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A formação política do professor: um olhar sobre a história

PID: S1982-596x2021000301175 | Periódico: Educação e Filosofia (1982-596x) | Ano: 2021
Autores: Ghedin Maciel
Resumo A presente pesquisa tem como finalidade possibilitar uma compreensão do desenvolvimento dos processos de formação política dos professores no âmago de um corpo social capitalista, objetivando fornecer as condições necessárias para repensar o contexto contemporâneo fundamentado na história. Partindo essencialmente da formação de professores, essa compreensão foi relacionada ao cenário político, econômico e social, uma vez que são as influências políticas reinantes no corpo social que sistematizam os processos formativos. A partir disso foram elaboradas observações a respeito dos referenciais teóricos que trabalham a temática; o exame dos contrassensos da formação política no corpo social capitalista; o professor enquanto intelectual orgânico; função política e social do professor no contexto da educação brasileira, assim como o delineamento dessa educação no contexto neoliberal e sua privatização. Tratou-se de uma Pesquisa Bibliográfica, de natureza Qualitativa. Este estudo permitiu compreender que é há a necessidade de discorrer sobre a formação de professores, uma vez que compreendemos que o contexto histórico da formação política do professor já necessitaria ser uma fase conquistada no momento em que objetivamos alcançar uma formação pedagógica de suma importância para todos os sujeitos.

A potencialidade na filosofia da educação antiga e medieval

PID: S1982-596x2021000200779 | Periódico: Educação e Filosofia (1982-596x) | Ano: 2021
Autores: Boveto Oliveira
Resumo O texto aborda a potencialidade, na filosofia da educação antiga e medieval, como a capacidade de aperfeiçoamento da razão. A noção de paideia conduz essa reflexão, uma vez que perpassa o pensamento educacional desde a antiguidade clássica até a baixa Idade Média. Essa continuidade explicita a tradição da formação integral do homem que considerava os aspectos morais e políticos como uma totalidade indissociável. O encaminhamento teórico segue a concepção de História Social de Braudel (1902-1985), já que o foco é a compreensão da herança teológica e filosófica, que exprime os fundamentos da educação. Para refletir sobre esse legado do conhecimento, três momentos foram estudados: a paideia grega na perspectiva aristotélica e platônica; a patrística, por meio do entendimento de Clemente de Alexandria (150-215 d.C.) e de Agostinho de Hipona (354-430 d.C.); e a escolástica, analisada nas concepções de Hugo de São Vítor (1096-1141) e Tomás de Aquino (1225-1274). Assim, nos autores apresentados, há a permanência da compreensão de que o aperfeiçoamento da razão significava a transformação em ato da potência essencial do homem: a razão. A principal finalidade da educação, portanto, era a formação da consciência de cada pessoa, pois entendia-se que esse era o principal meio para o êxito da vida em comum.

A relação entre imaginação, moralidade, política e literatura: uma análise a partir de Adam Smith e Martha Nussbaum

PID: S1982-596x2021000100161 | Periódico: Educação e Filosofia (1982-596x) | Ano: 2021
Autores: Oliveira
Resumo Este artigo analisa relação da imaginação com a moralidade e a política através da literatura. Parte-se da reflexão sobre o papel da imaginação na sociabilidade e na simpatia moral, segundo Adam Smith. Para o autor, a capacidade de compreender e sentir o que ocorre com o outro exige um exercício imaginativo. Smith considera que a simpatia moral está inseparável da imaginação. Essa questão é ampliada a partir do conceito de imaginação literária ou narrativa desenvolvido por Martha Nussbaum. Para a autora, a capacidade da imaginação pode ser cultivada através da literatura, pois ela possibilita a experiência de vivenciar emoções e compreender situações alheias. Isso promove e amplia uma imaginação moral capaz de proporcionar um entendimento mais amplo das relações humanas. Assim, este artigo sustenta que as humanidades e, em especial, a leitura literária, propicia uma espécie de experiência moral e uma reflexão ética e política. Isso confere à literatura um valor educacional, pois ela é capaz de promover as qualidades de uma cidadania condizente com a sociedade democrática pluralista e cosmopolita. A proposta aqui desenvolvida oferece elementos para se pensar a ética, a política e a educação na sociedade atual, valorizando e resgatando as humanidades e a cultura literária.

