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A educação e o ensino de bioética em época de pandemia

PID: S1981-52712021000300802 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Neves Júnior Marques Teixeira
Resumo: Introdução: Com as atividades presenciais suspensas em decorrência da pandemia, as instituições de ensino superior tiveram de discutir e executar o processo educativo e reinventar-se em relação ao processo educativo a ele, de modo a oferecer o acesso remoto e, ao mesmo tempo, amenizar a exclusão sociodigital. Desenvolvimento: O objetivo deste artigo é realizar uma reflexão propositiva para o ensino remoto da bioética sob o olhar da educação em valores e justiça social. O perfil socioeconômico dos discentes não pode ser ignorado quando se planeja a educação on-line, fato que impacta diretamente o acesso às aulas por meio de computadores e internet. O artigo propõe utilizar as capacidades da inteligência moral como objetivos de aprendizagem, revisar os problemas preexistentes, contextualizá-los à nova realidade dos conteúdos didáticos e refletir sobre como a bioética pode contribuir para as discussões sobre as desigualdades sociais que aumentaram de forma exponencial neste momento de crise. Conclusão: As reflexões propositivas aqui apresentadas podem ser utilizadas no modelo de ensino remoto, presencial ou híbrido.

A inovação disruptiva e a metodologia pré-textos

PID: S1981-52712021000300407 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Oliveira Balcells Sommer
Resumo: Introdução: O relato de experiência descreve o protocolo utilizado em uma das atividades realizadas durante a iniciativa destinada à busca por soluções de impacto em saúde através da inovação disruptiva - “IDEA2 Global, Orientação e conexões transformadoras para inovadores em tecnologia médica”, em maio de 2019, no Instituto de Engenharia Médica e Ciência, Massachusetts Institute of Technology (IMES MIT). Relato de Experiência: A metodologia Pré-Textos foi escolhida para estimular a criatividade e instigar a curiosidade inerentes à busca por soluções de problemas complexos, através da leitura de um texto desafiador e atividades relacionadas, em formato de workshop. Reunindo profissionais de vários segmentos e nacionalidades, o período de duas horas e quarenta e cinco minutos foi o tempo dispensado ao workshop inspirado em práticas oriundas de alguns países da América Latina. Discussão: Por meio da observação participante, constatou-se que os partícipes se mostraram entusiasmos e engajados por atividades “mão na massa”, em meio a leitura ativa de um texto sobre conexões neurais em processos criativos. A devolutiva da avaliação sobre o workshop confirmou a impressão dos facilitadores. Conclusão: A metodologia Pré-Textos é uma estratégia passível de aplicação em grupos heterogêneos, podendo contemplar habilidades como a criatividade e a colaboração. Assim, estimula-se a utilização desta metodologia em outras situações semelhantes.

A inserção da mentoria na matriz curricular de um curso de Medicina: relato de experiência

PID: S1981-52712021000400403 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Senger Sampaio Neto Vieira Borges Fermozelli Esposito Teixeira Almeida
Resumo: Introdução: Em 2018, foi implantado no curso de Medicina da Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo um novo projeto pedagógico do curso (PPC). Nessa construção, surgiu a oportunidade de incluir um módulo para a prática da mentoria, pois havia várias questões relacionadas à vida no câmpus que vinham preocupando a comunidade, tais como a necessidade de os alunos e professores apropriarem-se do PPC, o fato de os discentes ainda muito jovens serem afastados da família, estudantes oriundos de escolas tradicionais pouco afeitas às metodologias ativas de ensino-aprendizagem que constituem a base do curso, a avaliação somativa e a recuperação do desempenho insatisfatório, o trote, o convívio com a diversidade, a autonomia do aluno e o processo de formação e identidade do profissional médico. Relato de experiência: No novo PPC, o módulo de Estudos Orientados garantiu o espaço para a mentoria dentro da grade curricular do primeiro ao terceiro ano, em pequenos grupos protegidos. Ao fim do primeiro ano, a avaliação regular da docência revelou dificuldades que foram superadas com a capacitação dos docentes para a atividade da mentoria, viabilizada com o auxílio de profissionais externos e experientes que ajudaram a dar identidade à mentoria, ajustada às características do curso e do PPC. A avaliação seguinte revelou melhora evidente da percepção dos alunos e professores. Nesse momento, a consulta feita com a maioria dos envolvidos trouxe novas informações que permitiram estabelecer diretrizes norteadoras para a atividade em cada ano do curso. Discussão: Todo o processo de implantação do módulo, dividido em três etapas, foi muito rico e exigiu a participação de todos os envolvidos. Conclusão: Nossa experiência permite inferir que, por suas características complexas e mutáveis, a mentoria deve ser construída em estreita relação com a comunidade e ajustada às necessidades de cada curso e do seu projeto pedagógico.

