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Avaliação dos níveis de ansiedade e seus fatores associados em estudantes internos de Medicina

PID: S1981-52712021000100212 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Nogueira Matos Machado Araújo Silva Almeida
Resumo: Introdução: O período do internato para um estudante de Medicina é complexo e demanda atenção das escolas médicas em relação à saúde mental desses médicos em formação. Objetivo: Este estudo teve como objetivo avaliar os fatores associados aos níveis de ansiedade em estudantes internos de Medicina. Método: Trata-se de um estudo transversal analítico com abordagem quantitativa. Aplicaram-se dois questionários: um com dados sociodemográficos, pessoais e clínicos, e o Inventário de Ansiedade de Beck (BAI). Resultados: Foram incluídos na pesquisa 140 estudantes internos de um curso de Medicina. A maioria tinha até 24 anos (67,9%) e 70,7% eram do sexo feminino. Dos participantes, 54,2% eram solteiros, 31% eram adeptos de uma religião e 68,3% moravam com familiares. Na comparação dos aspectos sociodemográficos com os níveis de ansiedade, identificou-se, no sexo feminino, uma frequência bem maior de ansiedade leve e moderada do que no sexo masculino (p = 0,0133). Aspectos pessoais e clínicos comparados com os níveis de ansiedade mostraram uma frequência maior de ansiedade em estudantes que afirmaram realizar terapia psiquiátrica ou psicológica (p = 0,0110). Ter insônia esteve relacionado com ansiedade de moderada a severa (p < 0,0001). A utilização de substâncias que alteram o sono foi associada com maior frequência a todos os níveis de ansiedade (p = 0,0099). A satisfação com o rendimento acadêmico teve menor relação com os níveis de ansiedade (p = 0,0017). Entretanto, maiores frequências de ansiedade de moderada a severa e ansiedade severa foram encontradas nos alunos que afirmaram ter pensado em abandonar o curso de Medicina (p = 0,0239). Conclusão: O presente estudo revelou os aspectos sociodemográficos, pessoais e clínicos, e, consequentemente, os fatores de risco que estão mais associados ao nível de ansiedade em estudantes internos de Medicina. Ademais, expõem-se as consequências que os níveis de ansiedade podem provocar em um indivíduo, sendo imprescindível a adoção de medidas para combater e prevenir o desenvolvimento de sintomas ansiosos.

Avaliação dos pacientes em relação à presença do estudante de medicina durante os atendimentos ambulatoriais

PID: S1981-52712021000300210 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Oliveira Botim Oliveira Freitas Ferreira
Resumo: Introdução: A educação médica nas últimas décadas caminhou para um entendimento da importância de que os futuros profissionais sejam submetidos à aprendizagem em cenários de práticas o mais cedo possível dentro da graduação médica. Objetivo: Tendo em vista esse cenário diferenciado, o estudo dedicou-se a realizar uma avaliação pelos pacientes dos atendimentos em ambulatório do SUS realizados por estudantes de Medicina de diversos períodos, sob supervisão de preceptores médicos. Método: Foi realizado estudo transversal e descritivo por meio da aplicação de 200 questionários autopreenchidos. Resultado: A maior parte dos pacientes entrevistados relatou que foi informada previamente desse tipo de atendimento, que houve solicitação de consentimento e que os estudantes foram respeitosos e educados. Por conta disso, os pacientes sentiram-se satisfeitos em contribuir para o aprendizado dos estudantes e receberam mais explicações do seu estado de saúde. Tudo isso resultou em uma taxa de 98,5% de satisfação dos pacientes com o atendimento recebido. Em relação à duração do atendimento, houve relação entre a percepção de inadequação do tempo, a ausência do pedido de consentimento e a baixa escolaridade. Alguns pacientes mencionaram situações de incômodo, constrangimento ou desrespeito. Conclusão: A pesquisa demonstrou que a maioria dos pacientes entrevistados se sentiu satisfeita com o atendimento recebido pelos estudantes, o que comprova que esse tipo de metodologia de ensino tem sido bem recebido pela população. O estudo também evidenciou alguns aspectos que precisam ser melhorados, revelando necessidade de ações por meio da coordenação para aperfeiçoar esse importante método de ensino e o serviço de saúde ofertado à população.

Avaliação em uma residência de radiologia: elaboração de um novo instrumento e experiência inicial

PID: S1981-52712021000300215 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Macêdo Vilar Macêdo
Resumo: Introdução: A educação médica baseada em competências tem despertado interesse nas últimas décadas. A avaliação do educando constitui um de seus pilares centrais, devendo ser contínua, fundamentada em critérios claros e eminentemente formativa, sempre provendo feedback. A sistematização dos métodos de avaliação envolve variáveis como confiabilidade, validade, aceitabilidade, impacto educacional e custo. Na radiologia, a literatura carece de instrumentos específicos de avaliação, especialmente em programas de residência médica no Brasil. Objetivo: Este estudo teve como objetivos elaborar e implementar um instrumento avaliativo com caráter formativo para o Programa de Residência Médica em Radiologia e Diagnóstico por Imagem (PRM-RDI) do Hospital Universitário Onofre Lopes da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (Huol-UFRN), que englobe competências específicas e crie oportunidades para feedback nos cenários de prática. Método: Trata-se de um estudo de abordagem descritiva, exploratória e de intervenção, com três etapas. As duas primeiras consistiram em oficinas com médicos residentes e preceptores: uma para conceituação e compreensão da avaliação por competências e de técnicas de feedback, e outra para construção coletiva de um instrumento avaliativo adequado à radiologia, definindo as competências mais importantes a serem avaliadas. Na terceira etapa, os pesquisadores acompanharam a aplicação inicial do instrumento pelos preceptores. Resultado: As duas oficinas tiveram participação de três pesquisadores, 16 preceptores e cinco residentes. O instrumento de avaliação resultante contém inicialmente um cabeçalho para preenchimento de dados do residente e do avaliador, do local e exame realizado. Há ainda sete competências que devem ser avaliadas em relação ao esperado para o nível do residente e uma escala para conceito geral da avaliação, seguida de campos para comentários do preceptor e do residente. O instrumento foi aplicado 33 vezes nos cenários de prática, num período de seis meses. Conclusão: A realização de oficinas de capacitação para os preceptores, com a introdução de uma nova cultura de avaliação, foi fundamental para a construção e experiência inicial na aplicação do instrumento no referido programa. O instrumento apresentou viabilidade, baixo custo e teve boa aceitabilidade entre preceptores e residentes, servindo como marco inicial na busca por uma avaliação sistematizada na residência médica na área de radiologia.