Ainda assim, a docência... Experiências formativas e reafirmação da escolha pelo magistério

PID: S1982-596x2021000200679 | Periódico: Educação e Filosofia (1982-596x) | Ano: 2021
Autores: Santos Almeida Júnior Gariglio
Resumo Este artigo relata os achados de uma pesquisa que buscou identificar e compreender quais experiências formativas vividas por estudantes bolsistas do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (Pibid) atua de forma a potencializar os processos de socialização profissional que ratificam a escolha inicial pela docência. O estudo é de caráter qualitativo e valeu-se do grupo focal como técnica de produção de dados. A pesquisa foi realizada em 16 cursos de licenciatura, de cinco Instituições de Ensino Superior (IES) de Minas Gerais, e revelou que a metodologia de trabalho proporcionada pelo Pibid atua de forma decisiva no processo de descoberta da profissão, em especial as experiências de ensino na sala de aula e o trabalho coletivo em comunidades de práticas.

Apontamentos retóricos sobre o conceito de oração em Teresa d'Ávila: rumo a uma pedagogia mística

PID: S1982-596x2021000301245 | Periódico: Educação e Filosofia (1982-596x) | Ano: 2021
Autores: Piovezan
Resumo Neste texto apresento algumas reflexões que se constituíram por meio de leituras do pensamento filosófico e religioso de Teresa D’Ávila. Meus objetivos concentram-se em identificar elementos teóricos vinculados à educação do pensamento renascentista-moderno na Espanha. Dentre os conceitos investigados, ressalto a relação entre ensino, oração e praxis no discurso cristão, inferindo, neste contexto, sobre a possibilidade de uma pedagogia teresiana. O foco de minha análise repousa na obra Castelo interior, a qual, do ponto de vista retórico, configura-se como um relato da experiência vivida pela autora. Tal fato leva-me a refletir os escritos da monja carmelita como um certo tipo de ensino, fundado na experiência mística. Assim, a estrutura do conceito de oração em Teresa desvela-se em uma prática de meditação que gera e impulsiona o conhecimento de si e para o outro. A oração, então, pode ser apreendida tal como qualquer outro tipo de instrução (técnica), por meio de etapas (método), e apresentando um resultado: a união entre a alma e Deus. Dessa união resulta um tipo subjetivo de conhecimento, a saber: o conhecimento místico.

As possibilidades do cinema no ensino das humanidades

PID: S1982-596x2021000301489 | Periódico: Educação e Filosofia (1982-596x) | Ano: 2021
Autores: Salvia
Resumo Tradicionalmente usado como ilustração e sensibilização de conteúdos curriculares, propomos neste artigo um outro modo de usar cinema como recurso didático no ensino de humanidades. Em um primeiro momento, fazemos uma crítica acerca das práticas mais usuais, levantando o problema se com elas o cinema de fato pensa. Em um segundo momento, a partir da concepção proposta por Gilles Deleuze, propomos encarar o cinema como instaurador de processos mentais através de suas técnicas de enquadramento, decupagem e montagem. Confrontamos a proposta de Deleuze com a de Julio Cabrera, para analisar criticamente a relação do pensamento com o cinema. Discutimos teoricamente esta distinção e também apresentamos práticas didáticas possíveis relacionadas a ambos os procedimentos. O artigo procura refletir tanto sobre as teorias quanto as práticas possíveis, tendo em vista a relação pensamento e cinema.