Abordagem do suicídio na educação médica: analisando o tema na perspectiva dos acadêmicos de medicina

PID: S1981-52712021000100216 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Soeiro Limonge Lopes Fayal
Resumo: Introdução: O Brasil figura entre os países com maior número de suicídios no mundo, contudo o estigma relacionado ao tema ainda persiste, realidade que se reflete em sua escassa problematização na educação e prática médicas. Objetivo: O estudo foi realizado com o objetivo de conhecer as percepções e atitudes de acadêmicos acerca de temas relacionados ao suicídio, de modo a identificar a inserção da temática ao longo da graduação. Método: Trata-se de uma pesquisa de natureza descritiva, exploratória e transversal, com uso de metodologia quantitativa. O estudo teve início após aprovação por Comitê de Ética em Pesquisa e contou com participação de uma casuística de 188 alunos matriculados no curso de Medicina de uma universidade pública do Pará. Os dados foram coletados de forma presencial, por meio da utilização de um questionário semiestruturado, após assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). Resultados: A maioria dos participantes atribuía importância ao tema, mas observou-se que ainda há pouca inserção de conteúdos relacionados à temática ao longo da educação médica, haja vista o fato de a grande maioria dos participantes não conhecer nenhum manual ou protocolo de intervenção nessa área. Além disso, mais da metade dos acadêmicos relataram dificuldades em relação à realização da notificação compulsória. Conclusões: Apesar da inclusão de temas relacionados à saúde mental ao longo da formação acadêmica, a problematização do suicídio ainda precisa ser intensificada nos conteúdos curriculares da educação médica. Trata-se de uma medida importante para o alcance de intervenções mais eficazes e qualificadas, particularmente pela relevância que o assunto vem adquirindo nos tempos atuais.

Abordagens de aprendizado e sua correlação com ambiente educacional e características individuais em escola médica

PID: S1981-52712021000300219 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Rossi Fischer Rocha Casalecchi Avó Germano
Resumo: Introdução: A qualidade de aprendizado de estudantes de escolas médicas tem sido tema recorrente da literatura mundial nas últimas décadas, mas há escassez de estudos nacionais acerca do assunto. O ambiente de ensino deve favorecer o aprendizado profundo, por estar intimamente relacionado com uma aprendizagem significativa. Metodologias ativas de aprendizagem são vinculadas a maior qualidade de aprendizado, por propiciarem ambiente favorável ao aprendizado profundo. Objetivo: Este estudo teve como objetivos avaliar a qualidade do aprendizado de estudantes de Medicina de um curso que adota metodologias ativas de aprendizagem e correlacioná-la com as percepções dos alunos acerca do ambiente educacional e com dados sociodemográficos. Método: Trata-se de estudo descritivo transversal realizado com estudantes do curso de Medicina da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), do primeiro ao sexto ano. Foram utilizados os instrumentos R-SPQ-2F, DREEM e questionário sociodemográfico. Realizou-se análise descritiva, e compararam-se as frequências por meio do teste do qui-quadrado ou teste exato de Fisher. As diferenças entre médias foram avaliadas por meio de teste t de Student ou teste de Mann-Whitney, quando se compararam somente dois grupos, ou por meio de análise de variância (ANOVA) ou teste de Kruskal-Wallis, quando comparados mais de dois grupos. As associações entre as variáveis quantitativas foram verificadas por meio do coeficiente de correlação de Pearson ou de Spearman. A análise estatística foi realizada com auxílio do programa IBM SPSS Statistics versão 25.0, e adotou-se como parâmetro de significância um valor de p < 0,05. Resultado: Entrevistaram-se 226 alunos. A pontuação média para abordagem profunda foi de 33,52 e, para a abordagem superficial, 17,42. Em relação à percepção do ambiente educacional, a média foi de 129,77 pontos. As variáveis objetivas que demonstraram influência sobre o aprendizado foram: sexo, idade de início do curso, contato prévio com metodologias ativas, prática de idiomas, ter graduação ou pós-graduação prévia, receber auxílio financeiro de familiares e ano da graduação. Conclusão: As metodologias ativas de aprendizagem podem estimular a adoção de estratégias de aprendizado profundo. O estudo dos fatores que influenciam na abordagem de aprendizado é complexo e envolve questões individuais subjetivas.