Avaliação por pares na educação médica: um relato das potencialidades e dos desafios na formação profissional

PID: S1981-52712021000200403 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Kaim Lima Santana Raimondi Paulino
Resumo: Introdução: As Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) para o curso de Medicina propõem métodos de ensino e avaliação em que os discentes possam desenvolver criticidade em relação às necessidades de aprendizado. Nesse contexto, a avaliação por pares (AP) apresenta-se como uma estratégia didática capaz de potencializar esse processo. Apesar disso, ainda se observa pouco uso dessa ferramenta na graduação, contudo ela é frequente em congressos científicos e avaliação de periódicos. Diante disso, este relato de experiência busca compartilhar os aprendizados e as reflexões da implementação sistematizada da AP em um componente curricular de Saúde Coletiva do curso de Medicina da Universidade Federal de Uberlândia. Relato de experiência: O componente em que a atividade foi criada contava com atividades teórico-práticas durante o semestre. Assim, a atividade relatada iniciou-se com a elaboração de pôsteres ao longo do semestre em razão de sua importância em congressos médicos. Esses pôsteres discorriam sobre as vivências dos alunos na atenção primária à saúde. A avaliação desses pôsteres foi feita consecutivas vezes por meio de instrumento de AP pactuado com os estudantes previamente, o qual pontuava critérios estruturais do pôster, bem como seu conteúdo. Os acadêmicos puderam ser avaliados e atuar como avaliadores, sendo supervisionados pelos professores, o que contribuiu para o desenvolvimento da criticidade no processo de aprendizagem. Discussão: Inicialmente, a atividade gerou estranheza dada a pouca familiaridade dos alunos com a AP, o que foi superado ao longo do semestre. Como limitações, apontamos a necessidade de lidar com as subjetividades no processo avaliativo dos alunos, de formação em feedback e gestão de conflitos, além de possíveis limitações tecnológicas dos discentes. Conclusão: A AP, embora seja uma estratégia utilizada em outros cenários científicos, possui caráter inovador na graduação e pode promover as competências esperadas para um profissional médico crítico e autônomo, como a familiaridade com a prática do feedback e a capacidade de análise crítica.

Avaliação psicométrica do instrumento Instructional Materials Motivation Survey (IMMS) em ambiente remoto de aprendizagem

PID: S1981-52712021000500204 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Cardoso-Júnior Faria
Resumo: Introdução: A motivação contribui sobremaneira para a aprendizagem, sendo um fator preditor da performance do estudante. Assim, instrumentos que avaliam a motivação, após exposição a diferentes estratégias e materiais de ensino, podem contribuir para a análise de sua efetividade e decisão sobre esta. Nesse sentido, o instrumento Instructional Materials Motivation Survey (IMMS) mede a motivação dos estudantes após atividades instrucionais. Objetivo: Esta pesquisa teve como objetivo avaliar as evidências de validade do IMMS, previamente traduzido e adaptado transculturalmente para o português brasileiro. Método: Trata-se de um estudo transversal de avaliação das propriedades psicométricas do questionário IMMS, aplicado a 211 estudantes do primeiro, terceiro e quarto períodos do curso de Medicina da Universidade José do Rosário Vellano (Unifenas - câmpus de Belo Horizonte). Adotaram-se a análise de componentes principais (ACP) com rotação Varimax e o coeficiente alfa de Cronbach para avaliação da validade e da confiabilidade do instrumento. Resultado: A ACP reduziu os itens do instrumento de 36 para 25, distribuídos em quatro dimensões. A saturação dos itens nas dimensões variou de 0,529 a 0,790, e a variância total explicada foi de 63,12%. A confiabilidade do IMMS modificado (IMMS-BRV), medida pelo alfa de Cronbach, variou de 0,76 (dimensão atenção) a 0,93 (dimensão interesse). Conclusão: A aplicação do IMMS no cenário de ensino remoto, por meio de videoaulas assíncronas de anatomia humana, resultou em instrumento alternativo (IMMS-BRV), modificado com menor número de itens (mais parcimonioso) e boa consistência interna, demonstrando evidências preliminares de adequação de sua validade e confiabilidade.

Captação de recursos para pesquisas e o terceiro setor: o que os docentes sabem?

