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INFÂNCIA, EDUCAÇÃO E LINGUAGEM EM MICHEL DE MONTAIGNE

PID: S1982-03052022000100042 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2022
Autores: Carniel Cunha
Resumo Tomando por base o conceito de infância elaborado por Philippe Ariès, este artigo mostra que as manifestações de Michel de Montaigne sobre a educação de crianças são tipicamente modernas, pois se pautam no interesse psicológico e na preocupação moral. Utilizando metodologia fundamentada em conceitos da retórica, o artigo analisa os ensaios de Montaigne intitulados “Pedantismo” e “Da educação das crianças”, destacando o valor atribuído pelo autor à linguagem e à comunicação entre aluno e professor. Destaca-se que Montaigne atribui o sucesso da docência às qualidades pessoais do professor, cuja sensibilidade pode ser desenvolvida pelo contato com as artes. As conclusões sugerem a necessidade de rever os conceitos educacionais vigentes na atualidade.

INTERCULTURALIDADE E PLAC: reflexões acerca de educação e cidadania de imigrantes e refugiados

PID: S1982-03052022000200230 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2022
Autores: Miranda Fernandes
Resumo A inversão do cenário brasileiro de maior emigração para o de maior recepção de imigrantes devido ao crescimento econômico desde 1980 descortinou a ausência de uma tradição de acolhimento das diferenças (PATARRA, 2012). Embora atualmente a legislação brasileira reconheça direitos fundamentais de imigrantes e refugiados, o país ainda carece de políticas públicas no sentido da efetivação da cidadania plena. Tendo em vista o direito à educação democrática como elemento fundamental à cidadania e à constituição do Estado Democrático de Direito (FERNANDES, 1989), este estudo busca, por meio da revisão de literatura, refletir sobre a possibilidade de uma educação intercultural pela proposta do Português como Língua de Acolhimento (PLAc). Para tanto, buscamos revisitar conceitos necessários à compreensão da interculturalidade e refletir acerca dos processos hegemônicos oriundos da condição colonial e da expansão educacional como projeto nacionalista. Aponta-se que a ausência de políticas públicas voltadas à formação de professores de PLAc e à inclusão de imigrantes e refugiados se acomoda em uma perspectiva assistencialista, responsabilizando os sujeitos do processo educativo, precarizando a qualidade educacional e a profissão docente. Conclui-se que a percepção crítica de PLAc com vistas ao exercício da cidadania alinha-se à interculturalidade por promover o papel ativo dos sujeitos imigrantes e refugiados e considerar suas filiações culturais, sociais e linguísticas, constituindo-se como alternativa emancipatória às concepções hegemônicas da educação tradicional.

JAPONESA, ABRE O OLHO: racismo, xenofobia e misoginia contra mulheres amarelas

PID: S1982-03052022000200273 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2022
Autores: Kurihara Baliscei
Resumo Este artigo tematiza as diversas manifestações de ódio que acometem as mulheres amarelas. Assim, o objetivo desta pesquisa é problematizar as violências xenofóbicas, racistas e misóginas que, na contemporaneidade, atingem as identidades femininas nipônicas. Para isso, recorre-se aos Estudos da Cultura Visual como aporte teórico e metodológico, uma vez que considera que as imagens, em suas diversas manifestações, apresentam formas de se ver e estar no mundo. A partir da pesquisa bibliográfica, foi realizada a contextualização histórica, cultural e social da chegada das/os imigrantes japonesas/es no Brasil. Em seguida, foi feita uma análise de discursos, obras de arte e outras visualidades que permeiam os significados estereotipados construídos acerca das identidades de mulheres amarelas, em especial no contexto da pandemia do COVID-19. Por fim, conclui-se que a educação possui potencial para construir novas narrativas que rompam preconceitos e respeitem as diferenças, uma vez que a sociedade contemporânea é composta por múltiplas identidades que interagem entre si.