Adaptação transcultural do questionário EFFECT para português brasileiro

PID: S1981-52712021000300207 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Costa Castro Dourado Praxedes Mota Tavares
Resumo: Introdução: O ensino clínico é baseado em ambiente de trabalho real, em cenários de prática profissional, como serviços e unidades de saúde, sob a supervisão do preceptor. Proporcionar aos docentes de graduação médica uma avaliação sobre suas habilidades de ensino é uma ferramenta poderosa para melhorar a aprendizagem clínica dos estudantes em formação. Nesse contexto, o questionário Evaluation and Feedback for Effective Clinical Teaching (EFFECT) foi desenvolvido por pesquisadores holandeses em 2012 para avaliação docente, sendo validado com base na literatura sobre o ensino médico em local de trabalho. Esse instrumento incorpora as competências do currículo baseado em competências canadense. Objetivo: Este estudo teve como objetivos traduzir, adaptar transculturalmente para português do Brasil e validar o questionário EFFECT para avaliação docente por estudantes de Medicina. Método: A adaptação transcultural empregou as seguintes fases: tradução inicial da versão em inglês; síntese de versões traduzidas; tradução reversa; criação de versão consensual em português do Brasil, com adaptação, revisão e análise de validade de conteúdo por comitê de especialistas; pré-teste com entrevista retrospectiva de esclarecimento e análise de confiabilidade por análise fatorial e teste de consistência interna (coeficiente alfa de Cronbach). Resultado: Nas etapas de tradução e tradução reversa, as discordâncias relacionaram-se ao uso de sinônimos, e nenhum dos itens foi modificado em relação ao seu entendimento, e sim na adequação para a realidade brasileira. A avaliação do comitê de especialistas demonstrou que as versões mantinham a equivalência semântica e idiomática do conteúdo. Participaram do pré-teste 89 alunos. A consistência interna do EFFECT em português do Brasil mostrou-se excelente para todos os domínios, com coeficiente alfa de Cronbach variando de 0,82 a 0,94. Conclusão: A versão traduzida e adaptada do questionário EFFECT em português do Brasil possui equivalência cultural com o instrumento original e evidência de alta validade e confiabilidade, podendo constituir-se em instrumento nacional de avaliação da eficiência do ensino clínico de docente de Medicina.

Adaptações e repercussões nas vivências em escola de ensino híbrido durante a pandemia por Sars-CoV-2

PID: S1981-52712021000200401 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Silva Kubrusly Peixoto Junior Vieira Augusto
Resumo: Introdução: A pandemia ocasionada pelo vírus Sars-CoV-2 acelerou uma revolução educacional que repercutiu na assistência à saúde e no ensino médico, e gerou algumas inseguranças e incertezas. O artigo relata a experiência do Centro Universitário Christus (Unichristus) quanto às modificações ocorridas nos cenários práticos de vivências clínicas durante o período do primeiro semestre de 2020, marcado pelo distanciamento social. Relato de Experiência: Os atendimentos na Clínica Escola de Saúde (CES) foram suspensos, e os hospitais conveniados passaram a não receber alunos, inviabilizando os cenários de vivência, resultando no início de um projeto caracterizado por atendimento a pacientes com infecção por coronavírus por meio da telemedicina. Havia a participação presencial de equipe de enfermagem, enquanto os alunos do oitavo semestre do curso de Medicina presenciavam a consulta por meio de compartilhamento da tela pelo programa Google Meet®. Após concluída a consulta, havia uma discussão sobre o caso e outros aspectos relevantes, de maneira similar ao que ocorreria em ambiente de vivência. Em paralelo ao projeto, os estudantes também assistiam a aulas expositivas que abordavam aspectos da doença desde o nível primário até o terciário de saúde. Discussão: De acordo com a tendência mundial, houve atendimento e ensino por um meio flexível, inovador, acessível e seguro, o gerou oportunidade de desenvolvimento profissional e inovações no ensino médico. A experiência com a telemedicina pode ser complementada por um e-learning, possibilitando o desenvolvimento de um novo modelo de ensino híbrido. Conclusão: A circunstância atual talvez promova alguma perda educacional, como a impossibilidade de se treinar exame físico e de interagir melhor com a equipe de saúde e com os pacientes, entretanto os recursos tecnológicos podem gerar oportunidades para mudanças, aprimoramento e desenvolvimento de metodologias de ensino, em concordância com a geração atual de nativos digitais.

Alteração do cronotipo em universitários da área da saúde com sonolência diurna excessiva

PID: S1981-52712021000100217 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Kintschev Shimada Silva Barros Hoffmann-Santos
Resumo: Introdução: A sonolência diurna excessiva (SDE) é caracterizada por uma maior probabilidade de o indivíduo iniciar o sono em horários inadequados por meio de cochilos involuntários, afeta negativamente o desempenho nos estudos, no trabalho e nas relações familiares e sociais, e aumenta o risco de acidentes. Objetivo: Este estudo teve como objetivo avaliar o cronotipo e a prevalência de SDE e seus fatores associados em estudantes de Medicina (método PBL). Para tanto, compararam-se os discentes de Medicina com os de outros cursos da área da saúde (método tradicional). Métodos: Trata-se de estudo transversal com 1.152 estudantes universitários matriculados em cursos de graduação da área da saúde. Definiu-se a presença de SDE quando se observaram escores > 10 na Epworth Sleepiness Scale (ESE), e o cronótipo foi avaliado por meio do instrumento Morningness-eveningness Questionnaire (MEQ). Por meio do software Stata 13.0, realizaram-se estatística descritiva e análises bivariadas e multivariadas, além de interações para que o estudo pudesse se ajustar ao modelo. Resultados: A prevalência de SDE foi de 56,5% (IC 95%, 53,6-59,4), e a pontuação média na ESE foi de 11,1 (IC 95%, 10,8-11,3). Esse valor foi menor entre os que apresentaram cronotipo matutino e maior entre os estudantes de Medicina. Dos alunos que participaram do estudo, 10,3% (n = 119) apresentaram um cronotipo incompatível com o período do curso. Os fatores associados e independentes para a SDE foram: sexo feminino (RP, 1,14, IC 95%, 1,01-1,29), idade entre 16 e 19 anos (RP, 1,20, IC 95%, 1,04-1,39), hábito de estudar de madrugada, uso de celular antes de dormir (RP, 1,56, IC 95%, 1,02-2,38), não praticar atividade física semanal (RP, 1,13, IC 95%, 1,02-1,25) e cronótipo matutino (RP, 0,87, IC 95%, 0,76-0,99). Não usar telefones celulares antes de dormir reduziu a prevalência de SDE em 14%. Conclusões: Este estudo demonstrou que o cronotipo matutino se comportou como um fator protetor independente para distúrbios do ciclo circadiano. A prática de atividade física semanal reduziu a prevalência SDE entre universitários com cronotipos intermediário e noturno.

