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Atendimento Educacional Especializado nos Institutos Federais: Reflexões sobre a Atuação do Professor de Educação Especial

PID: S1413-65382021000100319 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2021
Autores: ZERBATO VILARONGA SANTOS
RESUMO: Os Institutos Federais de Educação têm como objetivo promover o desenvolvimento de ações que garantam a inclusão social das pessoas com deficiência e em vulnerabilidade social. Assim sendo, as matrículas de estudantes Público-Alvo da Educação Especial (PAEE) propuseram novos desafios, tanto na Educação Básica de nível médio quanto no ensino técnico e tecnológico. Dessa forma, este artigo teve como objetivo geral discutir a atuação do professor de Educação Especial no contexto educacional dos Institutos Federais. Como objetivos específicos, pontuou-se: analisar documentos normativos que tratavam da atuação desse professor na Educação Básica de nível médio técnico e tecnológico e refletir sobre a atuação do professor de Educação Especial, de modo a traçar um paralelo entre um estudo de caso e os documentos normativos existentes. Trata-se de uma pesquisa documental, de abordagem qualitativa. Foram levantados os documentos normativos que se referiam ao papel da Educação Especial e analisados relatórios que retratavam da atuação de uma professora de Educação Especial em um dos campi do Instituto Federal Baiano. Os resultados apontaram que o Atendimento Educacional Especializado e a garantia do Educador Especial é prevista para a Educação Básica, porém essa é a realidade de um número pequeno de Institutos Federais. Destacou-se a relevância do trabalho especializado para escolarização dos estudantes PAEE e a parceria com outros profissionais no apoio dos estudantes com necessidades específicas. Concluiu-se que a presença do profissional de Educação Especial é indispensável na construção de ações em conjunto de curto, médio e longo prazo que possibilitem participação e aprendizagem dos estudantes PAEE.

Atitudes Sociais de Agentes Educacionais em Relação à Inclusão e à Formação em Análise do Comportamento Aplicada

PID: S1413-65382021000100322 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2021
Autores: BENITEZ PAULINO OLIVEIRA JR. DOMENICONI OMOTE
RESUMO: As atitudes sociais dos agentes educacionais podem influenciar o desenvolvimento de práticas inclusivas no contexto escolar. Considerando os principais desafios da inclusão escolar de estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA) na rede regular de ensino, esta pesquisa teve como objetivo avaliar atitudes sociais de agentes educacionais formais e informais em relação à inclusão antes e após um programa de formação em Educação Especial e Inclusiva fundamentado na Análise do Comportamento Aplicada. Participaram 52 agentes educacionais. O programa foi composto por encontros de discussões teóricas, atividades práticas e leitura dirigida sobre Educação Especial e Inclusiva e sobre estratégias analítico-comportamentais para intervenção. As atitudes sociais em relação à inclusão foram mensuradas por meio da Escala Likert de Atitudes Sociais em relação à inclusão antes e após a formação. O teste de Wilcoxon apontou diferença estatisticamente significante entre os escores do pré-teste e pós-teste (p = 0,003). Foram discutidas as implicações do programa formativo proposto sobre as possibilidades de desenvolvimento de um ambiente escolar inclusivo, uma vez que essa capacitação resultou em atitudes sociais mais favoráveis dos cursistas em relação à inclusão.

