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As políticas curriculares da educação profissional e o trabalho docente

PID: S1517-97022021000100721 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2021
Autores: Soares Júnior Borges
Resumo Este artigo analisa o processo de implantação das atuais Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Profissional Técnica de Nível Médio (Parecer CNE/CEB n. 11/2012 e Resolução CNE/CEB n. 06/2012) em uma instituição de educação profissional no estado de Goiás. Para tanto, foi realizada uma pesquisa do tipo estudo de caso, que teve como procedimentos de levantamento de dados a análise documental, a observação, a entrevista semiestruturada e a instrução ao sósia. Os documentos analisados foram referentes às políticas curriculares e aos níveis de decisão curricular no âmbito da instituição escolar e os sujeitos da pesquisa foram gestores e professores. A implantação das diretrizes curriculares vem sendo feita a partir de ações da Reitoria, tais como: alteração dos projetos pedagógicos e das matrizes curriculares dos cursos técnicos; realização de um programa de formação continuada de docentes e técnicos-administrativos; organização e desenvolvimento de eventos de caráter científico; realização de um trabalho piloto de reformulação curricular e diálogos entre representantes da gestão e professores dos diferentes campi. Entretanto, essas ações têm apresentado pouco efeito nas práticas dos professores, uma vez que, no desenvolvimento do seu trabalho, são influenciados por fatores como a dimensão pessoal e o caráter socioeconômico do trabalho, a organização do trabalho pedagógico, os estudantes, o campo disciplinar e a área de atuação, a experiência profissional e os valores dos próprios professores, entre outros.

As várias faces do plágio entre estudantes do ensino superior: um estudo de caso

PID: S1517-97022021000100763 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2021
Autores: Ramos Morais
Resumo O olhar sociológico sobre o plágio entre alunos do ensino superior nas últimas décadas tem produzido progressos teóricos e metodológicos que permitem problematizar e monitorizar esse antigo e persistente fenômeno, considerando seus contornos contemporâneos. Este artigo, resultante de um projeto de investigação, sistematiza alguns desses avanços por forma a analisar criticamente as percepções sobre várias formas de plágio entre estudantes no ano letivo de 2015/2016 numa instituição de ensino superior portuguesa, aferindo (des)continuidades entre vários ciclos de estudo e controlando o efeito das variáveis sexo, idade, área de estudos e conhecimento do código acadêmico em vigor nessa instituição. Os dados em análise resultam de uma inquirição por questionário e permitem verificar que as percepções dos estudantes sobre o que constitui plágio divergem, especialmente em relação a algumas formas de plagiar, ainda que ganhem acuidade ao longo do percurso acadêmico. Por outro lado, os estudantes dos diferentes ciclos destacam o papel do conhecimento e do acompanhamento dos professores na prevenção dessa prática antiética. O impacto positivo da socialização acadêmica nessas percepções atesta a importância de uma pedagogia voltada para a honestidade e para a escrita intertextual, clamada pelos próprios estudantes, mas frequentemente secundarizada nas políticas de prevenção e nos currículos acadêmicos das instituições de ensino superior.

Avaliação em língua inglesa: revelando opiniões de alunos e pais

PID: S1517-97022021000100752 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2021
Autores: Larenas Boero Rodríguez Sánchez
Resumo O presente estudo analisa as percepções de alunos e pais chilenos sobre avaliação da língua inglesa. Trezentos e cinquenta e dois alunos de 2° ano do ensino medio no Chile foram pesquisados usando o inventário das tarefas de avaliação, a escala do entorno de avaliação percebida na aula e o teste de escala de ansiedade para medir suas percepções sobre a avaliação na disciplica de língua inglesa. Também foi realizada uma entrevista semiestruturada para capturar as percepções de setenta e quatro pais sobre o inglês e a maneira como seus filhos são avaliados na disciplina. Os dados quantitativos foram analisados pelo Coeficiente de Correlação de Pearson para medir a força do relacionamento dos escores nas três escalas, e os dados qualitativos foram categorizados por meio da análise de conteúdo e frequência. Os resultados sugerem que as subescalas das três pesquisas mantêm relações estatisticamente significativas e os alunos sentem que um ambiente de avaliação orientado à aprendizagem é mais benéfico para eles do que um orientado ao desempenho. O primeiro é um tipo de ambiente que favorece a aprendizagem e o domínio dos materiais de parte dos alunos, enquanto o segundo é um tipo de ambiente alinhado às práticas de avaliação em sala de aula que enfatizam a importância das qualificações sobre o aprendizado. Os resultados qualitativos também sugerem que os pais têm uma percepção positiva do idioma inglês e acreditam que é útil para a vida de seus filhos, embora eles mesmos possam achar difícil o aprendizado do idioma.

