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SUBNOTIFICAÇÃO CENSITÁRIA DE ESTUDANTES COM ALTAS HABILIDADES/SUPERDOTAÇÃO EM 2020: desorganização ou descaso?

PID: S1982-03052022000400476 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2022
Autores: Brero Rondini
Resumo O presente ensaio teórico, de caráter exploratório, tem como finalidade refletir as possíveis causas da redução no número de matrículas do Censo Escolar de estudantes com altas habilidades/superdotação (AH/SD), que ocorreu em 2020, em comparação com 2019. Para tanto, foram utilizados como base para a pesquisa os dados fornecidos pelo Censo Escolar, disponíveis no sítio do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP). Inicialmente foi abordado o conceito de superdotação, bem como, uma breve contextualização do tema no Brasil, as ferramentas de monitoramento disponíveis e as previstas em lei, a subnotificação e seus efeitos e os direitos destes estudantes. Verificou-se que houve queda nas matrículas em 14 estados, em um não houve alteração no número de estudantes (Acre), e em 11 estados e no Distrito Federal houve aumento. Entre os estados que apresentaram redução, dois se destacam, o Estado da Paraíba com 79,17% e São Paulo com exorbitantes 1.053,29% de queda, sendo estes os prováveis responsáveis pela repentina diminuição do total de estudantes com AH/SD matriculados em 2020. Os resultados encontrados evidenciam a fragilidade dos sistemas de ensino no que tange à identificação e ao atendimento educacional de estudantes com AH/SD, sendo urgente a necessidade de fortalecimento desta área para que não se percam os estudantes com potencial superior, que podem contribuir para a construção de um mundo melhor.

SURDOS MIGRANTES NA ESCOLA: questões de inclusão e direitos humanos linguísticos

PID: S1982-03052022000200035 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2022
Autores: Araújo Bentes
Resumo No presente artigo faz-se uma relação entre migração e surdez, focalizando principalmente o caso dos surdos migrantes venezuelanos no estado de Roraima. São apresentados um panorama da migração venezuelana em Boa Vista e alguns aspectos da educação para essa parcela da população. Apresenta-se ainda um caso de programa extensionista voltado para a assistência aos surdos migrantes e que valoriza a língua de sinais do migrante. Como objetivo do trabalho, demonstram-se as implicações possíveis para o campo dos estudos migratórios com a atenção voltada para a especificidade das comunidades surdas que migram. Os resultados indicam uma ainda total ausência de políticas linguísticas e educacionais voltadas para migrantes e refugiados surdos, o que demanda um repensar das práticas das escolas que buscam uma inclusão ainda alijada, pautada na ideologia do monolinguismo das línguas de acolhimento. Nesse ponto, invocam-se as premissas dos direitos humanos linguísticos e as frentes possíveis e passíveis de atuação para uma escola que realmente abra as portas para a população de surdos migrantes no Brasil.

TRAJETÓRIA DE MULHERES GESTORAS UNIVERSITÁRIAS DE IBEROAMERICA: um ensaio sobre a Espanha

PID: S1982-03052022000300129 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2022
Autores: Barrio Oliveira
Resumo Este ensaio é parte integrante do projeto de tese de doutorado em história da educação e apresenta o resultado do doutorado sanduíche realizado na USAL – Universidade de Salamanca, Espanha. (2021-2022) com a realização de entrevistas com docentes universitárias, que ocupam ou ocuparam cargos de gestão no período de 2010 a 2020 especificamente. O objeto de estudo Mulheres Gestoras Universitárias de Ibero-América pretende conhecer a trajetória de mulheres em cinco países: Brasil, Argentina, Espanha, México e Peru. Para este ensaio, o recorte foi realizado a partir do estudo elaborado no doutorado sanduíche em Salamanca, Espanha, com a aplicação de entrevistas a sete gestoras universitárias. Pretende-se como problema de pesquisa conhecer: como tem sido a trajetória de mulheres gestoras universitárias de Ibero-América de Espanha, no período de 2010 a 2020? A concepção teórica é baseada em Bourdieu (1996), que define a trajetória social como o movimento dentro de um campo de possíveis definido estruturalmente. O aporte metodológico é o da pesquisa qualitativa com narrativa oral, baseada em categorias segundo Bardin (2016). O tratamento desses dados foi realizado através das TICs (Tecnologia de Informação e Comunicação), com a utilização do software IRAMUTEQ. Observamos que as mulheres gestoras universitárias possuem alta capacitação e que, apesar de estarem em um número equilibrado em relação aos homens, os altos cargos de gestão continuam a ser ocupados por homens.