JOVENS EM CONTEXTO DE REFÚGIO: narrativas que revelam modos de vida e o lugar da escola

PID: S1982-03052022000200257 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2022
Autores: Carrano Magalhães
Resumo O artigo aborda relações de jovens em contexto de refúgio com suas escolas e outros lugares da cidade. Migrantes, refugiados, solicitantes de refúgio e filhos de africanos, esses são estudantes e moradores do bairro de Gramacho, em Duque de Caxias, Rio de Janeiro. Os jovens e as jovens participantes da pesquisa compartilham representações sobre cotidianos, hábitos, costumes, entretenimentos e a socialização familiar. As experiências reveladas ocorrem no espaço-tempo antropológico que denominamos contexto de refúgio. As narrativas desses jovens revelam sonhos, expectativas, frustrações e alegrias atravessados pelos vínculos estabelecidos com a instituição escolar. A metodologia da pesquisa propôs que os jovens elaborassem suas narrativas através da produção de fotografias. Para isso, uma máquina fotográfica foi cedida para que estes produzissem imagens de seus cotidianos. Após recebidas e categorizadas, as fotografias proporcionaram momentos dialógicos que fortaleceram vínculos entre os jovens e a pesquisa. Narrar o fotografado estimulou a reflexividade dos jovens sobre aquilo que decidiram selecionar para contar suas próprias histórias. Os encontros, as fotografias e as narrativas revelaram representações elaboradas a partir da ideia de oportunidade de integração que a escola enuncia para os jovens. Observamos, ainda, que para os jovens africanos e seus familiares a possibilidade de completar o ciclo de formação educacional é um fator relevante no ato de migrar.

LA FORMACIÓN EN EL HACER: práctica docente en la educación de personas jóvenes y adultas

PID: S1982-03052022000400463 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2022
Autores: Blazich
Resumo São expostas algumas análises derivadas de uma pesquisa de doutorado que abordou os processos de construção da prática docente de uma professora de nível fundamental que atuava simultaneamente em dois espaços educativos distintos: uma escola de nível fundamental da modalidade de educação permanente para jovens e adultos e em um Plano para a Conclusão dos Estudos Primários e Secundários - Plano Multas do mesmo nível - que foi sediado numa paróquia. Adotou-se uma abordagem qualitativa, especificamente um estudo de caso. Realizou-se revisão documental, observação de aulas e entrevistas em profundidade com a professora. Foram identificados e caracterizados quatro grupos de ações que a professora realizou no âmbito de seu trabalho, que foram denominados: ações sobre problemas locais, com finalidades institucionais, solidariedade para com questões vitais para os alunos e formação que extrapola o espaço escolar. Ela os dotou de significado pedagógico e passaram a fazer parte de seus próprios processos de formação como professora.

LAICIDADE E PANDEMIA EM TEMPOS CONSERVADORES

PID: S1982-03052022000200384 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2022
Autores: Sepulveda Mendonça
Resumo O crescimento do extremismo religioso no Brasil e no mundo e sua relação com a pandemia expôs a importância de se lutar por um estado laico. Sendo assim, o objetivo desse texto é discutir e demonstrar a importância da laicidade como forma de enfrentamento a movimentos conservadores no campo educacional, como por exemplo o Escola sem Partido. A proposta de valorizar a laicidade como forma de enfrentamento ao negacionismo científico é uma forma de defender a sociedade de argumentos religiosos extremistas que ferem princípios básicos de direitos humanos, como por exemplo a violência contra as mulheres e a misoginia de um modo geral.