Coalizão advocatória e aprendizado nas políticas públicas: as mudanças nas convicções centrais do PAIC

PID: S1517-97022021000100764 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2021
Autores: Sumiya Sano
Resumo O objetivo deste artigo é compreender o processo de formação de uma coalizão que levou o Programa de Alfabetização na Idade Certa (PAIC) do Ceará a se tornar uma política prioritária no estado. Foi adotado o modelo das coalizões advocatórias (ACF) para analisar o papel dos principais atores no desenvolvimento da coalizão, caracterizar seu sistema de crenças e o processo de aprendizagem na política. A pesquisa envolveu o levantamento de documentos institucionais do programa, teses e dissertações, notas taquigráficas de audiências públicas, matérias na mídia e entrevistas com os principais envolvidos. A análise da trajetória das principais ideias ao longo de dez anos, que se iniciou com a experiência dos gestores em Sobral, Ceará, em 1997, e culminou com sua chegada ao governo do estado, em 2007, permitiu caracterizar a composição de uma única coalização. A formação e a disseminação do conjunto de crenças ocorreram a partir da atuação do Comitê Cearense para a Eliminação do Analfabetismo Escolar (CCEAE), formando uma forte coalizão com participação de diversos especialistas e instituições, bem como de atores municipais. Foram identificadas três camadas de crenças e, com relação às convicções centrais da política pública, foram caracterizados sete componentes, divididos em dois períodos de análise. A mudança nas convicções centrais foi analisada a partir da perspectiva da aprendizagem nas políticas públicas, considerando o processo de reflexão dos principais atores.

Começar pelo meio de um fazer: recompor o ensino de sociologia

PID: S1517-97022021000100730 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2021
Autores: Schweig
Resumo A partir do debate contemporâneo acerca da virada ontológica, busca-se discutir neste artigo possíveis implicações de seus pressupostos para conceber as práticas da docência da sociologia na escola básica. A educação e o ensino são pensados deslocando-se do questionamento epistemológico (como conhecer) para aquele da ontologia (como a realidade se produz), de modo a abrir um campo de atenção à materialidade das práticas de conhecimento. Explora-se essa perspectiva tendo como disparador o relato de uma situação de planejamento pedagógico oriundo de pesquisa de campo etnográfica realizada em Porto Alegre, Rio Grande do Sul. Ao se desdobrar as controvérsias contidas na narrativa, tensionam-se os limites do idioma representacional na concepção da docência da sociologia no ensino médio. Questiona-se, portanto, qual ensino seria possível ao assumirmos que não há um mundo – e uma sociologia – prontos previamente às práticas. Assim, ao explorar os caminhos indicados no próprio relato de campo, elabora-se a ideia de “começar pelo meio de um fazer” em uma proposição de inversão e transmutação dos elementos implicados na intervenção pedagógica na escola. Com isso, concebe-se a prática docente menos em termos normativos e finalísticos e mais a partir da ideia de abertura às recalcitrâncias e cultivo da atenção a processos e percursos.