Análise da integração ensino-serviço para a formação de residentes em medicina de família e comunidade

PID: S1981-52712021000100202 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Oliveira Moreira Xavier Machado
Resumo: Introdução: A integração entre as instituições de ensino e os serviços de saúde na formação de residentes médicos requer mudanças em ambas as partes envolvidas, principalmente no cenário assistencial, fazendo-se necessária remodelação da cultura dos atores sociais que constituem o SUS. Objetivo: O objetivo deste estudo foi efetuar, pelo mapeamento das forças, fraquezas, oportunidades e ameaças, o diagnóstico situacional da integração ensino-serviço em um Programa de Residência em Medicina de Família e Comunidade (PRMFC). Método: Trata-se de pesquisa-intervenção com preceptores e gestores de saúde de um município do estado do Ceará, no Brasil. Os dados foram coletados pela entrevista semiestruturada, submetidos à Classificação Hierárquica Descendente (CHD) com auxílio do software IRaMuTeQ, analisados conforme eixos da matriz SWOT (forças, fraquezas, oportunidades, ameaças) e discutidos com apoio da literatura. Resultados: As classes de cada CHD originaram os fatores de cada eixo da matriz SWOT, delineando como pontos fortes: parceria entre os agentes de integração e inclusão do residente no cotidiano das equipes; pontos fracos: distanciamento entre preceptor e instituição de ensino e ausência de estratégias de valorização da preceptoria; oportunidades: perspectiva de o programa servir como ferramenta de gestão da saúde; e ameaças: problemas na gestão dos equipamentos da saúde, com reflexos sobre a estrutura dos serviços, gestão do programa e qualidade da formação. Conclusões: A análise da matriz SWOT viabilizou a identificação de pontos fortes e fragilidades no PRMFC, viabilizando a elaboração de estratégias para o fortalecimento da integração ensino-serviço, na perspectiva de melhoria da gestão, formação e execução do cuidado em saúde.

Análise de conteúdo de duas avaliações externas brasileiras de cursos de medicina: Enade e Revalida

PID: S1981-52712021000100219 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Carvalho Resende Faria Toledo Júnior
Resumo: Introdução: O Enade é prova cognitiva que avalia o desempenho dos cursos de graduação por meio dos egressos. O Revalida é exame específico para egressos de cursos de Medicina do exterior. Apesar de possuírem atribuições diferentes, as duas avalições são direcionadas a públicos semelhantes, podendo ser consideradas análogas. Objetivo: Este estudo teve como objetivos identificar e comparar os conteúdos avaliados pelo Enade e Revalida. Métodos: Trata-se de estudo descritivo que comparou o conteúdo do Enade 2013 e 2016 e do Revalida 2015 e 2016, com base na Matriz de Correspondência Curricular do Revalida (MCCR). Na primeira etapa do estudo, dois médicos, professores de Medicina, analisaram de forma independente os itens das quatro avaliações e listaram os conteúdos abordados nos enunciados e nas alternativas. Posteriormente, consolidaram-se os resultados. A análise foi realizada por meio da distribuição de frequência de temas e áreas de concentração de acordo com o exame, da comparação entre as áreas de concentração e dos temas coincidentes em cada exame. Resultados: Das 46 áreas de concentração da MCCR, dez não foram abordadas no Enade 2013, seis no ENADE 2016 e duas no Revalida 2015. O Revalida 2016 abordou todas as áreas. Em relação aos 749 temas específicos da MCCR, as duas edições do Enade, em conjunto, abordaram 241 (32,2%) deles, enquanto as duas edições do Revalida abordaram 468 temas (62,5%). Na análise dos 241 temas abordados pelo Enade, 45 deles foram comuns às duas edições, enquanto, de um total de 468 temas, 247 foram abordados nas duas edições do Revalida. Quando se analisou a repetição de temas em cada edição dos exames, observou-se que cerca de 80,0% dos temas foram considerados apenas uma vez nas duas edições do Enade, em comparação com 50,0% nas edições do Revalida. Conclusão: Os resultados indicam que as edições 2013 e 2016 do Enade apresentam baixa abrangência de conteúdos em comparação com as edições 2015 e 2016 do Revalida, tendo como referência a MCCR. Identificaram-se também concentração da abordagem em grupos específicos de temas e repetição de um pequeno grupo de temas nas edições analisadas do Enade.