LOIDE BONFIM: RETRATOS DA TRAJETÓRIA DE UMA MULHER NA RESERVA INDÍGENA DE DOURADOS-MT(1938-1984)

PID: S1982-03052022000300139 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2022
Autores: Peres Furtado
Resumo O artigo objetiva analisar a trajetória da professora Loide Bonfim e os seus desdobramentos no trabalho missionário e na área da saúde e educação, na Reserva Indígena de Dourados (RID) no século XX. Para o desenvolvimento dessa análise, recorreu-se, principalmente, aos periódicos protestantes O Puritano (presbiteriano), O Estandarte (presbiteriano, presbiteriano independente) e Expositor Cristão (metodista), que divulgaram matérias sobre os trabalhos missionários desenvolvidos por Loide Bonfim na Missão Evangélica Caiuá (MEC) e na Reserva Indígena. As fontes mobilizadas foram analisadas a partir dos pressupostos teóricos da Nova História Cultural. O estudo dessa trajetória permitiu compreender que Loide Bonfim atuando no campo da educação escolar e não escolar, no processo de evangelização e na área da saúde com os povos indígenas, ainda que em boa parte de suas ações estivesse permeada pela inserção da cultura não indígena entre os indígenas, essa mulher desempenhou um papel importante com os seus ensinamentos e, além disso, contribuiu para melhorias nas condições de vida dos Kaoiwá, Guarani e Terena. Constatamos, assim, que a trajetória de Loide Bonfim tem muito a revelar sobre a história de mulheres como ela, que atuaram com os indígenas, que não pode ser escrita sem levar em consideração o papel exercido por mulheres comuns, mas ativas, que foram resistentes em seu trabalho e enfrentaram as adversidades cotidianas.

MIGRAÇÃO CHINESA EM GOVERNADOR VALADARES-MG: “primeira onda” e os desafios de deixar o país de origem em situações de conflito

PID: S1982-03052022000200294 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2022
Autores: Pinto Rial Siqueira
Resumo Governador Valadares, no leste de Minas Gerais, é conhecida como uma cidade de cultura emigratória, em especial para os Estados Unidos. Este artigo, no entanto, apresenta uma vertente que evidencia o outro lado desse fenômeno, que é o da presença de estrangeiros na cidade mineira. A pesquisa aqui apresentada é um recorte da tese de doutoramento em Ciências Humanas pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), que analisa a migração de chineses para o território de Governador Valadares, a partir das narrativas dos próprios imigrantes com base em suas experiências e trajetórias. A etnografia foi o método de pesquisa escolhido e a técnica de coleta de dados adotada foi a de entrevista de história oral. Neste artigo são apresentadas as duas grandes ondas migratórias de chineses para o Brasil e para Governador Valadares - a primeira, entre as décadas de 1950 e 1970; e a segunda, a partir da década de 1990. Para atender a proposta temática desta edição, optou-se por voltar as atenções para os chineses que migraram para a cidade mineira durante a chamada primeira grande onda, devido às suas particularidades. Nesse sentido, a pesquisa revela que entre os primeiros chineses que chegaram em Governador Valadares, os fatores que os levaram a deixar o país de origem estavam geralmente relacionados a contextos de guerra e conflitos políticos. Assim, para alguns, deixar a terra natal não era uma opção ou parte de um projeto previamente elaborado, mas uma alternativa de sobrevivência.

MIGRAÇÃO E REFÚGIO: desafios educativos entre desigualdades e diferenças

PID: S1982-03052022000200002 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2022
Autores: Brenner Alvarenga
Resumo O presente texto apresenta seção temática que oferece às leitoras e aos leitores um conjunto de trabalhos que, num mosaico de abordagens temáticas, conceituais e metodológicas, tem a questão migratória como tema comum. A intensificação da crise do capital que aprofunda a precarização da força do trabalho e os conflitos políticos territoriais que provocam ações contrárias aos direitos de cidadania, aos direitos humanos e, em particular, ao direito à educação estão expressos nesta seção. Ao mesmo tempo em que se descrevem dificuldades materiais, xenofobia, descoberta do racismo, também se anunciam horizontes de possibilidades na produção de redes e movimentos de resistências organizadas na elaboração de políticas públicas para migrantes e refugiados que buscam produzir e reproduzir a vida nos espaços territoriais de destino. A escola, muito presente em cotidianos tanto de crianças e adolescentes quanto de jovens e adultos, seja pela educação básica ou no ensino superior, é a instituição que se faz mais constante nos estudos aqui apresentados. Também é pela escola/universidade que se problematiza a questão da língua, conceitualizações, ofertas e aprendizados do português bem como as múltiplas sociabilidades do contexto de migração e refúgio.

