN, 2003) e o duplo reconhecimento da professora como pessoa, e da professora como investigadora que adentra as narrativas dentre as demais personagens. A problematização se dará especialmente em relação aos percursos estéticos dessa visão hetero-auto-consciente que gera e é gerada pela tomada consciente de outra posição axiológica durante o percurso da pesquisa e da formação da professora-pesquisadora-narradora, na produção de saberes transgredientes. O texto final da dissertação de mestrado profissional e o texto que o precedeu e foi avaliado no exame de qualificação são a materialidade usada para as discussões nesse artigo. O tema é uma das lições da pesquisa: a importância da tomada de posições axiológicas sobre-determinadas em relação às pesquisas da própria prática, que possibilitam aos pesquisadores narrativos reconhecerem e qualificarem o papel da dimensão estética na visão tangente do eu em relação à narrativa da própria prática, bem como o de ampliação dos olhares dos pesquisadores para o que têm pesquisado e narrado.

(IN)DISCIPLINA E VISIBILIDADE: considerações sobre ambiguidades e tensões no ambiente escolar

PID: S1982-03052022000100176 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2022
Autores: Monteiro
Resumo O paper se dedica a refletir sobre a lógica (in)disciplina e suas corporificações no ambiente escolar. Intenta traçar uma linha de inteligibilidade que permita compreender os comportamentos estudantis lidos como indisciplinados pelos profissionais escolares, bem como, a forma pela qual estes comportamentos acabam se conectando e (re)atualizando esta lógica. A metodologia deste trabalho engloba a discussão de dados empíricos retirados de uma etnografia e de entrevistas semiestruturadas com atores escolares, de forma a articular estes dados com uma reflexão bibliográfica. Discute-se as dimensões dos comportamentos lidos como indisciplinados de modo a não os alocar automaticamente ao polo da resistência, e sim, de problematizar esta alocação. Também se aponta a importância de considerarmos questões que envolvem dinâmicas de prazer/poder entre os polos de normalização/resistência, assim como, a existência de um jogo entre o ver e ser visto existente na escola, na qual os comportamentos classificados como indisciplinados são centrais. Estas reflexões nos levarão a concluir que a existência da escola no modelo disciplinar como conhecemos hoje persiste dentro da lógica (in)disciplina, pois ao mesmo tempo que esta desloca feixes de poder dentro da instituição, esta reforça a escola, enquanto instituição, a todo momento.

A EDUCAÇÃO DO CAMPO COMO ESPAÇO DE RESISTÊNCIA POLÍTICA E EPISTEMOLÓGICA: as lutas por outras pedagogias

PID: S1982-03052022000100089 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2022
Autores: Lima
Resumo Este trabalho discute sobre o movimento de constituição da Educação do Campo, destacando suas vinculações com as lutas sociais e com os esforços empreendidos pelo Movimento de Educação do Campo na construção de um projeto de educação contenha os avanços do agronegócio e difundam as sementes de outro projeto de sociabilidade forjado nas redes de solidariedade tecidas a partir da agricultura camponesa. Este movimento pedagógico tem instituído novos espaços e tempos educativos voltados ao reconhecimento dos conhecimentos presentes nas práticas sociais camponeses, com a implementação de estratégias pedagógicas que ampliem os diálogos entre os saberes dos camponeses com os conhecimentos universais que compõem o patrimônio histórico da humanidade. O estudo foi desenvolvido a partir das contribuições teóricas da abordagem dialética, utilizando-se da pesquisa bibliográfica e da análise dos documentos produzidos pelo Movimento de Educação do Campo. Acreditamos que as experiências de Educação do Campo instituídas pelos movimentos sociais trazem importantes contribuições políticas, pedagógicas e epistemológicas para se pensar numa pedagogia crítica e libertadora, ancorada nos pressupostos políticos e filosóficos das teorias críticas da educação.

A EMERGÊNCIA DA ESCOLA NORMAL: formação de professoras e relações étnico-raciais

PID: S1982-03052022000100069 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2022
Autores: Santos Chaves Nascimento
Resumo A pesquisa analisa a emergência da Escola Normal no período de 1938 a 1960 e sua proposição para a formação de professores e as relações étnico-raciais no município de Bragança, Pará. Pauta-se na abordagem qualitativa e caracteriza-se por uma pesquisa histórica-educacional com base em pressupostos da Nova História. Os dados apontam a educação e a religiosidade como pilares do processo formativo, ancorado na feminização do magistério que preparasse professoras como mulheres para o cuidado do lar e dos filhos, tementes a Deus e submissas aos seus maridos. Conclui-se que a criação da primeira Escola Normal no município de Bragança/PA, contribuiu para o desenvolvimento local, configurando-se como centro de formação escolar e espiritual, porém, desvencilhada da questão étnico-racial que permanecia ausente no debate político e educacional e nas propostas curriculares e formativas para a formação de professoras da Escola Normal.

A FILOSOFIA FORA DAS GRADES (CURRICULARES): a Lei 10.639/03 e os desafios para um ensino de filosofia antirracista

PID: S1982-03052022000100134 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2022
Autores: Reis
Resumo O ensaio objetiva discutir os pressupostos epistêmicos, políticos e culturais do currículo de filosofia, a partir da implementação da Lei 10.639/03 e da crítica endereçada ao racismo epistêmico. Discutem-se, nessa análise, desde a perspectiva teórica do pensamento decolonial, os efeitos, os rastros e as estruturas persistentes da colonialidade no ensino de filosofia e, de modo especial, nos currículos. Trata-se, ademais, de problematizar o descompasso entre as tendências acadêmicas hegemônicas de perspectiva eurocentradas, que desconsideram as determinações geopolíticas na construção do conhecimento, e os saberes e experiências de populações africanas, afrodiaspóricas, indígenas e latino-americanas. Argumenta-se, por fim, que o projeto ancorado nos valores da modernidade/colonialidade europeia opera pela subalternização e silenciamento dos conhecimentos produzidos a partir de outras matrizes corpo-políticas, invalidando-as pela via do epistemicídio. Pensar o currículo de filosofia em bases decoloniais e antirracistas exige, portanto, que se questionem as premissas norteadoras deste projeto étnico, sexual e racialmente excludente.

ALTERIDADE: o outro na pesquisa em educação

PID: S1982-03052022000100405 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2022
Autores: Nunes Barros
Resumo O artigo propõe um debate sobre alteridade ao abordar a pesquisa em educação. Versa sobre a pesquisa-ação como uma alternativa que aproxima e possibilita a escuta do pesquisador frente ao seu objeto, principalmente quando falante, a fim de produzir conhecimentos que gerem impacto nas ações educacionais e contribuam para solucionar problemas detectados nos processos de coleta de dados de campo. Como metodologia foi utilizada a pesquisa bibliográfica. A investigação demonstrou que o pesquisador, ao escolher a pesquisa-ação, institui uma das possibilidades promissoras capazes de criar alternativas educacionais no âmbito social, principalmente porque estabelecem ou criam constantes diálogos, alteridades e escutas sensíveis, itens fundamentais ao tratar da pesquisa com seres humanos. Instituir a dialogicidade é premente à identificação e solução na condição de alternativa para resolver parte dos problemas educacionais.
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