Compor o reconhecimento: explorar laços com os outros na escola

PID: S1517-97022021000100502 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2021
Autores: Resende Gouveia Beirante Souza
Resumo O presente artigo insere-se em um projeto de investigação centrado na problemática da hospitalidade na forma como os alunos agem nos territórios escolares, visibilizada por meio de experiências inóspitas e hospitaleiras vivenciadas por esses atores no decurso das sociabilidades escolares. No quadro desta problemática, pretende-se, em particular, observar como os alunos qualificados como estrangeiros se ligam à escola e, através desses laços, analisar as maneiras como se relacionam com os outros, na figura dos seus pares, em um contexto de transformação na morfologia escolar nas últimas décadas, decorrente do incremento do número de alunos estrangeiros que se matriculam nos ciclos da escolaridade obrigatória em Portugal. Mediante o quadro teórico comumente designado por sociologia pragmática, tenciona-se analisar como alunos se envolvem em diferentes e compostos regimes de ação que visam a fazer o comum no plural nos respectivos estabelecimentos de ensino. Articulam-se, para o efeito, dados de entrevistas semidiretivas e observações etnográficas levadas a cabo em duas escolas públicas do ensino médio português e que têm como traço comum albergarem fortes contingentes de alunos oriundos de contextos de imigração e com diversas nacionalidades. Incidindo o olhar sociológico sobre vários espaços tipificados que compõem o território escolar, é nas exteriorizações por parte desses alunos estrangeiros inquiridos em torno de acontecimentos efervescentes e do modo como habitam a escola que é tratada e evidenciada a problemática do reconhecimento – nomeadamente, as composições do reconhecimento do aluno na sua figura de estrangeiro e as diversas experiências em que esse reconhecimento é ou não experienciado.

Concepções de justiça escolar em documentos do PNUD e da UNESCO

PID: S1517-97022021000100503 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2021
Autores: Rezende
Resumo Ao lerem-se os documentos do PNUD e UNESCO, que compõem o sistema das Nações Unidas, percebem-se modelos prospectivos - sobre justiça, escola justa, justiça escolar – que têm conectividade com uma vasta literatura acadêmica sobre educação e direitos humanos e educação e justiça social. Esta é uma pesquisa documental que busca averiguar de que modo os documentos intitulados Relatórios de Monitoramento da Educação para Todos da UNESCO (REPTs) e Relatórios do Desenvolvimento Humano (RDHs) procuram, no limiar do século XXI, atestar a eficácia da educação e da escola como promotoras da inclusão social, econômica e política dos indivíduos. As suas prescrições são feitas aos Estados, às organizações da sociedade civil e às lideranças políticas comprometidas com uma educação mais justa e democrática. Ressaltou-se, no decorrer da análise, que os diagnósticos e as prescrições, presentes nos respectivos documentos, por visarem a alcançar espaços territoriais e contextos sociais e políticos expressivamente amplos não se atêm, suficientemente, aos processos conflitivos que podem, em condições sociais, políticas e educacionais específicas, impossibilitar a ampliação da justiça, de modo geral, e da justiça escolar, de modo particular. Em razão da diversificada natureza dos prognósticos presentes nesses relatórios, não é possível, aos seus formuladores, atentar para as singularidades das diversas sociedades como um espaço de inúmeros conflitos que tendem a ampliar as dificuldades de avanços substantivos rumo a uma crescente justiça escolar.

Consciência histórica e representações sociais: um estudo acerca das percepções de jovens estudantes sobre o Brasil

PID: S1517-97022021000100711 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2021
Autores: Reis Silva
Resumo Neste artigo, analisamos as percepções de jovens estudantes sobre o Brasil a partir do diálogo entre as teorias da consciência histórica e das representações sociais. Mediante a produção de narrativas escritas, buscamos identificar as visões de mundo que os participantes utilizam para orientar-se no tempo e perspectivar seu futuro. Com isto, intentamos valorizar as construções mentais de sujeitos em situação escolar, contribuindo com o fortalecimento das pesquisas no âmbito do Ensino de História. O estudo foi realizado em uma escola pública estadual, localizada no bairro Butantã, na cidade de São Paulo/SP, no ano de 2017. Participaram 127 estudantes, entre 14 e 18 anos de idade, dos gêneros masculino e feminino, distribuídos em cinco turmas do 1º ano do Ensino Médio. Os dados foram coletados a partir de um questionário e analisados segundo os pressupostos da Grounded theory com auxílio do IRAMUTEQ. Este software viabilizou a construção de um dendograma composto por três classes que implicaram a identificação de representações sobre o tempo presente (classe 1), articulações com o passado (classe 2) e projeções para o futuro (classe 3). De acordo com os resultados, evidenciamos ideias relacionadas à percepção de um país em crise, com um passado preconceituoso e um futuro, contraditoriamente, promissor. Trabalhadas em sala de aula, essas ideias podem contribuir com a formação da consciência histórica dos estudantes.