Atitudes Sociais de Professores em Relação à Inclusão: Formação e Mudança

PID: S1413-65382021000100202 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2021
Autores: VIEIRA OMOTE
RESUMO: Como todo ser humano, os professores constroem concepções, atitudes sociais, representações, crenças e expectativas em relação ao mundo e às pessoas ao seu redor. No contexto de sala de aula, esses elementos referem-se aos seus alunos e ao seu desempenho escolar. O trabalho docente pode ser influenciado por diversas variáveis. É propósito deste ensaio teórico examinar, especificamente, as atitudes sociais em relação à inclusão e às possíveis intervenções para modificá-las. São discutidas eventuais conexões entre as atitudes sociais em relação à inclusão e às variáveis sociodemográficas dos professores, como gênero, idade, área de formação, área de atuação, contato prévio com estudantes público-alvo da Educação Especial, sentimento de autoeficácia, entre outras. Ademais, são abordados os efeitos de algumas variáveis ambientais e de alguns aspectos relacionados aos próprios alunos. Propõem-se que, para além do treinamento técnico, a capacitação docente aborde aspectos atitudinais e interacionais. O domínio de conhecimentos especializados e a competência no uso de diferentes recursos avançados são relevantes, mas a sua eficiência na construção da Educação Inclusiva depende do contexto sociopsicológico criado por professores genuinamente favoráveis à inclusão.

Autoria de Jogos Digitais por Crianças com e sem Deficiências na Sala de Aula Regular

PID: S1413-65382021000100344 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2021
Autores: ALVES HOSTINS MAGAGNIN
RESUMO Este artigo tem como propósito avaliar o processo de construção colaborativa de jogo digital por crianças com e sem deficiências em contexto de educação regular. Trata-se de uma pesquisa aplicada e qualitativa, cujos referenciais teórico-metodológicos se embasam na abordagem histórico-cultural de Vigotski sobre atividade criativa de alunos com deficiência intelectual, no Design-Based Research (DBR), que alia a pesquisa em educação aos problemas vivenciados na prática por meio da colaboração entre participantes e pesquisadores, e no framework de criação de jogos digitais por crianças. Participaram da pesquisa 25 crianças, dentre elas três com deficiência intelectual, do 4º ano do Ensino Fundamental de uma escola municipal no Brasil. A pesquisa interdisciplinar alia Educação, Design e Engenharia da Computação em um processo de criação que emprega técnicas pedagógicas e de design de jogos, compartilhamento de ideias e colaboração entre crianças do Ensino Fundamental e acadêmicos do Ensino Superior. Como resultado, obteve-se um jogo digital de autoria e de idealização coletiva dos estudantes, na definição de personagens, cenários, mecânicas de jogos e narrativas. Tais resultados conferem o protagonismo das crianças no processo de criação, a aprendizagem de crianças com deficiência, a integração academia-escola e a viabilidade da aplicação do framework em contextos de educação regular e inclusivos.

Avaliação da Consciência Querológica de Crianças Surdas Portuguesas: o Iacq-Lgp

PID: S1413-65382021000100304 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2021
Autores: PRATAS CORREIA SANTOS
RESUMO: A avaliação da língua gestual Portuguesa (LGP) exige maior atenção à consciência querológica, dada a sua relevância na aprendizagem da língua. No âmbito nacional, constata-se a inexistência de instrumentos avaliativos da consciência querológica, pelo que o objetivo deste artigo é apresentar o Instrumento de Avaliação da Consciência Querológica (IACQ-LGP) e a análise das suas propriedades métricas. O instrumento (constituído por 5 subtestes) foi aplicado a 23 participantes entre os 5 e 12 anos (9.09±1.92), 17 do género masculino (73,9%) e 6 do género feminino (26,1%). Os índices da validade de conteúdo (IVC>.71), acordo universal (>.94) e média (>.94) apontaram a relevância dos itens. A proporção de acordo (.82 e 1) indiciou o forte consenso entre peritos, bem como os valores de Kappa de Cohen (k>.84). A fiabilidade foi confirmada pela consistência interna (.78<α<.82) e correlações moderadas a fortes ao nível da estabilidade temporal, pela técnica teste-reteste (.37<r<.73), exceção ao que avalia a discriminação de pares mínimos. A validade de constructo, analisada pelas intercorrelações entre domínios apontou correlações fracas a moderadas (.12≥r.≤84), e a análise fatorial exploratória a multidimensionalidade do constructo. O IACQ-LGP parece ser um instrumento fiável e válido para avaliar a consciência querológica. Conclusões e recomendações serão apresentadas.