PID: S1981-52712021000200208 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Carvalho Barros Limonge Carneiro Nylander Costa
Resumo: Introdução: O crescimento socioeconômico de um país acontece por meio do desenvolvimento de ciência e tecnologia, e, por isso, a parceria com o terceiro setor é positiva ao auxiliar o financiamento de projetos científicos. Objetivos: Assim, o presente estudo objetiva avaliar as formas de captação de recursos mais utilizadas pelos docentes de Medicina para a execução de seus estudos científicos e verificar se há o reconhecimento do terceiro setor como opção para tal obtenção. Métodos: Trata-se de um estudo transversal analítico com abordagem quali-quantitativa, construído por meio do uso de um formulário individual aplicado aos docentes do curso médico de cinco instituições do ensino superior do Norte/Nordeste do Brasil. Os dados obtidos foram analisados por estatísticas descritiva e analítica. Resultados: Participaram 138 professores, de ambos os sexos, com idade média ± 43,2 anos. A pesquisa mais comumente desenvolvida pelos docentes foi a básica (56,1%); 68,8% utilizaram recursos próprios para o desenvolvimento de seus estudos; 18,8% obtiveram recursos de entidades de apoio à pesquisa; 75,4% conheciam alguma fundação de amparo à pesquisa, e as mais citadas foram a Fapespa (26,9%) e o CNPq (26,9%); 13,8% relataram conhecer sites e empresas multinacionais que fomentam projetos de pesquisas, mas somente 2,2% submeteram sua iniciativa às chamadas públicas em instituições internacionais para captação; quando perguntados sobre o terceiro setor, seus fundamentos e atores definidos pela legislação, o estudo apontou uma falta de conhecimento, com 100% de inadequação nas respostas sobre tais entidades; quanto à parceria entre o terceiro setor e o Estado, 83,3% sinalizaram desconhecimento;100% dos entrevistados desconhecem os critérios para uma entidade integrar tal setor, ao mesmo tempo que 76,8% afirmaram que a falta de orientação dos conceitos do ramo não é entrave para a captação de recursos às pesquisas. Conclusão: A maioria dos docentes utilizava recursos próprios para a realização de seus projetos, seguidos pelo uso de recursos públicos. Ademais, grande parte dos profissionais não reconheceu o terceiro setor como fonte patrocinadora, carecendo de informações que lhes possibilitassem desenvolver atividades de forma ampla e com as diversas oportunidades existentes, oferecidas por entidades desse setor.

Carga horária de cirurgia em escolas médicas do Brasil

PID: S1981-52712021000100229 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Martini Oliveira Grosseman
Resumo: Introdução: A cirurgia é um importante componente dos currículos dos cursos de graduação em Medicina. Este estudo foi realizado por não se conhecer a carga horária de cirurgia nas escolas médicas brasileiras. Objetivo: Analisar a carga horária de cirurgia de escolas médicas brasileiras. Método: Este estudo foi transversal e descritivo, realizado em escolas médicas brasileiras reconhecidas pelo Ministério da Educação que iniciaram atividades até 31 de dezembro de 2017 e disponibilizavam matriz curricular e/ou projeto político-pedagógico com carga horária de cirurgia na internet até setembro de 2018. As variáveis estudadas foram carga horária total e de cirurgia antes do internato e durante esse período, região geográfica e gratuidade das escolas. Os dados foram analisados por meio de estatística descritiva, teste t de Student, análise de variância e testes U de Mann-Whitney e de Kruskal-Wallis, rejeitando-se a hipótese nula quando p < 0,05. Resultados: Foram incluídas 205 das 323 escolas médicas existentes, das quais 175 disponibilizavam carga horária de cirurgia no internato; 157, antes do internato; e 129, disponibilizavam ambas as cargas horárias. A mediana da carga horária total de cirurgia foi de 815,0 horas (P25 - 75 = 677,5 - 992,0; limites: 340,0 - 1.665,0 horas), e a carga horária média antes do internato foi de 268,7 horas (desvio padrão = 140,3; limites: 32,0 - 780,0), ambas sem diferença estatística por região geográfica ou gratuidade da escola. A mediana da carga horária do internato foi de 540,0 horas (P25 - 75 = 400,0 - 712,0; limites: 170,0 - 1.410,0), sem diferença estatística por região geográfica, mas maior nas escolas gratuitas. Em relação à carga horária total do currículo do curso, a porcentagem média da carga horária de cirurgia antes do internato foi 3,2% (desvio padrão = 1,7); a porcentagem mediana da carga horária de cirurgia no internato, 6,4% (P25 - 75 = 5,0 - 8,2); e a porcentagem mediana da carga horária de ambos os períodos foi de, 9,7% (P25 - 75 = 8,3 - 11,8). Conclusões: Apesar da variação nos limites extremos da carga horária de cirurgia, a mediana de seu total e sua média antes do internato são semelhantes por região geográfica e gratuidade da escola, e sua mediana no internato é também semelhante por região, mas maior em escolas médicas gratuitas. Os valores encontrados neste estudo podem ajudar os gestores na avaliação e no planejamento da carga horária de cirurgia em suas escolas.