MIGRAÇÕES E EDUCAÇÃO DE ADULTOS DESLOCADOS: uma reflexão sobre direitos educativos

PID: S1982-03052022000200164 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2022
Autores: Silva Pierro
Resumo Diante do grande volume de migrações internacionais - mesmo com uma pandemia que restringiu a mobilidade global -, faz-se necessário refletir sobre as garantias dos direitos de migrantes e refugiados, tais como os direitos educativos. As normativas do Direito Internacional dos Direitos Humanos consolidaram o direito à educação para todas as pessoas, incluindo migrantes e refugiados nos territórios de acolhimento. O presente artigo - resultado de pesquisa teórica e análise de conteúdo - tem como objetivo apresentar e discutir alguns dos temas essenciais do debate acadêmico sobre a garantia de direitos educativos de migrantes e refugiados adultos. O texto está subdividido em duas partes: a primeira introduz a relação da migração com a educação, com especial atenção aos jovens e adultos; e a segunda se aprofunda sobre três temas decisivos para o campo de pesquisa: 1) Assimilação versus integração e multiculturalismo versus interculturalismo; 2) Gestão escolar, currículo, formação de professores e língua local como política de acolhimento; e 3) Reconhecimento de diplomas, habilidades e conhecimentos prévios. Esperamos, com isso, contribuir com o urgente debate sobre a efetivação dos direitos educativos dessa população, reduzindo as possibilidades de serem expostos a novos mecanismos de exclusão. Nas conclusões realçamos a necessidade de um Estado que aja e não apenas reaja; que formule políticas públicas adequadas para que migrantes e refugiados adultos consigam não apenas se matricular, mas ter uma educação que considere a diversidade e os reconheça como protagonistas de seu aprendizado.

MULHERES PROFESSORAS: campo, poder e resistência (1957-1970)

PID: S1982-03052022000300071 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2022
Autores: Corrêa
Resumo O estudo tem objetivo em analisar aspectos da formação e atuação de mulheres, professoras primárias rurais, em escolas no município de Bocaiúva do Sul – PR. O propósito é trazer alguns elementos do percurso profissional dessas professoras entre os anos de 1957 e 1970. Reflete sobre modos de resistência que se dão por meio de práticas não usais ao campo de trabalho docente em relações de poder estabelecidas no meio onde atuaram. Para tanto foram usadas narrativas orais decorrentes de dados coletados por meio de entrevistas semiestruturadas. São indicados elementos de trajetórias marcadas por desafios postos pela profissionalização e exercício docentes demandados pela natureza do trabalho, mas também pelo imperativo de conciliar o trabalho com questões domésticas e de maternidade; também a ocupação de lugar social de destaque e de poder local nos espaços nos quais estiveram responsáveis pela escolarização de crianças na escola primária rural. Os resultados apontam para diferentes modos de inserção social/local, onde aquelas mulheres desenvolveram ações diferenciadas daquelas destinadas exclusivamente ao campo educacional.

MUSCAFO DIGITAL: uma Abordagem Decolonial em Ambientes Virtuais de Ensino-aprendizagem

PID: S1982-03052022000300334 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2022
Autores: Silva Cerigatto
Resumo Esse estudo apresenta o percurso metodológico da construção coletiva de um dispositivo pedagógico digital para o Museu Afro Comunitário Filhos de Obá, que integra o centenário terreiro de mesmo nome, uma das primeiras casas de culto afro no Brasil a ser tombada como patrimônio histórico nacional. Trata-se de um dispositivo que tem por objetivo contribuir para a difusão, reafirmação da identidade e preservação do seu acervo. Projetado a partir da metodologia investigativa aplicada Design-Based Research, o projeto integra especialistas acadêmicos convidados, a comunidade local e entrevistas qualitativas, além de diário de bordo. Os resultados englobam a apresentação do desenho pedagógico digital constituído em imagens e mapas de navegação, com os pareceres dos participantes do processo e indicações dos possíveis desdobramentos e contribuições do estudo para as pesquisas em educação e comunicação.