Avaliação das Contribuições da Consciência Fonológica no Desenvolvimento da Escrita de um Aluno com Deficiência Intelectual no 1º Ano do Ensino Fundamental I

PID: S1413-65382021000100331 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2021
Autores: SILVA CAVALCANTE
RESUMO: Este artigo teve como objetivo investigar os avanços de um aluno com deficiência intelectual do 1° ano do Ensino Fundamental I, no decorrer de avaliações realizadas antes, durante e após um processo de intervenção com atividades que envolveram habilidades de consciência fonológica para o desenvolvimento da escrita. Buscou-se fazer uso dos preceitos da perspectiva sociohistórica, como também de autores contemporâneos que vêm se debruçando sobre estudos acerca da consciência fonológica e do desenvolvimento da leitura e escrita escolares. Participou deste estudo uma criança com deficiência intelectual de uma escola da Rede Municipal de Recife, Pernambuco. Foram realizadas oito avaliações diagnósticas durante o processo de intervenção, sendo possível perceber avanços na escrita da criança, a qual começou a internalizar os aspectos abstratos dessa atividade. Notou-se, ainda, uma reciprocidade entre a aquisição da escrita e o desenvolvimento da consciência fonológica.

Brincar e Contar Histórias com Crianças com Transtorno do Espectro Autista: Mediação do Adulto

PID: S1413-65382021000100312 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2021
Autores: DELIBERATO ADURENS ROCHA
RESUMO: O objetivo deste estudo foi descrever a mediação do adulto e as habilidades comunicativas de duas crianças com Transtorno do Espectro Autista, em situações lúdicas, por meio da narração de histórias. As atividades foram realizadas em um Centro Especializado em Reabilitação de uma cidade do interior do estado de São Paulo. Foram selecionadas duas crianças do gênero masculino com 2 anos e 9 meses e 3 anos e 3 meses de idade. Os dados foram coletados durante seis meses, por meio de atividades semanais com as famílias e profissionais da saúde, seguindo um programa de intervenção com histórias. As atividades foram filmadas e registradas por meio do diário de campo. As categorias e as subcategorias foram identificadas após a transcrição dos vídeos e incorporação dos registros do diário de campo em um texto único organizado em sequência temporal das atividades. As categorias e as subcategorias identificadas em relação aos objetivos deste estudo foram: a) mediação do adulto: modelação, questionamento e entonação da voz do adulto interlocutor, uso de sistemas suplementares e alternativos de comunicação: sistema tangível, sistema pictográfico e mediação combinada; b) habilidades de expressão: expressão verbal e vocal, expressão não verbal e vocal, expressão não verbal e não vocal, expressões combinadas. Os resultados ilustraram a importância da mediação do adulto na atividade da narração de histórias como um instrumento para o acesso à linguagem e às habilidades comunicativas das crianças envolvidas durante o processo de mediação.

Coeficiente de Progressão da Fluência de Leitura no Acompanhamento de Escolares do Ensino Fundamental I

PID: S1413-65382021000100308 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2021
Autores: PEREIRA ALVES MARTINS-REIS CELESTE
RESUMO: A fluência de leitura é tida como uma meta no desenvolvimento da leitura oral e pode, de forma mais rápida e objetiva, indicar a evolução do desempenho dos estudantes. A Base Nacional Comum Curricular do Brasil prevê que, entre o 3º e 5º ano do Ensino Fundamental, o escolar deve ler de forma autônoma e fluente com textualidade adequada. Assim sendo, o objetivo deste estudo é verificar se a fluência leitora pode ser utilizada como um indicador de competência com o avanço do ano letivo para os estudantes do Ensino Fundamental I. Trata-se de um estudo observacional, longitudinal e descritivo. Participaram 36 crianças matriculadas do 3º ao 5º ano do Ensino Fundamental, sendo 18 do público-alvo da Educação Especial ou contemplados pela política no Distrito Federal, Brasil. A fluência de leitura textual foi avaliada com intervalo de cinco meses com as variáveis Taxa de leitura e Acurácia. A comparação intergrupo demonstrou resultados superiores para o Grupo de Controle em ambas a variáveis, já a intragrupo indicou evolução estatisticamente significante somente para o Grupo de Interesse. Foi desenvolvido o Coeficiente de Progressão, cujos resultados mostraram evolução nas medidas de fluência de leitura. Assim, a fluência de leitura parece ser um indicador de competência de leitura para a Educação Especial.