Cismando com o dualismo cartesiano e seus desdobramentos em práticas e estruturas escolares contemporâneas nas margens do capitalismo

PID: S1982-596x2021000301321 | Periódico: Educação e Filosofia (1982-596x) | Ano: 2021
Autores: Oliveira
Resumo Esse texto relaciona conceitos que, advindos de áreas do conhecimento diferentes, fundamentam estruturas de subordinação e controle, próprios de muitas práticas e hábitos da vida de diversos povos que habitam as margens do capitalismo moderno e colonialista. Ao articular os desdobramentos trazidos por cada um desses personagens conceituais, nota-se o quanto eles se interseccionam ao fundamentar muito da forma de viver da modernidade, sobretudo em contextos da periferia do capitalismo. Essa articulação se dá por meio de uma investigação bibliográfica sem deixar de refletir sobre as práticas da vida. Para tanto, inicia-se com uma descrição dos fundamentos dualistas cartesianos da ciência e da sociedade ocidental moderna. A seguir, busca-se descrever como esses conceitos se enredam em uma teia que institucionaliza hábitos típicos da estrutura de escola que vigora no país. Por fim, encaminham-se possibilidades de alternativas conceituais que refletem e sustentam práticas educacionais em direção à emancipação e superação das condições impostas pela modernidade/ colonialidade/capitalismo. Encerra-se o artigo com dois apontamentos resultantes do curso da pesquisa: conhecimento é criação, cultivo, cuidado; emancipar-se envolve, necessariamente, a ação de narrar a própria história.

Corpus Paraensis

PID: S1982-596x2021000201079 | Periódico: Educação e Filosofia (1982-596x) | Ano: 2021
Autores: Marques
Resumo A condição de possibilidade primária para a existência de uma filosofia é que os seres humanos pensem e, pensando, transmitam suas memórias e reflexões em escritos, ou seja, que exista uma traditio philosophica - uma herança e uma transmissão - desse pensar. O que identifica, grosso modo, a experiência do pensamento é seu registro na palavra-texto (escrita) e não apenas na palavra-oral (discurso). A condição secundária, portanto, é a existência de textos ou escritos filosóficos e, neste caso, a hipótese a se levantar refere-se aos escritos filosóficos coloniais do Pará, que nomeamos Corpus Paraensis. Provar a existência de uma filosofia colonial brasileira depende, por um lado, de reconhecermos o que resta daquela traditio philosophica colonial e, por outro, da análise desses escritos enquanto exercícios de pensar consignados em textos. Por isso, este artigo não só identificará alguns escritos filosóficos coloniais paraenses quanto exemplificaremos essa herança com a edição de dois inéditos: um texto de caso de consciência (ou filosofia moral) e um de filosofia transnatural ou teodiceia (metafísica teológica). Com isso, convencemo-nos de que existiu uma traditio philosophica colonial brasileira?

Crer, experimentar, fabular: ensaio sobre a experiência?

PID: S1982-596x2021000100341 | Periódico: Educação e Filosofia (1982-596x) | Ano: 2021
Autores: Vinci
Resumo Partindo da concepção deleuziana e deleuzo-guattariana da crença nesse mundo, esse ensaio procurará pensar a temática da experiência dentro do campo educacional. Para tanto, procuraremos pensar o modo como os filósofos Gilles Deleuze e Félix Guattari concebem uma espécie de crença imanente, voltada para a experimentação vital das forças constitutivas do mundo, capaz de ultrapassar os condicionantes transcendentes da experiência. Para a devida compreensão de uma tal crença, devedora daquilo que Deleuze denomina de empirismo transcendental, retomaremos o diálogo travado pelos autores de O que é a Filosofia? com a noção de fabulação preconizada por Henri Bergson. Buscaremos apresentar o modo como se dá a articulação entre os conceitos de fabulação e crença, importante na medida em que permitirá pensarmos uma experiência não condicionada por nenhuma instância transcendente, experiência a qual Deleuze e Deleuze-Guattari denominarão de experimentação. O conceito de experimentação, acreditamos, pode contribuir para as discussões recentes sobre experiência presentes no campo educacional, mormente aquelas empreendias por Jorge Larrosa Bondia e Julio Groppa Aquino.