NAS DIÁSPORAS E ENCRUZILHADAS DO COTIDIANO ESCOLAR: As travessias dos currículos praticados de uma escola municipal de Manaus

PID: S1982-03052022000200050 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2022
Autores: Simões
Resumo O presente artigo emerge da pesquisa de doutorado em Educação, ainda em andamento, interessada na compreensão das experiências educativas da EMEF Prof. Waldir Garcia, comunidade escolar constituída por sujeitos oriundos de diferentes movimentos diaspóricos na cidade de Manaus, e que, a despeito de não serem convidados a compor o clube da humanidade, nas palavras do líder indígena e pensador Ailton Krenak, ainda teimam em inventar e criar os seus saber[es]xistências. Diante da presença de filhos da comunidade haitiana, chegada à cidade de Manaus no fluxo migratório ocorrido nos anos de 2010 e, mais recentemente, da comunidade venezuelana, cuja presença se intensificou a partir do ano de 2018, o objetivo deste trabalho é discutir que o cerne das experiências curriculares produzidas nessa escola se adere a uma perspectiva fronteiriça, de encruzilhada, enredada em diálogo com as diásporas vividas pelos seus sujeitos e que rasuram e desorganizam os limites e controles impostos à escola. O referencial teórico-epistemológicometodológico dessa discussão se vincula ao campo dos estudos com os cotidianos escolares e seus currículos praticados, bem como à Pedagogia das Encruzilhadas. As reflexões sobre esta comunidade escolar permitem vislumbrar que os seus currículos praticados, podem estar a incorporar as gingas e as vozes dos sujeitos que a integram e o modo como atribuem significados, performatizam e narrativizam as práticas de educação, vida e arte no solo da escola, transcriando e (re)territorializando as suas múltiplas experiências existenciais e processos identitários.

O A-COM-TECER DO CURRÍCULO EM UM CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO PARA PROFESSORES EM EXERCÍCIO

PID: S1982-03052022000400056 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2022
Autores: Sales Carvalho Sá
Resumo Este texto traz relato crítico-reflexivo a partir de experiência curricular de curso de Especialização realizado no município de Irecê/BA para qualificar professores da rede de ensino. Da demanda por qualificação nesse município, resultou o Programa de Formação Continuada de Professores, implementado em 2004 com a licenciatura em Pedagogia - ensino fundamental/séries iniciais. Este oportunizou a graduação de duas turmas, perfazendo a quase totalidade dos professores da rede municipal. Tal situação gerou a demanda por pós-graduação, resultando na proposta do curso de Especialização em Currículo Escolar, a qual está em planejamento da terceira turma, em consonância com a dinâmica da rede: proposição para (re)formulação do seu currículo escolar. Neste artigo, após breve histórico do referido Programa, no qual se inclui o curso em estudo - a Especialização -, explicita-se o conceito da Pedagogia do A-com-tecer que embasa o desenho curricular assumido, pautado no abandono da ideia de aplicação/execução de algo pensado a priori, uma vez que o que a-com-tece são atualizações de possibilidades. A experiência desenvolvida é apresentada por meio da contraposição entre o currículodocumento e o currículo-práxis em cada um dos três ciclos curriculares do curso, sob a denominação de As possibilidades pensadas - o documento; e As atualizações - relatos do a-com-tecer. Evidencia-se que a matriz curricular, organizada em atividades curriculares e em fluxograma flexível e abrangente possibilita a intervenção/participação do professor-cursista no seu processo formativo, ao tempo em que mostra que nem todas as possibilidades são atualizadas na dinâmica do a-com-tecer do currículo.