TRAJETÓRIAS LÉSBICAS ENTRE (RE)INVENÇÕES DO SILÊNCIO NA EDUCAÇÃO (ESCOLAR-FAMILIA)

PID: S1982-03052022000100104 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2022
Autores: Torres
Resumo Este artigo lança o olhar sobre narrativas lésbicas compartidas através de entrevistas semiestruturadas realizadas com seis jovens entre 18 e 20 anos de idade, que residem na região metropolitana do Recife. Elas se narram, expõem medos e valentias, a partir de uma lente forjada por tudo aquilo que as interpelaram: as experiências dos espaços escolar e familiar. Assim, foi possível identificar e compreender os dispositivos heterossexualizadores e seus efeitos na subjetivação lésbica. Por serem dinâmicos e abertos, os dispositivos pedagógicos possibilitam uma ambivalência narrativa dos espaços, onde a imposição da norma pode ser ao mesmo tempo contradita. Resume-se: a (cis)heteronormatividade é um projeto só bem-sucedido se aplicado sobre corpos que estejam dispostos a correspondê-lo. Dito isso, ante ameaças de um modelo familiar cis-heterossexual, morte física e investidas de uma junção família-escola, as lésbicas elegem, ainda, a escola como um espaço de viver, burlando normas, tramando resistências.

TRAJETÓRIAS SOCIOEDUCACIONAIS DE MULHERES NEGRAS NO AMAPÁ: rompendo relações de poder

PID: S1982-03052022000300256 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2022
Autores: Lima Custódio
Resumo O presente artigo tem por objetivo refletir acerca da trajetória socioeducacional de professoras negras na vila de Mazagão Velho, estado do Amapá. As análises a partir da perspectiva decolonial permitem-nos compreender as percepções dessas mulheres negras inseridas nos espaços sociais, seja na família, na escola, no trabalho e de que forma as experiências pessoais marcaram, marcam e demarcam sua presença nesses espaços. Como escolhas metodológicas, optou-se, como método, pelo estudo de caso, através da pesquisa qualitativa narrativa, com observação direta e entrevista semiestruturada com sete professoras moradoras da vila de Mazagão Velho-AP. Os dados coletados foram tratados através da Análise do Discurso que permitiu-nos entender, através da linguagem, a interação entre as entrevistadas e o mundo em que estão inseridas, mostrando-nos que as trajetórias das entrevistadas trazem marcas da colonização que permanecem firmes, mascaradas pelo colonialismo, mas que são diária e arduamente combatidas através da luta e resistência contra as diversas formas de preconceito, discriminação racial e de gênero em face da mulher negra.

VIDAS NARRADAS: mulheres e natureza no pampa gaúcho

PID: S1982-03052022000200354 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2022
Autores: Schlee Henning Ribeiro
Resumo Este artigo é fruto de um estudo realizado no interior de um grupo de pesquisa com a finalidade principal de problematizar como as mulheres ambientalistas do pampa gaúcho narram a sua relação com a natureza e com a educação ambiental. Trata-se de uma investigação que toma assento especialmente nas filosofias da diferença, tensionando o pensamento e os modos como nos relacionamos com a natureza. Como caminho metodológico realizamos uma investigação narrativa através de uma conversa com três mulheres ambientalistas do pampa do Rio Grande do Sul. Ao final desta investigação consideramos que as mulheres narram suas relações com a natureza, onde o cuidado e o amor pelo lugar tornam-se fundamentais para o sentimento de pertencimento, um sentimento que intitulamos como sentimento pampeano.

VIOLÊNCIA E O CRIME EM LEGÍTIMA DEFESA: resistência e transgressão de Amélia dos Santos (1921)