Desafío epistemológico de los conocimientos educativos indígena y escolar para una educación intercultural

PID: S1517-97022021000100732 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2021
Autores: Saavedra Quilaqueo
Resumen El propósito de este trabajo es comprender y explicar la tensión epistemológica entre los conocimientos educativos indígenas con la monoculturalidad eurocéntrica de los sistemas educativos nacionales, desde la complejidad que implica la educación escolar en los contextos de los pueblos indígenas de América. Puesto que la justificación ha sido la colonización y su integración a los Estados nacionales, negando las epistemes de sus conocimientos educativos en la educación escolar. Frente a esto, proponemos una crítica epistemológica a la construcción de conocimientos interculturales propuesta por los Estados, apoyándonos en el pluralismo epistemológico. Específicamente, analizamos los casos del proyecto Milpas educativas de México, la acción educativa kimeltuwün en la Araucanía, Chile y la política educativa en el estado de Roraima, Brasil. Se considera el contexto político que norma la educación intercultural sobre las experiencias de Educación Intercultural Bilingüe de los estados nacionales y las recomendaciones del Convenio 169, de la Organización Internacional del Trabajo. En conclusión, planteamos una educación intercultural tomando en cuenta la tensión epistemológica entre las epistemes indígenas y escolar. Asimismo, planteamos la necesidad de construir una educación intercultural, contextualizada a cada pueblo indígena, en el marco de sus relaciones interétnicas con los no indígenas mediante un diálogo desde la perspectiva del pluralismo epistemológico.

Diretrizes curriculares de Campinas para a educação física: o que está em jogo?

PID: S1517-97022021000100726 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2021
Autores: Ferreira Nunes
Resumo O presente trabalho apresenta como pressuposto que o currículo não é apenas uma organização de disciplinas, nem um rol de conteúdos a serem ensinados. Considera-se que o currículo envolve diferentes ações do processo educativo, desde formas sobre a estrutura do funcionamento escolar, passando pela arquitetura e distribuição dos tempos e espaços escolares, a seleção de saberes, a organização e oferta das atividades de ensino, a correção das posturas dos corpos, indo até os discursos que acabam por dizer o que é esperado ou não dos sujeitos da educação. Além disso, por ser uma política de Estado, no processo de selecionar o que constituirá o currículo está o projeto de sujeito que se pretende para a sociedade. Sendo assim este artigo faz parte de uma pesquisa mais ampla a respeito das políticas curriculares promovidas pela Secretaria Municipal de Campinas. Toma como objeto de investigação as Diretrizes Curriculares do município para a educação física. Analisa as concepções referentes ao objeto de conhecimento da educação física e os objetivos anunciados para o componente. Considera a análise de documentos como método e utiliza as teorias de currículo e os estudos acerca das políticas curriculares, a fim de significar seus efeitos. Os resultados indicam que as Diretrizes para o componente apresentam inconsistências epistemológicas e didáticas. Infere que essa situação ocasionará dificuldades para a prática docente e, com isso, o acirramento da disputa pelo controle da agenda de políticas de formação de professores, favorecendo a racionalidade política neoliberal.

Do sonho à realização: pedagogia empreendedora, empresariamento da educação e racionalidade neoliberal