Análise do conhecimento de estudantes de medicina acerca da identidade de gênero

PID: S1981-52712021000500202 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Visgueira Chaves Batista Nunes
Resumo: Introdução: A sexualidade é um ponto central da vida do ser humano que contempla sexo biológico, orientação sexual e reprodução, além de conceitos complexos como a identidade de gênero, onde a maior parte das dúvidas afloram e - com elas - preconceitos e negligências. Objetivo: Analisar o conhecimento dos acadêmicos de Medicina de uma Instituição de Ensino Superior sobre identidade de gênero. Método: Trata-se de um estudo descritivo, transversal e quantitativo, realizado de abril a maio de 2018 com a aplicação de um questionário semiestruturado a 122 alunos do curso de Medicina, cujas respostas foram entregues em envelopes lacrados e sem identificação. Resultados: Dos participantes, 67,21% e 63,11% desconheciam o conceito de mulher transgênero heterossexual e de homem transgênero homossexual, respectivamente; 67,21% e 61,47% apresentaram respostas inadequadas quanto ao exame ginecológico em pacientes trans e quanto ao processo transexualizador, nessa ordem. Conclusão: A maioria dos estudantes desconheceu conceitos relacionados à identidade de gênero. Considerando-se os limites desta pesquisa, sugere-se uma maior abordagem do tema na graduação.

Aprendizagem sobre atividade física por estudantes de Medicina: a situação hoje no Brasil

PID: S1981-52712021000200218 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Bortolini Mastro Barbosa Resende Medeiros Silva Penha-Silva Bortolini
Resumo: Introdução: A atividade física é essencial para prevenir e tratar muitas doenças. Embora os médicos sejam os profissionais de saúde que mais influenciam a orientação de seus pacientes sobre os benefícios da atividade física, a maioria dos programas de graduação em Medicina no Brasil parece não incluir tópicos sobre atividade física em seus currículos. Objetivo: Este estudo teve como objetivo investigar a presença de tópicos sobre atividade física nos currículos médicos ativos no Brasil. Método: A pesquisa foi realizada separadamente em abril de 2015 e fevereiro de 2019, utilizando um recurso governamental, o sistema e-MEC, e pesquisa em bancos de dados da internet. Os dados foram divididos em categorias, de acordo com a condição de matrícula (obrigatória ou opcional) dos cursos com disciplinas ou módulos temáticos contendo tópicos sobre atividade física, tipo de atividades (teóricas, práticas ou teórico-práticas) e ênfase no conteúdo (saúde, desempenho ou saúde e desempenho). Resultado: Dos 223 currículos médicos compilados em 2015 e 286 em 2019, respectivamente, apenas 24 (10,8%) e 19 (6,7%) apresentaram pelo menos uma disciplina ou módulo temático contendo tópico sobre atividade física com ênfase em saúde. Conclusão: No Brasil, o número de currículos de graduação em Medicina contemplando tópicos de atividade física ainda é pequeno e sofreu uma redução entre 2015 e 2019, o que deve servir de alerta para as instituições de ensino médico quanto à necessidade de inclusão de conteúdos longitudinalmente distribuídos sobre atividade física, com abordagens teórica e, se possível, prática, e com ênfase na promoção da saúde e no tratamento de doenças, em unidades curriculares obrigatórias.

As ligas acadêmicas e sua aproximação com sociedades de especialidades: um movimento de contrarreforma curricular?

PID: S1981-52712021000200801 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Goergen Hamamoto Filho
Resumo: Introdução: As Diretrizes Curriculares Nacionais para os Cursos de Medicina estimulam uma formação generalista do médico, alterando o paradigma fragmentado de formação vigente até o século passado. A residência médica é considerada complementar à graduação, porém sem vagas nas quantidades desejadas, gerando competição entre estudantes. Simultaneamente, as ligas acadêmicas ganharam espaço dentro das escolas médicas. Desenvolvimento: Trata-se de um ensaio com análise crítica sobre a relação entre as sociedades de especialidades e as ligas acadêmicas, e sobre os efeitos dessa relação na formação dos futuros médicos. As sociedades de especialidade possuem ações de estímulo à criação de ligas acadêmicas, bem como reservam espaços dedicados a elas. Desse modo, elas aproximam-se dos estudantes por meio das ligas e novamente se inserem na graduação na forma de currículo paralelo, em que haviam sido relegadas a segundo plano com o programa generalista de formação. Conclusão: Há um movimento de aproximação entre ligas e sociedades de especialidades que deve ser acompanhado com atenção, reflexão e crítica para que não se tolha dos estudantes a liberdade de explorar diversas realidades da prática médica e conhecer diversas especialidades, mas também não se subverta a proposta pedagógica de formação médica geral.