Da assepsia moral na educação

PID: S1982-596x2021000100393 | Periódico: Educação e Filosofia (1982-596x) | Ano: 2021
Autores: Cossetin
Resumo O presente artigo problematiza, à luz de uma perspectiva hermenêutica, o suposto da dissociabilidade entre ética e moral e suas consequências para a educação. Parte da hipótese de que as teorizações e os desdobramentos educacionais e pedagógicos têm preterido as discussões sobre a moral e as suas demandas normativas, prescritivas e até pragmáticas, em nome da adoção, tanto em nível teórico quanto prático, de uma postura de permanente suspensão, relativização e crítica. Em contextos educativos, tal perspectiva estaria conduzindo ao abandono e à recusa de valores razoáveis e minimamente estáveis, indispensáveis à justificação da própria razão de educar. Diante disso, estes escritos orientam-se segundo três propósitos fundamentais: compreender as causas da controversa, apesar de necessária, dissociação entre ética e moral; problematizar a relação entre o devir humano, a sua educabilidade e a questão moral; e demonstrar a co-pertença entre ética, moral e educação.

Das Crises às possibilidades da Educação Superior no Brasil: uma leitura a partir de Hannah Arendt

PID: S1982-596x2021000301593 | Periódico: Educação e Filosofia (1982-596x) | Ano: 2021
Autores: Martins Rodrigues-Silva
Resumo O texto procura entender os pressupostos da educação superior no Brasil e faz considerações sobre seus limites e potencialidades à luz de Hannah Arendt. Segundo Hannah Arendt, a crise da educação remete-se a uma crise de estabilidade de todas as instituições políticas e sociais. E para o enfrentamento dessa crise, Hannah Arendt sugere reconsiderar a crise da modernidade para se repensar criticamente o papel da educação no mundo contemporâneo. De fato, sua reflexão assevera que a educação está entre as atividades mais elementares e necessárias da sociedade humana, e, por isso, tem de ser continuamente repensada em função das transformações do mundo no qual nascem novos seres humanos. Hannah Arendt questiona e faz pensar como que a crise da e na educação impede todo desenvolvimento de tarefas e dinâmicas que ajudem, especialmente aos estudantes (em qualquer área de conhecimento), a possuírem e produzirem um conhecimento que leve a um enfrentamento de situações críticas do quotidiano.

Desafios e dilemas da condição de trabalho de professores iniciantes no magistério público no DF

PID: S1982-596x2021000100113 | Periódico: Educação e Filosofia (1982-596x) | Ano: 2021
Autores: Silva Rocha
Resumo Este trabalho se origina nas preocupações voltadas às condições de trabalho de professores que iniciam na docência e tem por objetivo estudar a condição de trabalho do professor no início da carreira, buscando entender os desafios e dilemas enfrentados, no intuito de contribuir com a análise da realidade da atividade docente. O foco é o professor iniciante na Secretaria de Educação do Distrito Federal. Os resultados são obtidos a partir da análise documental em legislações e publicações no Diário Oficial do DF, e na aplicação de questionários e entrevistas. Os dados revelam um quantitativo expressivo de desistentes na carreira, compreendido em um terço dos professores que são aprovados no concurso público, anunciando questões objetivas ligadas as condições de trabalho, nos levando em questionar a necessidade de políticas de formação pensadas a partir da realidade do trabalho docente. Chamamos atenção para a omissão de políticas públicas diante do caso, como um fator condicionador para intensificar ainda mais as dificuldades enfrentadas nesta etapa da carreira. Se espera contribuir para a produção de conhecimento na área de formação de professores no que se refere aos dilemas vividos pelo professor iniciante, visando fundamentar propostas sobre acompanhamento profissional dos docentes iniciantes na carreira.

Dispositivos da Formação Teórica Queer: contribuições de Michel Foucault e Jacques Derrida

PID: S1982-596x2021000301457 | Periódico: Educação e Filosofia (1982-596x) | Ano: 2021
Autores: Calou Nobre
Resumo O presente artigo busca discutir as contribuições de Michel Foucault e Jacques Derrida para a formulação da teoria queer, apresentando algumas de suas propostas teóricas que passeiam e incorporam movimentos políticos e acadêmicos, bem como corpos em constante construção de si, incorporados por enunciados de gênero, suas oposições, mas também por suas Différances. Para isso, apresentamos inicialmente os itinerários históricos dos movimentos políticos queer, ou seja, uma pragmática que se dará ao longo da sua construção, base para o pensamento teórico. A seguir, apresentamos o pensamento desses autores como pressupostos para a potencialização, tanto dessa pragmática, como de dispositivos que compõem a analítica das normalizações dos gêneros e para além deles, constitutivas da Teoria Queer.