PID: S1517-97022021000100736 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2021
Autores: Alves Klaus Loureiro
Resumo Nas últimas décadas, as reformas educacionais têm se baseado cada vez mais na lógica do mercado e na norma neoliberal de um sujeito autorregulado, flexível e empreendedor. No Brasil, a partir de diversas parcerias público-privadas, difundiu-se a chamada “pedagogia empreendedora”, que procura utilizar o dispositivo escolar para disseminar a cultura do empreendedorismo entre crianças e jovens. Informada pela racionalidade econômica neoliberal, essa forma pedagógica sustenta que a adoção de uma atitude empreendedora em todas as esferas da vida é a chave para realizar objetivos como autorrealização, bem-estar material e satisfação pessoal. De acordo com essa lógica, para se adaptar a uma economia em contínua mudança e cada vez mais competitiva, é necessário que o indivíduo aprenda a ser autor e protagonista de sua própria vida, responsabilizando-se pelo aprendizado permanente das competências e habilidades demandadas pelo mercado. Para realizar este ensaio, consideramos estudos sobre a pedagogia empreendedora no Brasil, além de programas específicos e parcerias público-privadas, tendo como sustentação a teoria social contemporânea. Os resultados encontrados não têm como intenção representar a totalidade de ações na área da educação empreendedora no Brasil, mas apontar a disseminação do empreendedorismo como um modelo normativo que incita o sujeito a se conceber como uma empresa e a aceitar riscos, segundo uma racionalidade atuarial, que responsabiliza o estudante por sua própria formação, seu sucesso ou fracasso. Assim, a pedagogia empreendedora não só vende uma ilusão, mas reduz o espaço para formas alternativas de conceber a educação como direito do cidadão e bem comum.

Educación para el consumo sostenible desde la pedagogía crítica

PID: S1517-97022021000100750 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2021
Autores: Martín-Sánchez Casares-Ávila Cáceres-Muñoz
Resumen La educación para el consumo desde una perspectiva crítica es un tema serio que necesita ser estudiado y trabajado por todos los miembros de la sociedad educativa. Este trabajo plantea dos objetivos. Por un lado, realizar un análisis de la sociedad actual en clave de consumo. En la actual sociedad occidental el consumo de bienes se ha convertido en un factor de integración en la sociedad y se ha consagrado como la llave para acceder al mundo de primer orden. Las lógicas del mercado de consumo se han instaurado en la educación occidental creando una pedagogía consumista. Por otro lado, se pretende justificar la necesidad de una pedagogía crítica para el consumo como modelo pedagógico dirigido a alfabetizar económicamente a niños y jóvenes mediante el fomento del pensamiento crítico y el fortalecimiento del sistema educativo público para un adecuado y equitativo desarrollo individual y social. En cuanto al método, este trabajo se ha llevado a cabo desde una perspectiva y análisis crítico de las teorías educativas y sociales que abordan el consumo y sus consecuencias para la sociedad del siglo XXI. Como resultado se presenta el planteamiento de construir y defender críticamente la escuela y la educación a través de acciones coordinadas entre el alumnado y el profesorado que logre el empoderamiento para ser críticos, reflexivos y socialmente responsables. Se concluye que educar para el consumo responsable implica el compromiso de toda la comunidad educativa para lograr un cambio social.

Educação antirracista no contexto político e acadêmico: tensões e deslocamentos

PID: S1517-97022021000100717 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2021
Autores: Silva
Resumo Este artigo tem como objetivo discutir ações de movimentos sociais, em particular do movimento negro brasileiro, e movimentos sociais afroperuanos no Peru visando uma educação antirracista. Procura-se chamar a atenção sobre a discussão contemporânea que aborda raça e antirracismo na produção de conhecimento e nas políticas públicas educacionais no Brasil e Peru, além de uma aproximação do uso de categorias étnico-raciais em contextos censitários destes países. Um modo abrangente de abordar a questão inicia-se por pensar quais as dimensões implicadas no fenômeno sujeito a mensuração, e como as mesmas seriam operacionalizadas pelo Estado e sociedade. Este trabalho fundamenta-se na perspectiva teórica de autores contemporâneos sobre relações étnico-raciais e desigualdades educacionais. No campo metodológico utiliza-se a proposta da análise crítica do discurso, de Teun Van Dijk. A primeira parte apresenta uma discussão sobre a construção social da raça nos padrões de dominação e poder. Na segunda parte propõe-se uma discussão sobre categorias étnico-raciais nos contextos censitários da sociedade brasileira e peruana. Apreende-se que tais categorias podem ser cultural e politicamente elaboradas a partir de processos históricos complexos. A terceira parte aborda reflexões sobre a emergência de uma educação antirracista nas sociedades contemporâneas com ênfase para o Brasil e Peru. Conclui-se que é fundamental dialogar com alternativas que têm sido formuladas pelos movimentos sociais negros, em particular nas sociedades brasileira e peruana, que questionam a produção e disseminação do conhecimento eurocêntrico, desvelando o racismo, e considerando as relações de poder, em especial no âmbito educacional.