O ACOLHIMENTO DO ALUNO IMIGRANTE NAS ESCOLAS PÚBLICAS DO RIO DE JANEIRO

PID: S1982-03052022000300308 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2022
Autores: Oliveira Souza
Resumo O presente artigo tem como tema as crianças em situação de imigração no contexto escolar brasileiro, particularmente, em escolas municipais do Rio de Janeiro. O diálogo aqui empreendido fundamenta-se em pesquisas que tem por base publicações oficiais disponíveis a respeito da imigração de refúgio e objetiva, por meio delas, compreender os desafios existentes no processo de recepção e de inclusão de crianças refugiadas nessas escolas. O referencial teórico utilizado é o da Linguística Aplicada, referente aos estudos relacionados ao ensino-aprendizagem de português como Língua de Acolhimento (PLAc), além do referencial relativo aos estudos baseados em uma perspectiva crítica de educação intercultural. O interesse é suscitar reflexões para a compreensão da questão do direito das crianças imigrantes à educação, considerando o acesso, a permanência e os seus modos de aprendizagem, como pontos fundamentais nesta discussão. Diante desse cenário, busca-se, através do trabalho, contribuir para a discussão sobre as políticas linguísticas voltadas para o ensino de PLAc e a formação docente para atuar nesse contexto.

O BRINCAR EM SENTIDO ECOLÓGICO

PID: S1982-03052022000300367 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2022
Autores: Antério Fernandes Dias
Resumo Este artigo traz um apanhado do que foi o trabalho de pesquisa doutoral intitulado Brincando na Roda dos Saberes, apresentado em 2018 ao Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal Paraíba, Brasil. Através de programas de extensão universitária envolvendo pesquisadores bolsistas e voluntários, crianças matriculadas em escolas da rede de ensino público tiveram acesso a conhecimentos artísticos e culturais vivenciando o projeto Brincando Capoeira, com oficinas integradas aos projetos políticos pedagógicos das escolas parceiras, dentre elas a Escola de Educação Básica da UFPB, e a Escola Viva Olho do Tempo. Dos resultados obtidos, destaca-se a tese de que o ato de educar pela prática da capoeira sob uma perspectiva ecológica repercute positivamente e diretamente na corporeidade. Para isso, a criatividade, a inteiração socioambiental, o engajamento solidário-afetivo e a reverência aos saberes de tradições populares, sobretudo os corpo-orais, devem estruturar a pedagogia do processo, constituindo-se em ações transdisciplinares. O brincar, neste processo, vem a ser chave de religação entre o corpo que brinca e a sabedoria que se manifesta.

O CANTO DAS AVES NEGRAS: Escrita e docência como sonho de liberdade para mulheres negras

PID: S1982-03052022000300027 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2022
Autores: Silva
Resumo Este artigo procura dar visibilidade às trajetórias de mulheres negras que praticaram a educação como prática de liberdade. O foco da análise serão as autobiografias escritas ou narradas por mulheres que vivenciaram a traumática e dolorosa experiência da escravização. Por diferentes caminhos, a palavra escrita, o ativismo e a educação foram compreendidos como sendo instrumentos mais precisos na luta pelo fim da escravidão e pela liberdade nas experiências de tais mulheres. A partir do entendimento de que é preciso dizer os nomes delas, o texto reúne as histórias de oito mulheres, a saber: Amanda Berry Smith, Lilly Ann Granderson, Mattie Jackson, Annie L. Burton, Susie King Taylor; Fanny Coppin, Anna Julia Cooper, Ida B. Wells. O trabalho sinaliza para a importância de conhecer as trajetórias de mulheres negras e adverte para a necessidade de compreendê-las a partir do paradigma da pluralidade e das múltiplas subjetividades, mas sem perder o caráter coletivo e engajado destas existências pedagógicas e transgressoras.