PID: S1982-03052022000300114 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2022
Autores: Alves Araújo Sabino
Resumo Este artigo analisa os autos do processo judicial de Amélia Moreira dos Santos, ocorrido em 1921, na cidade de Inhangapy, no estado do Pará. Amélia dos Santos – mãe de dois filhos, pobre, sem instrução –, foi acusada de matar seu companheiro Manoel Canuto Limeira. Vivendo uma relação abusiva e de violência, Amélia dos Santos era considerada pelas testemunhas mulher trabalhadora, boa esposa, dedicada ao lar e aos filhos; já para a justiça uma pessoa desqualificada e sem índole para criar seus filhos. Amélia dos Santos, a ré, vai a júri popular por três ocasiões sendo absolvida por legítima defesa. Amélia dos Santos viveu em um contexto social que, apesar de estabelecer um discurso de moralidade a respeito da figura feminina, ainda reverberava o poder masculino. Além disso, um judiciário reprodutor de um discurso impositivo de conceitos e estereótipos de gênero. O caso criminal de Amélia dos Santos acaba por revelar, de um lado, à violência sofrida por muitas mulheres na capital do Pará no início do século XX e, de outro, que elas não tinham nenhuma política social de amparo contra a violência. Contudo, embora diante do patriarcalismo e uma justiça machista, Amélia dos Santos resistiu e transgrediu as normas vigentes dando final a uma relação conjugal abusiva.

YARA LÚCIA BRAYNER MATTOS: entre a política, a educação e a nutrição

PID: S1982-03052022000300086 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2022
Autores: Barreto Lima
Resumo Neste artigo, analisa-se a trajetória formativa e profissional da educadora, nutricionista e militante política pernambucana Yara Lúcia Brayner Mattos (1941–2005). A partir de pesquisa bibliográfica e documental, e com vistas a uma compreensão crítica do processo formativo que desembocou em sua militância no Partido Comunista Brasileiro (PCB) e na sua prisão durante o regime civil-militar, o que se buscou foi contribuir para o tecimento de uma história que reflete a atuação das mulheres a partir de sua relação com a política. A investigação, pautada por aspectos familiar, escolar, cultural e político, permitiu entender que sua participação em agremiações como a União dos Estudantes de Pernambuco, o Movimento de Cultura Popular e as Ligas Camponesas na década de 1960 a levou à militância no PCB como forma de resistência, de reivindicação dos direitos civis e de enfrentamento de um regime político autoritário e ditatorial.

É SOBRE SER PROFESSOR(A): poéticas/pruridos de anunciação da formação docente nas políticas curriculares

PID: S1982-03052022000400002 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2022
Autores: Rodrigues Ferraço
Resumo Nos dois últimos anos, durante a pandemia instaurada pela disseminação do vírus que ocasiona a doença Covid-19, vivenciamos as poéticas/pruridos da formação docente de modo mais intenso e em lugares antes inimagináveis. Inicialmente, nossas residências se transformaram em espaços de trabalho e os encontros formativos foram constantemente reinventados. Não mais tínhamos acesso as salas de aula, pátio escolar, corredores, espaços de lazer, banheiros, sons, cheiros, toques, olhares, gargalhadas ao vento, palavrões, gritarias, empurrões. Em meio as ausências de pessoas, sons e toques, coube a nós ressignificar os pruridos e transformá-los em poéticas, como forma de re-existência. Desafiar as políticas curriculares, que mesmo em tempos tão adversos, foram utilizadas para medir, contar, registrar, controlar. Insurgentemente insistimos nas linhas de fuga, desterritorialização e desestratificação como nos apresentam Deleuze e Guattari (1995, p. 11) para recriarmos as nossas atuações. Por isso, este dossiê se propôs a anunciar a alegria como potência de vida, os a-com-te-cimentos, des-dobramentos, (re)construindo sentidos, desentendimentos, (im)possibilidades, (des)encantos, que indagam o currículo, as políticas e o tempo de aprender. É sobre isto, é sobre nós. Destacamos que este texto faz a apresentação dos artigos que compõem a seção temática composta por vinte textos nacionais e dois internacionais que foram submetidos a revista e após aprovação, publicados. Enfatizamos que utilizamos enredamento de temas, categorias, e, às vezes, a perspectiva epistemológica dos autores para aproximar às discussões. Desejamos que possamos ao término da leitura ampliar o debate sobre ser professor(a) e esperançar.

“APRENDI O QUE É RACISMO NO BRASIL”: crianças africanas e brasileiras na escola pública

PID: S1982-03052022000200019 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2022
Autores: Russo Mendes Marcelino
Resumo Este artigo apresenta resultados de uma pesquisa desenvolvida entre 2018 e 2020, sobre o processo de inclusão de crianças em situação de imigração e/ou de refúgio nas escolas públicas da Baixada Fluminense. A partir de um estudo de caso realizado em uma escola municipal de Duque de Caxias, tecemos reflexões sobre as distintas percepções das crianças sobre temas como diferenças culturais, desafios para a integração na sociedade brasileira e as relações étnico-raciais na rotina escolar a partir da realização de oficinas pedagógicas que envolveram crianças brasileiras, congolesas e angolana participantes do projeto.