Comunicação Alternativa para Alunos com Autismo na Escola: uma Revisão da Literatura

PID: S1413-65382021000100405 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2021
Autores: NUNES BARBOSA NUNES
RESUMO: Estudos meta-analíticos e descritivos conduzidos nas últimas décadas têm demonstrado a efetividade da Comunicação Alternativa e Ampliada (CAA) para pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). A maior parte dessas investigações tem focado, contudo, na efetividade clínica da CAA sem atentar para os aspectos pragmáticos da comunicação assistida em contextos não estruturados, como a escola. O objetivo desta investigação foi ampliar, por meio de uma revisão integrativa da literatura, o acervo de pesquisas tratadas em revisões anteriores e, assim, analisar os contextos em que a CAA foi utilizada com educandos com TEA na escola regular. Para isso, foi realizada uma busca no portal de periódicos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e no catálogo eletrônico de teses e dissertações dessa mesma agência com termos previamente definidos. As oito pesquisas encontradas, publicadas entre 2015 e 2018, incluíram participantes entre 3 e 12 anos de idade que utilizavam sistemas assistidos de comunicação, sendo predominantes as pranchas/álbuns de CAA ou pictogramas avulsos. Todos os estudos foram conduzidos na sala de aula regular e/ou nas Salas de Recursos Multifuncionais, mas dois deles incluíram o ambiente domiciliar. A despeito do uso da CAA em contextos naturais envolver interlocutores conhecidos, foram identificadas lacunas em aspectos pragmáticos da comunicação dos educandos. Observou-se a predominância da comunicação imperativa, a qual focava primordialmente nos comportamentos pragmáticos de solicitação. Embora limitações tenham sido identificadas, os estudos revelaram resultados positivos sobre o uso da CAA para alunos com TEA.

Comunicação Aumentativa e Alternativa e Habilidades de Linguagem de Crianças com Paralisia Cerebral: uma Revisão Sistemática

PID: S1413-65382021000100400 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2021
Autores: MIRANDA SILVEIRA RECH VIDOR
RESUMO: O objetivo deste artigo foi identificar quais os sistemas de comunicação aumentativa e alternativa interferem nas habilidades de linguagem de crianças com paralisia cerebral. A questão norteadora foi: Quais os métodos de comunicação aumentativa e alternativa interferem nas habilidades de linguagem de crianças com paralisia cerebral? A população foi delimitada como crianças com diagnóstico médico de paralisia cerebral. Considerou-se comunicação aumentativa e/ou alternativa como intervenção. Habilidades comunicativas foram consideradas o desfecho. Foram selecionados artigos nas bases Medline, The Cochrane Central Register of Controlled Trials e EMBASE e em bases secundárias, por meio dos termos "Cerebral Palsy" e "Infant" e "Communication Aids for Disabled" e "Language Development". Os termos foram incluídos com seus entretermos e na língua indicada e requerida por cada base de dados. Não houve restrição de idioma, independentemente do ano de publicação até abril de 2019, que apresentassem, no título, resumo ou corpo do artigo, relação com o objetivo da pesquisa e os critérios de elegibilidade. Após a extração dos dados, as medidas foram transformadas em percentagem e descritas em uma síntese qualitativa. Foram encontrados 427 artigos nas bases de dados, sendo incluídos, após análises, seis artigos. As pranchas manuais foram as mais utilizadas pelos estudos encontrados, apesar de suas construções serem realizadas por meio de sistema simbólico computadorizado. Em todos os estudos encontrados, foram identificadas melhoras das habilidades comunicativas das crianças, independentemente do recurso e do modo de acesso utilizados. Todos os métodos de comunicação aumentativa e/ou alternativa utilizados nos estudos, apresentaram benefícios para as habilidades comunicativas de crianças com paralisia cerebral

Concepções sobre Deficiência Importam?