Carga horária de saúde coletiva antes do internato em escolas médicas brasileiras

PID: S1981-52712021000100227 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Oliveira Martini Grosseman
Resumo: Introdução: Os limites da carga horária (CH) de saúde coletiva (SC) antes do internato (AI) não estão definidos nas Diretrizes Curriculares Nacionais, nem em outros documentos, e não foram investigados de forma abrangente em estudos nacionais. Objetivo: Analisar a CH de SC AI em escolas médicas (EM) brasileiras. Método: Estudo transversal, com escolas reconhecidas pelo Ministério da Educação que iniciaram as atividades até 31 de dezembro de 2017. Os sites das 323 escolas existentes foram consultados, e foram incluídas aquelas que disponibilizavam seus currículos na internet com detalhamento de CH de SC AI. As variáveis foram região geográfica e administração da escola, CH do curso de medicina e CH de SC AI, incluindo também as CH de epidemiologia, bioestatística e saúde do trabalhador. Os dados foram analisados usando-se estatística descritiva, teste de qui-quadrado (Ӽ2) de Pearson para variáveis categóricas e testes Mann-Whitney-U (U) e Ӽ2 de Kruskal-Wallis para variáveis contínuas. Resultados: Foram incluídas 222 das 323 EM existentes (68,7%), sendo 83 gratuitas (37,4%) e 139 não gratuitas (62,6%). A mediana da CH total de SC AI foi de 440,0 horas (P25-75 = 300,0 - 640,0), equivalente a 5,4% (P25-75 = 3,5 - 7,8) da CH total do curso. A mediana da CH de SC AI em horas das escolas privadas e municipais foi de, respectivamente, 480,0 (P25-75 = 330,7 - 679,2) e 576,0 (P25-75 = 360,0 - 766,0); no caso das estaduais e federais, a mediana foi de, respectivamente, 337,0 (P25 - 75 = 281,2 - 524,2) e 370,0 (P25-75 = 300,0 - 480,0), Ӽ2(3) = 11,48, p = 0,009. As escolas não gratuitas tiveram mediana de CH total de SC de 500,0 horas (P25-75 = 336,0 - 690,0) e as gratuitas de 364,0 horas (P25-75 = 285,0 - 504,0), U = 4.259,0, z = - 3,26, p = 0,001. A mediana da CH, em horas, de epidemiologia e bioestatística AI entre 124 escolas foi de 88,0 (P25-75 = 60,0 - 120,0) e de saúde do trabalhador entre 63 foi de 40,0 (P25-75 = 33,0-60,0). Conclusões: A CH de SC AI apresenta grande variação, sendo maior em escolas não gratuitas.

Cartas a um jovem mentor - aprendendo mentoria com os clássicos

PID: S1981-52712021000400801 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Bellodi
Resumo: Introdução: Como ser mentor para alguém? Como fazer acontecer a mentoria? Qual é o caminho a seguir? Podemos aprender sobre mentoria no cotidiano, em programas estruturados e, desde a sua origem, nos clássicos literários. Neste ensaio, a partir de releitura pessoal do livro Cartas a um jovem poeta, de Rainer Maria Rilke, busco identificar e apresentar elementos que possam aprofundar a compreensão do ser mentor e do fazer mentoria. Desenvolvimento: A troca de correspondências entre o poeta experiente e o iniciante mostra a importância da generosidade e da humildade como atributos de um mentor. Mesmo a distância e mediada por cartas, a relação é sustentada pelos três vértices da mentoria que promovem desenvolvimento: o acolhimento, a reflexão e a visão. Conclusão: Mentores modernos podem encontrar, nessa e em outras narrativas clássicas, novas inspirações para o seu fazer. Rilke e o jovem Kappus, tal como Mentor e Telêmaco, na Odisseia, caminham juntos e nos contam uma história que vale a pena ler e reler.

Cartografia das escolas médicas: a distribuição de cursos e vagas nos municípios brasileiros em 2020

PID: S1981-52712021000100204 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Pereira Fernandes Mari Lage Fernandes
Resumo: Introdução: O número de cursos de Medicina no Brasil e a quantidade de vagas ofertadas cresceram consideravelmente nos últimos anos. A partir de 2013, essa expansão tinha o objetivo de atingir sobretudo o interior do país. Objetivo: Considerando que existem diversos interesses em torno dessa expansão e que essa realidade influencia diretamente as políticas de educação e saúde do país, o objetivo deste estudo foi analisar a quantidade e a distribuição, em 2020, desses cursos e vagas nos municípios brasileiros. Método: Trata-se de estudo transversal com dados disponibilizados pelo Ministério da Educação e pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). As variáveis estudadas foram números de cursos, número de vagas e características dos municípios das escolas médicas, como tamanho da população, Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e distância em relação à capital do respectivo estado. Resultados: Há 328 cursos em atividade que ofertam 35.480 vagas para ingressantes em Medicina. Ocorre diferença quando se analisam instituições públicas ou privadas e instituições gratuitas ou pagas. Há maior oferta de vagas em cursos pagos (74,1%) e em municípios de interior (69,8%). No interior, 27,8% das vagas são ofertadas por municípios distantes de um a 100 km da capital. A menor parte das vagas (7,9%) é ofertada em municípios de IDH médio, sendo o restante em municípios de IDH alto ou muito alto. O aumento do IDH está relacionado à maior proporção de cursos privados ofertando vagas de Medicina. Observou-se que não há correspondência entre o número absoluto de vagas e a população da Região Norte, o que ocorre nas demais regiões do país. Conclusões: A formação médica está sob várias influências, a exemplo das tendências econômicas e políticas. Essa discussão precisa levar em consideração a regionalização e a democratização do acesso. Observou-se tendência de as instituições públicas se destinarem a municípios mais distantes. Apesar de maior homogeneidade entre as regiões, a Região Sudeste ainda concentra quase metade das vagas. Além disso, o aumento do número de vagas em cursos privados evoca o questionamento sobre o perfil de estudantes que têm a oportunidade de acessar essa graduação.