“NÃO É UM ANO PERDIDO”: resistência de professoras, temporalidades e invenções em cotidianos escolares pandêmicos

PID: S1982-03052022000300403 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2022
Autores: Ferreira Emilião
Resumo Este ensaio vem discutir a possibilidade de o trabalho docente que está acontecendo neste período pandêmico ser entendido como modo de resistência, de enfrentamento de um tempo de incertezas e medo. Objetiva relacionar invenções curriculares nos cotidianos escolares a partir de questões importantes que emergiram no tecer de conversas entre as professoras narradoras, refletindo sentidos que circulam nesses cotidianos. Uma das questões, relaciona os tempos gregos com o tempo próprio da escola e o que outras dimensões temporais podem dar a conhecer, em processos formativos docentes e discentes. Em seguida, discute o entendimento de tempo de aula como espaçotempo possível de invenção e expansão do presente nos cotidianos escolares. Finalmente, considerando o distanciamento físico por conta da pandemia da Covid-19 e, em rebeldia ao tempo do medo, com inspiração em pesquisas e estudos com os cotidianos, defende, conclusivamente, a importância de esforços coletivos para a operação de outras lógicas temporais no campo curricular contemporâneo.

(IN)FORMAÇÃO DE PROFESSORES AMERICANOS SOBRE ESTUDANTES COM ALTAS HABILIDADES/SUPERDOTAÇÃO

PID: S0104-70432022000100355 | Periódico: Revista da FAEEBA: Educação e Contemporaneidade (0104-7043) | Ano: 2022
Autores: Rondini Pereira
RESUMO Apresenta-se reflexão sobre o processo (in)formativo e práxis de agentes educacionais de duas escolas de duas cidades de pequeno porte no Condado de Tippecanoe, Estado de Indiana, Estados Unidos, quanto aos estudantes com Altas Habilidades/Superdotação. Os dados, oriundos de entrevistas com 15 agentes educacionais dessas escolas e cidades, foram analisados através da Análise de Conteúdo de Bardin, apoiada pelo Software IRAMUTEQ, examinando-se sete corpora do bloco temático Teacher training and knowledge about high-ability students. Os participantes revelaram-se distantes do perfil dos agentes educacionais brasileiros, que são dependentes das intervenções legais, passivos no processo de (in)formação e alienados para a práxis de diferenciação instrucional e curricular, ignorando os diferentes níveis e perfis dos estudantes. Diversamente, a práxis dos participantes assenta-se na formação básica, considerando imprescindível o desenvolvimento pleno dos estudantes e em níveis de excelência.

A EDUCAÇÃO INFANTIL DIANTE DOS RISCOS DA COVID-19: DILEMAS E DESAFIOS EDUCACIONAIS PARA BEBÊS E CRIANÇAS PEQUENAS

PID: S0104-70432022000100059 | Periódico: Revista da FAEEBA: Educação e Contemporaneidade (0104-7043) | Ano: 2022
Autores: Oliveira Sommerhalder
RESUMO Desde o início de 2020, o mundo tem passado por demandas emergenciais devido à disseminação do novo coronavírus, exigindo medidas diversas, como a implementação de medidas de distanciamento social e a suspensão de atendimento presencial nas escolas. Frente a esse cenário, muito se tem visto e discutido a respeito da Educação Infantil, sendo preocupante a adoção de práticas escolarizantes, preparatórias e, muitas vezes, excludentes, por meio de propostas de atividades não presenciais. Este estudo caracteriza-se como estudo de caso, cujo objetivo é discutir e analisar ações e documentos de um programa educacional municipal implementado no contexto de pandemia, abordando dilemas e desafios, assim como possibilidades de trabalho. Consideramos que os recursos tecnológicos e digitais podem se configurar como ferramentas potentes de apoio, de comunicação, de diálogo e de estreitamento de vínculos entre os diferentes sujeitos envolvidos na educação e no cuidado de bebês e crianças pequenas. No entanto, é preciso ter atenção, intencionalidade e reconhecimento das limitações, de modo a não aprofundar as desigualdades educacionais, retroceder nas conquistas de direitos e modos de fazer a educação da infância.