O CENÁRIO PANDÊMICO E SUAS IMPLICAÇÕES NA EDUCAÇÃO BÁSICA: uma análise da experiência do Amazonas no ensino remoto

PID: S1982-03052022000400171 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2022
Autores: Oliveira Carvalho Dolzane
Resumo Este estudo traz um recorte do trabalho realizado pela Secretaria de Educação do Estado do Amazonas na adoção do modelo remoto de ensino durante a pandemia do Novo Coronavírus - COVID-19 nos anos de 2020 e 2021. Neste contexto, buscou-se identificar os desafios do Ensino Remoto no desenvolvimento da função da escola, bem como, da continuidade e/ou descontinuidade dos processos pedagógicos por ela desenvolvidos, evidenciando como os estudantes, docentes e gestão escolar da rede estadual envolvidos desenvolveram estratégias pedagógicas que pudessem de alguma forma, alcançar os cerca de 415.000 estudantes matriculados na rede estadual de ensino. A análise foi realizada por meio de levantamento bibliográfico dos documentos institucionais orientadores do período da pandemia gerados pela Secretaria de Educação e Desporto do Estado do Amazonas. Além dos documentos, a participação dos estudantes foi estimada por meio de respostas a um link elaborado no Google formulários e enviado aos estudantes matriculados nos anos de 2020 e 2021, o qual foi utilizado como acompanhamento pedagógico com as escolas estaduais. Os resultados nos mostraram que os professores disponibilizaram conteúdos pedagógicos aos alunos se utilizando de Tecnologia da informação e comunicação (TIC) digitais e analógicas, evidenciando que um número significativo de estudantes da rede pôde adquirir conhecimentos, avançando na aprendizagem, através de estratégias diferenciadas que puderam minimizar impactos no processo de ensino e aprendizagens entre os estudantes.

O COMPONENTE CURRICULAR PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO NA FORMAÇÃO CRÍTICA DE PROFESSORES: limites e possibilidades

PID: S1982-03052022000400434 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2022
Autores: Silva Viégas
Resumo O artigo discute os limites e as possibilidades para a construção de uma formação crítica de professores, a partir do componente curricular Psicologia da Educação em uma universidade pública. O caminho realizado percorreu pela análise de campo e de documento à luz do materialismo histórico - dialético. Reflete sobre a psicologia enquanto ciência e componente curricular acadêmico e o lugar que ela ocupa no campo da educação na produção e reprodução do conhecimento. Uma indagação fundamental norteou a pesquisa: de que forma a psicologia pode contribuir no processo de formação crítica de professores no ensino superior? Desvelando a naturalização da formação do ser humano e das relações sociais e tecendo apontamentos sobre o fracasso e a medicalização escolar. Os resultados apontam a relevância da Psicologia da Educação em uma perspectiva crítica na direção de transformar em realidade as possibilidades da formação densa dentro da sala de aula, contribuindo para uma práxis em consonância com os interesses da classe trabalhadora.

O DESPERTAR DA MULHER NEGRA: processos de lutas e existências

PID: S1982-03052022000300012 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2022
Autores: Carneiro Nascimento
Resumo Este artigo apresenta análises e reflexões sobre o despertar para a negritude em mulheres negras. O termo negritude indica os processos de subjetivação a partir dos quais negras e negros se afirmam como sujeitos racializados, herdeiros de uma história marcada por violência e exploração enfrentadas desde o período colonial. Com inspiração em análises e reflexões de mulheres negras como Djamila Ribeiro, Grada Kilomba e Maria Aparecida da Silva Bento, analisamos relatos extraídos de três palestras publicadas no YouTube, sendo duas protagonizadas por Nátaly Neri e uma por Stephanie Ribeiro - mulheres reconhecidas publicamente como ativistas que despertaram para a negritude feminina. As narrativas e os relatos expressos nos vídeos foram submetidos a processos de Análise de Conteúdo. Os resultados apontam para lutas associadas aos modos de subjetividade carreados pelo racismo operado nas dimensões estrutural, institucional e individual. Em meio às mais diversas pressões para o assujeitamento, mulheres negras se afirmam e resistem através da partilha e do fortalecimento de laços e vínculos. A resistência envolve posicionamentos situados nos domínios da ética, da política e da estética. Por fim, enfatiza-se a relevância de pesquisas capazes de fazer ecoar vozes, gestos e acenos da negritude feminina.
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