Cinema brasileiro e o ensino dos transtornos da personalidade

PID: S1981-52712021000200226 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Honorato Mazzaia Avezani Lotufo Neto
Resumo: Introdução: O uso de filmes comerciais em sala de aula é uma prática comum e acessível. A prática de exibição de filmes para o ensino é definida pelo termo cinemeducation. Objetivo: O presente estudo partiu da hipótese de que o cinemeducation, como metodologia ativa, poderia contribuir para o aprendizado dos transtornos da personalidade (TP) na graduação. Foram ministradas aulas presenciais para 213 estudantes de Medicina, Enfermagem, Psicologia, Fisioterapia e Fonoaudiologia, para avaliar o conhecimento desenvolvido sobre TP. Método: O estudo é transversal e quantitativo, composto por amostras pareadas e dependentes (antes e depois). As etapas foram: 1. aplicação de instrumento avaliativo em forma de questionário (antes); 2. aula composta por exibição de cenas de filmes brasileiros e reflexão e discussão sobre elas; 3. aplicação do mesmo questionário (depois); e 4. análise estatística comparativa entre os resultados. Resultados: O método se mostrou efetivo para o processo ensino-aprendizagem, havendo melhora autorreferida no conhecimento dos estudantes após a aula (questão 1) e melhora observável ao identificarem e conceituarem os TP (questão 3). Além disso, os estudantes referiram, em média, que a estratégia contribuía para a aprendizagem, antes da aula, e mantiveram em média essa opinião, depois (questão 2). Conclusões: Alcançou-se o objetivo proposto porque se utilizou amostra estatisticamente significativa de estudantes, e os resultados confirmaram que o método é efetivo para o ensino. Além disso, a discussão evidenciou que o uso dos filmes pode contribuir para o o aprendizado, condizendo com as características de estudantes da geração atual, uma vez que valoriza o uso de tecnologias em sala de aula e permite o aprendizado crítico-reflexivo e a participação ativa dos sujeitos. As limitações do estudo se referem à escassez de filmes brasileiros contemporâneos que exemplifiquem todos os TP, não havendo cenas representativas para TP esquizotípica, dependente e esquiva. Além disso, considera-se necessário estudo comparativo entre o método tradicional de ensino dos TP e o cinemeducation, de forma a investigar a eficácia deste quando comparado às aulas tradicionais.

Competências clínicas do aluno de medicina em urgência e emergência: análise evolutiva através do OSCE

PID: S1981-52712021000500206 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Roderjan Gomel Tanaka Egg Neto Chao Nisihara
Resumo: Introdução: Um dos maiores desafios em avaliar a formação médica é mensurar habilidades práticas, transpondo os limites do conhecimento teórico. O OSCE é uma alternativa de avaliação ativa e padronizada das competências clínicas. Apesar da sua crescente implementação, ainda são escassos os estudos longitudinais que subsidiem seu potencial avaliativo. Objetivo: Analisar a curva de aprendizagem dos estudantes de medicina com base na avaliação evolutiva de seus desempenhos nos OSCE de Urgência e Emergência. Método: Estudo retrospectivo a partir da análise de checklists avaliativos de três OSCE consecutivos, aplicados ao longo de 2019 a alunos do sexto ano de medicina da Universidade Positivo, na disciplina de Urgência e Emergência. Resultado: Foram analisados 270 checklists, aplicados a 90 alunos. Desse grupo, 51 (56,7 pontos percentuais) eram do gênero feminino e 69 (76,7 pontos percentuais) tinham entre 23 e 26 anos. Entre o primeiro e terceiro OSCE, 67 alunos (74,4 pontos percentuais) obtiveram um acréscimo significativo na nota final, cuja mediana foi elevada em 1,5 ponto. A partir da análise da evolução por componentes - conduta, reconhecimento, interação e seguimento - observou-se aumento no percentual de acertos em conduta (15,5 pontos percentuais), manutenção em reconhecimento, decréscimo tanto em interação (19,4 pontos percentuais) quanto em seguimento (16,1 pontos percentuais). Conclusão: O estudo aponta uma curva crescente das notas nos exames OSCE, sugerindo um aumento no aprendizado geral em Urgências e Emergência ao longo do ano. No entanto, a análise minuciosa dos componentes revela diferentes curvas de desempenho. Não sendo possível supor as causas destes contrapontos, são sugeridos mais estudos na área.

Comunicação clínica no internato: habilidade em interface com o currículo integrado e orientado por competência