Elaboração uma proposta de projeto de tese. Notas destinadas aos doutorandos de Filosofia da Educação

PID: S1982-596x2021000100423 | Periódico: Educação e Filosofia (1982-596x) | Ano: 2021
Autores: Santos
Resumo Neste texto procurarei indicar possibilidades de elaboração de uma proposta configurável como Projeto de Tese, de modo a ser submetida a apreciação de um júri académico e, se aprovada, dar início à investigação. Refuta-se a ideia comum de que uma proposta curta não é suficientemente esclarecedora e representativa do Projeto de Tese, referindo o investimento exigido para alcançar uma versão depurada, clara e cientificamente correta. Não se trata, em contrapartida, de apresentar uma fórmula mágica ou de padronizar exemplos, o que anularia o valor pedagógico e epistemológico do texto. Trata-se, sim, de procurar uma forma razoável capaz de estruturar um plano de estudo em Filosofia da Educação. Neste sentido serão considerados todos os campos constitutivos da Proposta de Projeto de Tese, concluindo-se que a sua elaboração, antecipatória da Tese, corresponde já ao exercício filosófico dotado de valor racional. Seguindo uma linha explicativa-interpretativa, tomam-se para referência textos que contribuem para aproximar o exercício filosófico de uma metodologia académica que sem ignorar a especificidade funciona como regulador comum.

Elementos para uma psicopedagogia da cultura digital

PID: S1982-596x2021000200757 | Periódico: Educação e Filosofia (1982-596x) | Ano: 2021
Autores: Nunes
Resumo a cultura digital é um paradigma emergente que coloca questões a serem tratadas pelas mais diversas áreas do conhecimento. A educação é uma das áreas mais questionadas, exigindo-se dela uma constante renovação para acompanhar as mudanças que o mundo digital provoca no processo de aprendizagem. A psicopedagogia da cultura digital é uma proposta epistemológica de reflexão sobre o processo de aprendizagem permeado por desafios informacionais e comunicacionais. Nesta pesquisa, fazendo análise de bibliografia no campo da psicopedagogia, mas também da teoria da comunicação e da filosofia da mente, propomos um quadro teórico que visa fundamentar tais exigências epistemológicas em educação. Apresentamos, por fim, alguns elementos teóricos, advindos das demandas da cultura digital, que permitem-nos pensar um outro paradigma psicopedagógico e outra abordagem da aprendizagem.

Ensino de filosofia: notas sobre o campo e sua constituição

PID: S1982-596x2021000200813 | Periódico: Educação e Filosofia (1982-596x) | Ano: 2021
Autores: Rodrigues Gelamo
Resumo Objetiva-se perspectivar as discussões sobre o campo científico-filosófico “Ensino de Filosofia” e seu estatuto epistemológico, reconstituindo historicamente alguns acontecimentos e uma percepção possível de sua emergência na realidade brasileira. Primeiramente, retoma-se o debate através das pesquisas de Velasco, figura de destaque e agenciadora do assunto nos últimos anos. Apresentam-se suas teses e posicionamentos, cujos desdobramentos apontam para a existência de um campo científico-filosófico consolidado na última década. Posteriormente, reconstrói-se uma narrativa sobre a trajetória de criação e desenvolvimento do campo que ressoa em suas análises. Explora-se uma movimentação política e acadêmica ocorrida no final da década de 1990 e começo dos anos 2000, realizada por professores-pesquisadores de filosofia, que, ante a possibilidade do retorno da filosofia à educação básica, se unem a fim de lutar por uma territorialização do ensino de filosofia na própria filosofia, de modo a transformá-lo em um problema genuinamente filosófico, alargando os limites epistêmicos e institucionais da filosofia brasileira. Finalmente, destaca-se que um campo é consequência de uma disputa concorrencial e das tensões estabelecidas entre os diferentes núcleos de pesquisas, complexidade que não consegue ser dimensionada por uma única percepção dos acontecimentos, abrindo-se, assim, caminhos para investigações futuras.