Associação entre inteligência emocional e empatia em estudantes de Medicina: estudo transversal unicêntrico, Brasil, 2019

PID: S1981-52712021000100228 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Silva Toledo Júnior
Resumo: Introdução: A inteligência emocional (IE) e a empatia são duas habilidades essenciais para a medicina centrada na pessoa. Objetivos: Avaliar a associação entre IE e empatia e verificar se fatores sociodemográficos e o tempo de curso influenciam os seus níveis. Métodos: Trata-se de estudo transversal realizado com estudantes de Medicina de uma instituição privada de ensino da cidade de São João del-Rei, Minas Gerais, Brasil. Os níveis de IE foram avaliados por meio do Teste de Autoavaliação de Inteligência Emocional de Schutte e os níveis de empatia, pela Escala de Empatia de Jefferson (versão para estudante). Todos os voluntários assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido antes da inclusão no estudo. A análise estatística utilizou a média, o desvio padrão, a distribuição de frequência, o teste t de Student, a correlação de Pearson e a regressão linear. Foi considerado o nível de significância de 0,05. Resultados: De 5 a 30 de agosto de 2019, 193 voluntários, que correspondiam a 85,8% da população total, concordaram em participar do estudo. Os escores totais observados de IE (129,8 ± 13,3) e empatia (121,2 ± 11,6) foram elevados. O escore total de IE foi influenciado pela idade (pajustado = 0,018). Os alunos de períodos mais avançados apresentaram escore total de empatia mais alto (pajustado = 0,013). Os estudantes cujos pais não possuíam curso superior também apresentaram escore total de empatia mais elevado (pajustado = 0,031). Observou-se correlação positiva moderada entre os escores totais de IE e de empatia ( ρ = 0,304, p < 0,001), e entre o escore total de empatia e o domínio Manejo das Emoções dos Outros de IE (ρ = 0,300, p < 0,001). Observou-se também correlação positiva fraca entre o escore total de IE e a maioria dos domínios de empatia. Conclusão: Observou-se correlação positiva entre IE e empatia. A IE foi influenciada pela idade; e a empatia, pelo período do curso e pela escolaridade dos pais.

Associações entre a autoeficácia docente e a utilização do Objective Structured Clinical Examination na educação médica

PID: S1981-52712021000100201 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Bressa Murgo Sena
Resumo: Introdução: A inserção de novas metodologias e avaliações na área da educação médica tem indicado a necessidade de compreender a percepção dos docentes sobre sua própria capacidade de utilizá-las adequadamente. Objetivo: Com base nisso, este estudo buscou investigar as possíveis associações entre a autoeficácia docente e o uso do OSCE. Método: Utilizaram-se a Escala de Autoeficácia do Professor, a Escala sobre Fontes de Autoeficácia e um questionário de caracterização. Participaram 47 docentes de Medicina de uma universidade privada, de ambos os sexos, com idade entre 31 e 78 anos. Resultados: Os resultados indicaram que os fatores persuasão social e aprendizagem vicária foram os mais endossados, sugerindo que essas fontes são as de maior interferência na formação de crenças dos participantes. Houve apenas uma correlação positiva e com significância estatística, com magnitude fraca, estabelecida entre eficácia na intencionalidade da ação e aprendizagem vicária. As demais correlações encontradas se demonstraram estatisticamente em sentido negativo e com magnitudes moderadas. Conclusões: Os docentes concordantes com algumas características importantes sobre o método OSCE apresentaram maiores níveis de autoeficácia, e isso significa que os profissionais com alto nível de perseverança, superação, confiança e resiliência são mais comprometidos com o ensino, a pesquisa e a assistência estudantil.

Atitude de estudantes e professores de medicina: centrada no médico ou no paciente?

PID: S1981-52712021000500212 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Moura Silva Rodrigues Neto Caldeira
Resumo: Introdução: O cuidado centrado no paciente tem sido associado a resultados positivos. Objetivo: o objetivo deste estudo foi avaliar atitudes de estudantes e professores de uma faculdade de medicina brasileira quanto à relação médico-paciente e verificar fatores associados. Métodos: Trata-se de um estudo transversal analítico realizado em uma universidade pública, utilizando a PPOS - “Patient-Practitioner Orientation Scale” e um questionário sociodemográfico. Os sujeitos eram estudantes do curso de medicina e professores da instituição em questão no segundo semestre de 2015. Os testes de Mann-Whitney e Kruskal-Wallis foram utilizados para examinar o efeito das variáveis sociodemográficas e a interação com os escores encontrados para estudantes e professores. Resultados: Foram pesquisados 212 estudantes, correspondendo a 57,1% dos acadêmicos matriculados no curso de medicina. O valor do escore total da PPOS encontrado para os estudantes foi de 4,35 (± 0,5 DP), e o escore total médio da PPOS entre estudantes do sexo feminino (4,43) foi significativamente maior do que o masculino (4,23) (p <0,001), indicando mais atitudes centradas no paciente naquele grupo. No que se refere aos professores de medicina, 77 (56%) participaram. O escore total do PPOS foi de 4,52 (± 0,5 DP), com atitude mais focada no paciente entre os professores do que entre estudantes (4,35) (p = 0,001), mas há uma clara necessidade de progresso para ambos os grupos. Conclusão: A análise das atitudes de estudantes e professores sobre a relação médico-paciente permitiu desvendar um cenário desconhecido com atitudes mais centradas no paciente observadas entre os professores, apesar da necessidade de melhorias em ambos os grupos. Mais pesquisas são necessárias para avaliar não apenas a atitude, mas o comportamento desses sujeitos.