PID: S1981-52712021000300205 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Lima Pio Nonato Chirelli Bettini
Resumo: Introdução: A comunicação clínica é um instrumento de interação entre profissionais e destes com os usuários, importantíssimo para assegurar o cuidado integral dos indivíduos. A complexidade das demandas biopsicossociais dos usuários deve ser compreendida e trabalhada por meio de habilidades desenvolvidas para além do conhecimento técnico e biomédico, com formação mais ampliada em relação ao ser humano. No currículo de uma instituição de ensino superior do interior paulista, a comunicação clínica é competência esperada do estudante em todos os cenários da graduação. No internato médico, em especial, é importante que a prática da comunicação seja trabalhada integradamente, considerando os aspectos biopsicossociais do sujeito relacionados ao cuidado; todavia, a literatura demonstra que essa habilidade é explorada superficialmente na formação, acarretando dificuldade de sua efetivação. Desse modo, parte-se do pressuposto de que há diferentes compreensões acerca do conceito de comunicação clínica e de sua articulação teórico-prática entre docentes e discentes, sendo preciso analisar a formação no internato acerca destes. Objetivo: Assim, objetivou-se questionar como professores e estudantes do internato de um curso médico compreendem o processo de ensino-aprendizagem acerca da comunicação clínica em um currículo integrado e orientado por competência na matriz dialógica. Método: Trata-se de um estudo qualitativo que contou com a participação de 11 estudantes da quinta série, 12 estudantes da sexta série e nove professores do internato. As entrevistas foram semidirigidas e realizadas a partir de um roteiro de entrevista, sendo posteriormente transcritas e submetidas à análise de conteúdo, modalidade temática. Resultado: Três categorias emergiram do conjunto de concepções e características dos temas comunicação clínica e currículo: 1. “O que envolve a comunicação clínica”, 2. “Desenvolvimento da comunicação clínica na graduação” e 3. “Proposições para a formação de estudantes e professores no internato”. Pôde-se observar o entendimento acerca do conceito de comunicação clínica e sua importância na formação dos estudantes, porém evidenciou-se dificuldade de desenvolvimento na formação devido ao desconhecimento do currículo, sobrecarga discente e desvalorização docente. Conclusão: O estudo contempla a comunicação clínica no internato e possibilidades de reflexão acerca de lacunas citadas pelos estudantes e professores.

Comunicação de más notícias com pacientes padronizados: uma estratégia de ensino para estudantes de medicina

PID: S1981-52712021000200222 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Isquierdo Miranda Quint Pereira Guirro
Resumo: Introdução: A comunicação é intrínseca ao ser humano e necessária para a prática médica. Comunicar más notícias é uma das tarefas mais difíceis impostas aos médicos, e o aprendizado dessa habilidade deve fazer parte do ensino médico. O aprendizado de comunicação deve fazer parte desde a graduação médica. Objetivo: Este estudo teve como objetivos avaliar a qualidade da comunicação de más notícias de estudantes de Medicina submetidos a cenários simulados com paciente padronizado (PP), proporcionar orientação e reavaliar a habilidade com intervalo de 30 dias. Método: Os estudantes de Medicina foram submetidos, individualmente, a um cenário simulado de comunicação de más notícias com PP e avaliados por meio de um instrumento com 34 itens, no intervalo de 30 dias (oficinas D1 e D30). Após a simulação, realizou-se um debriefing com a presença da docente, dos auxiliares de pesquisa e dos atores, ressaltando os pontos positivos, os pontos a melhorar e a orientação baseada no protocolo SPIKES. Resultado: Em D1, compareceram 60 estudantes, e, destes, 53 retornaram em D30. Em D1, o desempenho médio foi 0,44 ± 0,22; e, em D30, 0,71 ± 0,15 (intervalo de 0 a 1). O bom desempenho do estudante esteve correlacionado com a comunicação efetiva da má notícia e com o acolhimento do paciente (p < 0,001). Aqueles que não tiveram desempenho satisfatório em D1 puderam adquirir habilidades no primeiro momento, e 86,1% mostraram melhor desempenho em D30. Dos que já tinham obtido desempenho satisfatório em D1, 75% o mantiveram em D2. De acordo com a avaliação, 98,1% dos estudantes apreciaram o treinamento como um todo. Conclusão: O treinamento em ambiente simulado permitiu o aprimoramento da habilidade de comunicação dos estudantes e mostrou ser uma ferramenta eficaz no ensino médico. A comunicação de más notícias foi melhorada no intervalo de 30 dias, por meio de treinamento em cenário simulado com PP, seguido de orientação e novo treinamento em 30 dias. Inserir estudantes na atividade e instruir sobre pontos fundamentais da comunicação de más notícias, por meio do debriefing coletivo, tornou os participantes mais qualificados.

Conhecimento dos alunos de medicina sobre papilomavírus humano (HPV), câncer cervical e vacinação contra HPV

PID: S1981-52712021000300213 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Wanderley Sobral Resende Levino Marques Feijó Aragão
Resumo: Introdução: Há ainda, entre os estudantes de Medicina, muitas dúvidas com relação ao papilomavírus humano (HPV) e à vacina contra esse vírus. Objetivo: Este estudo teve como objetivo avaliar a compreensão dos estudantes de Medicina da Universidade de Brasília acerca do HPV, da sua relação com o câncer e da vacina contra o vírus. Método: Foi realizado um estudo transversal por meio da aplicação de um questionário teste sobre os temas. A avaliação envolveu 379 respondentes, o que representava 72,7% dos 521 alunos do primeiro ao sexto ano matriculados no segundo semestre de 2017. As análises estatísticas incluíram diferenças entre médias e proporções, medidas de tamanho de efeito e a correlação entre os indicadores identificados. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa em Seres Humanos da Faculdade de Medicina (1,989,835). Resultado: A pontuação de conhecimento de 50 itens aumentou progressivamente com o ano do curso médico (r = 0,706, p <0,001) e foi maior entre os participantes sexualmente ativos em comparação com os celibatários (t = 3,26, df = 275, p = 0,001, d = 0,37), e entre os participantes com renda familiar mais alta em comparação com aqueles com renda mais baixa (t = 2,91, df = 366, p = 0,004, d = 0,35). Nenhuma diferença significativa de pontuação foi observada entre os participantes agrupados por gênero, comportamento sexual ou estado de vacinação contra o HPV. Além disso, sexo (feminino; OR = 6,5, p <0,001), faixa etária (<24 anos; OR = 3,3, p = 0,001) e sexualidade (ativo; OR = 2,7, p = 0,002), mas não o conhecimento geral, foram preditores do desejo de vacinação entre 297 alunos não vacinados. Conclusão: O estudo revelou uma forte correlação entre o conhecimento relacionado ao HPV dos estudantes de Medicina e o ano de estudo, e pontuações significativamente mais altas entre os respondentes sexualmente ativos e de renda superior, mas não houve nenhuma diferença essencial entre homens e mulheres ou entre alunos vacinados e não vacinados. Entre estes últimos, gênero, idade, sexualidade, e não o conhecimento foram os melhores preditores do desejo de vacinação. Os achados sugerem a necessidade de aperfeiçoamento em programas de triagem e vacinação para HPV e nas estratégias educacionais referentes às doenças relacionadas ao vírus.