PID: S1413-65382021000100326 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2021
Autores: TORRES CRUZ CABRAL
RESUMO: A literatura indica que, em relação à deficiência, a concepção pode influenciar diretamente sobre as atitudes. Assim, este estudo objetivou analisar as concepções de deficiência de profissionais que atuam nas redes de serviços de prevenção e proteção à violência. Especificamente, objetivou-se verificar se há influência dos contextos, de oportunidades de formação e de atuação profissional na (des)construção de concepções de deficiência. Trata-se de uma pesquisa com delineamento multicaso, de caráter experimental, com análise quantitativa e qualitativa. Participaram da pesquisa 97 profissionais de quatro municípios do Estado de São Paulo, que responderam à Escala de Concepções de Deficiência (teste e reteste). A análise dos resultados indicou que: a) as concepções de deficiência divergem significativamente entre os municípios; b) as categorias profissionais não influenciam, necessariamente, sobre a concepção; c) há maior concordância com a concepção social da deficiência e menor concordância com a concepção metafísica, quando a análise não relaciona os participantes aos seus respectivos municípios. Assim sendo, identificar concepções de deficiência importa na medida em que as redes de prevenção e de proteção à violência precisam atravessar o processo de (des)construção das concepções, as quais podem potencializar ou minimizar atitudes discriminatórias frente a pessoas com deficiências.

Construção e Validação do Questionário de Comportamentos Típicos na Perturbação do Espetro do Autismo

PID: S1413-65382021000100346 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2021
Autores: BRÍGIDO RODRIGUES SANTOS
RESUMO A identificação do perfil comportamental nas perturbações do neurodesenvolvimento deve ser apoiada por instrumentos válidos que auxiliem a escolha e a monitorização da intervenção e da alocação de recursos. Com a mudança de critérios de diagnóstico da Perturbação do Espetro do Autismo (PEA), surgiu a necessidade de construir um questionário que permitisse inventariar os comportamentos descritos. Assim sendo, este estudo teve como objetivo desenvolver e avaliar as propriedades psicométricas do Questionário dos Comportamentos Típicos da PEA (QCT-PEA). A validade de conteúdo do QCT-PEA, analisada por dez especialistas, foi comprovada pelos Índices de Validade de Conteúdo (IVC), com valores superiores a .95 e pela proporção de acordo, Cohen kappa (.82>k< 1). O QCT-PEA foi aplicado a 75 crianças com PEA (9.67±1.29). Na análise da fiabilidade, os comportamentos típicos totais da PEA e os dois domínios apresentaram valores que atestam a consistência interna (α>.88). Para a validade de constructo, os coeficientes de correlação de Pearson apontaram para correlações fracas a fortes (.26>rho<.92), tal como expectável. A estrutura do questionário parece apontar para um modelo bi-dimensional com duas dimensões correspondentes aos domínios previamente estabelecidos pelo Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais (DSM-5): Comunicação Social e Interação Social, e Padrões Restritos e Repetitivos de comportamentos, interesses e atividades, explicando 69.5% da variância total. Os resultados parecem demonstrar que o QCT-PEA poderá ser um instrumento a ter em conta na investigação e na utilização da prática clínica, de forma a compreender o perfil comportamental da criança com PEA e planear a intervenção que possibilitará um melhor comportamento adaptativo.