Educação de Jovens e Adultos na esfera municipal em Minas Gerais

PID: S1517-97022021000100706 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2021
Autores: Silva Soares
Resumo A ampliação dos encargos subnacionais com a educação básica interroga o protagonismo do poder local desde os anos de 1990. A educação de jovens e adultos (EJA) insere-se na agenda dos compromissos municipais e desperta a atenção quanto às formas de atendimento que têm sido realizadas a fim de se cumprir com o direito de todos à educação. O artigo apresenta dados da investigação que se preocupou em mapear e compreender ofertas educativas a jovens e adultos empreendidas por dez municípios mineiros. A investigação quanti-qualitativa produziu dados a partir de reuniões com gestores de EJA, seminários de pesquisa, acompanhamento em sala de aula, entrevistas com gestores, professores e alunos, os quais dialogam com a literatura da área do pós Constituição Federal de 1988. A análise dos dados à luz das convergências e das singularidades destaca a afirmativa recorrente de que “A EJA vai acabar” e ressonâncias da frase “Caí na EJA” advindas dos colaboradores da pesquisa. Há reconhecimento por parte dos gestores de que a Educação de Jovens e Adultos tem características próprias. Constata-se que somente esse reconhecimento não tem sido suficiente para amparar uma proposta de EJA, que atenda ao provimento de vaga de educador por meio do concurso público e à formação continuada voltada para as especificidades de jovens, adultos e idosos. Ao final, encaminha recomendações a partir das implicações ao perfil do professor como um profissional que afirma poder: “se jogar na EJA”.

Educação em direitos humanos no currículo das licenciaturas de instituições federais de educação superior

PID: S1517-97022021000100508 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2021
Autores: Silva Caputo Veras
Resumo A legislação brasileira contempla a necessidade da inclusão da Educação em direitos humanos na educação básica e superior. Para tanto, faz-se necessário que ela esteja presente na formação de professores, pois estes profissionais são responsáveis por desenvolver e implementar ações e programas de educação formal e não formal em todos os níveis de ensino. O objetivo deste estudo é analisar os currículos dos cursos de licenciatura ofertados por instituições federais de ensino superior, para identificar como a Educação em direitos humanos está inserida nesses currículos, tendo por referência a Resolução n. 01/2012 do Conselho Nacional de Educação (CNE). Trata-se de uma pesquisa descritiva-avaliativa, do tipo documental, que incidiu sobre as ementas de 38 currículos de licenciaturas com melhor avaliação no Conceito Preliminar de Cursos 2017, distribuídos em 21 instituições federais de educação e relacionados a 11 áreas: Matemática, Física, Computação e Química, Ciências Biológicas, Educação Física, Filosofia e Pedagogia, Letras, Artes Visuais e Música. Como resultado, foi possível identificar que as instituições não são omissas, considerando que 36 currículos abordam direitos humanos com conteúdos distribuídos em uma ou mais disciplinas, porém apenas 21% dos cursos ofertam componente curricular obrigatório específico para o tema, contrariando o que determina o CNE. Conclui-se que é preciso ampliar a inserção da educação em direitos humanos nas licenciaturas e que não se restrinja apenas a uma disciplina ou conteúdos isolados, mas que seja uma formação transversalizada em todo o currículo.