Atitudes e percepções de professores e estudantes de medicina em relação ao suicídio

PID: S1981-52712021000500217 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Amorim Kubrusly Gomes Plens Rocha Silva
Resumo: Introdução: A estimativa da Organização Mundial da Saúde (OMS) é que haja cerca de um milhão de mortes por suicídio por ano no mundo, mais do que a soma total de mortes em guerras e homicídios, que resulta em uma morte a cada 40 segundos. Apesar da existência de diversas publicações científicas sobre a prevenção do suicídio, existem estudos que mostram que os profissionais de saúde não são capacitados para cuidar adequadamente de pessoas em risco de suicídio. Objetivo: Este estudo teve como objetivo compreender as atitudes e percepções de alunos e professores do curso de medicina em relação ao suicídio. Métodos: Trata-se de um estudo transversal, descritivo, com abordagem quantitativa e qualitativa, aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa, que avaliou uma amostra de 180 alunos do 8º e 11º semestres e 57 professores de diferentes semestres dos cursos médicos avaliados. Os dados foram obtidos por meio da aplicação do Suicide Behavior Attitude Questionnaire (SBAQ), além de um questionário sociodemográfico. Os dados foram submetidos à estatística descritiva e analítica. Resultados: Em relação à capacidade profissional, as pontuações foram baixas tanto para alunos (mediana 5,5) quanto para professores (mediana 5,25). Alunos que viram alguém apresentando comportamento suicida (p = 0,002) e os que frequentavam o semestre mais avançado (p = 0,04) sentiram-se mais confiantes no atendimento de pacientes com risco de suicídio. Houve diferença significativa quanto ao fator Direito ao Suicídio entre os alunos que se disseram religiosos (p = 0,001), assim como entre os professores que frequentavam serviços religiosos com maior frequência (p = 0,02). Conclusões: Concluímos que alunos e professores tiveram pouca experiência com suicídio nos cursos de medicina avaliados, o que contribui para o baixo nível de formação e o sentimento de insegurança, indicando a necessidade de dar mais importância ao assunto na graduação em medicina, visando permitir a aquisição de conhecimentos e habilidades para uma prática médica preventiva e competente em relação ao suicídio.

Autopercepção de habilidades não cognitivas entre estudantes de graduação em saúde durante a Covid-19

PID: S1981-52712021000500227 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Leal Martinez Mandrá Jorge
Resumo: Introdução: O período de isolamento social imposto no Brasil em resposta à pandemia tem alterado o modo de aprender de muitos estudantes universitários do Brasil, em especial o dos que tiveram suas atividades acadêmicas, que antes eram presenciais, transferidas para o modo remoto. Tais mudanças podem ser benéficas se considerarmos que este pode ser um momento favorável para o aprimoramento de habilidades não cognitivas, como autoconhecimento, resiliência, coletividade, versatilidade, adaptabilidade e liderança. Objetivo: Este estudo teve como objetivo investigar como os universitários da área da saúde, das regiões Sudeste e Sul do país, têm percebido o aprimoramento de competências não cognitivas durante as rápidas mudanças impostas pela pandemia. Método: O estudo contou com a participação de 954 estudantes da área da saúde matriculados em instituições de ensino superior brasileiras. Um questionário on-line composto por 25 questões foi utilizado para coletar dados demográficos e acadêmicos, sentimentos e habilidades não cognitivas percebidas durante a continuidade “a distância” do curso de graduação. A percepção dos universitários foi aferida a partir de escalas Likert de intensidade, de 10 pontos (de 1 a 10), variando de “muito pouco” a “muito”. Previamente à aplicação desse questionário, foi feita sua validação por um grupo de juízes, composto por 20 estudantes de graduação de uma instituição de ensino superior do interior do estado de São Paulo, de diferentes cursos da saúde. Resultado: A análise de correspondências demonstrou que as habilidades não cognitivas, bem como as sensações investigadas, foram percebidas em variadas intensidades pelos estudantes universitários, sendo possível notar impactos positivos e negativos decorrentes das mudanças vivenciadas. Os alunos do primeiro e segundo semestres da graduação tenderam a ser menos colaborativos do que os discentes do terceiro e quarto semestres; em contrapartida, os alunos ingressantes tenderam a ser mais abertos ao novo quando comparados àqueles dos demais semestres. Conclusão: Vencer a procrastinação, assumir o protagonismo nos estudos, colaborar com os colegas e estar aberto ao novo foram habilidades não cognitivas fortemente percebidas durante a pandemia. Além disso, frustração, falta de motivação e desestabilidade emocional foram fortemente sentidas pelos estudantes, que consideraram que a pandemia afetou negativamente os estudos.