Correlações entre a Participação Ocupacional, Independência e Cognição em Adultos com Deficiência Física

PID: S1413-65382021000100316 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2021
Autores: CRUZ PARKINSON CARRIJO COSTA FACHIN-MARTINS MANZINI PFEIFER
RESUMO: A participação ocupacional é uma questão crucial para a atenção à pessoa com deficiência e caracteriza-se pelo grau de participação de uma pessoa em várias ocupações, tais como as de autocuidado, trabalho, escola, lazer, dentre outras. O objetivo deste estudo foi, assim, verificar se a participação ocupacional avaliada pelo Model of Human Occupation Screening Tool (MOHOST Brasil) apresenta correlações com as medidas de independência funcional e de cognição em adultos com deficiências. Foram avaliadas 41 pessoas com deficiência física usando o MOHOST Brasil, a Medida de Independência Funcional (MIF) e o Mini Exame do Estado Mental (MEEM). A subescala motora da MIF apresentou correlação moderada com o fator de habilidades motoras MOHOST (r 0,586 p = 0,001). O item "Linguagem e práxis" do MEEM apresentou correlação moderada com o fator "habilidades de processo" do MOHOST (r 0,573 p = 0,001). As correlações entre o MOHOST e a MIF e entre o MOHOST e o MEEM mostram que há relação entre as dimensões de participação, desempenho e habilidades, confirmando que o MOHOST é útil para avaliar a participação ocupacional de pessoas com deficiências físicas. Conclui-se também que o MOHOST pode fornecer dados que possam contribuir para o planejamento de intervenções que estimulem a participação ocupacional em diferentes papéis no âmbito da Terapia Ocupacional e na sua inferface com a Educação Especial.

Desenvolvimento e Avaliação da Usabilidade e Acessibilidade de um Protótipo de Jogo Educacional Digital para Pessoas com Deficiência Visual

PID: S1413-65382021000100337 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2021
Autores: OLIVEIRA BELARMINO RODRIGUEZ GOYA ROCHA VENERO BENITEZ KUMADA
RESUMO: Um jogo educacional digital deve ser projetado para que qualquer pessoa possa usá-lo como objeto educacional, sobretudo pessoas com deficiência visual. Entretanto, muitas vezes, não são incluídos e avaliados aspectos de acessibilidade. Objetiva-se, com este artigo, relatar o planejamento e o desenvolvimento de um protótipo de jogo educacional digital para o ensino interdisciplinar de Ciências, Matemática e Educação Científica, bem como a execução da avaliação da acessibilidade com três pessoas com deficiência visual, para garantir um design colaborativo desde os passos iniciais de elaboração do jogo. O protótipo foi desenvolvido de acordo com as etapas de um método de produção de jogos; a execução da avaliação da acessibilidade e da usabilidade foi conduzida por meio de um protocolo adaptado, baseado no Think-Aloud Protocol, com três jogadores com deficiência visual. Os resultados identificaram desafios com os recursos de áudios e as propostas de soluções e, também, com a importância de padronizar as descrições das telas, a proposição de botões para garantir a jogabilidade, e a necessidade de fornecimento de feedback dado pelo jogo após o cumprimento da tarefa. Conclui-se que o design deve ser proposto em parceria colaborativa com diferentes públicos para garantir o desenho universal no desenvolvimento de jogos educacionais inclusivos.

Educação Inclusiva: Olhar dos Profissionais Sobre as Crianças Com Síndrome Congênita do Zika Vírus na Gerência Regional de Educação Cajazeiras e Pirajá: um Estudo Transversal

PID: S1413-65382021000100305 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2021
Autores: AVELINO FERRAZ
RESUMO: O objetivo do estudo foi analisar o processo de educação inclusiva das crianças com Síndrome Congênita do Zika Vírus (SCZv) matriculadas em Centros Municipais de Educação Infantil, Creche e Pré-escolas Primeiro Passos da Gerência Regional de Educação Cajazeiras e Pirajá de Salvador, Bahia, Brasil. Adotou-se como tipo de metodologia um estudo quali-quantitativo com abordagem transversal e análise descritiva, realizada no período entre junho e agosto de 2019, por meio de uma entrevista oral semiestruturada com 32 profissionais da educação. Os resultados expõem as barreiras físicas, pedagógicas e políticas encontradas nas unidades escolares que distanciam da proposta ideal para efetividade da inclusão escolar. Diante dos resultados obtidos, conclui-se que é necessária a formulação de políticas públicas e investimentos em capacitação profissional, reformulação estruturas arquitetônicas, planejamento pedagógico includente e aquisição de mobiliário e materiais adaptados, além da união entre a área da saúde e educação, aspectos que contribuem para os processos de ensino e de aprendizagem e desenvolvimento integral das crianças com SCZv.