A FORMAÇÃO ENTRE PARES COMO AÇÃO ÉTICA E POLÍTICA

PID: S0104-70432022000200191 | Periódico: Revista da FAEEBA: Educação e Contemporaneidade (0104-7043) | Ano: 2022
Autores: Jäger Nörnberg
RESUMO Este artigo apresenta e discute a formação entre pares no âmbito do programa Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (PNAIC). Com base nos princípios e procedimentos do método interpretativo, 34 relatórios de formadoras e orientadoras de estudo foram analisados. A problematização teórica foi amparada por estudos do campo da formação de professores, da teoria pedagógica e da filosofia política. A formação entre pares e o aprender com o outro são tematizadas no plano da ética e da política, dimensões intrínsecas à docência. A análise dos relatórios demonstra que a formação entre pares acontece num espaço entre Escola e Universidade, na imbricação entre comunidade de formadores de professores e comunidade de professores. A formação entre pares é potencializada quando são garantidos espaços de diálogo e de reflexão coletiva, o que permite aprender com o outro e sustentar a formação como troca intelectual, pautada na responsabilidade profissional e política.

A LITERACIDADE DIGITAL EM TEMPOS DE INCERTEZA

PID: S0104-70432022000200103 | Periódico: Revista da FAEEBA: Educação e Contemporaneidade (0104-7043) | Ano: 2022
Autores: Ochoa
RESUMO Narro, aqui, a experiência coletiva de um trabalho de intervenção e investigação em educação que se desenvolve a partir das condições de pandemia vividas no mundo. É um trabalho colaborativo entre nós, maestros e maestras do estado de Oaxaca, México sobre uma proposta de formação docente a partir da educação digital já que os tempos de isolamento nos tem obrigado a um confinamento mas, neste contexto, a oportunidade de um trabalho colaborativo. No coletivo da Rede Leo temos como foco a documentação da experiência que desenvolvemos junto com maestros e maestras através da pedagogia por projetos, onde a leitura e escrita se realizam a partir de um enfoque de literacidade digital crítica, experiência coletiva a partir de uma visão alternativa decolonial.

A PERFORMANCE DA CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS: UMA COREOGRAFIA DO PENSAMENTO A PARTIR DAS INFÂNCIAS

PID: S0104-70432022000400130 | Periódico: Revista da FAEEBA: Educação e Contemporaneidade (0104-7043) | Ano: 2022
Autores: Duarte Canda
RESUMO A relação entre a contação de história e a educação básica é compreendida em sua dimensão cosmoperceptiva e em referência a princípios de sociedades de tradição oral. A performance se constitui como conceito e fio metodológico para entender acontecimentos do estado brincante ao contar histórias. A metodologia é revestida pelo campo epistemológico da afroperspectividade, assentado em saberes afrocentrados, concebendo a pesquisa como acontecimento que atravessa corpos, memórias e sentidos. São recuperados fios de experiências de performances, para analisar a natureza híbrida e a potencialidade da contação de histórias. Na pesquisa, é dada à criança a voz de seus saberes: atenta aos mistérios, interessada pela magia dos contos e apresenta lições sobre a existência: viver entre a brincadeira e a narrativa, convite profundo a uma compreensão complexa sobre a oralidade que dá corpo à contação de histórias.

A PREPARAÇÃO DO CONTO E DO CONTADOR DE HISTÓRIAS

PID: S0104-70432022000400034 | Periódico: Revista da FAEEBA: Educação e Contemporaneidade (0104-7043) | Ano: 2022
Autores: Santos Arapiraca Carvalho
RESUMO O objetivo deste artigo é refletir sobre a constituição do sujeito como contador de histórias. O estudo aqui apresentado defende a ideia de que existe um portador de memórias em cada pessoa, que pode se revelar e se constituir em contador ou contadora de histórias, se dessa forma se descobrir. Tomando a Faculdade de Educação da Universidade Federal da Bahia (UFBA) como lócus da investigação, de inspiração etnográfica, e estudantes de Pedagogia como sujeitos da pesquisa, o estudo desenvolveu-se seguindo uma combinação de procedimentos e dispositivos de produção e coleta de dados e informações, o que compreendeu uma necessária pesquisa bibliográfica e a criação e implementação de uma oficina de contação de histórias para os sujeitos da pesquisa, com realização de um grupo focal ao final das atividades. A discussão aqui posta é resultado do percurso de contação e escuta de muitas histórias que nasceu a partir da questão norteadora desse estudo: Que caminhos podem ser percorridos para a formação de sujeitos contadores de histórias? Tal questão foi respondida ou, por vezes, desdobrada em muitas outras. As reflexões que o estudo produziu a partir da interação com os jovens estudantes autorizam as autoras a apontar como resultados: o contador de histórias aprende a contar a partir da rememoração das suas histórias fundantes - memória afetiva -, e é contando, muitas e muitas vezes, que ele se forma na arte de contar.