Construção de consenso Delphi das competências otorrinolaringológicas preconizadas ao egresso de Medicina

PID: S1981-52712021000300202 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Rodrigues Dias Toledo Junior
Resumo: Introdução: Afecções otorrinolaringológicas são destaques entre as enfermidades mais frequentes na atenção primária. Acredita-se que a sobrecarga na atenção secundária seja consequência da baixa resolução dos problemas na atenção primária. Uma possível explicação para esse fato seria a deficiência na capacitação médica durante a graduação. Estima-se que a carga horária média de otorrinolaringologia seja 0,6% da carga horaria média total, após análise de 141 matrizes curriculares, correspondendo a aproximadamente 70,5% do total das escolas médicas em funcionamento em 2013. Nessa área, poucos estudos têm sido realizados em relação ao ensino e à necessidade de reavaliação curricular. Objetivo: O presente estudo tem o intuito de buscar um consenso sobre as competências necessárias ao generalista na especialidade de otorrinolaringologia. Métodos: Criou-se um questionário inicial que abordava as competências otorrinolaringológicas pertinentes à prática clínica dos médicos da atenção primária. Por meio da metodologia Delphi, no formato eletrônico, o questionário foi enviado para 20 especialistas com formações distintas: médicos generalistas, otorrinolaringologistas e médicos de família e comunidade. Essa heterogeneidade entre os especialistas contribuiu para garantir a confiabilidade dos resultados. Os resultados obtidos após cada rodada eram analisados pelos pesquisadores, que observavam as tendências e as opiniões dissonantes, bem como suas justificativas. Ao final da sistematização e compilação dos resultados, um novo questionário era elaborado e reenviado, iniciando uma nova rodada até que o consenso fosse estabelecido em todas competências. Resultados: Realizaram-se cinco rodadas para o estabelecimento do consenso em todas as 17 competências otorrinolaringológicas avaliadas pelas proposições, o possibilitou a definição do nível de competência dos conteúdos e procedimentos otorrinolaringológicos preconizados ao egresso de Medicina. Conclusão: Os dados obtidos neste trabalho podem servir para o embasamento, direcionamento e desenvolvimento do currículo otorrinolaringológico nos cursos de graduação de Medicina, visto que não se encontrou na literatura consenso estabelecendo as competências mínimas otorrinolaringológicas na formação curricular da graduação.

Correlação entre os domínios de competência do tutor e o desempenho estudantil: estudo transversal

PID: S1981-52712021000300225 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Sousa Falbo-Neto Falbo
Resumo: Introdução: Na aprendizagem baseada em problemas, o tutor atua como facilitador, e, nesse contexto, as congruências social e cognitiva e o conhecimento do conteúdo são considerados aspectos fundamentais para o exercício dessa função. Objetivo: Este estudo teve como objetivo verificar o perfil de domínios de competências do tutor e a correlação com o desempenho do estudante. Método: Trata-se de um estudo transversal realizado de 2016 a 2017 com tutores e estudantes de Medicina da Faculdade Pernambucana de Saúde. Utilizou-se o coeficiente de Spearman para verificar a correlação do perfil de domínios de competência do tutor com o rendimento geral. Resultado: Participaram do estudo 34 tutores e 533 estudantes. Identificaram-se três domínios de competência nas frequências: congruência cognitiva em 88,7%, congruência social em 93,6% e conhecimento de conteúdo em 98,9%. Não foi observada correlação entre os domínios de competência e rendimento. Conclusão: Especula-se que esse achado se deva à falta de controle das variáveis de confundimento.

Covid-19 e o aluno de medicina: qual a participação dos nossos internos?