Educação na aldeia e escola indígena de Muã Mimatxi: o tehêy de pescaria de conhecimento

PID: S1517-97022021000100771 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2021
Autores: Braz Valadares
Resumo Atualmente, no que se refere à educação indígena, as legislações no Brasil trazem, em seus textos, tanto a necessária construção de uma escola diferenciada nas aldeias quanto a inclusão da temática indígena em escolas urbanas. Neste trabalho buscamos compreender a cultura do povo Pataxoop, cuja aldeia Muã Mimatxi localiza-se no município de Itapecerica, Minas Gerais. A nossa intenção é buscar elementos que auxiliaram na construção da identidade cultural desse povo, fortalecendo o sentimento de pertencimento. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, cujo objetivo é compreender o passado em suas conexões com o presente, diferenciando os tempos subjetivos da temporalidade do conjunto. Para tanto, entrevistamos o cacique e a professora da disciplina “Usos do território”, que tem construído desenhos-narrativas denominados tehêys de pescaria de conhecimento. Nos tehêys representa-se a formação do povo Pataxoop, suas cosmogonias, os mitos, as interações geracionais e as formas de resistência, além de se constituir como material didático para a escola da aldeia. Percebemos, nas duas entrevistas, uma narração espontânea, sem cortes, na qual os entrevistados desenvolveram as suas histórias com grande compromisso afetivo. Aumentamos a nossa compreensão sobre as interações entre educação, cultura e identidade desse grupo indígena, o que nos fez compreender melhor tanto a formação social do povo brasileiro quanto a importância dos mitos na construção da história da aldeia. O fato de compreender o modo de viver, de pensar, os rituais e as práticas sociais contribuiu para se pensar na seleção de temas para serem trabalhados nas escolas indígenas e urbanas.

Educação não formal: história e crítica de uma forma social

PID: S1517-97022021000100725 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2021
Autores: Catini
Resumo O presente artigo apresenta uma pesquisa que tomou como hipótese uma interpretação crítica da história da educação não formal no Brasil, que aborda seu surgimento ligado a um projeto conservador para mitigar a força da educação popular no período da Ditadura Civil Militar. A investigação partiu de tais indícios e de uma proposta metodológica da sociologia política que se refere ao estudo das formas sociais hegemônicas para buscar elos de tal processo na história da educação não formal. A exposição que segue apresenta os resultados de uma investigação com base em pesquisa bibliográfica e documental. De um lado, tal processo é especificado pela substituição dos programas de educação de adultos desenvolvidos no início dos anos 1960, no bojo dos movimentos de cultura popular, que tinham Paulo Freire como referência, pela instituição do Mobral (Movimento Brasileiro de Alfabetização). De outro lado, o exame dos documentos da UNESCO, sobretudo a partir dos textos de Philip Coombs, considerado o pioneiro no uso do termo educação não formal, como recomendação para superação da crise na educação. Em ambos os movimentos, o nacional e internacional, é possível identificar a gênese dessa forma social que se configura pela associação entre Estado, entidades privadas e sociedade civil. Essa forma altera os agentes e as finalidades de uma educação voltada às classes populares. A prevalência dessa forma social apresenta-se em outros momentos-chave da história da educação não formal, sobretudo na década de 1990, com o crescimento do terceiro setor, das ONGs e das fundações e institutos empresariais.

Educação, escola e matemática escolar: sentidos dos professores de matemática da educação básica

PID: S1517-97022021000100757 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2021
Autores: Godoy Gerab Santos
Resumo A formação inicial do professor de matemática tem sido objeto de discussão nas esferas governamentais e nas Sociedades Brasileiras de Educação Matemática e de Matemática. Por consequência disso, percebe-se avanços em alguns pontos críticos, dentre os quais destaca-se – o excesso de matemática acadêmica desarticulada da matemática escolar; e – a aproximação das tendências teórico-metodológicas da educação matemática com a organização curricular dos cursos de licenciatura em matemática. Todavia, ainda estão ausentes as conversas envolvendo as distintas e variadas dimensões que interferem no processo de ensino e aprendizagem da matemática escolar; e as diferentes teorias do currículo. Em virtude disso, a neutralidade do conhecimento matemático e a excessiva preocupação com a dimensão normativa do currículo continuam sendo protagonistas na formação inicial do professor de matemática. Neste sentido, o presente artigo teve como objetivo investigar aspectos relacionados à percepção e entendimento de professores da disciplina de matemática na educação básica, acerca das disciplinas escolares, da escola, da educação escolar e do ser professor de matemática. Metodologicamente, incluiu-se numa abordagem quali-quantitativa de pesquisa, na qual, para alcançar os objetivos do projeto, realizou-se junto aos professores de matemática da rede pública do estado de São Paulo uma pesquisa de campo, por meio de questionário disponibilizado no “ google docs ”. Teoricamente, fundamentou-se em estudos sobre teorias do currículo. Mostrou-se tangível que os professores colaboradores ainda estão muito presos à dimensão normativa do currículo, priorizando sempre o que ensinar, como ensinar e como avaliar, sem se preocuparem com outras dimensões (cultural, social, política) que interferem na organização curricular da matemática escolar.