Epistemologia de fronteiras em Walter Mignolo: compreensão, críticas e implicações na pesquisa em educação

PID: S1982-596x2021000200643 | Periódico: Educação e Filosofia (1982-596x) | Ano: 2021
Autores: Oliveira Gomes
Resumo Este artigo objetiva compreender a “Epistemologia de Fronteiras” como uma categoria essencial para a crítica epistemológica do filósofo Walter Mignolo, a partir do pensamento decolonial, e descrever as principais questões e argumentos que problematizam este conceito, refletindo sobre as suas implicações para a pesquisa em educação. Desta forma, explicita-se as concepções fundamentais da Rede Modernidade/Colonialidade (M/C), a partir de uma investigação de perfil qualitativo e histórico-conceitual. Considera que a “Epistemologia de Fronteiras” possibilita a reflexão em torno da decolonialidade na produção de conhecimentos, ao mesmo tempo em que estimula a crítica epistemológica e metodológica à colonialidade do poder no âmbito da pesquisa em educação.

Especificidades e usos da noção de signo em A Arqueologia do Saber

PID: S1982-596x2021000200617 | Periódico: Educação e Filosofia (1982-596x) | Ano: 2021
Autores: Carlos
Resumo O reconhecimento da noção do signo em diferentes domínios do saber com significados, sentidos e usos diversos sinaliza sua relevância estruturante e operante nos processos de produção do conhecimento, da comunicação e da sociabilidade humana. Considerando esse fato, o presente ensaio objetivou identificar e localizar as formas de aparecimento da noção de signo em A Arqueologia do Saber (2008), a fim de analisar e sistematizar seu status na Análise Arqueológica do Discurso - AAD - e de refletir sobre ele. Recorrendo à própria AAD para escandir o referido livro, verificamos que Foucault tocou, inúmeras vezes e de modos diferenciados, na questão do signo, sempre em conexão com a problemática do discurso, seja como uma estratégia de sua elisão, seja como limiar de sua constituição. O ensaio concluiu que Foucault operou, em A Arqueologia do Saber (2008), um deslocamento do sentido e do uso corrente da noção de signo para a de discurso-enunciado, como uma formação discursiva fundamental para os estudos e as pesquisas analítico-arqueológicas.

Filosofia, educação a descolonização epistêmica do saber

PID: S1982-596x2021000100083 | Periódico: Educação e Filosofia (1982-596x) | Ano: 2021
Autores: Castro Oliveira
Resumo O artigo pretende abordar as possíveis contribuições da filosofia latino-americana e das filosofias e pedagogias indígenas na descolonização epistêmica do saber. Para tanto, investiga o trabalho de libertação da filosofia proposto Enrique Dussel e Raúl Fornet-Bettancourt, bem como a noção de colonialidade do saber, pensada por diferentes teóricos da concepção decolonial. Identifica-se a necessidade de compreender o Outro a partir dele mesmo como matriz de um processo decolonizador, e por isso propomos a leitura do trabalho do autor, filósofo e educador indígena Daniel Munduruku, a fim de identificar aspectos que nos ajudem a empreender um trabalho de reconfiguração e descolonização epistemológica.

Gênese e processo histórico do complexo da arte no cotidiano do ser social na Estética de Lukács

PID: S1982-596x2021000301413 | Periódico: Educação e Filosofia (1982-596x) | Ano: 2021
Autores: Araujo Rabelo
Resumo Esse artigo tem como objetivo apresentar o entendimento onto-histórico sobre o trabalho e a origem tardia do complexo da arte no cotidiano dos seres sociais. Trata-se de uma pesquisa teórico-bibliográfica e fundamenta-se, especialmente, na obra “Estética: la peculiaridad de lo estético”, de Georg Lukács. É pela via do trabalho que a significação de utilidade se transpõe a uma dimensão estética. O complexo da arte se estrutura a partir do tempo livre (ócio), do desenvolvimento da técnica e, ademais, pela experiência do agradável e pela consciência do estético. Considera-se, com efeito, que muito mais do que se acercar dos fatos históricos a respeito da arte, é imprescindível reconhecê-los ontologicamente, compreendendo as necessidades assentes ao cotidiano dos indivíduos enquanto partícipes do gênero humano.
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