Avaliação baseada em procedimentos (PBA) em uma residência de urologia: experiência inicial

PID: S1981-52712021000500228 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Medeiros Medeiros Diniz
Resumo: Introdução: Mudanças na sociedade e nas práticas da medicina têm demandado melhorias no processo de ensino cirúrgico nas residências médicas, levando ao surgimento de novos modelos de ensino-aprendizagem e de avaliação baseados em competências. Nesse processo, o Procedure Based Assessment (PBA) se destaca como uma ferramenta de avaliação em ambiente de trabalho, amparada na avaliação de competências e no feedback estruturado. Objetivo: Este estudo tem o objetivo de apresentar a elaboração e implantação de protocolos de PBA em um programa de residência médica de urologia. Método: Trata-se de estudo prospectivo, do tipo pesquisa-ação, realizado de julho de 2019 a julho de 2020, envolvendo dez preceptores e seis residentes de urologia. Utilizou-se a metodologia de consenso de grupo para a elaboração dos protocolos, além de capacitação dos participantes para avaliação por competência. Elaboraram-se seis protocolos de PBA, correspondentes aos procedimentos prevalentes na formação do residente/ano. Em seguida, esses protocolos foram implantados. Além da análise descritiva dos dados, utilizou-se o coeficiente de Spearman (rR) para análise inferencial de correlação entre tempo de treinamento e o desempenho do residente avaliado pelo PBA. Resultado: A elaboração de dois instrumentos de PBA para cada um dos três anos de formação permitiu a avaliação de todos os residentes. Foram realizados 31 encontros avaliativos, com média de cinco avaliações por residente. Houve correlação positiva entre o maior tempo de treinamento e melhor desempenho do residente na prostatectomia radical laparoscópica, na nefrolitotripsia percutânea, na nefrectomia laparoscópica e no conjunto dos seis procedimentos (rR = 0,97, 0,55, 0,42 e 0,31, respectivamente). Relatamos a primeira utilização do PBA em residência de urologia no Brasil. A metodologia de consenso de grupo associada a um processo de capacitação mostrou-se como opção para elaboração desse tipo de instrumento. A correlação positiva entre melhora do desempenho no PBA e o tempo de treinamento corrobora estudos que resultaram em consolidação da validade e confiabilidade da ferramenta. Conclusão: A elaboração de protocolos de PBA por consenso de grupo é factível e resultou na primeira utilização dessa ferramenta em residência de urologia no Brasil. O PBA pode representar uma estratégia de avaliação de ensino cirúrgico mais moderno e adequado ao treinamento em cenários reais.

Avaliação de habilidades clínicas e feedback na residência médica em Pediatria

PID: S1981-52712021000200227 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Auto Vasconcelos Peixoto
Resumo: Introdução: A residência médica é a especialização por excelência na formação do médico, e cabe ao programa assegurar que o residente egresso atinja o nível almejado de competência. Um sistema avaliativo bem elaborado e com feedback é ferramenta efetiva para aprimorar o desempenho do futuro especialista e garantir a qualificação dele. Objetivo: Este estudo teve como objetivo analisar o sistema de avaliação do médico residente em pediatria de um hospital universitário, com o intuito de promover a formação docente em métodos avaliativos. Método: Trata-se de uma pesquisa-ação educacional (pesquisa-ensino) realizada com docentes e preceptores da residência médica em pediatria de um hospital universitário. As etapas consistiram em: 1. aplicação de questionário sobre o perfil dos participantes e os métodos avaliativos utilizados com os residentes; 2. intervenção com a realização de um workshop sobre avaliação de habilidades clínicas e feedback; 3. avaliação imediata, após o workshop, com aplicação de outro questionário, elaborado com base no nível 1 do método Kirkpatrick. Utilizaram-se a análise estatística simples, para os dados objetivos, e a análise de conteúdo, segundo recomendações de Malheiros e Bardin, para a parte qualitativa. Resultado: Dos 21 participantes, dez (48%) informaram que não tinham capacitação formal em avaliação e que utilizavam métodos avaliativos mais tradicionais. Quanto aos métodos, 81% (17/21) dos participantes informaram que utilizavam mais de um, com finalidade somativa, para obter uma avaliação mais abrangente e fidedigna. No entanto, nenhum utilizava uma avaliação sistematizada de habilidades clínicas com fornecimento de feedback. Após o workshop com enfoque em avaliação de desempenho em ambiente simulado, em que se adotou o Objective Structured Clinical Examination (OSCE), os participantes utilizaram, com os internos, o método avaliativo do aprendizado na sua prática cotidiana, e, dessa forma, o treinamento atingiu o nível 3 de Kirkpatrick. Conclusão: A pesquisa-ação propiciou identificar limitações no sistema de avaliação e feedback do médico residente em pediatria. A metodologia utilizada revelou um efeito agregador e contribuiu para desenvolver o sentido colaborativo e integrativo no grupo. No entanto, não foi suficiente para interferir positivamente, em curto prazo, na avaliação da residência médica em pediatria.
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