Educação, formação docente e multiletramentos: articulando projetos de pesquisa-formação

PID: S1517-97022021000100720 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2021
Autores: Silva Anecleto Santos
Resumo Este estudo tem como objetivo discutir a formação docente, no âmbito da Educação Básica, criando espaço para que os professores (re)pensem e (res)signifiquem suas práticas pedagógicas, tendo em vista o atual contexto sociocultural, a exigir desses profissionais que se apropriem da diversidade de linguagens, culturas e hipermídias que constituem os multiletramentos. Trata-se de um projeto guarda-chuva que articula diferentes projetos (stricto sensu), desenvolvidos em programas de Pós-Graduação de uma universidade pública, que trazem ao debate temáticas como diversidade cultural, multimodalidade, multissemiose, convergência digital, articulação entre ensino, aprendizagem e pesquisa, no âmbito da formação docente. Nesse contexto, a questão central deste estudo traduz-se da seguinte forma: como os professores têm se preparado para trabalhar os diferentes tipos de letramentos existentes, inclusive, os que envolvem as tecnologias digitais, relacionados às demandas e desafios propostos pelos (multi)letramentos? Como metodologia, optou-se pela pesquisa-formação, colaborativa, materializada por encontros formativos organizados sob a forma de sessões reflexivas. Resultados de pesquisas realizadas entre 2017 e 2018 levam à conclusão de que os projetos e políticas públicas voltados à formação de professor precisarão, diante das transformações advindas da cultura digital e dos multiletramentos, pensar a formação docente e as práticas pedagógicas, a partir de uma concepção de ensino que, efetivamente, estabeleça relação entre o conhecimento e a vida cotidiana do estudante; entre os processos de desenvolvimento humano e as possibilidades de aprendizagem oferecidas pelas agências da cultura letrada, considerando as orientações de inclusão da diversidade como princípio básico da cidadania.

Educação, redistribuição e reconhecimento: contribuições do pensamento de Nancy Fraser para a debate sobre justiça

PID: S1517-97022021000100507 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2021
Autores: Soares
Resumo Este artigo discute as contribuições da filósofa e ativista norte-americana Nancy Fraser para o debate sobre redistribuição e reconhecimento, analisando possíveis repercussões na relação entre justiça e educação. O debate ora apresentado tem sido um dos mais fecundos nas ciências sociais nos últimos anos, com forte repercussão para as políticas sociais e educacionais. A questão é compreender em que medida as políticas priorizam aspectos mais universais, com foco no conceito de equidade e em seus desdobramentos, ou ações de reconhecimento de identidades, pauta que tem ganhado centralidade, inclusive, nos discursos educacionais a partir do debate sobre gênero. Conhecida pela sua atuação no debate sobre feminismo, Fraser tem como um de seus focos de análise a organização dos discursos e das ações políticas no contexto das lutas nacionais e transnacionais. A partir das contribuições de Fraser, busca-se compreender as tensões deste debate e as perspectivas conciliatórias entre as duas correntes. Ao final, procura-se refletir sobre como redistribuição e reconhecimento influenciam o debate educacional, especialmente no momento social e político contemporâneo. De tendência conciliadora, Fraser aponta a possibilidade de pontes entre ações políticas que valorizem as identidades dos sujeitos e as que fortaleçam lutas históricas ligadas à universalização de direitos e da justa distribuição financeira que, em países como o Brasil, ainda estão longe de serem temas de um passado distante.
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