Efeitos do Uso de Tecnologias da Informação e Comunicação na Capacitação de Cuidadores de Crianças com Autismo

PID: S1413-65382021000100307 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2021
Autores: GOMES SILVEIRA ESTRELA FIGUEIREDO OLIVEIRA OLIVEIRA
RESUMO: O objetivo geral deste estudo foi avaliar a viabilidade do uso de Tecnologias da Informação e Comunicação para a capacitação de cuidadores de crianças com autismo em um contexto de Intervenção Comportamental Intensiva. Participaram do estudo 24 crianças com o diagnóstico de autismo, com idades entre 3 anos e 2 meses e 8 anos e 10 meses e seus respectivos cuidadores. Os cuidadores realizaram as estimulações comportamentais e intensivas com as crianças com autismo e foram capacitados por profissionais especializados, porém essa capacitação ocorreu por meio do uso de Tecnologias da Informação e Comunicação, estando profissionais e cuidadores em locais diferentes. Os participantes com autismo foram avaliados antes e após a intervenção, por meio de instrumentos padronizados que permitiram medir o desenvolvimento das crianças. Os resultados indicaram a viabilidade do uso dessas tecnologias para capacitar cuidadores e ganhos no desenvolvimento das crianças com autismo.

Emergência de Respostas de Seguir Instrução e de Tato-Intraverbal após Instrução com Múltiplos Exemplares

PID: S1413-65382021000100339 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2021
Autores: SILVA ELIAS
RESUMO: O objetivo deste estudo foi verificar os efeitos do ensino com Instrução com Múltiplos Exemplares (Multiple Exemplar Instruction – MEI), envolvendo, em cada tentativa, a resposta de seguir uma instrução tato-intraverbal para uma relação espacial (por exemplo, esquerda) na emergência de novas respostas e para uma relação espacial não ensinada diretamente (por exemplo, direita) para partes do corpo (braço, orelha, mão, perna). Adicionalmente, foi testada a generalização por meio de objetos que não foram utilizados no ensino com MEI. Os participantes foram quatro crianças e adolescentes diagnosticados com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) e deficiência intelectual, de sete a 14 anos. A sequência do procedimento foi: testes de seguir instrução e de tato-intraverbal em linha de base; ensino com MEI para uma relação espacial; teste final de seguir instrução e de tato-intraverbal para a relação espacial não ensinada diretamente; teste de generalização. Foi utilizado o delineamento de múltiplas sondagens acoplado ao delineamento de linha de base múltipla entre os participantes. Os resultados sugerem que o ensino com MEI foi suficiente para a emergência das respostas não ensinadas diretamente e de generalização. Pôde-se inferir que o procedimento foi eficaz e eficiente, pois gerou a emergência de respostas não ensinadas diretamente e a aprendizagem se deu em poucos blocos.

Empatia Afetiva e Cognitiva no Transtorno do Espectro Autista (TEA): uma Revisão Integrativa da Literatura

PID: S1413-65382021000100410 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2021
Autores: ROZA GUIMARÃES
RESUMO A literatura vem apontando um crescente interesse pelos estudos sobre como a empatia, em seus componentes cognitivo e afetivo, desenvolve-se em pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Assim, esta revisão integrativa da literatura teve o objetivo de investigar a empatia, em seus componentes cognitivo e afetivo, em indivíduos com TEA e fatores associados. Para isso, efetuou-se uma busca por artigos científicos nas bases de dados PubMed, ERIC e PsycINFO. Adotaram-se as palavras-chave e marcadores booleanos Autism [or] ASD (Autism Spectrum Disorder) [and] Empathy. Como resultado, foram recuperadas 180 publicações, das quais 26 foram analisadas. Os critérios de inclusão foram estudos empíricos – correlacionais e de intervenção – que abordassem as relações entre empatia e TEA, indexados nas bases de dados aqui mencionadas entre os anos de 2005 e 2020. As categorias resultantes da análise foram: empatia afetiva e cognitiva, diferenças associadas ao gênero na empatia e diferenças associadas à idade e ao Quociente de inteligência(QI) em pessoas com TEA. Verificou-se que a empatia cognitiva, que envolve a inferência de emoção do estado mental de outra pessoa, pode ser reduzida em pessoas com TEA, enquanto a empatia afetiva, que se refere à capacidade de compartilhar a emoção dos outros, não apresenta déficit. Além disso, alguns estudos apontaram para a importância do ensino de responsividade empática em crianças com TEA. Contudo, não foram encontrados artigos em bases brasileiras sobre o tema, assinalando uma importante lacuna de pesquisas sobre a empatia em pessoas com autismo no cenário nacional.