PID: S1981-52712021000300230 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Sales Castro
Resumo: Introdução: A COVID-19, nova doença infecciosa aguda causada pelo SARS-Cov-2, descoberta na China em dezembro de 2019, é caracterizada - hoje, pela OMS - como pandemia. O regime de distanciamento social implementado em todo o mundo causou importante impacto sobre vários setores, em particular o da educação. As mudanças ocorridas, no Brasil, no âmbito dos cursos de saúde de nível superior, impactaram de forma significativa o desenvolvimento das atividades de internato desempenhadas por acadêmicos de medicina. Objetivo: O estudo buscou identificar as principais mudanças ocorridas na realização do internato dos estudantes de medicina e a visão do interno mediante tais mudanças. Método: Foi elaborado questionário na plataforma Google Forms acerca do impacto da pandemia por COVID-19 nas atividades do internato de medicina. O universo pesquisado era composto por internos de medicina das universidades públicas e privadas de Fortaleza. Os dados coletados foram armazenados em planilhas de Excel e depois analisados no software SPSS. O teste do qui-quadrado e o de associação linear foram utilizados para avaliar a associação entre as variáveis categóricas nominais e ordinais. Em algumas comparações foi também calculado o V de Cramer. O nível de significância para todos os testes foi considerado com base no p<0,05. Resultado: A amostra foi composta por 303 estudantes, dos quais 195 (64,4%) não pararam suas atividades de internato e 108 (35,6%) pararam tais atividades. Esses alunos utilizaram alguns motivos principais como justificativas para a paralisação ou não de suas atividades, bem como responderam, em maioria, terem tido estímulo de seus professores para escolher uma dessas duas opções. Dos que não prosseguiram com o internato, 71,3% disseram terem se sentido prejudicados com a paralisação. Além disso, uma série de correlações foram observadas a partir da comparação das respostas de alunos divididos por semestres ou por tipos de instituição (pública ou privada). Conclusão: A pandemia por COVID-19 determinou impacto negativo na realização das atividades de internato por estudantes de medicina. Dessa forma, fica clara a necessidade por estudo de estratégias que minimizem os danos infligidos aos internos de medicina, acarretados por essa crise mundial.

Covid-19: e-learning como ferramenta para melhoria do conhecimento

PID: S1981-52712021000300226 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Melo Tupinambás Ferri Godoy Torres Palmeira Rocha Reis
Resumo: Introdução: A prevenção e o combate da Covid-19 são de extrema importância. Nesse contexto, a importância do uso de ferramentas de telemedicina tem crescido, incluindo teleconsultas, telemonitoramento epidemiológico, diagnóstico remoto, suporte e treinamento de profissionais de saúde. Objetivo: Este trabalho tem como objetivo relatar os resultados de um curso de treinamento a distância que abordou aspectos relacionados ao Sars-CoV-2 e à Covid-19. Método: Analisaram-se os seguintes aspectos: adesão ao curso, perfil dos alunos, índice de proficiência pré e pós-teste e satisfação com o curso.Trata-se de um estudo transversal que avaliou os dados do curso sobre o Sars-CoV-2 e a Covid-19. Os dados foram analisados em termos de distribuição e comparação de médias e frequências. Um teste t pareado foi usado para comparar as notas do pré e do pós-teste. O valor de p < 0,05 foi considerado significativo.Coletaram-se os dados na plataforma de ensino Moodle, sem identificação dos participantes. Resultado: De 23 de março a 14 de maio de 2020, o curso foi oferecido a 1.008 estudantes de Medicina e profissionais de saúde. A maioria era de Minas Gerais, alguns de outros estados brasileiros e de Moçambique. A maioria concluiu o curso com 89,8% de adesão. As avaliações referentes ao curso, aos tutores, ao grau de satisfação e à segurança para o desempenho profissional após o curso obtiveram pontuação máxima. A comparação entre as séries pré e pós-teste mostrou ganho de proficiência (p < 0,0001). Conclusão: O curso tem contribuído para a formação de estudantes de Medicina e profissionais de saúde do Brasil e de Moçambique. A comissão organizadora conseguiu capacitar alunos e profissionais de saúde com dificuldade de acesso a boas informações técnicas e baseadas em evidências. Após a capacitação, os alunos foram selecionados para atuar em projetos universitários com o objetivo de apoiar prefeituras, secretarias de saúde e comunidade.

Cuidados paliativos e o ensino médico mediado por tecnologias: avaliação da aquisição de competências

PID: S1981-52712021000500205 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Kanashiro Grandini Guirro
Resumo: Introdução: O ensino de cuidados paliativos (CP) é essencial na educação médica. Devido à pandemia da Sars-Cov-2, foi necessário adaptar o ensino presencial para o mediado por tecnologias, e não se sabia se o método era capaz de proporcionar a aquisição de competências aos estudantes. Objetivo: Este estudo teve como objetivo avaliar se ocorreu a aquisição de competências em CP entre os estudantes de Medicina matriculados em uma disciplina de CP mediada por tecnologias. Método: Estudantes de Medicina matriculados na disciplina de CP mediada por tecnologias foram convidados para participar do estudo. Ao longo de sete semanas, abordaram-se as temáticas essenciais dos CP. Houve atividades síncronas e assíncronas, estudo dirigido, problematização e simulação sem pacientes reais. Utilizou-se o questionário PalliComp antes do início das atividades didáticas e ao final para avaliar a aquisição de competências. Os dados obtidos foram submetidos à análise estatística. Resultado: Dos 45 estudantes matriculados, 37 responderam ao questionário PalliComp antes da disciplina e 32 no final. A amostra foi constituída de 68,9% de mulheres e 31,1% de homens, com idade média de 23,9 ± 3,5 anos. O escore geral de competências elevou-se de 63,9 ± 14,7 para 74,9 ± 14,6 (0,001) em uma escala que variava de 0 a 100. A elevação estatisticamente significativa ocorreu nas competências relacionadas ao conceito de CP (< 0,001), à abordagem de sintomas físicos (0,004) e psicoemocionais (< 0,001), à família (0,03) e à tomada de decisão ética (0,05). Não mostraram diferença as competências de abordagens social (0,07) e espiritual (0,13), trabalho em equipe (0,67), comunicação (1,00) e autodesenvolvimento (0,13). Conclusão: Houve aquisição geral de competências em CP entre estudantes de Medicina, e a estratégia de ensino em uma disciplina específica mediada por tecnologias se mostrou válida.
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