A QUESTÃO INDIGENISTA A PARTIR DA PERSPECTIVA DE DIFERENTES ESCRITORES(AS) NA VIRADA DO SÉCULO XIX E INÍCIO DO SÉCULO XX: PROJETOS EDUCATIVOS E CIVILIZACIONAIS (1893-1910)

PID: S0104-70432022000300143 | Periódico: Revista da FAEEBA: Educação e Contemporaneidade (0104-7043) | Ano: 2022
Autores: Bueno Marach
RESUMO O presente artigo analisa os jogos linguísticos presentes em fontes de diferentes naturezas, no projeto educativo e civilizacional orientado para os indígenas brasileiros, manifesto por um grupo de escritores(as) da virada do século XIX e início do XX. Este trabalho delimita-se entre 1890 e 1905 e considerou a ambiência intelectual que elegeu a temática indigenista como cerne de um dos projetos educacionais deste período. A análise pauta-se no Contextualismo Linguístico de John Pocock (2003), cujo foco encontra-se na dimensão pragmática do discurso político e relação entre a realidade experienciada e a linguagem. Em relação às fontes, foram produzidas por agentes, que evidenciaram, na cena pública, concepções acerca do tema deste trabalho. Conquanto os/as escritores(as) elencados(as) aqui tenham posicionamentos diferentes sobre questões relativas aos indígenas brasileiros, há um consenso de que a educação seria o condão que viabilizaria o processo de inserção desses povos no processo civilizador, cujo viés se fundamentou na ideia de construção de uma identidade brasileira, segundo a qual os indígenas ocupavam um lugar fundamental.

A RELAÇÃO CRÍTICA ENTRE A INOVAÇÃO PEDAGÓGICA E O ENSINO REMOTO EMERGENCIAL

PID: S0104-70432022000100042 | Periódico: Revista da FAEEBA: Educação e Contemporaneidade (0104-7043) | Ano: 2022
Autores: Vieira Pischetola
RESUMO Este artigo apresenta uma apuração sobre a relação entre inovação pedagógica e ensino remoto emergencial. Apresenta uma apuração sobre a transladação das aulas presenciais para o formato remoto, que aconteceu por causa da pandemia gerada pelo Covid-19. O estudo é de caráter qualitativo e exploratório, com aplicação de questionários aos docentes que estão lecionando remotamente, sendo a amostra não probabilística. Em duas etapas distintas, usando a metodologia “bola de neve”, produzimos dados para análise. A primeira etapa teve como ênfase a inovação pedagógica e a segunda foi direcionada para a avaliação no ensino remoto emergencial. Os resultados apontam que a maior parte dos docentes apenas transladou a sua metodologia para o formato online, ainda que a maioria tenha feito um replanejamento das suas aulas. Conclui-se que ainda é necessário aprofundar a relação entre tecnologias e inovação das práticas pedagógicas.

ANALÍTICA DA APRENDIZAGEM APLICADA À FORMAÇÃO DO PEDAGOGO A DISTÂNCIA NA ÁREA DA GESTÃO ESCOLAR

PID: S0104-70432022000100338 | Periódico: Revista da FAEEBA: Educação e Contemporaneidade (0104-7043) | Ano: 2022
Autores: Gonçalves Nunes
RESUMO A analítica da aprendizagem (learning analytics) é um campo de pesquisa ainda em estádio inicial na América Latina, inclusive no Brasil. O artigo estabelece um modelo preditivo, com base na analítica da aprendizagem, para auxiliar no acompanhamento do desempenho dos alunos do curso de Licenciatura em Pedagogia, modalidade de educação a distância, de uma universidade localizada no Estado do Ceará (Brasil) e participante do Sistema UAB, no tocante à formação na área da gestão escolar. Adotou-se o método estatístico, mediante a aplicação da técnica de regressão logística multinomial a categorias de ações realizadas no Moodle por 274 estudantes em duas disciplinas da área da gestão escolar, distribuídos em sete polos. Os resultados evidenciaram categorias de ações que interferem diretamente no desempenho do aluno, seja para ser aprovado, reprovado por nota ou por falta, revelando a necessidade de mudanças no design do curso.
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