Ensinando Conceitos sobre a Pandemia com Símbolos Tangíveis

PID: S1413-65382021000100201 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2021
Autores: MOREIRA
RESUMO: Crianças com deficiência múltipla sensorial visual enfrentam desafios diários para comunicar seus interesses e necessidades e para compreender adequadamente conceitos. Um dos grandes obstáculos para iniciar uma intervenção eficaz com essas crianças consiste em identificar suas preferências e fornecer estratégias de ensino e oportunidades de aprendizagem específicas que valorizem os seus pontos fortes. Nesse sentido, o objetivo deste estudo foi apresentar cinco cartões de símbolos tangíveis como recurso para ensinar conceitos sobre a pandemia da COVID-19 para crianças que apresentam deficiência múltipla sensorial visual. Pensando nisso, este ensaio teórico coloca em evidência a importância dos símbolos tangíveis como valiosos recursos da comunicação alternativa tátil, capazes de favorecer a comunicação, a antecipação de atividades, a compreensão de conceitos, e como opções de escolhas a serem feitas por estas crianças. Destaca-se a importância das interações táteis exploratórias por meio da modalidade háptica e do distanciamento entre o eu, os outros, os objetos e as representações. Por tratar-se de um assunto pouco explorado no cenário nacional, considera-se relevante apresentá-lo para que outros professores e pesquisadores o conheçam e o utilizem com seus alunos.

Ensino de Relações Numéricas Por Meio da Equivalência de Estímulos para Crianças com Transtorno do Espectro do Autismo

PID: S1413-65382021000100309 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2021
Autores: PICHARILLO POSTALLI
RESUMO: Este estudo teve como objetivos avaliar os efeitos do ensino das relações entre número ditado, número arábico e quantidade, utilizando um procedimento informatizado de emparelhamento com o modelo (matching-to-sample - MTS), baseado no paradigma de equivalência de estímulos, e avaliar a generalização por meio do emprego de materiais manipuláveis com alunos com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA). Participaram do estudo cinco alunos com TEA, com idade entre 4 e 10 anos. Foram utilizados um delineamento de pré- e pós-teste para avaliar a generalização e um delineamento de múltiplas sondagens entre grupos de estímulos. O procedimento contou com a etapa de ensino de relações entre numeral ditado e numeral arábico (AB) e entre numeral ditado e quantidade representada por cartão de círculos (AC), seguido dos testes de transitividade (relação entre numeral arábico e quantidade BC e entre quantidade e numeral arábico CB) para cada um dos três grupos de estímulos. Antes e após o ensino e teste de cada grupo de estímulos, foram avaliadas as relações AB, AC, BC e CB, empregando estímulos dos três grupos. Os resultados mostraram que os cinco participantes aprenderam as relações ensinadas AB e AC e formaram classes de equivalência, apresentando a emergência das relações BC e CB. No teste de generalização (AD e BD), quatro participantes apresentaram percentagem acima de 75% de acertos nas relações número impresso-quantidade e número ditado-quantidade. Os dados replicaram e ampliaram os resultados do paradigma de equivalência de estímulos como um recurso para o ensino de relações entre número ditado, numeral arábico e quantidade com crianças com TEA.
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